quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Santa Edith Stein


Hoje, dia nove de agosto, é dia de Santa Teresa Benedita da Cruz, também conhecida pelo nome de Santa Edith Stein. Juntamente com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena é uma das "Patronas da Europa". Beatificada a 1 de Maio de 1987, acabou sendo canonizada 11 anos depois, a 11 de Outubro de 1998, pelo Papa João Paulo II.


Última de 11 irmãos, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891, no dia em que a família festejava o "Dia da Expiação", a grande festa judaica. Por esta razão, a mãe teve sempre uma predileção por esta filha.
O pai, comerciante de madeiras, morreu quando Edith ainda não tinha completado os 2 anos. A mãe, mulher muito religiosa, solícita e voluntariosa, teve que assumir todo o cuidado da família, mas não conseguiu manter nos filhos uma fé viva. Stein perdeu a fé: "Com plena consciência e por livre eleição", ela afirma mais tarde.
Edith dedica-se então a uma vida de estudos na Universidade de Breslau tendo como meta a Filosofia. Os anos de estudos passam até que, no ano de 1921, Edith visita um casal convertido ao Evangelho. Na biblioteca deste casal ela encontra a autobiografia de Santa Teresa de Ávila. Edith lê o livro durante toda a noite. "Quando fechei o livro, disse para mim própria: é esta a verdade", declarou ela mais tarde.
Em Janeiro de 1922, Stein é batizada e no dia 02 de Fevereiro desse mesmo ano é crismada pelo Bispo de Espira. Em 1932 é-lhe atribuída uma cátedra numa instituição católica, onde desenvolve a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé. Em 1933 a noite fecha-se sobre a Alemanha. Edith Stein tem que deixar a docência e ela própria declarou nesta altura: "Tinha-me tornado uma estrangeira no mundo". E no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, entra para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz. Após cinco anos, faz a sua profissão perpétua.
Da Alemanha, Edith é transferida para a Holanda juntamente com sua irmã Rosa, que também é batizada na Igreja Católica e prestava serviço no convento. Neste período do regime nazista, os Bispos católicos dos Países Baixos fazem um comunicado contra as deportações dos judeus. Em represália a este comunicado, a Gestapo invade o convento na Holanda e prendem Edith e sua irmã. Ambas são levadas para o campo de concentração de Westerbork.
No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado.
Assim, através do martírio, Santa Teresa Benedita da Cruz, recebe a coroa da glória eterna no Céu.
Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!
(Fonte: Pascom/S. Brás)












sábado, 4 de agosto de 2012

Rio Enluarado


“Moon river, wider than a mile...” Assim começa uma belíssima canção americana. Esta canção remete a minha juventude. Eu era bem jovem, jovenzinho mesmo, pós-adolescente. Retornava de Jacareí (interior paulista) para o Rio de Janeiro, após um fim de semana com direito a baile no clube da cidade e namorico na praça.

Embarcaríamos pela manhã na litorina, trem de luxo com um único vagão que fazia o trajeto Rio-S. Paulo. Mas como a noite fora agitada, eu e os companheiros (éramos três) perdemos a litorina e “por castigo” viajaríamos à noite no trenzinho de madeira (bendito castigo!). Foi uma viagem linda. Sabe aquele trem antigo que tinha um pequeno alpendre no último vagão? Era um desses. Num dado momento deixei os amigos e fui para a varandinha do trem, justo quando ele margeava o rio Paraíba do Sul  naquela bucólica noite de lua cheia. O luar refletido nas águas plácidas do rio proporcionava um belo cenário. Lembrei-me da música; “moon river...etc...etc...” cantarolava baixinho no meu inglês arrevesado. Sentia-me o próprio Tom Sawyer apreciando o luar sobre o Mississipi (Esse era o tema da canção). Veio-me à memória a noite anterior; a garota da praça, os rodopios no salão de baile e um sentimento bom, uma ternura imensa tomou meu coração. Assim prosseguiu a viagem, no balanço e no barulho característico do trem. Eu com um sentimento misto de precoce nostalgia (o fim de semana recente) e a alegria de estar voltando para casa.

O que tem isso a ver com minha realidade hoje? Muito. Boas lembranças nos fazem bem. O relato da viagem não é nostálgico como parece, serve como referência. Boas lembranças nos fazem bem e só sentimos saudades do que foi bom. Boas lembranças guardamos e as recordamos ternamente e até nostalgicamente, porque não? Más lembranças procuramos esquecer e se não for possível, ao menos podemos impedir que elas permeiem nossos sentimentos. Boas coisas do passado guardemos com alegria no coração. Coisas não tão boas, expurguemos e como não podemos deletá-las da memória, que fiquem à margem; que migrem para o subconsciente e lá permaneçam.

Assim funciona a cura interior; viver os bons momentos e esquecer os males. Curtir de maneira saudável, não doentia, as recordações do passado e que as más recordações deixem de povoar nossa mente e de influenciar nosso emocional. Sabemos que por nossa própria força e vontade não é fácil, digo até impossível. Mas temos em nós o Espírito Santo a ampliar nossa força de vontade e aí tudo se torna possível. Se eu quero e peço, Jesus com a força do alto, o Espírito Santo, vem nos restaurar a alegria perdida, traz a tona as boas lembranças e joga pra longe o que não presta. Somos mais felizes na medida em que nos lembramos das coisas boas do passado. Se isso nos alegra, por certo Jesus há de resgata-las para nós. O luar (carinho e amor de Deus por nós) brilhará sobre o rio de água viva que brota do coração daqueles que se entregam a Jesus.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Grupo de Oração, comunidade fraterna


A identidade carismática é marcada por três elementos essenciais: o batismo no Espírito Santo, o exercício dos carismas e a vida fraterna. Embora existam outros ambientes em que a prática desse conjunto de elementos possa acontecer, o Grupo de Oração é, sem dúvida, um lugar privilegiado para que se viva profundamente tais experiências.

Dizemos “lugar privilegiado” – não exclusivo – pelo fato de que no Grupo de Oração tais experiências emanam “de modo natural” como decorrência da abertura da comunidade reunida à experiência do Espírito. Há na comunidade ali reunida uma fé expectante no agir de Deus que se manifesta por meio do Batismo no Espírito Santo, que derramará seus dons e carismas e possibilitará a experiência de vida fraterna.

Esses três elementos confirmam e autenticam a identidade carismática. Por isso mesmo, o rosto de um Grupo de Oração – comunidade carismática – só pode ser percebido na integração desses três elementos, no mínimo.

Na Renovação Carismática Católica, dois desses elementos estão sempre em relevo: as chamadas experiências de Batismo no Espírito e a prática dos carismas. De fato, esses dois elementos são emblemáticos e não podem ser relegados a um segundo plano ou postos como adornos na vida do Movimento. Isso significaria desfigurar o rosto da RCC, tornando-a dispensável à própria Igreja Católica. Renunciar a esses elementos significaria nossa desfiguração ou deformação do rosto carismático que trazemos por vocação na Igreja.

Ora, o mesmo vale dizer para o elemento “vida fraterna”, que com os outros dois anteriores ajudam a caracterizar a identidade carismática da RCC. Tão imprescindível quanto o batismo no Espírito Santo e a prática dos carismas, a vida fraterna torna-se elemento constitutivo na legitimação de nossa identidade carismática. Ninguém é batizado no Espírito Santo para continuar vivendo no isolamento. Pelo contrário, a experiência do Espírito abre a pessoa à experiência comunitária, no amor de irmãos que, assim como ela, também se descobriram amados por Deus. A pessoa é atraída – não forçada – para uma comunidade, lugar onde poderá exercitar os carismas recebidos, crescendo em “sabedoria e graça” (Lc 2,52).

Grupo de oração, lugar de vida fraterna

O Novo Testamento revela que o grupo dos discípulos de Jesus já mantinha grande convivência mesmo antes de Pentecostes. Desde que foram chamados por Jesus, os discípulos já faziam uma experiência de vida fraterna, assistida e coordenada pelo Mestre. Enquanto aguardavam o cumprimento da promessa (At 1,4), eles permaneciam em Jerusalém, na sala do Cenáculo. Aguardavam como comunidade reunida.

Podemos tirar dessa afirmação ao menos três questões relevantes para nossa reflexão: 1) Pentecostes é uma experiência vivida “na comunidade”; 2) Embora seja na comunidade, a experiência do Espírito é pessoal; 3) Uma consequência constitutiva de Pentecostes é a vida em comunidade.

1) Pentecostes é uma experiência vivida na comunidade

Quando o Espírito Santo foi derramado no dia de Pentecostes (Cf. At 2), Lucas escreve que “eles estavam reunidos no mesmo lugar” (At 2,1). Alguns dias antes, dois deles haviam se destacado do grupo e caminhavam para fora da cidade quando o próprio Jesus lhes aparecera convidando-os a retornar à cidade e a juntar-se novamente à comunidade, até que fossem revestidos da força do alto (Cf. Lc 24,49). Ora, não foi obra do acaso o fato de o Espírito Santo ter se manifestado quando os discípulos estavam reunidos em comunidade.

A imagem da comunidade reunida aguardando o derramamento do Espírito Santo não nos parece ser a imagem mais próxima daquilo que marca nossos Grupos de Oração? A reunião de oração de um povo que aguarda com “fé expectante” a manifestação poderosa do Espírito é a forma mais autêntica de definir o significado de um Grupo de Oração. O Espírito Santo vem quando eles estão reunidos. A importância de “permanecer reunidos” em comunidade para a concretização da promessa do Consolador (Jo 14, 16) é essencial para o evento Pentecostes.

2) A experiência do Espírito é pessoal

Não obstante ao fato de Pentecostes ser uma experiência comunitária, o texto dos Atos dos Apóstolos sublinha o fato de que as “línguas de fogo pousaram sobre cada um deles” (At 2,3).

Chamamos de “experiência pessoal do Espírito” a realidade que cada um experimenta individualmente quando Deus derrama seu Espírito na comunidade reunida. O Espírito é dado a todos, mas cada um o recebe na medida da abertura de seu próprio coração. Não se trata de uma experiência “de massa”, por indução ou por “contágio”. O Espírito de Deus visita a comunidade e enche a todo que se deixa por Ele ser tocado. O “sim” ao Espírito é fruto da liberdade de cada fiel que se abre à experiência de amor.

Tal experiência individual, no entanto, não mantém o fiel no isolamento ou na indiferença ao irmão. Ao contrário, tanto mais a experiência do Espírito atinge a particularidade de cada pessoa, quanto essa pessoa vai abrindo-se à vida fraterna em comunidade. À medida que se descobre o agir do Espírito na vida interior, aumenta na mesma proporção o grau de aproximação da pessoa com a comunidade. Essa é uma forma de verificação da realidade de Pentecostes na vida do fiel.

É fundamental, portanto, ao Grupo de Oração, que cada um viva sua experiência pessoal do Espírito de forma contínua, pois isso resultará em grande graça para cada participante e para toda a comunidade. Na medida em que “a graça de Deus cresce em nós sem cessar”, vamos tornando-nos expressão dessa mesma graça para nossa comunidade, favorecendo assim nossa vida fraterna.

As divisões dentro de um Grupo de Oração não são frutos de meros impulsos humanos, mas no fundo, da ausência da graça de Deus em nós. O afastamento da vida na graça de Deus poderia tornar-nos insuportáveis uns aos outros. Sem a presença do “amor de Deus derramado em nossos corações” (Rm 5,5) como poderíamos ser chamados de irmãos?

Por isso, faz-se necessário pedir sempre um novo Pentecostes para cada pessoa presente no Grupo de Oração, individualmente.

3) Uma consequência constitutiva de Pentecostes é a vida em comunidade

Chegamos aqui ao ponto central de nosso tema. Pensar o Grupo de Oração como uma comunidade fraterna é tocar na consequência objetiva mais impactante de Pentecostes. Mais desconcertante do que a manifestação miraculosa dos carismas de profecia, cura e pregação na comunidade primitiva, o testemunho de uma comunidade fraterna (frater = irmãos) deixava os concidadãos dos discípulos intrigados. “Vejam como eles se amam”, diziam a respeito daqueles seguidores de Jesus que há pouco recebera o Espírito Santo. Era o cumprimento do mandamento do Senhor: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35).

Traduzimos por “comunhão fraterna” o termo grego koinonia. Trata-se da união espiritual dos que se deixaram batizar na mesma fé e que assumiram um projeto de vida comum.

Se antes da vinda do Espírito era possível a comunidade permanecer reunida, agora com o derramamento abundante da graça do Espírito será possível atingir o aperfeiçoamento da vida comunitária. O sonho de viver como irmãos tornar-se-á possível exatamente por auxílio da graça derramada. As disputas ou divisões podem ser superadas, pois “o amor foi derramado nos corações” (Rm 5,5). A partilha não será uma utopia para quem se deixou tocar e conduzir pelo Espírito. “Eles tinham tudo em comum” (At 4,32).

Quando a experiência do Espírito toca-nos profundamente o mais íntimo do coração, somos convencidos de que a comunidade de irmãos (embora ainda repletas de limitações e fragilidades humanas) é um verdadeiro refúgio e fortaleza na luta contra tudo o que há de mal no mundo.

Nesse sentido, o Grupo de Oração é um lugar privilegiado para a experiência fraterna! E para que essa realidade se concretize na vida cotidiana do GO é preciso que cada participante saiba de sua importância, como colaborador do Espírito no aperfeiçoamento da vida fraterna da comunidade.

A atitude de acolher não deve ser delegada a um grupo de pessoas, apenas. Embora exista normalmente um ministério ou equipe de acolhida em nossos Grupos de Oração, a função de acolher ao próximo é papel de todos. Coordenadores, servos e participantes devem se deixar conquistar pela graça do acolhimento, dom próprio do Espírito derramado na vida da comunidade.

A fraternidade não deve existir somente em função de uma necessidade ou situação inusitada. Ela deve ser constitutiva na vida do Grupo de Oração. Acolher com alegria e cuidar uns dos outros é um dos sinais evidentes de Pentecostes.

Um testemunho

Participo de Grupo de Oração há quase 25 anos. Durante esse tempo vivi e continuo vivendo muitas experiências que acabam por deixar marcas profundas em minha história pessoal. Quantas curas miraculosas, vi acontecer pela manifestação de legítimos carismas no meio da comunidade. Quantas pessoas eu vi mudarem de vida depois de terem vivido a experiência de batismo no Espírito Santo. Em minha vida mesmo, quantas mudanças percebi como decorrentes dessa ação do Espírito! Louvo a Deus por tudo o que Ele fez em mim!

Preciso afirmar, entretanto, que as experiências que mais marcaram minha vida e da minha família foram as experiências de vida fraterna no seio do Grupo de Oração.

No ano de 1996, passamos por uma grande dificuldade que atingiu nossa vida financeira. Morávamos de aluguel e recebemos comunicado de despejo, pois estávamos entrando no terceiro mês de atraso no pagamento. Não tínhamos condições de pagar aquele valor e não sabíamos como resolver aquela situação. Eu e minha esposa buscávamos encontrar saídas para aquele episódio de constrangimento e preocupação para com nossos filhos. Rezávamos e íamos com nossos filhos ao Grupo de Oração. Eu e minha esposa fazíamos parte do Ministério de Música e éramos responsáveis pela animação de louvor na reunião de oração. Nossos problemas nunca nos impediram de assumirmos nosso ministério com alegria.

Enquanto apresentávamos por meio da oração esta situação difícil diante de Deus, alguns irmãos do Grupo de Oração ficaram sabendo de nossa situação e naquele momento pude ver a consequência do batismo no Espírito Santo acontecer de forma bastante concreta no testemunho comunitário do meu Grupo de Oração. Fizeram uma coleta entre eles, sem que eu soubesse, e me ajudaram a quitar meus aluguéis atrasados e contas de água e luz. Cuidaram de minha família, como pastores que cuidam de suas ovelhas. Supriram nossas necessidades de alimentos durante cerca de seis meses, até que eu tivesse melhorado minhas condições. Até o material escolar de minhas crianças era providenciado por Deus pela ação fraterna dos membros do Grupo de Oração. Não se tratava de um mero assistencialismo. Percebíamos o amor com que realizavam aquelas ações em nosso favor. Tudo estava acompanhado de profundos momentos de oração em minha casa. A atenção que recebemos naquele momento de fragilidade que minha família passava marcou-nos profundamente.

Entendi através daqueles momentos que o testemunho de partilha e comunhão fraterna das primeiras comunidades cristãs não era uma utopia. Eu vi em minha própria vida esta consequência de Pentecostes. Aquela atitude de acolhida testemunhou e consolidou na comunidade o batismo no Espírito Santo. Eram sinais da Cultura de Pentecostes!

Quantas pessoas podem estar participando de nossos Grupos de Oração e que estão precisando ser acolhidas e cuidadas com mais atenção? Seria justo celebrar durante uma hora e meia ao lado de uma pessoa que se senta ao nosso lado na Igreja, cantando cantos alegres e ouvindo a Palavra de Deus, sem sequer saber o nome e o lugar de onde aquela pessoa vem? E se ela não voltar, quem perceberá sua ausência? Quantos dentre os próprios servos vivem verdadeiras lutas sem poder contar com a ajuda dos irmãos de comunidade...

Devemos continuar com os olhos voltados para o céu, esperando as respostas de Deus, mas precisamos manter também os braços abertos e estendidos para acolher cada um daqueles que foram atraídos ao nosso Grupo de Oração. A experiência de amor vivida em comunidade deixará marcas profundas na vida de todos, sobretudo na vida daqueles que receberem esse amor fraterno.

Peçamos continuamente o batismo no Espírito Santo em nossas reuniões de oração para que a comunidade, repleta dos dons e carismas do Espírito, seja capaz de traduzir tudo isso num autêntico testemunho de vida fraterna.
Rogério Soares - Coordenador Estadual da RCC São Paulo
Grupo de Oração Kénosis



domingo, 29 de julho de 2012

RELIGIÕES E INQUISIÇÕES

Numa época em que o ateísmo militante matou quase duas centenas de milhões de pessoas e criou os mais temíveis mecanismos de repressão já conhecidos , as advertências de certos vigilantes da democracia contra o perigo das inquisições religiosas soam tão comicamente desproporcionais, que não se pode deixar de ver nelas um simples mecanismo de fuga. Por meio desse artifício, o inimigo das religiões tenta salvar de um confronto com a realidade o mais querido mito moderno: o mito de que a cultura científico-materialista pode criar um mundo de liberdade e democracia.

Se as religiões, uma vez perdido o seu impulso originário, podem cristalizar-se em burocracias tirânicas e até homicidas, isso prova que a violência repressiva não está na raiz e essência do fenômeno religioso, mas sim na sua lenta e progressiva contaminação por elementos estranhos – políticos, sociais, culturais e econômicos. A repressão religiosa só aparece quando decorridos muitos séculos da revelação inicial, e vem junto com a proliferação das controvérsias teológicas que assinalam a dissolução da unidade espiritual do povo crente.

Nos seus primeiros tempos, as religiões em geral mostram um notável espírito de mansuetude e tolerância. Os judeus do Antigo Testamento só partiram para as guerras depois de suportar docemente toda sorte de ofensas. Os cristãos só começaram a reagir pela força depois de três séculos de sofrimento resignado. Maomé ao entrar triunfante em Medina deu anistia geral aos adversários que haviam tramado sua morte. As manifestações de fanatismo e intolerância foram tardias nos três casos e entremeadas de retornos a bondade originária.

As ideologias modernas, ao contrário, nasceram bebendo sangue, com uma sede ilimitada que nem se inibe na derrota, nem se aplaca na vitória. São homicidas desde o berço. Não há uma só delas – nem o democratismo iluminista, nem o socialismo, nem o nacionalismo, nem o anarquismo – que não tenha surgido como proposta explicita de transformação violenta, que não tenha dado seus primeiros passos sobre os cadáveres de seus adversários e que uma vez no poder, não tenha progredido praticamente sem limites, no uso de meios cruéis para derrubar os obstáculos que se apresentem no caminho de uma paz sempre adiada, de um paraíso de ordem e justiça que vai se esfumando no horizonte, de século em século.

Mais ainda: desde o inicio, essa violência, de escala milhares de vezes maior do que tudo quanto se possa imputar a qualquer religião conhecida e a todas elas somadas, se volta no essencial, contra povos e comunidades crentes. Contra os católicos na França, no México e na Espanha. Contra os ortodoxos na Rússia e paises satélites. Contra os judeus na Alemanha e paises sob ocupação alemã. Contra os budistas na China e no Tibete. Total de vitimas: o equivalente a população do Brasil. E tudo isto em nome de doutrinas puramente agnósticas ou atéias: o laicismo, a interpretação materialista da história, a competição darwinista das raças. A história da modernidade não é só a narrativa de um processo de ‘laicização’crescente – tantas vezes assim denominado para dar a impressão de que tudo não passou de um inofensivo debate acadêmico no qual o lado mais inteligente levou a melhor. A história da modernidade não é isso: é a história da matança sistemática e ininterrupta dos crentes pelos descrentes. Foi matando os homens de Deus e não argumentando com eles, que a modernidade atéia pôde triunfar e hoje impor ao mundo a mentira sórdida de que as religiões são um perigo para a democracia e a paz.

Tão fundo essa mentira penetrou na mente contemporânea, que mesmo homens que se imaginam mais avessos às ideologias totalitárias, quando vão denunciá-las em público, não falam delas senão no vocabulário que elas mesmas forjaram para caluniar as religiões. Quando com pose de esclarecido e tolerante, o democrata moderno expressa sua repulsa pelas tiranias do século XX referindo-se a elas com expressões como “inquisição”, “intolerância rabínica” ou “fundamentalismo”, o que ele faz é , em última análise, misturar numa pasta de sombras a imagem das vitimas e a dos assassinos, insinuando que estes só são verdadeiramente assassinos porque em algo se parecem com aquelas. Nessa linha, o ateu não mata porque é ateu, porque é inimigo professo de Deus, porque tem ódio aos crentes: mata porque se deixou contaminar de “espirito inquisitorial”, de “fé irracional”, de “fanatismo puritano”. Mata porque ainda carrega em si algum residuo das antigas religiões. Mata porque ainda não alcançou a perfeição do puro materialismo cientifico. Quando o último rabino for enforcado nas tripas do último bispo e enterrado sob os ossos do último aiatolá, a violência terá desaparecido do mundo.

É assim que, no ato mesmo de confessar seus crimes, a astúcia materialista acaba por imputá-los às suas vitimas.

Na verdade, só quem não faz a menor idéia do que seja uma religião – ou quem fazendo uma idéia bem clara, tenha motivos para obscurece-la – pode supor que haja uma conexão intrinseca entre religião e fanatismo totalitário de um lado,e entre materialismo e tolerância democrática de outro.

A aposta fanática que o militante faz numa ideologia cientifica é, pela própria natureza das coisas , infinitamente maior que aquela que qualquer religião poderia admitir numa alma de crente. Nenhum profeta, santo ou mistico jamais esteve tão persuadido de conhecer as intensões divinas quanto os ilumunistas , marxistas e racistas imaginavam ter penetrado as leis secretas da natureza e da história. (Uns sabiam muito e se julgavam pouco sábios; outros pouco sabiam e achavam que sabiam tudo). Em religião, as revelações vêm sempre numa linguagem demasiado compacta, demasiado densa de subintenções simbólicas, para que seu conteúdo doutrinal possa saltar aos olhos a primeira vista. O esclarecimento, a explicação doutrinal leva séculos – e a margem de incerteza nas interpretações tem de permanecer ampla pelo menos até que se perfilem, ao fim de um longo trabalho, os pontos de controvérsia irredutíveis, que então sim, podem se cristalizar em antagonismos políticos e inaugurar a era das inquisições. Com as ideologias cientifico-politicas não há essa delonga: mal acabam de ser formuladas, já podem conquistar a adesão consensual de massas de intelectuais e militantes, fortalecidas, ademais pela convicção de que não agem por fé irracional, mas por uma fatalidade natural ou histórica legitimada pela ciência. Por isto as religiões quando velhas podem até se tornar assassinas. Mas as ideologias materialistas já nascem matando e nunca param de matar.
Olavo de Carvalho, filósofo

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A VIDA E A QUIMICA


A

 Vida e a Química, tema paradoxalmente fácil e dificil. Todos sabemos o que é a vida, porém somos incapazes de defini-la com precisão. No dicionário encontramos: “Vida - conjunto de propriedades e qualidades graças as quais animais e plantas se mantêm em continua atividade.” Do que se conclui que somente os animais e plantas têm vida. Mas, qual a relação entre a vida e a química? Todas as imagináveis, porque os animais (organismos predominantemente nitrogenados) e os vegetais (organismos predominantemente oxigenados) constituem-se os mais eficientes laboratórios de química, jamais idealizados pelas mais evoluídas sociedades cientifícas de todos os tempos. A vida tem sua origem no simbolismo religioso, no Livro das Origens, no Gênesis: “O homem foi criado da terra, mas animado de um sopro de vida”. Com esta evocação surge concomitantemente a química, uma vez que os componentes químicos inorgânicos da terra, sob a ação catalítica do sopro Divino, reagem e transformam-se na estrutura orgânica do ser humano. Hoje, milênios depois, a presença da química no surgir da vida é mais e mais importante. No germinar de um vegetal, ou seja, no nascer de uma nova vida, a semente passa por um processo no qual ela “seca”. Uma primeira fase de transformações que exige cuidados de acondicionamento, luz e temperatura.  Em seguida ela é plantada, de preferência pela manhã quando a temperatura é mais amena, em solo acrescido de adubo (alimentos) e água. Isto é, são oferecidas à semente as condições físicas necessárias para o seu desenvolvimento. Nos humanos e em muitos outros animais temos o surgir da vida quando o óvulo é fertilizado pelo espermatozóide. Para que isso aconteça há a necessidade de uma identificação química realizada por códigos genéticos que nada mais são que proteínas, substâncias químicas. Qualquer transtorno nesta interação química impede a fertilização ou origina seres deficientes. Na evolução da vida a puberdade é o período em que o laboratório humano adquire a capacidade de produzir novas substâncias, entre as quais os hormônios necessários para a perpetualização da espécie. De modo semelhante os vegetais também modificam seus quimismos quando tornam-se capazes de florir e frutificar. No interregno da vida a saúde depende do laboratório orgânico. Se não produz a insulina necessária ao metabolismo do açúcar, advem o diabetes. Se não produz a coenzima necessária para a eliminação do ácido úrico produzido no metabolismo das proteínas, advem a artrite. O final da vida, a morte, nada mais é do que o cessar das reações químicas responsáveis pela vida e o iniciar de outras reações que conduzem a decomposição e reutilização da matéria orgânica na vida de outros seres.             

            Os vegetais têm a capacidade de sintetizar os seus alimentos, diferentemente dos animais que consomem alimentos sintetizados por outros organismos,como frutos, folhas, flores, raízes, enfim todos os órgãos vegetais e outros animais. O equilíbrio ecológico ou o desenvolvimento auto sustentado é norteado pela racionalidade das batalhas pela sobrevivência nas lutas pelos alimentos. O consumo dos alimentos pelos animais pode ser in natura ou após tratamento químico. O amido, um polisacarídeo presente em muitos de nossos alimentos (milho, batata, arroz, trigo, mandioca, etc.) para ser consumido é necessário ser decomposto em carboidratos de menor peso molecular, o que se consegue através do cozimento (reação de hidrólise). De modo semelhante, a carne animal para ser consumida também é submetida a tratamentos químicos que transformam suas proteínas em moléculas menores, de modo a favorecer o metabolismo dos aminoácidos. Quando se ingere um alimento inadequado ou inadequadamente (em quantidade excessiva) tem-se problemas estomacais, hepáticos ou intestinais, porque o laboratório orgânico é exigido além de sua capacidade. O laboratório animal está equipado para identificar um alimento inadequado através mensagens químicas que são detectadas pelos nossos sentidos. Sabemos que um fruto está verde quando ainda não está em condições de ser consumido. Na maturação ocorrem reações químicas em que substâncias de dificil digestão (taninos, alcalóides, etc.) são transformadas em outras de mais fácil digestão (açucares, vitaminas, etc.). Ocorre também a formação de óleos essenciais que dão o odor característico do fruto. Mesmo de olhos vendados somos capazes de distinguir pelo odor, uma maçã de uma laranja. Nossas glândulas salivares são ativadas pelo odor dos alimentos, como o odor exalado no preparo de um churrasco, por exemplo. Da mesma forma sentimos repúdio pelo odor fétido de um alimento deteriorado. Ao adentrarmos em nossas casas as vezes detectamos odores que nos indicam vazamento de gás, preparo de determinada comida, queima de um aparelho elétrico , etc. Em alguns animais,como os cães, a linguagem química dos odores é muito mais sensível. Os odores dos ferormônios são particularmente importantes na perpetuação das espécies animais por se constituírem um indicador do momento em que a fêmea está no período de fertilidade. Os humanos ao longo dos anos vêm procurando eliminar ou substituir seus ferormônios naturais com o uso dos mais variados perfumes. É importante, porém, não confundir o odor produzido por bactérias que se alojam nas axilas e que não é eliminado por falta de higiene, ou o odor do liquido de defesa de um gambá (Didelphis) com ferormônios.

            Em conclusão o nascer, o viver, o morrer, os menores movimentos dos seres vivos estão intrinsecamente ligados a processos químicos naturais que determinam, em cada organismo, todas as características e todos movimentos por menor que sejam.

            A vida, entretanto, está intimamente ligada e dependente de processamentos químicos desenvolvidos pelo homem. Sem os adubos, os inseticidas, etc., produzidos pela indústria química, seria muito mais dificil a luta contra as pragas e contra a fome. Quando olhamos as coisas que nos rodeiam o que vemos? Um sapato confeccionado de couro animal ou elastômero; roupas confeccionadas de polímeros; produtos de higiene; materiais de construção (cimento, vidro, metais, tintas, plásticos). Todos produzidos pela indústria química. Hoje é muito dificil imaginarmos a vida sem a indústria química. Voltando ao Gênesis, sentimos aumentar nossa incerteza em definir se Deus ao criar a vida criou a química ou se ao criar a química criou a vida.  
(Sinopse de palestra proferida na ULBRA-AM - Centro Universitário Luterano de Manaus por Arnaldo F.I. da Rocha, conselheiro do CFQ)








sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um olhar sobre a cidade


Apesar de nossas mazelas grandes eventos acontecerão na bela Rio de Janeiro: copa das confederações, copa do mundo, jogos olímpicos; grandes eventos esportivos. No entanto, outro grande evento é pouco divulgado: a JMJ Rio 2013; jornada mundial da juventude com o Papa Bento XVI. Com exceção da mídia católica, a mídia secular pouco a divulga e explora. Sem demérito dos demais e dando-lhes a importância devida, a JMJ é também um grandioso evento e nos traz a expectativa de um marco na história do Rio de Janeiro.

Deus é bom. Rico em misericórdia, amor, previdência e providência. A eleição do Rio de Janeiro para receber esse encontro da juventude mundial com o papa, justamente em 2013 foi ocasional? Foi providência divina! A cidade está sendo preparada para sediar grandes eventos internacionais. Revitalização da zona portuária, reparo nas vias, aperfeiçoamento do transporte público – BRTs, ampliação do metrô. Tudo isso, mesmo que para outros objetivos, irá favorecer grandemente a realização das diversas atividades da JMJ 2013.

Diz o ditado popular que Deus escreve certo por linhas tortas. Porém Deus não escreveu sobre linhas tortas, escreveu sobre linhas retas. Eventos esportivos são bem-vindos, pois o esporte une e congrega os povos. E para coroar tudo isso, um evento religioso internacional. Cristo Redentor do alto do Corcovado lança seu olhar amoroso sobre a cidade e de braços abertos recebe os jogos da copa, as olimpíadas e sobretudo a jornada mundial da juventude católica. Deus seja louvado!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A diminuição do número de católicos



O IBGE publicou que o número de católicos no Brasil, segundo o censo de 2010, caiu para 123,3 milhões, cerca de 64,6% da população.

Na verdade esses números não nos assustam e nem nos surpreendem diante da realidade que vivemos. Na verdade, quantos católicos, de fato, participam da Missa aos domingos, se Confessam, Comungam e vivem os 10 Mandamentos? Creio que não chegam a 20%.

Vários são os fatores que causam este fenômeno.

Ignorância religiosa - é o principal deles, sem dúvida. A maioria que se diz católica, na verdade o são apenas de estatística; não conhecem os dogmas, a doutrina, a história da Igreja, etc. Não é sem razão que o Papa anunciou o "Ano da Fé" com o objetivo principal de enfrentar esse analfabetismo crônico. São Paulo disse que "a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade" (1Tm3,15). Mas muitos católicos não sabem que esta Igreja, a que São Paulo se referia, era aquela que Cristo fundou sobre Pedro e os Apóstolos, e que as demais não foram instituídas por Jesus, mas por outros homens. Os que abandonam a fé católica nunca a conheceram de verdade.

Mas, por que muitos católicos são analfabetos da fé que professam? Várias são essas causas. A principal, me parece, a falta de uma boa catequese às crianças e aos jovens. E isto acontece, há muitos anos, porque, logicamente, faltaram e faltam bons catequistas. Os primeiros deveriam ser os pais, mas, infelizmente muitos deles também não receberam formação religiosa. Já não se reza mais em família, e os pais já não ensinam a doutrina básica para os filhos. Ligado a isso está a destruição da família católica, especialmente pela mídia imoral, devastadora dos bons costumes e da moral católica, incentivando um relativismo moral degradante e um permissivismo doentio.

A mídia de modo geral estimula uma vida de conforto, relaxada, regalada, usufruindo de todos os prazeres sem limites e sem regras. É claro que num contexto desse não vale a pena ser católico; não vale a pena adotar uma religião que exige uma moral rígida, autocontrole, vida de oração, jejum e sacrifícios.

Infelizmente ficamos sem uma boa catequese há muito tempo. A difícil situação social da América Latina gerou entre nós nos últimos 50 anos uma falsa "catequese renovada", trazendo no seu bojo mais sociologia e política do que teologia, esvaziando e politizando a fé. O povo católico ficou à mingua de uma catequese verdadeira, baseada no Credo, nos Sacramentos, nos Mandamentos e na Oração, como pede o Catecismo. O povo ficou à mingua de uma sadia espiritualidade e foi busca-la nas seitas. Uma certa "teologia marxista da libertação", que confunde a libertação espiritual com a libertação política, e o estabelecimento do "Reino de Deus" na terra com a implantação uma sociedade socialista e igualitária, influenciou tremendamente quase todos os Seminários do pais; prejudicando essencialmente a sua formação de muitos sacerdotes.

As homilias e catequeses deixaram de falar do pecado, do sexo fora do casamento, do céu, do inferno, do purgatório, da vida eterna, dos sacramentos, dos mandamentos, da oração..., e tudo se voltou para o social. Por isso o frei Cantalamessa, pregador do Papa chegou a dizer que a Igreja na América fez uma opção pelos pobres, mas estes fizeram uma opção pelas igrejas evangélicas. Por que nelas se fala de Deus e de tudo que foi excluído da catequese católica.

Esqueceu-se que a Igreja não foi instituída por Jesus para resolver os problemas políticos, econômicos e sociais, mas para "salvar as almas" da morte eterna. Esqueceu-se que Jesus não é o "revolucionário de Nazaré", mas o "Redentor dos homens", que tira o pecado do mundo, como disse João Paulo II em Puebla. "A quem iremos, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,68).

Em 1996, falando aos bispos do Brasil (Regionais Nordeste I e IV), sobre a "ameaça das seitas, o beato João Paulo II, falou desse grave "esvaziamento espiritual". Disse aos bispos, entre outras coisas:

"A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado?"

"Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. Ele quer ver o homem de Deus nos ministros de sua Igreja, uma presença que lhes inspire amor, respeito, confiança. O povo tem direito e isso pode exigi-lo de seus pastores. O que os homens querem, o que esperam é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus".

"O ministério da Palavra, que está intimamente ligado à Liturgia Eucarística (cf. SC, 56), contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que há tanta gente que não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus que do pão material, pois entende que "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4, 4)".

"Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho".

Outro fator que destrói a fé católica hoje se encontra nas universidades. A maioria delas, com raras exceções, possuem professores que desconhecem a real História da Igreja e despejam sobre os alunos calúnias e mentiras sobre ela, gerando neles ódio e aversão à Igreja. Depois, esses jovens, futuros jornalistas, escritores, artistas, profissionais liberais, passam a ser maus formadores de opinião; se incumbem de destruir nos corações dos jovens leitores, telespectadores e internautas a fé católica e o amor a Igreja. Ela é mostrada a eles como a "megera da história", a sanguinária, a culpada de todos os males, quando, na verdade, ela salvou e construiu a Civilização Ocidental a partir da queda do Império Romano do Ocidente.

Outro fator preponderante nesta debandada de católicos para outras comunidades não católicas, é sem dúvida o contra testemunho de muitos católicos: leigos, sacerdotes e até alguns bispos. Nada pior para a fé católica do que isso, especialmente quando parte de um religioso. Penso que nem preciso explicar as razões disso.

Mais um fator devastador para a fé católica são aqueles que dividem a Igreja Católica, não aceitando a orientação do Magistério da Igreja, se opondo ao Papa e às normas da Santa Sé. Infelizmente há muitos dentro da Igreja que se acham mais iluminados e preparados do que o Papa e ousam enfrentá-lo acintosamente. O nosso Papa disse que os piores inimigos da Igreja estão dentro dela.

Diante disso tudo a Igreja não desanima e não se desespera; ela sabe que Jesus ressuscitado caminha com ela para salvar a humanidade. O Papa João Paulo II propôs uma NOVA EVANGELIZAÇÃO, que Bento XVI a impulsiona vivamente. Pedia o Papa beato uma evangelização "com novo ardor", "novos métodos" e "nova expressão", e graças a Deus isso tem acontecido. Os Seminários estão se enchendo. O número de padres está crescendo sensivelmente; padres novos, ardorosos, renovados. São jovens que buscam o sacerdócio com convicção e não por conveniência ou dúvidas outras. A Igreja renasce com os "Novos Movimentos" e as "Novas Comunidades", como disse João Paulo II, "a resposta do Espírito Santo para o novo milênio".

Há que se priorizar nesse trabalho de resgate dos católicos o "ministério da acolhida", os sinais exteriores da fé católica, as homilias bem feitas, etc., como João Paulo II pediu aos bispos em 1996.

Nosso Papa atual tem pedido uma Igreja de qualidade mais que de quantidade; porque a Igreja é como a pequena colher de fermento que leveda toda a massa; frágil e potente como um grão de mostarda.
Professor Felipe Aquino



sábado, 14 de julho de 2012

A Solidão do Pastor


Muitas vezes, narra o evangelho, Jesus se retirava e geralmente no alto de um monte ficava a sós num colóquio amoroso e reservado com o Pai. Imitando Jesus, assim também fazemos nós cristãos; procuramos nos isolar para na oração pessoal, ficarmos a sós com Deus. Certamente D. Eugenio Sales fazia o mesmo; apartava-se dos assessores e acompanhantes em seus momentos de oração diária na liturgia das horas, na reza do terço, na oração pessoal. Aparente solidão do pastor, pois estava na melhor companhia possível e agora, literalmente, está na melhor companhia possível.

Isto não é mera especulação nem desejo ardente do coração. É fato. Os sinais comprovam isso. Aquele pombo branco sobre o caixão não foi obra do acaso, foi inequívoco sinal de Deus. Não há como não fazer ilação com a passagem bíblica do batismo de Jesus, quando o Espírito Santo, como um pombo, pousou sobre Seus ombros e do céu ouviu-se uma voz: “Eis meu filho muito amado em quem ponho minha afeição”.


D. Eugenio não morreu simplesmente. Foi mergulhado, como num batismo, na glória eterna. O pombo sobre o caixão não ficou por um breve momento, permaneceu horas, ho-ras! Aquele pombo era como se o próprio Espírito Santo estivesse presente em forma corpórea, como um guardião, e comprovasse a santidade daquele homem. E também Jesus, como que falando a nosso coração: “Eis meu servo amado em quem ponho minha afeição. Reverenciai-o”.


Cremos na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna e temos convicção que D. Eugenio goza dessa vida eterna. D. Eugenio, intrépido pastor, na solidão do seu quarto adormeceu para o mundo e despertou nos braços do Pai.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Corpo Místico de Cristo

A verdade da fé católica a respeito do Corpo Místico de Cristo é pouco ensinada aos fiéis e, por isso, pouco conhecida. O prezado leitor, por certo, nunca ouviu uma bela pregação sobre essa verdade, numa missa dominical ou em outra celebração católica. Este artigo pretende levar ao conhecimento dos leitores essa verdade.

O Corpo Místico é a Igreja viva, formada por todos os batizados; quer os que ainda vivem caminhos da vida terrena, a quem chamamos “Igreja Militante” (ou Peregrina), quer os que se encontram no purgatório, a quem denominamos “Igreja Padecente” (ou Penitente), quer os que já se encontram na glória dos céus, que formam a “Igreja Triunfante” (ou Gloriosa).

Essa Igreja viva é o Corpo Místico, cuja cabeça é Jesus Cristo. Numa comparação com o corpo humano, dizemos: Jesus Cristo é a cabeça e nós, Igreja Viva, somos o seu corpo, formado por muitos membros.

 

Corpo Místico

A palavra corpo é usada comumente para designar o nosso corpo humano, material, mas também em outros sentidos que, aliás, nos auxiliam a compreender o corpo místico, formado de cabeça e membros. Dizemos: Corpo de Bombeiros, para designar um grupo de militares que prestam serviços específicos à comunidade. Nesse grupo há um chefe – um cabeça – que comanda e há também os que trabalham sob suas ordens – o corpo. Falamos também em corpo médico do hospital, que é o conjunto de médicos que trabalham num hospital. É nesse sentido mais existencial que compreendemos o Corpo Místico. Jesus ressuscitado é o cabeça de todos batizados; formamos o seu grupo, seu corpo vivo, seus comandados, seus seguidores, seus discípulos.

A palavra místico revela que essa verdade do Corpo de Cristo é um mistério de ordem espiritual, sobrenatural. Só a compreendemos à luz da fé e da revelação divina.

São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo e fazendo uma comparação com o corpo humano escreveu: “Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim, o corpo não se consiste em um só membro, mas em muitos” (Cor 12,12-14).


A Cabeça

A cabeça desse corpo é Jesus Cristo ressuscitado e glorioso. Foi Ele que chamou os seus primeiros seguidores, formando um corpo discípulos, um corpo de apóstolos. Depois, em Pentecostes, a sua Igreja que reúne todos os batizados.

É pelo santo batismo que um ser humano começa a fazer parte do corpo místico, que é a Igreja Viva. Pelo batismo fomos enxertados, transplantados no Corpo Místico. A partir desse “transplante” começamos a receber a vida sobrenatural, que nos foi conquistada pelo cabeça e que nos foi dada por meio do Espírito Santo. Jesus, o Cabeça, continua a dirigir o seu Corpo Místico, a Igreja, quer agindo pessoalmente em favor de um membro, de um grupo ou de todo o corpo; quer por meio doEspirito Santo; quer por meio de sua Palavra e dos seus Sacramentos; quer por meio da hierarquia da Igreja, ou de outras mediações humanas ou materiais.

Ao voltar para os céus, Jesus nomeou S.Pedro e seus sucessores, os papas, para serem sua presença visível. O Papa é o “vicarius Christi”, o vigário de Cristo, o substituto imediato, aquele que age em nome e no lugar de Jesus Cristo.


Os Membros

Os membros do Corpo Místico são todos os batizados que se encontram no Céu, no purgatório ou na terra. Os membros do Corpo Místico que estão no paraíso celeste e no purgatório já possuem a glória eterna garantida. Os membros que estão a caminho, na face da terra, podemos classificá-los em três grupos: os sadios, os enfermos e os mortos espiritualmente,

1. Sadios são aqueles que vivem em estados de graça santificante, fortemente ligados a Deus por essa graça, e portanto conseguindo viver habitualmente sem cometer pecados mortais, graves. Esses procuram aperfeiçoar-se progressivamente, buscando a santidade cristã.

2. Enfermos são aqueles que batizados que em sua vida cristã cambaleiam entre o estados de graça e o estados de pecados graves, vivem tempos de graça e amizade com Deus, conseguindo evitar os pecados graves, em outros momentos, vivem a fraqueza, entregues a pecados mortais. Esses precisam de uma conversão mais profunda, erradicando os pecados mortais com suas raízes, causas e ocasiões.

3. Os membros mortos são os que vivem em estado permanente de pecados mortais, muitos desses foram batizados, fizeram a primeira comunhão e foram crismados, mais por tradição do que por convicção religiosa. Nunca, porém assumiram uma vida cristã com suas verdades de fé, com sua moral, com suas práticas doutrinais. Outros viveram anos de vida cristã, mas por alguma razão abandonaram-na e passaram a viver contrariamente à fé, à moral e às prática religiosas. Infelizmente muitos desses membros mortos espiritualmente passaram a praticar religiões não cristãs.

Esses membros mortos continuam ligados ao Corpo Místico, mas não têm vida sobrenatural. A vida que receberam no batismo morreu, atingida por pecados mortais. São como um galho seco, ligados ainda a árvore.


A Inter Comunicação

Como no corpo humano há uma “seiva de vida” – o sangue – que circula por todos os membros, mantendo-os vivos, assim também no Corpo Místico circula a “seiva da vida divina”, recebida no batismo, para mantê-lo vivo e sadio. Assim como no corpo humano podem surgir doenças que afetam algum membro, tornando-o doente, podendo até causar a morte, assim também no Corpo Místico podem surgir doenças espirituais – os pecados – que tornam esse batizado enfermo espiritualmente, podendo causar a morte de sua vida sobrenatural.

No Corpo Místico, membros que estão no Céu favorecem os que estão no purgatório e os que estão na terra, intercedendo por eles junto a Deus de quem procede todas as graças. Os que estão na terra favorecem-se vivendo uma vida cristã, bebendo das graças divinas pela fé, pelos sacramentos, pela vida de oração, pela Palavra de Deus e outra tantas fontes de espirituais. Ao mesmo tempo favorecem os que se encontram no purgatório, pelas diversas formas de sufrágio, principalmente pela oferta do Santo Sacrifício da Missa por eles.

É da Cabeça, Jesus Cristo morto e ressuscitado que jorra toda a vitalidade do Corpo Místico. Todas as graças divinas para a humanidade foram adquiridas por Jesus Cristo, por sua Paixão, Morte e Ressurreição.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Morre D. Eugenio



Faleceu nesta segunda-feira, por volta das 23h30m, aos 91 anos, o Cardeal Emérito do Rio de Janeiro Dom Eugenio de Araújo Salles. Ele estava em sua residência, no Sumaré e faleceu de morte natural. O velório será a partir desta terça-feira, com Missas de duas em duas horas na Catedral de São Sebastião, que foi concluída e inaugurada por ele em 1979. O sepultamento será na própria Catedral, no final da tarde de quarta-feira, 11 de julho, às 15h. 
(Pascom-S. Brás)

domingo, 8 de julho de 2012

Humano e Divino


Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem está em nosso meio. Este é o mistério da encarnação, esta é uma verdade fundamental da fé e por ela sabemos que a natureza humana e a natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo nem se confundem nem separam. Formam uma única pessoa, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Foi no Concilio Ecumênico da Calcedônia (ano 451), que a Igreja formalizou dogmaticamente esta verdade de fé: “Um só e mesmo filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na sua divindade, perfeito na sua humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo; consubstancial ao Pai quanto a divindade, consubstancial a nós quanto a humanidade, em tudo semelhante a nós, menos no pecado (Hb 4,15); gerado do Pai antes dos séculos, segundo a divindade, e nos últimos tempos, por nós, para nossa salvação, gerado de Maria Virgem, Mãe de Deus, segundo a humanidade; que se deve reconhecer um só Cristo Senhor, Filho Unigênito, em duas naturezas, sem confusão, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, de nenhum modo suprimida a diferença das naturezas por causa de sua união, mas salvaguardada a propriedade de cada natureza e confluindo numa só pessoa e hipóstase, não separado ou dividido em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Senhor Jesus Cristo, como outrora nos ensinaram sobre Ele os profetas e depois o próprio Jesus Cristo e como nos transmitiu o Símbolo da Patrística.”

A encarnação de Jesus Cristo ocorre na plenitude dos tempos, e com ela vivemos e antecipamos aquilo que será a realidade final na ressurreição dos mortos. A encarnação do Filho de Deus permite ver realizada uma síntese duradoura e definitiva que a mente humana por si mesma não poderia imaginar: O eterno entra no tempo, o Tudo se esconde no fragmento. Deus assume o rosto do homem. Deste modo a verdade expressa na revelação do Cristo, deixou de estar circunscrita a um âmbito territorial e cultural, abrindo-se a todo homem e mulher que a queiram acolher como palavra definitivamente válida para dar sentido a existência (cf. Fides e Ratio-João Paulo II).

Só no Verbo de Deus feito carne se realizou a obra de nossa redenção e o instrumento da nossa salvação foi a humanidade de Jesus – corpo e alma – na unidade da pessoa do verbo (cf. SC nº 5). Esta humanidade é o único caminho para a salvação dos homens e o meio insubstituível para nos unir com Deus.

Sendo Deus, qualquer ato seu já seria suficiente para levar à plenitude a retribuição de amor, reconciliar-nos com o Pai e satisfazer por toda ofensa, e como homem poderia nos representar. Por isso Ele disse: “Eis que venho ó Deus, fazer a tua vontade (Sl 39,7-9); se encarnou, cumpriu toda a Lei e se deu por inteiro, se fez vitima no silencio do seu amor, se fez cordeiro e foi levado ao matadouro, manifestando ali a face do verdadeiro Deus que é misericordioso e que ama seus filhos e filhas.

(Pe. Francisco Sehnem)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O TERÇO

Dizem os santos que a oração do terço pertence a vida da igreja. É uma oração que se tornou solo fértil da vida espiritual de uma multidão de santos e tem seu valor particular na espiritualidade cristã de nosso povo. Precisamos redescobrir o valor do terço para nossa gente, como uma das maneiras ricas de rezar e viver o caminho para nossa salvação.

O que a igreja ensina sobre o terço? Vejam só: ao recitarmos o terço, rezamos várias vezes a mais bela e rica oração da igreja que o próprio Cristo nos ensinou, o Pai Nosso. Ao recitarmos as dezenas de Ave-Marias, nos servimos das próprias palavras bíblicas que nos recordam as grandes verdades de nossa salvação e nossa redenção. Entre uma dezena e outra, aclamamos o maior hino de louvor à Santíssima Trindade, a oração do Glória. Tudo isso continua muito atual e importante para nossa fé e vida espiritual. Nos mistérios gozosos meditamos o amor extremado de Deus Pai que se fez um de nós na encarnação de Seu Filho amado, Jesus, nosso Salvador e Redentor. Através dos mistérios dolorosos refletimos sobre o amor de Deus em Jesus, amando-nos ao extremo de Sua Paixão, morte e ressurreição para nos salvar. Nos mistérios gloriosos renovamos nossa esperança na ressurreição de Cristo como a esperança de nosso futuro; e através dos novos mistérios da luz, na riqueza da vida nova trazida por Cristo à Sua Igreja e ao mundo. Sem dúvida, a recitação do terço nos convida a meditar no conteúdo central da nossa salvação e redenção.

Diante do acima descrito me pergunto: como poderia alguém dizer que o terço não é uma autêntica oração, válida e atual na vida da Igreja? Pergunto aos questionadores do terço ou aos que ignoram seu valor: será errado usar a Bíblia para rezar, nos servindo da meditação dos grandes mistérios de nossa salvação e redenção?

Ademais, a oração da Ave-Maria não é uma invenção nossa e nem da Igreja. Ao rezarmos a Ave-Maria, usamos somente textos e palavras bíblicas. Afinal, ao rezarmos “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo...” (Lc 1,28), apenas repetimos o que o próprio céu disse através o Anjo Gabriel, saudando Maria, convidando-a para ser a mãe de nosso Redentor. Ao pronunciarmos as palavras “Santa Maria mãe de Deus”, nada mais fazemos do que utilizar as palavras que Isabel usou para saudar Maria, proclamando “Donde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor” (Lc 1,43). E ao rezarmos “Rogai por nós pecadores...” não é essa a nossa realidade de pecadores necessitados que todos somos?

Na Igreja acreditamos no mérito da comunhão dos santos, por isso rezamos uns pelos outros. Confiantes, pedimos que a Mãe de Jesus e nossa Mãe – dada por Jesus ao pé da cruz – interceda junto a seu Filho por nós, pela Igreja, pela humanidade. Se o céu saudou Maria, por que não podemos nós saúda-la com as mesmas palavras que o céu a aclamou? Sim, é a própria Bíblia que prediz que Maria seria bendita: “Desde agora me proclamarão bem aventurada todas as gerações” (Lc 1,48). Como então, não recorrermos e invocarmos a esta Mãe que o próprio Cristo ao pé da cruz entregou para todos nós, na pessoa de São João?

Como devotos de Maria devemos rezar a oração do terço com uma sadia espiritualidade para manter na mente, no coração e no espírito, a meditação e contemplação dos mistérios de nossa salvação. A devoção a Maria através do terço continua a fazer parte do autêntico patrimônio místico da Igreja de Cristo, que deve ser incentivado, cultivado e amado, hoje e sempre na vida do nosso povo e de nossas famílias cristãs.



(de um texto do Pe. Evaristo Debiase)