sexta-feira, 15 de junho de 2018

Tempo de amar



Há tempo para tudo: tempo para plantar, tempo para colher; tempo para construir, tempo para demolir; tempo para juntar pedras, tempo para espalhá-las; tempo de viver, tempo de morrer. Só não há tempo para amar. Não se trata de falta de tempo, porém da inexistência de um tempo especifico para amar. O exercício do amor é (ou deve ser) constante, a qualquer tempo. O que é o tempo? Podemos dizer que tempo é o lapso entre o que se passou e o que há de vir. Num outro contexto tempo seria a ocasião propicia para um determinado evento. O tempo como tal existe, é natural, porém a contagem do tempo, ou seja, a medida decorrente entre o inicio e fim de um evento qualquer, é convenção humana. Se o tempo existe – de modo natural ou tecnicamente – e para tudo e tudo tem um tempo, por que não para o amor?
Sabemos que Deus é amor. Sabemos também que Deus é atemporal. Portanto, o amor é atemporal, como o Criador.  Tudo que procede de Deus é incondicional; incondicional é seu amor por nós; amor infinito, imensurável, indelével. Diz a Palavra que Deus amou tanto a humanidade, que deu seu filho como sacrifício de amor por nós. No antigo testamento, no livro do profeta Isaias, Deus declara seu amor ao nos revelar que somos preciosos a seus olhos, que troca reinos e nações por nós e que está sempre a nosso lado. Também Davi cantando as misericórdias do Senhor, louva a Deus por seu amor ao salmodiar: O Senhor é lento para a cólera, bom e misericordioso, porque tanto os céus distam da terra quanto sua misericórdia é grande para os tementes a Ele.
Em vista de tudo isso podemos afirmar com toda convicção que não há tempo para amar. Há tempo para tudo, ensejo para todo acontecimento, menos para amar, porque todo tempo é tempo de amar. Esse amor que o Pai Eterno derrama constantemente sobre nós e que não deve ser retido. Deus embora ame a todos indistintamente, ama cada um como se esse um fosse único; amor único e ao mesmo tempo universal. No mistério desse amor somos envolvidos e Deus nos pede que partilhemos com todos esse amor. Aos que estão próximo amemos afetuosamente, que sejam especiais e preciosos; assim são os amigos, parentes, a família. Aos mais distantes, aos desconhecidos, também amemos, mesmo de forma difusa, desejando-lhes o bem, usando de misericórdia, orando por eles, mesmo que estejam do outro lado do mundo. Não, não existe lugar nem hora para o amor. Amor cuja fonte é o coração bondoso do Pai e que flui através do nosso coração.                  

sábado, 9 de junho de 2018

Povo Santo ou Povo Santeiro



Breve resumo a respeito daqueles que pensam que são católicos, se dizem católicos, mas nada conhecem da doutrina da igreja a qual dizem pertencer.
Muitos desses não põem os pés na soleira de uma igreja há anos. Outros vão eventualmente (casamentos, missas de sétimo dia, batizados) e alguns até frequentam regularmente a igreja. Alguns são super, hiper, mega supersticiosos. Seus filhos são batizados, não por pertença a uma fé ou ao senhorio de Jesus, mas por mera superstição: a criança batizada fica mais calma e livre de doenças, dizem. Casam-se na igreja por formalidade, para satisfazer à sociedade e não visando um sacramento. Suas crianças participam da Eucaristia (primeira comunhão) porque – segundo eles – é chique; depois tchau, igreja nunca mais.
Há aqueles que ao invés de se espelhar no testemunho de vida dos santos, conferem-lhes atributos que eles não têm; os consideram milagreiros e protetores. São os “católicos santeiros”. Há também os devotos “exclusivamente marianos”, que colocam Maria a frente de seu Divino Filho, esquecendo-se que a legitima devoção Mariana sempre nos conduz ao centro de nossa fé, Jesus. A propósito, há pessoas que deixaram o catolicismo e passaram a frequentar igrejas evangélicas, sem contudo deixar de cultuar – agora ocultamente – seus “santinhos”.  Conheci uma mulher, viúva de um pastor, que mal o marido morrera, recuperou suas estampas de Maria do fundo da gaveta e publicamente passou a cultuá-la. Deixou a Igreja Protestante, sem  no entanto retornar a Igreja Católica.
Atentem que não refiro aqui aos Movimentos Marianos nem a veneração aos santos, que na verdade são exemplos da fé em Cristo e em comunhão com Deus na glória eterna, intercedem por nós. Faço referencia a devoções particulares e crendices populares; a uma religiosidade descompromissada e sem nenhum fundamento doutrinário. Gente que confunde Nossa Senhora com Iemanjá e São Jorge com Ogum
Culpa de quem? Um pouco deles, pois muitos não querem aprender e quando se dispõem a aprender, aprendem errado. Culpa nossa, pois estamos evangelizando poucos. Vamos a luta?


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Aridez


Neste fim de semana em viagem, transitando pela Via Dutra na região do Vale do Paraíba, chamou-me a atenção num determinado trecho a vista de uma colina com a vegetação ressequida e árvores totalmente sem folhagem, como tocos de pau  secos espetados  no solo árido. Eram como espectros, numa visão tétrica. De imediato sobreveio-me um pensamento: há pessoas assim; coração duro, ressequido como aquele morro. Gente desanimada – sem animo, sem vida (anima: alma / alma: vida) – como na parábola do semeador, terreno pedregoso e espinhento. Qualquer palavra de animo ou reconforto é repelida ou sufocada, pois o coração e a mente estão secos e turvados pelas agruras e dificuldades da vida.
Todos passamos por momentos de aridez e deserto, entretanto que não seja algo constante, duradouro ou interminável. Em momentos difíceis, principalmente durante enfermidades é comum a dificuldade de oração devido a nosso foco estar voltado para a vicissitude vivida. Nessa circunstância o combate da oração é mais intenso, pois temos que lutar conosco mesmo para desviar nossa atenção para a busca da solução e não para o centro da crise. Porém com esforço e uma fé atuante, conseguimos pouco a pouco sair do deserto. Como diz o profeta Isaias: o deserto se converterá em vergel e o vergel em floresta. Para isto havemos de ser confiantes; nossa esperança residir na presença ativa de Deus em nós. Essa presença ativa é o Espírito Santo que nos faz viver e caminhar sob a égide de Jesus Cristo. Assim a terra árida, tétrica como a paisagem que suscitou essa reflexão, transforma-se numa área verdejante que além, forma uma bela e pujante floresta!

A vida no Espírito é nossa vocação; vocação de toda a humanidade. Buscá-la é fortalecer-se frente as dificuldades, é equilibrar-se nos momentos de indecisão,   enfrentar sem temor os conflitos e acima de tudo ver os caminhos mais tenebrosos inundarem-se de luz. É verdadeiramente encontrar de uma maneira que nos interpela, o sentido pleno da vida. É encontrar a paz; não a paz estática que leva à acomodação, mas a paz dinâmica, a paz inquieta que faz brotar nos corações o impulso para servir ao Senhor e aos irmãos. Que o Espírito Santo venha fertilizar o solo árido, venha fecundar os corações dos homens, para que ao se deparar com a vista de uma colina infértil, não nos lembremos de nossa falta de fé. 

sábado, 26 de maio de 2018

Investimento seguro



Quando falamos em investimento, pensamos em investimento financeiro. Imaginamos aplicar determinada quantia hoje para obter lucro no futuro; quanto mais lucro em menos tempo, melhor. Pensamos também em empreendimento; investir dinheiro em algum negócio rentável. Mas investir a vida visando gozar a eternidade algum de nós pensou?
Investir dinheiro (quando se tem) é fácil. E a vida? Como é possível investi-la, como aplicá-la visando lucrar na eternidade? Dinheiro se aplica em instituições financeiras. A vida se aplica no caminho do Senhor, seguindo Jesus Cristo guiados pelo Espírito Santo. Dinheiro é aplicado visando usufruir riquezas e bens no campo material.  Vida é aplicada na intenção de usufruir riquezas espirituais: bem estar, paz interior, dons de santificação, carismas, fé expectante, esperança, caridade; isto ainda nesta vida. A longo, muito longo prazo, viver as delicias da Comunhão dos Santos, eternamente na presença da Glória de Deus.
Monetariamente um investimento mal feito ou rende pouco, ou perde dinheiro. Menos mal. No cotidiano da vida, um passo mal dado, um passo em falso, um descaminho, pode representar a perda da vida eterna na companhia do Senhor. Um investimento fora da senda divina pode levar ao abismo. Muito, muito mal. Acentuamos viver a vida – investir – no caminho do Senhor. Como fazer? Será fácil? Em verdade não é fácil, mas é seguro e garantido, pois o retorno é certo e prazeroso. O lucro pode não ser imediato, mas há de vir por certo.
Investir no caminho do Senhor é segui-lo e segui-lo é fazer a Sua vontade. Ouvi-lo e obedecê-lo; viver conforme Seus mandamentos, sua lei; vivenciar os ensinamentos da Sagrada Escritura; orar sempre, num diálogo de amor com Ele. O apresentado é apenas um roteiro básico; o Espírito Santo há de incutir nos corações outras moções, conforme nossa abertura, nossa disponibilidade para caminhar com Ele, nossa boa vontade. A grande dificuldade no caminho em busca da santidade são os apelos do mundo ao redor e também de nossa concupiscência. A realidade mundana instigada pelo maligno e muitas vezes alimentada pela nossa tendência natural ao pecado (a tão falada concupiscência) nos atrai e muitas vezes nos rouba a direção correta. Daí a necessidade de uma vida de oração e perseverança na fé. Só assim somos capazes de permanecer no caminho da salvação. Como foi dito, o investimento é seguro, mas não é fácil mantê-lo. A Palavra nos assegura: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6,33).




sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ódio – câncer da alma



  “Errare humano est”. Errar é humano, perdoar é divino. Quem nunca ouviu essa frase? É verdade; mas também o perdão deve ser um atributo humano. Sabemos que Deus na sua infinita misericórdia nos perdoa sempre, assim sendo, até mesmo por gratidão a Deus (que nos perdoa sempre) devemos também nós perdoar aqueles que com ou sem motivo aparente tenham nos ofendido.  O modelo de oração ensinado por Cristo, o Pai Nosso, nos interpela nesse sentido: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.   A Palavra de Deus em diversas passagens vem nos exortar em relação ao perdão; aqui escolhemos Eclesiástico: “Perdoa ao teu próximo o mal que te fez e teus pecados serão perdoados quando o pedires. Um homem guarda rancor contra outro homem, e pede a Deus a sua cura! Não tem misericórdia para com seu semelhante e roga o perdão dos seus pecados! Ele, que é apenas carne, guarda rancor e pede a Deus que lhe seja propicio! Quem então lhe conseguirá o perdão de seus pecados? Lembra-te do teu fim, e põe termo às tuas inimizades.” (Eclo 28,2-6).  
O maior mandamento, a regra de ouro do cristianismo, autenticada por Cristo Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda tua alma, de todas as tuas forças, de todo teu pensamento, e a teu próximo como a ti mesmo” (cf. Lc 10,27), é a chave para nos abrirmos ao perdão. É impossível amar a Deus se não amamos o irmão, mesmo que ele esteja longe, tenha se desgarrado, seja desprezado, seja arrogante, orgulhoso e presunçoso. É impossível amar ao outro se não amamos a si próprio. Se tivermos amor próprio somos pessoas bem resolvidas; somos bem amados, resolvidos interiormente e com autoestima elevada quando fugimos do pecado, amando a Deus, seguindo-o e obedecendo-o com docilidade.
Nesse contexto o perdão é imprescindível. Quem ama perdoa sempre e sempre será perdoado. A falta de perdão e como consequência o rancor, o ódio, são causas de muitas enfermidades psicossomáticas – aquelas causadas por distúrbios psíquicos que agridem o corpo – a hipertensão arterial, úlceras, doenças gastro intestinais, entre outras. Mas o grande mal é mesmo a psique alterada, o emocional abalado, a insônia, a depressão.  Quem odeia se maltrata e fere o coração desejando o mal do desafeto. Como recentemente ouvi: odiar é como tomar veneno esperando que o outro morra. Em suma, o ódio é o câncer da alma. Perdoe e tua vida será plena, sadia e abundante de paz e tranquilidade.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Eis-me aqui Senhor



Chamaste-me Senhor, eu ouvi a tua voz e atendi a teu chamado. Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir. Senhor, não fui eu que te escolhi, mas tu que me escolheste – escolhi o teu caminho, mas tu me escolheste para o serviço – ensina-me então, Senhor, a dar os primeiros passos. Adestra-me para o teu serviço. A messe é grande e os servidores são poucos, tu já disseste; então aqui estou a teu dispor.
Espírito Divino vem sobre mim, vem fazer-me instrumento de ti. Vem falar em mim, vem falar por mim.  Sopra sobre mim, Senhor, o teu Espírito e renova-me por inteiro; preenche minha vida com tua luz, tua sabedoria, teu destemor, teu arrojo, tua fortaleza, tua misericórdia, teu amor. Fazei de mim instrumento vivo de ti, que eu possa servir-te sempre, que eu possa estar sempre disponível a ti, despojando-me, Senhor, e entregando-me a ti sem reservas.
Quero proclamar a tua glória, levar o teu Santo Nome àqueles que não te conhecem. Fazer o teu nome conhecido e amado, levar-te, Senhor, onde tu não és reconhecido como Senhor e Salvador. Mas para tanto, Senhor, não posso contar com minhas habilidades, minha capacidade pessoal, meus próprios talentos. Para te anunciar com poder e autoridade, preciso muito mais de ti; preciso dos teus talentos (os dons carismáticos), da tua autoridade (o teu mandato), do teu poder (a unção do Espírito Santo). Tu mesmo nos disseste: ninguém pode clamar teu nome se não estiver sob a ação do Espírito Santo; ninguém pode caminhar reto em teu caminho se não estiver conduzido pelo Espírito Santo, muito menos proclamar-te. 
Vinde Senhor ungir-me, vinde Senhor, fazei de mim um servo teu; servo imperfeito, eu reconheço, mas jamais um servo inútil.  Vinde e enchei-me com o fogo abrasador do teu Espírito. Eis-me aqui Senhor. 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis com o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra!”   


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Viver a Vida



Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade, a vida. Jesus é verdadeiramente caminho, verdade e vida. Jesus é o caminho que conduz à verdade, verdade libertadora, liberdade que produz vida e como diz o próprio Jesus, vida plena, vida abundante. Vida plena porque repleta no tempo e na eternidade. Vida abundante porque podemos viver aqui na terra o reino de Deus; a abundância das maravilhas Divinas que nos são proporcionadas.
            Muitos erram o caminho, desconhecem a verdade e não vivem a plenitude da vida. Ao errar o caminho – às vezes até mesmo deliberadamente, optando conscientemente – a verdade é escamoteada; mentiras são plantadas e colhidas ao longo do caminho. Assim, vive-se falaciosamente; a vida torna-se um jogo, um drama, uma comédia, enfim, uma farsa. Quantos vivem essa farsa: uma aparência saudável, um rosto jovial, esbanjando alegria. No entanto é só aparência, só uma casca. Quantos jovens ao voltarem da “balada”, das noitadas de sexo livre, da bebedeira, encontram a tristeza, o vazio existencial, na solidão de seus quartos ou no banheiro aos vômitos com a cara na privada, na “fossa” como se dizia no passado.
            Somos livres para escolher o nosso caminho. Deus não nos obriga a servi-Lo; Não nos obriga sequer a segui-Lo. Somos livres para escolher o nosso caminho, somos livres até para pecar. É certo que Deus não fica feliz com nosso pecado, pelo contrário, quando pecamos ferimos cada vez mais o coração de Jesus; Crucificamos Jesus a cada dia com o nosso pecado. Mas mesmo assim Ele não nos obriga a nada! Ele poderia mudar tudo a hora que quisesse, como quisesse, mas não o faz. Porque nos ama, e porque nos ama nos deixa livres para escolher o nosso caminho.
            Ao longo da vida somos formados por valores e filosofias do mundo que nos cerca, influências tanto boas, como más. Quando conhecemos Cristo tudo começa a mudar. Na verdade há um conflito interior. Recebemos um novo coração, uma nova unção, mas de várias maneiras continuamos a nos comportar como antes. Por isso S. Paulo nos diz: “Renunciai a vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade”.(Ef 4,22ss) Temos que renovar nossos pensamentos, nossas atitudes; temos que nos renovar por inteiro. No entanto, não nos renovamos por nós mesmos, somos renovados pela ação do Espírito Santo. Essa renovação ocorre quando nos abrimos e deixamos o Espírito Santo agir, nos conduzir. Deus nos renova a medida em que nos entregamos a Ele.
            Como vimos, a renovação acontece quando liberamos nosso coração para Deus, quando deixamos Deus ser Deus e agir em nossa vida. Aí o caminho se abre, a verdade surge, a liberdade é concedida, a vida é vivida como Deus planejou para nós: Caminhar no Espírito, viver em Cristo, despojar-se nos braços do Pai!

           

                   


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Deserto Interior



Há dias em que nos sentimos vazios, como uma cisterna seca. Dias em que nosso pensamento vagueia sem direção nem sentido. Não conseguimos concatenar nosso pensamento; há um vazio de idéias, nada nos anima, nada nos apetece. É como se fosse uma prostração intelectual, emocional, ou mesmo espiritual.
Este estado de alma é o que podemos chamar de preguiça mental, em nível do intelecto, e aridez ou deserto espiritual, no nível das emoções ou mais profundamente no espírito.
Ao contrário do que muitos crêem o deserto é um tempo rico, muito rico. É um tempo em que somos chamados a sairmos das observações exteriores e adentrarmos a uma vida interior.
Aqui o Senhor nos toma pela mão e nos conduz a uma arrumação, a uma faxina interior. Mais que uma simples pintura externa, somos convidados a por ordem na casa interior, na alma, no coração. Esta desordem é causada pelos ressentimentos, medos, mágoas, falta de perdão, ciúmes, rancores. Todo este fardo nos leva a um estado de prostração, angustia, melancolia, depressão.
Arrumar esta confusão dentro do nosso coração é tarefa árdua, que só executamos auxiliados, conduzidos pelo Espírito Santo em nossa vida de oração, no Sacramento da Reconciliação, na vida na Palavra de Deus, no Sacramento da Eucaristia. É tarefa árdua e cheia de dificuldades, obstáculos, mas se perseverarmos sairemos mais fortalecidos.
Precisamos aderir ao plano de Deus, nos conFORMARmos à sua vontade, pois nosso coração, esta casa em desordem é a Morada de Deus. E Deus quer arrumar a sua casa. Peçamos o auxilio do Espírito Santo nesta missão:
Vinde Espírito Santo renovar nossas forças.
Concedei-nos Espírito Santo estarmos abertos à obra de Deus em nossas vidas.
Livra-nos de nos amedrontarmos diante das dificuldades.
Conceda-nos perseverar sem nos fatigarmos.
Amém. 
  
 

sábado, 21 de abril de 2018

RESPOSTAS



As drogas, repetindo assertiva anterior, levam a lares destroçados, famílias enlutadas, corações feridos, vidas sem sentido. Infelizmente, como também já exposto, muitos veladamente ou escancaradamente apregoam a descriminização das drogas e por conseguinte, aprovam o seu uso. Alguns talvez por conveniência; outros por modismo, não querem ir contra as tendências, são os “maria vai com as outras”.
Por outro lado, felizmente, há aqueles que indo na contramão do relativismo, da permissividade irresponsável, das veleidades, são taxativamente contra as drogas e tudo mais que possa subverter a ética e a moral. Mais: auxiliam com os recursos que dispõem àqueles que carecem de assistência para se libertarem do vicio. Louvado seja Deus pela existência de pessoas e organizações que se disponibilizam a ajudar aos que precisam: os alcoólicos anônimos, narcóticos anônimos, grupos religiosos, as comunidades cristãs.  
O mundo precisa de mais Fazendas da Esperança, Comunidade Católica Maranatá, Shalon, Comunidade Betânia e quantas mais surgirem, sejam católicas ou evangélicas.
Nestes locais, os drogados em tratamento só têm um dever: rezar e trabalhar; ora et labora, é a regra em quase toda casa de recuperação. Nada de mais se exige nesses locais; não é pedido a ninguém para deixar nada, não se acusa, apenas são acolhidos com muito amor, sentem-se amparados, incentivados a exercer a plena cidadania. Nos momentos de partilha, de pregação, ouvem testemunhos de ex-dependentes químicos que se recuperaram e que evocam a necessidade de se abandonar todo tipo de vicio e da alegria de viver sem as drogas. Também nesses momentos são apresentados a Alguém, e os que abrem o coração vivenciam a experiência mística do encontro pessoal com Aquele que tudo pode, Aquele que renova todas as coisas, Aquele cujo nome é acima de todo nome, Aquele que é, foi e sempre será: Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador. Aleluia!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Cracolândia



É doloroso observar as cenas que vemos diariamente nas ruas em torno a nossa paróquia. Nas ruas de nosso bairro vemos com frequência pessoas, jovens e crianças na maioria, desfigurados pelo consumo do crack. São pedintes, que mendigam – não para comer, mas para se drogar. Agentes sociais do município os recolhem, mas eles sempre retornam, voltando a mendigar, a se drogar, a se prostituir, até mesmo cometer pequenos furtos. A maioria das pessoas os olham com repugnância, os têm como amaldiçoados e assim eles são tratados.
Na verdade são filhos de Deus, irmãos nossos. Irmãos rebeldes, desprovidos até de consciência, pois esta já foi consumida pelo crack; no entanto, são nossos próximos, irmãos afastados que merecem nosso amor, nossa compaixão e não o desprezo com que normalmente são tratados. Visto assim, a grosso modo, muitos pensam e até dizem, ironicamente: se você pensa assim, leve-os para sua casa. Quiséramos nós ter uma grande casa onde pudéssemos acolhê-los, cuidar deles, como o bom samaritano. Na impossibilidade, tratemos deles como seres carentes, necessitados de amor e não merecedores de desprezo e ódio. Na impossibilidade de acolhê-los num abrigo, cuidar de sua saúde física e mental, ao depararmos com um deles, ao ser abordado com um pedido de esmola, não os ignoremos, ofereçamos-lhes um lanche, uma refeição. Caso não aceitem (infelizmente é muito comum a negativa, pois querem mesmo é o dinheiro para adquirir a droga), rezemos então, para que um dia sejam alcançados pela luz de Cristo. Assim não nos omitimos, fazemos a nossa parte, o que está a nosso alcance.   
Infelizmente quem poderia ao menos amenizar a situação não o faz. A autoridade policial que deveria reprimir sistemática e diuturnamente o comércio ilegal das drogas, de certa forma se omite. Aí as “cracolândias” se espalham Rio de Janeiro afora. A implantação das UPP’s privilegiam as áreas turísticas (zona sul e entorno do Maracanã). Seria a solução, junto é claro, com os centros de recuperação de dependentes químicos.
Enquanto isso não vem, se não vem, acolhamos esses irmãos machucados, feridos, maltratados, discriminados, na medida de nossas possibilidades. Nossa possibilidade, nossa real possibilidade é oferecer a eles um coração amoroso, misericordioso, compassivo; é apresentar a eles aquele que tudo pode, aquele que é ilimitado: Jesus. Jesus Cristo, nome acima de todo nome, aquele que é, foi e sempre será.  

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Divina Misericórdia 2



Misericórdia, segundo o dicionário, é a pena causada pela miséria alheia, comiseração. Assim mesmo, desse jeito, acontece com o Sagrado Coração de Jesus. Seu coração sagrado e chagado sofre com as nossas misérias, de modo especial com nossos pecados. Por isso dizemos que misericórdia é o coração amoroso de Jesus debruçado sobre nossas misérias.
Essa misericórdia não tem limites, é magnânima. Tão grande que alcança o mundo inteiro, todas as pessoas, todos os povos e nações. Não distingue raça, cor de pele, credo ou religião. Se derrama sobre crentes e descrentes, ateus ou teófilos. Mesmo que não creiam, Ele – Jesus e sua misericórdia – está próximo, atuante. Como citado anteriormente, é como o ar que nos envolve; não vemos, mas sabemos que está presente. Alguém pode não crer, mas a misericórdia de Deus o sustenta. O sustenta nas dores, na tribulação; insistimos, mesmo que não creia a misericórdia divina o envolve.
De onde vem, sem aparente motivo, uma súbita paz no coração, um alivio diante de determinadas situações de dificuldade; a supressão da sensação de angústia, mesmo frente a problemas mal resolvidos? Isto ocorre frequentemente, até mesmo com pessoas descrentes, disso somos testemunhas. A resposta: é a Divina Misericórdia atuando. É assim porque é constante. É como a névoa da manhã, o ar que respiramos, a chuva que cai, a luz do Sol. Como sol que brilha para todos, bons ou maus, justos ou injustos santos ou pecadores, assim é a misericórdia de Deus, sobre todos é derramada.      
Por tudo, em gratidão e louvor pela Divina Misericórdia, você que crê não canse de clamar:
Santo, forte, imortal; sois Deus!
Pelo vosso sangue derramado, pelo vosso sacrifício de amor,
Pelo vosso coração sagrado e chagado debruçado sobre minha miséria,
Pela vossa infinita misericórdia,
Jesus, eu confio em Vós!


sexta-feira, 30 de março de 2018

Hino Cristológico


“Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente conhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para glória de Deus Pai que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,5-11)

Esta pericope é um antigo hino litúrgico cristão citado pelo Apostolo Paulo na carta aos filipenses.
É a ‘kenosis’ de Jesus Cristo, segundo a qual, Cristo, o verbo Encarnado, teve que sofrer para alcançar a glória (não há Tabor sem Calvário). A passagem também remete a Isaias 53.
Baseado neste texto bíblico podemos, com S. Leão Magno, dizer que o Verbo assumiu nossa humanidade, sem no entanto, deixar a divindade; desceu de seu trono de glória sem perder a majestade; imortal, assumiu um corpo mortal e submeteu-se à morte; invisível na sua natureza tornou-se visível na nossa; isento de pecado, fez-se pecado por todos.
Damos graças ao Deus maravilhoso, que humildemente desceu de seu trono de glória e fez-se como nós, sofreu as nossas dores, sentiu nossas ansiedades e angústias e por fim doou-se, esvaziou-se até o fim, por nós!
Bendito seja o nome de Jesus, nome acima de todo nome; nome que ao ser pronunciado do fundo da alma, nos pacifica, nos harmoniza; pelo poder do nome de Jesus, povos, raças e nações são restaurados. Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem que veio habitar entre nós e revelou o imenso amor do Pai.