quarta-feira, 12 de março de 2014

A Tenda Celeste - O Reino dos Céus I



                     “Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir. Desse homem eu me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Pois, ainda que me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas abstenho-me, para que ninguém me tenha em conta de mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim. Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: ‘Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. ’ Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Corintios 12, 1- 10)
                         A revelação extraordinária mostra que no menor dos apóstolos não há superioridade, porque o mesmo diz ser o menor dos cristãos e mesmo assim foi levado ao céu em vida e trazido de volta. A Santa Caminhada segue-se com perseguições, tidas pelo apóstolo como glória, é então que a força de Deus se manifesta. 
                    Andamos na fé e não na visão, não vimos a morada celeste, mas por esta passagem sabemos que ela existe e nos espera, porque a graça é eterna.
                   “Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda, for desfeita, recebemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas. Por isto, suspiramos neste nosso estado, desejosos de revestir o nosso corpo celeste, e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito. Por essa razão, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que enquanto habitamos nesse corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão. Sim estamos, repito cheio de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para irmos morar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe.”
(2 Corintios 5, 1-9)
                       O céu encontrado pelos santos se revela com nitidez extrema neste argumento de São Paulo Apóstolo. Alguém que já foi arrebato e conheceu o céu em vida e voltou para contar, não poderia estar equivocado em afirmar que assim que se deixa esta vida somos revestidos por outra vida. O querer ser revestido com o brilho celeste é tanto que o apóstolo se sente oprimido no corpo humano e ansioso para conquistar o corpo celeste. Afirma e reafirma sua confiança em morar com o Senhor após a morte. E ainda indaga os corações dos cristãos quando diz que, vivos ou mortos nos esforçamos para agradar o Senhor.
                    “O que os olhos não viram os ouvidos não ouviram e o coração humano não imaginou (Is 64,4), foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam.(1Corintios 2, 9)
                     Antes mesmo de existir tempo, Deus planejou nos levar à sua glória. Graça esta que não é possível para a mente humana compreender.
                    “O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se eu ainda continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que eu não sei bem o que escolher. Fico na indecisão: meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.” (Filipenses 1, 20-24)
                      Mais uma extrema evidência é revelada pelo apóstolo que, afirma glorificar o Senhor na vida e na morte. Afirma que viver é com Cristo, então morrer nesta vida terrestre é lucro! E fica indeciso, porque quer ir ao encontro de Deus, certo e confiante que entrará no céu, mas precisa ficar na terra e anunciar o Evangelho.

                    “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12): Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.” 1023

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