sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A importância dos avós

Uma criança que respeita os avós certamente será mais consciente do seu papel como cidadão
A formação dos filhos acontece pela interação deles com a família e a sociedade. Quantas lembranças boas temos da relação com nossos avós! As viagens para a casa deles, a comidinha gostosa, o carinho, o olhar, as histórias. Enfim, a riqueza do relacionamento com eles é significativa na vida de uma criança.

 A relação entre pais e avós
A relação entre pais e avós é, dentro do possível, bastante salutar. No entanto, as regras e os limitespara a criança devem ser combinados entre eles, caso sejam os avós quem cuidarão dos netos. Assim, a educação das crianças terá regras parecidas e não haverá desentendimentos.
Quando existe uma relação conflituosa dos pais com os avós, é importante que ela seja resolvida entre eles, mas nunca com a participação da criança. Mesmo que sua visão a respeito dos avós seja comprometida, evite um posicionamento que dê essa impressão para seus filhos.
Cada família tem sua configuração, seus conflitos e entendimentos particulares. Assim, cabe a cada família avaliar quando e como seus filhos estarão com os avós. Só não vale usá-los como “cuidadores de luxo”, atendendo às necessidades dos pais e nada mais.
As raízes familiares são transmitidas também pelos avós, e isto é bastante válido. Todo contato é importante e também enriquece a vida deles, que já se encontram em outro momento de vida e se “revitalizam” com seus netos.
Nesta convivência, outro ponto muito importante é ensinar à criança o valor da pessoa mais velha. Num mundo “descartável”, no qual o velho é facilmente deixado de lado ou ridicularizado, é extremamente válido que possamos dar à criança o sentido de valor dos mais idosos, bem como o respeito que deve ser dado a eles.
  Uma criança que respeita a história, o passado e as tradições, certamente, será mais consciente do seu papel como cidadão
 
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A relação entre netos e avós
A troca de afetos é muito válida, porque prepara os filhos pequenos para o contato com outras pessoas no mundo. A vinda de novos netos sempre é uma comemoração e dá aos idosos o sentimento de continuação e perpetuação da família. Dá a eles o sentido de que suas histórias serão multiplicadas para outros membros da família, fato extremamente enriquecedor.
Acredito ser bastante importante que também os pais possam rever sua percepção sobre as pessoas mais velhas e sobre o relacionamento que têm com elas. A partir dos exemplos dos pais, a criança terá, de forma melhor ou pior, sua relação com os avós ou com qualquer pessoa mais velha.
A grande lição dessa experiência é que os netos são de fundamental importância na vida dos avós e que o relacionamento entre eles é extremamente importante para os adultos que estão envelhecendo e para as crianças que estão amadurecendo.
Elaine Ribeiro dos Santos

Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
 



sábado, 16 de setembro de 2017

Semear o bem


Certa feita, Jesus saiu de casa, onde se encontrava, em Cafarnaum, entrou numa barca, sentou-se para contar suas parábolas. Pode-se imaginar a beleza da paisagem! Nas margens do mesmo Lago, que chamavam de Mar da Galileia, havia chamado seus primeiros discípulos. Do outro lado, pode-se ver a terra dos pagãos. Água, multidão, terra, vizinhança dos pagãos, tudo contribui para que o tema do Reino de Deus seja anunciado, abrindo os horizontes aos seus discípulos de então e os que viriam, no correr dos séculos, entre os quais estamos nós. Podemos, então, encontrar o nosso lugar no meio da multidão, para escutar uma das mais belas parábolas do Evangelho, a história do Semeador. E, se somos discípulos, podemos apostar nas explicações dadas pelo Mestre, aplicando-as à nossa vida, sem deixar cair pela estrada nenhuma de suaspalavras!
“Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o grão que foi semeado à beira do caminho.  O que foi semeado nas pedras é quem ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta” (Mt 13,18-23).
Ouvir, compreender e produzir fruto! Os primeiros escutam a Palavra e não a compreendem. Um segundo grupo ouviu com alegria, mas faltam raízes, de modo que, pelas dificuldades da vida e as perseguições, acabam desistindo. As preocupações do mundo e a ilusão da riqueza também podem impedir os frutos. Enfim, ouvir, compreender e produzir fruto é o grande desafio para o crescimento do Reino deDeus.
Jesus saiu de casa para as margens do lago. Sua cátedra é um barco, sua linguagem recolhe a simplicidade dos acontecimentos. Ele mesmo é o Semeador que sai pelo mundo a espalhar a boa semente do Reino de Deus. A nós foram oferecidas duas posições diante da parábola do Semeador: de um lado, somos estrada, terreno, caminho, espinhos, preocupações, terra boa. À nossa liberdade Deus entrega a grande responsabilidade de reagir de forma coerente. Por outra parte, como os discípulos da primeira hora, também a nós cabe “sair”, como o Senhor que sai de casa ou o Semeador que sai a espalhar suas sementes. Não nos é possível ficar acomodados, pensando que tudo já está feito e as estruturas do Reino de Deus e de sua Igreja são estáveis e prontas para todos os desafios. A parábola, se bem entendida, tem o condão para desacomodar todos os cristãos. Alguns passos emergem da luz da Parábola do Semeador!
Diante de todas as dificuldades, chamem-se elas pedras, preocupações do mundo, ilusão da riqueza, superficialidade, o primeiro apelo da parábola é acreditar na qualidade da semente lançada por Deus. Fora do amor e da bondade, Deus é absolutamente incapaz! Sim, Ele só sabe fazer o bem, só pode plantar boas coisas em nós a no mundo. Deus é bom, belo e verdadeiro! Não somos seus proprietários, mas filhos e filhas, tendo à disposição toda uma reserva do bem infinito, da qual podemos beber água pura!
Os discípulos de hoje podem e devem fazer perguntas ao Senhor! Ele não foge das inquietações que tomam conta de nosso coração. E sua Igreja, cuja vocação é anunciar a verdade inteira, deve estar pronta para o diálogo com tudo o que o próprio Espírito Santo suscita no coração dos seguidores de Jesus Cristo e na busca da verdade, presente em todos os coraçõeshumanos.
Se a boa semente é semeada, é óbvio perguntar-nos a respeito do acolhimento da Palavra semeada. É hora de corrigir com prontidão a inconstância diante das dificuldades, a negligência, a preguiça, as preocupações cotidianas e a ansiedade que nos tira apaz.
Depois, a Igreja e cada cristão hão de se colocar diante do empenho da evangelização. Trata-se de saber comunicar de maneira nova e eficaz, com todos os meios lícitos e dignos, na linguagem adequada, com franqueza, coerência decorrente do testemunho autêntico. Precisamos de evangelizadores confiáveis e incansáveis, que não se deixem vencer pelos obstáculos. O Evangelho se espalhou primeiro num mundo pagão, e a Boa Nova se fez presente e atuante. O nosso mundo, eivado de relativismo e indiferentismo, pode ser vencido pela força do Senhor Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado, que envia sempre o seu Espírito Santo, para que tenhamos no coração o mesmo ardor dos primeiros discípulos e a coragem dos santos e dosmártires.
Entretanto, há um trabalho artesanal a ser assumido por todos os cristãos e cada um, feito de testemunho, presença, coragem. Trata-se de semear o bem, onde quer que estejamos. Dizer um bom dia com sinceridade, agradecer, sorrir para as pessoas, colocar em relevo o bem que as pessoas fazem, elogiar, saber corrigir com delicadeza e por causa de Deus.
Vale ainda observar que a avalanche de pessimismo reinante, quando não vemos uma luz no fundo do túnel de nossa realidade social e política, começar a recolher os “caquinhos” dos atos de amor e disposição para o serviço existentes em torno a nós, para colocar à disposição de Deus, que pode, e só Ele, construir um mosaico, uma verdadeira obra de arte, com tudo o que lhe oferecemos.
Rezemos com a Igreja: Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram, para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo que é digno deste nome!
 Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL





sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A amizade no ministério de música


Os vínculos devem existir dentro do ministério de música
Fazer parte de um ministério de música é estar junto com os outros, é encontrar nele o ombro parceiro na caminhada, é dividir para multiplicar, mas é também experimentar a tensão das muitas diferenças. Fazer parte de um grupo, equipe ou ministério de música é um exercício de comunidade.
Aristóteles fala de diferentes tipos de amizade. A primeira é a amizade por afinidade. Gostamos das mesmas coisas e sentimos prazer em fazer coisas em comum. É a alegria do ministério de música que vibra ao tocar na Missa, no grupo de oração ou pastoral. O ministério também experimenta a felicidade do convívio daquela pizza ou cinema. O convívio é muito prazeroso.


Às vezes, os vínculos formados são afetivamente tão fortes, que duram muito mais do que o serviço ministerial que deu origem à aproximação. Existe, porém, outro tipo de amizade segundo Aristóteles: amizade por objetivo. Somos diferentes, mas temos objetivos comuns e sabemos que os realizamos bem quando unimos nossas forças e talentos. Nesse tipo de amizade, quando cessa o objetivo, cessa o convívio.
Existe, no entanto, um tipo mais perfeito de amizade, uma que é desinteressada, não instrumentalizada, uma amizade que deseja o bem do outro, não por reconhecer afinidades comuns nem por necessitar dele em alguma atividade, mas queremos seu bem só por virtude mesmo, pela sua felicidade. Desapegadamente.
Fazer parte de um ministério de música é entender, como os apóstolos entenderam, que somos todos muito diferentes e a diferença não nos separa; ao contrário, ela nos aproxima, como peças de um quebra-cabeça – incompletas e imperfeitas enquanto sozinhas –, que, no encontro com outras peças, imperfeitas e incompletas, encontra sua razão de ser no todo: perfeito e revelado.
Augusto Cezar
Músico da banda DOM, compositor, escritor de 3 livros, professor e palestrante.

  



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A Queda dos muros de Jericó


(Js 6, 1-20)
Logo após a travessia do Jordão, os filhos de Israel defrontaram-se com a cidade de Jericó, habitada por cananeus hostis. Tiveram de se dispor ao assalto do reduto inimigo, obtendo por fim estrondosa vitória.
O texto bíblico referente ao episódio (Js 6, 1-20) parece ter sofrido glossas no decorrer dos tempos, prestando-se atualmente a diversos ensaios de reconstituição e interpretação; ademais as recensões hebraica e grega apresentam pequenas divergências entre si. Eis, porém, em grandes linhas, o que se verificou:
Havendo os filhos de Israel acampado diante de Jericó, os habitantes da cidade, confiantes no poder de suas muralhas, fecharam-se no interior destas, esperando que a penúria ou alguma inclemência da natureza obrigasse os invasores a retroceder. Foi então que, a mandado do Senhor, os guerreiros hebreus, junto com os sacerdotes, que levavam a arca de Javé, por seis dias consecutivo deram processionalmente a volta da cidade (a qual não devia ter perímetro muito longo, para poder ser bem defendida); os desfiles se fizeram ao som das trombetas dos sacerdotes. No sétimo dia, efetuaram sete circuitos, após os quais ressoaram as trombetas; a estas os quarenta mil filhos de Israel (cf. Js 4, 13) responderam imediatamente com brado poderosíssimo; em consequência, as muralhas de Jericó desmoronaram e os assaltantes puderam penetrar na cidade.
Não há dúvida, trata-se aqui de um feito maravilhoso, que só se verificou por intervenção extraordinária de Deus. É o que a Sagrada Escritura explicitamente recorda num dos livros posteriores do Antigo Testamento:
“O soberano Senhor do mundo, sem catapulta e sem máquinas de guerra, derrubou os muros de Jericó nos tempos de Josué”. (2Mc 12, 15)

Contudo não pode deixar de chamar a atenção o artifício prescrito pelo Senhor. Precisava o Todo-Poderoso de que os israelitas fizessem o circuito da cidade para que Ele desmantelasse as fortificações? Que relação há entre as procissões, com seus toques de trombeta, e o desmoronamento subsequente?
Pressupondo que eram um estratagema bélico, os exegetas têm procurado estabelecer um nexo entre esses desfiles e a vitória final. Assim:
1. Alguns apelam para o testemunho de cronistas da antiguidade, os quais referem que tropas assaltantes, em um ou outro caso, fizeram repetidos circuitos da cidade ou do acampamento sitiados, com o fim de ludibriar o inimigo. Eis, por exemplo, o que narra Sexto Júlio Frontino, autor da obra Stratagemata (catálogo de estratagemas) sob o Imperador Domiciano (81-96):
“Domício Calvino cercava na Ligúria a cidade de Luna, localidade defendida tanto por sua posição geográfica como por obras de fortificação. Muito frequentemente mandava que todas as suas tropas desfilassem ao redor da mesma, reconduzindo-as, a seguir, ao acampamento. Esta tática incutiu aos habitantes a convicção de que os romanos não queriam senão exercitar-se; visto então que negligenciavam o serviço de vigilância. Domício transformou essa espécie de passeata em ataque repentino. A cidade foi tomada, e os moradores se renderam”.
Merece atenção o fato de que o autor refere este estratagema sob o título “De fallendis his Qui obsidebuntur. Como se procede para enganar os que são sitiados”.
Baseando-se neste testemunho, julga o Pe. Abel O. P., professor da Escola Bíblica de Jerusalém, que Josué recorreu a tática semelhante com a intenção de fazer crer aos habitantes de Jericó que os seus planos eram pacíficos e não visavam um ataque à cidade (em tempo de guerra justa, torna-se lícito o recurso não somente a manobras cruentas, mas também às que enganam e desnorteiam o adversário). É de notar, porém, que o ilustre exegeta, para construir a sua hipótese, é obrigado a afirmar que as “passeatas” dos israelitas se realizavam em absoluto silêncio; nem toque de trombeta nem clamor de guerra emanava de Israel, de sorte a não provocar suspeita ou alarma na cidade de Jericó. E, a fim de inferir este traço da narrativa bíblica, Abel, apelando para critérios filológicos, distingue dois documentos, fontes do texto atual de Js 6, documentos dos quais o primeiro, o “fundamental”, lhe parece narrar unicamente desfiles silenciosos !19
A sentença do Pe. Abel não deixa de ter autoridade. Contudo baseia-se num postulado que não pode ser estabelecido com segurança. É o que a torna discutível.
2. Há quem, apelando igualmente para a mentalidade e a praxe dos antigos, explique de outra maneira o valor bélico dos circuitos praticados pelos filhos de Israel. Em vez de tranquilizar os habitantes de Jericó, teriam tido por fim aterrorizá-los!… A ostentação da arca (quase “estandarte” da teocracia israelita) acompanhada pelos sacerdotes e os guerreiros, o toque das trombetas, o brado final deviam ser ritos aptos a impressionar os “supersticiosos” moradores de Jericó. Estes admitiam, sim, a existência de um Deus próprio dos israelitas, protetor poderoso desta gente; haviam ouvido falar dos prodígios realizados por Javé em prol dos hebreus na saída do Egito, na travessia do Mar Vermelho e no deserto; isto tudo os fazia temer (cf. Js 2, 8-11). Sobre este fundo, os desfiles dos israelitas podiam-lhes parecer equivalentes a uma tomada de posse do terreno em nome do Deus Forte de Israel; o número setenário (dos desfiles, dos dias de cerco), sendo símbolo de totalidade, devia insinuar a esses homens a ruína total que o pujante Senhor lhes destinava, condenando-os ao anátema. É preciso não esquecer que, para os antigos, a guerra era ação religiosa; junto com os povos que se defrontavam, julgavam que os respectivos deuses pugnavam entre si;20 ora no caso parecia que o Deus de Israel se anunciava mais forte que os deuses de Jericó, como se mostrara mais poderoso que os dos egípcios e de outras nações.
Assim os desfiles em torno de Jericó teriam desempenhado o papel de causar pessimismo psicológico e religioso aos assediados: quando no fim dos sete dias de estratagema, explorando este estado de alma, Josué soltou o brado de avanço, já não terá encontrado grande resistência por parte dos defensores da cidade.
Esta sentença não pode ser comprovada de maneira decisiva, como também nada de sério se lhe poderia objetar.
Caso se admita uma das duas hipóteses acima propostas, ainda fica margem para a pergunta: como se deu o assalto à cidade após a preparação psicológica dos sete dias?
Sem poder reconstituir o quadro com precisão, dada a escassez de dados, os exegetas por vezes sugerem um ou outro particular que a narrativa lhes parece oferecer:
a) os espiões que, antes do cerco da cidade, estiveram em Jericó (cf. Js 2) concluíram um pacto com a meretriz Rahab, cuja casa estava situada na periferia da cidade (cf. 2, 15). Esta mulher, crendo que realmente Javé havia de entregar Jericó aos hebreus, decidira salvar-se com os seus familiares, atraiçoando os concidadãos; terá, pois, prometido dar ingresso aos invasores pela sua casa, logo que se propusessem empreender o assalto… Para apoiar a tese, os estudiosos fazem notar a precisão de topografia e de sinais, a recomendação de silêncio, no diálogo travado entre Rahab e os exploradores (cf. 2, l5-2O); 21
b) pode-se interpretar em sentido figurado o termo hebraico homah, geralmente traduzido por “muralha”. É, sim, com valor metafórico que ele ocorre, por exemplo, em 1 Sm 25, 16. 22 Significaria então a guarnição militar, os homens que montavam a guarda às portas de Jericó. Estes, e não as muralhas, teriam caído… isto é, desfalecido de terror após o estratagema de Josué; teriam capitulado, permitindo o ingresso na cidade sem desferir algum golpe. Entrando em Jericó, os invasores lhe teriam ateado fogo, poupando apenas a casa de Rahab, posta no perímetro das muralhas; 23
c) o toque diário de trombetas teria sido um artifício para prender a atenção dos habitantes de Jericó, enquanto operários israelitas cavavam galerias debaixo das muralhas de Jericó; uma vez terminados os trabalhos, o brado mais forte teria sido sinal para que pusessem fogo à armação de madeira que sustentava os muros e se retirassem; o pânico teria então irrompido em Jericó. Aproveitando-se da situação confusa e das ruínas causadas pelo incêndio, os filhos de Israel teriam conseguido penetrar na cidade. 24
3. Estas diversas conjecturas formuladas para explicar os desfiles dos israelitas como estratagema bélico, embora muito eruditas, não possuem senão o valor de suposições mais ou menos fundadas no texto e na arqueologia. Não se pode insistir sobre o papel estratégico de tais procissões. Uma consideração mais atenta dos trechos sagrados insinua que o seu significado primordial é de outra ordem: é significado religioso, não militar. Com efeito, eis os termos com que, no fim da Escritura, o Apóstolo de Cristo se refere ao episódio:
“Foi pela fé que os muros de Jericó desmoronaram, depois de se lhes haver dado a volta durante sete dias”. (Hb 11, 30)
Esta breve frase estabelece um nexo entre a fé dos israelitas e a conquista de Jericó; foi aquela que de Deus obteve esta. Verdade é que entre a atitude de fé dos hebreus que assediaram Jericó e a conquista da cidade medearam os desfiles de sete dias. Tais cerimônias foram prescritas pelo Senhor, não, porém, como se Javé visasse ensinar aos seus fiéis um estratagema bélico, a manobra adequada….; foram inculcadas primariamente para que os filhos de Israel tivessem ocasião de exercer a sua fé; praticando aqueles artifícios (cujo valor militar é incerto e não importa muito no caso), os hebreus, antes do mais, professavam crer no Auxílio de Deus, que dispensa máquinas de guerra desde que Ele queira realizar algum desígnio. Depois de ter experimentado essa fé, o Senhor recompensou-a com retumbante vitória.
Firme este princípio básico para a interpretação do episódio, não nos seria lícito fechar os olhos a ulteriores considerações: é bem possível que, para entregar Jericó aos israelitas em prêmio de sua fé, o Senhor se tenha servido de causas segundas. Bons autores pensam que permitiu um terremoto em momento oportuno,26 à semelhança do que se verificou posteriormente numa batalha contra os filisteus.27 Não terá dispensado de pequenos combates o exército de Josué; a estes alude Js 24, 11. 28 O clamor proferido pelo povo israelita imediatamente antes de assaltarem a cidade parece não ser senão a terou-a ou o brado de ataque que marcava o início das batalhas de outrora.29 Nem se exclui a ação devastadora da sede na cidade cercada, pois a única fonte de abastecimento pode ter estado fora dos muros do reduto, como às vezes acontecia (cf. Jt 7, 6). Em suma, é de crer que o texto do livro de Josué não nos refere a história completa da tomada de Jericó, mas se restringe ao episódio que realçava a influência do fator “fé” na campanha bélica.
Quanto à arqueologia, as escavações levadas a efeito desde 1908 no local da antiga cidade fizeram ver que a muralha de Jericó construída após 1600 a.C. sofreu destruição; o seu lado oriental foi mesmo totalmente arrasado. Os arqueólogos discutem sobre a época precisa em que se deu o desastre, embora o assinalem geralmente ao intervalo que corre entre 1400 e 1200 a.C. (ora Josué tomou Jericó por volta de 1200 a.C.).
Em conclusão: as manobras dos hebreus em tomo de Jericó têm primariamente o significado de um testemunho da fé que Deus exigia de seu povo; a sua finalidade imediata era provocar um bem de ordem espiritual numa gente rude como Israel, ou seja, excitar uma sincera atitude religiosa perante o verdadeiro Deus. A resposta do Senhor ao seu povo consistiu certamente numa intervenção poderosa, portentosa, cujos pormenores não podemos descrever com exatidão, visto que o texto sagrado não fornece os elementos para isto.


sábado, 26 de agosto de 2017

A nossa alegria vem do sim que damos a Deus


Deus é o único que sabe da nossa vida e do caminho que devemos seguir, por isso precisamos acolher Suas orientações e fazer tudo o que Ele nos manda. A nossa alegria e o nosso bem-estar dependem do nosso sim a Deus. Não se deixe abater, procure viver o que o Senhor tem para você a cada dia. Revista-se da armadura do cristão.
Deus tem um sonho, um plano para a vida de cada um de nós, e esse plano não é revelado de uma vez só, mas vai se desvendando dia após dia. Quando olhamos um bordado pelo lado contrário, vemos muitas linhas entrelaçadas, sem sentido, mas quando olhamos o outro lado do bordado, começamos a identificar um lindo desenho.
Da mesma forma acontece conosco. Hoje, só vemos as dificuldades, as linhas entrelaçadas, mas Deus está trabalhando continuamente; e quando olharmos do outro lado, veremos o lindo bordado que é a nossa vida! A maior alegria do coração de Deus é contemplar a Sua vontade se realizando na vida de Seus filhos. E a alegria do Senhor é a nossa alegria!


Monsenhor Jonas Abib - Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Conheça a Arma sem a qual não há vitória


 “A vida do homem sobre a Terra é uma constante luta” (Jó 7, 1).
Não há um só homem que, em meio às circunstâncias da vida, não encontre batalhas tenebrosas e inimigos vorazes a enfrentar.
No entanto, é realmente impossível entrar numa guerra sem conhecer as táticas desta; não se estaria à altura de um verdadeiro cavaleiro. Foi, sem dúvida, em vista disso que quis Nosso Senhor instituir o Sacramento da Confirmação que nos faz verdadeiros soldados de Cristo.
“A vida do homem sobre a Terra é uma constante luta” (Jó 7, 1). Não há um só homem que, em meio às circunstâncias da vida, não encontre batalhas tenebrosas e inimigos vorazes a enfrentar.
No entanto, é realmente impossível entrar numa guerra sem conhecer as táticas desta; não se estaria à altura de um verdadeiro cavaleiro. Foi, sem dúvida, em vista disso que quis Nosso Senhor instituir o Sacramento da Confirmação que nos faz verdadeiros soldados de Cristo.
Assim, a Santa Mãe Igreja, neste Sacramento, reunindo todas as tradições antigas, envia seu representante para armar, numa magnífica cerimônia, o jovem cavaleiro de Jesus Cristo.
“Meu filho, vós deveis ser um soldado vencedor; vossa carreira deve ser uma longa seguidilha de vitórias. Eis aqui vossos inimigos: o demônio, a carne e o mundo. Eis aqui vossas armas: a vigilância, a mortificação e a fé. Atleta de Deus, filho de tantos heróis, é sob o olhar de todos estes nobres vencedores, sob o olhar dos Anjos e de vossa Mãe que vós ides combater. Sede digno do nome que vós levais”. [1]

Uma vez feito combatente, fortalecido e robustecido pelo inapreciável dom do Espírito Santo, mas conhecedor dos riscos pelos quais passará durante os conflitos de sua peregrinação terrena, o homem depositará sua confiança na arma que lhe é oferecida pelo Supremo General. Qual é esta arma?
“Orai sem cessar” (I Ts 5, 17), eis a ordem de comando para se obter o triunfo final. “A oração, que move de certo modo a própria vontade de Deus a fim de nos conceder suas graças, é uma força incomparavelmente mais formidável que todas as máquinas de guerra que se tenha inventado ou possa inventar o homem”. [2]
Possuindo essa artilharia tão possante e valiosa, que poderá temer a milícia de Cristo? Se queremos ser fiéis soldados de Cristo e não quisermos sucumbir durante a batalha e, quiçá, sairmos dela vergonhosamente derrotados, recorramos ininterruptamente a essa milagrosa “metralhadora” de graças, a qual nos concede a vitória nessa vida passageira e, em consequência, na eternidade. “A oração […] é a mais poderosa arma para nos defendermos dos nossos inimigos. Quem não se serve dela está perdido”. [3]
Por Irmã Lays Gonçalves de Sousa


sábado, 12 de agosto de 2017

Cada pessoa será julgada logo que morrer?


Depois da morte há o juízo particular de cada alma; e o destino dela é definido; mas no final dos tempos, quando Jesus voltar na Parusia, haverá o Juízo final, os mortos todos ressuscitarão, e haverá o julgamento de todos diante de todos, mas isso não muda o julgamento particular de cada um após a morte. Veja abaixo o que diz o Catecismo:
Juízo Final
1059 – A santíssima Igreja romana crê e confessa firmemente que no dia do Juízo todos os homens comparecerão com o seu próprio corpo diante do tribunal de Cristo para dar contas de seus próprios atos” (DS 859,1549)
1038 – A ressurreição de todos os mortos, “dos justos e dos injustos” (At 24, 15), antecederá o Juízo Final. Este será “a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal , para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5, 28-29). Então Cristo “virá em sua glória, e todos os seus anjos com Ele. (…) E serão reunidas em sua presença todas as nações, e Ele há de separar os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos…
1039 – É diante de Cristo – que é a Verdade – que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus (Jo 12, 48). O Juízo Final há de revelar, até as últimas conseqüências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante a sua vida terrestre.
1040 – O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte (Ct 8,6).
 1041 – A mensagem do Juízo Final é apelo à conversão enquanto Deus ainda dá aos homens “o tempo favorável, o tempo da salvação” (2Cor 6,2). O Juízo Final inspira o santo temor de Deus. Compromete com a justiça do Reino de Deus. Anuncia a “bem-aventurada esperança” (Tt 2,13) da volta do Senhor, que “virá para ser glorificado na pessoa dos seus santos e para ser admirado na pessoa de todos aqueles que creram (2Ts 1,10).
681 – No dia do juízo, por ocasião do fim do mundo, Cristo virá na glória para realizar o triunfo definitivo do bem sobre o mal, os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos ao longo da história.
682 – Ao vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um conforme as suas obras e segundo tiver acolhido ou rejeitado a sua graça.

Juízo Particular
1051 – Cada homem, em sua alma imortal, recebe sua retribuição eterna a partir de sua morte, em um Juízo Particular feito por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos.
1021 – A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo (2Tm 1,9-10). O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada função das suas obras e da sua fé. A parábola do pobre Lázaro (Lc 16,22) e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão (Lc 23,43), assim como outros textos do Novo Testamento (2Cor 5,8; Fl 1,26; Hb 9,27; 12,23) falam de um destino último da alma, que pode ser diferente para uns e outros.
1022 – Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação (Conc. de Lião II, DS 856; Conc. de Florença, DS 1384; Conc. de Trento, DS 1820), seja para entrar de imediato na felicidade
do céu (Con. de Lião II, DS 857; João XXII, DS 991; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1305), seja para condenar-se de imediato para sempre (Conc. de Lião II, DS 858; Bento XII, Benedictus Deus; Conc. de Florença, DS 1306).
Cleofas.com.br


sábado, 5 de agosto de 2017

Como preparar seu filho para lidar com a frustração


A escola da vida é uma excelente academia para treinar e lidar com a frustração
Num mundo de opções tão variadas, é possível preparar nossos filhos para conviver com essa diversidade? É possível dizer ‘não’ àquilo que não é bom para eles e ensiná-los a conviver com a frustrações?  Para responder essas perguntas precisamos, primeiro, entender o que é frustração. É um estado que vivenciamos quando algo nos impede de realizar nosso objeto de prazer. Na vida, sabemos que existem várias barreiras limitadoras – sejam elas sociais, psicológicas, físicas ou espirituais –, e é bom que assim seja, pois elas nos impedem de ter comportamentos nocivos para nós e para os outros. Mas a forma de lidar com isso gera satisfação ou insatisfação.
Durante toda a nossa vida, vivemos realidades permeadas de expectativas não atendidas, tais como a falta de pessoas e de sentimentos que gostaríamos que elas tivessem ou não para conosco. Esses sentimentos podem despertar em nós emoções de raiva ou tristezas, as quais acabam se transformando em ira ou depressão, levando nossos filhos a pequenos ou grandes sofrimentos.
 
A frustração pode atacar principalmente a autoestima dos nossos filhos e levá-los a fazer escolhas erradas, tais como drogas ou relacionamentos complicados.
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Como fazer para que as crianças aprendam a conviver e a trabalhar essas frustrações inevitáveis? Esse é um grande dilema vivenciado diariamente por muitos pais.
A escola da vida é uma excelente academia para treinarmos desde pequenos, e colocarmos limites nos possibilita criar condicionamentos mentais, que vão nos propiciando amadurecimento e condições para lidarmos com frustrações maiores. Poder trabalhar preventivamente é um ponto importante para quem tem filhos pequenos.
Nesse ponto, temos vivido uma realidade preocupante. Como a vida profissional dos pais exige que estes fiquem muito tempo fora, eles acabam atendendo aos desejos dos filhos, que não deveriam, para acalmar o sentimento de culpa que sentem por causa da ausência.
Superar a frustração
A grande maioria dos pais, quando perguntados sobre o que mais querem para seus filhos, provavelmente responderão: que sejam felizes. Para isso, esforçam-se para oferecer às crianças as melhores condições, mas, muitas vezes, perdem a oportunidade de ensinar a simplicidade da felicidade. Temos de entender que, dentro de cada um de nós, existe uma pessoa fraca e uma forte. A pergunta que temos de nos fazer é: qual estamos alimentando mais em nossos filhos? Ensiná-los a lidar com as emoções e os sentimentos faz parte do nosso papel de educador, a fim de que possam superar as frustrações que enfrentarão por toda a vida.
O primeiro aprendizado que focamos muito como sucesso é o que o mundo nos ensina, ou seja, criarmos condições principalmente no desenvolvimento do quociente intelectual, mas nos esquecemos do quociente emocional e espiritual, que é a nossa capacidade de lidar com as emoções diante dos desafios diários da vida. A capacidade de transcender, abrir mãos de necessidades atendidas no presente para uma vida futura melhor.
O nosso papel é trabalhar as competências de nossos filhos, seus conhecimentos, suas habilidades e, principalmente, suas atitudes aos valores e às crenças que introjetamos neles a partir da forma como vemos o mundo. A escola pode ser parceira, mas os pais não podem terceirizar uma função que é inerente à sua vocação. E a vocação dos pais católicos é serem os primeiros educadores e catequistas de seus filhos.
O que podemos, então, fazer como pais para ajudar os filhos desde pequenos? Primeiro, buscar o autoconhecimento, pois quem se conhece tem mais possibilidade de se aceitar com foco na construção da autoconfiança. Pessoas que reconhecem suas qualidades e defeitos têm mais facilidade para trabalhar comportamentos inadequados sem se sentir uma pessoa inadequada. Isso permite que ela tenha coragem de mudar quando for preciso e aceitar aquilo que ela não pode mudar.
Caminho para ajudar a lidar com a frustração
Trabalhar a paciência para que eles aprendam a esperar, fazendo com que a frustração seja menos dolorida. O diálogo é fundamental para a criança aprender a partilhar seus sentimentos, os quais, quando falados, podem ser melhor trabalhados. Aprender a ser persistente, pois pouca coisa nós conseguimos sem que tenhamos de batalhar por elas. A vida não é o que a televisão vende, mas algo conquistado passo a passo. Como diz São Paulo, precisamos combater o bom combate. Ser resiliente, ou seja, ter a capacidade de mudar de estado de acordo com algumas situações, controlar impulsos e aceitar as adversidades e as alegrias como parte da vida, pois o mundo não se restringe ao nosso umbigo, mas a uma coletividade.
Porém, nada disso é possível sem que os pais se lembrem de que o comportamento dos filhos é modelado por seus exemplos; portanto, precisam ser os primeiros a reconhecer seus próprios sentimentos e lidar com suas frustrações diante da realidade da vida.
Lembrem-se: nossos filhos são como folhas em branco, nas quais podemos escrever nossas frustrações e nossos medos ou contribuir para o aprendizado de como lidar com as decepções e superá-las. Como em uma academia, temos de começar com exercícios leves até chegar aos mais exigentes, ou seja, ajudá-los a serem adultos maduros e felizes.
Ângela Abdo - Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.






sexta-feira, 28 de julho de 2017

Se há um povo que reza com toda fé, são vocês carismáticos


A missa de encerramento do Jubileu de Ouro foi realizada na manhã do domingo (02/07), na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. E teve como celebrante Dom Alberto Taveira, assessor eclesiástico da RCCBRASIL, e concelebrante Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida.
Em sua homília Dom Orlando enfatizou a alegria de acolher os carismáticos na casa de Maria, “celebrar o Jubileu dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, no dia de São Pedro e São Paulo e junto com os 50 anos da RCC é uma grande graça. Se aqui estamos no Santuário Mariano, é porque também somos todos Santuário do Espírito Santo”.
Meditando sobre a liturgia afirmou a importância de ser um homem cheio do Espírito, “Pedro estava sob a guarda de dezesseis soldados, porque quem tem o Espírito Santo é perigoso”. Também relatou a importância da devoção mariana, “aqui também tivemos um escravo acorrentado, mas na presença de Nossa Senhora elas caíram. Na presença de Maria todas as correntes caem”.
“Assim como São Paulo a RCC possui uma coroa da glória pelos seus 50 anos de existência, e junto a ela também recebem uma grande corrente de graça”, explicou Dom Orlando. Também ressaltou muitas virtudes dos carismáticos, como por exemplo a vivência do despojamento que leva a ter uma fé madura. Afirmou que a RCC não defende um movimento, mas parte da experiência do profundo amor de Deus e essa tem sido sua missão.
“Vocês devolveram a bíblia Católica para a Igreja e se há um povo que reza com toda fé, são vocês carismáticos. Rezam pelos outros, rezam pela conversão do povo”. Também falou sobre a vivência concreta do ser perdoado e perdoar, e explicou que é isso que faz com que os membros da RCC sejam testemunho vivo da misericórdia de Deus.
E finalizando a homília frisou que umas das grandes missões da Renovação é viver o ecumenismo, “a RCC começou com os nossos irmãos de outras denominações, por isso tem a missão de ser ecumênica”.


Portal RCC Br





sexta-feira, 21 de julho de 2017

Àqueles que zelam pelas coisas de Deus nada faltará


“Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada” (Sl 33).
Quero lhes falar, hoje, sobre o temor ao Senhor, pois isso toca ao meu coração.
Meus pais sempre me ensinaram que devemos temer a Deus, mas não no sentido de medo propriamente dito, pois o temor verdadeiro é aquele que respeita, que não faz algo de errado, porque não quer machucar quem ama, e é este o temor que o Senhor nos pede. Um temor de respeito, de santidade, de querer fazer o que é justo. É isso que Deus espera de nós.
Ao ler esse trecho do Salmo, refleti que àqueles que zelam pelas coisas de Deus nada faltará, mas não é a abundância que muitos pregam, mas é o amor, a esperança, a paz, a alegria… Deus dará o material também, mas o essencial Ele nunca deixará faltar.
Meus irmãos, para ser de Deus há uma grande exigência, mas há também uma grande recompensa, que é o céu. Não teremos aqui na terra todas as alegrias, porque o melhor está reservado para aqueles que temem a Deus no céu.
Deus nos abençoe.
Seu irmão,

Wellington Jardim (Eto)
Cofundador da Comunidade Canção Nova  

sábado, 15 de julho de 2017

Como combater a preguiça espiritual?

Como toda doença, antes de se saber como curá-la, é preciso identificar a sua causa.
O Catecismo da Igreja se refere à preguiça da seguinte forma:
Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (também chamada ‘preguiça’). Os Padres espirituais entendam esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligencia do coração. ‘O Espírito está pronto, mas a carne é fraca’. Quando mais alto se sobe, tanto maior é a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria. Passa a ter mais confiança, a perseverar na constância. (CIC, §2733)

A vida de oração do cristão pode ser marcada por dois excessos: a presunção e o desânimo. O primeiro excesso faz com que a pessoa julgue ter alcançado o grau máximo de comunhão com Deus, ou seja, já se considere santa. O segundo está relacionado à aridez espiritual. Acontece quando “… o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças, aos sentimentos, mesmo espirituais” (CIC,§2731) e a pessoa acaba prostrada, sem forças, desanimada.
A presunção, em última instância, é a mãe da preguiça espiritual. Jesus sempre insistiu na necessidade de o cristão estar acordado, vigilante, esperando pela volta do seu Senhor. A presunção, juntamente com sua filha, a preguiça, acaba com essa vigilância. Quem nela se acomoda corre o grande risco de perder-se.


O cristão é alguém que precisa manter-se acordado, alerta, enquanto o mundo dorme. É como uma pessoa tem os pés cravados no chão e não subsiste num mundo de fantasia, de sonhos, de faz-de-conta. Uma pessoa que sabe que para alcançar a salvação, para manter a sua fé, precisa estar sempre alerta, sempre vigilante, ou seja, tem consciência de que deve lutar para não dormir.
A fé exige um esforço porque existe uma tendência no homem de sair da realidade e entrar nas falsas promessas de felicidade contidas em cada tentação, em cada pecado. Por isso, é uma luta a vida do homem sobre a terra (Cf. Jó 7,1).

A preguiça espiritual deve ser combatida com a ascese, a vigilância e o cuidado do coração que exerce sobretudo na oração, no ouvir a Deus, deixá-lO falar, mesmo quando o ouvir não seja agradável.
Retirado do livro: “A Resposta Católica”. Padre Paulo Ricardo. Ed. Cléofas e Ecclesia


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Vinde, Espírito Criador!


Estamos celebrando a grande Solenidade de Pentecostes, onde recordamos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Nossa Senhora, que estavam reunidos no cenáculo. Nesse evento, podemos perceber o efetivo cumprimento da promessa: "Depois de tudo isso, derramarei o meu espírito sobre todos os viventes. E, então, todos os vossos filhos e filhas falarão como profetas: Os anciãos receberão em sonho suas mensagens e os jovens terão visões" (Jl 3,1). Ou ainda como escutamos na liturgia do domingo passado, da Ascensão do Senhor: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”(At 1,8).
O Senhor derramou o Espírito Santo para que os discípulos pudessem ser autênticas testemunhas, anunciando Jesus Cristo em todos os cantos da terra. Ele não quer que nós fiquemos parados olhando para o céu (cf. At 1,11)! O Espírito Santo nos dá a coragem e a ousadia para anunciarmos o nome de Jesus Cristo por onde quer que estejamos. Esse é o estado de missão que a Igreja tanto nos pede.
Se olharmos a Sagrada Escritura, enquanto não receberam a Força do Alto, os discípulos permaneciam trancados, com medo (cf. Jo 20,19). Podemos concluir então que os discípulos não receberam o Espírito Santo porque eram fervorosos, mas se tornaram fervorosos porque receberam o Espírito Santo! Esse é o segredo para nós: Viver uma vida segundo o Espírito!
Pentecostes é, além disso, considerado o acontecimento fundacional da Igreja Católica. Em uma de suas pregações, o Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, apresentou duas linhas de força do Pentecostes: "Todos ficaram cheios do Espírito Santo" (At 2,4) e "...todos nós os escutamos anunciando as maravilhas de Deus em nossa própria língua." (At 2, 11).
Estamos em plena festa do Jubileu de Ouro da Renovação Carismática no mundo. "A RCC é um dos grandes sinais do despertar do Espírito e dos Carismas na Igreja. A experiência do Espírito Santo em Pentecostes levou a Igreja a descobrir a figura de Jesus e seus ensinamentos. O Paráclito, prometido por Jesus, conduz os discípulos à 'verdade plena' sobre o Pai e o Filho."
Quando Jesus enviou o Espírito Santo, conforme havia prometido, deu uma ordem a seus discípulos: "Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." Essa missão para todos nós, batizados no Espírito Santo: Sermos testemunhas do Senhor, em todos os cantos da terra, anunciando com intrepidez Sua Palavra e andando conforme o Espírito (cf. Gl 5, 25).
 Pe. Heldeir Gomes Carneiro

Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote