sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Ez 11,1-8 – Maus Conselhos

 

E

sta passagem nos relata Ezequiel sendo convocado por Deus a proclamar um oráculo contra aqueles que desvirtuavam o povo de Deus. Lideres, homens de muito influência, que possuíam autoridade e devido a seu contra testemunho, a maus conselhos, desviavam o povo do reto caminho de Deus e com isso conduziram muitos ao pecado e em conseqüência, à morte. O texto refere-se a espada; espada que para nós pode ser a palavra de Deus, a espada do Espírito que nos guarda e protege, como em Ef 6. Mas também pode ser a espada   que aniquila, que põe por terra os maquinadores do mal, os que levam o povo ao mau caminho; a espada vingadora, como em Eclo 39,36.

                O que isso nos mostra? Nos mostra o mundo como uma grande vitrine com tudo que ele tem a oferecer. Como em qualquer vitrine, há produtos de boa e de má qualidade. Mas o mundo só nos empurra o que não serve, o que tem de pior, o refugo do refugo. E a gente que nem bobo aceita tudo!... O mundo aí está com seus modismos, maldades, pecados. E oferece tudo isto a nós em uma bandeja enfeitada; bonita por fora, mas podre por dentro. E o que o mundo tem a nos oferecer, inofensivo que possa parecer, bem embalado que esteja, não passa de alimento deteriorado, comida estragada; e quem come comida estragada passa mal, se intoxica, pode até morrer. S. Paulo nos adverte em Romanos: “O salário de pecado é a morte”. E a pílula dourada que o mundo tenta nos empurrar goela abaixo é veneno mortal; veneno que leva à morte, morte da alma!

                Infelizmente não é só nas coisas do mundo que estão os maus exemplos, os maus conselhos. Há gente oportunista, pessoas que se dizem cristãos, que manipulam a palavra de Deus com propósitos nada louváveis. Se alguém te convidar a ir a igreja dele porque lá você vai ser curado de uma “ziquizira” qualquer, não vá não; você vai ser tapeado! A cura que você vai obter lá você obtém cá, pois quem cura não é a igreja, é Jesus.

                Há uma certa igreja que prega que basta procurar Deus, de resto nada importa, vale tudo. Para eles o que a pessoa faz fora da igreja não é importante; o importante é dizer que aceitou Jesus. Isso leva as pessoas – desculpem a força das palavras – a fornicar o tempo todo, ao adultério, a se prostituírem e se drogar, a todo pecado e depois simplesmente ir ao templo, levantar os braços, gritar aleluia e dizer que aceitam Jesus. Hipocrisia, hipocrisia! Quando se conhece Jesus, quando se aceita Jesus verdadeiramente como Senhor e Salvador, há mudança de vida, mudança radical de vida.

                Uma pessoa de uma igreja, a qual também não cito o nome – não é esse o propósito, atacar essa ou aquela denominação, mas simplesmente denunciar – disse-me que a cruz é maldição. Blasfêmia, grande blasfêmia! Se a cruz fosse maldição Jesus seria maldito, pois morreu nela! Sabemos que a cruz foi um instrumento de suplicio, de morte e de tortura, mas a partir da morte e ressurreição de Cristo, a cruz é símbolo de salvação, é penhor de salvação. Jesus passou pela cruz para salvar o mundo. A cruz é sagrada! Ela foi banhada, foi batizada no sangue de Jesus! A pessoa disse ainda mais: que somente a igreja dele era verdadeira, as demais eram falsas; e que a Igreja Católica seria a igreja do demônio e o papa a encarnação do diabo. Se a nossa igreja fosse do demônio, todas as outras igrejas cristãs, da mais antiga às mais recentes, seriam filhas do demônio, pois de uma maneira ou de outra, todas são oriundas da Igreja Católica. A Igreja Católica Apostólica Romana foi concebida aos pés da cruz com o sangue de Jesus, nasceu em Pentecostes sob a ação do Espírito Santo e cresceu regada, alimentada com o sangue dos mártires. Somos a real igreja do Senhor, não somos uma igrejinha qualquer inventada por homens e com alvará de funcionamento registrado num cartório de notas; nosso registro está no céu, aos pés do trono de Deus!

                Sejamos precavidos, estejamos com os sentidos alertas contra os falsos profetas que torcem e distorcem o evangelho, tentando seduzir o povo de Deus. Há uma frase muito antiga, dita por um padre jesuíta, por volta de 1500, que diz assim: “Razão é que se peça só razão, justo que se peça só justiça”. A razão e os motivos de cada um mostrará o caminho a seguir; a justiça de Deus dirá se está certo ou errado. Ouçamos a voz de Deus e nos fechemos aos maus conselhos, para seguirmos o caminho da justiça e da salvação.

                Para ilustrar essa questão de bons e maus conselhos, contarei um fato ocorrido recentemente: um jovem procurou-me para que fossem sanadas dúvidas no campo da fé. Ele – a principio cético – rendeu-se aos argumentos e abriu seu coração a Deus. Por que conto isso? Porque esse rapaz veio a mim para que eu lhe falasse de Deus, lhe mostrasse a verdade. Diz a Palavra: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Imaginem se ele caísse em mãos erradas, fosse ao encontro de pessoas inescrupulosas que desvirtuariam tudo, ensinariam errado, contariam mentiras. Ele provavelmente estaria no pecado, caminhando rumo a perdição.

                Irmãos, vamos nos deixar alcançar pela espada do Espírito, a espada de dois gumes que penetra fundo no coração trazendo luz e vida. Porque do contrário, correremos o risco de ser abatidos pela espada vingadora, a que traz a morte e destruição. Amém.

 

 

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Sabedoria 2,1-13 – Falsa Mentalidade dos Ímpios

 


H

averá o dia em que chegará para nós o último domingo. O véu então se rasgará e desejaremos estar diante de Deus. Nesse dia não apenas tocaremos, mas penetraremos o Santo dos Santos, e aí, diante Dele, quando caírem todas as nossas imperfeições, estaremos face a face com Deus e o veremos tal como ele é.

                Vejamos o que diz a Palavra de Deus em Sab 2,1-13. O primeiro versículo diz assim...(v. 1 a). Quem pensa assim? Eu? Vocês? Quem pensa assim são os ímpios; a menos que sejamos ímpios pensaremos assim. Mas graças a Deus, somos ou queremos ser como aqueles do último versículo, que se gabam de conhecer Deus, são filhos amados e adoradores de Deus, do único e verdadeiro deus.     

                Essa leitura fala de que? Essa leitura nos mostra o mundo como ele é; como ele se nos apresenta. Um mundo cruel, um mundo desumano, afastado de Deus. Um mundo mentiroso, sedutor, que nos inflige tentações a cada dia, a todo instante. Infelizmente é assim o mundo em que vivemos. Devemos nos conformar com isso? Com esse estado de coisas? Claro que não!

                Isso faz lembrar o ambiente do AT, Jerusalém idólatra, pecadora, esquecendo-se do verdadeiro deus e buscando, adorando falsos deuses. Isso fez com que aquele povo fosse aprisionado, fosse disperso, fosse massacrado. E você irmão, quer isso para o seu povo? Claro que não!

                Essa Palavra nos fala da opção pelo pecado, do apego as coisas do mundo, dos falsos valores. Nos fala de pessoas que pensam que a felicidade está nas coisas materiais, enquanto a verdadeira felicidade está em Deus. Vamos nos conformar com isso? Claro que não!

                Eu ouvi muitas vezes e vocês também por certo já devem ter ouvido, pessoas que ao saberem da morte de algum parente ou conhecido, costuma dizer que a vida é curta, que a vida não vale nada e por isso deve ser aproveitada ao máximo, deve ser vivida com intensidade. E o que é viver intensamente para essas pessoas? – É se embebedar, é se empanturrar de comida (enquanto alguém ao lado passa fome); é o homem ter várias mulheres e as mulheres vários homens; é viver na promiscuidade, no adultério; é acumular riquezas materiais. E você vai se calar diante disso? Claro que não!

                Devemos viver a vida intensamente sim, devemos viver cada dia como se fosse o último. Não na idolatria do sexo, na idolatria do dinheiro, mas na busca do verdadeiro deus, na busca de Jesus. Está na Palavra, em Lucas 12,35; não sabemos quando Jesus vai voltar, tampouco sabemos quando estaremos diante de Deus prestando contas dos nossos atos. A Palavra de Deus também diz, de que vale ganhar o mundo inteiro e perder a vida eterna? Vigiai e orai; vivamos de tal maneira que quando chegar a hora possamos encarar Deus face a face e permanecermos vivos na eternidade.

                Abramos nossos olhos e ouvidos a Deus e fechemos olhos e ouvidos aos apelos mentirosos do mundo. Vivamos dignamente e anunciemos Jesus. Não nos calemos diante da iniqüidade; contra ataquemos e anunciemos Jesus ao mundo.

                Não se deixe derrotar, seja vitorioso. Jesus está chamando; Ele quer te dar a vitória, irmão. Se você ouviu o chamado de Deus, diga sim, faça como Maria: Eis aqui a serva do Senhor; eis aqui o servo do Senhor! Sejamos vencedores, não por nossos méritos, mas pelo amor e misericórdia de Jesus, pela salvação que Ele nos trouxe.

                Nós do núcleo anunciamos o amor de Deus e Jesus Salvador, não porque somos melhores ou mais sábios. Poderemos ser menos sábios e menos inteligentes que vocês. Estamos aqui porque Deus nos capacitou. Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Vocês já devem ter ouvido ou lido esta frase. E Deus quer capacitar você meu irmão, minha irmã. Deus quer te capacitar. Deus quis precisar de mim, quis precisar de vocês; Deus quis precisar de nós. Ele é o mestre da obra, somos seus operários. Lembro-me dos versos de uma canção: “Não fui eu que Te escolhi, mas Tu que me escolheste; da mesma forma ajuda-me a dar os primeiros passos”. O passo foi dado por quem está orando, pregando, louvando. Peça a Deus para que Ele te ajude a dar esse passo.Glória a Deus! Amém.

               


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sab 16,1-10 – EQUIDADE (Deus nos Trata com Justiça)

 

F

alaremos de eqüidade. Eqüidade significa justiça; justiça natural e aqui, justiça divina. Deus trata cada um segundo seus méritos, ou seja, conforme nosso merecimento. Leiamos Sab 16,1-10 (...).

            O que lemos nos remete ao livro do Êxodo, as dez pragas do Egito.

            As tribulações acontecem, não por vontade de Deus, não são enviadas por Deus como castigo, mas para nos advertir. As tribulações acontecem porque muitas vezes nos afastamos de Deus e nos tornamos vulneráveis. Isso não significa que não teremos tribulações se estivermos com Deus, até porque caminhar na fé não é estar vacinado contra os males do mundo. Não podemos nos esquecer que Jesus para ser glorificado teve antes, que passar pela cruz. E muitos de nós seremos provados na tribulação! Tribulação, dores, decepções, todos teremos, mas se estivermos vivendo nossa fé em Cristo Jesus, o mal pode até afetar nosso corpo, pode até mesmo afetar nossa mente, mas nunca vai afetar nossa alma, nunca a nossa alma! Ao passo que estando longe de Deus, vivendo e gostando do pecado, o mal irá “torcer”a nossa alma, machucar, dilacerar a alma e a dor nos atingirá profundamente. Por isso é muito importante que creiamos naquele que se fez homem e deu a vida por nós; verteu seu sangue por mim, por você, por todos.

            Pela cruz, Cristo nos salvou, pela cruz Cristo remiu o mundo inteiro, pela cruz fomos libertos do pecado. Jesus morreu na cruz humano e ressuscitou glorioso, divino. Pelo sangue de Jesus a cruz foi transformada de instrumento de suplicio em símbolo de salvação.

            O versículo 6 diz: (...). Isto tem um significado muito importante.  O que é para nós a serpente de bronze? Ela prefigura Cristo na cruz. Olhe para a cruz e veja o penhor da nossa salvação.

            Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e tua casa, diz a Palavra e a Palavra de Deus é verdadeira. Mas será tão simples assim? Jesus nos salvou, pela fé somos justificados, mas temos que viver a fé, viver na fé, viver pela fé. Temos que nos colocar debaixo da cruz e deixar que o sangue de Jesus goteje em nossa cabeça! Mas como? Jesus foi crucificado há dois mil anos atrás... Mas ele esta vivo, ele está no meio de nós e oferece todos os dias sua carne e seu sangue. É preciso que abramos nosso coração e entreguemos a Jesus para que ele faça morada plena em nós. O crucificado nos salvou, o ressuscitado quer nos curar e libertar!

            Glorifique, louve a Deus, louve Jesus, louve aquele que pela Santa Cruz remiu o mundo. Amém.


            


sábado, 7 de novembro de 2020

Romanos 10, 14-18 - Anúncio

 


 N


o tempo de Jesus na terra, o exército romano havia conquistado todo o mundo conhecido, para glória de César e enriquecimento do império. Jesus veio ao mundo para conquistar os corações para o reino de Deus. E continua fazendo isto até hoje e quer servir-se de nós para dar continuidade a sua obra. Para isto Deus nos deixou a sua palavra, as sagradas escrituras.

            A Palavra de Deus é alimento da alma, bússola para nosso caminho e como a própria bíblia diz, lâmpada para nossos pés; é archote que ilumina nossa jornada. A Palavra de Deus é nossa arma; é espada de dois gumes que separa a medula da carne, que penetra fundo os corações, trazendo não morte, mas gerando vida. Diz-se por aí que a bíblia do católico tem cheiro de mofo – fica no fundo da gaveta junto a papéis velhos – e a bíblia dos protestantes cheira a desodorante – fica embaixo do braço. Bíblia não tem cheiro. Aliás, se Deus tivesse cheiro, a bíblia teria o cheiro de Deus. A bíblia tem que ter aspecto de usada; quanto mais amarrotada, quanto mais amassada, melhor.

            Quero aqui dar um testemunho. Testemunho de real valor, pois a pessoa citada está presente. Esta pessoa sofre de insuficiência renal crônica e precisa se submeter a tratamento de hemodiálise em dias alternados; enquanto a máquina filtra e depura seu sangue durante uma manhã inteira, ele não perde seu tempo, não deixa o tempo passar lendo revistinhas ou jornais. Ele ganha tempo com a Palavra de Deus, lendo a bíblia. Enquanto a máquina limpa e purifica seu organismo, a Palavra de Deus limpa e purifica a sua alma!

            A bíblia fechada é um livro como qualquer outro; aberta, é a boca de Deus falando ao leitor. A bíblia não é simplesmente um livro que conta a história de um povo, a vida de Jesus ou dos apóstolos. A bíblia nos apresenta a revelação divina ao longo da história, através dos patriarcas, dos profetas, e que culmina com Jesus, o próprio Deus encarnado. O Evangelho não são só palavras impressas em folhas de papel, tampouco é simplesmente uma boa nova; o Evangelho é revelação! Como tal deve ser lido; em atitude de reverencia, de oração.

            A palavra chega até nós pelos olhos quando lemos a bíblia, pelos ouvidos, quando ouvimos uma pregação, passa pela nossa mente e vai ao coração, onde frutifica e tem o efeito de mudar a nossa vida. Mas não deve ficar guardada, deve refluir até nossos lábios e ser proclamada, passada a outros que necessitem de conversão. Temos que anunciar Jesus, pregar a sua palavra. Para isso temos que ser íntimos de Deus, ter fé inabalável, perseverantes na oração e principalmente falar a verdade, pois iremos anunciar a verdade, o caminho e a vida.

            O melhor exemplo de pregador é o próprio Jesus. Ele anunciou com maestria o reino de Deus. O segundo é Paulo, o grande divulgador do Evangelho. Paulo não só proferiu a palavra verbalizada, como a palavra escrita; a maior parte do Novo Testamento é obra de Paulo. Depois Pedro, que pregava com simplicidade. Era direto e objetivo; com poucas palavras convertia multidões.

 Para Deus não há tempo. O tempo é uma invenção humana e o homem se tornou prisioneiro do tempo. Muitos pregadores caem na armadilha do tempo, supondo que boa pregação é pregação longa, demorada. Há belas pregações em 1 hora, como há belas pregações em 10 minutos. O que importa não é a extensão, mas o conteúdo da pregação e que o ouvinte possa assimila-la.

Deus nos convoca para anuncia-lo e quer de nós uma resposta.Quando digo nós, não refiro-me somente a quem está ministrando, refiro-me também a vocês. Porque vocês fazem parte desse grupo de oração, dessa comunidade, do povo de Deus. Convide alguém que esteja afastado da igreja a vir à missa e depois lhe fale de Jesus. Visite um doente, ore por ele, fale a ele do amor de Deus, independentemente da situação difícil em que ele possa se encontrar. Não tema, não se acanhe em anunciar Jesus às pessoas. Eu, você, nenhum de nós é capaz de mudar o mundo, mas podemos – e temos o dever de faze-lo – mostrar, apresentar aquele que tudo pode mudar, que faz novas todas as coisas: Jesus Cristo. Amém.