segunda-feira, 16 de julho de 2018

Coroa Indestrutível



Perdemos a Copa do Mundo. E daí? É só um jogo. Jogos nem sempre nos são favoráveis; às vezes ganhamos, às vezes perdemos, por mais que nos julguemos melhores e talvez até sejamos. Mas mesmo se ganhássemos o último jogo, chegaria o dia em que, fatalmente, seriamos derrotados nesta ou em outra Copa. Então o que importa verdadeiramente é lutar por algo que seja definitivo, que jamais nos será tirado, a coroa indestrutível de que nos fala o Apostolo Paulo em sua carta aos corintios, cap. 9, versos 24 e 25: “Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o premio. Correi pois, de tal maneira que consigais. Todos os atletas se impõem muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível”. Esta é a coroa final, o troféu da glória eterna.
Esse troféu só podemos conquistar com uma vida em Cristo, segundo moção do Espírito Santo. Não é um jogo, é uma corrida de obstáculos onde não há adversários, há companheiros; não há ninguém a vencer (Nossa luta não é contra a carne e o sangue... - cf Ef 6,12), há irmãos a compartilhar. O adversário, o verdadeiro inimigo a vencer não é nosso próximo; está em nós mesmos (a concupiscência) e a nos afrontar, as investidas do maligno. Portanto, guardemos a fé, caminhemos firmes, passos largos na via traçada para nós, caminho, verdade, vida: Jesus de Nazaré. Como Paulo, possamos também dizer: “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4,7).
Copas do Mundo podem ser roubadas. Surrupiadas sorrateiramente pelo apito de um árbitro tendencioso ou literalmente furtada (cadê a Jules Rimet?). Mas a coroa da vitória em Jesus ninguém nos tira, pois em Cristo somos mais que vencedores.

 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O Cordeiro de Deus



Inicio esta reflexão citando o catecismo da igreja Católica: “Pela sua morte Jesus nos liberta do pecado; pela sua ressurreição Ele nos abre as portas de uma vida nova” (CIC 654).
Quando Jesus foi para a cruz e deu sua vida por nós, era Ele o cordeiro de Deus, o derradeiro holocausto expiatório, o definitivo sacrifício para remissão dos pecados do mundo inteiro.  Sacrifício atemporal, pois contemplou passado, presente e futuro. Toda a Terra, em qualquer lugar, a qualquer tempo, foi alcançada pela graça do perdão Divino. A ressurreição, manifestação do inconteste poder de Deus, nos abriu o caminho para a eternidade. Esse caminho inicia-se em Jesus, passa por Jesus e prossegue com Jesus.
A fé, baseada na Palavra de Deus e nos ensinamentos da igreja nos convence disso. Entretanto uma grande questão permeia essa assertiva: basta a fé para obtermos o perdão Divino e consequentemente alcançarmos a salvação e a glória eterna? A fé é fundamental, porque pela fé reconhecemos e aceitamos o sacrifício e a glorificação do Senhor. Mas a fé simplesmente não é o bastante. Lembremo-nos que Jesus, o Verbo Eterno (ver Jo 1,1-2.14), veio ao mundo para remir a humanidade e reconciliá-la com o Pai. Durante três anos formou discípulos, elegeu um grupo para sucedê-lo, ensinou, revelou seu propósito e por fim doou-se venceu a morte e retornou aos braços do Pai na eternidade. Portanto, o direito à salvação passa por tudo isso.
O mérito de nossa salvação é todo de Jesus, porém é necessário que desejemos e aceitemos as condições. A salvação nos foi oferecida, o mérito é Dele e a fé nos certifica isso; no entanto, temos que conquistá-la. O sacrifício, a ação principal, foi Dele e o que Ele nos pede é que façamos a nossa parte. E nossa parte, a contribuição pessoal para a salvação é simplesmente ouvi-lo e obedece-lo: “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2,5).
  

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Jesus Libertador



Nós cristãos dizemos – e dizemos com convicção – que Jesus Cristo cura, liberta, salva. Realmente, Jesus é Nosso Senhor e tem poder sobre tudo e sobre todos. Na cruz nossos pecados foram remidos: “Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão de vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele quem nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-os definitivamente ao encravá-lo na cruz”   (Cl 2,13-15). Portanto, Cristo já nos libertou, cabe a nós sair do cativeiro. A morte, consequência do pecado, foi vencida e cabe ainda a nós, como Lázaro, vir para fora do sepulcro. Jesus abriu as portas de todas as prisões, rompeu os grilhões que nos acorrentavam, e da porta nos chama a si. Muitos, porém são surdos aos apelos do Senhor; ouvem, no entanto, os clamores do mundo. Estes ao invés de sair, ficam acuados no fundo de suas prisões, escravos que se fazem do pecado.
Nenhum de nós é pecador porque abandonados por Deus; ao contrário, abandonamos Deus, por isso somos pecadores. O mal não tem poder sobre nós se estamos em Deus com Jesus Cristo. Se alguém proclama que Jesus é senhor de sua vida e ainda assim vive em pecado, na verdade não tem Jesus como senhor e peca porque quer. Permanece no interior de sua cela no calabouço da iniquidade, não dá ouvidos a Jesus e atende aos clamores glamourosos do mundo, deixando-se seduzir pelos embustes do maligno.
Ouçamos, pois, a voz do Senhor que nos chama. Sigamos Jesus que é o caminho. Caminho que leva à verdade; verdade que liberta; liberdade que dá vida; vida plena e abundante.  

sábado, 30 de junho de 2018

Quero ser santo



Quero ser santo, preciso ser santo. Devo ser santo, pois o céu clama por santidade. A Bíblia nos diz, seja santo como o Pai Celeste é Santo. O que é santidade? Como ser santo? Santidade é viver uma vida consagrada a Deus, dedicada ao bem e ao amor fraterno, é viver intensamente em Deus, sendo isento de pecado, imaculado. Biblicamente, santo significa separado, apartado, designando aqueles que viviam longe dos costumes mundanos, fora do paganismo. Desde modo para ser santo basta resistir às influências maléficas do mundo, afastar-se das fontes de pecado e viver vinte e quatro horas, dia a dia, trezentos e sessenta e cinco dias ao ano sob a égide do Espírito Santo.
Ah!... Se fosse simples assim... Já diz o dito popular: falar é fácil, fazer é que são elas. Há que matar leões e dragões diariamente! A batalha é diária. E a pior, a mais dura é a luta contra si mesmo, pois a nossa tendência inata ao pecado – a famigerada concupiscência – em muitos habita à flor da pele. O inimigo de nossas almas sabe disso e acende em nós todo tipo de desejo pecaminoso; desregramento sexual, indiferença religiosa, tendência ao mal, falsidade, desonestidade, são os campos onde Satanás atua para nos desviar do caminho. Às vezes consegue. Muitos sucumbem e são presas de suas garras afiadas.
O Apóstolo São Pedro nos lembra que o Demônio é como um leão que nos cerca pronto a nos devorar. Por isso a necessidade de vigilância, de oração. Só assim, discernindo o que é bom e o que é mal, em vigília e oração podemos combater e vencer o inimigo; matar leões e dragões a cada dia. É difícil viver a santidade num mundo onde imperam uma moral distorcida, o adultério e a desonestidade; onde irmão desrespeita irmão, filhos os pais e pais os filhos; onde políticos e empresários são corruptos e assustadoramente insensíveis ao sofrimento do povo; onde se mente e trapaceia descaradamente. 
 Não somos perfeitos, só o Pai é perfeitissimo; daí estamos sujeitos a quedas. Por isso apesar da resistência ao mal, num descuido às vezes tropeçamos, escorregamos, transgredimos. Mas o coração de Deus é extremamente misericordioso e conhece nossas intenções, daí vem em nosso socorro concedendo-nos o perdão de nossas faltas e reconciliando-nos com Ele. Se a transgressão foi grave, amorosamente Ele nos deixou o sacramento da penitencia, onde arrependidos confessamos nossos pecados e somos perdoados. 
Ainda não cheguei lá. Sei que não é fácil, mas é possível. Com luta e perseverança conseguiremos, pois a Palavra nos garante: Em Cristo somos mais que vencedores!



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Viver e caminhar no Espírito



“Se vivemos pelo Espírito, andemos de acordo com o Espírito” (Gl 5,25). Este versículo bíblico foi tema do ENF 2015 – Encontro Nacional de Formação para coordenadores e ministérios da RCC Brasil). Mais que tema, que motivação, foi moção para todo o ano 2015. Indo além, mais que tema, mais que moção, é ordem de Deus para toda a vida. Enquanto caminhamos nesta terra, andemos de acordo com aquilo que o Espírito Santo coloca em nosso coração; caminhemos com ele, guiados por Ele, para que ao chegar a plenitude de nosso tempo sejamos levados por Ele, através de Jesus, ao Pai.
No texto bíblico onde o versículo acima está inserido, no verso 18, Paulo nos diz que quem vive sob a ação do Espírito Santo não está sob o jugo da lei. O que isso significa para nós hoje? Estamos largados, a revelia da lei? Podemos fazer o que quisermos? Não! Isso significa que quem vive e caminha com o Espírito Santo não transgride a lei, seja tanto a lei civil (dos homens) como a lei de Deus (os mandamentos). Isto se faz naturalmente, em decorrência da ação do Espírito Santo mesmo que desconheçamos as leis.
Todos batizados temos o Espírito Santo, até o pior bandido. Uma frase de um famoso escritor me chama a atenção; diz assim: “No pior homem do mundo existe algo de cada um de nós; em cada um de nós existe algo do pior homem do mundo”. O que seria esse algo? Podemos fazer alusão ao Espírito Santo. Então, ter o Espírito Santo e caminhar no Espírito são coisas diferentes. Viver no Espírito é experimentar, sentir a presença; é obra de Deus. Andar no Espírito é agir, deixar-se levar; é dever do homem. Viver no Espírito é estado de Graça. Andar no Espírito é obediência.
Somos batizados, somos filhos de Deus e como tal, sejamos obedientes nos abrindo a ação do Espírito Santo, nos deixando conduzir por Ele, conhecendo e amando esse Deus maravilhoso que nos ama intensamente. Deus digno de todo louvor, Deus apaixonado!  Deus apaixonado por cada um de nós, apaixonado por você. Não confundamos com paixão humana, um sentimento intenso, porém efêmero. A paixão de Deus é uma paixão de sacrifício, de sangue derramado. A paixão de Deus por nós é perene. No sacrifício salvifico de Jesus pela humanidade fica claro seu imenso amor, sua paixão desmedida. Podemos dizer sim, com toda certeza, Deus é um Deus apaixonado.
Abramo-nos a ação do Espírito Santo, sintamos no coração esse amor ardente e possamos ouvir sua voz suave a nos dizer: Sou apaixonado por você, sou seu Deus.  




sexta-feira, 15 de junho de 2018

Tempo de amar



Há tempo para tudo: tempo para plantar, tempo para colher; tempo para construir, tempo para demolir; tempo para juntar pedras, tempo para espalhá-las; tempo de viver, tempo de morrer. Só não há tempo para amar. Não se trata de falta de tempo, porém da inexistência de um tempo especifico para amar. O exercício do amor é (ou deve ser) constante, a qualquer tempo. O que é o tempo? Podemos dizer que tempo é o lapso entre o que se passou e o que há de vir. Num outro contexto tempo seria a ocasião propicia para um determinado evento. O tempo como tal existe, é natural, porém a contagem do tempo, ou seja, a medida decorrente entre o inicio e fim de um evento qualquer, é convenção humana. Se o tempo existe – de modo natural ou tecnicamente – e para tudo e tudo tem um tempo, por que não para o amor?
Sabemos que Deus é amor. Sabemos também que Deus é atemporal. Portanto, o amor é atemporal, como o Criador.  Tudo que procede de Deus é incondicional; incondicional é seu amor por nós; amor infinito, imensurável, indelével. Diz a Palavra que Deus amou tanto a humanidade, que deu seu filho como sacrifício de amor por nós. No antigo testamento, no livro do profeta Isaias, Deus declara seu amor ao nos revelar que somos preciosos a seus olhos, que troca reinos e nações por nós e que está sempre a nosso lado. Também Davi cantando as misericórdias do Senhor, louva a Deus por seu amor ao salmodiar: O Senhor é lento para a cólera, bom e misericordioso, porque tanto os céus distam da terra quanto sua misericórdia é grande para os tementes a Ele.
Em vista de tudo isso podemos afirmar com toda convicção que não há tempo para amar. Há tempo para tudo, ensejo para todo acontecimento, menos para amar, porque todo tempo é tempo de amar. Esse amor que o Pai Eterno derrama constantemente sobre nós e que não deve ser retido. Deus embora ame a todos indistintamente, ama cada um como se esse um fosse único; amor único e ao mesmo tempo universal. No mistério desse amor somos envolvidos e Deus nos pede que partilhemos com todos esse amor. Aos que estão próximo amemos afetuosamente, que sejam especiais e preciosos; assim são os amigos, parentes, a família. Aos mais distantes, aos desconhecidos, também amemos, mesmo de forma difusa, desejando-lhes o bem, usando de misericórdia, orando por eles, mesmo que estejam do outro lado do mundo. Não, não existe lugar nem hora para o amor. Amor cuja fonte é o coração bondoso do Pai e que flui através do nosso coração.                  

sábado, 9 de junho de 2018

Povo Santo ou Povo Santeiro



Breve resumo a respeito daqueles que pensam que são católicos, se dizem católicos, mas nada conhecem da doutrina da igreja a qual dizem pertencer.
Muitos desses não põem os pés na soleira de uma igreja há anos. Outros vão eventualmente (casamentos, missas de sétimo dia, batizados) e alguns até frequentam regularmente a igreja. Alguns são super, hiper, mega supersticiosos. Seus filhos são batizados, não por pertença a uma fé ou ao senhorio de Jesus, mas por mera superstição: a criança batizada fica mais calma e livre de doenças, dizem. Casam-se na igreja por formalidade, para satisfazer à sociedade e não visando um sacramento. Suas crianças participam da Eucaristia (primeira comunhão) porque – segundo eles – é chique; depois tchau, igreja nunca mais.
Há aqueles que ao invés de se espelhar no testemunho de vida dos santos, conferem-lhes atributos que eles não têm; os consideram milagreiros e protetores. São os “católicos santeiros”. Há também os devotos “exclusivamente marianos”, que colocam Maria a frente de seu Divino Filho, esquecendo-se que a legitima devoção Mariana sempre nos conduz ao centro de nossa fé, Jesus. A propósito, há pessoas que deixaram o catolicismo e passaram a frequentar igrejas evangélicas, sem contudo deixar de cultuar – agora ocultamente – seus “santinhos”.  Conheci uma mulher, viúva de um pastor, que mal o marido morrera, recuperou suas estampas de Maria do fundo da gaveta e publicamente passou a cultuá-la. Deixou a Igreja Protestante, sem  no entanto retornar a Igreja Católica.
Atentem que não refiro aqui aos Movimentos Marianos nem a veneração aos santos, que na verdade são exemplos da fé em Cristo e em comunhão com Deus na glória eterna, intercedem por nós. Faço referencia a devoções particulares e crendices populares; a uma religiosidade descompromissada e sem nenhum fundamento doutrinário. Gente que confunde Nossa Senhora com Iemanjá e São Jorge com Ogum
Culpa de quem? Um pouco deles, pois muitos não querem aprender e quando se dispõem a aprender, aprendem errado. Culpa nossa, pois estamos evangelizando poucos. Vamos a luta?


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Aridez


Neste fim de semana em viagem, transitando pela Via Dutra na região do Vale do Paraíba, chamou-me a atenção num determinado trecho a vista de uma colina com a vegetação ressequida e árvores totalmente sem folhagem, como tocos de pau  secos espetados  no solo árido. Eram como espectros, numa visão tétrica. De imediato sobreveio-me um pensamento: há pessoas assim; coração duro, ressequido como aquele morro. Gente desanimada – sem animo, sem vida (anima: alma / alma: vida) – como na parábola do semeador, terreno pedregoso e espinhento. Qualquer palavra de animo ou reconforto é repelida ou sufocada, pois o coração e a mente estão secos e turvados pelas agruras e dificuldades da vida.
Todos passamos por momentos de aridez e deserto, entretanto que não seja algo constante, duradouro ou interminável. Em momentos difíceis, principalmente durante enfermidades é comum a dificuldade de oração devido a nosso foco estar voltado para a vicissitude vivida. Nessa circunstância o combate da oração é mais intenso, pois temos que lutar conosco mesmo para desviar nossa atenção para a busca da solução e não para o centro da crise. Porém com esforço e uma fé atuante, conseguimos pouco a pouco sair do deserto. Como diz o profeta Isaias: o deserto se converterá em vergel e o vergel em floresta. Para isto havemos de ser confiantes; nossa esperança residir na presença ativa de Deus em nós. Essa presença ativa é o Espírito Santo que nos faz viver e caminhar sob a égide de Jesus Cristo. Assim a terra árida, tétrica como a paisagem que suscitou essa reflexão, transforma-se numa área verdejante que além, forma uma bela e pujante floresta!

A vida no Espírito é nossa vocação; vocação de toda a humanidade. Buscá-la é fortalecer-se frente as dificuldades, é equilibrar-se nos momentos de indecisão,   enfrentar sem temor os conflitos e acima de tudo ver os caminhos mais tenebrosos inundarem-se de luz. É verdadeiramente encontrar de uma maneira que nos interpela, o sentido pleno da vida. É encontrar a paz; não a paz estática que leva à acomodação, mas a paz dinâmica, a paz inquieta que faz brotar nos corações o impulso para servir ao Senhor e aos irmãos. Que o Espírito Santo venha fertilizar o solo árido, venha fecundar os corações dos homens, para que ao se deparar com a vista de uma colina infértil, não nos lembremos de nossa falta de fé. 

sábado, 26 de maio de 2018

Investimento seguro



Quando falamos em investimento, pensamos em investimento financeiro. Imaginamos aplicar determinada quantia hoje para obter lucro no futuro; quanto mais lucro em menos tempo, melhor. Pensamos também em empreendimento; investir dinheiro em algum negócio rentável. Mas investir a vida visando gozar a eternidade algum de nós pensou?
Investir dinheiro (quando se tem) é fácil. E a vida? Como é possível investi-la, como aplicá-la visando lucrar na eternidade? Dinheiro se aplica em instituições financeiras. A vida se aplica no caminho do Senhor, seguindo Jesus Cristo guiados pelo Espírito Santo. Dinheiro é aplicado visando usufruir riquezas e bens no campo material.  Vida é aplicada na intenção de usufruir riquezas espirituais: bem estar, paz interior, dons de santificação, carismas, fé expectante, esperança, caridade; isto ainda nesta vida. A longo, muito longo prazo, viver as delicias da Comunhão dos Santos, eternamente na presença da Glória de Deus.
Monetariamente um investimento mal feito ou rende pouco, ou perde dinheiro. Menos mal. No cotidiano da vida, um passo mal dado, um passo em falso, um descaminho, pode representar a perda da vida eterna na companhia do Senhor. Um investimento fora da senda divina pode levar ao abismo. Muito, muito mal. Acentuamos viver a vida – investir – no caminho do Senhor. Como fazer? Será fácil? Em verdade não é fácil, mas é seguro e garantido, pois o retorno é certo e prazeroso. O lucro pode não ser imediato, mas há de vir por certo.
Investir no caminho do Senhor é segui-lo e segui-lo é fazer a Sua vontade. Ouvi-lo e obedecê-lo; viver conforme Seus mandamentos, sua lei; vivenciar os ensinamentos da Sagrada Escritura; orar sempre, num diálogo de amor com Ele. O apresentado é apenas um roteiro básico; o Espírito Santo há de incutir nos corações outras moções, conforme nossa abertura, nossa disponibilidade para caminhar com Ele, nossa boa vontade. A grande dificuldade no caminho em busca da santidade são os apelos do mundo ao redor e também de nossa concupiscência. A realidade mundana instigada pelo maligno e muitas vezes alimentada pela nossa tendência natural ao pecado (a tão falada concupiscência) nos atrai e muitas vezes nos rouba a direção correta. Daí a necessidade de uma vida de oração e perseverança na fé. Só assim somos capazes de permanecer no caminho da salvação. Como foi dito, o investimento é seguro, mas não é fácil mantê-lo. A Palavra nos assegura: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6,33).




sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ódio – câncer da alma



  “Errare humano est”. Errar é humano, perdoar é divino. Quem nunca ouviu essa frase? É verdade; mas também o perdão deve ser um atributo humano. Sabemos que Deus na sua infinita misericórdia nos perdoa sempre, assim sendo, até mesmo por gratidão a Deus (que nos perdoa sempre) devemos também nós perdoar aqueles que com ou sem motivo aparente tenham nos ofendido.  O modelo de oração ensinado por Cristo, o Pai Nosso, nos interpela nesse sentido: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.   A Palavra de Deus em diversas passagens vem nos exortar em relação ao perdão; aqui escolhemos Eclesiástico: “Perdoa ao teu próximo o mal que te fez e teus pecados serão perdoados quando o pedires. Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! Não tem misericórdia para com seu semelhante e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor e pede a Deus que lhe seja propicio! Quem então lhe conseguirá o perdão de seus pecados? Lembra-te do teu fim, e põe termo às tuas inimizades.” (Eclo 28,2-6).  
O maior mandamento, a regra de ouro do cristianismo, autenticada por Cristo Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda tua alma, de todas as tuas forças, de todo teu pensamento, e a teu próximo como a ti mesmo” (cf. Lc 10,27), é a chave para nos abrirmos ao perdão. É impossível amar a Deus se não amamos o irmão, mesmo que ele esteja longe, tenha se desgarrado, seja desprezado, seja arrogante, orgulhoso e presunçoso. É impossível amar ao outro se não amamos a si próprio. Se tivermos amor próprio somos pessoas bem resolvidas; somos bem amados, resolvidos interiormente e com autoestima elevada quando fugimos do pecado, amando a Deus, seguindo-o e obedecendo-o com docilidade.
Nesse contexto o perdão é imprescindível. Quem ama perdoa sempre e sempre será perdoado. A falta de perdão e como consequência o rancor, o ódio, são causas de muitas enfermidades psicossomáticas – aquelas causadas por distúrbios psíquicos que agridem o corpo – a hipertensão arterial, úlceras, doenças gastro intestinais, entre outras. Mas o grande mal é mesmo a psique alterada, o emocional abalado, a insônia, a depressão.  Quem odeia se maltrata e fere o coração desejando o mal do desafeto. Como recentemente ouvi: odiar é como tomar veneno esperando que o outro morra. Em suma, o ódio é o câncer da alma. Perdoe e tua vida será plena, sadia e abundante de paz e tranquilidade.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Eis-me aqui Senhor



Chamaste-me Senhor, eu ouvi a tua voz e atendi a teu chamado. Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir. Senhor, não fui eu que te escolhi, mas tu que me escolheste – escolhi o teu caminho, mas tu me escolheste para o serviço – ensina-me então, Senhor, a dar os primeiros passos. Adestra-me para o teu serviço. A messe é grande e os servidores são poucos, tu já disseste; então aqui estou a teu dispor.
Espírito Divino vem sobre mim, vem fazer-me instrumento de ti. Vem falar em mim, vem falar por mim.  Sopra sobre mim, Senhor, o teu Espírito e renova-me por inteiro; preenche minha vida com tua luz, tua sabedoria, teu destemor, teu arrojo, tua fortaleza, tua misericórdia, teu amor. Fazei de mim instrumento vivo de ti, que eu possa servir-te sempre, que eu possa estar sempre disponível a ti, despojando-me, Senhor, e entregando-me a ti sem reservas.
Quero proclamar a tua glória, levar o teu Santo Nome àqueles que não te conhecem. Fazer o teu nome conhecido e amado, levar-te, Senhor, onde tu não és reconhecido como Senhor e Salvador. Mas para tanto, Senhor, não posso contar com minhas habilidades, minha capacidade pessoal, meus próprios talentos. Para te anunciar com poder e autoridade, preciso muito mais de ti; preciso dos teus talentos (os dons carismáticos), da tua autoridade (o teu mandato), do teu poder (a unção do Espírito Santo). Tu mesmo nos disseste: ninguém pode clamar teu nome se não estiver sob a ação do Espírito Santo; ninguém pode caminhar reto em teu caminho se não estiver conduzido pelo Espírito Santo, muito menos proclamar-te. 
Vinde Senhor ungir-me, vinde Senhor, fazei de mim um servo teu; servo imperfeito, eu reconheço, mas jamais um servo inútil.  Vinde e enchei-me com o fogo abrasador do teu Espírito. Eis-me aqui Senhor. 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis com o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra!”   


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Viver a Vida



Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade, a vida. Jesus é verdadeiramente caminho, verdade e vida. Jesus é o caminho que conduz à verdade, verdade libertadora, liberdade que produz vida e como diz o próprio Jesus, vida plena, vida abundante. Vida plena porque repleta no tempo e na eternidade. Vida abundante porque podemos viver aqui na terra o reino de Deus; a abundância das maravilhas Divinas que nos são proporcionadas.
            Muitos erram o caminho, desconhecem a verdade e não vivem a plenitude da vida. Ao errar o caminho – às vezes até mesmo deliberadamente, optando conscientemente – a verdade é escamoteada; mentiras são plantadas e colhidas ao longo do caminho. Assim, vive-se falaciosamente; a vida torna-se um jogo, um drama, uma comédia, enfim, uma farsa. Quantos vivem essa farsa: uma aparência saudável, um rosto jovial, esbanjando alegria. No entanto é só aparência, só uma casca. Quantos jovens ao voltarem da “balada”, das noitadas de sexo livre, da bebedeira, encontram a tristeza, o vazio existencial, na solidão de seus quartos ou no banheiro aos vômitos com a cara na privada, na “fossa” como se dizia no passado.
            Somos livres para escolher o nosso caminho. Deus não nos obriga a servi-Lo; Não nos obriga sequer a segui-Lo. Somos livres para escolher o nosso caminho, somos livres até para pecar. É certo que Deus não fica feliz com nosso pecado, pelo contrário, quando pecamos ferimos cada vez mais o coração de Jesus; Crucificamos Jesus a cada dia com o nosso pecado. Mas mesmo assim Ele não nos obriga a nada! Ele poderia mudar tudo a hora que quisesse, como quisesse, mas não o faz. Porque nos ama, e porque nos ama nos deixa livres para escolher o nosso caminho.
            Ao longo da vida somos formados por valores e filosofias do mundo que nos cerca, influências tanto boas, como más. Quando conhecemos Cristo tudo começa a mudar. Na verdade há um conflito interior. Recebemos um novo coração, uma nova unção, mas de várias maneiras continuamos a nos comportar como antes. Por isso S. Paulo nos diz: “Renunciai a vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade”.(Ef 4,22ss) Temos que renovar nossos pensamentos, nossas atitudes; temos que nos renovar por inteiro. No entanto, não nos renovamos por nós mesmos, somos renovados pela ação do Espírito Santo. Essa renovação ocorre quando nos abrimos e deixamos o Espírito Santo agir, nos conduzir. Deus nos renova a medida em que nos entregamos a Ele.
            Como vimos, a renovação acontece quando liberamos nosso coração para Deus, quando deixamos Deus ser Deus e agir em nossa vida. Aí o caminho se abre, a verdade surge, a liberdade é concedida, a vida é vivida como Deus planejou para nós: Caminhar no Espírito, viver em Cristo, despojar-se nos braços do Pai!