quarta-feira, 4 de março de 2015

O Batismo no Espírito Santo como experiência fundante

Transcrição, na íntegra, da pregação de Michelle Moran, então presidente do ICCRS, feita durante o ENF 2015, em 22/01 na cidade de Aparecida/SP.

É maravilhoso poder falar com vocês imediatamente após a fala do Papa. O Papa Francisco nos deu a direção e, agora, nós temos a responsabilidade de fazer isso acontecer. O Jubileu não é um ponto de chegada, mas é um momento para nós celebrarmos. E todos vocês, como líderes, têm uma responsabilidade: Quem vocês vão levar junto com vocês para o Jubileu? Não se trata de nós juntos fazermos uma festa, mas se trata de um mundo conhecer a obra transformadora de vidas que o Espírito Santo realiza. Todos nós temos um trabalho a fazer, portanto.
Uma das coisas que eu faço como parte da minha responsabilidade, eu tenho a oportunidade de me encontrar com o Santo Padre com frequência, e todas as vezes em que eu me encontro com o Santo Padre, eu quero que vocês saibam que levo toda a Renovação Carismática do mundo inteiro dentro do meu coração. Então vocês estão se encontrando com o Santo Padre com muita frequência.
Nesta manhã, eu quero refletir com vocês sobre o coração da Renovação Carismática Católica que é a experiência do Batismo no Espírito Santo. Em Pentecostes de 2008, nós estávamos reunidos na praça de São Pedro e o Papa Bento XVI falou conosco muito claramente sobre o Batismo no Espírito Santo. E ele disse: “Que nós possamos redescobrir a graça de ser batizados no Espírito Santo. A alegria e a beleza de sermos batizados no Espírito Santo”. Vamos lembrar-nos do nosso Batismo e do nosso Crisma e vamos pedir à Maria para ter um novo Pentecostes para nós. Vamos difundir e espalhar a graça de Pentecostes para todo o mundo.
Ele não estava falando só sobre a Renovação Carismática Católica e acho que temos que ouvir isso com nossos ouvidos muito abertos. Porque o que o Papa Bento estava fazendo era nos lembrar de que o Batismo no Espírito Santo não era só para os carismáticos, mas para toda a Igreja. Ele estava nos fazendo pensar sobre os Sacramentos do Batismo e do Crisma. Isso é uma coisa que nós carismáticos fazemos com frequência, nós nos lembramos da graça do Batismo e seguimos com a força do Sacramento do Crisma.
Bento XVI estava nos lembrando de que nós temos que ficar em expectativa pelo novo derramamento do Espírito e estarmos prontos para nos mover de acordo com a direção do Espírito. Nessa ocasião em que vocês puderam ver no vídeo hoje de manhã, no estádio olímpico, no ano passado, o Papa Francisco falou muito claramente e, desta vez, para a Renovação Carismática Católica: “Eu espero que vocês partilhem com todos na Igreja a graça do Batismo no Espírito Santo”. “EU ESPERO QUE VOCÊS”. Quem se sente
convidado com o Papa? Todos nós. E qual é a nossa tarefa? Partilhar com todos a graça do Batismo no Espírito Santo.
Então eu poderia perguntar para vocês: “o que vocês fizeram até agora?”. Desde que o Santo Padre nos pediu para fazer isso, o que nós temos feito? Tenho certeza de que nós fizemos muitas coisas. Mas, esta manhã eu quero motivá-los para fazerem mais, buscarem mais. Isso resultou numa Renovação Carismática enfraquecida, sem visão e sem força. Tenho de certeza que isso não se aplica ao Brasil. Mas, que quero partilhar com vocês o que acontece em nossa família ao redor do mundo.
Em algumas partes do mundo têm se dispendido muita energia na construção de estruturas, construindo estruturas e deixando que a parte organizacional tome um papel importante. Quero dizer para vocês que estruturas são importantes, mas o Santo Padre nos advertiu sobre o perigo da organização excessiva. A imagem que eu gosto de usar para descrever isso é: se nós pensarmos no Espírito Santo como fogo, eu já estive na Austrália muitas vezes, e, no verão, eles têm um grande problema com o fogo que pega na vegetação. Quando começa o incêndio, a madeira está muito seca e o fogo começa a se espalhar e gradualmente ele fica fora de controle. É muito perigoso, é caótico, é um grande problema. Sem as estruturas necessárias, quando as pessoas são batizadas no Espírito Santo e o fogo está queimando, esse fogo pode ser espalhar, mas também coisas caóticas podem acontecer. As pessoas podem acabar deixando a Igreja, acreditarem em heresias, fazendo a sua própria vontade em nome de Deus. Então, sim, nós precisamos das estruturas. Mas, se as estruturas forem muito pesadas, nós acabamos extinguindo o fogo.
No ano passado, eu estive no Peru e nós fizemos lá nosso programa de treinamento de liderança. Numa noite, nós fizemos nossa oração fora, em torno de um campo de fogo. Nós nos reunimos em torno daquele fogo e, então, um dos homens daquele grupo. E agora eu não quero dizer que só os homens têm a tendência de super organizar as coisas, mas alguns dos homens disseram: “Vamos construir esse fogo”. Então eles começaram a colocar muitas toras de madeira sobre aquela fogueira e gradualmente o fogo ia se apagando. Daí uma pessoa disse: “É porque o fogo não consegue respirar”. Então eles abriram aqueles pedaços de madeira e houve uma ignição. Acho que isso é uma imagem muito boa de como devemos pastorear o Batismo no Espírito Santo. Sim, nós precisamos de estruturas. Com certeza, as pessoas precisam das lideranças, mas nós não precisamos controlar, nem conter o Espírito Santo, porque, se nós fizermos isso, nós vamos extinguir a graça da Renovação Carismática. Acho que vocês entenderam, aleluia!
Em algumas partes do mundo, nós nos afastamos tanto do nosso fundamento, que as pessoas estão fazendo Seminários de Vida no Espírito, mas não estão sendo batizadas no Espírito Santo. Mas, eu me pergunto por quê? O Espírito Santo parou de agir? Não. O Espírito Santo se extinguiu, morreu? Não! Então,
por que as pessoas não estão sendo batizadas no Espírito Santo? Talvez vocês possam responder essa pergunta para mim. Eu acho que isso tem a ver com o fato de que como líderes nós não temos sido fiéis ao nosso fundamento e nós não estamos nos movendo com aquela fé expectante que tínhamos no início. Nós temos que voltar à simplicidade do início da Renovação Carismática Católica. Existem alguns Grupos de Oração que eu visito e nem tenho certeza de que eles ainda são Grupos de Oração carismáticos. Tem pessoas cantando, dançando, talvez alguém até faça uma leitura da bíblia e as pessoas rezam. É um bom Grupo de Oração, mas não é um Grupo de Oração carismático.
Nesses tempos em que estamos fazendo nossa jornada rumo ao Jubileu, nós temos que nós perguntar: “Nós somos carismáticos?”. Os nossos Grupos de Oração estão se movendo nos carismas? Nós estamos vendo coisas novas no Espírito? Nós estamos nos aprofundando em nossa vida de oração? Nós estamos sendo mais eficientes e eficazes em nossa evangelização? Estes todos são pontos importantes para nós refletirmos.
Me lembro agora de Atos 19, quando Paulo chega em Éfeso, ele pergunta para as pessoas: “vocês receberam o Espírito Santo quando foram batizados?” e vocês lembram que as pessoas disseram: “nós nem sabíamos que tinha o Espírito Santo”. Penso que existem pessoas na Renovação Carismática Católica que não conhecem toda a dimensão da graça do Batismo no Espírito Santo. Meus amigos, nós temos uma grande tarefa para cumprir, nós temos que nos revigorar, refrescar. Nós temos que fazer com que nossos Grupos se tornem jovens novamente. Nós precisamos de um novo Pentecostes, para uma nova evangelização.
Vamos voltar por um momento para o evento de Pentecostes em Atos 2. Lembrem que Pentecostes era uma festa judaica. Então eles se reuniam para celebrar essa festa que fazia memória das leis sendo dadas a Moisés no monte Sinai. Então nós temos que ler Atos 2 juntamente com Êxodo 19. Santo Agostinho, em uma de suas homilias, observou que se passaram 50 dias entre a saída do Egito e o recebimento das tábuas da lei no monte Sinai. Então, se passaram também 50 dias entre o sacrifício do cordeiro, Jesus Cristo, e o recebimento do Espírito na festa de Pentecostes. Agora que nós nos aproximamos do nosso 50º aniversário, penso que nós precisamos ficar em atitude de expectativa. Penso que nós podemos viver uma experiência nova com o Espírito Santo. A mensagem é a mesma no livro do Êxodo 19, 10, o Senhor disse: “preparem-se, aprontem-se”. Em Atos 1, 4, aos apóstolos é dito que eles devem esperar pela promessa do Pai. Hoje o Senhor diz para nós: “estejam preparados, aprontem-se, fiquem na expectativa, fiquem atentos à minha palavra”. Estejam preparados para mais daquilo que o Pai prometeu.
No monte Sinai, houve uma manifestação de Deus. Trovões, raios, trombetas, fumaça, fogo, mas somente Moisés estava lá na montanha, ele estava acompanhado de Aarão e ele era o mediador entre o povo e Deus. Em Atos 2,
Deus se manifesta. Há fogo, vento, a sala se move, mas não há mediador. O Espírito Santo diretamente repousa sobre cada pessoa. O Batismo no Espírito Santo é pessoal. Todos precisam de um Pentecostes pessoal. E o nosso Batismo no Espírito Santo nos permite viver agora toda a grandeza da graça do batismo. Se nós pudéssemos realmente entender isso, o mundo seria transformado. Deus, através do Espírito Santo, quer transformar o mundo através de mim e através de você. No dia de Pentecostes, a promessa de Deus foi cumprida: Joel 3, 1 – “Eu derramarei o meu Espírito sobre todos os seres humanos”. O Senhor derramou o seu Espírito. Amém? Onde Ele derramou o Espírito? Em mim, em você, em todo mundo. Nós temos que ajudar as pessoas a verem o que Deus fez. Nós temos que ajudar as pessoas a receberem o que Deus fez. Nós temos que assumir nosso lugar nesse novo tempo, nesta nova era do Espírito Santo. Nós temos o Espírito Santo dentro de nós. É daí que temos o tema deste nosso Encontro, nós vivemos sob a lei do Espírito de graça. Quero, portanto, motivá-los para abrirem os seus corações para receberem mais daquilo que Deus já fez. Para cada dia receberem mais das graças do seu Batismo e do seu Crisma, mas que também estejam abertos para as novidades do Espírito Santo.
Vejam, o Espírito não foi dado no dia de Pentecostes para nós termos uma experiência espiritual. A vida no Espírito não quer dizer que é uma experiência. O Espírito não foi derramado no dia de Pentecostes para que nós fôssemos curados. O Espírito não foi dado em Pentecostes para que nós pudéssemos ter dons carismáticos. Essas coisas são muito importantes. Mas, em primeiro lugar, o Espírito foi derramado no dia de Pentecostes para formar um povo que fizesse aliança com Ele. Pentecostes começou uma nova era: a Igreja, onde Deus tem levantado pessoas do Espírito. E não são somente pessoas da Renovação Carismática, mas eu creio que nós temos uma responsabilidade especial, por causa daquilo que nós já vimos, já ouvimos, por causa do que nos vivemos. O Senhor nos chama a sermos testemunhas até os confins do mundo. Então precisamos constantemente clamar para ter mais do Espírito Santo.
No I Coríntios 1, 4-7, Paulo parabeniza a comunidade. Ele diz: “eu nunca deixei de agradecer por vocês. Eu agradeço a Deus por vocês terem sidos abençoados de tantas maneiras e agradeço a Deus porque o amor a Jesus Cristo é forte entre vocês.” Mas depois, em I Cor 3, 1, Paulo diz: “eu não consegui falar com vocês como a pessoas do Espírito”. Eu peço a Deus que quando Ele olhar para a Renovação Carismática, Ele se alegre. Eu espero que o Senhor ache que aquilo que nós fizemos foi bom. Mas eu não gostaria que Ele dissesse: “Vocês não são espirituais”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são imaturos no Espírito”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são líderes, mas vocês não trabalharam para que se difundisse para o mundo essa graça”. Então o convite para nós esta manhã é “voltem”! Voltem para aquela base aquele, aquele fundamento soberano da Renovação Carismática. Voltem
para a graça do Batismo no Espírito Santo. E quando eu digo “voltem”, eu não quero que vão para trás. Nós não somos pessoas que estão voltando para trás, nós estamos nos movendo para frente. Talvez nós tenhamos que redescobrir esse nosso fundamento para que nós possamos nos mover com uma nova força.
Em novembro de 2013, um grupo de líderes de todo o mundo se reuniram na Terra Santa para escutar o Senhor nessa nossa jornada rumo ao Jubileu. Em um daqueles, dias nós fizemos uma peregrinação a Jerusalém e nós tínhamos a esperança de podermos nos reunir no local do Cenáculo. Mas o Cenáculo é um dos lugares santos que não é cuidado pelos franciscanos. A polícia é que controla aquela área. Então, vamos até o Cenáculo e temos que passar por ele, não podemos ficar lá. Nós éramos 160 pessoas e nós chegamos lá com uma visão no nosso coração. Nós queríamos ficar lá no Cenáculo. Meu marido estava lá com o seu violão e o policial disse “sem violão”. Então nós nos perguntamos: o que vamos fazer? E o policial disse: “Ah! Vão, vão...” e nós fomos com o violão. Quando nós temos um violão, nós temos um Grupo de Oração e nós tínhamos que nos mover rapidamente no Espírito. Então muito rapidamente começamos a rezar. Éramos pessoas de muitas diferentes línguas, então nós oramos na linguagem do Espírito. E nós ficamos lá, naquele lugar que não pode ficar muito tempo, por mais de uma hora. Creio que aquela foi uma reunião de oração profética. Líderes carismáticos de diferentes línguas, de todas as partes do mundo, reunidos no Cenáculo. Numa certa altura, o policial foi lá ver o que estava acontecendo. Ele entrou lá no Cenáculo e ficou olhando, nós rezamos ainda mais alto em línguas. E o policial saiu. Vejam, quando nos movemos no poder do Espírito Santo, nada pode nos impedir.
O que Deus nos falou no Cenáculo? Certamente o que Ele disse a cada um de nós foi “recebam um novo Pentecostes pessoal. Não somente para você mesmo, mas para todas as pessoas que você representa”. Eu creio que, naquele dia, o Brasil recebeu um novo Pentecostes. Aleluia! Mas, nós temos que nos apropriar desse novo Pentecostes, nós temos que recebê-lo. A última palavra profética que nós ouvimos lá no Cenáculo foi: “Eu derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito. Eu vou derramar o meu Espírito abundantemente e perpetuamente até que tenha sido realizado aquilo que eu desejo”. Vocês acreditam que o Senhor está derramando o seu Espírito? Vamos ficar de pé. Nós vamos rezar pedindo mais do Espírito Santo. Há um novo refrigério que o Senhor quer nos dar hoje. Nós não vamos pensar mais nas bênçãos de ontem, nós queremos um novo toque do Espírito. Vamos orar no Espírito para receber mais do Espírito!
Senhor, dá-nos o novo do teu Espírito, dá-nos o teu refrigério. Senhor, renova-nos no poder do teu Espírito, transforme as nossas vidas. Traga a novidade para dentro da tua Igreja, Senhor. Traga conversão para o nosso mundo, que a Tua Palavra vá até os confins do mundo no poder do Espírito Santo, amém!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Teoria do gênero



 


Nos dias de hoje, pouco a pouco, a palavra "sexo" está sendo substituída pela palavra "gênero". Antes se falava em "discriminação de sexo"; agora se fala em "discriminação de gênero". Tudo parece muito inocente. Afinal, "sexo" possui um significado secundário, subentendendo relação sexual ou atividade sexual. "Gênero" parece mais delicado e refinado. Ledo engano, pois, por trás da palavra "gênero", agora adotada por muitos, para substituir a palavra "sexo", há uma teoria, um programa e uma política de atuação arquitetados para que venham a prevalecer certos conceitos acerca desse tema... Explico-me. 
A teoria do gênero é uma hipótese segundo a qual a identidade sexual do ser humano depende do ambiente sociocultural e não do sexo - homem ou mulher - que o caracteriza, desde o instante da concepção.
Assim, o nosso sexo biológico não seria mais importante do que o fato de alguém ser alto ou baixo, branco ou afrodescendente; a identidade, feminina ou masculina, teria pouco a ver com as características biológicas do nosso corpo, pois essa identidade seria, de fato, imposta pela sociedade. Sem outra escolha, desde a mais tenra idade cada pessoa interiorizaria o papel que supostamente deve desempenhar na sociedade, na condição de homem ou de mulher. Segundo essa teoria, o nosso gênero deveria ser alicerçado na nossa orientação sexual, a qual somos livres para aceitar. Essa orientação poderia ter formas diversas, bem como poderia alterar-se ao longo dos anos.
Em outras palavras: a teoria do gênero subestima a realidade biológica do ser humano. Valoriza, sim, a construção sociocultural da identidade sexual, opondo-a à natureza. Enquanto "sexo" designa a realidade biológica - menino ou menina -, "gênero" designa a dimensão social do sexo. De acordo com essa teoria, o termo "gênero" designa a masculinidade ou feminilidade construída pelo ambiente social e cultural (idioma, educação, modelos propostos etc.). O gênero não dependeria do sexo biológico: seria subjetivo, pois obedeceria à percepção que cada indivíduo tem de si mesmo e da sexualidade que escolheu viver.
As consequências dessa teoria são imensas. Nasce, assim, um novo "modelo" familiar. A família - formada a partir de um casal composto por um homem e uma mulher - não seria mais legítima do que outras formas de "família". 
Biologicamente, todo ser humano é homem ou mulher. Desde o nascimento, a educação e a cultura, absorvidas pelo ser humano em formação, interagindo com o meio social e, sobretudo, com a presença dos pais (pai e mãe) e das pessoas com quem a criança convive, permitem que ela construa, pouco a pouco, a sua identidade de menino ou menina. Assim, a criança forma a sua identidade sexual do ponto de vista psicológico, cultural. É natural que o comportamento social (o gênero) esteja em harmonia com o sexo biológico.
Os adeptos da teoria do gênero pretendem que, por um simples ato de vontade, poderíamos alterar a realidade do que somos, escolhendo a nossa identidade sexual: "Eu não sou o corpo que tenho". Desconectar o sexo do gênero e considerar que a identidade sexual repousa apenas sobre o gênero resulta em apagar uma evidência anatômica. O nosso corpo mentiria para nós? Adotar essa teoria significa querer uma sociedade baseada numa ilusão.
Sejamos realistas: nascemos menino ou menina. A procriação necessita de pai e mãe. A criança precisa de pai e mãe para se desenvolver, para construir a sua personalidade. Observamos que em casos de dificuldade os psicólogos apelam para o pai e a mãe para solucionar o problema relacional do filho. As respostas do pai e da mãe enriquecem umas às outras, complementam-se e permitem resolver os problemas.
Por fim, lembro o que poderia ter sido colocado no início do texto, e que está no começo da Bíblia: "E o Senhor Deus disse: `Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda´... Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne" (Gênesis 2,18.24).
Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Passos firmes pelo Espírito Santo: 48 anos de Renovação Carismática Católica


A Renovação Carismática Católica completa 48 anos de existência. O Movimento inspirado por Deus para difundir a Cultura de Pentecostes tem uma história cheia de graças e bênçãos. Uma caminhada de mais de quatro décadas que está marcada com diversos testemunhos e experiências fervorosas com o amor de Deus através do Espírito Santo.
Entre 17 a 19 de fevereiro de 1967, sob a luz do Paráclito, mais de 30 pessoas, dentre elas jovens estudantes e professores, se reuniram em retiro na Universidade de Duquesne, em Pittsburg, na Pensilvânia, para orar e estudar a Bíblia. Neste evento, em dado momento, os participantes foram levados a se colocarem diante do Santíssimo Sacramento, mal sabiam o que o Senhor lhes propunha, mas foram dóceis ao que Ele lhes pedia.
Os jovens ali presentes tiveram a experiência do Batismo no Espírito Santo. Um Pentecostes pessoal acontecia na vida deles e o poder do Espírito se manifestava de diversas formas. Mas aquele ardor que havia sido infundido pelo Espírito Santo não acabou junto ao conhecido Retiro de Duquesne. Revigorados através do batismo no Espírito, os estudantes e professores começaram a difundir essa experiência para outras pessoas, tal como os apóstolos fizeram depois de Pentecostes (cf. Atos 4,31).
Após toda essa experiência, a Renovação Carismática Católica foi crescendo e se difundindo pelo mundo inteiro. Grupos de Oração foram formados, retiros realizados e a cada dia podia se ver que mais pessoas tinham seu encontro pessoal com Deus por meio do Batismo no Espírito Santo.
Com o seu crescimento, o Movimento foi confirmado e abençoado por diversos Pontífices. Papa Paulo VI afirmou que era necessária uma renovação no Espírito; João XXIII trouxe o Concílio Vaticano II; Papa João Paulo II desejou “vida longa aos carismáticos”, quando se encontrou com líderes da RCC; o Papa Bento XVI falou sobre a importância da propagação da Cultura de Pentecostes, “que é tão necessária”, e Papa Francisco chamou a RCC de “corrente de graça para a Igreja”.
Comemorando seus 48 anos, a RCC continua viva, apresenta-se cada vez mais missionária, mas sabe que ainda há muito a amadurecer e que precisa ser cada vez mais efetiva em suas ações de evangelização. Por isso, o ICCRS (Serviços Internacionais da Renovação Carismática Católica) propõe um aprofundamento da identidade do Movimento e intensificação de missões como preparação para o Jubileu de Ouro da RCC a ser celebrado em 2017, na Praça de São Pedro em Roma.
Celebrando os 50 anos da RCC
Em comunhão com o Movimento de todo o mundo, a Renovação Carismática Católica do Brasil se organiza para estar presente neste momento de profunda intimidade com o Espírito Santo e grande festa!
Por isso, a RCCBRASIL oferece um pacote especial de peregrinação para o Jubileu de Ouro. São oito dias de peregrinação por Roma, com saída em 29 de maio de 2017 e retorno no dia 5 junho. Aos interessados que adquirir o pacote até 28 de fevereiro o valor é de R$4.880,00 mais a taxa de adesão de R$180,00. Após esta data, o valor será de R$5.880,00.
Para saber sobre as formas de pagamento, conhecer os pacotes adicionais e outras informações, entre em contato pelo e-mailperegrinacao@rccbrasil.org.br ou pelo telefone (12) 3151-4155.
Ao relembrar todas essas maravilhas neste dia, queremos junto com a RCC do mundo, glorificar a Deus pelas inúmeras graças derramadas ao longo desses 48 anos, pelas incontáveis famílias que foram transformadas pelo Batismo no Espírito Santo, pelos muitos encontros pessoais com Jesus, pelos tantos corações que um dia foram impactados ao saber: “Jesus te ama!”.
Que pela intercessão da Beata Elena Guerra, nós, Renovação Carismática Católica, sejamos semeadores eficazes da Cultura de Pentecostes. Que sejamos tão apaixonados por Jesus, a ponto de colocar nossa vida em missão! E continuemos sempre atentos ao mover do Espírito, que nos conduz a caminhar sempre de acordo com sua vontade.
(www.rccbrasil.org.br)




domingo, 22 de fevereiro de 2015

O sentido cristão do sexo


Antes de tudo o casal cristão precisa conhecer bem o sentido do sexo no plano de Deus. Ele o quis. De todas as alternativas possíveis que Deus poderia ter empregado para gerar e manter a espécie humana, Ele escolheu a relação física e espiritual do amor conjugal. Deus quis que o casal humano fosse o arquétipo da humanidade, e que sua geração fosse por meio da via sexual.
Além disso, por meio deste ato, quis aprofundar o amor do casal. Então, a conclusão a que se chega, é que Deus não só inventou o sexo, mas o dotou de profunda dignidade e sentido, e por isso colocou normas para ser vivido de maneira correta, para que não causasse desajustamento e sofrimento.
Deus quis que o ser humano fosse material e espiritual, algo como uma síntese bela do animal que apenas tem corpo, com o anjo que apenas é espírito.
E dotando-o de corpo quis que o homem fosse sexuado como os animais; porém, a sua vida sexual devia ser guiada não pelo instinto, como nos animais, mas, pela alma, e iluminada pela inteligência, embelezada pela liberdade, conduzida pela vontade e vivida no amor.
A vida sexual é algo muito sublime no plano de Deus; por isso, jamais um casal deve pensar que Deus esteja longe no momento de sua união mais íntima; pois este ato é santo e santificador no casamento e querido por Deus.
O amor conjugal tem um sentido único; o amor entre dois seres do mesmo sexo, como, por exemplo, pai e filho ou dois amigos, não contém a complementação no plano físico. O uso do sexo no seu devido lugar, no casamento, bem entendido nos seus aspectos espiritual e psicológico, é um dos atos mais nobres e significativos que o ser humano pode realizar; pois ele é a fonte da vida e da celebração do amor. A virtude da castidade, mais do que consistir na renúncia ao sexo, significa o seu uso adequado.
Diz o Dr. Alphone H. Clemens, Diretor do Centro de Aconselhamento da Universidade Católica da América, Washington, D.C., sobre o ato sexual:
“É um ato de grande beleza e profunda significação espiritual, pois o amor conjugal entre dois cristãos em estado de graça, é uma fusão de dois corpos que são templos da Trindade, e uma fusão de duas almas que participam da mesma Vida Divina… Por outro lado, usado com propriedade, torna-se uma fonte de união, harmonia, paz e ajustamento. Intensifica o amor entre o esposo e a esposa, e funciona como escudo contra a infidelidade e incontinência. A personalidade humana integral, mesmo nos seus aspectos sobrenaturais, é enriquecida pelo sexo, uma vez que o ato do amor conjugal também é merecedor de graças” (Clemens, 1969, p. 175).
Afirma Raoul de Gutchenere, em “Judgment on Birth Control” que:
“Foi reconhecido há já bastante tempo, que […] as relações sexuais produzem efeitos psicológicos profundos, especialmente sobre a mulher”, uma vez que o esperma absorvido por seu corpo, desempenha um papel dinamogênico, promovendo o equilíbrio. De modo geral, o ato de amor conjugal provoca o relaxamento, vigor, autoconfiança, satisfação, sensação geral de bem estar, sensação de segurança e uma disposição que conduz ao esquecimento de atritos e tensões de menor importância entre o casal” (Apud Clemens, p. 177).
Não é à toa que São Paulo, há 2000 anos já recomendava aos cônjuges cristãos: “não vos recuseis um ao outro… afim de que Satanás não vos tente” (1Cor 7,5).
A recusa do sexo sem motivo pode representar não apenas uma injustiça para com o cônjuge, mas também o perigo de o expor à infidelidade e o casamento ao fracasso. Isso mostra que os casais não devem ficar muito tempo separados quaisquer que sejam os motivos, especialmente por razões menores. O afastamento prolongado deles pode gerar uma situação de estresse especialmente para o homem. Alguns conseguem superar essa abstinência sexual forçada com uma sublimação religiosa, mas nem todos tem a mesma disposição.
No entanto, é preciso dizer que os especialistas mostram em suas pesquisas que “outros fatores que não o sexo são mais importantes para a felicidade matrimonial”, uma vez que muitos casais superam seus problemas e angústias com um amor autêntico.

Prof. Felipe Aquino  (Trecho retirado do livro: A vida sexual no casamento – Editora Cléofas)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O amor pode terminar?


Quando tempo pode durar o casamento? Ou ainda, quando é que ele começa a desmoronar? Até há pouco, pensava-se que as primeiras crises chegassem depois de sete anos de “feliz” convivência. Em seguida, o tempo se abreviou, e o prazo de sua validade foi reduzido para cinco anos. Ultimamente, um levantamento feito pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, com aproximadamente 10.000 casais, descobriu que o amor não sobrevive mais de três anos – dado que coincide com outro estudo feito no Reino Unido, entre 2.000 casais.
«Paixão eterna só existe na ficção», afirma o psicólogo Bernardo Jablonksi, autor do livro: “Até que a vida nos separe: a crise do casamento contemporâneo”. Contudo, as diversas separações que ele atravessou podem provir do fato de ter identificado o amor com a emoção: «Na paixão, você sofre, deixa de se alimentar, não consegue dormir. Não poder durar!».
Dessa confusão não escapa outro psicólogo de renome, Aílton Amélio. Fundamentado no princípio de que tudo na vida precisa ser alimentado para não morrer, ele conclui: «O amor pode terminar, porque precisa ser nutrido por fatos. É como andar de motocicleta: se parar, cai».
Apesar da dificuldade de distinguir as coisas, o cineasta Roberto Moreira consegue descortinar uma luz no fundo do túnel: «O amor pode ser eterno, mas a probabilidade é pequena. Relacionamento que dure mais de dez anos é um sucesso». Referindo-se ao seu filme “Quanto dura o amor?”, lançado em 2009, Moreira apresenta a solução do enigma: «Talvez o melhor título fosse “Quanto dura a paixão?”, porque o amor só existe quando o parceiro deixa de ser uma projeção nossa».
Como já se tornou lugar-comum afirmar, amor é a palavra mais inflacionada do planeta. Diz tudo e não diz nada! Pode ocultar um egoísmo tão atroz que seu fruto é o desespero e a morte.
Contudo, para os cristãos, sua realidade resplandece como o sol. Quem encontrou seu pleno significado foi o evangelista São João. Por que ele é o único dos apóstolos que, por mais vezes, se declara o “discípulo amado” por Jesus? A resposta é simples e… deslumbrante: porque foi ele quem escreveu a página mais comovedora da Bíblia e fez a descoberta mais revolucionária da história: «Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele» (1Jo 4,16).
Mas, o que é o amor? Eis a resposta de São João: « Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. O amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e nos enviou o seu Filho para nos libertar de nossos pecados» (1Jo 4,9-10).
Para São João, amar é dar o que de melhor existe no coração humano – sem dúvida, fruto do sacrifício – para que a pessoa que está ao lado tenha uma vida digna e plena. Assim como faz Deus, que oferece o que de mais precioso tem: seu filho Jesus.  Amar é sair de si mesmo, é esvaziar-se de seus interesses para que o outro se liberte e se promova, em seu sentido mais verdadeiro e profundo. Por isso, o amor exige autodomínio e heroísmo, ao pedir que nos coloquemos diante de cada pessoa sem levar em conta as emoções, as mágoas, os apegos e os preconceitos que se aninham em nosso coração. Amar é tomar sempre a iniciativa: «Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho».
O amor humano, embora bonito, misterioso e arrebatador, não é suficiente para preencher o espírito humano. Se é indispensável para iniciar um casamento, é insuficiente para mantê-lo de pé a vida inteira: «O fato de sermos amados por Deus enche-nos de alegria. O amor humano encontra sua plenitude quando participa do amor divino, do amor de Jesus que se entrega solidariamente por nós em seu amor pleno até o fim» (Documento de Aparecida, 117).
O que pode acabar – às vezes, com uma rapidez tão espantosa que se transforma em seu contrário – é a emoção, o sentimento, a emotividade. Mas o amor verdadeiro nunca termina, simplesmente porque se identifica com Deus. Nessa simbiose divina, ele passa a ter a fisionomia de Deus: paciente e prestativo, humilde e perseverante, misericordioso e gratuito: «Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (Cf. 1Cor 13,4-7).
Dom Redovino Rizzardo, cs - Bispo de Dourados – MS


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Viver e caminhar no Espírito


“Se vivemos pelo Espírito, andemos de acordo com o Espírito” (Gl 5,25). Este versículo bíblico foi tema do ENF 2015 – Encontro Nacional de Formação para coordenadores e ministérios da RCC Brasil). Mais que tema, que motivação, foi moção para todo o ano 2015. Indo além, mais que tema, mais que moção, é ordem de Deus para toda a vida. Enquanto caminhamos nesta terra, andemos de acordo com aquilo que o Espírito Santo coloca em nosso coração; caminhemos com ele, guiados por Ele, para que ao chegar a plenitude de nosso tempo sejamos levados por Ele, através de Jesus, ao Pai.
No texto bíblico onde o versículo acima está inserido, no verso 18, Paulo nos diz que quem vive sob a ação do Espírito Santo não está sob o jugo da lei. O que isso significa para nós hoje? Estamos largados, a revelia da lei? Podemos fazer o que quisermos? Não! Isso significa que quem vive e caminha com o Espírito Santo não transgride a lei, seja tanto a lei civil (dos homens) como a lei de Deus (os mandamentos). Isto se faz naturalmente, em decorrência da ação do Espírito Santo mesmo que desconheçamos as leis.
Todos batizados temos o Espírito Santo, até o pior bandido. Uma frase de um famoso escritor me chama a atenção; diz assim: “No pior homem do mundo existe algo de cada um de nós; em cada um de nós existe algo do pior homem do mundo”. O que seria esse algo? Podemos fazer alusão ao Espírito Santo. Então, ter o Espírito Santo e caminhar no Espírito são coisas diferentes. Viver no Espírito é experimentar, sentir a presença; é obra de Deus. Andar no Espírito é agir, deixar-se levar; é dever do homem. Viver no Espírito é estado de Graça. Andar no Espírito é obediência.
Somos batizados, somos filhos de Deus e como tal, sejamos obedientes nos abrindo a ação do Espírito Santo, nos deixando conduzir por Ele, conhecendo e amando esse Deus maravilhoso que nos ama intensamente. Deus digno de todo louvor, Deus apaixonado!  Deus apaixonado por cada um de nós, apaixonado por você. Não confundamos com paixão humana, um sentimento intenso, porém efêmero. A paixão de Deus é uma paixão de sacrifício, de sangue derramado. A paixão de Deus por nós é perene. No sacrifício salvifico de Jesus pela humanidade fica claro seu imenso amor, sua paixão desmedida. Podemos dizer sim, com toda certeza, Deus é um Deus apaixonado.
Abramo-nos a ação do Espírito Santo, sintamos no coração esse amor ardente e possamos ouvir sua voz suave a nos dizer: Sou apaixonado por você, sou seu Deus.  




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Por que um católico não deve consultar horóscopo?


O diabo não busca outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus
A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.
Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:
1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;
2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;
3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que então a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;
4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registram-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).
Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que leem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável. Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa em seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando veem que a previsão é negativa, acabam cedendo às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.( Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/horoscopo-faz-mal-saude-mental-11063132)
Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gêmeos. Veja por exemplo caso de Esaú e Jacó (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gêmeos sabem muito bem disso.
Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vênus ou quiçá de outros astros”.
Querer predizer os costumes, os atos e os eventos baseando-se sobre esse tipo de observação, é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes dessa superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demônios. Essas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.
Em doutrinas desse gênero, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demônios que, juntamente com seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus.”
“Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões, I, IV, c. 3).
“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.
“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado a forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias se amedronta e dobra diante de poderes fictícios – o que não é cristão.” (D. Estevão)

São Tomás de Aquino, em sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demônio quer ser adorado, por isso se esconde atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.                                                                                                                               Prof. Felipe Aquino

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Efeitos da Graça na nova vida em Cristo


'Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos sóbria, justa e piedosamente neste mundo, aguardando nossa esperança feliz e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo. Ele, que se entregou por nós a fim de nos resgatar de toda iniquidade e adquirir para si um povo exclusivamente seu e zeloso na prática do bem.' (Tito 2, 11-14) 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

LIBERDADE DE CULTO


SOMOS TODOS CHAMADOS A VIVER A LIBERDADE E A FIDELIDADE EM CRISTO JESUS



O Concílio Vaticano II, através da Declaração Dignitatis Humanae, ensina que "a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coação, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. O direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser de tal modo reconhecido que se torne um direito civil" (DH 2).
A Constituição do nosso país consagra como direito fundamental a liberdade de religião. A Constituição também reza que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A intolerância e o fanatismo religiosos não podem ser tolerados.

A liberdade de culto, consequência da liberdade religiosa, se dá no contexto social e, por isso, deve ter em conta os direitos alheios, o dever para com os outros e o bem comum. A Igreja nos ensina que para com todos devemos proceder com justiça e bondade, e, no uso de qualquer liberdade, deve ser sempre respeitado o princípio da responsabilidade pessoal e social.
O Papa Francisco lembrou, em 2014 no Oriente Médio, que a liberdade religiosa é um direito humano fundamental que deve ser considerado em todo mundo. Em matéria religiosa, este direito abrange tanto a liberdade individual como a coletiva de seguir a própria consciência, como é a liberdade de culto.
A liberdade de evangelizar é um princípio fundamental da Igreja. Nós, cristãos, temos a liberdade, o direito e o dever de levar a mensagem da salvação a todos os povos, a toda pessoa humana, respeitando a liberdade pessoal e social de cada pessoa. Jesus nos incumbiu desta missão: "Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade" (Mc 16,15). Através do culto e do testemunho, expressamos o dom da fé que recebemos da Igreja. Com caridade e respeito somos chamados a ser bons instrumentos para que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (ITm 2,1-4).
A liberdade para nós é fruto da Verdade que conhecemos e experimentamos em Cristo Jesus. Nele, nossa maior alegria, a liberdade abraça a fidelidade.
"Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Portanto permanecei firmes..." (Gl 5,1).
A Igreja, por obra do Espírito, cresce por atração. Livres, respeitosos e fiéis sempre.

DOM JOÃO INÁCIO MULLER-Bispo da diocese de Lorena-SP 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Quem é Deus?

As religiões e a filosofia se perguntavam “o que é Deus?”, mas, pela revelação, o homem é levado a se perguntar “quem é Deus?”

     Ao longo da história, todas as culturas se fizeram esta pergunta; tanto é assim, que os primeiros sinais de civilização se encontram, geralmente, no âmbito religioso e cultural. Crer em Deus está, em primeiro lugar, para o homem de qualquer época.
     A diferença essencial está em qual Deus se crê. De fato, em algumas religiões pagãs, o homem adorava as forças da natureza, enquanto manifestações concretas do sagrado, e contavam com uma pluralidade de deuses, ordenada hierarquicamente. Na Grécia Antiga, por exemplo, também a divindade suprema, em um panteão de deuses, era regida, por sua vez, por uma necessidade absoluta que abarcava o mundo e os próprios deuses.
     Para muitos estudiosos da história das religiões, em muitos povos ocorreu uma progressiva perda a partir de uma “revelação originária” do único Deus. Mas, em todo caso, inclusive nos cultos mais degradados, podem ser encontradas chispas ou indícios em seus costumes da verdadeira religiosidade: a adoração, o sacrifício, o sacerdócio, o oferecimento, a oração, a ação de graças etc.
     A razão, tanto na Grécia como em outros lugares, tratou de purificar a religião, mostrando que a divindade suprema deveria se identificar com o bem, a beleza e o próprio ser, enquanto fonte de todo bem, de todo o belo e de tudo o que existe. Mas isso sugere outros problemas, concretamente o afastamento de Deus por parte do fiel, pois, desse modo, a divindade suprema ficava isolada em uma perfeita autarquia, já que a mesma possibilidade de estabelecer relações com a divindade era vista como um sinal de fraqueza. Além disso, tampouco fica solucionada a presença do mal, que aparece, de algum modo, como necessária, pois o princípio supremo está unido por uma cadeia de seres intermediários, sem solução de continuidade, ao mundo.
     A revelação judaico-cristã mudou radicalmente este quadro: Deus é representado, na Escritura, como Criador de tudo o que existe e Origem de toda força natural. A existência divina precede absolutamente a existência do mundo, que é radicalmente dependente do Senhor. Aqui está contida a ideia de transcendência: entre Deus e o mundo a distância é infinita e não existe uma conexão necessária entre eles. O homem e todo o criado poderiam não ser, e naquilo que são dependem sempre de outro; ao passo que Deus é e o é por si mesmo.
     Esta distância infinita, esta absoluta pequenez do homem diante de Deus, mostra que tudo o que existe é querido por Ele com toda Sua vontade e liberdade: tudo o que existe é bom e fruto do amor (cfr. Gn 1). O poder de Deus não é limitado nem no espaço nem no tempo, por isso Sua ação criadora é dom absoluto, é amor. Seu poder é tão grande que quer manter Sua relação com as criaturas; inclusive salvá-las se, por causa de sua liberdade, afastarem-se do Criador. Portanto, a origem do mal deve ser situada em relação com o eventual uso equivocado da liberdade por parte do homem – coisa que, de fato, ocorreu, como narra o Gênesis: vid. Gn 3 –, e não com algo intrínseco à matéria. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que, em razão do que se acaba de mencionar, Deus é pessoa que atua com liberdade e amor. As religiões e a filosofia se perguntavam “o que é Deus?”, mas, pela revelação, o homem é levado a se perguntar “quem é Deus?” (cfr. Compêndio, 37); um Deus que sai ao seu encontro e busca o homem para falar-lhe como a um amigo (cfr. Ex 33,11). Tanto é assim que o Senhor revela a Moisés o Seu nome, “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14), como prova de Sua fidelidade à aliança e de que o acompanhará no deserto, símbolo das tentações da vida.
     É um nome misterioso que, em todo caso, nos dá a conhecer as riquezas contidas em Seu mistério inefável: somente Ele é, desde sempre e para sempre, aquele que transcende o mundo e a história, mas que também se preocupa com o mundo e conduz a história. Ele foi quem fez o céu e a terra, e os conserva. Ele é o Deus fiel e providente, sempre junto a Seu povo para salvá-lo. Ele é o Santo por excelência, “rico em misericórdia” (Ef 2, 4), sempre disposto ao perdão. Deus é o ser espiritual, transcendente, onipotente, eterno, pessoal e perfeito. Ele é a verdade e o amor” (Compêndio, 40).
     Assim, pois, a revelação se apresenta como uma novidade absoluta, um dom que o homem recebe do Alto e que deve aceitar com reconhecimento de ação de graças e um obséquio religioso. Portanto, a revelação não pode ser reduzida a meras expectativas humanas, vai muito mais além: ante a Palavra de Deus que se revela só cabe a adoração e o agradecimento, o homem cai de joelhos ante o assombro de um Deus, que, sendo transcendente, se faz interior íntimo (Santo Agostinho, Confissões, 3, 6, 11), mais próximo de mim que eu mesmo e que busca o homem em todas as situações de sua existência: “O criador do céu e da terra, o único Deus que é fonte de todo ser, este único Logos criador, esta Razão criadora ama pessoalmente ao homem, mais ainda, ama-o apaixonadamente e quer, por sua vez, ser amado. Por isso, esta Razão criadora, que ao mesmo tempo ama, dá vida a uma história de amor (…), amor que se manifesta cheio de inesgotável fidelidade e misericórdia; é um amor que perdoa além de todo e qualquer limite”
Por Papa Bento XVI, Discurso na IV Assembléia Eclesial Nacional Italiana.




terça-feira, 27 de janeiro de 2015

UM SENTIMENTO CHAMADO SAUDADE!


Ano novo, novas expectativas e no coração muitos sentimentos diferentes, entre eles as lembranças... Quem  de  nós  já  não   se  recordou  nas   festas comemorativas de fim de ano de um ente querido com aquele anseio de tê-lo bem perto, mas ciente que já se foi, ou se encontra distante sem poder ver. Esta vontade de estar perto tem nome, saudade.
Pois bem, não é atoa que neste mês, no dia trinta, se comemora o dia da "saudade". Como eu sinto saudade! Mas o que vem a ser esse sentimento que todos nós temos, mas somente na língua portuguesa existe a definição? Saudade, palavra que serve para definir o sentimento da falta de alguém, de algum momento ou lugar. Mas independente de quem quer que seja, raça ou nação, é do ser humano sentir saudade como define Mário Quintana: "Solidão na penumbra do amanhecer, via você na noite, nas estrelas, nos planetas, nas matas, no brilho do sol, e no amanhecer, via você no ontem, no hoje, no amanha... Mas não via você no momento. Que saudade...".
São Paulo em suas cartas manifesta seus sentimentos por aqueles que dedicaram afeto. Em Filipenses - 1,8 e 4:1 nos partilha: "Deus é testemunha de que tenho saudades de todos vós, com ternura do Cristo Jesus". "Portanto, meus irmãos, dos quais sinto tanta saudade, minha alegria e minha coroa continuais firmes no Senhor, ó meus queridos!".
Na verdade, quem tem saudade quer voltar no tempo para resgatar o sentimento de afeto retido no coração,com anseio de tocar na realidade que já se foi.
Nelsinho Corrêa da Comunidade Canção Nova, não deixa de cantar este sentimento:
"Só se tem saudade do que é bom
Se chorei de saudade não foi por fraqueza
Foi porque eu amei..."
Creio que todos nós já sofremos de saudade, podemos até negar e dizer: "Eu não, eu não sinto isso." Não é feio chorar de saudade, podemos nos permitir sentir nossas verdades e assim tomar a nossa vida nas mãos, por mais dolorosa que tenha sido nossa história ou maravilhosas as experiências de amor com quem partiu para não mais voltar.
Meu desejo neste ano é que consigamos entregar o nosso passado e lembranças nas mãos de Deus que tem saudade de nós.
Quando termina o ano fica a saudade, as lembranças, e quando começa surge a esperança de que dias melhores virão. Faço minhas estas palavras: "Saudade é isso que sinto ao escrever e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler".
A saudade sempre existirá, a não ser que deixássemos de amar!

LUZIA SANTIAGO -  Comunidade Canção Nova