sábado, 14 de julho de 2012

A Solidão do Pastor


Muitas vezes, narra o evangelho, Jesus se retirava e geralmente no alto de um monte ficava a sós num colóquio amoroso e reservado com o Pai. Imitando Jesus, assim também fazemos nós cristãos; procuramos nos isolar para na oração pessoal, ficarmos a sós com Deus. Certamente D. Eugenio Sales fazia o mesmo; apartava-se dos assessores e acompanhantes em seus momentos de oração diária na liturgia das horas, na reza do terço, na oração pessoal. Aparente solidão do pastor, pois estava na melhor companhia possível e agora, literalmente, está na melhor companhia possível.

Isto não é mera especulação nem desejo ardente do coração. É fato. Os sinais comprovam isso. Aquele pombo branco sobre o caixão não foi obra do acaso, foi inequívoco sinal de Deus. Não há como não fazer ilação com a passagem bíblica do batismo de Jesus, quando o Espírito Santo, como um pombo, pousou sobre Seus ombros e do céu ouviu-se uma voz: “Eis meu filho muito amado em quem ponho minha afeição”.


D. Eugenio não morreu simplesmente. Foi mergulhado, como num batismo, na glória eterna. O pombo sobre o caixão não ficou por um breve momento, permaneceu horas, ho-ras! Aquele pombo era como se o próprio Espírito Santo estivesse presente em forma corpórea, como um guardião, e comprovasse a santidade daquele homem. E também Jesus, como que falando a nosso coração: “Eis meu servo amado em quem ponho minha afeição. Reverenciai-o”.


Cremos na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna e temos convicção que D. Eugenio goza dessa vida eterna. D. Eugenio, intrépido pastor, na solidão do seu quarto adormeceu para o mundo e despertou nos braços do Pai.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Corpo Místico de Cristo

A verdade da fé católica a respeito do Corpo Místico de Cristo é pouco ensinada aos fiéis e, por isso, pouco conhecida. O prezado leitor, por certo, nunca ouviu uma bela pregação sobre essa verdade, numa missa dominical ou em outra celebração católica. Este artigo pretende levar ao conhecimento dos leitores essa verdade.

O Corpo Místico é a Igreja viva, formada por todos os batizados; quer os que ainda vivem caminhos da vida terrena, a quem chamamos “Igreja Militante” (ou Peregrina), quer os que se encontram no purgatório, a quem denominamos “Igreja Padecente” (ou Penitente), quer os que já se encontram na glória dos céus, que formam a “Igreja Triunfante” (ou Gloriosa).

Essa Igreja viva é o Corpo Místico, cuja cabeça é Jesus Cristo. Numa comparação com o corpo humano, dizemos: Jesus Cristo é a cabeça e nós, Igreja Viva, somos o seu corpo, formado por muitos membros.

 

Corpo Místico

A palavra corpo é usada comumente para designar o nosso corpo humano, material, mas também em outros sentidos que, aliás, nos auxiliam a compreender o corpo místico, formado de cabeça e membros. Dizemos: Corpo de Bombeiros, para designar um grupo de militares que prestam serviços específicos à comunidade. Nesse grupo há um chefe – um cabeça – que comanda e há também os que trabalham sob suas ordens – o corpo. Falamos também em corpo médico do hospital, que é o conjunto de médicos que trabalham num hospital. É nesse sentido mais existencial que compreendemos o Corpo Místico. Jesus ressuscitado é o cabeça de todos batizados; formamos o seu grupo, seu corpo vivo, seus comandados, seus seguidores, seus discípulos.

A palavra místico revela que essa verdade do Corpo de Cristo é um mistério de ordem espiritual, sobrenatural. Só a compreendemos à luz da fé e da revelação divina.

São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo e fazendo uma comparação com o corpo humano escreveu: “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim, o corpo não se consiste em um só membro, mas em muitos” (Cor 12,12-14).


A Cabeça

A cabeça desse corpo é Jesus Cristo ressuscitado e glorioso. Foi Ele que chamou os seus primeiros seguidores, formando um corpo discípulos, um corpo de apóstolos. Depois, em Pentecostes, a sua Igreja que reúne todos os batizados.

É pelo santo batismo que um ser humano começa a fazer parte do corpo místico, que é a Igreja Viva. Pelo batismo fomos enxertados, transplantados no Corpo Místico. A partir desse “transplante” começamos a receber a vida sobrenatural, que nos foi conquistada pelo cabeça e que nos foi dada por meio do Espírito Santo. Jesus, o Cabeça, continua a dirigir o seu Corpo Místico, a Igreja, quer agindo pessoalmente em favor de um membro, de um grupo ou de todo o corpo; quer por meio doEspirito Santo; quer por meio de sua Palavra e dos seus Sacramentos; quer por meio da hierarquia da Igreja, ou de outras mediações humanas ou materiais.

Ao voltar para os céus, Jesus nomeou S.Pedro e seus sucessores, os papas, para serem sua presença visível. O Papa é o “vicarius Christi”, o vigário de Cristo, o substituto imediato, aquele que age em nome e no lugar de Jesus Cristo.


Os Membros

Os membros do Corpo Místico são todos os batizados que se encontram no Céu, no purgatório ou na terra. Os membros do Corpo Místico que estão no paraíso celeste e no purgatório já possuem a glória eterna garantida. Os membros que estão a caminho, na face da terra, podemos classificá-los em três grupos: os sadios, os enfermos e os mortos espiritualmente,

1. Sadios são aqueles que vivem em estados de graça santificante, fortemente ligados a Deus por essa graça, e portanto conseguindo viver habitualmente sem cometer pecados mortais, graves. Esses procuram aperfeiçoar-se progressivamente, buscando a santidade cristã.

2. Enfermos são aqueles que batizados que em sua vida cristã cambaleiam entre o estados de graça e o estados de pecados graves, vivem tempos de graça e amizade com Deus, conseguindo evitar os pecados graves, em outros momentos, vivem a fraqueza, entregues a pecados mortais. Esses precisam de uma conversão mais profunda, erradicando os pecados mortais com suas raízes, causas e ocasiões.

3. Os membros mortos são os que vivem em estado permanente de pecados mortais, muitos desses foram batizados, fizeram a primeira comunhão e foram crismados, mais por tradição do que por convicção religiosa. Nunca, porém assumiram uma vida cristã com suas verdades de fé, com sua moral, com suas práticas doutrinais. Outros viveram anos de vida cristã, mas por alguma razão abandonaram-na e passaram a viver contrariamente à fé, à moral e às prática religiosas. Infelizmente muitos desses membros mortos espiritualmente passaram a praticar religiões não cristãs.

Esses membros mortos continuam ligados ao Corpo Místico, mas não têm vida sobrenatural. A vida que receberam no batismo morreu, atingida por pecados mortais. São como um galho seco, ligados ainda a árvore.


A Inter Comunicação

Como no corpo humano há uma “seiva de vida” – o sangue – que circula por todos os membros, mantendo-os vivos, assim também no Corpo Místico circula a “seiva da vida divina”, recebida no batismo, para mantê-lo vivo e sadio. Assim como no corpo humano podem surgir doenças que afetam algum membro, tornando-o doente, podendo até causar a morte, assim também no Corpo Místico podem surgir doenças espirituais – os pecados – que tornam esse batizado enfermo espiritualmente, podendo causar a morte de sua vida sobrenatural.

No Corpo Místico, membros que estão no Céu favorecem os que estão no purgatório e os que estão na terra, intercedendo por eles junto a Deus de quem procede todas as graças. Os que estão na terra favorecem-se vivendo uma vida cristã, bebendo das graças divinas pela fé, pelos sacramentos, pela vida de oração, pela Palavra de Deus e outra tantas fontes de espirituais. Ao mesmo tempo favorecem os que se encontram no purgatório, pelas diversas formas de sufrágio, principalmente pela oferta do Santo Sacrifício da Missa por eles.

É da Cabeça, Jesus Cristo morto e ressuscitado que jorra toda a vitalidade do Corpo Místico. Todas as graças divinas para a humanidade foram adquiridas por Jesus Cristo, por sua Paixão, Morte e Ressurreição.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Morre D. Eugenio



Faleceu nesta segunda-feira, por volta das 23h30m, aos 91 anos, o Cardeal Emérito do Rio de Janeiro Dom Eugenio de Araújo Salles. Ele estava em sua residência, no Sumaré e faleceu de morte natural. O velório será a partir desta terça-feira, com Missas de duas em duas horas na Catedral de São Sebastião, que foi concluída e inaugurada por ele em 1979. O sepultamento será na própria Catedral, no final da tarde de quarta-feira, 11 de julho, às 15h. 
(Pascom-S. Brás)

domingo, 8 de julho de 2012

Humano e Divino


Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem está em nosso meio. Este é o mistério da encarnação, esta é uma verdade fundamental da fé e por ela sabemos que a natureza humana e a natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo nem se confundem nem separam. Formam uma única pessoa, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Foi no Concilio Ecumênico da Calcedônia (ano 451), que a Igreja formalizou dogmaticamente esta verdade de fé: “Um só e mesmo filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na sua divindade, perfeito na sua humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai quanto a divindade, consubstancial a nós quanto a humanidade, em tudo semelhante a nós, menos no pecado (Hb 4,15); gerado do Pai antes dos séculos, segundo a divindade, e nos últimos tempos, por nós, para nossa salvação, gerado de Maria Virgem, Mãe de Deus, segundo a humanidade; que se deve reconhecer um só Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só pessoa e hipóstase, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Senhor Jesus Cristo, como outrora nos ensinaram sobre Ele os profetas e depois o próprio Jesus Cristo e como nos transmitiu o Símbolo da Patrística.”

A encarnação de Jesus Cristo ocorre na plenitude dos tempos, e com ela vivemos e antecipamos aquilo que será a realidade final na ressurreição dos mortos. A encarnação do Filho de Deus permite ver realizada uma síntese duradoura e definitiva que a mente humana por si mesma não poderia imaginar: O eterno entra no tempo, o Tudo se esconde no fragmento. Deus assume o rosto do homem. Deste modo a verdade expressa na revelação do Cristo, deixou de estar circunscrita a um âmbito territorial e cultural, abrindo-se a todo homem e mulher que a queiram acolher como palavra definitivamente válida para dar sentido a existência (cf. Fides e Ratio-João Paulo II).

Só no Verbo de Deus feito carne se realizou a obra de nossa redenção e o instrumento da nossa salvação foi a humanidade de Jesus – corpo e alma – na unidade da pessoa do verbo (cf. SC nº 5). Esta humanidade é o único caminho para a salvação dos homens e o meio insubstituível para nos unir com Deus.

Sendo Deus, qualquer ato seu já seria suficiente para levar à plenitude a retribuição de amor, reconciliar-nos com o Pai e satisfazer por toda ofensa, e como homem poderia nos representar. Por isso Ele disse: “Eis que venho ó Deus, fazer a tua vontade (Sl 39,7-9); se encarnou, cumpriu toda a Lei e se deu por inteiro, se fez vitima no silencio do seu amor, se fez cordeiro e foi levado ao matadouro, manifestando ali a face do verdadeiro Deus que é misericordioso e que ama seus filhos e filhas.

(Pe. Francisco Sehnem)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O TERÇO

Dizem os santos que a oração do terço pertence a vida da igreja. É uma oração que se tornou solo fértil da vida espiritual de uma multidão de santos e tem seu valor particular na espiritualidade cristã de nosso povo. Precisamos redescobrir o valor do terço para nossa gente, como uma das maneiras ricas de rezar e viver o caminho para nossa salvação.

O que a igreja ensina sobre o terço? Vejam só: ao recitarmos o terço, rezamos várias vezes a mais bela e rica oração da igreja que o próprio Cristo nos ensinou, o Pai Nosso. Ao recitarmos as dezenas de Ave-Marias, nos servimos das próprias palavras bíblicas que nos recordam as grandes verdades de nossa salvação e nossa redenção. Entre uma dezena e outra, aclamamos o maior hino de louvor à Santíssima Trindade, a oração do Glória. Tudo isso continua muito atual e importante para nossa fé e vida espiritual. Nos mistérios gozosos meditamos o amor extremado de Deus Pai que se fez um de nós na encarnação de Seu Filho amado, Jesus, nosso Salvador e Redentor. Através dos mistérios dolorosos refletimos sobre o amor de Deus em Jesus, amando-nos ao extremo de Sua Paixão, morte e ressurreição para nos salvar. Nos mistérios gloriosos renovamos nossa esperança na ressurreição de Cristo como a esperança de nosso futuro; e através dos novos mistérios da luz, na riqueza da vida nova trazida por Cristo à Sua Igreja e ao mundo. Sem dúvida, a recitação do terço nos convida a meditar no conteúdo central da nossa salvação e redenção.

Diante do acima descrito me pergunto: como poderia alguém dizer que o terço não é uma autêntica oração, válida e atual na vida da Igreja? Pergunto aos questionadores do terço ou aos que ignoram seu valor: será errado usar a Bíblia para rezar, nos servindo da meditação dos grandes mistérios de nossa salvação e redenção?

Ademais, a oração da Ave-Maria não é uma invenção nossa e nem da Igreja. Ao rezarmos a Ave-Maria, usamos somente textos e palavras bíblicas. Afinal, ao rezarmos “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo...” (Lc 1,28), apenas repetimos o que o próprio céu disse através o Anjo Gabriel, saudando Maria, convidando-a para ser a mãe de nosso Redentor. Ao pronunciarmos as palavras “Santa Maria mãe de Deus”, nada mais fazemos do que utilizar as palavras que Isabel usou para saudar Maria, proclamando “Donde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor” (Lc 1,43). E ao rezarmos “Rogai por nós pecadores...” não é essa a nossa realidade de pecadores necessitados que todos somos?

Na Igreja acreditamos no mérito da comunhão dos santos, por isso rezamos uns pelos outros. Confiantes, pedimos que a Mãe de Jesus e nossa Mãe – dada por Jesus ao pé da cruz – interceda junto a seu Filho por nós, pela Igreja, pela humanidade. Se o céu saudou Maria, por que não podemos nós saúda-la com as mesmas palavras que o céu a aclamou? Sim, é a própria Bíblia que prediz que Maria seria bendita: “Desde agora me proclamarão bem aventurada todas as gerações” (Lc 1,48). Como então, não recorrermos e invocarmos a esta Mãe que o próprio Cristo ao pé da cruz entregou para todos nós, na pessoa de São João?

Como devotos de Maria devemos rezar a oração do terço com uma sadia espiritualidade para manter na mente, no coração e no espírito, a meditação e contemplação dos mistérios de nossa salvação. A devoção a Maria através do terço continua a fazer parte do autêntico patrimônio místico da Igreja de Cristo, que deve ser incentivado, cultivado e amado, hoje e sempre na vida do nosso povo e de nossas famílias cristãs.



(de um texto do Pe. Evaristo Debiase)


sábado, 30 de junho de 2012

Cidade nua


Com o incremento do consumo de “crack” revela-se a nudez da sociedade e portanto a  da metrópole onde esta sociedade é formada. Nus ficamos expostos, nos mostramos como realmente somos; marcas, cicatrizes, gordurinhas localizadas, pequenos defeitos, tudo enfim aparece. Com a visibilidade do consumo “skankarado” do crack e outras drogas, a cidade fica nua. Então se revelam as feridas abertas, as manchas da sujeira mal lavada, os podres.

A incoerência então impera. Os mesmos que pedem providência e ação, quando isso é feito – e tem que ser feito com autoridade e energia – denunciam abuso de autoridade, maus tratos, preconceitos. Mais uma chaga aberta: a hipocrisia. Isso sem falar de corrupção e da cooptação de jovens de classe média pelo crime.

A Rio+20 desnudou a cidade. Promovidas pelos eventos paralelos, manifestações esdrúxulas agitaram o Rio de Janeiro. Mulheres seminuas reinvidicavam seus direitos – que direitos? Matar? (aborto). Índios armados de arco e flecha ameaçavam motoristas atônitos em pleno centro da cidade. Ativistas do MST (sem terra no Rio?) tumultuavam o já caótico trânsito. Tudo isso diante da passividade e inércia das autoridades constituídas.

A cidade está nua. Por trás da incontestável beleza do Rio de Janeiro escondem-se chagas abertas e pútridas. A grande e bela São Sebastião do Rio de Janeiro está enferma. Em verdade a nação está enferma, o mundo inteiro está enfermo. A Conferência Rio+20 ofereceu a solução para o mundo – o físico, o material – mas quem pode se levantar para curar o âmago, as chagas abertas pela nudez?  Somente outras chagas, mas estas, chagas de amor: “Tomou sobre si nossas enfermidades, carregou nossos sofrimentos. O castigo que nos salva pesou sobre Ele; fomos curados graças as suas chagas” (Isaias 53,4s). Façamos o que nos cabe: denunciar a iniquidade, agir de acordo com os preceitos legais e deixemos Deus fazer a Sua parte; onde não podemos ir Ele com certeza irá. Daí quem sabe, a cidade, o mundo, não precisarão mais esconder sua nudez.

sábado, 23 de junho de 2012

A Igreja e os Batismos

No Código de Direito Canônico publicado em língua portuguesa pela ed. Loyola, encontramos uma nota de rodapé referente ao cân. 869, que aborda os casos aceitos de rebatismo, podemos encontrar a resposta esta sua questão. É o que transcrevemos a seguir:

A. Diversas Igrejas batizam, sem dúvida, validamente; por esta razão, um cristão batizado numa delas não pode ser normalmente rebatizado, nem sequer sob condição. Essas Igrejas são:

a) Igrejas Orientais (”Ortodoxas”, que não estão em comunhão plena com a Igreja católico-romana, das quais, pelo menos, seis se encontram presentes no Brasil);
b) Igreja vétero-católica;
c) Igreja Episcopal do Brasil (”Anglicanos”);
d) Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB);
e) Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB);
f) Igreja Metodista.

B. Há diversas Igrejas nas quais, embora não se justifique nenhuma reserva quanto ao rito batismal prescrito, contudo, devido à concepção teológica que têm do batismo – p.ex., que o batismo não justifica e, por isso, não é tão necessário -, alguns de seus pastores, segundo parece, não manifestam sempre urgência em batizar seus fiéis ou em seguir exatamente o rito batismal prescrito: também nesses casos, quando há garantias de que a pessoa foi batizada segundo o rito prescrito por essas Igrejas, não se pode rebatizar, nem sob condição. Essas Igrejas são:

a) Igrejas presbiterianas;
b) Igrejas batistas;
c) Igrejas congregacionalistas;
d) Igrejas adventistas;
e) a maioria das Igrejas pentecostais (Assembléia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Deus é Amor, Igreja Pentecostal “O Brasil para Cristo”);
f. Exército da Salvação (este grupo não costuma batizar, mas quando o faz, realiza-o de modo válido quanto ao rito).

C. Há Igrejas de cujo batismo se pode prudentemente duvidar e, por essa razão, requer-se, como norma geral, a administração de um novo batismo, sob condição.

Essas Igrejas são: a) Igreja Pentecostal Unida do Brasil (esta Igreja batiza apenas “em nome do Senhor Jesus”, e não em nome da Santíssima Trindade);
b) “Igrejas Brasileiras” (embora não se possa levantar nenhuma objeção quanto à matéria ou à forma empregadas pelas “Igrejas Brasileiras”, contudo, pode-se e deve-se duvidar da intenção de seus ministros; conforme Comunicado Mensal da CNBB, setembro de 1973, p. 1227, c, nº 4; cf. também, no Guia Ecumênico, o verbete “Brasileiras, Igrejas”);
c) Mórmons (negam a divindade de Cristo, no sentido autêntico e, consequentemente, o seu papel redentor).

D. Com certeza, batizam invalidamente:

a) Testemunhas de Jeová (negam a fé na Trindade);
b) Ciência Cristã (o rito que pratica, sob o nome de batismo, tem matéria e forma certamente inválidas. Algo semelhante se pode dizer de certos ritos que, sob o nome de batismo, são praticados por alguns grupos religiosos não-cristãos.


sábado, 16 de junho de 2012

A matéria jamais poderia tornar-se viva por si mesma


O cientista Ernest Mayr, morto aos cem anos de idade, alemão de nascimento, nos longos anos de sua existência escreveu 26 livros sobre ornitologia, taxonomia, biogeografia e evolução. Em 1942 deixou a Alemanha assumindo a direção do Museu Americano de História Natural.
Ainda jovem havia passado dois anos pesquisando nas montanhas Ciclopes, da Nova Guiné. Vários cientistas escreveram elogiosamente sobre sua pessoa, pesquisas e escritos. Entre os livros mais conhecidos que escreveu estão “Sistemática e Origem das Espécies” e “O Que é Evolução”.
Em anos difíceis para a teoria do darwinismo, Ernest Mayr apresentou novos argumentos a favor da evolução das espécies animais. Transformou-se no “Darwin do Século XX”, sem dúvida um cientista renomado. Seus estudos o levaram, com outros evolucionistas, a formar a Escola conhecida como Moderna Síntese Evolucionista, unindo os estudos de Charles Darwin (1809-1882) com a Genética, a Biologia e a Paleontologia. Em certa oportunidade quando lhe perguntaram quando se tornara evolucionista respondeu que “nascera darwinista”.
Por uma coincidência que, pessoalmente, tenho como providencial, nos dias em que Ernest Mayr agonizava, o criacionismo retornava ao debate público nos Estados Unidos e entre nós, sob a liderança de cientistas como o físico Marcelo Gleiser, da Universidade Dartmouth, de New Hampshire, a geóloga Elaine Kennedy, do Instituto Geoscience Research, o biólogo Stephen Jay Gould, o norte-americano Michael Behe, este a estrela do “design inteligente”. Todos voltaram a repropor o criacionismo o último sem recorrer ao texto bíblico, como costumam fazer os evangélicos fundamentalistas e tantos outros.
Sintetizando as coisas, segundo os darwinistas a partir do livro “A Origem das Espécies”, do inglês Charles Darwin, animais inferiores, durante milênios, foram evoluindo para espécies superiores, passando pelos primatas, dando no homem e na mulher, nesta seqüência: Homo erectus, Homo faber e Homo sapiens. Como os darwinistas, também os criacionistas dividem-se em dois grandes grupos.
O primeiro fazendo uma exegese literal do texto do livro do Gênesis, afirmando ser Deus, por ação direta, o Criador de todas as espécies vivas e, de modo especial, da espécie humana. O primeiro casal humano não resultou, portanto, de uma longa milenar evolução das espécies animais, mas surgiu de uma ação onipotente e sábia do próprio Deus. O segundo grupo vem se afirmando como uma corrente científica que, sem apelar para a Bíblia, nega a evolução das espécies dizendo que “grande parte das estruturas biológicas humanas são complexas demais para terem surgido de acordo com o modelo darwinista de acúmulo gradual de modificações aleatórias”.
Acrescentam eles haver muitos “buracos” na teoria evolutiva “como o súbito aparecimento de formas de vida espantosamente variadas no período cambriano”. Sem a interferência de um “Projetista inteligente” (= Deus), não se explica nem a impressionante diversidade das espécies vivas e muito menos, da espécie humana.
Os opositores do darwinismo que defendem o criacionismo, insistem que a evolução não é senão uma teoria ou hipótese cientificamente ainda não comprovada. Acrescentam que é muito improvável e até impossível que estruturas altamente diferenciadas, como uma proteína ou uma célula viva apareçam por acaso, que as mutações a que apelam os evolucionistas não produzem novos traços e, finalmente, que a Biologia Molecular não confirma a evolução das espécies. O darwinismo é pois uma teoria que, no atual estágio das ciências, não passa de uma possível hipótese.
Oficialmente, a Igreja Católica e o Magistério dos Papas não excluem a possibilidade da teoria evolucionista, desde que o início do processo evolutivo tenha tido origem partindo de Deus. Ele, o Criador, seria o autor das possíveis leis da evolução que, atuando durante milênios e milênios teriam resultado no primeiro casal humano.
Assim, a hipótese darwinista da evolução das espécies, até dos primatas de que teria surgido o homem, é uma possível explicação ao lado do criacionismo que, também, tem a seu favor fortes razões filosóficas e não apenas religiosas ou bíblicas.
No momento em que teria havido o salto do animal irracional para o racional, tornou-se necessária uma nova intervenção divina no processo evolutivo, se é que houve! Nesse momento Deus interviu no processo criando e infundindo uma alma humana, racional, na nova espécie superior a todas as demais, a espécie humana, inteligente, consciente e livre.
O evolucionismo não materialista, mas mitigado ou “espiritualista”, conduzido pelo próprio Deus, entendido dentro desses limites, poderá ser admitido pelos que professam a fé católica. Em todo caso, Deus é o Criador de tudo e, portanto, também do homem e da mulher.
A esse respeito, leia o interessado a encíclica “Humani Generis”, do Papa Pio XII, do ano de 1950. Se desejar mais informações poderá, também, ler o substancioso livro do culto beneditino Dom Estevão Bittencourt “Ciência e Fé na História dos Primórdios”, editado pela AGIR em 1955. Ficaria honrado se pudesse merecer a leitura do capítulo “Gênesis: Origem do Homem”, do meu livro “Iniciação à Leitura da Bíblia”, já com cinco edições (Editora Santuário, 2004, páginas 33 a 36).
Filosoficamente, o acaso nada explica sendo a “razão dos que não têm razões!”. A todo efeito sempre deve corresponder uma causa adequada que o explique. Inerte como é, a matéria jamais poderia tornar-se viva por si mesma e é impossível que seres irracionais, por mais evoluídos e perfeitos que sejam, como os primatas, expliquem sem uma interferência de um Ser inteligente e pessoal, livre, onipotente e vivo, a origem da espécie humana.
Chame-se o primeiro casal humano Adão (=feito do pó) e Eva (=mãe dos viventes) ou desse-lhes outros nomes, a espécie humana, todas as raças humanas, descendem desse par de protoparentes. Feitos “à imagem e semelhança” de Deus (Gn 1,26) somos todos irmãos e irmãs entre nós, chamados a vivermos em fraternidade e solidariedade.



(D. Amaury Castanho)


quinta-feira, 14 de junho de 2012

BES - Graça de Pentecostes

  “O Batismo no Espírito Santo é a experiência concreta da graça de Pentecostes, na qual a ação do Espírito torna-se realidade na vida do individuo e da comunidade de fé. É um dom de Deus gratuito e imerecivel, fruto de uma decisão livre, de um passo de conversão, um ato de confiar tudo a Cristo, de entregar nossa vida a Ele. É também a decisão de se entregar ao Espírito Santo sem estabelecer limites para a ação divina, decisão de receber na fé a plenitude da Graça Divina” (Cardeal Paul J. Cordes).

sábado, 9 de junho de 2012

Em busca de Deus


Desde tempos imemoriais a humanidade tem buscado o transcendental, contato com a divindade, o sobrenatural. “Tomaram o fogo, ou o vento, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros do céu por deuses, regentes do mundo. Se tomaram essas coisas por deuses, encantados por sua beleza, saibam quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza quem fez todas essas coisas. Se o que os impressionou é a sua força e o seu poder, que eles compreendam por meio delas que seu criador é mais forte; pois é a partir da beleza e da grandeza das criaturas que por analogia se conhece o seu autor” (cf. Sb 13,2-5).  Era dessa forma que buscavam Deus. Alguns verdadeiramente o encontraram e foram eleitos seu povo. Outros continuaram a adorar a criação ao invés do criador e pior, caindo na obscuridade, fizeram a si mesmo deuses.

Ainda hoje é assim. As seitas esotéricas louvam a natureza, a “mãe terra”, as forças cósmicas, as divindades ecológicas. “São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus e através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras” (Sb 13,1). Mas, desejando que assim seja, queremos crer que muitos desses busquem realmente o deus verdadeiro, ou seja, o único Deus; como citado a seguir: “Contudo, estes só incorrem numa ligeira censura, porque talvez eles caíram no erro procurando Deus e querendo encontrá-lo: vivendo entre suas obras, eles as observam com cuidado, e porque eles as considerem belas, deixam-se seduzir pelo seu aspecto. Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque se possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente aquele que é  seu Senhor?” (Sb 13,6-7).

E os que se fizeram deuses? Aqueles que se auto idolatram? Pode parecer exagero, mas não é; a egolatria é muito comum hoje em dia. Pessoas que se julgam autossuficientes, que prescindem de Deus e de todos: eu sou o mais inteligente, o mais sábio, o mais forte, o mais bonito, o mais isso e aquilo, etc, etc, etc... Até o dia em que suas supostas inteligência e sabedoria o levarem a desgraça, sua força e beleza sucumbirem diante de uma enfermidade. Da mesma forma que estes, arrogantemente e com indisfarçável sarcasmo, questionam um temente a Deus que sofre tribulações com a indefectível pergunta: “Onde está seu Deus?” poderia se perguntar: “e agora, cadê você?” O que eles por certo não percebem é que a diferença entre as duas situações é abissal. Onde está seu Deus? – Apesar de tudo que passei, meu Deus está a meu lado, me amparando, me confortando, me fortalecendo. Eis nossa resposta. E você onde está? Com certeza absoluta, longe de Deus, está num sofrimento atroz, revoltado contra tudo e contra todos, amaldiçoando ao Deus que você diz que não existe. Mas para estes há um consolo, o Deus em que cremos não é só meu Deus, é nosso Deus, Deus de todos! Portanto, se eles se quebrantarem, reconhecerem sua fraqueza e interdependência, por certo nosso Deus há de também restituir-lhes a dignidade e saúde plena. 

“Virão dias – oráculo do Senhor – em que enviarei fome e sede sobre a terra; não uma fome de pão, nem sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Desperta tu que dormes

“Desperta, desperta, põe teus adornos Sião: veste teus trajes de gala Jerusalém, cidade santa! Porque não mais verás penetrar em tua casa nem incircuncisos nem impuros. Sacode a poeira que te cobre, levante Jerusalém e reina; desvencilha-te das cadeias que te prendem o pescoço, filha cativa de Sião”.(Is 52,1s).






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Senhor está tocando as trombetas em Sião; desperta, acorda desta letargia espiritual. A Palavra diz: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará” (Ef 5,14). E o Senhor está dizendo: sacode a poeira, desvencilha-te das cadeias! Isto é seriíssimo! Existem cristãos envolvidos com ocultismo, usando cristais para dar sorte e outros procedimentos que desagradam profundamente a Deus; entretanto, dentro da igreja conservam uma aparência de perfeição. Um povo cuja palavra não converte e as obras não geram frutos de vida; sua oração é fogo estranho diante do trono de Deus; fala de santidade, mas não a vive: escuta a palavra, mas nada retém; busca a face de Deus em pecado e rejeitando as correções, atribuem a Deus coisas que não disse; passam horas diante da televisão, mas como Eutico (At 20,9), dormem quando a Palavra é pregada. É para esta gente de coração e comportamento duplo que Sto. Agostinho dirigiu estas palavras: “Muitos consideram-se cristãos, mas certamente não o são. Eles não são o que o nome indica nem na vida que levam, nem na moral que os conduz. Não em sua fé, não em sua esperança e não em sua caridade.”






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evanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascer sobre ti” (Is 60,1). Acorda depressa Sião, pois esta geração precisa de uma Igreja viva, intrépida, dinâmica, santa, “... para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16). Deus está fazendo um chamado por toda a terra para que não durmamos enquanto o demônio investe pesadamente na massificação de conceitos, ideologias e valores malignos a fim de cauterizar o homem deste século em relação a tudo que vem de Deus. Ele tem atacado duramente a Igreja e seus servos. Por isso é hora de revestir-se, ela, da armadura de Deus, seu verdadeiro traje de gala, para defendermos o que por direito é de Deus, e por herança, nosso. Mas também não podemos nos esquecer dos “adornos” da santidade de vida, da pureza de coração, da fé fervorosa, do amor fraterno, da palavra de encorajamento e de tantas outras virtudes que precisamos ter para atrair o homem machucado desta época em que vivemos; pois o verdadeiro despertamento tem sempre dois sentidos: nossa própria vida e a dos irmãos.






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estratégia para estes dias de decisão e intenso combate espiritual é: “... não durmamos pois como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios.”(I Tes 5,6). Mas há muitos irmãos dopados espiritualmente; sonâmbulos tropeçantes; ébrios do vinho da descrença; dormindo acordados, sonhando em acumular tesouros e ganhar a vida. Tudo isso é tão estranho! Parece que Jesus “virou a curva” e muitos cristãos “seguiram reto”. Desaprenderam a amar o próximo; já não partilham mais seus bens; negligenciam os momentos de oração, de leitura da Palavra de Deus, de adoração ao Senhor. São pessoas que não aceitam qualquer coisa que exija renúncia; que gastam muito tempo diante do espelho cuidando do embelezamento do corpo, mas por dentro há um coração que não ama Deus acima de todas as coisas. Participam de festas, bingos, chás, mas não se “sentem chamadas” às vigílias, ao jejum, à adoração ao Santíssimo; gostam de chamar a atenção para si, de estarem lá na frente, mas não suportam ser corrigidos, nem têm coração ensinável; quando solicitadas não se comprometem; querem ver trabalhos, mas não trabalhar; querem ser pastoreadas, mas não pastoreiam ninguém; são servos sem tempo; indiferentes, críticos, impenitentes, cheios de rodeios teológicos, mas desprovidos de espiritualidade santa. Como diz S. Caetano para estas pessoas: “Cristo espera e ninguém se mexe”.






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o presente século os homens andam como mortos vivos a caminhar pelas ruas de nossas cidades. Parece que os túmulos se abriram e múmias vivas, envoltas em fachas, dormem o sono da ignorância sobre Deus. Para despertar do sono da morte esta geração, o Senhor exige uma condição: tirai a pedra! E esta pedra cabe a Igreja retirar. Sem removermos a pedra da incredulidade, os milagres que Jesus quer operar em nossas vidas não acontecerão; sem removermos a pedra dos pecados incorrigíveis, o Senhor não poderá nos levantar do sono das trevas; sem retirarmos a pedra das idolatrias, Deus não nos livrará do sono da morte eterna; sem removermos a pedra das nossas convicções, o Senhor não conseguirá nos despertar do pesadelo da racionalização das coisas de Deus. Assim também os homens deste tempo estão do lado de fora da tumba, mas continuam a exalar o cheiro desagradável que existe do lado de dentro. Mas é incrível encontrar morte dentro da fonte de vida, a Igreja. É por isso que vemos hoje, como na igreja de Éfeso, cristãos abandonando o primeiro amor. Formados em mornidão espiritual na escola de Laodicéia; pós-graduados em iniqüidade na escola de Tiatira; experientes na arte de enriquecer na escola de Pérgamo; que terminam na escola fúnebre de Sardes, onde finalmente encontram a morte espiritual. Daí não encontrarem razões para viver, nem felicidade em coisa alguma.






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as Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11,24s). E Jesus não disse isto referindo-se tão somente à ressurreição dos últimos dias, mas a nossa ressurreição hoje, agora! É por isso que as trombetas estão ecoando exatamente no meio daqueles que deveriam ser os arautos de Deus. O Espírito está nos chamando a nos conformarmos com a vida nova em Cristo e despertarmos muitas pessoas que estão vivendo num estado de sono profundo.






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Espírito está dizendo à Igreja: Eu preciso de você para atear fogo a este mundo! Desperta Saul, do sono da imprudência na hora da adversidade (I Sm 24,4); desperta Sansão, do sono da imprudência na hora da sedução (Jz 16,19); Desperta Davi, do sono da indulgência diante da tentação (II Sm 11,2); desperta Jonas, do sono da desobediência em tempo de missão (Jn 1,1ss); desperta discípulos, do sono da tristeza na hora do sofrimento do Mestre (Mt 26,43); desperta povo de Deus, pois o Senhor espera que façamos não o trivial, o possível, mas o impossível. Sim, nossa incapacidade unida a onipotência dele é a alavanca que vai mover os poderes deste mundo. Chamados a reinar com Cristo, compete a Sião de Deus influenciar este mundo com o nosso viver. Precisamos viver a nossa vida nova. É tempo de realizarmos a maior revolução que este mundo já viu: vamos dar um golpe duro no inferno! Vamos povoar o céu! A Jesus toda a glória; a nós o Espírito que nos capacita e com Jesus leva ao Pai.

(texto copiado de arquivo - sem autor especificado)


sábado, 2 de junho de 2012

Existe uma Palavra para cada momento

''Está escrito: 'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus ''. (Mt 4,4)

Essa é a resposta de Jesus à primeira das três tentações que ele sofreu no deserto, depois de ter jejuado "quarenta dias e quarenta noites". E é a mais elementar das tentações, a fome. Justamente por isso, o tentador aproveita a ocasião para propor a Jesus que se utilize de seus próprios poderes para transformar as pedras em pão. Que mal existiria no fato de satisfazer uma necessidade própria da condição humana?

Jesus, porém, percebe a armadilha que está por trás daquela proposta: a sugestão de instrumentalizar Deus, pretendendo que Ele se coloque somente a serviço das nossas necessidades materiais. No fundo, o tentador quer levar Jesus a uma atitude de autonomia e não de abandono filial ao Pai. Eis, portanto, a resposta de Jesus, que é também uma resposta a todos os nossos porquês diante da fome no mundo, e também à reivindicação cada vez mais dramática de milhões de seres humanos que necessitam de alimento, de casa, de roupas. Ele, que alimentará as multidões com o milagre da multiplicação dos pães, e que fundamentará o juízo final também no ato de dar de comer aos que têm fome, nos diz que Deus é maior que a nossa fome e que a sua Palavra é o nosso principal e essencial alimento.
"Está escrito: 'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'“.

Jesus apresenta a Palavra de Deus como pão, como alimento. Este pensamento, esta comparação de Jesus nos ajuda a entender como deve ser o nosso relacionamento com a Palavra. Mas, afinal, como podemos nos alimentar da Palavra? Se, antes de ser o que é, o grão é semente, depois se torna espiga e finalmente pão, assim a Palavra é como uma semente plantada em nós que deve germinar; é como um pedaço de pão que é comido, assimilado, transformado em vida da nossa vida.

A Palavra de Deus, o Verbo pronunciado pelo Pai e que se encarnou em Jesus, é uma presença de Deus entre nós. Cada vez que acolhemos e procuramos colocar a Palavra em prática é como se nós nos alimentássemos de Jesus. Se o pão nos alimenta e nos faz crescer, a Palavra nos nutre e faz crescer o Cristo em nós, nossa verdadeira personalidade. Uma vez que Jesus veio à Terra e se fez nosso alimento, não pode ser mais suficiente um alimento natural como o pão. Precisamos do alimento sobrenatural que é a Palavra para crescer como filhos de Deus.
"Está escrito: 'Não só de pão é que se vive, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'“.

A natureza deste alimento - a Palavra - é tal que se pode dizer dele o que se diz de Jesus na Eucaristia que, quando dele nos alimentamos, ele não se transforma em nós, mas somos nós que nos transformamos nele, porque somos, de certo modo, assimilados por ele. Portanto, o Evangelho não é um livro de consolação onde nos refugiamos unicamente nos momentos dolorosos, mas sim o código que contém as leis da vida, leis que não devem ser apenas lidas, mas assimiladas, "comidas" com a alma e, assim, elas nos fazem semelhantes a Cristo em cada momento da vida. Podemos nos tornar outros Jesus atuando plenamente e ao pé da letra a sua doutrina. As suas Palavras são Palavras de um Deus, cheias de uma força revolucionária, inimaginável.

Logo, devemos nos alimentar da Palavra de Deus. E, assim como hoje o alimento necessário para o corpo pode ser concentrado numa única pílula, também nós podemos nos alimentar de Cristo vivendo a cada momento uma única Palavra do Evangelho, porque em cada uma de suas Palavras Jesus está presente. Existe uma Palavra para cada momento, para cada situação da nossa vida. E é a leitura do Evangelho que poderá nos revelar cada uma delas. Então, por amor a Deus, vivamos agora o amor ao próximo que é um concentrado de todas as Palavras.

Chiara Lubich
Fundadora do Movimento Focolare
Fonte: www.focolares.org.br