sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Jo 1,1-5.9-14 – O Natal

 

 

 


V

 

ocê já foi a uma festa de aniversário onde o aniversariante não foi convidado? Onde o aniversariante inúmeras vezes é impedido de entrar? Ou é mal recebido? Isto parece um absurdo, mas é o que realmente acontece freqüentemente nesta época do ano. Festeja-se, come-se, bebe-se, saúdam-se; as pessoas enchem a pança, ficam bêbados, desejam feliz natal, etc, etc... Onde está a felicidade se o dono da festa não está, se Jesus não está presente?  Não devemos simplesmente festejar – nada contra festas, aliás, podemos festejar – devemos acima de tudo, celebrar. E celebrar é estar com Jesus. Celebrar é render-se ao mistério da encarnação do Cristo. Celebrar o Natal é deixar-se envolver pelo amor de Deus. Você está aberto o suficiente para receber Jesus neste Natal? Ele é mais importante que os presentes, que a ceia, a confraternização? Se a resposta é sim, você vive verdadeiramente o Natal de Jesus. 

            Jesus o Verbo Encarnado. Jesus a Palavra Viva. Ele assumiu a nossa natureza sem diminuir a sua, ou seja, sem abandonar a divindade. Desceu do seu trono de glória e tornou-se um de nós. Invisível em sua natureza, tornou-se visível na nossa. Existindo desde sempre, fez-se presente num determinado momento do nosso tempo, viveu a nossa história. Incapaz de sofrer sendo Deus, não se recusou a ser homem, submetido ao sofrimento. Imortal, se sujeitou as leis da morte (1). E tudo fez não por perda da onipotência, mas por compaixão, por amor, por misericórdia. Jesus, homem e Deus. É Deus porque “no principio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, a Palavra era Deus...” É homem porque “a Palavra se fez carne e habitou entre nós...”

            Há dois mil anos que três homens, três reis orientais em peregrinação viram uma grande luz que brilhava no céu. Não se contentaram em ficar parados apreciando a beleza daquela estrela e a seguiram. Foram pelo caminho que a estrela apontava. Foram guiados até Jesus. Encontrando Jesus recém nascido na gruta de Belém, o adoraram. Eram estrangeiros, mas reconheceram o Messias Salvador. E vocês? Estão parados olhando o céu em busca da sua estrela guia ou estão seguindo a luz que é o próprio Jesus? Uma grande, imensa luz quer também entrar em seu coração. Porém o mundo tenta cega-lo com o brilho do materialismo, com o cintilar de jóias falsas. O mundo quer cega-lo para que você não olhe para Deus, para que você não encontre Deus. Mas você não precisa olhar para o alto para achar a verdadeira luz. Ela está bem próxima, ao alcance de suas mãos. Basta abrir o coração e deixar a luz entrar. Deixa a luz entrar e iluminar a manjedoura que é o seu coração. Deixa Jesus nascer em seu coração; deixa Jesus nascer.    

(1)No segundo paragrafo, a partir de ‘Ele assumiu a nossa natureza...’ até ‘se sujeitou as leis da morte’, o texto é baseado numa citação de S. Leão Magno.                                                                                                                                                            

 


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Ecle 7,5-14 – Palavras de Sabedoria

 


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azendo uma leitura mais atenta do livro do Eclesiastes, observamos que Coélet ( o Eclesiastes) era um homem muito pessimista, mas ao mesmo tempo de profunda religiosidade. Via com olhos críticos o ambiente que o cercava, sem no entanto perder a esperança e sabia que a solução de todos os problemas da humanidade só poderiam vir de um: Deus. Vejamos o trecho Ecle 7,5-14.

            V.5: “E melhor ouvir...”-Não deixemos nos envolver por elogios fáceis. Muitas vezes uma critica bem colocada, bem dirigida, nos edifica, nos corrige, nos faz endireitar. Ao passo que um elogio, muitas vezes falso, nos envaidece e pior, nos faz permanecer no erro.

            V.7: “A opressão torna...”-Os presentes corrompem o coração. Quantos são “comprados” por presentes, mimos, elogios!

            V.8: “Mais vale...”-Deus olha com muito mais atenção e complacência para aquele que sabe ser paciente, que tem fé, que não se abala com facilidade; para quem persevera esperando o tempo da graça acontecer. Já o orgulhoso é auto-suficiente, pensa que não precisa de ninguém, nem de Deus!

            V.9: “Não ceder...”-Irritação, ressentimento, falta de perdão, desamor... O rancor é responsável por diversas doenças, desde as de fundo emocional como as do corpo. O testemunho de fiéis e a própria ciência reconhece que doenças como artrite, hipertensão arterial, úlceras gástricas, depressão, têm entre outros fatores, origem em distúrbios emocionais. E nós sabemos que falta de perdão, mágua, provocam esses e outros males.

            V.10: “Não digas jamais...”-Vivamos o hoje, vivamos o agora. Deus não quer ninguém preso ao passado nem demasiadamente preocupado com o futuro. Passado é passado, o que passou passou e o que há de vir só Ele sabe.  Passado são apenas lembranças, boas que podemos reviver na memória ou más, que lutamos para esquecer. Deus nos quer santos agora, para vivermos o futuro na eternidade. Vide v. 14.

            V.13: “Considerai a obra de Deus...”-Deus é eterno, suas leis são eternas, seus mandamentos são eternos. Essa onda de ataques a Igreja, alegando que a Igreja é retrógrada, que vive no passado, é atitude que quem vive no erro e quer se desculpar. A sociedade muda, mas Deus e sua Palavra são imutáveis, assim como as leis e a doutrina da Igreja, depositária do legado divino. Pecado era pecado ontem, é pecado hoje, será pecado amanhã e será pecado sempre, até o fim dos tempos.

            Por fim contaremos uma estorinha que fala de um homem que se julgava sábio e a quem faltou sabedoria e discernimento dos desígnios de Deus. Esse homem era religioso, conhecia a palavra de Deus, mas na verdade não a entendia como deveria ser entendida; interpretava-a a seu modo, de acordo com sua conveniência. Ele, como todos nós, carregava a sua cruz – estava de acordo com a Palavra de Deus quanto a cada um tomar sua cruz e seguir Jesus. – Mas não se conformava com a dimensão da sua cruz, achava-a grande e pesada demais, ele não merecia tanto. Clamou a Jesus para ameniza-la. – de acordo com a passagem em que Jesus diz que, o que pedirmos em seu nome o Pai nos dará. – Assim fez Jesus, diminuindo consideravelmente o tamanho e peso da cruz. Mas o homem não ficou satisfeito e pediu a Jesus para diminui-la mais ainda. Jesus o atendeu outra vez. Assim foi pedindo, pedindo, até carregar uma minúscula cruz, uma cruzinha. E sorridente, caminhava em meio a outros que arrastavam cruzes enormes.  Ia assoberbadamente pensando: “Esses são pecadores, estão longe de Deus, carregam essas cruzes porque são conformados e não buscam Jesus. Eu não, eu sou abençoado, eu gozo da amizade de Jesus, tudo que eu peço ele faz. Aliás, ele tem que fazer; ele prometeu...”

Fim da jornada. Um fosso imenso e profundo os separa de um vale verdejante, onde Jesus, cercado de anjos, os espera de braços abertos. Todos lançam suas cruzes sobre o fosso e as usam como ponte. O homem que se julgava especialmente abençoado, frustrado, não tem o que usar como ponte, pois a cruz que carrega é pequena demais. Ele não alcançou a terra prometida. Esquecera-se daquela outra passagem bíblica; a que Jesus diz que nem todo aquele que diz Senhor Senhor entrará no reino dos céus. Amém.

 

 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Col 1,3-6 - FÉ

 



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odos conhecemos a música: eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas do meu Senhor. Todos rezamos com o sacerdote na consagração eucarística: Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumentai a minha fé. O que é fé? O dicionário diz: fé; crença, aquilo em que acreditamos, certeza da existência de algo ou alguma coisa. Para nós especificamente, fé é aceitar a verdade da Palavra de Deus, a verdade do magistério da Igreja. Ler a pericope Col 1,3-6 ... (...).

                Nesta pericope o apostolo Paulo se dirige a comunidade de Colossos, uma comunidade que vivia pela graça da fé, da caridade, da esperança. Dons que se manifestavam desde a fundação da comunidade. A fé que eles professavam era uma fé concreta, não era vazia, abstrata; era uma fé vivida, experimentada; fé seguida de boas obras, conforme os ensinamentos de Cristo. Eles não buscavam a justificação apenas pela fé, mas pela fé e ação.

                Nossa fé como está? A quantas anda nossa fé? É uma fé cega, infantil, ou já amadureceu, é uma fé centrada em Cristo e na Igreja? Acreditamos em qualquer bobagem que nos dizem, como por exemplo: Jesus é somente um ser iluminado que viveu há dois mil anos atrás, ou todos os caminhos levam a Deus, as pirâmides emanam uma energia positiva, gato preto dá azar, etc. Se ainda estamos nessa, vejamos o que diz S. Paulo em Efésios 4,14s...(...).

                Tenhamos fé, mas fé adulta, centrada em Cristo e na Igreja, nossa Igreja Católica. Sejamos crianças só em relação a Deus, atiremo-nos em seus braços como criancinhas se atiram nos braços de seus pais, com plena confiança. No mais sejamos adultos, não aceitando qualquer coisa.

                Em que devemos acreditar? Devemos acreditar na Palavra e nos ensinamentos da Igreja Católica. A nossa doutrina não contradiz a Bíblia, jamais. Se dogmas não são citados nem mencionados, também não são desmentidos nem desmerecidos pela Bíblia. Dogma é uma afirmação tida por verdadeira. Isso me traz a mente uma palavra: axioma. O que vem a ser axioma? Axioma é uma verdade indiscutível. É usada na ciência, em matemática principalmente. Axioma matemático é uma sentença verdadeira que não tem como ser provado, que surgiu sem a seqüência normal de cálculos, como quase tudo na matemática. Então se os matemáticos aceitam sem contestar uma fórmula ou expressão, sem questionar de onde veio, porque nós católicos vamos duvidar dos dogmas de nossa Igreja? Ou alguém não acredita na assunção de Maria, na virgindade perpétua? Dogma é axioma de fé; é verdade, não se discute. Ou somos iguais a S. Tomé, temos que ver para crer? Felizes os que crêem sem terem vistos, diz o Senhor.

                 Que tipo de fé nós temos? A fé de conveniência como diz a música que o Pe. Jonas canta: “que fé você tem? A fé que convém. Mas não é de conveniência que vive o cristão...” Só aceitamos a parte boa do Evangelho, a outra nós desprezamos. Nossa fé se limita ao Jesus que salva, cura e liberta, ao Jesus que diz que tudo que pedirmos em seu nome êle nos dará? Disso tomamos posse. Porém quando Jesus diz para largarmos tudo, tomar nossa cruz e segui-lo, nós recuamos:- ”Isso não é comigo, é p’rá fulano e p’rá cicrano, p’rá mim não!”- Isto lembra a estorinha do carrinho de mão:

                Todos acreditaram quando o equilibrista disse que atravessaria entre dois prédios numa corda bamba carregando uma pessoa num carrinho de mão. No entanto, quando êle pediu um voluntário para entrar no carrinho todos se afastaram. Eles tinham fé enquanto expectadores, quando convidados a participar, onde estava a fé? Era uma fé superficial, sem engajamento.

                Mateus, capitulo 17, versículo 20. Em Mt 17,20 Jesus diz que a fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mudar uma montanha de lugar. Fé tem tamanho? Fé pode ser medida em metros ou em litros? Jesus não diz isso; a fé poderia ser do tamanho de um grão ou do tamanho do mundo que o efeito seria o mesmo. Textualmente o versículo diz assim: Se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha, transporta-te para lá e ela irá. Nada vos será impossível. Daí se entende que a fé se mede pela intensidade, pela força que brota do coração. A fé deve ser sentida, vivida, praticada.

                Pela fé o Evangelho foi pregado. É pela força da fé que o Evangelho é pregado ainda hoje. Se eu não acreditasse naquilo que digo eu estaria lançando palavras ao vento, estaria vendendo ilusões. Entretanto, não estou tentando vender nada, não estou pedindo nada, não estou pedindo nenhum gesto simbólico que não leva a nada. Estou afirmando as verdades de Deus. A-fir-man-do. Porque creio, porque tenho fé e tento exercer essa fé. S. Tiago diz: a fé sem obras é morta. Exercer é viver a fé, viver conforme a nossa fé. Realizar as obras que a fé nos impõe. Se cremos em Deus Pai, se cremos no Evangelho, vivamos segundo esse Evangelho; tomemos a cruz do dia a dia e sigamos Jesus. Jesus que nos conduz a vitória; Jesus que nos conduz ao triunfo da glória eterna.  

sábado, 5 de dezembro de 2020

Tg 1 – Perseverança na Provação

 

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erseverança significa firmeza, insistência, e provação é a fé colocada a prova através da tentação ou tribulação. Nossa fé pode ser posta a prova pela dor e sofrimento e/ou pelas tentações que nos são apresentadas.



            O mundo em que vivemos parece estar longe daquilo que a fé nos assegura; o mal, o sofrimento, as injustiças, a morte prematura, tudo parece contradizer a boa nova, abalar a fé e tornar-se uma tentação para abandonarmos o caminho. O texto (Tg 1,12-18)

vem falar de tentações, provação quanto a resistência ao pecado, dos perigos do descaminho. Resistir às tentações, firmeza, pois quem se afasta de Deus cai nas garras do inimigo. Enquanto Deus leva a salvação, o inimigo arrasta para o abismo!

            Assim como não podemos impedir que pássaros nos sobrevoem, não podemos evitar as tentações; contudo do mesmo modo que podemos impedir que pássaros façam ninhos em nossas cabeças, podemos impedir que a tentação nos vença e instale o pecado em nós.  Deus nos criou como primícias, como obras primas, no entanto quantas vezes nos sentimos fracos, desamparados, nossa fé abalada; não entendemos como alguém que amamos, ou nós mesmos, temos que sofrer. Parece que Deus se afastou, que caminhamos sem sua luz. Mas não ficaremos assim para sempre; em algum momento Ele se revelará a nós. Precisamos confiar em sua bondade e fidelidade, principalmente quando tudo parece apontar para outro caminho.

            No livro do Eclesiástico em Eclo 2,1-6 o senhor vem nos falar de perseverança mesmo na dor, na tribulação. A tribulação leva à paciência, a paciência à esperança e a esperança à fé, fé firme e inabalável. Jó é o melhor exemplo bíblico daquele que vive e resiste às provações.

            Deus enviou Jesus, seu filho, não como um profeta impetuoso, não como o Messias guerreiro. Enviou como o servo sofredor, que se doou até o fim; aquele que nos amou e se entregou por nós, fiel ao Pai até a morte e morte de cruz! Nos regatou ao preço de seu sangue; cruz, fonte de graças. Quem é Jesus para você? Em Mc 8,29 Ele pergunta: “e vós quem dizeis quem sou?” O que significa abraçar a cruz? A cruz que se abraça é mais leve que a cruz que se arrasta. O cristo, Messias crucificado, requer seguidores crucificados. Você assume a cruz na sua vida?

            Hoje, agora, deixe o Espírito Santo conduzi-lo até a cruz, lá onde seu coração pode ser curado e sua mente renovada. Abra-se, ouça ao menos o sussurro suave do Espírito Santo lhe trazendo encorajamento, correção. Confia, obedeça, e Ele lhe conduzirá da morte para a vida. Amém.

 

Obs: no trecho “Tg 1...etc.”  pode-se recorrer a Eclo 15,21s; I Cor 10,13 , aludindo ao v.13 de Tiago 1.

                                                                           Após citação de Jó, pode-se recorrer a Cl 1,24.

                                                                           No trecho “Jó é o melhor exemplo...etc.” pode-se incluir: Amar mesmo na dor, retribuir o mal com o bem... (ostra e a pérola)”.

                                                                           Após o questionamento “você assume a cruz na sua vida...” pode-se inserir a estória da cruz como ponte.