sexta-feira, 21 de julho de 2017

Àqueles que zelam pelas coisas de Deus nada faltará


“Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada” (Sl 33).
Quero lhes falar, hoje, sobre o temor ao Senhor, pois isso toca ao meu coração.
Meus pais sempre me ensinaram que devemos temer a Deus, mas não no sentido de medo propriamente dito, pois o temor verdadeiro é aquele que respeita, que não faz algo de errado, porque não quer machucar quem ama, e é este o temor que o Senhor nos pede. Um temor de respeito, de santidade, de querer fazer o que é justo. É isso que Deus espera de nós.
Ao ler esse trecho do Salmo, refleti que àqueles que zelam pelas coisas de Deus nada faltará, mas não é a abundância que muitos pregam, mas é o amor, a esperança, a paz, a alegria… Deus dará o material também, mas o essencial Ele nunca deixará faltar.
Meus irmãos, para ser de Deus há uma grande exigência, mas há também uma grande recompensa, que é o céu. Não teremos aqui na terra todas as alegrias, porque o melhor está reservado para aqueles que temem a Deus no céu.
Deus nos abençoe.
Seu irmão,

Wellington Jardim (Eto)
Cofundador da Comunidade Canção Nova  

sábado, 15 de julho de 2017

Como combater a preguiça espiritual?

Como toda doença, antes de se saber como curá-la, é preciso identificar a sua causa.
O Catecismo da Igreja se refere à preguiça da seguinte forma:
Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (também chamada ‘preguiça’). Os Padres espirituais entendam esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligencia do coração. ‘O Espírito está pronto, mas a carne é fraca’. Quando mais alto se sobe, tanto maior é a queda. O desânimo doloroso é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria. Passa a ter mais confiança, a perseverar na constância. (CIC, §2733)

A vida de oração do cristão pode ser marcada por dois excessos: a presunção e o desânimo. O primeiro excesso faz com que a pessoa julgue ter alcançado o grau máximo de comunhão com Deus, ou seja, já se considere santa. O segundo está relacionado à aridez espiritual. Acontece quando “… o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças, aos sentimentos, mesmo espirituais” (CIC,§2731) e a pessoa acaba prostrada, sem forças, desanimada.
A presunção, em última instância, é a mãe da preguiça espiritual. Jesus sempre insistiu na necessidade de o cristão estar acordado, vigilante, esperando pela volta do seu Senhor. A presunção, juntamente com sua filha, a preguiça, acaba com essa vigilância. Quem nela se acomoda corre o grande risco de perder-se.


O cristão é alguém que precisa manter-se acordado, alerta, enquanto o mundo dorme. É como uma pessoa tem os pés cravados no chão e não subsiste num mundo de fantasia, de sonhos, de faz-de-conta. Uma pessoa que sabe que para alcançar a salvação, para manter a sua fé, precisa estar sempre alerta, sempre vigilante, ou seja, tem consciência de que deve lutar para não dormir.
A fé exige um esforço porque existe uma tendência no homem de sair da realidade e entrar nas falsas promessas de felicidade contidas em cada tentação, em cada pecado. Por isso, é uma luta a vida do homem sobre a terra (Cf. Jó 7,1).

A preguiça espiritual deve ser combatida com a ascese, a vigilância e o cuidado do coração que exerce sobretudo na oração, no ouvir a Deus, deixá-lO falar, mesmo quando o ouvir não seja agradável.
Retirado do livro: “A Resposta Católica”. Padre Paulo Ricardo. Ed. Cléofas e Ecclesia


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Vinde, Espírito Criador!


Estamos celebrando a grande Solenidade de Pentecostes, onde recordamos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Nossa Senhora, que estavam reunidos no cenáculo. Nesse evento, podemos perceber o efetivo cumprimento da promessa: "Depois de tudo isso, derramarei o meu espírito sobre todos os viventes. E, então, todos os vossos filhos e filhas falarão como profetas: Os anciãos receberão em sonho suas mensagens e os jovens terão visões" (Jl 3,1). Ou ainda como escutamos na liturgia do domingo passado, da Ascensão do Senhor: "Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”(At 1,8).
O Senhor derramou o Espírito Santo para que os discípulos pudessem ser autênticas testemunhas, anunciando Jesus Cristo em todos os cantos da terra. Ele não quer que nós fiquemos parados olhando para o céu (cf. At 1,11)! O Espírito Santo nos dá a coragem e a ousadia para anunciarmos o nome de Jesus Cristo por onde quer que estejamos. Esse é o estado de missão que a Igreja tanto nos pede.
Se olharmos a Sagrada Escritura, enquanto não receberam a Força do Alto, os discípulos permaneciam trancados, com medo (cf. Jo 20,19). Podemos concluir então que os discípulos não receberam o Espírito Santo porque eram fervorosos, mas se tornaram fervorosos porque receberam o Espírito Santo! Esse é o segredo para nós: Viver uma vida segundo o Espírito!
Pentecostes é, além disso, considerado o acontecimento fundacional da Igreja Católica. Em uma de suas pregações, o Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, apresentou duas linhas de força do Pentecostes: "Todos ficaram cheios do Espírito Santo" (At 2,4) e "...todos nós os escutamos anunciando as maravilhas de Deus em nossa própria língua." (At 2, 11).
Estamos em plena festa do Jubileu de Ouro da Renovação Carismática no mundo. "A RCC é um dos grandes sinais do despertar do Espírito e dos Carismas na Igreja. A experiência do Espírito Santo em Pentecostes levou a Igreja a descobrir a figura de Jesus e seus ensinamentos. O Paráclito, prometido por Jesus, conduz os discípulos à 'verdade plena' sobre o Pai e o Filho."
Quando Jesus enviou o Espírito Santo, conforme havia prometido, deu uma ordem a seus discípulos: "Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." Essa missão para todos nós, batizados no Espírito Santo: Sermos testemunhas do Senhor, em todos os cantos da terra, anunciando com intrepidez Sua Palavra e andando conforme o Espírito (cf. Gl 5, 25).
 Pe. Heldeir Gomes Carneiro

Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Por que a morte de Cristo na Cruz?


Jamais o mundo viu ou verá um acontecimento como este: o Filho de Deus humanado é crucificado e agoniza durante três horas numa cruz. Três longas horas de dores indizíveis, sofrimentos inenarráveis na pior forma de suplício que o império romano impunha a seus opositores, bandidos, malfeitores…
Foi o drama de um Deus crucificado por amor ao homem, criatura moldada à sua “imagem e semelhança” (Gen. 1,26). “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho único para que todo o que Nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,16). “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados” (1Jo 4,10). “Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8).
Um mistério insondável de amor e de dor que projeta luz sobre o quanto cada um de nós é importante para Deus. Cristo não mediu esforços para resgatar cada um de nós para Deus… foi até as últimas consequências. São João expressou isto como ninguém: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 15,1).
No seio da Trindade o Verbo se ofereceu para realizar o sacrifício de nossa salvação. A Carta aos hebreus explica: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss)… Eis que venho para fazer a tua vontade. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.” (Hb 10,5-10).
A dívida dos pecados dos homens, sendo, de certo modo infinita, exigia um sofrimento redentor também infinito para reparar a ofensa contra a Majestade infinita de Deus. Então, o sofrimento de Deus feito homem, infinito, triunfou do pecado. O resgate de cada um de nós foi pago. Pelo sofrimento de Jesus, Homem e Deus, a humanidade honrou a Deus incomparavelmente mais do que o ofendera e poderá ainda ofender. O homem, resgatado agora pelo Filho do Homem, pode voltar para os braços de Deus. A justiça divina foi satisfeita.
O projeto salvador de Deus realizou-se “uma vez por todas” (Hb 9,26) pela morte redentora de seu Filho, Jesus Cristo. “Não era preciso que Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (Lc 24,26), Jesus pergunta aos discípulos de Emaús.

A Igreja nunca esqueceu que “foram os pecadores como tais os autores de todos os sofrimentos de Cristo, pois são os nossos pecados que atingem o próprio Cristo. São culpados desta falta horrível os que continuam a reincidir em pecados. Diz a cara aos hebreus que os que mergulham nas desordens e no mal “de sua parte crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem as injúrias” (Hb 6,6). São Francisco de Assis disse que: “Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucificá-lo, deleitando-te nos vícios e nos pecados”.
O Catecismo da Igreja ensina que “A morte violenta de Jesus não foi o resultado do acaso um conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explica São Pedro aos judeus de Jerusalém já em seu primeiro discurso de Pentecostes: “Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus” (At 2,23). Mas esta linguagem bíblica não significa que os que “entregaram Jesus” tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus” (n.599).
Deus estabeleceu seu projeto eterno de salvação incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça. Deus permitiu os atos violentos dos inimigos de Cristo a fim de realizar seu projeto de salvação.
“Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras” (1 Cor 15,3). A morte redentora de Jesus cumpre a profecia do Servo Sofredor: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos… ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas… Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?” (Is 53,4-8).
São Pedro explicou bem: “Fostes resgatados da vida fútil que herdastes de vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeitos e sem mácula, conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado, no fim dos tempos, por causa de vós” (1Pd 1,18-20).
Os pecados dos homens, depois do pecado original, são punidos pela morte (Rm 5, 12; 1 Cor 15,56). “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5,21).
Tendo-o tornado solidário de nós, pecadores, “Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós” (Rm 8,32), a fim de que fôssemos “reconciliados com Ele pela morte de seu Filho” (Rm 5,10).
Jesus tinha plena convicção desta missão que assumiu. “Pai, salva-me desta hora. Mas foi precisamente para esta hora que eu vim” (Jo 12,27). “Deixarei eu de beber o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18,11). Ele é o “Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo 1,29). “Como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos” (Rm 5,19).
Jesus é o novo Adão, que por sua obediência, humildade e imolação de si mesmo, cancelou o documento de dívida que o demônio tinha contra nós. “É Ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espolio os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Cl 2,14-15). É do lenho da cruz que pendeu a salvação do mundo!

Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Seja misericordioso com o próximo!

Seja misericordioso com o outro, como Deus é misericordioso conosco

“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6, 36).
Se tem um adjetivo que expressa quem é Deus, que O qualifica de forma tão esplêndida, este adjetivo se chama: misericordioso. Como Deus é misericordioso! É um Deus que tem um coração que compenetra todas as nossas misérias sem julgar, sem condenar, mas transformando as misérias do coração humano.
Ninguém mais do que Deus, conhece o quão miserável é o nosso coração! Nem mesmo nós nos conhecemos, passamos por cima, ignoramos nossas misérias e olhamos para a miséria do outro. Mas, uma vez, que não olhamos para a miséria do outro com o coração transfigurado, olhamos com os nossos julgamentos, com as nossas mágoas e ressentimentos, pisamos na miséria do outro e vivemos todas essas situações de discórdia, de julgamentos e assim por diante.
Por isso, Jesus está dizendo: “Sede misericordiosos!”. De que maneira? Do mesmo jeito que é o nosso Pai! O jeito que nosso Pai nos olha, cuida de nós, com extrema misericórdia, com uma misericórdia que é infinita e sem tamanho.
Quando paramos para meditar, para contemplar a misericórdia de Deus, o nosso coração é transfigurado, rejuvenescido, renovado, restabelecido. Porque a misericórdia de Deus cura todas as coisas, ela não permite que a provação tome conta de nós por um complexo de inferioridade, pelo sentimento do erro, não permite que o sentimento da culpa prevaleça em nós. A misericórdia de Deus nos levanta, coloca-nos para cima!
Só quem experimenta, com intensidade, a misericórdia divina é que pode agir com misericórdia em relação ao outro! Seja misericordioso com o outro, como Deus é misericordioso conosco.
Qual é o primeiro sintoma que percebemos na pessoa que tem misericórdia no coração? Ela não julga os outros. “Não julgueis e não sereis julgados”. Julgamos demais as pessoas, julgamos da forma mais mundana e satânica que existe, porque, julgamos pelas aparências, julgamos sem conhecer, julgamos pelo ouvir falar, julgamos por aquilo que o mundo joga em cima de nós e fazemos verdadeiros tribunais para acusar, e da acusação partimos para a condenação.
Que tristeza o mundo estar do jeito em que está, faltam pessoas misericordiosas no mundo em que vivemos, inclusive, no mundo espiritual e eclesiástico do mundo da Igreja, nos espaços que estamos. Fazemos de nossas igrejas, de nossas reuniões verdadeiros tribunais de Caifás para julgar as atitudes das pessoas. Quando não estamos fazendo isso com aquele que é igual a nós, que gosta de falar da vida dos outros, fazemos em nossa cabeça, em nossa fantasia e assim por diante.
O mundo, hoje, não precisa de julgamentos mundanos, o mundo precisa da misericórdia! Deixe-se alcançar pela misericórdia divina e aja com muita misericórdia em relação ao próximo.
Se nós queremos ver o outro mudado, cuidado, cuide dos outros como somos cuidados por Deus, com extrema misericórdia. A misericórdia não tem limite, não tem tamanho; ela é do tamanho de Deus e no limite d’Ele. Por isso, usemos a misericórdia como o remédio para as nossas relações tão machucadas e feridas.
Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo- Sacerdote da Comunidade Canção Nova

sábado, 10 de junho de 2017

Sete dicas para trilhar um caminho de cura interior

A história pessoal de cada um traz experiências dolorosas que necessitam de cura interior


Se por algum motivo você se interessou em ler este artigo, convido você a parar por uns instantes e iniciar um outro artigo: A cura interior gera um ambiente familiar saudável. Para trilhar um itinerário de cura, é necessário tomar consciência de sua necessidade, entrar nos processos interiores, os quais, muitas vezes, são exigentes e até podem doer um pouco. Para sarar, em algumas situações, tem de abrir a ferida, mexer nela e identificar o tratamento certo. Acredite: tomar consciência da necessidade da cura interior já é iniciar a cura. E quando você a conhece, compromete-se com ela.

Após essa reflexão, vamos a algumas dicas de como trilhar uma caminho de cura interior. Claro que existem muitas outras orientações a esse respeito, mas eu lhe apresento algumas.

Dicas para trilhar o caminho de cura interior

1) Recorrer aos sacramentos como fonte de cura e libertação (sacramento do batismo, se acaso você não foi batizado; sacramento da reconciliação, de reconciliar-se com si mesmo, com Deus e com o próximo; sacramento da Eucaristia, alimento solido espiritual.

2) Autoconhecimento: Deus trabalha com o seu real para alcançar o ideal. Quando você se conhece, compromete-se e não permite que todos deem palpite sobre como você deve ser. Seja quem você é, sem trair sua consciência, pois é nela que Deus habita.

3) Buscar ajuda adequada: diretor espiritual, psicoterapia, pessoas com ministério de cura interior. Se ainda você não encontrou essa ajuda, reze e peça a Deus que possa lhe conceder Sua providência, pois Ele é o maior interessado em sua cura.

4) Saborear e admirar a vida: enxergar a beleza oculta em si mesmo, nas pessoas, nas coisas mais simples e complexas. Dizer, muitas vezes, “eu sou belo”, porque essa é uma frase tão natural como emocionante.

5) Possuir atitudes de louvor: ter o coração grato pelos pequenos e grandes milagres diários, louvar pelo dom da vida, louvar pelo sol, pela lua, pelo vento, louvar pelo passado, pelo presente e futuro.


6) Dar novo sentido ao sofrimento: não sofrer em vão, aprender com sabedoria o que o sofrimento pode lhe ensinar e assim fazer novas escolhas.

7) Amar como fonte de cura para si mesmo: sair da condição acomodada e egoísta. Uma espiritualidade saudável, com os pés na terra, contribui para que as pessoas sejam capazes de amar verdadeiramente, e em suas relações e encontros possam passar pela experiência de serem amadas.

É preciso compreender que o caminho de cura vai até contemplarmos a Deus na eternidade. E quanto mais curados, mais santos e prontos para seguirmos a Deus com generosidade.

Um coração curado é capaz de agradecer a Deus pelo o que se é e o que se tem. Não possui inveja nem comparação. Um coração curado reconhece que é capaz de compartilhar e aceitar o que não possui. Um coração curado é feliz e alargado para o amor.

Deus abençoe seu caminho de cura interior. Estamos juntos nessa!

Leticia Cavalli Gonçalves - Missionária Comunidade Canção Nova




sexta-feira, 2 de junho de 2017

Maria: Vencedora de Satanás e das heresias


Maria é a vitória de Deus sobre o Mal


Desde os primórdios da humanidade Maria recebeu de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça da serpente maligna. Disse Deus a ela no paraíso:
“Porei inimizade entre ti e a mulher entre a tua descendência e a dela. Ela te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).
Os Santos Padres afirmam que assim como o pecado entrou no mundo por meio da mulher, assim também a salvação haveria de chegar à humanidade pela mulher. E esta mulher, a nova Eva, a nova Virgem, desde toda a eternidade Deus escolheu que fosse Maria.
Quando Jesus se dirige à Sua Mãe e lhe chama de “mulher”, em vez de chamá-la de mãe, em Caná da Galileia (Jo 2) e aos pés da Cruz (Jo 19,25-27), é para nos indicar qual é a “Mulher” a que Deus se referiu no Gênesis. Esta “Mulher” é Sua Mãe. Assim, nas bodas de Caná, Jesus lhe diz: “Mulher, isso nos compete a nós? Minha hora ainda não chegou (Jo 2,4). E depois, na cruz, momentos antes de morrer, quando Jesus nos dá Sua Mãe para nossa Mãe, Ele diz a ela: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26).
Fica assim, muito claro, que a “mulher” do Gênesis que esmagaria a cabeça da serpente maligna é Maria. Como nos ensina São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja no século V, Deus usou Maria para ludibriar a sagacidade da serpente, como já dissemos. Por sua virgindade e por sua concepção imaculada desconhecidas do tentador, Deus fez com que Maria concebesse Jesus, Deus e homem, por obra do Espírito Santo, livre das garras do pecado e do demônio. Assim Jesus, livre e soberano, homem e Deus, pôde destruir o império do Mal. É o que São João nos garante:
“Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio” (1Jo 3,8).
Mesmo com essa afirmação categórica de São João, ainda há infelizmente muitos que, em total desobediência à Palavra de Deus, ao Magistério da Igreja e à Sagrada Tradição, teimam em afirmar que o demônio não existe, ou, o que é pior ainda, menosprezam sua ação sobre as pessoas.
Na verdade, esta é sua maior cilada, fazer-se desacreditado pelos homens, como se não existisse ou não agisse com sagacidade. Seu intuito é que as pessoas não se defendam contra suas tentações com a ordem expressa de Jesus: “Vigiai e orai”.
São Paulo nos adverte sobre isto: “Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações” (2Cor 2,11).
Em outra passagem, mais clara ainda, São Paulo nos alerta para o fato de que ele se transfigura em “anjo de luz”, isto é, lobo disfarçado de cordeiro. E é então que ele faz muito estrago na vida das pessoas e no reino de Deus. Falando dos falsos profetas que se disfarçam em apóstolos de Cristo, São Paulo diz:
“O que não é de se espantar: pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros da justiça…” (2Cor 11,14-15).
Os Santos Padres ensinavam que no Gênesis o demônio é identificado com a serpente porque age como ela; isto é, às escondidas, esperando a hora certa para dar o bote sobre os desprevenidos e neles injetar todo seu veneno mortífero. Ninguém tem medo de uma cobra num pátio limpo; ela é perigosa quando está escondida no meio do mato.
Também São Pedro, a quem o Senhor confiou o encargo de “confirmar os irmãos na fé” (Lc 22,32), fala muito claro sobre isto:
“Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem possa devorar. Resisti-lhe fortes na fé” (1Pd 5,8-9).

Estas são palavras que não deixam margem à dúbia interpretação.
Também os outros Vigários de Cristo na terra, sucessores de São Pedro, falaram do assunto. Por exemplo, o Papa Paulo VI, na alocução Livrai-nos do Mal, explicando este último pedido que Jesus nos ensinou a fazer ao Pai na oração do Pai-Nosso, em 15 de novembro de 1972 disse:
“O Demônio é a origem da primeira desgraça da humanidade: foi o tentador pérfido e fatal do primeiro pecado, o pecado original. Com a falta de Adão, o Demônio adquiriu um certo poder sobre o homem, do qual só a Redenção de Cristo nos pode libertar… Sabemos, portanto, que este ser mesquinho e perturbador existe realmente e que ainda atua com astúcia traiçoeira; é o inimigo oculto que semeia erros e desgraças na história dos homens.”
É preciso, portanto, lembrar uma vez mais o que São João nos ensina: “Cristo veio para destruir as obras do demônio”.
Mas isto Deus tornou-se possível por Maria; por isso ela é odiada por Satanás, porque trouxe no seio Aquele que seria o Salvador da humanidade, o Vencedor de Satanás.
O demônio já não tem mais poder sobre aqueles que creem em Jesus e lhe entregaram sua vida, mediante a fé e o Batismo. Neste sacramento, afirma São Paulo, nós morremos com Cristo para o pecado e o demônio, e ressuscitamos para Deus. Pelo Batismo aplica-se a cada um a salvação que Cristo nos conquistou por Sua Cruz. Ouçamos o Apóstolo:
“Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados com Ele em Sua morte pelo Batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim também vivamos uma vida nova (…) Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. Pois quem morreu, libertado está do pecado… O pecado já não vos dominará” (Rm 6,4-14).
Para São Paulo, ser liberto do pecado é ser liberto da morte e do demônio; e isto, só o Cristo nos pode conceder. E Cristo veio por Maria.
Certa vez uma criança pequena entrou num quarto escuro e sem perceber pisou a cabeça de uma serpente venenosa. Tentou esmagar a cabeça da cobra que lhe queria dar o golpe mortal, mas era fraca e impotente para vencer a batalha. Que fez ao ver-se perdida? Gritou por sua mãe. Esta, ao ver o perigo em que se encontra a sua filhinha, colocou seu pé sobre o da pequenina e ambas, então esmagam a cabeça da serpente. A filha estava salva.
É assim que nossa Mãe Santíssima faz para conosco nas horas de tentações. Nesses horas é preciso rogar a Ela: “A vós bradamos os degradados filhos de Eva. A vós suspiramos gemendo neste vale de lágrimas… Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei…”. Não tenha dúvidas de que a Imaculada virá em nosso socorro e esmagará a cabeça da serpente.
Prof. Felipe Aquino



sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Bom Pastor e as famílias


O Papa Francisco ofereceu à Igreja a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Lætitia” (A alegria do amor), sobre o amor na família, como fruto de duas Assembleias do Sínodo dos Bispos. Diz o Papa: “Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio, o desejo de família permanece vivo nas jovens gerações. Como resposta a este anseio, o anúncio cristão que diz respeito à família é deveras uma boa notícia”. Interpretações mundanas viram no documento papal uma possível decepção, enquanto todos nós, filhos da Igreja, descobrimos a projeção de um renovado sopro a favor da família. Quando muitos especulavam, quem sabe sonhando colocar na boca da Igreja soluções radicais para os problemas da família, independente dos extremismos correntes, o Santo Padre oferece um verdadeiro hino ao amor na família, a ser entoado pelo coro dos cristãos espalhados pelo mundo inteiro.

Papa Francisco aconselha uma leitura calma da Exortação Apostólica, superando a tendência de uma compreensão apressada e superficial. Ele mesmo acena aos casais a beleza do capítulo a respeito do amor no matrimônio ou o texto sobre a fecundidade do amor. Os capítulos sobre as perspectivas pastorais e o reforço da Educação dos filhos certamente atrairão os agentes de Pastoral Familiar. Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade será a provocação positiva para todos os que buscam um caminho para evangelizar a boa nova da família diante das situações difíceis e desafiadoras de nosso tempo. E toda a Igreja celebrará as conclusões sobre a espiritualidade conjugal e familiar, com a qual se conclui a Exortação Apostólica. Não há dúvidas de que o Espírito Santo conduza a Igreja, o que se confirma mais uma vez, mostrando, diante de um mundo em crise e repleto de confusões em todos os níveis, que começa agora uma nova e esperançosa etapa de valorização da família, como foi pensada por Deus.

Nas celebrações matrimoniais judaicas e cristãs, canta-se o salmo da família (Sl 127), com o qual o Papa iniciou a Exortação Apostólica e queremos ecoar com alegria: “Feliz quem teme o Senhor e segue seus caminhos. Viverás do trabalho de tuas mãos, viverás feliz e satisfeito. Tua esposa será como uma vinha fecunda no interior de tua casa; teus filhos, como brotos de oliveira ao redor de tua mesa. Assim será abençoado o homem que teme o Senhor. De Sião o Senhor te abençoe! Possas ver Jerusalém feliz todos os dias de tua vida. E vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel!” É festa para a Igreja quando pode oferecer as boas notícias. E elas estão dentro de nossas casas!

Vivemos neste final de semana a Festa do Bom Pastor, na qual resplandecem as atitudes daquele que quer para todos a vida em abundância. Cabe bem ver as parábolas, chamadas no seu conjunto de Parábola do Bom Pastor (Cf. Jo 10, 1-30) dirigidas às famílias, acolhendo justamente o Evangelho da Família, dirigido a toda a sociedade, que clama, tantas vezes sem consciência clara, por tal novidade.

Com Jesus, que é a porta das ovelhas, queremos adentrar na casa e no coração de todas as famílias. “Cruzemos o limiar desta casa serena, com sua família sentada ao redor da mesa em dia de festa. No centro, encontramos o casal formado pelo pai e pela mãe com toda a sua história de amor” (Amoris lætitia 9). Nasça em nós um respeito profundo pela intimidade do lar, com seus segredos, conselhos, liberdade, afeto! Quem ninguém entre na família como o mercenário ou o salteador, mas seja ela reconhecida como espaço sagrado! É hora de ser radicais, impedindo que entrem em nossas casas os mercenários e ladrões, que roubam nada menos do que a nossa dignidade, para espalhar, na praça pública do mundo, a história e os valores, ainda em desenvolvimento, mas presentes em nossas famílias.

A vida em abundância entra pela porta da casa quando a família acolhe Jesus. Ele é a porta e é aquele que vai à frente das ovelhas, sejam elas o pai, a mãe ou os filhos. O alimento verdadeiro, que sustenta as pessoas da família, tem um nome, que é o próprio Jesus, que é porta, sustento, pastor, aquele que conduz à boa pastagem (Cf. Jo 10, 9). Muito antes de nossas famílias existirem, o Senhor se entregou por elas e confirmou a bênção primordial da família. A força de suas palavras o revela: “Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher? Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gn 2, 24; Mt 19, 4; Cf. Amoris lætitia 9).

O bom pastor conhece as ovelhas! Aqui ele se torna referência, mais uma vez, para a família. O lar é o lugar do conhecimento profundo. Quantos pais e mães até se assustam (bendito susto!) quando seus filhos se soltam quando estão em casa, parecendo até agressivos, como gente que trata bem só quem é de fora. É que em casa os defeitos e as qualidades são tocados com um amor que tudo cobre, tudo suporta e tudo perdoa! Em casa damos uns para os outros a vida, e não firulas ou enfeites, feitos muitas vezes de superficialidade. Benditas sejam as discussões, as lágrimas, e também os abraços, beijos, sorrisos e afetos de quem se sente em casa! E o pastor que é Jesus nos conhece, também porque garantiu estar presente entre aqueles que se reúnem em seu nome (Cf. Mt 18, 20), não só quando rezam, mas em todas as ocasiões.

A família tem também sua dimensão missionária. Certamente muitos de nós temos a experiência de viver em famílias que agregam parentes e conhecidos, atraindo gente que apenas se sente bem naquela casa, reunindo amigos e conhecidos. As casas se tornam grandes, a ajuda a outras pessoas se multiplica, há um gosto especial em estar juntos! Desejamos que nossas famílias olhem para as outras, atraiam, para contribuírem de seu modo a fim de que venha a existir um só rebanho e um só pastor.

O Papa Francisco põe em nossa boca uma belíssima oração, dirigida à Sagrada Família, que oferecemos agora a todas as famílias: “Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor. Confiantes, a vós nos consagramos, Sagrada Família de Nazaré. Tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração. Autênticas escolhas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas. Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado. Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus. Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém!

Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL




sábado, 20 de maio de 2017

Somos filhos do Céu





Fomos gerados para o Céu, é para lá que devemos ir
Somos cidadãos do Céu, lá é a nossa pátria, estamos em gestação para chegar lá. É preciso que o homem novo, a criatura nova que está em você, nasça. A morte não é o fim, e o cristão que entende o que é a morte não se angustia. Igualmente, a morte na nossa visão é algo doloroso e causa-nos espanto, mas, na verdade, a morte é um nascimento. Quem teve o primeiro nascimento, merece ter o segundo, sendo este no Céu, pois foi para isso que Deus nos fez.
A parte de Deus nunca falha, somos nós a falhar na nossa parte. É uma transformação que acontece como se estivéssemos dentro de um casulo, esperando para sair de dentro uma borboleta. Nem podemos imaginar que daquele casulo pode sair uma borboleta linda. O que você vê? Se você se considera uma pessoa linda, que bom! Mas o lindo não é o que vemos; o mais lindo é aquilo que não se vê. A transformação que acontece dentro de nós é a coisa mais linda da face da Terra.
Homens novos, mulheres novas só podem ter um Mundo Novo, tornam-se criaturas novas, as quais estão em transformação e, às vezes, levam uma vida imprópria. Somos pessoas do Céu, somos cidadãos do Céu e precisamos chegar lá, como a borboleta esperando para sair.
O profeta Sofonias fala-nos da ressurreição final que está dentro de nós, para que vivamos a vida eterna, a vida em Deus. E para viver a vida em Deus, precisamos ser transformados, pois no Céu só entra quem leva uma vida semelhante à vida de Deus.
Eu sou filho do Céu. Eu vim do Céu, e estou voltando para lá. Tenho que viver aqui a vida de filho do Céu. Tenho que viver já! Agora! A vida de um filho do Céu não é igual a de um filho desta Terra.
A nossa vida não é feita de moleza. Temos uma meta: subir o monte. Sou filho do Céu, devo buscar as coisas do Alto, correndo todos os riscos, mas chegando lá em cima.
Os filhos do Céu não podem viver deslizando, brincando, gozando, sem perceber que estão deslizando, escorregando… “Sei que você entendeu”. Assim como as crianças gostam de escorregar nos ‘tobogãs’, assim também é o caminho que nos quer levar à perdição. Aquele que quer levar você não fez nada por você. Ele só tem sido desleal, seduzindo-o com coisas.
O que é valor neste mundo, não é valor para nós. Vamos ser gerados e eternamente seremos filhos do Céu. Eu sou filho do Céu, é assim que eu quero viver, morrer, passando para a vida eterna com Ele.
 Monsenhor Jonas Abib

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quantas vezes pode-se comungar por dia?

Segundo o Código de Direito Canônico o fiel pode Comungar duas vezes por dia se participar de duas Missas; não pode fazer a segunda Comunhão fora da Missa.

Cânon 917 – Quem já recebeu a Santíssima Eucaristia pode recebê-la no mesmo dia, somente dentro da celebração eucarística em que participa, salva a prescrição do cânon 921 §2 (perigo de morte).

Nota: No mesmo dia, os fiéis podem receber a Sagrada Eucaristia só uma segunda vez. (Pontificia Comissio Codici Iuris Canonici Authentici Interpretando, Responsa ad proposita dubia, 1: AAS 76 (1984) 746).


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Como era a Eucaristia no começo da Igreja? - 2






Santo Hipólito de Roma (160-235)
Discípulo de Santo Ireneu (140-202), foi célebre na Igreja de Roma, onde Orígenes o ouviu pregar. Morreu mártir. Escreveu contra os hereges, compôs textos litúrgicos, escreveu a -Tradição Apostólica- onde retrata os costumes da Igreja no século III: ordenações, catecumenato, batismo e confirmação, jejuns, ágapes, eucaristia, ofícios e horas de oração, sepultamento, etc.
Logo que se tenha tornado bispo, ofereçam-lhe todos o ósculo da paz, saudando-o por ter se tornado digno. Apresentem-lhe os diáconos a oblação e ele, impondo as mãos sobre ela, dando graças com todo o presbiterium, diga: O Senhor esteja convosco. Respondam todos: E com o teu espírito. “Corações ao alto!” Já os oferecemos ao Senhor. “Demos graças ao Senhor.” É digno e justo. E prossiga a seguir: Graças te damos, Deus, pelo teu Filho querido, Jesus Cristo, que nos últimos tempos nos enviastes, Salvador e Redentor, mensageiro da tua vontade, que é o teu Verbo inseparável, por meio do qual fizestes todas as coisas e que, porque foi do teu agrado, enviaste do Céu ao seio de uma Virgem; que, aí encerrado, tomou um corpo e revelou-se teu Filho, nascido do Espírito Santo e da Virgem. Que, cumprindo a tua vontade – e obtendo para ti um povo santo – ergueu as mãos enquanto sofria para salvar do sofrimento os que confiaram em ti. Que, enquanto era entregue à voluntária Paixão para destruir a morte, fazer em pedaços as cadeias do demônio, esmagar os poderes do mal, iluminar os justos, estabelecer a Lei e dar a conhecer a Ressurreição, tomou o pão e deu graças a ti, dizendo: Tomai, comei, isto é o meu Corpo que por vós será destruído; tomou, igualmente, o cálice, dizendo: Este é o meu Sangue, que por vós será derramado. Quando fizerdes isto, fá-lo-eis em minha memória. Por isso, nós que nos lembramos de sua morte e Ressurreição, oferecemos-te o pão e o cálice, dando-te graças porque nos considerastes dignos de estar diante de ti e de servir-te. E te pedimos que envies o Espírito Santo à Oblação da santa Igreja: reunindo em um só rebanho todos os fiéis que recebemos a Eucaristia na plenitude do Espírito Santo para o fortalecimento da nossa fé na verdade, concede que te louvemos e glorifiquemos, pelo teu Filho Jesus Cristo, pelo qual a ti a glória e a honra – ao Pai e ao Filho, com o Espírito Santo na tua santa Igreja, agora e pelos séculos dos séculos. Amém. (Tradição Apostólica)

Santo Hilário de Poitiers (316-367)
Doutor da Igreja, foi bispo de Poitiers, combateu o arianismo, foi exilado pelo imperador Constâncio, escreveu sobre a Santíssima Trindade: “Ele mesmo diz: – Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue, fica em mim e eu nele”(Jo 6,56). Quanto à verdade da carne e do sangue, não há lugar para dúvida; é verdadeiramente carne e verdadeiramente sangue, como vemos pela própria declaração do Senhor e por nossa fé em suas palavras. Esta carne, uma vez comida, e este sangue, bebido, fazem que sejamos também nós um em Cristo, e o Cristo em nós. Não é isto verdade? Não o será para os que negam ser Jesus Cristo verdadeiro Deus! Ele está, pois, em nós por sua carne, e nós nele, e ao mesmo tempo o que nós somos está com Ele em Deus. Ele está em nós pelo mistério dos sacramentos, como está no Pai pela natureza da sua divindade, e nós nele pela sua natureza corporal. Ensina-se, portanto, que pelo nosso Mediador se consuma a unidade perfeita, pois enquanto nós permanecemos nele, ele permanece no Pai, e, sem deixar de permanecer no Pai, permanece também em nós, e assim nós subimos até à unidade do Pai. Ele está no Pai, fisicamente, segundo a origem de sua eterna natividade, e nós estamos nele, fisicamente, enquanto também está em nós fisicamente. (Sobre a Santíssima Trindade)
São Cirilo de Jerusalém (+386)
Bispo de Jerusalém, guardião da fé professada pela Igreja no Concilio de Nicéia (325). Autor das Catequeses Mistagógicas, esteve no segundo Concilio Ecumênico, em Constantinopla, em 381. “Quanto a mim, recebi do Senhor o que também vos transmiti” etc. (1Cor 11,23). Esta doutrina de São Paulo é bastante para produzir plena certeza sobre os divinos mistérios pelas quais obtendes a dignidade de vos tornardes concorpóreos e consanguíneos de Cristo. Quando, pois, ele mesmo declarou do pão: “isto é o meu corpo”, quem ousará duvidar? E quando ele asseverou categoricamente: “isto é o meu sangue”, quem ainda terá dúvida, dizendo que não é? Outrora, em Caná da Galileia, por sua vontade, mudara a água em vinho, e não seria também digno de fé, ao mudar o vinho em sangue?… É, portanto, com toda a segurança que participamos de certo modo do corpo e sangue de Cristo: em figura de pão é deveras o corpo que te é dado, e em figura de vinho o sangue, para que, para que, participando do corpo e sangue de Cristo, te tornes concorpóreo e consanguíneo dele. Passamos a ser assim cristóforos, isto é, portadores de Cristo, cujo corpo e sangue se difundem por nossos membros. E então, como diz S.Pedro, participamos da natureza divina (2Pe 1,4). Não trates, por isso, como simples pão e vinho a este pão e vinho, pois, são, respectivamente, corpo e sangue de Cristo, consoante a afirmação do Senhor. E ainda que os sentidos não o possam sugerir, a fé no-lo deve confirmar com segurança. Não julgues a coisa pelo paladar. Antes pela fé, enche-te de confiança, não duvidando de que foste julgado digno do corpo e sangue de Cristo. Ao te aproximares, não o faças com as mãos estendidas nem com os dedos separados. Fazer como a esquerda como um trono na qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebe o Corpo de Cristo, respondendo: “Amém”. Com segurança, então, depois de santificados teus olhos pelo contato do santo corpo, recebe-o, cuidando para nada perderes… Depois, aguardando a oração, dá graças a Deus que te fez digno de tão grandes mistérios. Conservai invioláveis estas tradições, guardai-as sem falha. (Catequeses Mistagógicas)
Nota: A Tradição da Igreja nos mostra que os primeiros cristãos que na celebração da Eucaristia, torna-se presente a própria oblação de Cristo ao Pai feita no Calvário. É importantíssimo entender que não se trata de uma repetição ou multiplicação do sacrifício do Calvário, pois Jesus se imolou uma vez por todas (Hb 4, 14; 7, 27; 9, 12.25s. 28; 10, 12.14). A Ceia torna presente através dos tempos o único sacrifício de Cristo, para que possamos participar dele e sermos salvos. O corpo e o sangue de Jesus estão presentes na Eucaristia não de qualquer modo, mas como vítima; pois estão corpo e sangue separados sobre o altar, como no sacrifício da vítimas do Sinai que selou a Antiga Aliança (Ex 24,6-8). Assim diziam os santos Padres: S. João Crisóstomo, bispo de Constantinopla (?403): “Sacrificamos todos os dias fazendo memória da morte de Cristo” (In Hebr 17,3)
Teodoreto de Ciro (?460)
“É manifesto que não oferecemos outros sacrifícios senão Cristo, mas fazemos aquela única e salutífera comemoração” (In Hebr. 8,4). S. Leão Magno (400-461), Papa e doutor da Igreja: “Talvez digas: é meu pão de cada dia. Mas este pão é pão antes das palavras sacramentais; desde que sobrevenha a consagração, a partir do pão se faz a carne de Cristo. Passemos então provar esta verdade. Como pode aquilo que é pão ser corpo de Cristo? Com que termos então se faz a consagração e com as palavras de quem? Do Senhor Jesus. Efetivamente tudo o que foi dito antes é dito pelo sacerdote… Quando se chega a produzir o venerável sacramento, o Sacerdote já não usa suas próprias palavras, mas serve-se das palavras de Cristo. É, pois, a palavra de Cristo que produz este sacramento. Qual é esta palavra de Cristo? É aquela pela qual todas as coisas foram feitas. O Senhor deu ordem e se fez o céu. O Senhor deu ordem e se fez a terra. O Senhor deu ordem e se fez os mares. O Senhor deu ordem e todas as criaturas foram geradas. Percebes, pois, quanto é eficaz a palavra de Cristo. Se, pois, existe tamanha força na Palavra do Senhor Jesus, a ponto de começarem as coisas que não existiam, quanto mais eficaz não deve ser para que continuem a existir as que eram, e sejam mudadas em outra coisa? Assim, pois, para dar-te uma resposta, antes da consagração não era o corpo de Cristo, mas após a consagração, posso afirmar-te que já é o corpo de Cristo. Não é, pois, sem motivo que tu dizes: Amém, reconhecendo já, em espírito, que recebes o corpo de Cristo. Quando te apresentas para pedi-lo, o sacerdote te diz: “Corpo de Cristo”. E tu responde: Amém, quer dizer, É verdade. Aquilo que a língua confesse, conserve-o o afeto. No entanto, para saberes: é este o sacramento, precedido pela figura.” (Os Sacramentos e os Mistérios, Lv 4, 4-6, Ed. Vozes, p. 50-55).

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sábado, 29 de abril de 2017

Como era a Eucaristia no começo da Igreja?


Evidentemente os textos mais importante sobre a presença real do corpo e do sangue do Senhor Jesus no pão e no vinho consagrados, são os textos dos Evangelhos (Mt 26,28; Mt 14, 24; Jo 6, 22-71; Mc 14, 22-24; Lc 22,19s; 1 Cor 11,23-26). No ano 56 São Paulo deixava claro aos coríntios que quem participasse indignadamente da Eucaristia, se tornaria réu do corpo e do sangue do Senhor. (1 Cor 11, 23-26) E as graves consequências desse pecado, indicadas pelo Apóstolo, mostram que a Eucaristia não é mero símbolo, mas presença real de Jesus na hóstia consagrada. Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão com o corpo e Cristo? (1Cor 10,16-21)
A Tradição da Igreja confirma esta verdade abundantemente. Da Didaquè (ou Doutrina dos Doze Apóstolos) A Didaquè é como um antigo catecismo, redigido entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia. Traz no título o nome dos doze Apóstolos. Os Padres da Igreja mencionaram-na muitas vezes. Em 1883 foi encontrado um seu manuscrito grego. “Reunidos no dia do Senhor (dominus), parti o pão e daí graças, depois de confessardes vossos pecados, a fim de que vosso sacrifício seja puro. Quem tiver divergência com seu companheiro não deve juntar-se a nós antes de se reconciliar, para que não seja profanado vosso sacrifício, conforme disse o Senhor: “Que em todo lugar e tempo me seja oferecido um sacrifício puro, pois sou um rei poderoso, diz o Senhor, e meu nome é admirável entre as nações.” (Ml 1, 11) (n. XIV)

Primeiro, sobre o cálice: Damos-te graças, Pai nosso, pela santa videira de Davi, teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, teu Servo. Glória a ti nos séculos! Depois sobre o pão partido: Damos-te graças, Pai nosso, pela vida e pela sabedoria que nos deste a conhecer por Jesus, teu Servo. Glória a ti nos séculos! Assim como esse pão, outrora disseminado sobre as montanhas, uma vez ajuntado, se tornou uma só massa, seja também reunida tua Igreja, desde as extremidades da terra, em teu reino, pois a ti pertence a glória e o poder, por Jesus Cristo, para sempre. Que ninguém coma ou beba da vossa eucaristia se não for batizado em nome do Senhor, pois a este respeito disse ele: “Não deis aos cães o que é santo” (Mt 7,6).
Depois de vos terdes saciado, daí graças assim: Nós e damos graças, Pai Santo, pelo teu santo nome que puseste em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos deste por meio de Jesus, teu Servo. Glória a ti nos séculos! Tu, Senhor onipotente, tudo criaste para honra e glória do teu nome; e deste alimento e bebida aos homens, para seu desfrute; a nós porém, deste um alimento e uma bebida espirituais e a vida eterna, por meio do teu Servo. Assim, antes de tudo, damos-te graças porque és poderoso. Glória a ti nos séculos! Lembra-te Senhor, de livrar do mal a tua Igreja, e de torná-la perfeita em teu amor. Congrega-a dos quatro ventos, santificada no reino que lhe preparaste, pois a ti pertence o poder e a glória, para sempre! Hosana ao Deus de Davi! Se alguém é santo, aproxime-se; se alguém não é, converta-se! Maranathã. Amém. Quanto aos profetas, deixai-os render graças o quanto quiserem. (n.10)
Santo Inácio de Antioquia (+102), bispo e mártir
“Esforçai-vos, portanto, por vos reunir mais frequentemente, para celebrar a eucaristia de Deus e o seu louvor. Pois quando realizais frequentes reuniões, são aniquiladas as forças de Satanás e se desfaz seu malefício por vossa união na fé. Nada há melhor do que a paz, pela qual cessa a guerra das potências celestes e terrestres.” (Carta aos Efésios)
São Justino (+165), mártir
Nasceu em Naplusa, antiga Siquém, em Israel; achou nos Evangelhos “a única filosofia proveitosa”, filósofo, fundou uma escola em Roma. Dedicou as sua “Apologias” ao Imperador romano Antonino Pio, no ano 150, defendendo os cristãos; foi martirizado em Roma. Terminadas as orações, damos mutuamente o ósculo da paz. Apresenta-se, então, a quem preside aos irmãos, pão e um vaso de água e vinho, e ele tomando-os dá louvores e glória ao Pai do universo pelo nome de seu Filho e pelo Espírito Santo, e pronuncia uma longa ação de graças em razão dos dons que dele nos vêm. Quando o presidente termina as orações e a ação de graças, o povo presente aclama dizendo: Amém… Uma vez dadas as graças e feita a aclamação pelo povo, os que entre nós se chamam diáconos oferecem a cada um dos assistentes parte do pão, do vinho, da água, sobre os quais se disse a ação de graças, e levam-na aos ausentes. Este alimento se chama entre nós Eucaristia, não sendo lícito participar dele senão ao que crê ser verdadeiro o que foi ensinado por nós e já se tiver lavado no banho (batismo) da remissão dos pecados e da regeneração, professando o que Cristo nos ensinou. Porque não tomamos estas coisas como pão e bebida comuns, mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Senhor, se fez carne e sangue por nossa salvação, assim também se nos ensinou que por virtude da oração do Verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento de que, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossas carnes – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. E foi assim que os Apóstolos, nas Memórias por eles escritas, chamadas Evangelhos, nos transmitiram ter-lhe sido ordenado fazer, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, isto é o meu corpo.”
E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue, o qual somente a eles deu a participar… No dia que se chama do Sol (domingo) celebra-se uma reunião dos que moram nas cidades e nos campos e ali se leem, quanto o tempo permite, as Memórias dos Apóstolos ou os escritos dos profetas. Assim que o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos tais belos exemplos. Erguemo-nos, então, e elevamos em conjunto as nossas preces, após as quais se oferecem pão, vinho e água, como já dissemos. O presidente também, na medida de sua capacidade, faz elevar a Deus suas preces e ações de graças, respondendo todo o povo “Amém”. Segue-se a distribuição a cada um , dos alimentos consagrados pela ação de graças, e seu envio aos doentes, por meio dos diáconos. Os que têm, e querem, dão o que lhes parece, conforme sua livre determinação, sendo a coleta entregue ao presidente, que assim auxilia os órfãos e viúvas, os enfermos, os pobres, os encarcerados, os forasteiros, constituindo-se, numa palavra, o provedor de quantos se acham em necessidade.” (Apologias)
Santo Ireneu (140-202)
“Dado que nós seus membros (de Cristo), nos alimentamos de coisas criadas, (as quais, aliás, ele mesmo nos oferece…), também quis fosse seu sangue o cálice de vinho, extraído de Criação, para com ele robustecer nosso sangue; quis fosse seu corpo o pão, também proveniente da Criação, para com ele robustecer nossos corpos. Se, pois, a mistura do cálice e pão recebem a palavra de Deus tornando-se a Eucaristia do sangue e do corpo de Cristo, pelos quais cresce e se fortifica a substância de nossa carne, como se haverá de negar à carne, assim nutrida com o corpo e sangue de Cristo, e feita membro do seu corpo, a aptidão de receber o dom de Deus, a vida eterna? Assim como a muda da videira, depositada na terra, depois frutifica, e o grão de trigo, caído no solo e destruído, resurge multiplicado pela ação do Espírito de Deus que tudo sustém; e em seguida pela arte dos homens se fazem dessas coisas vinho e pão, que pela palavra de Deus se tornam a Eucaristia, corpo e sangue de Cristo; assim também nossos corpos, alimentados com a Eucaristia, ao serem depositados na terra e aí destruídos, vão ressurgir um dia para a glória do Pai, quando a palavra de Deus lhes der a ressurreição. O Pai reveste de imortalidade o que é mortal, dá gratuitamente a incorrupção ao que é corruptível, pois o poder de Deus se manifesta na fragilidade.” (Contra as heresias, lv 5, cap. 2, 18,19,20).
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