quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Deus dos Vivos 4


Viver com Cristo


                     “O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida, como na morte. Pois para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se eu ainda continuar vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que eu não sei bem o que escolher. Fico na indecisão: meu desejo é partir dessa vida e estar com Cristo, e isso é muito melhor. No entanto, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver.” (Filipenses 1, 20-24)

                     O apóstolo Paulo deixa uma evidência de que Cristo será glorificado por ele tanto na vida como na morte, glorificando Jesus após a morte, e que chega estar em meio um dilema: viver é em Cristo e morrer é lucro. Como poderia alguém viver em Cristo nesta vida e ter a morte como lucro? O mesmo apóstolo não sabe o que é que deve fazer ficar nesta vida e evangelizar ou partir para outra vida e estar com Cristo.

                     Agora eu pergunto: será que o maior de todos os apóstolos, o homem que escreveu mais de um terço do Novo Testamento, sendo que suas cartas são a continuação do Evangelho, aquele a quem foram revelados tantos mistérios da nossa fé, dos quais muitos estão escondidos até hoje, não saberia se os mortos dormem ou estão acordados? Será que Paulo Apóstolo iria querer morrer para dormir, sendo que o mesmo disse que a morte é lucro e que é infinitamente melhor que esta vida?

                     Não nos resta dúvida, não existe sono após a morte. Mesmo porque pensem neste pequeno trecho de tamanha sabedoria:

                     “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo.” (Hebreus 9, 27)

                     O julgamento particular vem logo após a morte, é impossível que depois do julgamento os mortos durmam. Se dormissem não haveria razão para julgamento, pois todos dormiriam bons e maus. É tudo uma simples questão de pensar: enquanto Henoc (Gn 5, 24) e Elias (2Rs 2, 1- 11) foram arrebatados ao céu, não conheceram morte, portanto são iguais aos anjos e não podem estar dormindo. O mesmo acontece com Melquisedec (Hb 7, 4 –10) Paulo diz que o sacerdote está vivo.

                     Portanto, todos estes personagens estão vivos porque Deus é Deus dos vivos. Assim, como todos os que morrem não ficam inconscientes e os que são dignos fazem parte com Deus estão no céu. Nenhum morto para este mundo pode estar dormindo.

                     “Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá  definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus.” 997

                     Enquanto as passagens que Nosso Senhor diz que ressuscitará os mortos no último Dia? Bem, o Magistério da Igreja nos orienta dizendo que, após o julgamento individual os mortos são destinados ao Céu, ao Inferno ou ao Purgatório somente em alma, pois o corpo fica no túmulo. No Dia do Juízo Final, Nosso Senhor ressuscitará a todos de corpo e alma, Assim como Nosso Senhor ressuscitou de corpo e alma: Lc 24, 36 –43; Jo 20, 19 –20; Jo 20 26 –29. Então os homens serão destinados ao Reino de Deus ou ás trevas eternamente de corpo e alma.

sábado, 26 de novembro de 2011

O Deus dos Vivos 3


A Vida é Eterna


                     “Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda, for desfeita, recebemos de Deus uma habitação no céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas. Por isto, suspiramos neste nosso estado, desejosos de revestir o nosso corpo celeste, e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito. Por essa razão, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que enquanto habitamos nesse corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão. Sim estamos, repito cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para irmos morar junto do Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por agradar-lhe.”

(2Corintios 5, 1-9)

                     Nesta passagem não é preciso se esforçar muito para entender que para deixar esta tenda precisamos morrer. E logo após revestiremos outra morada, cheios de confiança e ansiosos por esta partida para morar junto do Senhor. Sabemos que, se vamos morar com Cristo, é porque muitos já habitam esta casa celestial, ou então, o Senhor estaria dormindo. Ansiosos para deixar este corpo, morrer, para ir morar junto do Senhor. Quem iria querer a própria morte senão para algo maior? Vivos ou mortos deve existir um esforço em agradar o Senhor. Então, os mortos para este mundo, também se esforçam em agradar o Senhor.   

                     “Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”Mas o outro o repreendeu: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena?”Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar”. Ele lhe respondeu: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23, 39-43)

                     No trecho, Jesus garante a São Dimas, o bom ladrão, que ainda naquele dia estariam juntos no céu. O primeiro santo da Igreja reconhece seus pecados, arrependido clama a misericórdia que vem em imediato. Mais uma vez Nosso Senhor demonstra que a vida não tem seu fim em um sono do corpo ou em um adormecer da alma. O corpo humano após a morte permanece na terra, mas a alma volta-se para Deus. Assim diz o Catecismo:

                     “A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a "forma" do corpo ; ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza.” 365                                                                                                 “A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus  - não é "produzida" pelos pais - e é imortal : ela não perece quando da separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final.” 366










sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Jesuítas


Neste belo poema de Castro Alves, uma homenagem aos jesuítas, que evangelizaram o Brasil. Desbravadores de uma terra desconhecida e insólita, fizeram do Brasil uma nação católica.



Jesuítas


 Quando o vento da Fé soprava Europa,

Como o tufão, que impele ao ar a tropa
  Das águias, que pousavam no alcantil;

Do zimbório de Roma — a ventania

O bando dos Apost'los sacudia
  Aos cerros do Brasil.





Tempos idos! Extintos luzimentos!
O pó da catequese aos quatro ventos
Revoava nos céus...
Floria após na Índia, ou na Tartária,
No Mississipi, no Peru, na Arábia
Uma palmeira —Deus!




O navio maltês, do Lácio a vela,
A lusa nau, as quinas de Castela,
Do Holandês a galé
Levava sem saber ao mundo inteiro
Os vândalos sublimes do cordeiro,
Os átilas da fé.




Onde ia aquela nau?—Ao Oriente.

A outra? — Ao pólo. A outra? — Ao ocidente.

Outra?— Ao norte. Outra? — Ao sul.

E o que buscava? A foca além no pólo;

O âmbar, o cravo no indiano solo

Mulheres em 'Stambul.





Grandes homens! Apóstolos heróicos!...

Eles diziam mais do que os estóicos:

"Dor, — tu és um prazer!

"Grelha, —és um leito! Brasa,—és uma gema!

Cravo,— és um cetro! Chama, — um diadema

Ó morte, — és o viver!"





Outras vezes no eterno itinerário

O sol, que vira um dia no Calvário

Do Cristo a santa cruz,

Enfiava de vir achar nos Andes

A mesma cruz, abrindo os braços grandes

Aos índios rubros, nus.








Eram eles que o verbo do Messias

Pregavam desde o vale às serranias,

Do pólo ao Equador...
E o Chimborazo arremessava aos ares
O nome do Senhor!...




 (Castro Alves – Espumas Flutuantes)






Castro Alves







































 
  





sábado, 12 de novembro de 2011

Cracolândia


É doloroso observar as cenas que vemos diariamente nas ruas em torno a nossa paróquia. Nas ruas de nosso bairro vemos com frequência pessoas, jovens e crianças na maioria, desfigurados pelo consumo do crack. São pedintes, que mendigam – não para comer, mas para se drogar. Agentes sociais do município os recolhem, mas eles sempre retornam, voltando a mendigar, a se drogar, a se prostituir, até mesmo cometer pequenos furtos. A maioria das pessoas os olham com repugnância, os têm como amaldiçoados e assim eles são tratados.

Na verdade são filhos de Deus, irmãos nossos. Irmãos rebeldes, desprovidos até de consciência, pois esta já foi consumida pelo crack; no entanto, são nossos próximos, irmãos afastados que merecem nosso amor, nossa compaixão e não o desprezo com que normalmente são tratados.  Muitos pensam e até dizem, ironicamente: se você pensa assim, leve-os para sua casa. Quiséramos nós ter uma grande casa onde pudéssemos acolhê-los, cuidar deles, como o bom samaritano. Na impossibilidade, tratemos deles como seres carentes, necessitados de amor e não merecedores de desprezo e ódio. Na impossibilidade de acolhê-los num abrigo, cuidar de sua saúde física e mental, ao depararmos com um deles, ao ser abordado com um pedido de esmola, não os ignoremos, ofereçamos-lhes um lanche, uma refeição. Caso não aceitem (infelizmente é muito comum a negativa, pois querem mesmo é o dinheiro para adquirir a droga), rezemos então, para que um dia sejam alcançados pela luz de Cristo. Assim não nos omitimos, fazemos a nossa parte, o que está a nosso alcance.   

Infelizmente quem poderia ao menos amenizar a situação não o faz. A autoridade policial que deveria reprimir sistemática e diuturnamente o comércio ilegal das drogas, de certa forma se omite. Aí as “cracolândias” se espalham Rio de Janeiro afora. A implantação das UPP’s privilegiam as áreas turísticas (zona sul e entorno do Maracanã). Seria a solução, junto é claro, com os centros de recuperação de dependentes químicos.


Enquanto isso não vem, se não vem, acolhamos esses irmãos machucados, feridos, maltratados, discriminados, na medida de nossas possibilidades. Nossa possibilidade, nossa real possibilidade é oferecer a eles um coração amoroso, misericordioso, compassivo; é apresentar a eles aquele que tudo pode, aquele que é ilimitado: Jesus. Jesus Cristo, nome acima de todo nome, aquele que é, foi e sempre será.  

domingo, 6 de novembro de 2011

O Deus dos Vivos 2


O Deus de Abraão, Isaac e Jacó


                     “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3,6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos.” (Mateus 22, 30-32)

                     Portanto, Deus é Deus dos vivos e não dos mortos. Mas se Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, então porque disse ser Deus de Abraão, Isaac e Jacó, se estes já estavam mortos quando Deus disse isso a Moisés? E por que Nosso Senhor o repetiu no Evangelho milhares de anos depois? Ora, ou Deus é contraditório em dizer que é Deus dos vivos e falar nome de mortos, ou Abraão, Isaac e Jacó estão vivos, porque Deus é Deus deles, Deus dos vivos.

                     “Jesus respondeu-lhes: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus. Mas quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)? Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados.” (Marcos 12, 24-27)

                     Os saduceus não acreditavam na ressurreição, não entendiam como poderia as pessoas trem uma vida após a morte para este mundo, e testam Jesus com uma pergunta. A resposta de Nosso Senhor é clara ao afirmar que existe a vida logo após esta vida e que Deus não tem motivos para deixar pessoas dormindo porque Ele é Deus dos vivos e não dos mortos. Ele é Deus dos acordados, ressuscitados, vivos, Deus é Deus da vida. Deus nos deu a vida, e não teria um porque nos tirar desta vida, senão para nos dar algo melhor.

                     “Jesus respondeu: ‘Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido. Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados. Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque todos vivem para ele’.” (Lucas 20, 34 –38)

                     Desde que está que há dois termos: o século futuro e a ressurreição, os santos não poderiam estar inconscientes. Porque, os que serão julgados dignos do século futuro já passaram por um julgamento individual. Por sua vez, Moisés revelou na passagem da sarça ardente que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, ao chamar o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Portanto, Abraão, Isaac e Jacó só podem estar vivos.




sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Deus dos Vivos


A Transfiguração

                     Muitos fiéis confundem o uso das palavras sono da morte e despertar da ressurreição. O que queremos esclarecer é que a palavra dormir se usa no sentido de estar morto, e a palavra despertar se usa no sentido de ressuscitar. Por exemplo: conhecemos a árvore pelos frutos. Sendo que a árvore é a pessoa e os frutos são suas ações. Do mesmo modo: desperta tu que dormes, quer dizer: ressuscita tu que estás morto. Os mortos não podem estar inconscientes na comunhão com Deus, estão acordados, mas mortos para este mundo.                    

                     “Passados uns oitos dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias, que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém. Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia. Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!... Ele não sabia o que dizia. Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor. Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o! E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.” (Lucas 9, 28-36)

                     A transfiguração de Nosso Senhor é prova concreta de que Moisés e Elias estão na glória de Deus. Estão vivos, e não mortos, estão acordados e não dormindo. Sabemos que Moisés morreu, por outro lado, Elias foi arrebatado ao céu, (cf. 2 Reis 2, 1-18). Sendo que, Moisés estando com Elias e o mesmo não conheceu morte, foi assunto ao paraíso, então Moisés não pode estar morto ou dormindo. Mesmo porque ele apareceu para Nosso Senhor na glória e conversou com o mesmo.

                     “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.” (Mateus 17, 1-9)

                     Uma simples hipótese de que Moisés e Elias acordaram somente para conversar com Nosso Senhor e depois voltaram a dormir, não seria nada relevante nos propósitos bíblicos e, também somente algumas pessoas serem dignas de entrar no Reino ressuscitadas não caberia nos planos da salvação. Poderia falar-se que Moisés está na glória porque foi santo. Mas e o bom ladrão? (cf. Lc 23, 39-43) Se analisarmos as passagens poderemos constar que: Moisés e Elias conversavam sobre a paixão de Cristo, estando eles na glória, sabiam o que estava para acontecer, então não poderiam estar dormindo. Estavam em alma transfigurada e não em corpo. Por isto, Pedro não sabia que eles não precisavam de tenda. E Nosso Senhor adverte os discípulos para que não contem a ninguém antes da sua ressurreição. 




quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Bússola Dourada


 Começou a exibição do filme A Bússola Dourada nos cinemas brasileiros.
 O filme foi baseado no livro de Philip Pullman, chamado 'HIS DARK MATERIALS', tradução aproximada: 'Seus trabalhos nas trevas'. Philip Pullman, admitiu no ano de 2003, 'Meus filmes são a respeito da Morte de Deus', e mais tarde admitiu que seu objetivo é que as crianças de todo mundo 'decidam contra Deus e o Reino dos Céus'.

Ele ainda disse, que a 'Religião Cristã é um poderoso e convincente erro, e declarou que a maneira de alcançar todo mundo é escrever livros para as crianças', e desta forma contaminar toda uma geração.

Na Inglaterra, seus livros são mais populares do que Harry Potter, a série sobre o menino que pratica bruxarias, e os livros de Pullman estão começando a ganhar força principalmente nos EUA.

Entre outras coisas, o filme, assim como na história original, retrata um mundo paralelo no qual criaturas chamadas 'daemons' levam a alma das pessoas...repare a palavra daemons...é uma corrupitela da palavra demons em inglês, ou seja, demônios...
Como era de se esperar, o mal nunca vem mostrando sua verdadeira face,e o filme é cheio de efeitos especiais bonitos de se ver, trazendo a atriz Nicole Kidman, para atrair o público e a mídia..Mas por trás de toda beleza cinematográfica, está uma mente inspirada pelo diabo,para causar dano nas mentes de milhões de crianças. Além disso, o filme mostra que os bonzinhos tem cara de mal e os maus tem cara de bonzinhos, bonitos, mostrando que nem sempre o que é feio ou monstruoso é ruim e nem sempre o que se diz bonito, belo é bom.... invertendo os valores... também o filme ensina a criança a mentir, uma mentirinha só não tem problema.... diz um personagem do filme....
A Igreja Católica já se manifestou contra o filme, reconhecendo sua perversidade, e temendo que as crianças ao assistirem ao filme, queiram ler os livros de Pullman, cujo conteúdo é ainda mais perverso.

Desta forma, estamos pedindo aos verdadeiros cristãos que, NÃO ASSISTAM, E NÃO DEIXEM SUAS CRIANÇAS ASSISTIREM A ESSE FILME, para que o mesmo se torne um FRACASSO DE BILHETERIA no Brasil.

POR FAVOR DIVULGUEM PARA O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS.
(Matéria recebida por e-mail)


domingo, 30 de outubro de 2011

Em quem confiar?


Nossa proteção está no nome do Senhor que fez o céu e a terra, diz o salmista em Sl 123,8. Quantos de nós colocamos nossa esperança, contamos com a proteção e o socorro nas pessoas ou até mesmo em talismãs e mandingas. Não queremos dizer com isso que não podemos nem devemos contar com o auxilio – prestimoso – dos irmãos; é claro que sim. Mas acima de tudo contamos com a benevolência divina para que esse auxilio seja eficaz. Não podemos colocar única e exclusivamente nossa vida nas mãos de outros; somente nas mãos do Senhor.

E quanto ao uso de medalhas e crucifixos? Se não forem usados como amuletos, nada demais. Estes apetrechos podem ser naturalmente usados como ornamento e/ou símbolos de fé. De modo especial o crucifixo, que nos faz lembrar o sacrifício de amor que Jesus Cristo fez por cada ser humano, por cada um de nós. Usados como amuletos ou talismãs no intuito de livrar de males, de nada servirão; terão desvirtuado o seu uso, que repetindo, são sinais de nossa fé, nada além disso,

Para nos proteger dos perigos deste mundo devemos ser prudentes, cautelosos, evitar situações de risco. Contar com a proteção divina, mas com os pés no chão, afinal não por Deus a prova, diz a Bíblia em Mt 4,7: “não tentarás o Senhor teu Deus”. Assim disse Jesus ao ser interpelado pelo demônio, quando este lhe desafiou a saltar do alto de uma torre, citando a Palavra em Sl 90,11-12: “Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado para não machucares teus pés nalguma pedra.”

Podemos aqui relatar testemunhos diversos de ambas circunstancias: gente que deliberadamente assumiu riscos contando com a proteção divina, se julgando imune por conta disso e no fim descobriu da pior forma possível que tentar a Deus não é uma boa coisa. Também há casos de gente que involuntariamente colocou a vida em risco e com certeza, por ação de Deus, contou com livramento de maneira prodigiosa. Daí podemos afirmar com toda certeza, que nosso socorro, nossa proteção está em Deus criador de tudo e de todos, no entanto, devemos fazer nossa parte. Afinal, não estamos imunes ao mal só por sermos cristãos, em verdade somos imunes aos efeitos do mal, quando confiamos em Deus e aceitamos seus desígnios.  


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jdt 2,1-6 – FÚRIA DO INIMIGO


Na leitura observamos Nabuconosor, por orgulho, extrema vaidade e vingança, tramar uma guerra com o fim de assolar a terra inteira. Podemos a partir daí traçar um paralelo com Lúcifer (o demônio, Satanás), que foi lançado à terra – conforme vemos na passagem de Ezequiel 28,14-17, ao qual atribuímos à sublevação e a queda de Lúcifer e seus seguidores. Esses seres também por orgulho e prepotência, por ousarem desafiar Deus, foram lançados à terra (Ap 12,7-9) e assola-nos com sua maldade.

            Vemos no livro de Judite que por uma mulher, Judite, foi dada a vitória ao povo de Deus contra Holofernes e seu exército. Assim como por uma mulher nos foi trazida a salvação, Jesus, que dos braços de Maria aos braços da cruz nos apresentou, mostrou, apontou e ofereceu o caminho, a verdade e a vida plena e abundante.

            O Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos parágrafos 414-415 diz o seguinte: “Satanás ou o diabo, bem como os demais demônios, são anjos decaídos por terem se recusado livremente a servir a Deus e seu desígnio. Sua opção contra Deus é definitiva. Eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus.

            Constituído por Deus em estado de justiça, o homem, instigado pelo maligno, desde o inicio da história, abusou da própria liberdade. Levantou-se contra Deus, desejando atingir seu objetivo fora Dele”.

            Pedro, chefe da Igreja, o primeiro pontífice, também nos adverte em I Pd 5,8 que o inimigo está em torno de nós, nos ronda, nos observa esperando o momento oportuno para nos atacar... Contudo não devemos ter medo do diabo, ele é forte, mas não pode com Deus, Ele tem força, mas seu poder é limitado. Pela cruz e pelo sangue, pela ressurreição de Jesus ele já está derrotado. 

             Satanás é prepotente, orgulhoso, por isso não suporta a humildade, não resiste à humildade. Não resiste à Virgem Santíssima por ela ser humilde. Maria soube ouvir, calar, obedecer. Por sua extrema humildade, docilidade, amor a Deus, obediência a Santa Palavra, Maria tem o poder de pisar a cabeça da serpente!

            Além da humildade diante de Deus, como resistir às investidas do inimigo contra nós? Não permitindo que o pecado nos invada. Impedindo que o rancor e o ressentimento instalem-se em nosso coração. Não nos deixando influenciar pelos contra-valores do mundo. Evitamos o inimigo vivendo a Palavra de Deus, amando e perdoando; renunciando verdadeiramente a todo mal, às falsas doutrinas, a toda obra do maligno. Se vivermos uma vida de oração, em sintonia com Deus, certamente o inimigo não tomará conta de nós. Ele poderá até mesmo nos assediar, nos tentar, nos aborrecer e incomodar, e realmente o fará, porém nunca, nunca irá nos oprimir! Jesus está conosco e com Jesus somos mais que vencedores.

            Finalizando, voltemos ao catecismo: “No último pedido, mas livrai-nos do mal, o cristão pede a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo sobre o Príncipe deste Mundo, sobre Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente à Deus e a seu plano de salvação”. (CIC # 2864 – citação sobre o Pai Nosso).
            Entreguemo-nos de corpo e alma a Deus, para fugir dos tentáculos e das garras do maligno, que assolam e influenciam o mundo.    

sábado, 22 de outubro de 2011

Senhorio de Jesus


 Is 22,21-25.- Podemos comentar este texto sob três aspectos: no contexto histórico, onde temos a subida e queda de Eliaquim, mordomo do palácio real. No aspecto teológico, segundo o ponto de vista da Igreja, os vv. 22s são referência a Pedro, conforme Mt 16,19. Em último, analisemos o texto como palavra rhema, mensagem de Deus dirigida a nós especialmente para este momento particular.

            O v. 22 nos remete a Ap 3,7 que fala diretamente do Messias, de Jesus, o que abre e fecha todas as portas. Jesus tem todas as chaves menos uma: a chave do nosso coração. Esta nos foi confiada pelo Pai em sua infinita misericórdia, no momento da criação. Porém se entregarmos a chave do nosso coração para Jesus Ele nos abre para a santidade e nos fecha para o pecado.

            Talvez vocês conheçam a estória do homem que recebeu a visita de Jesus em sua casa. O tal homem arrumou a sala, trocou o tapete, etc e etc. No dia e hora marcada Jesus compareceu à casa do homem. Este recebeu Jesus com a cerimônia de um bom anfitrião ao receber uma visita ilustre, mas ficou só nisso. Ele impediu que Jesus visitasse os outros cômodos da casa, pois lá estavam vestígios de seus pecados. De repente ouviram batidas a porta; era o diabo querendo entrar. O dono da casa em vão tentava livrar-se dele, até que Jesus interveio e expulsou o inconveniente visitante. Talvez vocês achem estranho a tentativa do diabo querer entrar numa casa onde Jesus estivesse presente. Mas o dono da casa não abriu a casa toda para Jesus. Jesus ficou confinado a um canto da sala de visitas; o resto da casa foi vedado a Jesus e por isso o diabo se achava no direito de reinvidica-la para si.

            Quantos de nós somos como o homem da estória. Não adianta abrir só um cantinho do coração para Jesus, temos que abrir o coração por inteiro! Não adianta entregar somente uma área de nosso ser a Jesus, temos de entregar todas as áreas. Não adianta dar um pedacinho de nós, temos de nos doar totalmente a Jesus! Há pessoas que têm Jesus no coração e ainda acreditam em horóscopo, por exemplo; têm Jesus, mas continuam a ceder às tentações do mundo, são escravas da TV, deixam de ir a igreja, mas não deixam de ver a porcaria da novela! Não é mentira nem exagero, é assim mesmo. Aceitar o senhorio de Jesus é assumir o compromisso com Jesus na totalidade, seguindo e servindo Jesus plenamente. Não é ficar em cima do muro; ou se é de Jesus ou se é nada, não há meio termo. Sê quente ou frio, mormo Ele te vomitará, diz a Palavra de Deus.

            Quando o eu, nosso ego, é o centro de nossas vidas e Jesus está do lado de fora ou confinado em um cantinho qualquer, somos dirigidos pelo ego, pela carne, resultando em frustrações e decepções e como conseqüência sofrimentos. No entanto, se Jesus está no centro, se Jesus é o centro de nossas vidas, somos controlados por Ele, através do Espírito Santo e crescemos em graça, somos fortalecidos e apesar das dificuldades que possam advir, não haverá frustrações, pois no fim a vitória é certa; com Jesus somos mais que vencedores.

            Aceite o senhorio de Jesus na sua vida. Ele se doou numa cruz por você. Ele morreu para que você pudesse viver. Ele preferiu morrer por você a viver sem você. Oremos: Senhor Jesus entrego-me a vós, fazei de mim o que quiserdes. Aceito tudo de vós. Deponho minha alma em vossas mãos. Entrego-me a vós com todo amor do meu coração, sem medidas, com confiança infinita. Sois meu Senhor e meu Deus. Amém.
(Carlos Nunes)


 

sábado, 15 de outubro de 2011

Ditadura da impiedade


O mundo tenta nos impingir seus contra-valores. Infelizmente muitos de nós (cristãos) caímos nas armadilhas do politicamente correto, dos direitos das (auto intituladas) minorias, do relativismo, das imposições da grande mídia. Quanto ao politicamente correto, não podemos confundir polidez com tolerância, com anuência. E é o aceitar tudo, a conivência, isso é o que prega o tal politicamente correto. É correto aceitar o erro? E o direito das “minorias”? Existem disposições constitucionais que privilegiem este ou aquele? Não somos todos iguais perante a lei? Homossexuais, indígenas, todos nós, temos nossos direitos como pessoas, como cidadãos. Porque alguns arvoram a si direitos exclusivos? É auto discriminação. Discriminação não no sentido usual, mas o querer ser diferente no intuito de fazer-se o “coitadinho”, o incompreendido e daí tentar auferir vantagens.

O relativismo quer nos fazer crer que nada é constante; tudo muda, evolui conforme as circunstancias, os modismos. Assim, não existe pecado, pois o que era velho passou, a Igreja é arcaica, seus valores não são mais aplicáveis, o mundo mudou e por aí vai... Porém há leis e Leis. Da mesma forma que as leis naturais, a lei de Deus é imutável, pois ELE É ontem, hoje, amanhã e sempre!

Então, os grandes meios de comunicação vêm e apregoam que tudo é normal e opcional. Opção sexual seria um direito, o homossexualismo nos é empurrado goela abaixo como coisa normal. Desde quando? Deus nos criou homem e mulher, não homem-mulher ou mulher-homem. A própria natureza distingue o sexo em todo animal e em algumas espécies vegetais. Quem julgamos ser, para arrogantemente subverter a natureza, tentando modificar simplesmente por que assim nos é conveniente, seus princípios eternos?

Em Isaías encontramos essa revelação: “Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal. Ai dos que fazem das trevas luz e luz em trevas, que tornam doce o amargo e amargo o que é doce”. (Is 5,20). Vivemos num país e num mundo onde essas palavras reveladoras do profeta Isaías se tornam cada vez mais uma realidade vivida, defendida, publicada e até transformada em normas de vida, em leis governamentais e até constitucionais. A morte de fetos congelados para fins de pesquisa; o tremendo infanticídio provocado pelas leis que aprovam e patrocinam o aborto; as guerras desencadeadas por interesses econômicos e ganâncias de poder; as leis que aprovam as uniões homossexuais; a corrupção política e econômica; toda falta de ética e moral no desempenho de funções publicas e profissões, bem como todo tipo de pecados de natureza pessoal, como adultério, homossexualismo, prostituição, vícios morais e outros tantos, são um grande mal, mas considerados um “bem”; são as trevas, mas agora consideradas “luz”; são tidos como modernismos, conquistas da sociedade; são o amargo do mal, agora defendido como o “doce”de uma vida de progresso.   




domingo, 9 de outubro de 2011

Reflexão-Gn 1

Reflexões Sobre a Criação


(Baseado em Gen 1,1-31)



O Universo




           


       No princípio era o caos. Numa era infinitamente passada no universo materialmente vazio, coexistiam em total desorganização três forças fundamentais da natureza: a força nuclear, a força eletromagnética e a força gravitacional. Sem aprofundamento da questão, notamos que são três forças idênticas que agem de modo semelhante em níveis distintos: atômico, molecular e cósmico.

Havia Deus, que no princípio não seria como hoje, pois não havia quem O adorasse. Deus era como que a força viva, a energia prima do universo. E d’Ele emanou todas as forças naturais: as três formas fundamentais de energia. E Deus, como tal, organizou-as, já que d’Ele procediam.

A aglutinação dessas forças, começando pela mais intensa (nuclear) conforme a equação E = mC² produziu a matéria. Átomos unindo-se formaram moléculas; moléculas, substâncias; e substâncias, os gases e poeira cósmica.

            Como supomos, tudo começou com uma grande explosão, o “Bigbang”; podemos admitir que a princípio havia um   único corpo celeste, condensação de toda a matéria e energia, cuja fragmentação e expansão criou o Universo tal como o conhecemos.

Deus, O Ser Supremo, ao organizar as forças d’Ele irradiadas, iniciou desta forma o processo da criação. Assim, da vontade Divina fez-se o Universo.



A Terra




As galáxias, estrelas, planetas e todos os corpos celestes derivam do estado inicial a partir da grande explosão (Bigbang) e assim naturalmente foram se transmutando e alguns ainda o estão. Entre muitas, num número incomensurável, encontramos a nossa galáxia, a Via Láctea, nela o Sistema Solar e aí a Terra, nosso planeta. A Terra como outros planetas, na sua infância, podemos assim dizer, era uma massa gasosa, mistura de metano, nitrogênio, oxigênio e outros gases. A partir dessas substâncias foram sintetizadas as demais. Os gases condensaram, rios de lava e outros fluidos serpeavam entre rochas ígneas fumegantes. Após o resfriamento progressivo, havia somente um planeta árido, estéril, sem vida. Aos poucos a água formou-se e tomou conta do planeta.

A simples criação e organização do firmamento e corpos celestes não satisfaziam o plano de Deus. Havia muito mais a fazer, a criação mal se iniciara. O próximo passo foi montar o pedestal, o grande ambiente onde seria colocada sua obra maior, o objetivo de tudo quanto fora criado. Então foi feita a Terra, para que nela habitássemos.



           

A Vida




            Água, metano, oxigênio, nitrogênio. Metano, água, aminas. Aminas, água, oxigênio, aminoácidos. Aminoácidos, água, proteínas. Proteínas, ácidos nucléicos. Ácidos nucléicos, DNA.        DNA, vida.

            A vida como começou? Possivelmente a partir de uma forma cristalóide microscópica formada por cadeias de DNA, ou seja, um simples vírus. Lentamente, a partir desse substrato virótico, foram formando-se estruturas mais complexas até chegar a forma mais simples biologicamente, um ser unicelular, autoregenerativo, ou seja, com capacidade de reproduzir-se. Das bactérias, amebas e líquens para seres mais complexos, o curso foi seguido normalmente. A vegetação então cobriu a terra.

A Terra, a princípio estéril e sem vida foi recoberta com um manto vegetal com todas as condições para um habitáculo. Isso era bom, assim Deus o quis. E por vontade e obra Divina a vida surgiu na Terra.

O surgimento da vida animal foi conseqüência natural. Primeiro as amebas e protozoários nas águas ricas em nutrientes. A partir daí peixes e invertebrados aquáticos, anfíbios, aves, répteis. Vieram os dinossauros e por fim os mamíferos.

E a Terra foi povoada com toda sorte de animais aquáticos, terrestres e voadores. A obra de Deus estava quase completa, o cenário perfeito para a obra prima da criação.



O Homem



Os mamíferos são a forma de vida mais bem sucedida sobre a face da Terra. Mas sobre todos os mamíferos e por conseqüência sobre todo animal e vegetal, reina um ser superior a todos eles, surgido a dezenas de milhares de anos atrás, um segundo ou fração, se compararmos com o tempo inicial da formação do Universo: O Homem.

 Por fim, coroando sua grande obra, o Homem, imagem e semelhança de Si.

            Semelhança de Deus, pois fomos criados para sermos perfeitos. Se não o somos é por culpa nossa, já que por vontade e benevolência do Criador, somos autodeterminantes de nosso destino.

            Imagem de Deus, pois somos o reflexo da vontade do Pai e conseqüentemente do próprio Deus. Se às vezes nos perdemos, é porque quebramos o espelho e nos afastamos de Deus.

Sob este ponto de vista, assim o é com certeza, a humanidade é a quintessência da criação. O Universo foi criado apenas para servir de suporte à nossa Terra e a Terra a nossos pés. Haverá outros mundos? Provavelmente sim. Na imensidão sem fim do Universo haverá outras terras pisadas por outros pés? Estarão em estágios mais ou menos evoluídos tecnologicamente e espiritualmente que nós? Mas não nos serão superiores, serão no máximo, como nós a semelhança de Deus Pai, O Criador de tudo e de todos.

O Pai Eterno nos criou para sermos sua obra perfeita e para que então o adorássemos como Deus. Assim pretendemos fazê-lo. Sabemos que muitos se perdem e erram o caminho, ou quebram o espelho. Contudo, muitos de nós trilharemos o bom caminho e mostraremos e buscaremos trazer conosco os que enveredaram por caminhos obscuros, indicando-lhes a luz no espelho e a retidão da Senda Divina.      Assim seja.



Conclusão



            Tudo que aqui foi exposto, do caos ao Homem na Terra levou bilhões de anos contados no tempo do Homem. Para nós passaram-se mais que bilhões de anos desde o “Bigbang” até o aparecimento do Homem na Terra.

            E Deus? Deus é atemporal. Para Ele não existe tempo nem espaço. O ontem é o amanhã e o amanhã é o hoje. Tudo que se passa ou passou num intervalo de tempo para nós, infinitamente grande, para Deus seria como um estalar de dedos. Não existe tempo, não existe espaço físico, Deus é o tudo, o absoluto. Por isso dizemos que Deus é onipresente, é onisciente, é onipotente.

            Portanto, os textos fundamentados em base científica, frente aos com inspiração filosófico-teológica, não são antagônicos, não se contradizem; ao contrário, se fundem, se complementam.

            Que é um bilhão, um trilhão de anos para Deus? Um piscar de olhos? Um dia? Uma semana?

            O fiat lux Divino marcou o instante zero do Universo e o primeiro dia do Genesis.



Adendo



            A ação direta de Deus na Criação se deu em dois momentos: No princípio de tudo, quando segundo as escrituras sagradas Ele disse “faça-se a luz”. Aí, nesse instante, Deus concebeu todos os princípios científicos, todo, absolutamente todo o saber da ciência. A partir daí desencadeou-se o processo de formação do Universo.

            O segundo momento quando da criação da vida. O primeiro organismo vivo surgiu quando Deus, figuradamente, soprou sobre a célula máter e ela começou a dividir-se gerando outras e outras células mais. Então fez-se a vida, a partir da ação Divina num arcabouço material. A partir do sopro vital, do ânima, da alma imortal, do espírito, a vida inundou a Terra, gerando todos os seres vivos, culminando com a expressão máxima da criação, o Homem.
         Observamos aí dois grandes mistérios, um dado a conhecer aos Homens: o saber científico, com tudo que isso implica, bom uso e muitas vezes mal uso da ciência. O segundo e grande mistério do criador: a vida em si, a nossa alma imortal. Esse não nos foi revelado, talvez sobrevenha à própria vida, e quando nos for permitido conhecer, alcançaremos a plenitude da graça Divina.



“... Revelando coisas que eu não sei mistérios do Grande Autor, que se eu conhecer por nada eu trocarei”
(Trecho da música Vinde ó Espírito Santo)

Carlos Nunes