quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Comunhão dos Santos – O Reino dos Céus II


                     “Irmãos, não queremos que vocês ignorem coisa alguma a respeito dos mortos, para não ficarem tristes, como os outros que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que aqueles que morreram em Jesus serão levados por Deus em sua companhia. Eis o que declaramos a vocês, conforme a palavra do Senhor: nós, que ainda estaremos vivos, por ocasião da vinda do Senhor, não teremos nenhuma vantagem sobre aqueles que já tiverem morrido. Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, que estivermos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (1 Tessalonicenses 4, 13 –18)
                        Existe um lugar, um estado mais que espiritual onde aqueles que durante a vida neste mundo agradaram a Deus, e morreram em sua amizade, serão levados para junto de todos os santos que igualmente estão na companhia do Altíssimo. Isto é, o Reino dos Céus.
                       “Também há corpos celestes e corpos terrestres, mas o brilho dos celestes difere do brilho dos terrestres. Uma é a claridade do sol, outra a claridade da lua e outra a claridade das estrelas; e ainda uma estrela difere da outra na claridade. Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7); o segundo Adão é espírito vivificante. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o segundo veio do céu. Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o homem celestial, tais os homens celestiais. Assim como reproduzimos em nós as feições do homem terreno, precisamos reproduzir as feições do homem celestial.” (1 Corintios 15, 40 – 49)
                       O divinamente inspirado autor é claro ao afirmar que haja corpos celestes, no plural, pouco depois de dizer que Cristo foi o primeiro a entrar no Reino dos Céus. E reafirma que, o mesmo acontece, no presente, com a ressurreição dos mortos, no plural.
                        Por sua vez, é feita a separação, o corpo terrestre fica aqui na terra e o corpo celeste vai para o celestial. Destacando que, mais uma vez o plural aparece em homens celestes. Se há homens celestes é porque são humanos e não os anjos, que são chamados pela Bíblia de seres gloriosos ou simplesmente anjos, mas nunca são chamados de homens. 

                      “Quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito.” (1Corintios 6, 17)

                        Se alguém morre na graça e na amizade com Deus, esta pessoa está unida ao Espírito. Portanto, é com Deus um só Espirito no céu.
                        “Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro.” (1 João 3, 2 –3)
                      Quanto a nossa união plena com o Senhor, nossa vida eterna após a morte nesta tenda passageira que habitamos agora, seremos filhos do Pai Eterno que não quer se separar de nós, porque nos ama. Assim nos ensina O Catecismo da Igreja Católica:
                     “Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada "o Céu". O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.” 1024
                    “Viver no Céu é "viver com Cristo". Os eleitos vivem "nele", mas lá  conservam - ou melhor, lá  encontram – sua verdadeira identidade, seu próprio nome.” 1025
                    “Por sua Morte e Ressurreição, Jesus Cristo nos "abriu" o Céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse em plenitude dos frutos da redenção operada por Cristo, que associou à sua glorificação celeste os que creram nele e que ficaram fiéis à sua vontade. O céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Ele.” 1026

                   “Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).” 1027

sábado, 12 de abril de 2014

Amai os vossos inimigos



A lei do Talião foi um salto qualitativo diante da simples vingança desmesurada; ela indicava que não se deveria retaliar além da ofensa recebida; neste sentido, buscava uma convivência baseada na justiça. O que seria de alguém indefeso, cujo inimigo poderoso resolvesse retribuir uma palavra que lhe desagradara com a força das armas?
Jesus, no entanto, vem superar a justiça dos homens. Para ele não basta retribuir na mesma medida aquilo que nos fizeram, aquilo que “outro fez a você, faça a ele”; mas sim aquilo que Deus fez com  você, faça ao outro. A referencia agora, para o cristão, não será mais o mal que nos fizeram, mas o bem que Deus nos faz. Sinceramente, seria possível colocar isso em prática, oferecer a outra face a quem nos esbofeteou? Humanamente falando, não! Então Jesus nos pediria o impossível? Jesus na cruz já nos deu o seu exemplo, perdoando seus inimigos e pedindo por eles; não nos pede apenas, mas nos dá a graça, a força  para realiza-lo com a efusão do Espírito Santo em Pentecostes e em nosso batismo. Por mais difícil que possa ser perdoar, sabemos que o que importa não é aquilo que sentimos, mas o que do fundo do coração queremos. É a vontade, não o instinto que nos deve mover. Se queremos perdoar de coração, por mais difícil que seja para nós, já perdoamos.

Muitos há que, diante disso, nos perguntam o que seria da humanidade se realmente todos agissem desse modo; não seria o triunfo da injustiça?  Certamente se todos vivessem esta disposição, não haveria que dar a outra face, porque não haveria quem esbofeteasse a face de ninguém. Se o mundo vivesse as palavras de Jesus não haveria injustiça, nem guerras. Quando um cristão procura viver os ensinamentos do Senhor, isso não significa que ele deverá abrir mão da justiça, sem a qual não há paz, mas sim da vingança feita com as próprias mãos, fruto estéril e venenoso de um coração sem Deus.

Toda a vez em se dá lugar à sede de vingança e não ao desejo de justiça, o homem mergulha naquilo que em nossa natureza temos de mais selvagem. Sabemos, por experiência, até onde pode ir uma sociedade que na prática, vive a lei de Talião. Em conflitos como aqueles que caracterizam a convivência entre hebreus e palestinos, por exemplo, quanto sofrimento de ambas as partes... Que o Bom Deus nos ajude a construir na justiça um mundo onde realmente reine a verdadeira paz.    

(do folheto A Missa – Arquidiocese do Rio de Janeiro)                                                             

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Se não houver amanhã


A Palavra de Deus nos alerta para estarmos sempre vigilantes, pois não sabemos dia nem hora da vinda do Senhor. Seu retorno é iminente, pode vir a qualquer momento; pode ser hoje, amanhã, semana que vem, daqui a um mês, um ano, uma década. Não importa, Ele virá, ou iremos ao encontro dele inevitavelmente. “Quem é, pois, o servo prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno? Bem aventurado aquele servo a quem seu Senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim! Em verdade vos digo, ele o estabelecerá sobre todos os seus bens. Mas se é um mau servo que imagina consigo: ‘Meu senhor  tarda a vir’, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele não espera e na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”  (Mt 24,45-51).

O texto bíblico em referência tem quase dois mil anos, mas é atualíssimo. Quantos têm o procedimento do servo mau; são desobedientes, omissos, desonestos, violentos. Quanta gente quer aproveitar a vida – ela é curta, dizem – de maneira frenética. Vivem frivolamente, descompromissados com o próximo, levando a vida de forma egoísta e hedonista. Não importa que o outro passe fome, desde que ele esteja saciado. Buscam uma vida de prazeres, sem se preocupar com o bem estar dos demais. Se for bom para ele, ótimo, mesmo que prejudique os outros; “tô nem aí!” Assim muitos vivem de maneira dissoluta, sem pensar no amanhã, sem pensar nas consequências. “De que vale ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a vida eterna?” (cf. Mt 16,26a).

Há gente que diz: “vou viver a vida do meu jeito enquanto sou jovem e posso aproveitá-la; vou fazer o que quero, vou me permitir tudo. Mais tarde, na velhice, procuro uma igreja, peço perdão a Deus e fica tudo bem.” Hipócrita, faz planos pensando iludir a Deus e na verdade se ilude. Não imagina a possibilidade de findar a vida antes de envelhecer. Aí morre em pecado (...o servo virá no dia em que ele não espera, na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes). Mesmo envelhecendo, se a busca por Deus tiver essa intenção; fez o que fez, tudo quanto podia, agora velho, limitado, convenientemente “se converte”. Ledo engano; Deus vê o coração e conhece nossas intenções. Não há perdão dos pecados sem arrependimento, sem a reta intenção de mudança. Isso não significa que pessoas que têm, ou tiveram, uma vida desregrada possam se arrepender sinceramente a qualquer tempo, não importando a idade.

Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos sequer se haverá um amanhã. Ontem passou, já o vivemos; hoje é agora, estamos vivendo. O amanhã é futuro, é incógnita, e em Deus haveremos de vivê-lo. Portanto, como não conhecemos o amanhã – podemos no máximo conjecturar – vivamos de tal modo que se Cristo voltar agora, ou se Ele nos chamar, que nos encontre preparados, tal qual o servo fiel e honesto em quem Ele confiou. 

sábado, 5 de abril de 2014

Se Jesus voltasse agora?


Se Jesus voltasse agora, nesse momento, como nos encontraria? Estaríamos prontos para esse encontro, ou tentaríamos nos esconder? Se você ouvisse a noticia: Jesus está aqui, voltou revestido de glória para resgatar os seus, para separar os justos dos pecadores, o que você faria? Correria para Ele e se prostaria em adoração, ou fugiria como Balaão?

Se Jesus chegasse agora por certo não encontraria paz na terra. Encontraria fogo. Não o fogo que Ele gostaria de encontrar, a chama viva e ardente do Espírito Santo, mas o fogo devorador, as chamas do ódio, das desavenças, da desunião entre os povos, da desunião entre aqueles que se dizem seus, os cristãos. É certo, há também os de boa vontade, os que semeiam amor, os que têm o coração abrasado pela chama de amor do Espírito Santo. Em que fogueira você está? Na fornalha ardente do coração de Jesus ou no fogo devorador do pecado?

Devemos fazer tudo para estar e permanecer nos caminhos do Senhor, caminhar no Espírito, viver segundo a Palavra de Deus, experimentar as obras de misericórdia, e assim estarmos prontos (ou quase) para a volta gloriosa de Cristo. Se assim Ele nos encontrar, por certo ao nos prostrarmos em adoração, nos tomará pela mão e nos levará com Ele em Sua Glória. E aquele que está longe Dele, dos seus caminhos? “Quem me segue não andará nas trevas...” logo, sendo a recíproca verdadeira, quem não o segue estará nas trevas. Quem o segue titubeante, um pé nas trilhas Dele, outro no mundo, estará na penumbra; um passo em falso cai nas trevas, no entanto, um passo bem dado o retorna à luz. Se estamos vacilantes, em ziguezague, cai não cai, não desanimemos, busquemos a luz, e luz do mundo é Jesus. O mundo nos oferece caminhos demais – reza a canção – choramos, rimos, mas nem sempre somos felizes; as coisas do mundo não nos satisfazem. Isso porque nossa alma é grande demais e só Deus pode enchê-la. Por isso a mesma canção nos adverte: “Hoje seus passos se perdem na estrada; nem sempre você tem chegada. Entregue seu caminho a Deus, entregue seu caminho a Deus”.

Como está seu coração? Firme na fé, porém tenro e afável na misericórdia e no amor, ou está como porcelana, fina e delicada, mas quebradiça e que se esfacela ao menor impacto? Seja como for, que esteja em Jesus. Pois em Jesus, seu coração se fortalece, se consolida na fé, no amor e na misericórdia.

Se Jesus voltar agora que nos encontre assim, caminhando firmes na fé, de coração manso e humilde como o Dele; trilhemos esse caminho; caminho difícil, às vezes lacrimoso, mas seguro, pois caminhamos com o Mestre Senhor de tudo e de todos, o guia seguro de nossa vida, pois que Ele mesmo é o Caminho; caminho que leva a santidade, a vida eterna na glória celestial.  Assim seja!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ele me amou e se entregou por mim



As palavras do Apóstolo dão sentido pessoal a obra da Redenção efetuada por Jesus Cristo: Ele fez por cada um o que fez por todos. Ele o fez com amor gratuito, existente desde todo o sempre e concretizado no momento histórico próprio. “Entregou-se (…)”. Entregou-se à Paixão e à morte de Cruz, após o que ressuscitou. Pergunta-se; por que se entregou a tão doloroso desfecho?  O Pai gosta de sangue e sofrimento?

A resposta exclui de Deus todo tipo de sadismo, como bem se compreende. Ele ressalta que o Filho de Deus quis sofrer para identificar-se com os homens e salvá-los; assumiu as consequências do pecado (não o próprio pecado) a fim de lhes dar sentido novo: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2 Cor 5,21). O Filho de Deus se fez solidário com os homens pecadores, a fim de tornar os homens solidários com a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. São Paulo explana enfaticamente esse jogo da história da salvação: fala do primeiro Adão, que foi também até a morte, mas por obediência e amor; Ele assim quis resgatar o caminho da morte, santificando-o e furando finalmente a morte pela sua ressurreição (cf. Rm 5,12-19).

A Paixão de Jesus, com tudo o que ele tem de cruel e ignominioso, evidencia aos homens o que é o pecado: é destruição, é perda da dignidade, é morte do homem. Especialmente a cena do horto das Oliveiras é eloquente: apresenta Jesus como homem, acabrunhado pela previsão da dor e da indiferença da humanidade à sua Paixão, a ponto de suar sangue: “Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíram por terra” (Lc 22,43s). O pecado prostra e esmaga o homem, embora, por sua força sedutora, pareça momentaneamente ser a resposta aos anseios do indivíduo.

Estas verdades retornam à mente do cristão no mês de março, mês de Quaresma ou de reflexão sobre a Paixão de Cristo. Cada ano a Quaresma, embora utilize sempre os mesmos textos bíblicos, assume significado novo: em 1995 vemos o mundo flagelado por guerras, fratricidas em diversos continentes e pelo libertinismo de costumes no Ocidente: os grupos de música e dança rock, apelando para o Maligno e suscitando a sensualidade baixa e blasfema nas multidões, vêm a ser indiretamente um apelo aos cristãos para que procurem participar mais conscientemente da expiação prestada por Cristo. Afinal que resposta podem os cristãos dar ao mundo desvairado? Mais eficaz do que o recurso à violência é o que Elizabeth Leseur formulava nos seguintes termos: “Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”. Eis a GRANDE RESPOSTA, a ser dada em união com Aquele que nos amou e se entregou por nós!

D. Estevão Bettencourt, osb - Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” - Nº 394 – Ano: 1995 – p. 97

terça-feira, 1 de abril de 2014

Segunda etapa do Projeto Kareebi leva crianças para escola


Depois de quase 18 meses de missão no país de Uganda, parte do sonho da RCC do Brasil iniciado pelas missionárias, Rita de Cássia e Fabiany de Souza, começa a se realizar. As 50 crianças ugandeses visitadas há quatro meses pelas nossas missionárias já estão matriculadas nas escolas e com material escolar em mãos.
O momento da matrícula e da entrega do material foi muito esperado pelas crianças e seus pais, que ainda pareciam não acreditar no que presenciavam: “Estavam todos nos esperando na paróquia, pais e crianças, conforme havíamos combinado com o pároco local. Não estavam sentados em cadeiras ou aguardando em uma sala confortável de espera. Estavam ali, sentados no chão mesmo, em volta do lugar que foi possível organizar para atendê-los. Que alegria vê-los outra vez! Ficamos sabendo que não estavam acreditando que era verdade que seus filhos seriam ajudados e que chegaram a pensar que talvez nós não fôssemos voltar mais”, relatam as missionárias.
Durante a partilha com os pais das crianças, as missionárias pediram compromisso com seus filhos na escola e disseram que a ajuda não foi provida por elas, mas por padrinhos e madrinhas que se sentiram tocados através de uma campanha realizada pela Renovação Carismática Católica do Brasil.
Elas passaram por quatro escolas orientando os pais, fazendo a matrícula das crianças e entregando parte do material necessário para este início das aulas, para que pudessem iniciar os estudos o mais rápido possível.
Tocadas pela felicidade estampada no rosto de cada um, as meninas aproveitaram o momento da entrega para evangelizar os pais: “Tudo isso foi possível porque Deus os ama. E porque Ele os ama, somos capazes de amar as vossas crianças”.
Em retribuição, os familiares agradeceram a todos os padrinhos e madrinhas, pelo amor expressado em atos às suas crianças.
A felicidade em poder ver o projeto se concretizar já pode alcançar os padrinhos e madrinhas no Brasil que acompanham a página oficial da Missão África no Facebook. A pedagoga de 28 anos, da cidade de Sorocaba/SP, Juliana Lima é uma delas:
“Ao ver o Projeto Kareebi na segunda etapa o sentimento que tenho é de profunda alegria. Primeiro por ver o quão grande é a ação do Espírito Santo que vem agir em nosso meio realizando os sonhos do coração de Deus. Segundo, por poder colaborar e pelos irmãos e irmãs que possuem o coração tão dócil ao mover dEle dando-o liberdade e levando em frente este convite mais do que especial de apadrinhar uma criança. Mesmo com suas dificuldades, não se calaram e não abafaram a voz de Espírito Santo. E em terceiro lugar, o quanto o pouco pode ser muito na vida destas crianças! O Senhor com certeza está muito feliz ao contemplar tudo aquilo que Ele tem sonhado se realizando, não só lá na África, mas também aqui na nossa realidade. Isso é apenas o começo de um lindo projeto, porque nós podemos ir além divulgando em nossas Paróquias, Comunidades, universidades... para que mais crianças possam desfrutar deste direito. Eu, que sou professora, imagino a felicidade destes pais ao poderem ver esta graça chegando para seus filhos. Uma graça que talvez eles pensassem que não viveriam e estes pequenos sejam um dos primeiros passos de suas trajetórias. Que sejam pessoas guerreiras e nunca desistam de seus sonhos. Eu os amo!”.

Fonte: www.rccbrasil.org.br

domingo, 30 de março de 2014

Quaresma e Confissão

O sacramento da Penitência ou Confissão é sinal da graça divina para a restituição do pecador na comunhão da Igreja. O objetivo deste sacramento é a reconciliação: reconciliação com Deus, reconciliação com os semelhantes e reconciliação consigo mesmo. O sacramento da penitência é, em primeiro lugar, um anúncio e uma atuação da misericórdia de Deus.


Jesus deu a toda a Igreja o poder de perdoar os pecados. É ela que é ministra da reconciliação. Mas é o Bispo, como sucessor dos Apóstolos e Pastor da Igreja, quem tem primariamente o poder e a autoridade de perdoar os pecados em nome de Cristo e da Igreja. Pelo sacramento da Ordem, ele recebeu este poder em nome da Igreja toda (Jo 21,22). Este poder – que é um serviço ao desígnio do Pai de reconciliar a humanidade com Ele pelo Filho no Espírito – o Bispo compartilha com os presbíteros (= padres), que receberam também o sacramento da Ordem no grau de sacerdotes.
É importante compreender que o padre não é dono do sacramento da Penitência; é ministro (= servidor): ele somente pode perdoar em nome de Cristo e da Igreja. Então, não pode extrapolar o poder a autoridade que a Igreja lhe concedeu. Em relação aos ministros: eles estão sujeitos à lei do sigilo sacramental. Jamais, direta ou indiretamente, o confessor pode revelar algo que ouviu em confissão. Mesmo que não seja pecado, se a informação foi obtida no sacramento, não pode ser utilizada. Um confessor que viole este sigilo está sujeito a severas penas.
Quanto aos efeitos do Sacramento da Penitência, recordemo-nos que o pecado é uma ruptura da comunhão com Deus que nos desarruma interiormente e nos faz romper com os irmãos na fé. O pecado provoca sempre uma ferida não só em nós mesmos, mas também em todo o Corpo de Cristo, que é a Igreja: eu me torno um membro ferido do Corpo de Cristo, prejudicando todo o Corpo do Senhor.
O perdão nos restitui a amizade de Deus, a sua graça em nós, dando-nos a verdadeira paz interior, sendo uma verdadeira ressurreição espiritual. É um renovar a veste branca batismal. É importante notar que essa paz é dada mesmo quando eu não a sinto de modo sensível. Não se trata de sentimentos, mas da realidade do Sacramento, que é ação de Cristo e da Igreja.
O Sacramento também nos reconcilia com a Igreja, comunhão dos irmãos em Cristo, de quem o pecado nos separa. Assim, eu me torno mais forte, pois novamente estou em comunhão com meus irmãos e com a vida da Igreja, que é dada na Palavra do Senhor e nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia. É importante notar ainda que a Reconciliação fortalece também a Igreja, pois cada membro seu que é curado de seu pecado fortalece todo o Corpo de Cristo. Todos os pecados têm repercussão na Igreja toda!
A Igreja pede que pelo menos uma vez ao ano, na Páscoa do Senhor, nos confessemos e comunguemos. Aqui, é necessário deixar claro que a Igreja nos pede que “façamos Páscoa” e que essa norma não é quantitativa, mas sim a experiência pascal. Não é uma questão de mínimo! Quem ama não dá o mínimo; procura dar o máximo. Assim, para um cristão consciente e que deseja ter uma vida cristã séria, a celebração da misericórdia deve ser constante e muito mais ainda a participação na Eucaristia, que deveria ser ao menos semanal, pelo domingo, dia do Senhor.
Faço um apelo veemente aos caríssimos sacerdotes, párocos, administradores paroquiais e vigários paroquiais para que intensifiquem a oferta de tempo necessário para o atendimento das confissões auriculares em todo o tempo quaresmal. É função primordial do sacerdote atender as confissões para que os fiéis reencontrem a graça santificante. Isso, além dos “mutirões de confissões” que existem por toda a Arquidiocese, quando os padres vizinhos se ajudam mutuamente nessa ocasião.
Portanto, neste tempo Quaresmal somos chamados à conversão e a anunciar a reconciliação, pois esta deve ser acolhida no coração humano para que possa dar frutos. A resposta do homem é chamada comumente de conversão, ou seja, de volta. Não há reconciliação sem a iniciativa de Deus, mas também não há sem a resposta do homem. O sacramento da Penitência supõe essencialmente um diálogo. Por isso, eis que convido você a renovar sua vida cristã e, neste tempo de conversão, a manifestar o acolhimento da misericórdia ao se aproximar deste belo Sacramento da Penitência.
Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 
FONTE: CNBB



quarta-feira, 26 de março de 2014

O Decálogo nas Sagradas Escrituras


Ensina o Catecismo da Igreja Católica:

2056 - A palavra “Decálogo” significa literalmente “dez palavras” (Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4). Deus revelou essas “dez palavras” a seu povo no monte sagrado. Ele as escreveu “com seu dedo” (Ex 31,18; Dt 5,22), à diferença de outros preceitos escritos por Moisés. São palavras de Deus de modo eminente. Foram transmitidas no livro do Êxodo e no do Deuteronômio. Desde o Antigo Testamento os livros sagrados se referem às “dez palavras”. Mas é em Jesus Cristo, na Nova Aliança, que será revelado seu sentido pleno.

2057 - O Decálogo deve ser entendido em primeiro lugar no contexto do êxodo, que é o grande acontecimento libertador de Deus no centro da Antiga Aliança. Formulados como preceitos negativos, como proibições, ou como mandamentos positivos (como: “Honra teu pai e tua mãe”), as “dez palavras” indicam as condições de uma vida liberta da escravidão do pecado. O Decálogo é um caminho de vida: Se amares teu Deus, se andares em seus caminhos, se observares seus mandamentos, suas leis e seus costumes, viverás e te multiplicarás (Dt 30,16). Esta força libertadora do Decálogo aparece, por exemplo, no mandamento sobre o descanso do Sábado, destinado igualmente aos estrangeiros e aos escravos: Lembrai-vos que fostes escravos numa terra estrangeira. O Senhor vosso Deus vos fez sair de lá com mão forte e braço estendido (Dt 5,15).

2058 - As “dez palavras” resumem e proclamam a lei de Deus: “Tais foram as palavras que, em alta voz, o Senhor dirigiu a toda a vossa assembléia no monte, do meio do fogo, em meio a trevas, nuvens e escuridão. Sem nada acrescentar, escreveu-as sobre duas tábuas de pedra e as entregou a mim” (Dt 5,22). Eis  por que estas duas tábuas são chamadas “O Testemunho” (Ex 25,16). Pois contêm as cláusulas da aliança entre Deus e seu povo. Essas “tábuas do testemunho” (Ex 31,18; 32,15; 34,19) devem ser colocadas “na arca” (Ex 25,16; 40,1-2).

2059 - As “dez palavras” são pronunciadas por Deus no contexto de uma teofania (“Sobre a montanha, no meio do fogo, o senhor vos falou face a face”: Dt 5,4). Pertencem à revelação que deus faz de si mesmo e da sua glória. O dom dos mandamentos é dom do próprio Deus e de sua santa vontade. Ao dar a conhecer as suas vontades, Deus se revela a seu povo.

2060 - O dom dos mandamentos e da Lei faz parte da Aliança selada por Deus com os seus. Segundo o livro do Êxodo, a revelação das “dez palavras” é dada entre a proposta da Aliança, e sua conclusão depois que o povo se comprometeu a “fazer” tudo o que o Senhor dissera, e a “obedecer” (Ex 24,7). O Decálogo sempre é transmitido depois de se lembrar a Aliança (“O Senhor nosso Deus concluiu conosco uma aliança no Horeb”: Dt 5,2).

2061 - Os mandamentos recebem seu pleno significado no contexto da Aliança. Segundo a Escritura, o agir moral do homem adquire todo o seu sentido na Aliança e por ela. A primeira das “dez palavras” lembra o amor primeiro de Deus por seu povo: Tendo o homem, por castigo do pecado, decaído do paraíso da liberdade para a escravidão deste mundo, as primeiras palavras do Decálogo, voz primeira dos divinos mandamentos, aludem à liberdade: “Eu sou o Senhor teu Deus, que lhe fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão” (Ex 20,2; Dt 5,6).

2062 - Os mandamentos propriamente ditos vêm em segundo lugar; exprimem as implicações da pertença a Deus, instituída pela Aliança. A existência moral é resposta à iniciativa amorosa do Senhor. É reconhecimento, submissão a Deus e culto de ação de graças. É cooperação com o plano que Deus persegue na história.

 2063 - A Aliança é o diálogo entre Deus e o homem são ainda confirmados pelo fato de que todas as obrigações são enunciadas na primeira pessoa (“Eu sou o Senhor…”) e dirigidas a um outro sujeito (“tu…”)  em todos os mandamentos de Deus, é um pronome pessoal singular que designa o destinatário. Deus dá a conhecer sua vontade a cada um em particular ao mesmo tempo que o faz ao povo inteiro: O Senhor prescreveu o amor para com Deus e ensinou a justiça para com o próximo a fim de que o homem não fosse nem injusto nem indigno de Deus. Assim, pelo Decálogo, Deus preparou o homem para se tornar seu amigo e ter um só coração para com o próximo… Da mesma maneira, as palavras do Decálogo, continuam válidas entre nós [cristãos]. Longe de serem abolidas, elas foram levadas à plenitude do próprio significado e desenvolvimento, pelo fato da vinda do Senhor na carne.                                                                                                                 
Prof. Felipe Aquino

sábado, 22 de março de 2014

Até que a morte os separe


Ao criar o homem, Deus disse: - É bom que não viva só; façamos para ele uma companheira. Estava constituído pelo Criador o primeiro casal, e assegurada, a partir desse núcleo social, a propagação da espécie humana. Vivendo em sociedade, os homens educariam retamente sua prole, preparariam os caminhos para a salvação, e gozariam por fim da eterna bem-aventurança na pátria celeste.
Com efeito, este primeiro casal simbolizava a família monogâmica e indissolúvel criada por Deus, a qual se tornaria o fundamento indispensável e nobilíssimo da sociedade na qual os homens deveriam viver. E o próprio Cristo Nosso Senhor recordou aos judeus que, com a Sua vinda, as coisas voltariam a ser como no início - ou seja, um homem e uma mulher.
Se Moisés, à época, deu permissão ao libelo de repúdio dos homens às suas mulheres foi em razão da dureza daqueles corações, pois não separe o homem aquilo que Deus uniu. Na verdade, a convivência entre um homem e uma mulher pelo matrimônio indissolúvel exige de ambos um completo domínio, pois o casamento é para sempre, ou seja, até que a morte os separe.
Tendo Jesus Cristo elevado tal união à dignidade de sacramento, os cônjuges devem se comprometer a conviver juntos. Eles são assistidos com as graças necessárias para permanecerem fiéis uns aos outros e cumprir os deveres de seu próprio estado, educando dignamente sua prole para a vida presente e futura. Sendo o casamento de instituição divina e santificado pelo próprio Jesus Cristo nas bodas de Caná, ele representa precioso instrumento de santificação para a maior parte dos homens.
Com tais atributos, o matrimônio deve ser edificado sobre a rocha inabalável da fé, dos bons costumes, da prática de nossa santa religião, da frequência constante e persistente dos sacramentos - sobretudo da confissão e da comunhão -, e da devoção a Sagrada Família, modelo de virtudes para todos os membros da família.
Caso contrário, o casamento desmoronará no primeiro obstáculo que sobrevier ao casal, como vem acontecendo de maneira crescente em nossa sociedade neo-pagã, onde ele passou a ser construído sobre a areia movediça do sentimentalismo romântico, uma paixão desordenada que priva a pessoa da visão clara e objetiva das coisas.
Pe. David Francisquini 
Igreja do Imaculado Coração de Maria-Cardoso Moreira/RJ 



terça-feira, 18 de março de 2014

Coragem


A coragem não consiste em arriscar sem medo. Ao contrário! É preciso estar convicto do que se quer para se ter coragem de agir. Coragem, também, não se traduz por agressividade, ou atitudes intempestivas. Na verdade, a coragem tem no seu bojo virtudes como serenidade, paciência, amabilidade e solidariedade.
Para entender melhor, podemos classificar a coragem em vários tipos:
A coragem física, para enfrentar situações de perigo que coloquem sua vida em risco.
Coragem de convicção; não ter medo de aceitar e propagar as suas crenças.
Coragem moral é aquela capaz de fazer você optar pelo que é ético e justo, mesmo contrariando pessoas influentes ou até o seu circulo de amizades.
Coragem solidária é a coragem de se envolver com as necessidades dos outros. Isso mesmo: Amar o próximo requer muita coragem, sim!
Existe ainda a coragem emocional, para lidar com circunstancias dolorosas e adversas da vida.
A coragem de criar, sem medo de inovar, de quebrar a rotina, de mudar a maneira de ver as coisas.
E o mais elevado grau de coragem, a coragem de perdoar, difícil de ser encontrada em qualquer pessoa. Dar a outra face para o inimigo é um ato que requer coragem e amadurecimento.
E você aí, é uma pessoa de coragem? Então, acorde menina, acorda menino... Porque vida, em si, já é um ato de coragem...
(autor desconhecido)





sábado, 15 de março de 2014

Oração: quanto tempo dedicar por dia?


Duas pessoas que se amam dedicam quanto tempo por dia a conversar? O maior tempo possível!

Hoje em dia, os casais costumam manter uma comunicação constante: buscam tempo para ver-se, mas, quando isso não é possível, ligam, ficam mandando torpedos um para o outro, conversam online, enviam e-mails, tuítes, mensagens no Facebook…

O que acontece quando um dos dois interrompe a comunicação, deixa de atender às ligações, para de enviar torpedos? O relacionamento começa a enfraquecer.

Pois bem, com Deus acontece algo semelhante. Sua relação com Ele será tão sólida quanto for a comunicação entre vocês.

E, para que tal comunicação seja sólida, ela precisa ser contínua. Assim, por exemplo, pela manhã, antes de sair da cama, você pode dedicar uns minutinhos a agradecer-lhe e colocar os dias nas suas mãos.

Ao longo dia, mantenha o que São Francisco de Sales chamava de “constante consciência da presença divina”. Sinta como Ele está com você; dirija-lhe, de vez em quando, uma frase, um olhar interior, um “tuíte espiritual”…

Em algum momento do dia, você pode dedicar pelo menos meia hora a ter um encontro exclusivo com Ele, no qual você lhe dedique toda a sua atenção. Por que meia hora? Porque é o tempo mínimo para que você possa se acomodar em algum lugar, livrar-se das distrações e dispor-se para estar presente de corpo e alma, e então dedicar pelo menos uns quinze minutos à oração propriamente dita.

Por último, antes de dormir, dirija novamente seu olhar a Ele e agradeça-lhe pelo dia, peça-lhe perdão, coloque em suas mãos o que você pretende fazer no dia seguinte.

Isso é o mínimo. Se você puder ir à Missa durante a semana e orar um pouco diante do Santíssimo, melhor ainda.

Há pessoas que dizem aos padres: “Já que o senhor está tão perto de Deus, reze por mim”. Mas por que essa pessoa se resigna a estar longe? Toda pessoa pode estar muito perto de Deus; basta querer dedicar-lhe tempo de qualidade.

(Alejandra María Sosa Elízaga – Fonte: RCC RJ)

 

quarta-feira, 12 de março de 2014

A Tenda Celeste - O Reino dos Céus I



                     “Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir. Desse homem eu me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Pois, ainda que me quisesse gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas abstenho-me, para que ninguém me tenha em conta de mais do que vê em mim ou ouve dizer de mim. Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: ‘Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. ’ Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Corintios 12, 1- 10)
                         A revelação extraordinária mostra que no menor dos apóstolos não há superioridade, porque o mesmo diz ser o menor dos cristãos e mesmo assim foi levado ao céu em vida e trazido de volta. A Santa Caminhada segue-se com perseguições, tidas pelo apóstolo como glória, é então que a força de Deus se manifesta. 
                    Andamos na fé e não na visão, não vimos a morada celeste, mas por esta passagem sabemos que ela existe e nos espera, porque a graça é eterna.
                   “Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda, for desfeita, recebemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas. Por isto, suspiramos neste nosso estado, desejosos de revestir o nosso corpo celeste, e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito. Por essa razão, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que enquanto habitamos nesse corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão. Sim estamos, repito cheio de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para irmos morar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe.”
(2 Corintios 5, 1-9)
                       O céu encontrado pelos santos se revela com nitidez extrema neste argumento de São Paulo Apóstolo. Alguém que já foi arrebato e conheceu o céu em vida e voltou para contar, não poderia estar equivocado em afirmar que assim que se deixa esta vida somos revestidos por outra vida. O querer ser revestido com o brilho celeste é tanto que o apóstolo se sente oprimido no corpo humano e ansioso para conquistar o corpo celeste. Afirma e reafirma sua confiança em morar com o Senhor após a morte. E ainda indaga os corações dos cristãos quando diz que, vivos ou mortos nos esforçamos para agradar o Senhor.
                    “O que os olhos não viram os ouvidos não ouviram e o coração humano não imaginou (Is 64,4), foi isso que Deus preparou para aqueles que o amam.” (1Corintios 2, 9)
                     Antes mesmo de existir tempo, Deus planejou nos levar à sua glória. Graça esta que não é possível para a mente humana compreender.
                    “O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se eu ainda continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que eu não sei bem o que escolher. Fico na indecisão: meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.” (Filipenses 1, 20-24)
                      Mais uma extrema evidência é revelada pelo apóstolo que, afirma glorificar o Senhor na vida e na morte. Afirma que viver é com Cristo, então morrer nesta vida terrestre é lucro! E fica indeciso, porque quer ir ao encontro de Deus, certo e confiante que entrará no céu, mas precisa ficar na terra e anunciar o Evangelho.

                    “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12): Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.” 1023