sábado, 30 de novembro de 2019

Pontífice



  Durante longo tempo houve um grande esforço, em toda a Igreja, para uma renovação profunda da graça da ordenação sacerdotal no coração de todos os sacerdotes. Retiros espirituais, orações especiais pelos sacerdotes, pregações, pronunciamentos, artigos e livros escritos sobre a importância, a santidade, a grandeza e a necessidade imprescindível dos sacerdotes na vida do povo de Deus.
Sacerdotes são homens e como tal, sujeitos a tentações, quedas, ao pecado; assim, nem todos são santos, no entanto o padre é constituído para ser um bom pastor, a fim de pastorear as ovelhas que não suas, mas de Jesus. Não importa se a placa de sinalização esteja colocada sobre um pau podre ou um poste enferrujado, o importante é o sinal. Mesmo sendo homens e pecadores como todos nós, os sacerdotes são representantes de Cristo e portadores da graça sacramental.   O sacerdote no efetivo exercício de sua missão é o embaixador da corte celeste, o digno representante de Cristo. Esta autoridade foi conferida a Pedro por Jesus, e por extensão a todos os apóstolos. O Papa, sucessor em linha direta de Pedro e os Bispos, legítimos sucessores dos apóstolos delegaram esta autoridade a seus auxiliares, os presbíteros.  “Em verdade todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados, quanto pelos pecados do povo. Ninguém se aproprie desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,1-4).
Os sacerdotes prosseguem, reanimados a gastar gratuitamente suas vidas para pastorear o povo de Deus. Todo enriquecimento espiritual de cada sacerdote ocorrido ao longo do Ano Sacerdotal, ocorrerá no transbordamento de toda espécie de bênçãos para o bem de todos os católicos por eles servidos. 
                  

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Avivar ou Reavivar?



Certa vez ouvi de alguém (que certamente não pertence a nossa igreja) que estaria em oração pedindo um avivamento para a igreja católica. Essa pessoa com toda certeza desconhece os movimentos eclesiais e as novas comunidades surgidas após o Concilio Vaticano II. Talvez nem tenha sequer ouvido falar dos Cursilhos de Cristandade, dos Folcolares, e de outros movimentos comprometidos com a nova evangelização; talvez vagamente tal pessoa já tenha ouvido a respeito da RCC e da Comunidade Canção Nova, pois estes têm maior exposição. Mesmo sem levar em conta este renovar do Espírito Santo na Igreja, esse mesmo Espírito estaria “dormindo”?  Por dois mil anos a Igreja estaria estagnada?  Pensar assim é desconhecer, ou pior, talvez desconsiderar que Jesus fundamentou sua Igreja sobre rocha firme, que essa igreja mantem inalterada a sucessão apostólica e que Jesus prometeu a esses apóstolos que estaria com eles – consequentemente com a Igreja – até o fim dos tempos. Descumpriria Jesus sua palavra? Jamais. A palavra de Deus é irrevogável.
Renovar sim é necessário. Renovar, movimentar, reavivar (dar vida nova) é diferente de avivar (dar vida). Reavivar, ou seja, renovar, dar novo ímpeto à vida, avançar. Por isso a Igreja é comparada a uma grande embarcação capitaneada por Jesus, cujo timoneiro é Pedro (por conseguinte, o Papa) que navega por mares revoltos às vezes, mas sempre em frente, avançando com destemor rumo a porto seguro. Por isso a Igreja sempre viva, estará sendo constantemente renovada e conduzida pelo vento do Espírito.      
Na postagem anterior comentamos a respeito de comunidade de fé. Da importância de reunirmo-nos para partilhar nossas alegrias e também, principalmente, nossos problemas. Fora dito que haveria sustento, amparo, reconforto. Verdadeiramente há tudo isso, mas não por atributos meramente humanos. O verdadeiro, grande responsável por tudo isso é somente um: Jesus Cristo. Juntamente com Maria, os anjos e os santos de Deus nos reunimos em torno de Jesus e colocamos em prática nossa fé, abrimo-nos a ação do Espírito Santo; então a benção é derramada, a graça é alcançada e os milagres acontecem. Isso é consequência de uma igreja viva, atuante. Isso acontece nas Celebrações Eucarísticas, nos grupos de oração dos diversos movimentos, nas comunidades de base, nas reuniões de partilha e nos círculos bíblicos, enfim, em diversos movimentos, comunidades e pastorais da Igreja. É ou não uma Igreja viva? Certamente sim!


sábado, 16 de novembro de 2019

Tarde chuvosa no campo



Nada mais antiestressante que um dia no campo. Mesmo nos arredores das grandes cidades, na zona rural ainda existem refúgios de tranquilidade. Sítios e chácaras onde se pode descansar e apreciar a natureza; ouvir o canto dos pássaros, o mugir do gado, o sibilar do vento agitando a copa do arvoredo. Aí, mesmo próximo à metrópole, às construções humanas, podemos observar belíssimos por de Sol sobre os outeiros cobertos de mata verdejante. Assim contemplando o belo, louvamos ao Criador pelo esplendor de Sua obra.
Mas em dias de chuva? Quando numa tarde chuvosa somos obrigados a ficar portas adentro, impedidos de caminhar pelas trilhas e veredas, pois tudo se torna enlameado. Quando, enclausurados sem o que fazer, só nos resta olhar pela janela e apreciar a... chuva! Sim, apreciar a chuva. Já notaram como é diferente o chover na cidade e na roça? Na roça a chuva é benfazeja. A chuva molha o chão, nutre as raízes das plantas, reaviva as lavouras ressequidas, irriga as plantações.  Na cidade, argh! Que chuvinha chata; hoje não vai dar praia...
Contudo, a chuva como tudo na natureza também é obra Divina, como cita a Palavra quando Deus responde ao lamento de Jó: “Quem abre um canal para os aguaceiros e uma rota para os relâmpagos, para fazer chover sobre uma terra desabitada, sobre um deserto sem seres humanos, para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante?” (Jó 38,25-27). Portando, no campo ou na cidade, Deus seja louvado pela chuva que cai, pois se ela não serve para regar cimento e asfalto, é refrigério no calor da cidade grande.
Nesse aspecto, em nossa vida intima, em nosso interior, é mais ou menos desse jeito. Ora um belo dia ensolarado, ora uma tarde chuvosa no campo. Quando tudo vai bem para nós é como um dia de lazer num sitio cercado de verde. Quando as coisas não vão tão bem como gostaríamos é como um aguaceiro que cai, frustrando nossas expectativas. Mesmo que nossos dias estejam nebulosos e chuvosos, lembremos que chuva faz germinar e/ou refrigera. Depois da tempestade vem a bonança; se hoje você vive uma tarde chuvosa, saiba que amanhã o sol irá brilhar e que o panorama que você vislumbrará será bem mais bonito; a vegetação estará mais viçosa, o verde mais verde.  
Quando Jesus vive em nosso coração, se caminhamos no Espírito Santo, se louvamos em toda circunstância, mesmo em dias chuvosos e nevoentos olhamos pela janela da alma e conseguimos enxergar a beleza da vida.


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Rio Enluarado



“Moon river, wider than a mile...” Assim começa uma belíssima canção americana. Esta canção remete a minha juventude. Eu era bem jovem, jovenzinho mesmo, pós-adolescente. Retornava de Jacareí (interior paulista) para o Rio de Janeiro, após um fim de semana com direito a baile no clube da cidade e namorico na praça.
Embarcaríamos pela manhã na litorina, trem de luxo com um único vagão que fazia o trajeto Rio-S. Paulo. Mas como a noite fora agitada, eu e os companheiros (éramos três) perdemos a litorina e “por castigo” viajaríamos à noite no trenzinho de madeira (bendito castigo!). Foi uma viagem linda. Sabe aquele trem antigo que tinha um pequeno alpendre no último vagão? Era um desses. Num dado momento deixei os amigos e fui para a varandinha do trem, justo quando ele margeava o rio Paraíba do Sul  naquela bucólica noite de lua cheia. O luar refletido nas águas plácidas do rio proporcionava um belo cenário. Lembrei-me da música; “moom river...etc...etc...” cantarolava baixinho no meu inglês arrevesado. Sentia-me o próprio Tom Sawyer apreciando o luar sobre o Mississipi (Esse era o tema da canção). Veio-me à memória a noite anterior; a garota da praça, os rodopios no salão de baile e um sentimento bom, uma ternura imensa tomou meu coração. Assim prosseguiu a viagem, no balanço e no barulho característico do trem. Eu com um sentimento misto de precoce nostalgia (o fim de semana recente) e a alegria de estar voltando para casa.
O que tem isso a ver com minha realidade hoje? Muito. Boas lembranças nos fazem bem. O relato da viagem não é nostálgico como parece, serve como referência. Boas lembranças nos fazem bem e só sentimos saudades do que foi bom. Boas lembranças guardamos e as recordamos ternamente e até nostalgicamente, porque não? Más lembranças procuramos esquecer e se não for possível, ao menos podemos impedir que elas permeiem nossos sentimentos. Boas coisas do passado guardemos com alegria no coração. Coisas não tão boas, expurguemos e como não podemos deletá-las da memória, que fiquem à margem; que migrem para o subconsciente e lá permaneçam.
Assim funciona a cura interior; viver os bons momentos e esquecer os males. Curtir de maneira saudável, não doentia, as recordações do passado e que as más recordações deixem de povoar nossa mente e de influenciar nosso emocional. Sabemos que por nossa própria força e vontade não é fácil, digo até impossível. Mas temos em nós o Espírito Santo a ampliar nossa força de vontade e aí tudo se torna possível. Se eu quero e peço, Jesus com a força do alto, o Espírito Santo, vem nos restaurar a alegria perdida, traz a tona as boas lembranças e joga pra longe o que não presta. Somos mais felizes na medida em que nos lembramos das coisas boas do passado. Se isso nos alegra, por certo Jesus há de resgata-las para nós. O luar (carinho e amor de Deus por nós) brilhará sobre o rio de água viva que brota do coração daqueles que se entregam a Jesus.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Família geradora de vida



Fomos criados e existimos como pessoas porque nos comunicamos uns com os outros. Temos mente, coração, voz, para nos relacionarmos entre si. Somos seres sociais e como tal, nascemos para viver em comunidade. E a primeira comunidade, formadora de nossos valores, é a família.
Deus nos criou homem e mulher para juntos povoarmos a terra: “Deus criou o homem à sua imagem; criou o homem e a mulher. Deus os abençoou; frutificai – disse ele – e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn1, 27-28a). O matrimônio, união física e sentimental entre homem e mulher formando um casal, é o inicio de uma nova família: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24). Assim começa uma nova família, família idealizada por Deus e aceita de modo natural e incutida em nós ao longo do tempo e da história da civilização. Não há outro meio de ser família, mesmo que alguns tentem perverter a moral desvirtuando o conceito básico de família. A estrutura familiar começa assim desde sempre.
A família é por natureza e vocação, geradora de vida. Não só de vida biológica, mas também de vida espiritual. No seio da família os valores da vida cristã (para os cristãos naturalmente) são formados. Da união carnal de nossos pais nascemos para a vida material, mas da união fraterna, do testemunho de amor, do ensino continuado por ações e por palavras, somos formados para a convivência com outros seres humanos. Da união do “eros com o filos” somos o que somos. Mas quando se soma o “ágape” nos tornamos ainda melhores. Quando junto à ética e moral universalmente aceitas para a convivência salutar, se junta a ética e moral cristã através dos ensinamentos bíblicos e catequéticos, nos tornamos cidadãos melhores.  Quando filhos são gerados e criados no amor, preparados para a vida e educados na fé, não são criados para o mundo, são criados para Deus.
No entanto, nos tempos modernos a família é aviltada, ignorada. O conceito de família é deturpado. Fala-se em “novas famílias”, “casais modernos”, “casamento aberto”, tudo isso para justificar conceitos modernosos onde se diz que casamentos e famílias tradicionais são instituições falidas. Como falidas se são idealizações de Deus? Deus é perfeitissimo, infalível, irrefutável!
Na sociedade erotizada de hoje busca-se tão somente a satisfação pessoal em detrimento do sentimento e do anseio do outro; amor é a posse transitória do corpo do parceiro. Existe uma cultura que deturpa o relacionamento homem-mulher. A maioria dos relacionamentos são vazios, desprovidos de afetividade e ternura e que duram somente enquanto houver atração física. Não tem mais “sex-appeal” não tem mais amor; o tempo passou, a beleza se foi, o amor também.  São relacionamentos egoístas, onde não se enxerga o outro como um ser amado, respeitado, contemplado no sentido amplo do que seja contemplação; mas sim como mero objeto a ser usado e descartado. Usou, enjoou, jogou fora. Daí a família aviltada, deturpada, vilipendiada.
Existem organizações e institutos, a grande mídia divulga, que lutam pela preservação das baleias, das florestas, do meio ambiente, dos direito humanos, entre outros. A mídia divulga e enaltece. Mas quando se trata de preservar os valores morais, a família tal qual ela é, a ética e a verdade milenar, as grandes e poderosas organizações midiáticas se omitem ou, pior, não poucas vezes atacam e denigrem aqueles que defendem tais valores, particularmente à Igreja. É a inversão dos valores, o certo pelo errado, a aversão pela intolerância e por aí vai. Se somos contra a promiscuidade sexual, somos retrógrados, temos pensamentos arcaicos, ainda estamos no século passado; se não aceitamos o homossexualismo, somos homofóbicos, intolerantes; se lutamos contra as drogas, somos caretas e antiquados. O que chamam de retroação, intolerância, fobias, caretice, é na verdade coragem. Coragem de nadar contra a corrente, de enfrentar as mentiras e ciladas de gente sem escrúpulos que querem a todo custo impor sua vontade usando de maneira vil e covarde, pessoas muitas vezes carente e sofridas, como massa de manobra.  Deus nunca dorme, mas Satanás descansa e até tira férias, pois tem quem aqui trabalhe por ele.      
Sejamos defensores dos valores universalmente aceitos e incutidos desde o inicio na memória subjetiva da humanidade. Sejamos defensores principalmente daquilo que aprendemos desde nossa infância de nossos pais, professores, catequistas: a convivência fraterna; a aceitação do diferente, mesmo que não concordemos com o fator de diferença; o diálogo franco e cordial, num debate de ideias e não de posições; enfim, sejamos educados como nos formaram nossos pais, na primeira sociedade, na comunidade primária, onde fomos gerados para a vida e para Deus: a família.
(Carlos Nunes)