sexta-feira, 21 de junho de 2019

Denúncia-Causa de perseguições



O texto a seguir é a sinopse de uma pregação baseada na pericope Os 9,7-9 (livro do profeta Oséias).
Israel é o povo escolhido. Eleito por Deus para ser seu povo. A eleição de um povo por Deus não é privilégio; é responsabilidade, exigência, compromisso, e por conseguinte, passível de cobranças.
Deus escolheu seu povo, povo amado, mas esse povo virou-lhe as costas , desobedecendo, sendo infiel adorando outros (falsos) deuses. Como muitas vezes nós fazemos. Nossa infidelidade consiste em ouvir e seguir maus conselhos; prestar ouvidos aos clamores sedutores do mundo que nos rodeia. Ambiente corrompido pela concupiscência humana exacerbada pelas forças do mal.
Na verdade o anunciado no texto de Oséias não é uma ameaça de castigo, uma punição, e sim a denuncia de situações de pecado – pecado não só pessoal, mas também pecado social – com as inevitáveis consequências.  As palavras, duras que sejam, são palavras de amor, pois quem ama educa, adverte, corrige.
Santo Agostinho cita: “Não imponha a verdade sem caridade; mas, por outro lado, não sacrifique a verdade em nome da caridade”. Ou seja, o profeta deve anunciar, mas tem o dever de denunciar. Anunciar a boa nova, mas também apontar o pecado do povo de Deus. Apesar de não sermos profetas de desventuras e sim anunciadores da esperança, não podemos fazer vistas grossas ao mal que nos cerca. Citando outro santo, São João Eudes que viveu no século XVII: “Quando pregares usa as armas poderosas da Palavra de Deus para combater, destruir e esmagar o pecado; mas quando encontrares com o pecador, fala-lhe com bondade, benignidade, paciência e caridade”.
Contudo, conhecemos pregadores que gostam de adular seus ouvintes e evitam exortá-los. Pregam aquilo que o povo gosta de ouvir e não aquilo que precisam ouvir. Quando o Senhor os inspira oferecendo um pote de mel para adoçar a boca do seu povo esses pregadores abraçam com sofreguidão. Porém quando lhes é oferecido um chicote, eles não aceitam; costumam dizer que não é seu estilo de pregação.
Vivemos numa sociedade que deseja cada vez mais uma vida sem limites, sem renuncias, sem preceitos e claro, sem proibições. Por isso quando denunciamos somos perseguidos. Por isso a Igreja de Cristo é vilmente caluniada, seus ministros aviltados e achincalhados. Leviandade e falácias são levantadas contra aqueles que denunciam e apontam o pecado, principalmente os pecados sociais. Sofrem perseguições como os profetas do Antigo Testamento, que ainda tinham contra si os falsos profetas de benesses.
Já dissemos, não somos profetas de desventuras nem desgraças, mas anunciadores do evangelho e da esperança; mesmo que para isso tenhamos que exortar severamente, como pais a educar e corrigir os filhos: “Logo que escutares um oráculo saindo de minha boca, tu lho transmitirás da minha parte. Se digo ao malévolo que ele vai morrer,   e tu não lhe falas para pô-lo de sobreaviso devido a seu mal proceder, de modo que ele possa    viver, ele há de perecer por causa de seu delito, mas é a ti que pedirei conta de seu sangue.  Contudo, se depois de advertido por ti, não se corrigir da malicia e perversidade, ele perecerá por causa de seu pecado, enquanto tu hás de salvar tua vida” (Ezequiel 3,18-19). Como vimos, é questão de obediência e sobrevivência. Queremos viver a eternidade em Cristo, por isso devemos ser obedientes mesmo correndo o risco da perseguição dos falsos profetas e dos ateus.
Esta profecia nos foi dada: “Eu sou a tua verdade. Tu que andas perdido. Tu que vagueias em ziguezague pelos caminhos que o mundo te oferece , saiba, há um único caminho: aquele que tracei e aponto. Vinde comigo. Eu sou a tua verdade”. Sigamos Jesus, verdadeiro mestre e Senhor. Assim seja.
(Carlos Nunes)


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Viver pra mim é Cristo



O filósofo chinês Confúcio (sec. V A.C) deixou um aforismo que nos faz refletir: “Quando nascestes todos riam só tu choravas. Viva de tal modo que quando morreres  todos chorem, só tu rias”. Como o pensamento de um filósofo pagão pode ser aplicado a minha vida, sendo eu cristão? Pode sim ser aplicado, pois apesar de cristãos, não devemos ser fideístas extremados. No mais, este pensamento não fere nem interfere negativamente na doutrina cristã.
Como rir com, ou diante da própria morte? Se vivemos em Cristo, em Cristo e com Cristo morremos, é motivo mais que suficiente para não temer a morte e passar para a vida eterna em paz, na certeza da plenitude na companhia dos santos e dos anjos, da contemplação da face de Deus. 
Viver de tal modo que ao morrer todos chorem, só tu rias... Rir, sorrir, enfim alegrar-se, não temer. O cristão autêntico não teme a morte, pois crê na vida eterna, na ressurreição. Cristo ressuscitou, ascendeu ao Pai e há de voltar para resgatar os seus. Neste dia que há de vir não sabemos quando, mas virá, todos serão contemplados; os vivos sobre a terra terão seus corpos transformados e as almas dos que se foram, ressuscitarão num corpo incorruptível. Uns para a glória, outros para a condenação. Esta é a nossa fé.  Se vivermos de modo a conquistar a glória eterna, não teremos o que temer.
Jesus Cristo morreu, ressuscitou, subiu aos céus. Morreu morte de cruz para que pudéssemos viver, ressuscitou para nos dar vida eterna, e na ascensão nos abriu as portas do paraíso. Isto Jesus fez por nós; é promessa de Deus para nós a vida eterna com Ele na Glória. É nosso direito, mas não podemos afirmar que é garantido. Por parte Dele por certo, mas de nossa parte nem tanto. O céu é direito nosso, nos espera, mas temos que conquistá-lo. Se vivermos de modo a conquistar... Está escrito acima. Então o que fazer? Aquilo que Jesus Cristo nos pede, ou seja: amar a Deus sobre tudo; amar ao próximo como a si mesmo; respeitar o outro, ainda que esse outro seja diferente de você; perdoar sempre; fazer o nome de Jesus conhecido e amado. Em suma, vivenciar as virtudes teologais: fé, esperança e amor.
Em outra oportunidade dissemos que cristão é alguém que imita Cristo e por extensão aqueles que no lo apresentaram: Maria, os Apóstolos, os Santos. Se quisermos viver conforme a palavra, os ensinamentos de Cristo, os mandamentos de Deus, imitemos aqueles que doaram suas vidas, alguns literalmente, pela causa do Evangelho. Possamos realmente dizer como São Paulo Apóstolo: “Não sou mais eu que vivo, mas cristo que vive em mim”. (Gl 2,20) E ainda: “Viver para mim é Cristo, morrer para mim é ganho” (Fl 1,21).  Imitemos pois aqueles por cujas virtudes valem ser imitados.



sábado, 8 de junho de 2019

Pentecostes



Era noite da festa judaica de pentecostes, o quinquagésimo dia após a páscoa em que se comemorava o dia da colheita. Estavam os discípulos de Jesus reunidos com Maria no cenáculo, em oração, quando repentinamente soprou um vento impetuoso e do alto desceram como que línguas de fogo que se repartiram e repousaram sobre os presentes; todos começaram então a orar ruidosamente e falar em línguas estranhas. Este relato descreve o derramamento do Espírito Santo prometido por Jesus Cristo momentos antes de sua gloriosa ascensão (cf. At 2,1-4).
A noite-madrugada de pentecostes é também o nascimento da Igreja. Igreja planejada no coração do Pai desde o principio do tempo e configurada no povo hebreu peregrino no deserto em busca da terra prometida. Igreja concebida na cruz pelo sangue de Cristo e revelada ao mundo quando inicia sua jornada missionária na manhã de pentecostes. Para a Renovação Carismática Católica é um dia especial. Especial porque além do inicio da missão da Igreja, é também a primeira manifestação publica dos carismas extraordinários do Espírito. Ou seja, podemos também dizer que pentecostes foi o primeiro grupo de oração carismático. Não há como negar, a Igreja nasceu carismática! A Igreja foi, é e sempre será carismática por vontade de Deus Pai, pelo nome de Jesus e pela ação continua do Espírito Santo.
Deus sustenta essa Igreja em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Igreja Santa e pecadora. Santa enquanto Divina governada pelo Espírito Santo; pecadora enquanto humana, formada por homens e mulheres imperfeitos. Mas apesar de nossa imperfeição e tibieza, temos (aqueles que se abrem à sua ação) a assistência do Espírito Divino que nos conduz ao caminho da santidade: Jesus Cristo, mediador junto ao Pai Eterno.
A Igreja, hoje achincalhada, agredida, atacada devido a atitudes erradas de alguns de seus membros é apesar de tudo, eterna.  Peregrina nesta terra, imperfeita como o povo peregrino no deserto a murmurar e pecar contra Deus, mas peregrina sempre e buscando (insisto: os que se abrem à ação do Espírito Santo e se deixam governar por Ele) a conversão e a consequente santidade. Peregrina e militante nesse mundo, mas eterna e gloriosa no alto dos céus, onde estão as almas que concluíram a jornada e lograram cruzar o Jordão. A Jerusalém Celeste do Apocalipse com as doze portas, as doze tribos de Israel, os doze apóstolos que desde pentecostes perpetualizam a Santa Igreja Católica.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O Capitão



Eu gosto de contar histórias, elas enriquecem uma pregação; aliás, isso fazia parte da pedagogia de Jesus: Ele gostava de ensinar através de parábolas. – Eis a história:
            Um barco, um grande navio repleto de passageiros navegava placidamente em alto mar, quando repentinamente foi atingido por uma violenta tempestade. Os passageiros em pânico rezavam, gritavam, desesperavam-se. Num canto, uma pequena menina brincava tranqüilamente, sem se incomodar com a tormenta nem com os demais passageiros. Um homem inconformado com a calma daquela criança, interpelou-a: Menininha, você não teme a tempestade? – Não. – Mas o navio vai afundar, todos vamos morrer. – Não, não vai acontecer isso não. – Porque tanta certeza? – Meu pai é o capitão deste navio!
            A garotinha confiava inteiramente em seu pai e nós confiemos em Deus, nosso Pai eterno, que esta no comando do grande barco que é a nossa vida! Não devemos ter medo, pois nada é impossível para Deus, não devemos sentir tristeza, dúvida, pois nada é impossível para Deus. Ele nos livra dos leões que rugem em torno a nós e tentam nos devorar. Ele nos livra das tempestades do dia a dia, enfim, Ele é a nossa força, o nosso refúgio. Abram o coração e deixem-se amar por Deus, deixem-se amar e também amem, amem como Deus ama vocês. Confiem, confiem sempre, como a menina da historinha. Deus está no comando da sua vida. 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Parar de Sofrer 2



Aprender a sofrer com o sofrimento de Cristo... Eis a frase. Cristão é aquele que segue a Cristo, ou melhor dizendo, aquele que imita (ou pretende imitar) a Cristo. Amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu e, portanto, participar do sofrimento de Jesus enquanto homem. Jesus Divino é isento de sofrimento, vive e reina na glória eterna e por ora é inacessível a nossos olhos meramente carnais. Imitemos, pois, Jesus humano que pisou nosso chão, assumiu nossa carne, em tudo foi como nós, menos no pecado e como nós submeteu-se ao sofrimento. Sofrimento esse para que o nosso fosse amenizado, para que nos fosse possível suportar as dores que cedo ou tarde nos alcançam.
Ninguém gosta do sofrimento, ninguém quer sofrer e quem sofre naturalmente quer parar de sofrer. Porém o sofrimento é inevitável. Inevitável, não imanente, não insuportável. Não imanente porque não perpassa a totalidade da vida; não insuportável porque quem tem Jesus tem tudo e Ele carregou sofre Si nossas dores, além do que não nos é dado fardo além de nossa força. A cruz que abraçamos é mais fácil de carregar do que aquela que arrastamos. Assumamos a cruz e roguemos a Deus que nos venha amenizar o sofrimento, ou expurgá-lo de vez.
O saudoso padre Leo nos mostrou o que é sofrer com dignidade, sofrer sem deixar de amar, sem jamais perder a fé. Grandes santos da Igreja sofreram por longos períodos de suas vidas. São Francisco de Assis sofreu os estigmas de Cristo em sua carne e morreu feliz por isso. O apóstolo Paulo nos relata o quanto sofreu pelo evangelho e a tudo suportou por amor a Cristo e a Cristo crucificado! Cristo vive, sabemos todos. Mas a cruz é a maior prova de amor que a humanidade já viu. Olhar para a cruz é ver o quanto Cristo Jesus padeceu por nós.
A noite sucede ao dia e assim dia e noite se revezam ao longo do tempo. Dias ensolarados, dias chuvosos e nevoentos; noites claras de luar, noites sombrias e tenebrosas. Dias tranquilos, noites serenas; dias agitados, noites insones. Dia e noite se revezam... Assim é também a vida de cada um de nós. Na linha do tempo de nossa vida, bons e maus momentos se alternam. Para alguns, muitos bons ou ótimos momentos e raros momentos de tribulação, a outros o contrário. Mas a todos, indistintamente, é dada a oportunidade de remissão, o reconforto, o refrigério, a oportunidade de cura através do sangue de Jesus. Sangue derramado na cruz!
Você talvez, caro irmão, esteja vivendo um período de turbulência, passando por uma noite escura; não desanime. O Sol Radiante da Justiça brilha sobre você. Se não O vê é porque você está envolvido em seus problemas, olhando seu próprio interior, daí a escuridão. O mundo tenta cegá-lo com o brilho falso das coisas pecaminosas para afastá-lo da luz verdadeira que é Jesus. Não olhe para trás nem para o chão, olhe para frente, olhe para o alto.
Parar de sofrer é o que todos queremos. Enquanto não conseguimos e se não conseguimos, ao menos aprendamos a sofrer com o sofrimento de Cristo: “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder de sua ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição entre os mortos” (Fl 3,10s).


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Parar de Sofrer



Disse Jesus aos discípulos: No mundo havereis de ter tribulações, mas coragem, eu venci o mundo. Jesus venceu o mundo e esta vitória nos trouxe conforto em nossas tribulações. Não importa a intensidade da dor, do sofrimento, o tamanho do problema, os assuntos mal resolvidos, nada, nada é maior que a confiança que Jesus nos inspira. Ele é nossa força, nossa esperança, acima de tudo, nossa paz.
            Paz que só encontramos Nele. A paz verdadeira; outras “pazes” encontramos a torto e a direito por aí afora. Contudo, a paz que conta, a paz verdadeira, é a Dele. Essa paz que brota de Seu Coração imensamente misericordioso e que é infundida em nossos corações.
            Todos, vez ou outra, passamos por dificuldades. Sejam dificuldades financeiras, sentimentais, emocionais, conflitos nos relacionamentos, enfermidades, e tudo que se possa imaginar de infortúnios. Quem anda só ou confia tão somente em outros homens, geralmente se desespera, vê tudo desmoronar e desmorona junto. No entanto, quando apesar dos problemas, depositamos nossa confiança em Jesus, esperando Nele e naturalmente fazendo o que nos cabe, tudo pode balançar, oscilar de um lado a outro, mas não desmorona, não vem abaixo.   
            Nossa confiança está no Senhor que fez o céu a terra, diz o salmista. Nossa confiança está no Pai, Criador de tudo e de todos, JAVE, Aquele Que É; Deus por nós. Nossa confiança está no Filho, Jesus Salvador, o Emanuel; Deus conosco. Nossa confiança está no Espírito Santo, Paráclito, Santificador, Ruah; Deus em nós.
            Jesus nos garante vida plena e abundante, mas isso não é promessa de “boa vida” e abundância material. Ao contrário, àquele que queria segui-lo, disse que as aves tinham ninhos e as raposas tocas para abrigarem-se e Ele mesmo não tinha onde recostar a cabeça. Vida plena e abundante de paz interior, de tranquilidade emocional, de riqueza espiritual. Vida plena, pois a plenitude da vida é Ele próprio. Vida abundante, pois a abundância da vida é o Espírito Santo derramado em nós.
            Queres seguir-me? Tome cada dia tua cruz e venha comigo. Porque para seguir Jesus precisamos também de uma cruz? Porque se renegarmos a cruz não o seguimos, apenas o vemos passar. Sozinhos com a cruz (confiando em nós mesmos ou em outros como nós) é impraticável; qualquer cruzinha seria pesada demais. Quando Jesus nos pede que tomemos nossa cruz e o sigamos é para que partilhemos com Ele a nossa cruz! Ele tomou sobre Si os nossos fardos, nossas cruzes, nossas tribulações. Deus não permite um sofrimento maior do que aquele que possamos suportar. Por isso: desapegue-se de frivolidades, assuma a sua cruz transitória e caminhe par e passo com Jesus. Para Jesus houve um Cireneu. Para você também: o próprio Cristo é seu Cireneu.  
            Pare de sofrer é uma frase imperfeita.   Aprenda a sofrer com o sofrimento de Cristo, é a frase. A paz do Senhor esteja contigo, caro leitor.



sábado, 11 de maio de 2019

O infinito amor materno



Amor que não acaba, amor sem limites. Uma mãe ama seu filho, não importa quem ou o que ele seja; mães de criminosos, mesmo quando estas os denunciam e os entregam a autoridade policial, o fazem por amor. Elas têm a esperança que se recuperem e preferem ver o filho vivo na cadeia, que morto nas ruas. Amor de mãe é assim, sofrido, incompreendido, até contestado. Algumas sofrem o desprezo dos filhos, que muitas vezes não reconhecem a dedicação de suas mães por eles. Mães que se sacrificam para sustentar, cuidar, educar. Mães que se alimentam mal para que seus filhos tenham o que comer. Mães que trabalham de sol a sol – às vezes em jornada dupla – para que os filhos tenham o que vestir, possam estudar, até possam usufruir momentos de lazer. 
O poeta já dizia: ser mãe é padecer no paraíso; ser mãe é viver intensamente a graça de gerar uma vida, gestá-la, dar a luz, enfim, trazer um novo ser humano ao mundo. A maternidade é algo tão sublime, que Deus ao encarnar-se e vir ao mundo como Filho, serviu-se de uma mulher para que Ele tivesse também uma mãe. Maria de Nazaré foi a escolhida. Virgem Maria, Mãe de Deus (Teothokos), Maria, modelo de todas as mães na face da terra. Assim podemos afirmar que não existe amor humano maior que o amor de mãe. É certo que existem mães, raríssimas na verdade, que não merecem ser assim chamadas; aquelas que abortam, que jogam os filhos recém-nascidos no lixo, que deixam os filhos pequenos trancados em casa e vão para a rua se drogar, se prostituir. Entretanto, felizmente, apesar do desvirtuamento dos costumes nos dias atuais, a imensa e esmagadora maioria são verdadeiramente mães. Mães solteiras, mães casadas, mães com família, mães sozinhas, não importa; mães que amam, que educam, que zelam pelos filhos.  Amor de mãe, humanamente incomparável.


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Indagações



Tristeza, muita tristeza causou aos corações sensíveis a atitude desesperada daquele pai no Rio de Janeiro, no fim de semana passado (outubro 2009). Ao tomar conhecimento de que o filho sob efeito de droga assassinara a namorada, este pai indo contra os ditames do paternalismo irresponsável, entrega o próprio filho a policia, o qual é preso ainda no local do crime. Atitude de desespero daquele pai que não via saída para o filho entregue as drogas há anos. Consta que o homem havia tentado por diversas vezes internar o filho viciado em crack, mas não logrou êxito, pois nosso sistema de saúde é falho, principalmente nesta questão. Alega-se que ninguém pode ser submetido a nenhum tratamento, internação ou que tais, contra a própria vontade, ou seja, à força, a não ser que represente ameaça imediata contra a sociedade. A questão é: os escravos do vicio têm vontade própria? Os drogados não representam perigo, mormente para seus familiares e os mais próximos?
Eis de forma patética e comovente a realidade das drogas e drogados. A sociedade, os intelectualóides, artistas, gente da mídia, estes que são formadores de opinião (não todos, mas número considerável) de maneira hipócrita e irresponsável fazem apologia às drogas, alguns de modo velado e camuflado, outros abertamente. Em vista deste e de outros casos repercutidos na imprensa, é licito, é moralmente correto propagar e defender o livre arbítrio ao usuário de drogas (referência a essa questão, naturalmente) e a legalização das drogas?
Os partidários da legalização das drogas argumentam que tabaco e álcool são drogas legais e que o álcool é responsável por tantas ou mais desgraças que maconha, cocaína, etc. Têm razão. Mas um erro não justifica outro. Alegam também que maconha é uma droga leve e inconsequente. Sem trocadilho, é leve, mas leva a outras mais pesadas; como inconsequente se a consequência é cocaína e   crack?    
Tantas indagações e uma só resposta: falta-nos bom senso. Falta-nos discernimento para distinguir o bem do mal, o prazer licito da ilicitude do prazer. As drogas jamais devem ser legalizadas, haja vista que em outros paises essa experiência não foi bem-sucedida. É sensato porém que o usuário ou viciado não seja tratado como criminoso, no entanto seja reprimido. As drogas levam ao relatado acima; lares destroçados, famílias enlutadas, corações feridos, profundamente feridos. E para curar definitivamente esses corações somente Deus.  Voltaremos ao assunto.   

O texto acima foi escrito em 27/10/2009, mas permanece atualíssimo.


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Tempo de Louvor



“Eu vos louvarei Senhor, de todo o coração; todas as vossas maravilhas narrarei. Em vós estremeço de alegria; cantarei vosso nome, ó Altíssimo!” (Sl 9,2).
Hoje é tempo de louvar a Deus. Todo dia é dia de louvar a Deus. Todo tempo é tempo de louvor. O louvor liberta, pois é no louvor que Deus age. O louvor é como fumaça de incenso que sobe aos céus; quando louvamos o céu se abre, e Deus do seu trono de glória derrama sobre nós chuvas de graças, abundantes bênçãos.
Louvamos sempre e sempre incentivamos ao louvor nas assembleias carismáticas. Nos Grupos de oração o louvor é oração quase obrigatória. Então, no que consiste o louvor? Agradecer a Deus pelo que Ele nos faz? Também, mas essencialmente agradecer pelo que Ele representa e pelo que Ele efetivamente é. Louvor é mais que ação de graças. Louvor é elogio sincero e descompromissado ao Senhor nosso Deus.
Louvamos a Deus não pelo que Ele nos faz, mas pelo que Ele é. Apreciamos suas qualidades, sua bondade, sua divindade e seu senhorio, aquilo que Ele é capaz. Por isso o louvor é adequado a qualquer situação que estejamos vivendo. Louvar não pelo sofrimento, mas apesar do sofrimento.  Louvar pelo que de ruim nos acontece é masoquismo, no entanto louvar mesmo que coisas ruins nos acometam, é confiança. E em Deus confiamos sempre. Louvar na alegria, e mesmo na dor, louvar nos bons e maus momentos. Quem louva é como uma árvore fecunda; frutifica sempre, mesmo em tempos difíceis.  Louvemos:
Senhor nosso Deus, louvamos a Ti pela Tua misericórdia infinita, pelo Teu incontido amor. Louvamos e agradecemos por tudo de bom que proporcionas em nossa vida. Louvamos Senhor, mesmo que a tribulação venha nos alcançar e o sofrimento se faça iminente. Louvamos Senhor, pois sabemos que tudo podes, e no final a vitória contigo é certa, pois em Ti somos mais que vencedores. Glórias e louvores a Ti Senhor!


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Isaias 53



“Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor?
Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares e seu aspecto não podia seduzir-nos.
Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado por Deus e humilhado.
Mas ele foi castigado pelos nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças as suas chagas.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.
Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca. Como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha nas mãos do tosquiador.(Ele não abriu a boca).
Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?
Foi lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira.
Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias e a vontade do Senhor será por ele realizada.
Após suportar em sua pessoa os tormentos, ele se alegrará de conhecê-lo até o enlevo. O justo, meu Servo, justificará muitos homens e tomará sobre si suas iniquidades.
Eis porque lhe darei parte com os grandes e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens e intercedendo pelos culpados.”
Quem poderia acreditar no que lemos? Este trecho do profeta Isaias (capitulo 53) foi escrito cerca de 720 AC; a profecia nos mostra em detalhes instigantes o sofrimento e o sacrifício do Messias, Jesus Cristo. Como não acreditar? 


sábado, 13 de abril de 2019

Quem como Deus?



Se Deus é por nós, quem será contra nós? De nada adianta o mundo, as forças do mal, quem quer que seja, atentarem contra a justiça; a justiça divina, fique bem claro, pois a humana é falha e cega, pois as leis que a amparam são anacrônicas e interpretadas segundo interesses nem sempre legítimos.
O mundo com sua moral atrofiada jaz sob o Maligno, como apropriadamente nos alerta a Palavra de Deus. O mundo a que referimos não se trata do belíssimo planeta que Deus deixou a nosso cuidado – por desleixo nosso muito mal cuidado, por sinal – porém à multidão de homens e mulheres que compõem a humanidade, as nações, e por abrangência a opinião pública. Opinião pública formada através afirmações muitas vezes falaciosas, da divulgação de conceitos morais falsos ou falsificados, da ética distorcida. Assim intentam incutir nas pessoas condutas desregradas, a desmoralização dos bons costumes, a busca desenfreada do prazer pelo prazer, do ter cada vez mais e não do ser melhor. Ai de quem se opor; é taxado no mínimo de antiquado.
Então valores intrínsecos ao ser humano são destroçados; a família como tal é aviltada quando a aprovação de leis imorais são propostas; os valores cristãos consolidados através séculos de testemunhos muitas vezes cruentos, são sordidamente rejeitados. Entretanto, apesar das calúnias, difamações, perseguição, o legado de amor, a herança da bem aventurança, o testamento da graça salvifica nos foi deixado por Cristo, tudo consolidado e firmado pelo exemplo de vida de homens e mulheres que doaram a vida pela causa do Evangelho e da Igreja.   
     Daí a pergunta que abre o texto; Se Deus é por nós, quem será contra nós? A resposta vem em forma de outra pergunta: quem como Deus? Nada nem ninguém. Nada, ninguém tem poder para revogar aquilo que Deus instituiu. Família é constituição Divina, logo é intocável; queiram ou não, sempre haverá famílias, como eles dizem, tradicionais. Pecado é pecado hoje, foi ontem e será sempre; não será um grupelho amoral que estabelerá regras de conduta. Os princípios morais católicos, cristãos, são princípios morais inatos, são inerentes ao ser humano, não são invenção da Igreja! Não matar, não roubar nem furtar, não cobiçar os pertences de outrem, são mandamentos de Deus incutidas no âmago da alma humana, como algo naturalmente instintivo.   
A batalha é dura, o inimigo é forte e persistente, mas com Cristo a vitória é certa. No fim o amor prevalecerá, pois em Cristo somos mais que vencedores.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Semana Santa



Esta prestes a iniciar a semana das semanas para nós católicos: a SEMANA SANTA! Quaresma é tempo forte de oração, conversão, adoração que culmina na Semana Santa, na Páscoa, ápice da nossa fé. O feriadão da Semana Santa está chegando. Para os não católicos um fim de semana cheio, no calor das praias ou no friozinho da montanha. Mas para os católicos – católicos verdadeiros, com fé atuante – é tempo de reflexão e participação das celebrações. Vai viajar? Viaje, mas participe das celebrações na igreja local.
Fica aqui o convite:  - Domingo de Ramos; onde celebramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
 -Quinta feira Santa; lembramos a angustia de Jesus no Getsamani, a instituição da Eucaristia, o sacerdócio, na Missa do lava-pés. Ao término da Celebração Eucarística somos convocados à Vigília da Paixão, onde relembramos a vigília de Jesus no Horto das Oliveiras.
 -Sexta feira da Paixão; quando recordamos de modo contrito, o sacrifício de amor do Cristo por cada um de nós. O único dia em todo o ano em que não há Missa. Acontece uma cerimônia litúrgica em que a comunhão é dada com a reserva eucarística. 
 -Sábado de Aleluia; o grande dia, a Vigília Pascal com a proclamação da Páscoa num canto de júbilo anunciando a RESSURREIÇÃO DO SENHOR.
 -Domingo da Páscoa; com a ressurreição Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente Filho de Deus. O silencio contrito de sexta feira transforma-se em esperança e alegria.
Participe ativamente da Semana Santa em sua paróquia.