sábado, 21 de abril de 2018

RESPOSTAS



As drogas, repetindo assertiva anterior, levam a lares destroçados, famílias enlutadas, corações feridos, vidas sem sentido. Infelizmente, como também já exposto, muitos veladamente ou escancaradamente apregoam a descriminização das drogas e por conseguinte, aprovam o seu uso. Alguns talvez por conveniência; outros por modismo, não querem ir contra as tendências, são os “maria vai com as outras”.
Por outro lado, felizmente, há aqueles que indo na contramão do relativismo, da permissividade irresponsável, das veleidades, são taxativamente contra as drogas e tudo mais que possa subverter a ética e a moral. Mais: auxiliam com os recursos que dispõem àqueles que carecem de assistência para se libertarem do vicio. Louvado seja Deus pela existência de pessoas e organizações que se disponibilizam a ajudar aos que precisam: os alcoólicos anônimos, narcóticos anônimos, grupos religiosos, as comunidades cristãs.  
O mundo precisa de mais Fazendas da Esperança, Comunidade Católica Maranatá, Shalon, Comunidade Betânia e quantas mais surgirem, sejam católicas ou evangélicas.
Nestes locais, os drogados em tratamento só têm um dever: rezar e trabalhar; ora et labora, é a regra em quase toda casa de recuperação. Nada de mais se exige nesses locais; não é pedido a ninguém para deixar nada, não se acusa, apenas são acolhidos com muito amor, sentem-se amparados, incentivados a exercer a plena cidadania. Nos momentos de partilha, de pregação, ouvem testemunhos de ex-dependentes químicos que se recuperaram e que evocam a necessidade de se abandonar todo tipo de vicio e da alegria de viver sem as drogas. Também nesses momentos são apresentados a Alguém, e os que abrem o coração vivenciam a experiência mística do encontro pessoal com Aquele que tudo pode, Aquele que renova todas as coisas, Aquele cujo nome é acima de todo nome, Aquele que é, foi e sempre será: Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador. Aleluia!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Cracolândia



É doloroso observar as cenas que vemos diariamente nas ruas em torno a nossa paróquia. Nas ruas de nosso bairro vemos com frequência pessoas, jovens e crianças na maioria, desfigurados pelo consumo do crack. São pedintes, que mendigam – não para comer, mas para se drogar. Agentes sociais do município os recolhem, mas eles sempre retornam, voltando a mendigar, a se drogar, a se prostituir, até mesmo cometer pequenos furtos. A maioria das pessoas os olham com repugnância, os têm como amaldiçoados e assim eles são tratados.
Na verdade são filhos de Deus, irmãos nossos. Irmãos rebeldes, desprovidos até de consciência, pois esta já foi consumida pelo crack; no entanto, são nossos próximos, irmãos afastados que merecem nosso amor, nossa compaixão e não o desprezo com que normalmente são tratados. Visto assim, a grosso modo, muitos pensam e até dizem, ironicamente: se você pensa assim, leve-os para sua casa. Quiséramos nós ter uma grande casa onde pudéssemos acolhê-los, cuidar deles, como o bom samaritano. Na impossibilidade, tratemos deles como seres carentes, necessitados de amor e não merecedores de desprezo e ódio. Na impossibilidade de acolhê-los num abrigo, cuidar de sua saúde física e mental, ao depararmos com um deles, ao ser abordado com um pedido de esmola, não os ignoremos, ofereçamos-lhes um lanche, uma refeição. Caso não aceitem (infelizmente é muito comum a negativa, pois querem mesmo é o dinheiro para adquirir a droga), rezemos então, para que um dia sejam alcançados pela luz de Cristo. Assim não nos omitimos, fazemos a nossa parte, o que está a nosso alcance.   
Infelizmente quem poderia ao menos amenizar a situação não o faz. A autoridade policial que deveria reprimir sistemática e diuturnamente o comércio ilegal das drogas, de certa forma se omite. Aí as “cracolândias” se espalham Rio de Janeiro afora. A implantação das UPP’s privilegiam as áreas turísticas (zona sul e entorno do Maracanã). Seria a solução, junto é claro, com os centros de recuperação de dependentes químicos.
Enquanto isso não vem, se não vem, acolhamos esses irmãos machucados, feridos, maltratados, discriminados, na medida de nossas possibilidades. Nossa possibilidade, nossa real possibilidade é oferecer a eles um coração amoroso, misericordioso, compassivo; é apresentar a eles aquele que tudo pode, aquele que é ilimitado: Jesus. Jesus Cristo, nome acima de todo nome, aquele que é, foi e sempre será.  

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Divina Misericórdia 2



Misericórdia, segundo o dicionário, é a pena causada pela miséria alheia, comiseração. Assim mesmo, desse jeito, acontece com o Sagrado Coração de Jesus. Seu coração sagrado e chagado sofre com as nossas misérias, de modo especial com nossos pecados. Por isso dizemos que misericórdia é o coração amoroso de Jesus debruçado sobre nossas misérias.
Essa misericórdia não tem limites, é magnânima. Tão grande que alcança o mundo inteiro, todas as pessoas, todos os povos e nações. Não distingue raça, cor de pele, credo ou religião. Se derrama sobre crentes e descrentes, ateus ou teófilos. Mesmo que não creiam, Ele – Jesus e sua misericórdia – está próximo, atuante. Como citado anteriormente, é como o ar que nos envolve; não vemos, mas sabemos que está presente. Alguém pode não crer, mas a misericórdia de Deus o sustenta. O sustenta nas dores, na tribulação; insistimos, mesmo que não creia a misericórdia divina o envolve.
De onde vem, sem aparente motivo, uma súbita paz no coração, um alivio diante de determinadas situações de dificuldade; a supressão da sensação de angústia, mesmo frente a problemas mal resolvidos? Isto ocorre frequentemente, até mesmo com pessoas descrentes, disso somos testemunhas. A resposta: é a Divina Misericórdia atuando. É assim porque é constante. É como a névoa da manhã, o ar que respiramos, a chuva que cai, a luz do Sol. Como sol que brilha para todos, bons ou maus, justos ou injustos santos ou pecadores, assim é a misericórdia de Deus, sobre todos é derramada.      
Por tudo, em gratidão e louvor pela Divina Misericórdia, você que crê não canse de clamar:
Santo, forte, imortal; sois Deus!
Pelo vosso sangue derramado, pelo vosso sacrifício de amor,
Pelo vosso coração sagrado e chagado debruçado sobre minha miséria,
Pela vossa infinita misericórdia,
Jesus, eu confio em Vós!


sexta-feira, 30 de março de 2018

Hino Cristológico


“Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente conhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para glória de Deus Pai que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,5-11)

Esta pericope é um antigo hino litúrgico cristão citado pelo Apostolo Paulo na carta aos filipenses.
É a ‘kenosis’ de Jesus Cristo, segundo a qual, Cristo, o verbo Encarnado, teve que sofrer para alcançar a glória (não há Tabor sem Calvário). A passagem também remete a Isaias 53.
Baseado neste texto bíblico podemos, com S. Leão Magno, dizer que o Verbo assumiu nossa humanidade, sem no entanto, deixar a divindade; desceu de seu trono de glória sem perder a majestade; imortal, assumiu um corpo mortal e submeteu-se à morte; invisível na sua natureza tornou-se visível na nossa; isento de pecado, fez-se pecado por todos.
Damos graças ao Deus maravilhoso, que humildemente desceu de seu trono de glória e fez-se como nós, sofreu as nossas dores, sentiu nossas ansiedades e angústias e por fim doou-se, esvaziou-se até o fim, por nós!
Bendito seja o nome de Jesus, nome acima de todo nome; nome que ao ser pronunciado do fundo da alma, nos pacifica, nos harmoniza; pelo poder do nome de Jesus, povos, raças e nações são restaurados. Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem que veio habitar entre nós e revelou o imenso amor do Pai.



sexta-feira, 23 de março de 2018

A boca fala daquilo que o coração está cheio


 Um ditado popular diz: "O peixe morre pela boca". O quanto há de verdadeiro nesta metáfora? A Bíblia em Tiago 3,5-6 diz claramente que a língua pode ser causa de perdição. Esse pequeno membro pode fazer tanto estrago na vida das pessoas tanto quando uma arma letal. Parece exagero, mas não é; uma arma fere o corpo, pode ou não deixar sequelas que com   tratamento médico adequado são com relativa facilidade curadas ou minimizadas. A língua pode não ferir e realmente não fere o corpo, mas geralmente fere e fere profundamente  a alma, trazendo consequências graves ao emocional e na psique das pessoas vitimadas por injurias e agressões verbais.
Sim, o peixe morre pela boca e o difamador, o fofoqueiro, o maldizente, o falastrão também. "A língua contamina todo o corpo e inflamada pelo inferno incendeia o curso de nossa vida" (cf. Tg 3,6). Isto é uma advertência aos contumazes usuários das palavras de maldição, das ameaças, das ofensas, das mentiras difamatórias, do julgamento, enfim, do uso da língua como instrumento de maldade, não de bençãos.
Neste contexto podemos citar também a passagem bíblica em Mt 7,1-5: "Não julgueis e não sereis julgados; porque do mesmo modo que julgardes sereis também vós julgados e com a mesma medida que medirdes sereis vós medidos. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave que está no teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão".  Caríssimos irmãos, o Senhor aqui nos adverte que devemos ser caridosos e prudentes com as atitudes dos outros. Isto não significa ser complacente com os erros, mas antes de emitir qualquer juízo de valor, olhar para si mesmo  numa auto análise crítica e perceber que muito daquilo que criticamos nos outros é inerente a nós mesmos. Assim, no âmago da questão observamos que os que criticam e julgam já condenando, estão na verdade projetando sua  própria idiossincrasia. É um ato de defesa; ataco primeiro e diminuo as chances de ser atacado. Desnudo o adversário e me revisto de uma capa de integridade. É verdadeiramente uma estratégia de dissimulação, na medida em que aponto os defeitos do outro enquanto escondo os meus.
Por isso as palavras duras de Jesus, que não são acusatórias, entrementes são palavras de advertência que nos levam a refletir, examinar minuciosamente nossa consciência para que possamos nos livrar da tendência perniciosa de julgar o próximo. Afinal a boca fala daquilo que o coração está cheio. Se comemos cebola nosso hálito certamente não será de hortelã.







sexta-feira, 16 de março de 2018

Ação e Oração


Tempos difíceis esses!  Crises política e econômica, insegurança em todos os sentidos; medo do desemprego, da violência, do futuro da nação. Porém uma coisa é certa: o cristão não desanima. Do ponto de vista prático, no plano material lutamos por mudanças, esperançosos por melhorias na situação do país, do fim da corrupção (fim é utopia, ao menos diminuição considerável, a níveis de normalidade – se é que existe normalidade neste caso) com a punição exemplar de corruptos e corruptores. Enfim, voltemos a ser uma nação respeitável e respeitada no mundo. Entretanto, o autêntico cristão não vive apenas em função desse mundo; vivemos também com o coração e a mente voltados para uma instancia superior: o reino de Deus, procurando já vivê-lo aqui na face da terra. Essa é a razão de não desanimarmos, a razão do nosso alento. Confiamos plenamente naquele que tudo pode. Em tudo demos graças a Deus e esperemos nele. Sabemos, contudo, que nem sempre a resposta de Deus é imediata e nem de acordo com aquilo que esperamos, mas sempre vem. Se diferente do que pretendíamos, se demorada, não importa. “Pai, que seja feita vossa vontade”, disse Jesus. E sabemos, a vontade de Deus é dar o melhor para nós no tempo oportuno. Se fizermos nossa parte, o que nos é devido e oramos com fé, a resposta por certo virá; virá e não seremos decepcionados, podemos crer convictamente nisso!
Estamos como num avião atravessando uma grande nuvem. Passamos por esse momento de turbulência, mas como o avião em voo, suportaremos as intempéries, atravessaremos as nuvens e a turbulência haverá de passar. Sonhamos com um Brasil melhor, um mundo melhor. Façamos o que nos é de direito sendo cidadãos honestos, zelando pelo patrimônio publico ou privado, respeitando as leis e vivendo a cidadania de modo pleno.  Viver plenamente a cidadania é impor-se limites e viver de acordo com as leis morais naturais, simples assim. No campo material ação, no campo espiritual, oração. Oremos com fé expectante na certeza da ação divina. As talhas estão sendo cheias; esperamos que Jesus venha e transforme a água de nossa esperança no vinho da vitória.


sábado, 10 de março de 2018

Circulo Vicioso



‘Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
  – "Quem me dera que eu fosse aquela loura estrela
Que arde no eterno azul, como eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
  – “Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
  – “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!”
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
  – “Pesa-me esta brilhante aureola de lume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?”(Machado de Assis-Circulo Vicioso).

Este belo soneto de machado de Assis reflete a situação de muitos. Há pouco escrevemos aqui sobre pessoas insatisfeitas que queriam ser outras, na verdade invejavam pessoas que julgavam superiores a si. Aqui vemos pessoas enfadadas com sua situação, posição social, enfim, consigo mesmas. Um misto de sentidos de inferioridade com superioridade, num paradoxo de sentimentos. Os pequenos invejam e desejam ser grandes; os grandes, cansados, prefeririam ser pequenos. Assim a vida segue.
Não importa quem sou, como sou, eu sou filho amado de Deus Pai todo Poderoso. Fomos concebidos no ventre materno, nem sempre de modo afetuoso, amoroso; alguns de nós até indesejados. Porém o verdadeiramente importante é que independentemente da maneira como fomos gerados, cada um de nós foi plasmado, engendrado no amor transbordante do Pai Eterno, nosso Deus. Portanto somos quem somos, nada mais, somos únicos.  Se sou um simples “vagalume”, por que desejar ser como uma “vela, a lua, ou o sol?” Sendo o “sol”, Por que covardemente abdicar de minhas responsabilidades para ser como um “vagalume?”
Enfim, o que queremos dizer aqui é que cada um tem seu valor, independente de ser grande ou pequeno, pobre ou rico. Nosso Criador não nos distingue conforme nossos próprios conceitos, Ele nos enxerga com olhar amoroso de pai, não privilegia este ou aquele, não tem preferências; perante Deus somos todos iguais. Deus não discrimina, não despreza. Deus jamais nos abandona, nós sim o abandonamos com nossa idiossincrasia.   


sexta-feira, 2 de março de 2018

Dor do Mundo


Sempre haverá dor no mundo. Contudo não devemos nos desesperar. Os maus a levarão consigo e a espalharão aonde forem; os tolos egoístas não a perceberão em outros, somente em si próprios. Outras pessoas tentarão aliviar a dor, consolando os que sofrem, confortando, remediando. Estas são as pessoas boas, misericordiosas, compassivas, que amam; espero que você que agora lê este texto esteja entre esses últimos, mesmo que ocasionalmente também você tenha sido atingido pela dor e viva um momento atribulado.
 Sabemos que Deus é bom e não se compraz com o sofrimento. Então porque sofremos?
Várias podem ser as causas: desleixo, conseqüências do pecado (pessoal ou herdada), fatalidade, imprudência, etc. Várias são as ocorrências em que pais ao perderem filhos em acidentes fatais, blasfemam culpando a Deus pela tragédia. Não se atêm ao fato que Deus não dirigia um automóvel enlouquecidamente; não se embriagou numa festa e assumiu um volante; não induziu ninguém a atravessar uma via de grande circulação de veículos fora da faixa ou da passarela de pedestres e tantas e tantas atitudes afoitas e irresponsáveis de grande numero de jovens hoje em dia.   
E quando alguém atravessa a rua corretamente na faixa e é atropelado por um carro que em alta velocidade avançou o sinal? Quando o motorista dirige de modo correto e é abalroado por outro que dirigia drogado ou embriagado? Quando alguém é atingido por uma bala perdida? Quando uma criança contrai dengue e não resiste? Neste caso pode não haver responsabilidade das vitimas, mas alguém errou, alguém foi responsável pelos acidentes (ou incidentes). Um motorista insano guiava um carro velozmente e avançou um sinal; outro guiava embriagado; criminosos trocavam tiros nas ruas; profissionais de saúde negligentes e autoridades omissas não conseguem controlar uma doença facilmente diagnosticável e de tratamento simples.
 Porque então responsabilizar Deus pelos erros e desatinos dos seres humanos? Porque Ele tudo sabe, tudo vê, tudo pode? De fato, Deus é onisciente, onipresente, onipotente, mas não é prepotente. Logo, Ele nos fez livres e não interfere em nossa liberdade, mesmo que abusemos dessa liberdade, mesmo que transformemos essa liberdade em libertinagem e libertinagem em maldade.
Deus não poderia vencer o mal? Certamente; em seu infinito amor Deus tem poder para tudo. É por isso que diante da maldade e suas conseqüências devemos sempre nos lembrar d’Ele. Sabemos que Deus é amor e sendo assim, valoriza quem é amado, portando Ele não faz a nossa parte; deixa-nos à vontade. Na verdade Deus é força para que unidos em seu amor, façamos tudo que é possível para superar o mal. Quando as pessoas se unem vencendo barreiras, preconceitos, divisões, muito das conseqüências do mal são anuladas. Pode acontecer que nos atemorizemos frente ao que nos cerca. Entretanto jamais podemos esquecer que na morte e ressurreição de Cristo Jesus o mal foi vencido. Cabe a cada um de nós acolher esta dádiva. Não podemos fugir da responsabilidade, pois quem ama é responsável.

Façamos então como o Apóstolo Paulo: “Quem nos afastará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Pois estou persuadido que nem a morte, nem os abismos, nada poderá nos apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor”.(Rm 8,35.38s).





quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Se calarem nossa voz


 Zapeando o televisor vi e ouvi estarrecido trecho de dois programas; o primeiro, com a presença de vários adolescentes incentivava o uso livre de preservativos (a famigerada camisinha). No outro uma mulher fazia aberta apologia ao aborto. O estarrecedor não foi tanto o conteúdo dos programas em si – já tão corriqueiros na TV – porém o fato de serem veiculados em emissoras consideradas educativas e uma delas pública. 

A desmoralização das virtudes (castidade, abstinência), a cultura da morte (aborto, eutanásia), os contra valores (adultério, homossexualismo), são de forma ora sutil, ora despudoradamente, apregoadas nos meios de comunicação, notadamente a televisão. Isto já soa como normalidade, embora imoral. O que na realidade nos choca (nós cristãos, nós que buscamos o caminho da verdade, nós que sonhamos viver num mundo melhor), é o patrulhamento das mentes com a condenação sumária dos que pensam diferente, ou seja, os que prezam os valores morais, a ética, a justiça, o direito à vida.

A liberdade de expressão e certos direitos só existem para esta ou aquela minoria que se diz perseguida e/ou discriminada. Aí então pululam aproveitadores que se dizem quilombolas (gente que nem ao menos sabe o que foi um quilombo), pseudo negros de plantão (gente de pele clara, que se declara negro porque tem um bisavô mulato, só e tão somente para se aproveitar do sistema da reserva de cotas nas universidades). Por aí vai o “tirar vantagem”, a famosa lei de Gerson. Isso não é o pior, é na verdade um caso de abuso de direito e desonestidade. O pior é tentar inculcar na mente da população que aborto é um direito da mulher, que homossexualismo é algo natural e expressão de amor, que certas drogas deveriam ser descriminalizadas, que adultério é aceitável, notadamente o masculino, já que o homem por natureza teria tendência poligâmica e a mulher pelo principio da igualdade teria o direito de pagar na mesma moeda. Quanta leviandade!

Liberdade de expressão e alguns direitos só existem para alguns, repito. Quem pensar diferente, quem navegar contra a maré, quem nadar contra a corrente, quem falar ou agir de maneira contrária é perseguido, acuado, execrado. Por isso pessoas de bom senso que intrepidamente ainda se dispõem a tomar posição contra a insanidade moral que grassa na sociedade, são tachados de preconceituosos; por isso a Igreja, reserva moral da sociedade, é vilmente atacada; por isso homens e mulheres, cristãos ou não, que defendem os bons costumes e a moral são impiedosamente calados, sendo-lhes tirado o direito de opinar. É a cruel ditadura das minorias. É a praga (praga mesmo!) do politicamente correto.

Querem nos amordaçar. Que importa? “Tenho que falar, tenho que gritar, ai de mim se não o faço...” E mesmo que consigam calar a nossa voz, as pedras falarão. 





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Autocontrole


  Autocontrole, o que é? É controlar a si próprio, é dominar-se.
    
  Muitas pessoas se deixam dominar por suas paixões, suas vontades muitas vezes prejudiciais a si e aos outros. Não dominam seus impulsos e com isso fazem o que bem entendem sem se importar com as consequências. Então vemos pessoas irascíveis, grosseiras, inconvenientes, até mesmo perversas. Quando não medimos nossos atos nos transformamos nesse tipo de gente; gente mal-educada, inconveniente, antipática.
   
  Daí a importância do autocontrole; moderação é a chave, pensar antes de agir, nada fazer no impulso, sob a emoção do momento.
    
  Autocontrolar-se é fácil? Por nosso próprio esforço não é nada fácil. Geralmente nossos impulsos interiores são mais fortes que a própria consciência. A nossa vontade ou impulso interior dominam, por isso as pessoas impulsivas são também chamadas voluntariosas, os que agem por capricho pessoal ou vontade própria (vontade, em latim voluntas). Autodomínio, autocontrole, como dissemos não é fácil de executar, mas não é impossível. Autocontrolar-se é como vimos anteriormente, avaliar as consequências de nossos atos antes de fazê-los, assumindo as consequências; é pensar e repensar se é viável fazê-lo antes de agir; ou seja, controlar nossas emoções, nossos impulsos; é controlar nossa voluntariedade.
    
  Sabemos que o autocontrole por si não é fácil, sabemos também que apesar de difícil não é impossível. O que fazer então para conseguirmos esse domínio sobre si mesmo, se e quando nossa vontade própria, o que chamamos impulso interior tende a prevalecer? Sendo simplista -  e de certo modo é simples assim -  basta entregarmos nossa vontade, nosso pensar, nosso agir, ao Espírito Santo. Submetendo nossa vontade ao Espírito Santo estaremos entregando a Ele o controle de nossa vida, todo nosso ser e em consequência nossa vontade, nossa impulsividade. Vivamos no Espírito, sob ação do Espírito, caminhemos no Espírito e agiremos de acordo com o Divino Espírito Santo.
   
  Na carta de S. Paulo aos gálatas, capitulo 5, versículos 16-18, o apostolo nos afirma que se nos deixamos guiar pelo Espírito Santo não estamos submissos a lei. Isto não significa que estamos acima da lei, mas que sob a ação do Espírito jamais descumpriremos as leis, sejam divinas ou humanas. Deixemos então que o Espírito Santo nos controle, e assim ele nos orientará, nos encaminhará na direção correta. A isto podemos chamar autocontrole.




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Ensine às crianças o valor das coisas, não o preço


Se não somos felizes com o que temos, também não seremos com o que nos falta
Ensine as crianças a serem felizes, não a serem ricas. Faça-as saber que o valor de uma pessoa não está no que ela tem ou deixa de ter do lado de fora, mas no que ela tem por dentro. Ensine-as a desenvolver boas estratégias e habilidades que as ajudem a compreender quem elas são no mundo.
Essa educação em valores e em emoções apoiará seus sucessos como pessoas e como sociedade. Assim, se uma criança sabe estabelecer limites e respeitar a si mesma, saberá fazer o mesmo com os demais.
Por isso, se quisermos colher, teremos que semear o campo e tentar evitar dar valor ou protagonismo a alguma coisa sem fazer valer princípios moralmente adequados.
Para isso poderemos aproveitar seu desconhecimento e não danificar sua inocência; por exemplo, para uma criança que ainda não compreende a administração do dinheiro, tem mais valor uma pequena moeda do que uma nota. Por quê? Porque as moedas a divertem, podem rodar, elas podem simular uma compra, etc.
Ou seja, as crianças ficam felizes com tudo aquilo que lhes proporcione carinho, diversão e apoio. Somos nós que ensinamos a elas que o valor está no preço e não nas intenções, nas possibilidades ou no carinho.
Como é evidente, geralmente fazemos isso sem querer, com o simples gesto de dar mais importância ou relevância a aquilo que julgamos mais importante, bonito ou divertido.
Em definitiva, o objetivo é que a criança compreenda que as pessoas são as que têm o protagonismo de sua vida, não seus pertences. Do mesmo modo, elas deverão entender que o importante por trás de tudo que tentam fazer é a intenção e o esforço.
Portanto, para alcançar tudo isso, temos que conseguir que entendam o que é o esforço, o que são as boas intenções.

Ser feliz tem pouco a ver com o material
É difícil não cometer erros pelo caminho quando vivemos em um mundo que se move muito bem quando se trata de dinheiro. Entretanto, partimos do princípio de que todos nós queremos que as nossas crianças sejam felizes.
Assim, como a felicidade real se consegue com carinho, com experiências compartilhadas, com amor e com compreensão, o essencial é que ajudemos as nossas crianças a dar tudo de si para que compreendam que as recompensas estão no seu interior.
Oferecemos a vocês algumas ideias simples para estimular que aprendam desde pequenos o valor das coisas:
1. Elaborar uma caixa de tesouros das ruas
É muito importante que a criança tenha uma caixa com coisas que lhe chamam a atenção nos seus passeios pela rua, pelo parque ou pelo bosque. Ou seja, a ideia é que elas possam ter um lugar para guardar aqueles pauzinhos, pedras, pinhas, folhas, flores que tenham chamado sua atenção e que lhes parecem atraentes.
Neste sentido, isto os ajuda não só no nível sensorial, mas também no cognitivo. Elas podem fazer artesanatos, construir contos ou histórias, inventar jogos… São luxos ao alcance de suas mãos.
2. Quando tiver que dar um presente, que seja manual
Estamos tão acostumados a ir à loja para comprar o que for, que já nem sequer fazemos postais ou cartões de aniversário. Os trabalhos manuais nos ajudarão a acabar com esse vício tão materialista, premiando sempre o esforço através da gratidão e da felicidade de outros.
3. Personalizar nossas coisas com um selo pessoal
Elaborando um selo pessoal conseguiremos que cada coisa seja única e insubstituível. Ou seja, quando um brinquedo se quebra, o que irá substituí-lo não poderá significar o mesmo.

Chaves para ensinar o valor do esforço
– A criança deve “merecer” os prêmios. Não é adequado comprar por comprar (ou dar por dar) simplesmente porque gostamos deles, porque eles nos pedem isso ou porque gostam daquilo. Cada coisa deve adquirir um significado positivo, além do material.
– Dê o exemplo. Se as crianças virem que você se esforça e que valoriza aquilo que tem, compreenderão que isso é algo positivo e o assumirão mais facilmente.
– Recompense seu esforço; ou seja, incentive o empenho e dê importância para cada pequeno ganho. Nesse sentido, devemos enfatizar cada pequena decisão através da qual elas assumam o esforço como a via para conseguir aquilo que querem.
– Assinale aquelas situações que forem mais claras nesse sentido e faça-o diariamente. Ou seja, simplifique os valores e coloque-os como protagonistas sempre que puder. Assim, a criança poderá se identificar com eles e isso as ajuda a transportar os aprendizados para elas mesmas.
– Sempre é positivo incorporar contos e histórias, pois são ferramentas muito úteis na hora de implementar valores. Eles as fazem refletir e adequar seus sentimentos a elas mesmas e ao mundo real.
Lembre-se de que, se não somos felizes com o que temos, também não seremos com o que nos falta, pois o verdadeiro valor e a melhor recompensa estão naquilo que pertence à nossa essência e que se guarda no armário do nosso coração.




sábado, 3 de fevereiro de 2018

Mal Secreto


 “Se a cólera que espuma, a dor que mora na alma e destrói cada ilusão que nasce, tudo o que punge, tudo o que devora o coração, no rosto se estampasse; / Se se pudesse o espírito que chora ver através da máscara da face, tanta gente que talvez inveja nos causa, então piedade nos causasse! / Tanta gente que ri talvez consigo guarda um atroz, um recôndito inimigo, como invisível chaga cancerosa! / Quanta gente que ri talvez existe cuja única ventura consiste em parecer aos outros venturosa!” (Mal Secreto-Raimundo Correia).
Com este soneto começo esta reflexão. Ele nos revela com crueza, o individuo extremamente orgulhoso que oculta, ou tenta ocultar, o mal que lhe assola e corrói sua alma. Aquele que necessita de cura interior, mas não admite que está emocionalmente afetado. Quantas pessoas são assim; escondem uma dor, mas de certa forma deixam transparecer que algo há de errado em suas vidas; externam uma felicidade que não existe, uma alegria aparente, ostentam um sorriso quase constante, como que plasmado em seus rostos, porém são altamente irascíveis, ou vivem se gabando, ou são propensos a momentos – muitas vezes prolongados – de profunda melancolia. 
Aí se abre a janela na qual o ministro de cura enxerga algo de errado nesta pessoa. Mas aí também reside a dificuldade de aproximação, pois este é dissimulado quanto a seu sofrimento intimo. Também a irritabilidade, a mania de grandeza e mesmo a tristeza que às vezes surge, são empecilhos. O mau humor provocado pela irritabilidade impede uma abordagem serena a qualquer assunto. A gabação também não dá abertura; geralmente a pessoa é tomada de soberba e não dá atenção quando se trata de problemas de si mesmo, desvia, sai pela tangente e muda de assunto. Quanto ao estado melancólico, surge a dissimulação; diz que não é nada, vai passar e realmente, aparentemente logo passa, pois este é tomado de uma fingida aparência de normalidade: o sorriso reaparece, o bom humor retorna e tudo parece bem. Parece...
A olhos humanos essas pessoas não têm jeito. Jamais seriam curadas. Mas para Deus nada é impossível. O grande entrave é que na grande maioria dos casos, esses nossos irmãos não reconhecem seu mal e não se abrem à cura divina. E sabemos que Deus não age contra nossa vontade; portanto se muitos não são libertos de males é por que no fundo, não querem ser curados.   
Qual a solução? Perseverança. Estas pessoas, por não reconhecerem seus traumas, suas carências, não buscam a cura interior. Se de forma espontânea, o ministro de cura oferece oração, a resposta mais freqüente que se ouve é: não preciso de oração! Ora, todos nós, mesmo saudáveis, precisamos sempre de oração.
Sabemos que a missão às vezes é árdua, mas pelo amor ao Senhor, aos irmãos e ao serviço, não desanimamos e não desistimos desses que necessitam demais (embora não admitam) da Misericórdia Divina. Nossa arma nesse combate é a oração pedindo o aquebrantamento dos corações endurecidos, o toque de ternura das mãos chagadas de Jesus, a ação suave, porém contundente do Espírito Santo; enfim a ação transformadora de Deus nas vidas desses irmãos para que se abram a restauração.
Que o mal não seja mais secreto, a dissimulação desapareça e os traumas se revelem para que, desejando ardentemente a cura, Deus venha agir e livrá-los definitivamente de todo o mal.