sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

At 2,29-36 – Cristo Ressuscitado


 

E

ste pequeno trecho está inserido em um texto maior, que é a pregação de Pedro após Pentecostes, onde foram convertidas milhares de pessoas.

            O v. 29 nos diz: “Permita-me dizer com toda franqueza que Davi morreu e seus restos estão no túmulo...etc”. Isto não significa que Pedro vai falar de Davi. Não, ele simplesmente diz que Davi morreu e seus restos ainda estão no sepulcro. Ele quer falar, sim daquele que ressuscitou, Jesus, que segundo a carne era descendente de Davi. Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia, ressurgiu dos mortos. Jesus está vivo. Vivo e no meio de nós, pois onde dois ou mais estiverem reunidos em seu nome, aí estará ele.

Jesus não está mais na cruz ou no sepulcro, ao contrário de muitos que se julgavam iluminados. Onde estão agora Maomé, Lutero, Calvino, Buda, Alan Kardec? Todos morreram e estão nos túmulos. Jesus também enfrentou a morte e onde está ele agora? Vivo, porque ele ressuscitou. Napoleão Bonaparte disse certa vez que para fundar uma religião seria necessário duas coisas: morrer numa cruz e ressuscitar. E disso somente Jesus foi possível.

Jesus foi para a cruz, morreu para redimir nossos pecados e ressuscitou para nos mostrar que existe algo mais esperando por nós. Com sua morte e ressurreição Jesus nos abriu as portas do céu! Nossa Igreja celebra a exaltação da Santa Cruz, não que Jesus esteja nela; a cruz é venerada como penhor de salvação. Olhamos para o crucifixo, imagem de Cristo na cruz, para lembrar que foi por nós que ele derramou seu preciosissimo sangue. Nossa adoração se dirige na verdade, ao Santíssimo Sacramento Eucarístico, onde Jesus está realmente presente pela ação do Espírito Santo. Podemos mesmo dizer que o Cristo crucificado nos ofereceu a salvação, enquanto o Cristo ressuscitado nos apresenta a promessa da vida eterna.

Atualmente vamos encontrar muitos filhos de Deus adormecidos na fé. Mais que adormecidos, mortos na fé. No fim dos tempos haverá a ressurreição dos mortos. No entanto, Jesus já ressuscita hoje os que estão mortos na fé e os mortos pelo pecado. Por isso a Palavra em Ef 5: “Desperta tu que dormes. Levanta-te entre os mortos e Cristo te iluminará.” Basta somente se entregar a ele; abrir o coração e deixar que a luz de Deus te inunde; é só se abrir à ação do Espírito Santo. É ele, o Espírito Santo, que te impulsiona. É ele, o Espírito Santo, que autentica nossa missão, que nos dá força e coragem, que nos concede os carismas. É o Espírito Santo que nos abranda o coração para que seja aberto e Jesus venha adentrar e fazer sua obra em nós, venha assumir seu senhorio em nossa vida.

Diz o v. 36: “Que toda casa de Israel saiba...etc” Ele é Senhor! Como está em Fl 2: “Toda língua confesse para glória de Deus Pai que Jesus Cristo é Senhor.” Ele é Senhor de tua vida. Somos pertença dele e como tal devemos nos submeter à sua vontade. Portanto, desperta, reanima tua fé e tenha Jesus como Senhor da tua vida. Segue aceitando o senhorio de Jesus, sendo fiel e perseverante. Fiel a Cristo, fiel a Igreja, fiel a Palavra de Deus. Sê perseverante no caminho. Caminho que aponta para o céu, cujas portas Jesus nos abriu ao vencer a morte. Amém.

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Lc 9,57-62 – Não Olhar Para Trás

 

O

 texto em evidência nos propicia uma reflexão versículo a versículo. Mas antes, um comentário: O servo de Deus que se rende aos carismas é uma pessoa especial, não que seja melhor que outros, ao contrário, pode até mesmo ser pior. É especial porque foi chamado, escolhido e adestrado por Deus. Nos debrucemos então sobre o texto.

            V.58: Isto quer nos dizer, sem descanso, sem paradeiro. Jesus não nos promete facilidades, ao contrário, seu caminho é árduo, pesado e até mesmo espinhoso. Seu caminho é difícil, mas certamente seguro.   

            V.60: Jesus nos promete vida plena e abundante. Ele é caminho, verdade e vida. Então a frase “deixem que os mortos enterrem seus mortos”, refere-se àqueles que não estão com Ele. Pois quem não caminha com Jesus, caminha com o mundo; e quem caminha com o mundo, freqüentemente caminha para o pecado e o pecado leva à morte, pois esta é a conseqüência do pecado.

            V.62: Quem olha para trás muitas vezes tem saudades do que deixou; pensa em voltar para buscar o que ficou para trás. Se vivemos uma vida nova em Jesus não podemos ser nostálgicos, com saudades do passado. O homem velho morreu e foi enterrado com o pecado. Pegar o arado e olhar atrás é entrar para o serviço do Senhor e lamentar-se pelo que deixou. É conversão aparente, pois na verdade se tem saudade da vida de pecados.

            Vejamos como complemento, os versículos 26 e 33 do capitulo 14 deste mesmo livro de Lucas. Lembra-nos o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas.  Trata de renúncia, desapego. Deixar tudo por amor a Jesus se for preciso, e deixar tudo é tudo mesmo! Deixar novela, futebol, até mesmo rejeitar empregos que contrariem a convicção cristã, a ética, a doutrina da Igreja. O cristão verdadeiro não trabalha em lojas de artigos esotéricos, de macumba, em produtoras de filmes e revistas pornográficos, etc, etc.

            No AT lemos que Elias lançou seu manto sobre Eliseu que cuidava de seu campo. Lançar o manto significava chamar para o serviço. Eliseu atendeu prontamente. Jesus está agora lançando seu manto sobre nós. E o manto que Jesus nos lança é seu próprio Espírito. Ele nos quer fazer especiais; Ele nos escolhe, convoca, instrui, nos fornece as ferramentas (os carismas) para que o sirvamos proficientemente.

            Nos chamastes, Senhor, para caminhar na vida contigo. Decidimos te seguir sempre, Senhor, não olhar, não voltar atrás. Cantemos: “Me chamaste para caminhar...”

         

  Enquanto cantávamos lembrei de uma Palavra dada a mim há muito tempo atrás: Is 28,23-29. Essa passagem me foi dada quando estava num grande e profundo deserto espiritual. Vivia um momento de aridez, no qual fazia um questionamento. Não um questionamento da fé, mas questionava se valia a pena continuar servindo ao Senhor meu Deus. Ou seja, eu estava tentado a largar o arado e olhar para trás, voltar atrás! Mas o Senhor veio em meu socorro e me deu esta Palavra, exortando-me a ouvi-lo. Essa Palavra que fala exatamente de um campo sendo semeado. Assim Deus quis que eu fizesse; que arasse, semeasse, cultivasse, colhesse, debulhasse. Assim Ele também fez em meu coração; aí então compreendi que era esse o meu caminho, que eu jamais poderia abandonar o serviço, a missão a qual Ele me chamou e confiou. Amém.  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Gal 5,1-16 – Liberdade Cristã-Preceitos

 



A

 palavra que Deus nos deu para hoje pode ser passada em duas etapas: Até o v. 12 Paulo nos fala da fidelidade a lei, aos mandamentos simplesmente. Dos vv. 13-16 Paulo nos fala da fidelidade a Jesus, à moção do Espírito Santo.

                O AT em Gen 17,9-14 relata o pacto de Deus com Abraão. Deus ordena a Abraão e aos seus, que se circuncidem, em sinal de aliança. A circuncisão tem força de lei para os judeus. Até hoje todos os judeus são circuncidados. Mas nós cristãos temos uma nova aliança, uma aliança eterna, definitiva: Jesus. Isto não significa que devamos desprezar o AT, longe disso. Até porque Jesus, como ele mesmo diz, não veio abolir, mas aperfeiçoar a lei. Devemos ser fiéis aos mandamentos da lei de Deus, mas acima de tudo devemos ser fiéis ao próprio Deus em si, abertos a ação do Espírito Santo.

                 A Palavra de Deus nos diz que quem está sob ação do Espírito Santo não está submisso a lei. Mas por aí muitas pessoas vivem mergulhadas no pecado e se julgam justas, certos no seu proceder, não é assim mesmo?  Eles dizem, não mato, não roubo, não faço mal a ninguém, logo não peco. Não é assim que eles falam? Mas matar não é só atirar em alguém com um revólver, a língua também mata; a língua pode matar e ferir, mutilar mais que a espada. A calunia, a injuria, podem acabar para sempre com a dignidade, com a honra de um homem, de uma mulher.

                E u não roubo. Está certo, eu não meto a mão no bolso de ninguém, mas não devolvo o troco a mais que eu recebo; acho uma carteira recheada e devolvo vazia, só com os documentos. É... Fulano faz tudo isso e ainda diz que não rouba. Misericórdia Senhor, Misericórdia.

                Eu não faço mal a ninguém, mas vivo escandalizando a todos com minhas atitudes. Bebo demais, falo palavrão o tempo todo, me visto de modo indecoroso. Não namoro, fico; sou casado(a) e saio com outras mulheres, outros homens, etc,etc. Eu posso até pensar que não incomodo ninguém com isso, mas na verdade estou ofendendo, machucando o coração daquele, que mesmo que eu não reconheça, é meu melhor amigo: Jesus.

                Essa hipocrisia também havia no tempo de Jesus. E Jesus veio dizer aqueles homens que eles não seguissem sòmente a lei, os preceitos, só isso não bastava.  E o Espírito Santo vem nos dizer agora que só isso não basta! Naqueles tempos os homens se circuncidavam, era preceito legal e muitos achavam que só isso bastava. Hoje somos batizados e muitos achamos que só isso nos basta! E o coração? O coração está incircunciso, o coração está manchado pelo pecado, está impuro. A verdadeira circuncisão se dá no coração, pela ação do Espírito Santo, pela aceitação da Palavra de Deus, pela submissão ao senhorio de Jesus. E mais uma vez: Quem está sob a ação de Espírito Santo não está submisso a lei. Porque? Porque quem é movido pelo Espírito Santo jamais transgride a lei!

                Por questão de preceito vamos a missa aos domingos e dias de guarda. Por obrigação, só por obrigação, assistimos, não participamos, da celebração. O encontro com Jesus se dá somente no momento da Comunhão Eucarística, depois, tchau. A semana inteira o coração fica vazio; Jesus fica esquecido no Sacrário. No sacrário de pedra do altar, enquanto que na verdade, Ele deveria estar no sacrário vivo que é o coração. Guardem estas palavras, reflitam...

                Vv. 13 ao 16: Não abusar da liberdade, viver a vida espiritual.  São Paulo na primeira carta aos corintios nos diz que tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não posso me deixar dominar pela permissividade. Não posso me deixar dominar pela tentação, pela concupiscência da carne. Concupiscência é a tendência do ser humano de ceder as tentações, de se desviar do caminho do Senhor. Ë como um carro com a direção desalinhada, sempre puxa para um lado; Temos que ser firmes no volante para manter o carro na estrada. A concupiscência, inerente a nós, aliada a tentação do demônio é a principal causa de nossas quedas. Quanto maior o pecado, mais fundo é o buraco, mais sinistro, mais tenebroso é o abismo. Assim, quando caímos p’rá subir de novo, p’rá se erguer, é muito difícil, só pela misericórdia Divina. Para nossa sorte Deus é misericordioso, é todo amor.

                Todos conhecemos os frutos do Espírito Santo: Paz, harmonia, caridade, tranqüilidade, alegria, amor ao próximo, saúde, saúde espiritual. Só virtudes, só coisas boas. Vamos ler o v. 19 (...). Só o que não presta. Diante disso, irmãos, o que escolher? Irmão, você vai deixar de sentir a suprema alegria da presença de Deus vivo em seu coração, para viver uma vida de amargura, de incertezas? Desculpem a franqueza, a dureza das palavras, mas escolher errado é burrice, é insanidade!

                Se você se acha fraco, vacilante, andando em ziguezague, peça a Força do Alto, peça ao Espírito Santo que lhe oriente, que guie seus passos, que alinhe a sua direção

sábado, 30 de janeiro de 2021

At 10,9-16 – Visão de Pedro

 

O

 texto em referência deve ser examinado sob o contexto de todo o capitulo 10 do livro dos Atos dos Apóstolos. Aí alude à conversão do Centurião Cornélio, o primeiro estrangeiro, pagão, a ser convertido ao cristianismo. Cornélio, além do repúdio por ser estrangeiro, era odiado por ser representante do poder dominador, levando em conta que Roma conquistara e dominara toda a Palestina.

 Em estado de êxtase, Pedro tem a visão da toalha descendo do céu, contendo toda espécie de animal considerado impuro (cf. Lv 11). Ouve a voz: “Pedro, mate e coma!” Não reconhecendo a voz de Deus, Pedro diz que nada impuro deve ser tocado, ao que Deus o repreende: “Não digas tu que é impuro aquilo que Eu purifiquei”.Daí então Pedro deva ter compreendido que Jesus não veio abolir, mas aperfeiçoar a lei. Reconheceu que não havia ninguém impuro em si, somente por não ser judeu, mas que a impureza vem das coisas más que habitam o coração dos homens, judeus ou gentios.



Saindo do contexto de época e vindo para a atualidade, podemos dizer que puro e impuro se referem a pecado e santidade. Que o amor de Deus é incondicional, não olha nosso passado, vê nosso presente, apontando para o futuro. Deus não vê o pecado de ontem, Ele te quer santo hoje para que amanhã possa habitar na Sua Glória: “Irei preparar-te um lugar”.(Jo 14,2s). Quem morrer na graça e na amizade de Deus, entrará certamente no céu, mesmo que talvez tenha que passar pela purificação do purgatório. Dizia Irmã Faustina: “Nosso pecado é uma pequenina gota de orvalho no oceano da misericórdia de Deus”. Portanto, é pelo seu amor desmedido, sua eterna misericórdia que somos perdoados e curados. Deus nos ama, não simplesmente como seu povo, seu rebanho; nos ama individualmente, com exclusividade, como seres únicos, embora queira que sejamos unidos, estejamos unidos, que sejamos um em seu amor. Amém


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Tob 3,20-23 – Restauração

 


N

ós lemos em Tob 3,20-23 um trecho da prece de Sara. Deus acolheu esta oração ao mesmo tempo que a de Tobias. Tobias e Sara passavam por grande aflição, com muita tribulação. Deus respondeu a essas orações e agiu no momento oportuno. Nessa palavra Deus está nos mostrando que aquele que é fiel, ou seja, fiel a Ele, Deus, será agraciado. A palavra é uma confirmação, pois Ele nos fala isso ao coração todos os dias, não importando a situação que vivamos no momento. Não importa se o momento é de dor e sofrimento, se o momento é de aflição. Deus nos garante que depois da tempestade vem a bonança; está na Palavra e a Palavra de Deus é verdade; a Palavra de Deus é eterna; a Palavra de Deus atravessa os séculos e chega viva até nós.

            Deus hoje está dizendo a cada um de nós, a mim, a você, que Ele quer nos restaurar; Ele quer restituir nossa alegria, nossa paz. Ele quer curar nossas feridas, nossa dores. Ele quer livrar da opressão do mundo, Ele quer libertar das garras do inimigo.

            Deus quer fazer uma obra nova em nós. Ele quer reunir o seu povo; Ele quer acolher o resto de Israel, como está escrito no livro do profeta Miquéias, em Mq 2,12s... (...) Quem é o resto de Israel? Sou eu, é você, somos todos nós. O resto de Israel é o povo que por sua fidelidade teve como herança as promessas de Javé; é o povo que hoje caminha com a Igreja de Cristo. E quem vai a frente conduzindo o povo? Quem?... É Jesus, Jesus de Nazaré. O melhor disso tudo é que essa promessa de Deus é para todos, não é só para um pequeno grupo de privilegiados, não é só para poucos eleitos, não. É para todo o povo de Deus. Jesus remiu toda a humanidade, o sangue de Jesus cobriu toda a Terra, a salvação foi oferecida a todos! Nós lemos em Tobias que Deus não se apraz com a perdição de ninguém, de ninguém!

            Porém isso tem um preço; é bem verdade que Jesus pagou com seu sangue na cruz, mas temos que ser merecedores; é mister que façamos a nossa parte.  Leiamos Tob 3,21a: ...Todo aquele vos honra. Temos que ser fiéis, seguir os mandamentos, ser obedientes ao Senhor. Toma posse disso irmão, toma posse.

            Agora um testemunho, meu testemunho pessoal:

            Eu era um homem do mundo, pecador. A bem da verdade eu não andava chafurdado no pecado, mas andava afastado de Deus, era pecador como todos ainda somos. Eu andava no mundo ao sabor das coisas que o mundo me oferecia. Na realidade era como se eu caminhasse em areia movediça; eu cavava um buraco com os próprios pés, um buraco sem fundo, onde fatalmente eu cairia. Eu seria triturado pelo mundo, triturado! Mas felizmente Deus me resgatou; Ele tem um plano para mim, assim como tem um plano de amor para cada um de vocês. Então Deus me tirou da escuridão e trouxe para a luz. Deus me restaurou. O que vem a ser restauração? Restaurar é reconstruir, restauração é consertar o que está estragado, corrigir o que está errado. Deus fez isso em mim e quer fazer em vocês também.

            Se eu estou aqui falando a vocês, se eu estou aqui sendo instrumento de Deus, é porque abri meu coração e deixei Deus agir, deixei Deus fazer a obra em minha vida. E Ele quer fazer o mesmo em você. Abre o seu coração e deixe Deus ser Deus e agir em você; deixe Deus ser Deus e fazer a obra em sua vida. Não queira ser maior que Deus, não impeça a realização da obra de Deus em você, não se entregue ao mundo, pois o mundo vai lhe engolir. O mundo vai lhe engolir! Abre seu coração, entregue seus caminhos ao Senhor e deixe Deus acontecer na sua vida; sua vida vai mudar, mudar p’rá melhor.           

            Hoje à noite, ao deitar, no silêncio do seu quarto, pense nestas palavras, pense no que você ouviu (leu) aqui e fique atento, preste atenção ao que Deus fala ao seu coração. Faça isso, faça isso e com certeza o céu vai se abrir sobre você e as bênçãos de Deus vão acontecer na sua vida. Amém.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Ez 46,1-6 – Memorial de Sacrifício

 


 

 

 A leitura descreve prescrições para uma cerimônia ritual. Em dias determinados haveria sacrifícios, holocaustos; a tudo isso o povo era convocado a comparecer. Transpondo para os dias atuais, podemos comparar – guardando naturalmente as devidas proporções – com nossa missa dominical. Deus poderia nos ter dado a passagem do Evangelho onde Jesus institui a eucaristia, ou a passagem de Atos dos Apóstolos em que a comunidade se reunia no primeiro dia da semana para celebrar a ceia do Senhor, a fração do pão. Mas Ele nos deu essa Palavra e com um propósito: Ele quer nos mostrar que o sacrifício da missa é um preceito, é lei!

            A Santa Missa é a rememoração do Evangelho; vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus, o cordeiro sem mácula, que se doa a cada missa. Jesus, presente na Palavra proclamada, com presença real na Eucaristia, presente nos corações de cada fiel que efetivamente participa da celebração eucarística. Jesus, homem e Deus, de quem diz Sto. Agostinho: “Jesus era tão homem que não parecia Deus, e ao mesmo tempo tão Deus que não parecia homem”.

            Jesus enquanto homem teve ações corriqueiras como qualquer um de nós, menos o pecado. Nunca foi político, revolucionário, ou instigador das massas populares; foi profeta. Portanto não temos que nos preocupar com o Jesus histórico, sim com o Jesus divino, o Emanuel, Deus conosco. Jesus histórico deixemos com os historiadores e suas especulações. Há alguns até que tentam provar que Jesus nunca existiu. Argumentam que historiadores de renome na antiguidade não citam Jesus; e quando há citações fora da bíblia (esta para eles não conta) dizem que são documentos e escritos fraudados. A falta de fé endureceu seus corações e cegou-lhes a alma.   Graças a Deus por Jesus não ser citado simplesmente como um personagem histórico, pois por certo sua doutrina seria totalmente deturpada. Por sabedoria e previdência divina isso não aconteceu.

            Certa vez Jesus perguntou aos apóstolos: “Que dizem quem sou?” Pedro respondeu: “Tu es o Cristo, filho do Deus vivo”.Ele pergunta o mesmo a vocês agora. Para vocês quem é Jesus? Em várias passagens bíblicas Ele mesmo dá respostas: Para aqueles que ainda não conhecem Jesus, Jo 10,10.(...). Para quem vive nas sombras do pecado, Jo 8,2 (...). Para quem já deu o primeiro passo, Jo 14,6 (...). Para quem confia, assumiu um compromisso com Deus, Sl 22 (23),1. Finalmente, como S. Paulo em Gl 2,20 (...). Aquele que se entregou inteiramente a Jesus. Para este Jesus é o centro de sua vida, o Senhor absoluto de tudo, ouve e obedece a Deus; tem vida de oração. É comprometido com a igreja, os sacramentos, à comunidade. Se assim formos, totalmente dependentes de Deus, seremos merecedores de toda graça. Então, quando batermos à porta estreita, esta se abrirá e seremos recebidos por Maria, que com um sorriso, nos tomará pela mão e nos levará até Jesus na glória eterna. Amém.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Sf 1,14 – 2,3 - O Dia do Senhor

 

 


 

 O trecho referente ao cap. 1 retrata o dia do Senhor; a manifestação do poder, podemos até mesmo dizer, da ira de Deus, não contra seu povo em si, mas contra o povo pecador. O cap. 2 nos mostra um apelo a conversão, ou seja, mesmo sob a ameaça de seu terrível dia, Deus deixa aberta a porta da conversão; a salvação é oferecida àqueles humildes de coração, aos que submetem-se a sua vontade.

            Este texto, já nos tempos em que foi escrito suscitou inúmeras interpretações. Foi entendido como a ruína de Israel, devido a seus pecados; entendido tempos depois como castigo aos povos opressores de Israel e finalmente, como entendido hoje,  julgamento, ou seja, triunfo dos justos frente ao castigo dos pecadores.

            O v.18 adverte que nem ouro e prata, tesouros mundanos, hão de livrar a quem tem culpa, do merecido castigo. Isto remete a Dt 4,23s; daí concluímos que os ídolos modernos – dinheiro, poder, fortuna material – não salvam ninguém. Só Deus pode nos livrar do mal e do castigo no juízo final. Não sabemos dia e hora do retorno de Jesus. Não sabemos nem mesmo quando seremos chamados à sua presença. Portanto cada uma de nós viva intensamente como se cada dia fosse o último. Viver intensamente para o cristão é buscar incessantemente a santidade, é vivenciar dia a dia a Palavra de Deus. São João Bosco dizia: “Viva cada dia como se fosse o primeiro, o único e o último dia de sua vida.”

            Jesus há de voltar glorioso porque assim diz a Escritura e a Escritura não mente. Entenda você objetivamente ou subjetivamente esta Palavra, não importa, Jesus voltará! Porque a Palavra de Deus é real e verdadeira. Jesus poderá retornar hoje, amanhã, daqui a um, dois, cem, mil anos, com certeza Jesus voltará. Temos que estar preparados, pois Ele virá resgatar sua Igreja, como em Ap 21. Estejamos prontos para apresentarmo-nos a Deus puros e santos, irrepreensíveis, para não sermos rejeitados. Estarmos vivos com Ele e não mortos longe Dele!

            Apesar das mazelas que vivemos no último século (século XX). Um século cheio de guerras, abominações, cataclismos, epidemias, tragédias como nunca antes vistas, Deus nos ama e por isso nos chama à conversão. Abra os braços e com os braços abra também o coração e clama a Deus que envie a você, o Espírito Santo para ajuda-lo a trilhar seus caminhos. Deus é compassivo e misericordioso; Ele não quer que o que foi lido efetivamente aconteça. Escreveu tudo isso para nos advertir, chamar nossa atenção e nos voltarmos para Ele e para Jesus Salvador. Mas infelizmente a humanidade é surda. Surda e desobediente; não ouve e quando ouve não obedece. O mundo precisa ser mudado. E pode ser mudado a partir de mim, de você, de nós. Se conseguirmos, com o auxilio do Espírito Santo mudar a nós mesmos, seremos capazes de com o mesmo auxilio, fazer mudar a quem estiver a nossa volta, e assim sucessivamente, como uma onda, mudar a muitos como um tsunami de amor, levando vida, não morte!

            Encerramos com a citação de Hb 9,28: “...Assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados do mundo, e voltará uma segunda vez, não em razão do pecado, mas para trazer a salvação aqueles que o esperam.” Esperemos por Jesus! Amém.


sábado, 2 de janeiro de 2021

Mt 2,1-12 – ADORAÇÃO DOS MAGOS

 


N

a última pregação falamos de alguém antipático de quem queremos distância. Hoje, ao contrário, falaremos de alguém que nos ama muito, que venceu a morte e é luz em nossas vidas. Vamos abrir a Bíblia em Mt 2,1-12.

            A passagem bíblica em foco é repleta de simbolismos. Cada fato descrito tem uma significação especial. A adoração dos magos a Jesus menino foi o cumprimento das profecias messiânicas em Isaias 49 e Salmo 71 (72).  A leitura também apresenta a salvação oferecida a todos os povos da terra, representada no encontro de Jesus pelos reis magos, que eram pagãos vindo de uma terra distante. A atitude de Herodes querendo achar o menino, com o intuito de elimina-lo, representa o inimigo induzindo o mundo a nos tirar a salvação. Os presentes: ouro, incenso e mirra, simbolizam a realeza de Jesus (o ouro), sua divindade (o incenso) e sua paixão e morte (a mirra – um perfume, usado para embalsamar corpos a serem sepultados). A leitura também trata da epifania, ou seja, a revelação de Jesus ao mundo. Ele quer hoje se revelar a vocês, ele quer se apresentar a vocês.

            Os magos foram atraídos a Jesus por uma luz brilhante. Que luz os estão atraindo? O brilho falso das coisas do mundo, ou a moção do Espírito Santo os guiando até Jesus? Os magos adoraram o rei que havia nascido; abriram seus tesouros, ofereceram-lhe presentes e partiram. Voltaram por outra estrada, por outro caminho. Irmãos, quem encontra Jesus, quem conhece verdadeiramente Jesus, quem tem um encontro pessoal com Jesus não fica no mesmo caminho, deixa os atalhos para seguir o verdadeiro caminho, verdade e vida que é o próprio Jesus. Quem encontra Jesus não pode continuar na mesma vida. Muda, converte-se, volta por outro caminho.

            Jesus veio ao mundo, pisou nosso chão, nos ensinou sua doutrina, nos apresentou o reino de Deus – seu reino – e morreu; morreu na cruz por nós. Ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu. Mas não nos deixou sós, não nos abandonou, pois são suas as palavras: onde estiverem dois ou mais reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles. Jesus nos derramou o seu Espírito Santo e está presente na Santa Eucaristia e na leitura orante dos Evangelhos. No entanto muitos de nós, muitíssimos, o buscamos somente pelos milagres, pelas curas. Buscamos Jesus pelo que ele pode fazer e não pelo que ele já fez, que foi nos dar a salvação. Esquecemo-nos que cada milagre realizado, cada cura, aponta para algo maior, a salvação. O objetivo final não é simplesmente a cura que é transitória, mas a salvação, que é a cura completa e definitiva.

            Jesus tira toda dor, toda angustia, toda tribulação. Ele tirou de mim, me curou e continua curando. E quer tirar de vocês também toda dor, mágua, todo ressentimento, falta de perdão, sofrimento... Pode ser que demore, pode ser que ele tire tudo isso agora, já, nesse instante. Depende de vocês, depende da abertura de seus corações, depende da maneira como vocês se colocam diante de Jesus. Em suma, o tempo da ação de Deus vai depender em grande parte da dimensão da nossa fé. Por isso creia meu irmão, minha irmã. Acreditem; Jesus está aqui para os curar, para os libertar, para dar vida plena e abundante. Amém. 

           


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Jo 1,1-5.9-14 – O Natal

 

 

 


V

 

ocê já foi a uma festa de aniversário onde o aniversariante não foi convidado? Onde o aniversariante inúmeras vezes é impedido de entrar? Ou é mal recebido? Isto parece um absurdo, mas é o que realmente acontece freqüentemente nesta época do ano. Festeja-se, come-se, bebe-se, saúdam-se; as pessoas enchem a pança, ficam bêbados, desejam feliz natal, etc, etc... Onde está a felicidade se o dono da festa não está, se Jesus não está presente?  Não devemos simplesmente festejar – nada contra festas, aliás, podemos festejar – devemos acima de tudo, celebrar. E celebrar é estar com Jesus. Celebrar é render-se ao mistério da encarnação do Cristo. Celebrar o Natal é deixar-se envolver pelo amor de Deus. Você está aberto o suficiente para receber Jesus neste Natal? Ele é mais importante que os presentes, que a ceia, a confraternização? Se a resposta é sim, você vive verdadeiramente o Natal de Jesus. 

            Jesus o Verbo Encarnado. Jesus a Palavra Viva. Ele assumiu a nossa natureza sem diminuir a sua, ou seja, sem abandonar a divindade. Desceu do seu trono de glória e tornou-se um de nós. Invisível em sua natureza, tornou-se visível na nossa. Existindo desde sempre, fez-se presente num determinado momento do nosso tempo, viveu a nossa história. Incapaz de sofrer sendo Deus, não se recusou a ser homem, submetido ao sofrimento. Imortal, se sujeitou as leis da morte (1). E tudo fez não por perda da onipotência, mas por compaixão, por amor, por misericórdia. Jesus, homem e Deus. É Deus porque “no principio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, a Palavra era Deus...” É homem porque “a Palavra se fez carne e habitou entre nós...”

            Há dois mil anos que três homens, três reis orientais em peregrinação viram uma grande luz que brilhava no céu. Não se contentaram em ficar parados apreciando a beleza daquela estrela e a seguiram. Foram pelo caminho que a estrela apontava. Foram guiados até Jesus. Encontrando Jesus recém nascido na gruta de Belém, o adoraram. Eram estrangeiros, mas reconheceram o Messias Salvador. E vocês? Estão parados olhando o céu em busca da sua estrela guia ou estão seguindo a luz que é o próprio Jesus? Uma grande, imensa luz quer também entrar em seu coração. Porém o mundo tenta cega-lo com o brilho do materialismo, com o cintilar de jóias falsas. O mundo quer cega-lo para que você não olhe para Deus, para que você não encontre Deus. Mas você não precisa olhar para o alto para achar a verdadeira luz. Ela está bem próxima, ao alcance de suas mãos. Basta abrir o coração e deixar a luz entrar. Deixa a luz entrar e iluminar a manjedoura que é o seu coração. Deixa Jesus nascer em seu coração; deixa Jesus nascer.    

(1)No segundo paragrafo, a partir de ‘Ele assumiu a nossa natureza...’ até ‘se sujeitou as leis da morte’, o texto é baseado numa citação de S. Leão Magno.                                                                                                                                                            

 


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Ecle 7,5-14 – Palavras de Sabedoria

 


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azendo uma leitura mais atenta do livro do Eclesiastes, observamos que Coélet ( o Eclesiastes) era um homem muito pessimista, mas ao mesmo tempo de profunda religiosidade. Via com olhos críticos o ambiente que o cercava, sem no entanto perder a esperança e sabia que a solução de todos os problemas da humanidade só poderiam vir de um: Deus. Vejamos o trecho Ecle 7,5-14.

            V.5: “E melhor ouvir...”-Não deixemos nos envolver por elogios fáceis. Muitas vezes uma critica bem colocada, bem dirigida, nos edifica, nos corrige, nos faz endireitar. Ao passo que um elogio, muitas vezes falso, nos envaidece e pior, nos faz permanecer no erro.

            V.7: “A opressão torna...”-Os presentes corrompem o coração. Quantos são “comprados” por presentes, mimos, elogios!

            V.8: “Mais vale...”-Deus olha com muito mais atenção e complacência para aquele que sabe ser paciente, que tem fé, que não se abala com facilidade; para quem persevera esperando o tempo da graça acontecer. Já o orgulhoso é auto-suficiente, pensa que não precisa de ninguém, nem de Deus!

            V.9: “Não ceder...”-Irritação, ressentimento, falta de perdão, desamor... O rancor é responsável por diversas doenças, desde as de fundo emocional como as do corpo. O testemunho de fiéis e a própria ciência reconhece que doenças como artrite, hipertensão arterial, úlceras gástricas, depressão, têm entre outros fatores, origem em distúrbios emocionais. E nós sabemos que falta de perdão, mágua, provocam esses e outros males.

            V.10: “Não digas jamais...”-Vivamos o hoje, vivamos o agora. Deus não quer ninguém preso ao passado nem demasiadamente preocupado com o futuro. Passado é passado, o que passou passou e o que há de vir só Ele sabe.  Passado são apenas lembranças, boas que podemos reviver na memória ou más, que lutamos para esquecer. Deus nos quer santos agora, para vivermos o futuro na eternidade. Vide v. 14.

            V.13: “Considerai a obra de Deus...”-Deus é eterno, suas leis são eternas, seus mandamentos são eternos. Essa onda de ataques a Igreja, alegando que a Igreja é retrógrada, que vive no passado, é atitude que quem vive no erro e quer se desculpar. A sociedade muda, mas Deus e sua Palavra são imutáveis, assim como as leis e a doutrina da Igreja, depositária do legado divino. Pecado era pecado ontem, é pecado hoje, será pecado amanhã e será pecado sempre, até o fim dos tempos.

            Por fim contaremos uma estorinha que fala de um homem que se julgava sábio e a quem faltou sabedoria e discernimento dos desígnios de Deus. Esse homem era religioso, conhecia a palavra de Deus, mas na verdade não a entendia como deveria ser entendida; interpretava-a a seu modo, de acordo com sua conveniência. Ele, como todos nós, carregava a sua cruz – estava de acordo com a Palavra de Deus quanto a cada um tomar sua cruz e seguir Jesus. – Mas não se conformava com a dimensão da sua cruz, achava-a grande e pesada demais, ele não merecia tanto. Clamou a Jesus para ameniza-la. – de acordo com a passagem em que Jesus diz que, o que pedirmos em seu nome o Pai nos dará. – Assim fez Jesus, diminuindo consideravelmente o tamanho e peso da cruz. Mas o homem não ficou satisfeito e pediu a Jesus para diminui-la mais ainda. Jesus o atendeu outra vez. Assim foi pedindo, pedindo, até carregar uma minúscula cruz, uma cruzinha. E sorridente, caminhava em meio a outros que arrastavam cruzes enormes.  Ia assoberbadamente pensando: “Esses são pecadores, estão longe de Deus, carregam essas cruzes porque são conformados e não buscam Jesus. Eu não, eu sou abençoado, eu gozo da amizade de Jesus, tudo que eu peço ele faz. Aliás, ele tem que fazer; ele prometeu...”

Fim da jornada. Um fosso imenso e profundo os separa de um vale verdejante, onde Jesus, cercado de anjos, os espera de braços abertos. Todos lançam suas cruzes sobre o fosso e as usam como ponte. O homem que se julgava especialmente abençoado, frustrado, não tem o que usar como ponte, pois a cruz que carrega é pequena demais. Ele não alcançou a terra prometida. Esquecera-se daquela outra passagem bíblica; a que Jesus diz que nem todo aquele que diz Senhor Senhor entrará no reino dos céus. Amém.

 

 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Col 1,3-6 - FÉ

 



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odos conhecemos a música: eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas do meu Senhor. Todos rezamos com o sacerdote na consagração eucarística: Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumentai a minha fé. O que é fé? O dicionário diz: fé; crença, aquilo em que acreditamos, certeza da existência de algo ou alguma coisa. Para nós especificamente, fé é aceitar a verdade da Palavra de Deus, a verdade do magistério da Igreja. Ler a pericope Col 1,3-6 ... (...).

                Nesta pericope o apostolo Paulo se dirige a comunidade de Colossos, uma comunidade que vivia pela graça da fé, da caridade, da esperança. Dons que se manifestavam desde a fundação da comunidade. A fé que eles professavam era uma fé concreta, não era vazia, abstrata; era uma fé vivida, experimentada; fé seguida de boas obras, conforme os ensinamentos de Cristo. Eles não buscavam a justificação apenas pela fé, mas pela fé e ação.

                Nossa fé como está? A quantas anda nossa fé? É uma fé cega, infantil, ou já amadureceu, é uma fé centrada em Cristo e na Igreja? Acreditamos em qualquer bobagem que nos dizem, como por exemplo: Jesus é somente um ser iluminado que viveu há dois mil anos atrás, ou todos os caminhos levam a Deus, as pirâmides emanam uma energia positiva, gato preto dá azar, etc. Se ainda estamos nessa, vejamos o que diz S. Paulo em Efésios 4,14s...(...).

                Tenhamos fé, mas fé adulta, centrada em Cristo e na Igreja, nossa Igreja Católica. Sejamos crianças só em relação a Deus, atiremo-nos em seus braços como criancinhas se atiram nos braços de seus pais, com plena confiança. No mais sejamos adultos, não aceitando qualquer coisa.

                Em que devemos acreditar? Devemos acreditar na Palavra e nos ensinamentos da Igreja Católica. A nossa doutrina não contradiz a Bíblia, jamais. Se dogmas não são citados nem mencionados, também não são desmentidos nem desmerecidos pela Bíblia. Dogma é uma afirmação tida por verdadeira. Isso me traz a mente uma palavra: axioma. O que vem a ser axioma? Axioma é uma verdade indiscutível. É usada na ciência, em matemática principalmente. Axioma matemático é uma sentença verdadeira que não tem como ser provado, que surgiu sem a seqüência normal de cálculos, como quase tudo na matemática. Então se os matemáticos aceitam sem contestar uma fórmula ou expressão, sem questionar de onde veio, porque nós católicos vamos duvidar dos dogmas de nossa Igreja? Ou alguém não acredita na assunção de Maria, na virgindade perpétua? Dogma é axioma de fé; é verdade, não se discute. Ou somos iguais a S. Tomé, temos que ver para crer? Felizes os que crêem sem terem vistos, diz o Senhor.

                 Que tipo de fé nós temos? A fé de conveniência como diz a música que o Pe. Jonas canta: “que fé você tem? A fé que convém. Mas não é de conveniência que vive o cristão...” Só aceitamos a parte boa do Evangelho, a outra nós desprezamos. Nossa fé se limita ao Jesus que salva, cura e liberta, ao Jesus que diz que tudo que pedirmos em seu nome êle nos dará? Disso tomamos posse. Porém quando Jesus diz para largarmos tudo, tomar nossa cruz e segui-lo, nós recuamos:- ”Isso não é comigo, é p’rá fulano e p’rá cicrano, p’rá mim não!”- Isto lembra a estorinha do carrinho de mão:

                Todos acreditaram quando o equilibrista disse que atravessaria entre dois prédios numa corda bamba carregando uma pessoa num carrinho de mão. No entanto, quando êle pediu um voluntário para entrar no carrinho todos se afastaram. Eles tinham fé enquanto expectadores, quando convidados a participar, onde estava a fé? Era uma fé superficial, sem engajamento.

                Mateus, capitulo 17, versículo 20. Em Mt 17,20 Jesus diz que a fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mudar uma montanha de lugar. Fé tem tamanho? Fé pode ser medida em metros ou em litros? Jesus não diz isso; a fé poderia ser do tamanho de um grão ou do tamanho do mundo que o efeito seria o mesmo. Textualmente o versículo diz assim: Se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha, transporta-te para lá e ela irá. Nada vos será impossível. Daí se entende que a fé se mede pela intensidade, pela força que brota do coração. A fé deve ser sentida, vivida, praticada.

                Pela fé o Evangelho foi pregado. É pela força da fé que o Evangelho é pregado ainda hoje. Se eu não acreditasse naquilo que digo eu estaria lançando palavras ao vento, estaria vendendo ilusões. Entretanto, não estou tentando vender nada, não estou pedindo nada, não estou pedindo nenhum gesto simbólico que não leva a nada. Estou afirmando as verdades de Deus. A-fir-man-do. Porque creio, porque tenho fé e tento exercer essa fé. S. Tiago diz: a fé sem obras é morta. Exercer é viver a fé, viver conforme a nossa fé. Realizar as obras que a fé nos impõe. Se cremos em Deus Pai, se cremos no Evangelho, vivamos segundo esse Evangelho; tomemos a cruz do dia a dia e sigamos Jesus. Jesus que nos conduz a vitória; Jesus que nos conduz ao triunfo da glória eterna.  

sábado, 5 de dezembro de 2020

Tg 1 – Perseverança na Provação

 

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erseverança significa firmeza, insistência, e provação é a fé colocada a prova através da tentação ou tribulação. Nossa fé pode ser posta a prova pela dor e sofrimento e/ou pelas tentações que nos são apresentadas.



            O mundo em que vivemos parece estar longe daquilo que a fé nos assegura; o mal, o sofrimento, as injustiças, a morte prematura, tudo parece contradizer a boa nova, abalar a fé e tornar-se uma tentação para abandonarmos o caminho. O texto (Tg 1,12-18)

vem falar de tentações, provação quanto a resistência ao pecado, dos perigos do descaminho. Resistir às tentações, firmeza, pois quem se afasta de Deus cai nas garras do inimigo. Enquanto Deus leva a salvação, o inimigo arrasta para o abismo!

            Assim como não podemos impedir que pássaros nos sobrevoem, não podemos evitar as tentações; contudo do mesmo modo que podemos impedir que pássaros façam ninhos em nossas cabeças, podemos impedir que a tentação nos vença e instale o pecado em nós.  Deus nos criou como primícias, como obras primas, no entanto quantas vezes nos sentimos fracos, desamparados, nossa fé abalada; não entendemos como alguém que amamos, ou nós mesmos, temos que sofrer. Parece que Deus se afastou, que caminhamos sem sua luz. Mas não ficaremos assim para sempre; em algum momento Ele se revelará a nós. Precisamos confiar em sua bondade e fidelidade, principalmente quando tudo parece apontar para outro caminho.

            No livro do Eclesiástico em Eclo 2,1-6 o senhor vem nos falar de perseverança mesmo na dor, na tribulação. A tribulação leva à paciência, a paciência à esperança e a esperança à fé, fé firme e inabalável. Jó é o melhor exemplo bíblico daquele que vive e resiste às provações.

            Deus enviou Jesus, seu filho, não como um profeta impetuoso, não como o Messias guerreiro. Enviou como o servo sofredor, que se doou até o fim; aquele que nos amou e se entregou por nós, fiel ao Pai até a morte e morte de cruz! Nos regatou ao preço de seu sangue; cruz, fonte de graças. Quem é Jesus para você? Em Mc 8,29 Ele pergunta: “e vós quem dizeis quem sou?” O que significa abraçar a cruz? A cruz que se abraça é mais leve que a cruz que se arrasta. O cristo, Messias crucificado, requer seguidores crucificados. Você assume a cruz na sua vida?

            Hoje, agora, deixe o Espírito Santo conduzi-lo até a cruz, lá onde seu coração pode ser curado e sua mente renovada. Abra-se, ouça ao menos o sussurro suave do Espírito Santo lhe trazendo encorajamento, correção. Confia, obedeça, e Ele lhe conduzirá da morte para a vida. Amém.

 

Obs: no trecho “Tg 1...etc.”  pode-se recorrer a Eclo 15,21s; I Cor 10,13 , aludindo ao v.13 de Tiago 1.

                                                                           Após citação de Jó, pode-se recorrer a Cl 1,24.

                                                                           No trecho “Jó é o melhor exemplo...etc.” pode-se incluir: Amar mesmo na dor, retribuir o mal com o bem... (ostra e a pérola)”.

                                                                           Após o questionamento “você assume a cruz na sua vida...” pode-se inserir a estória da cruz como ponte.