sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Tob 3,20-23 – Restauração

 


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ós lemos em Tob 3,20-23 um trecho da prece de Sara. Deus acolheu esta oração ao mesmo tempo que a de Tobias. Tobias e Sara passavam por grande aflição, com muita tribulação. Deus respondeu a essas orações e agiu no momento oportuno. Nessa palavra Deus está nos mostrando que aquele que é fiel, ou seja, fiel a Ele, Deus, será agraciado. A palavra é uma confirmação, pois Ele nos fala isso ao coração todos os dias, não importando a situação que vivamos no momento. Não importa se o momento é de dor e sofrimento, se o momento é de aflição. Deus nos garante que depois da tempestade vem a bonança; está na Palavra e a Palavra de Deus é verdade; a Palavra de Deus é eterna; a Palavra de Deus atravessa os séculos e chega viva até nós.

            Deus hoje está dizendo a cada um de nós, a mim, a você, que Ele quer nos restaurar; Ele quer restituir nossa alegria, nossa paz. Ele quer curar nossas feridas, nossa dores. Ele quer livrar da opressão do mundo, Ele quer libertar das garras do inimigo.

            Deus quer fazer uma obra nova em nós. Ele quer reunir o seu povo; Ele quer acolher o resto de Israel, como está escrito no livro do profeta Miquéias, em Mq 2,12s... (...) Quem é o resto de Israel? Sou eu, é você, somos todos nós. O resto de Israel é o povo que por sua fidelidade teve como herança as promessas de Javé; é o povo que hoje caminha com a Igreja de Cristo. E quem vai a frente conduzindo o povo? Quem?... É Jesus, Jesus de Nazaré. O melhor disso tudo é que essa promessa de Deus é para todos, não é só para um pequeno grupo de privilegiados, não é só para poucos eleitos, não. É para todo o povo de Deus. Jesus remiu toda a humanidade, o sangue de Jesus cobriu toda a Terra, a salvação foi oferecida a todos! Nós lemos em Tobias que Deus não se apraz com a perdição de ninguém, de ninguém!

            Porém isso tem um preço; é bem verdade que Jesus pagou com seu sangue na cruz, mas temos que ser merecedores; é mister que façamos a nossa parte.  Leiamos Tob 3,21a: ...Todo aquele vos honra. Temos que ser fiéis, seguir os mandamentos, ser obedientes ao Senhor. Toma posse disso irmão, toma posse.

            Agora um testemunho, meu testemunho pessoal:

            Eu era um homem do mundo, pecador. A bem da verdade eu não andava chafurdado no pecado, mas andava afastado de Deus, era pecador como todos ainda somos. Eu andava no mundo ao sabor das coisas que o mundo me oferecia. Na realidade era como se eu caminhasse em areia movediça; eu cavava um buraco com os próprios pés, um buraco sem fundo, onde fatalmente eu cairia. Eu seria triturado pelo mundo, triturado! Mas felizmente Deus me resgatou; Ele tem um plano para mim, assim como tem um plano de amor para cada um de vocês. Então Deus me tirou da escuridão e trouxe para a luz. Deus me restaurou. O que vem a ser restauração? Restaurar é reconstruir, restauração é consertar o que está estragado, corrigir o que está errado. Deus fez isso em mim e quer fazer em vocês também.

            Se eu estou aqui falando a vocês, se eu estou aqui sendo instrumento de Deus, é porque abri meu coração e deixei Deus agir, deixei Deus fazer a obra em minha vida. E Ele quer fazer o mesmo em você. Abre o seu coração e deixe Deus ser Deus e agir em você; deixe Deus ser Deus e fazer a obra em sua vida. Não queira ser maior que Deus, não impeça a realização da obra de Deus em você, não se entregue ao mundo, pois o mundo vai lhe engolir. O mundo vai lhe engolir! Abre seu coração, entregue seus caminhos ao Senhor e deixe Deus acontecer na sua vida; sua vida vai mudar, mudar p’rá melhor.           

            Hoje à noite, ao deitar, no silêncio do seu quarto, pense nestas palavras, pense no que você ouviu (leu) aqui e fique atento, preste atenção ao que Deus fala ao seu coração. Faça isso, faça isso e com certeza o céu vai se abrir sobre você e as bênçãos de Deus vão acontecer na sua vida. Amém.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Ez 46,1-6 – Memorial de Sacrifício

 


 

 

 A leitura descreve prescrições para uma cerimônia ritual. Em dias determinados haveria sacrifícios, holocaustos; a tudo isso o povo era convocado a comparecer. Transpondo para os dias atuais, podemos comparar – guardando naturalmente as devidas proporções – com nossa missa dominical. Deus poderia nos ter dado a passagem do Evangelho onde Jesus institui a eucaristia, ou a passagem de Atos dos Apóstolos em que a comunidade se reunia no primeiro dia da semana para celebrar a ceia do Senhor, a fração do pão. Mas Ele nos deu essa Palavra e com um propósito: Ele quer nos mostrar que o sacrifício da missa é um preceito, é lei!

            A Santa Missa é a rememoração do Evangelho; vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus, o cordeiro sem mácula, que se doa a cada missa. Jesus, presente na Palavra proclamada, com presença real na Eucaristia, presente nos corações de cada fiel que efetivamente participa da celebração eucarística. Jesus, homem e Deus, de quem diz Sto. Agostinho: “Jesus era tão homem que não parecia Deus, e ao mesmo tempo tão Deus que não parecia homem”.

            Jesus enquanto homem teve ações corriqueiras como qualquer um de nós, menos o pecado. Nunca foi político, revolucionário, ou instigador das massas populares; foi profeta. Portanto não temos que nos preocupar com o Jesus histórico, sim com o Jesus divino, o Emanuel, Deus conosco. Jesus histórico deixemos com os historiadores e suas especulações. Há alguns até que tentam provar que Jesus nunca existiu. Argumentam que historiadores de renome na antiguidade não citam Jesus; e quando há citações fora da bíblia (esta para eles não conta) dizem que são documentos e escritos fraudados. A falta de fé endureceu seus corações e cegou-lhes a alma.   Graças a Deus por Jesus não ser citado simplesmente como um personagem histórico, pois por certo sua doutrina seria totalmente deturpada. Por sabedoria e previdência divina isso não aconteceu.

            Certa vez Jesus perguntou aos apóstolos: “Que dizem quem sou?” Pedro respondeu: “Tu es o Cristo, filho do Deus vivo”.Ele pergunta o mesmo a vocês agora. Para vocês quem é Jesus? Em várias passagens bíblicas Ele mesmo dá respostas: Para aqueles que ainda não conhecem Jesus, Jo 10,10.(...). Para quem vive nas sombras do pecado, Jo 8,2 (...). Para quem já deu o primeiro passo, Jo 14,6 (...). Para quem confia, assumiu um compromisso com Deus, Sl 22 (23),1. Finalmente, como S. Paulo em Gl 2,20 (...). Aquele que se entregou inteiramente a Jesus. Para este Jesus é o centro de sua vida, o Senhor absoluto de tudo, ouve e obedece a Deus; tem vida de oração. É comprometido com a igreja, os sacramentos, à comunidade. Se assim formos, totalmente dependentes de Deus, seremos merecedores de toda graça. Então, quando batermos à porta estreita, esta se abrirá e seremos recebidos por Maria, que com um sorriso, nos tomará pela mão e nos levará até Jesus na glória eterna. Amém.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Sf 1,14 – 2,3 - O Dia do Senhor

 

 


 

 O trecho referente ao cap. 1 retrata o dia do Senhor; a manifestação do poder, podemos até mesmo dizer, da ira de Deus, não contra seu povo em si, mas contra o povo pecador. O cap. 2 nos mostra um apelo a conversão, ou seja, mesmo sob a ameaça de seu terrível dia, Deus deixa aberta a porta da conversão; a salvação é oferecida àqueles humildes de coração, aos que submetem-se a sua vontade.

            Este texto, já nos tempos em que foi escrito suscitou inúmeras interpretações. Foi entendido como a ruína de Israel, devido a seus pecados; entendido tempos depois como castigo aos povos opressores de Israel e finalmente, como entendido hoje,  julgamento, ou seja, triunfo dos justos frente ao castigo dos pecadores.

            O v.18 adverte que nem ouro e prata, tesouros mundanos, hão de livrar a quem tem culpa, do merecido castigo. Isto remete a Dt 4,23s; daí concluímos que os ídolos modernos – dinheiro, poder, fortuna material – não salvam ninguém. Só Deus pode nos livrar do mal e do castigo no juízo final. Não sabemos dia e hora do retorno de Jesus. Não sabemos nem mesmo quando seremos chamados à sua presença. Portanto cada uma de nós viva intensamente como se cada dia fosse o último. Viver intensamente para o cristão é buscar incessantemente a santidade, é vivenciar dia a dia a Palavra de Deus. São João Bosco dizia: “Viva cada dia como se fosse o primeiro, o único e o último dia de sua vida.”

            Jesus há de voltar glorioso porque assim diz a Escritura e a Escritura não mente. Entenda você objetivamente ou subjetivamente esta Palavra, não importa, Jesus voltará! Porque a Palavra de Deus é real e verdadeira. Jesus poderá retornar hoje, amanhã, daqui a um, dois, cem, mil anos, com certeza Jesus voltará. Temos que estar preparados, pois Ele virá resgatar sua Igreja, como em Ap 21. Estejamos prontos para apresentarmo-nos a Deus puros e santos, irrepreensíveis, para não sermos rejeitados. Estarmos vivos com Ele e não mortos longe Dele!

            Apesar das mazelas que vivemos no último século (século XX). Um século cheio de guerras, abominações, cataclismos, epidemias, tragédias como nunca antes vistas, Deus nos ama e por isso nos chama à conversão. Abra os braços e com os braços abra também o coração e clama a Deus que envie a você, o Espírito Santo para ajuda-lo a trilhar seus caminhos. Deus é compassivo e misericordioso; Ele não quer que o que foi lido efetivamente aconteça. Escreveu tudo isso para nos advertir, chamar nossa atenção e nos voltarmos para Ele e para Jesus Salvador. Mas infelizmente a humanidade é surda. Surda e desobediente; não ouve e quando ouve não obedece. O mundo precisa ser mudado. E pode ser mudado a partir de mim, de você, de nós. Se conseguirmos, com o auxilio do Espírito Santo mudar a nós mesmos, seremos capazes de com o mesmo auxilio, fazer mudar a quem estiver a nossa volta, e assim sucessivamente, como uma onda, mudar a muitos como um tsunami de amor, levando vida, não morte!

            Encerramos com a citação de Hb 9,28: “...Assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados do mundo, e voltará uma segunda vez, não em razão do pecado, mas para trazer a salvação aqueles que o esperam.” Esperemos por Jesus! Amém.


sábado, 2 de janeiro de 2021

Mt 2,1-12 – ADORAÇÃO DOS MAGOS

 


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a última pregação falamos de alguém antipático de quem queremos distância. Hoje, ao contrário, falaremos de alguém que nos ama muito, que venceu a morte e é luz em nossas vidas. Vamos abrir a Bíblia em Mt 2,1-12.

            A passagem bíblica em foco é repleta de simbolismos. Cada fato descrito tem uma significação especial. A adoração dos magos a Jesus menino foi o cumprimento das profecias messiânicas em Isaias 49 e Salmo 71 (72).  A leitura também apresenta a salvação oferecida a todos os povos da terra, representada no encontro de Jesus pelos reis magos, que eram pagãos vindo de uma terra distante. A atitude de Herodes querendo achar o menino, com o intuito de elimina-lo, representa o inimigo induzindo o mundo a nos tirar a salvação. Os presentes: ouro, incenso e mirra, simbolizam a realeza de Jesus (o ouro), sua divindade (o incenso) e sua paixão e morte (a mirra – um perfume, usado para embalsamar corpos a serem sepultados). A leitura também trata da epifania, ou seja, a revelação de Jesus ao mundo. Ele quer hoje se revelar a vocês, ele quer se apresentar a vocês.

            Os magos foram atraídos a Jesus por uma luz brilhante. Que luz os estão atraindo? O brilho falso das coisas do mundo, ou a moção do Espírito Santo os guiando até Jesus? Os magos adoraram o rei que havia nascido; abriram seus tesouros, ofereceram-lhe presentes e partiram. Voltaram por outra estrada, por outro caminho. Irmãos, quem encontra Jesus, quem conhece verdadeiramente Jesus, quem tem um encontro pessoal com Jesus não fica no mesmo caminho, deixa os atalhos para seguir o verdadeiro caminho, verdade e vida que é o próprio Jesus. Quem encontra Jesus não pode continuar na mesma vida. Muda, converte-se, volta por outro caminho.

            Jesus veio ao mundo, pisou nosso chão, nos ensinou sua doutrina, nos apresentou o reino de Deus – seu reino – e morreu; morreu na cruz por nós. Ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu. Mas não nos deixou sós, não nos abandonou, pois são suas as palavras: onde estiverem dois ou mais reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles. Jesus nos derramou o seu Espírito Santo e está presente na Santa Eucaristia e na leitura orante dos Evangelhos. No entanto muitos de nós, muitíssimos, o buscamos somente pelos milagres, pelas curas. Buscamos Jesus pelo que ele pode fazer e não pelo que ele já fez, que foi nos dar a salvação. Esquecemo-nos que cada milagre realizado, cada cura, aponta para algo maior, a salvação. O objetivo final não é simplesmente a cura que é transitória, mas a salvação, que é a cura completa e definitiva.

            Jesus tira toda dor, toda angustia, toda tribulação. Ele tirou de mim, me curou e continua curando. E quer tirar de vocês também toda dor, mágua, todo ressentimento, falta de perdão, sofrimento... Pode ser que demore, pode ser que ele tire tudo isso agora, já, nesse instante. Depende de vocês, depende da abertura de seus corações, depende da maneira como vocês se colocam diante de Jesus. Em suma, o tempo da ação de Deus vai depender em grande parte da dimensão da nossa fé. Por isso creia meu irmão, minha irmã. Acreditem; Jesus está aqui para os curar, para os libertar, para dar vida plena e abundante. Amém. 

           


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Jo 1,1-5.9-14 – O Natal

 

 

 


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ocê já foi a uma festa de aniversário onde o aniversariante não foi convidado? Onde o aniversariante inúmeras vezes é impedido de entrar? Ou é mal recebido? Isto parece um absurdo, mas é o que realmente acontece freqüentemente nesta época do ano. Festeja-se, come-se, bebe-se, saúdam-se; as pessoas enchem a pança, ficam bêbados, desejam feliz natal, etc, etc... Onde está a felicidade se o dono da festa não está, se Jesus não está presente?  Não devemos simplesmente festejar – nada contra festas, aliás, podemos festejar – devemos acima de tudo, celebrar. E celebrar é estar com Jesus. Celebrar é render-se ao mistério da encarnação do Cristo. Celebrar o Natal é deixar-se envolver pelo amor de Deus. Você está aberto o suficiente para receber Jesus neste Natal? Ele é mais importante que os presentes, que a ceia, a confraternização? Se a resposta é sim, você vive verdadeiramente o Natal de Jesus. 

            Jesus o Verbo Encarnado. Jesus a Palavra Viva. Ele assumiu a nossa natureza sem diminuir a sua, ou seja, sem abandonar a divindade. Desceu do seu trono de glória e tornou-se um de nós. Invisível em sua natureza, tornou-se visível na nossa. Existindo desde sempre, fez-se presente num determinado momento do nosso tempo, viveu a nossa história. Incapaz de sofrer sendo Deus, não se recusou a ser homem, submetido ao sofrimento. Imortal, se sujeitou as leis da morte (1). E tudo fez não por perda da onipotência, mas por compaixão, por amor, por misericórdia. Jesus, homem e Deus. É Deus porque “no principio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, a Palavra era Deus...” É homem porque “a Palavra se fez carne e habitou entre nós...”

            Há dois mil anos que três homens, três reis orientais em peregrinação viram uma grande luz que brilhava no céu. Não se contentaram em ficar parados apreciando a beleza daquela estrela e a seguiram. Foram pelo caminho que a estrela apontava. Foram guiados até Jesus. Encontrando Jesus recém nascido na gruta de Belém, o adoraram. Eram estrangeiros, mas reconheceram o Messias Salvador. E vocês? Estão parados olhando o céu em busca da sua estrela guia ou estão seguindo a luz que é o próprio Jesus? Uma grande, imensa luz quer também entrar em seu coração. Porém o mundo tenta cega-lo com o brilho do materialismo, com o cintilar de jóias falsas. O mundo quer cega-lo para que você não olhe para Deus, para que você não encontre Deus. Mas você não precisa olhar para o alto para achar a verdadeira luz. Ela está bem próxima, ao alcance de suas mãos. Basta abrir o coração e deixar a luz entrar. Deixa a luz entrar e iluminar a manjedoura que é o seu coração. Deixa Jesus nascer em seu coração; deixa Jesus nascer.    

(1)No segundo paragrafo, a partir de ‘Ele assumiu a nossa natureza...’ até ‘se sujeitou as leis da morte’, o texto é baseado numa citação de S. Leão Magno.                                                                                                                                                            

 


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Ecle 7,5-14 – Palavras de Sabedoria

 


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azendo uma leitura mais atenta do livro do Eclesiastes, observamos que Coélet ( o Eclesiastes) era um homem muito pessimista, mas ao mesmo tempo de profunda religiosidade. Via com olhos críticos o ambiente que o cercava, sem no entanto perder a esperança e sabia que a solução de todos os problemas da humanidade só poderiam vir de um: Deus. Vejamos o trecho Ecle 7,5-14.

            V.5: “E melhor ouvir...”-Não deixemos nos envolver por elogios fáceis. Muitas vezes uma critica bem colocada, bem dirigida, nos edifica, nos corrige, nos faz endireitar. Ao passo que um elogio, muitas vezes falso, nos envaidece e pior, nos faz permanecer no erro.

            V.7: “A opressão torna...”-Os presentes corrompem o coração. Quantos são “comprados” por presentes, mimos, elogios!

            V.8: “Mais vale...”-Deus olha com muito mais atenção e complacência para aquele que sabe ser paciente, que tem fé, que não se abala com facilidade; para quem persevera esperando o tempo da graça acontecer. Já o orgulhoso é auto-suficiente, pensa que não precisa de ninguém, nem de Deus!

            V.9: “Não ceder...”-Irritação, ressentimento, falta de perdão, desamor... O rancor é responsável por diversas doenças, desde as de fundo emocional como as do corpo. O testemunho de fiéis e a própria ciência reconhece que doenças como artrite, hipertensão arterial, úlceras gástricas, depressão, têm entre outros fatores, origem em distúrbios emocionais. E nós sabemos que falta de perdão, mágua, provocam esses e outros males.

            V.10: “Não digas jamais...”-Vivamos o hoje, vivamos o agora. Deus não quer ninguém preso ao passado nem demasiadamente preocupado com o futuro. Passado é passado, o que passou passou e o que há de vir só Ele sabe.  Passado são apenas lembranças, boas que podemos reviver na memória ou más, que lutamos para esquecer. Deus nos quer santos agora, para vivermos o futuro na eternidade. Vide v. 14.

            V.13: “Considerai a obra de Deus...”-Deus é eterno, suas leis são eternas, seus mandamentos são eternos. Essa onda de ataques a Igreja, alegando que a Igreja é retrógrada, que vive no passado, é atitude que quem vive no erro e quer se desculpar. A sociedade muda, mas Deus e sua Palavra são imutáveis, assim como as leis e a doutrina da Igreja, depositária do legado divino. Pecado era pecado ontem, é pecado hoje, será pecado amanhã e será pecado sempre, até o fim dos tempos.

            Por fim contaremos uma estorinha que fala de um homem que se julgava sábio e a quem faltou sabedoria e discernimento dos desígnios de Deus. Esse homem era religioso, conhecia a palavra de Deus, mas na verdade não a entendia como deveria ser entendida; interpretava-a a seu modo, de acordo com sua conveniência. Ele, como todos nós, carregava a sua cruz – estava de acordo com a Palavra de Deus quanto a cada um tomar sua cruz e seguir Jesus. – Mas não se conformava com a dimensão da sua cruz, achava-a grande e pesada demais, ele não merecia tanto. Clamou a Jesus para ameniza-la. – de acordo com a passagem em que Jesus diz que, o que pedirmos em seu nome o Pai nos dará. – Assim fez Jesus, diminuindo consideravelmente o tamanho e peso da cruz. Mas o homem não ficou satisfeito e pediu a Jesus para diminui-la mais ainda. Jesus o atendeu outra vez. Assim foi pedindo, pedindo, até carregar uma minúscula cruz, uma cruzinha. E sorridente, caminhava em meio a outros que arrastavam cruzes enormes.  Ia assoberbadamente pensando: “Esses são pecadores, estão longe de Deus, carregam essas cruzes porque são conformados e não buscam Jesus. Eu não, eu sou abençoado, eu gozo da amizade de Jesus, tudo que eu peço ele faz. Aliás, ele tem que fazer; ele prometeu...”

Fim da jornada. Um fosso imenso e profundo os separa de um vale verdejante, onde Jesus, cercado de anjos, os espera de braços abertos. Todos lançam suas cruzes sobre o fosso e as usam como ponte. O homem que se julgava especialmente abençoado, frustrado, não tem o que usar como ponte, pois a cruz que carrega é pequena demais. Ele não alcançou a terra prometida. Esquecera-se daquela outra passagem bíblica; a que Jesus diz que nem todo aquele que diz Senhor Senhor entrará no reino dos céus. Amém.

 

 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Col 1,3-6 - FÉ

 



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odos conhecemos a música: eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas de Deus, eu creio nas promessas do meu Senhor. Todos rezamos com o sacerdote na consagração eucarística: Meu Senhor e meu Deus, eu creio, mas aumentai a minha fé. O que é fé? O dicionário diz: fé; crença, aquilo em que acreditamos, certeza da existência de algo ou alguma coisa. Para nós especificamente, fé é aceitar a verdade da Palavra de Deus, a verdade do magistério da Igreja. Ler a pericope Col 1,3-6 ... (...).

                Nesta pericope o apostolo Paulo se dirige a comunidade de Colossos, uma comunidade que vivia pela graça da fé, da caridade, da esperança. Dons que se manifestavam desde a fundação da comunidade. A fé que eles professavam era uma fé concreta, não era vazia, abstrata; era uma fé vivida, experimentada; fé seguida de boas obras, conforme os ensinamentos de Cristo. Eles não buscavam a justificação apenas pela fé, mas pela fé e ação.

                Nossa fé como está? A quantas anda nossa fé? É uma fé cega, infantil, ou já amadureceu, é uma fé centrada em Cristo e na Igreja? Acreditamos em qualquer bobagem que nos dizem, como por exemplo: Jesus é somente um ser iluminado que viveu há dois mil anos atrás, ou todos os caminhos levam a Deus, as pirâmides emanam uma energia positiva, gato preto dá azar, etc. Se ainda estamos nessa, vejamos o que diz S. Paulo em Efésios 4,14s...(...).

                Tenhamos fé, mas fé adulta, centrada em Cristo e na Igreja, nossa Igreja Católica. Sejamos crianças só em relação a Deus, atiremo-nos em seus braços como criancinhas se atiram nos braços de seus pais, com plena confiança. No mais sejamos adultos, não aceitando qualquer coisa.

                Em que devemos acreditar? Devemos acreditar na Palavra e nos ensinamentos da Igreja Católica. A nossa doutrina não contradiz a Bíblia, jamais. Se dogmas não são citados nem mencionados, também não são desmentidos nem desmerecidos pela Bíblia. Dogma é uma afirmação tida por verdadeira. Isso me traz a mente uma palavra: axioma. O que vem a ser axioma? Axioma é uma verdade indiscutível. É usada na ciência, em matemática principalmente. Axioma matemático é uma sentença verdadeira que não tem como ser provado, que surgiu sem a seqüência normal de cálculos, como quase tudo na matemática. Então se os matemáticos aceitam sem contestar uma fórmula ou expressão, sem questionar de onde veio, porque nós católicos vamos duvidar dos dogmas de nossa Igreja? Ou alguém não acredita na assunção de Maria, na virgindade perpétua? Dogma é axioma de fé; é verdade, não se discute. Ou somos iguais a S. Tomé, temos que ver para crer? Felizes os que crêem sem terem vistos, diz o Senhor.

                 Que tipo de fé nós temos? A fé de conveniência como diz a música que o Pe. Jonas canta: “que fé você tem? A fé que convém. Mas não é de conveniência que vive o cristão...” Só aceitamos a parte boa do Evangelho, a outra nós desprezamos. Nossa fé se limita ao Jesus que salva, cura e liberta, ao Jesus que diz que tudo que pedirmos em seu nome êle nos dará? Disso tomamos posse. Porém quando Jesus diz para largarmos tudo, tomar nossa cruz e segui-lo, nós recuamos:- ”Isso não é comigo, é p’rá fulano e p’rá cicrano, p’rá mim não!”- Isto lembra a estorinha do carrinho de mão:

                Todos acreditaram quando o equilibrista disse que atravessaria entre dois prédios numa corda bamba carregando uma pessoa num carrinho de mão. No entanto, quando êle pediu um voluntário para entrar no carrinho todos se afastaram. Eles tinham fé enquanto expectadores, quando convidados a participar, onde estava a fé? Era uma fé superficial, sem engajamento.

                Mateus, capitulo 17, versículo 20. Em Mt 17,20 Jesus diz que a fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de mudar uma montanha de lugar. Fé tem tamanho? Fé pode ser medida em metros ou em litros? Jesus não diz isso; a fé poderia ser do tamanho de um grão ou do tamanho do mundo que o efeito seria o mesmo. Textualmente o versículo diz assim: Se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha, transporta-te para lá e ela irá. Nada vos será impossível. Daí se entende que a fé se mede pela intensidade, pela força que brota do coração. A fé deve ser sentida, vivida, praticada.

                Pela fé o Evangelho foi pregado. É pela força da fé que o Evangelho é pregado ainda hoje. Se eu não acreditasse naquilo que digo eu estaria lançando palavras ao vento, estaria vendendo ilusões. Entretanto, não estou tentando vender nada, não estou pedindo nada, não estou pedindo nenhum gesto simbólico que não leva a nada. Estou afirmando as verdades de Deus. A-fir-man-do. Porque creio, porque tenho fé e tento exercer essa fé. S. Tiago diz: a fé sem obras é morta. Exercer é viver a fé, viver conforme a nossa fé. Realizar as obras que a fé nos impõe. Se cremos em Deus Pai, se cremos no Evangelho, vivamos segundo esse Evangelho; tomemos a cruz do dia a dia e sigamos Jesus. Jesus que nos conduz a vitória; Jesus que nos conduz ao triunfo da glória eterna.  

sábado, 5 de dezembro de 2020

Tg 1 – Perseverança na Provação

 

P

erseverança significa firmeza, insistência, e provação é a fé colocada a prova através da tentação ou tribulação. Nossa fé pode ser posta a prova pela dor e sofrimento e/ou pelas tentações que nos são apresentadas.



            O mundo em que vivemos parece estar longe daquilo que a fé nos assegura; o mal, o sofrimento, as injustiças, a morte prematura, tudo parece contradizer a boa nova, abalar a fé e tornar-se uma tentação para abandonarmos o caminho. O texto (Tg 1,12-18)

vem falar de tentações, provação quanto a resistência ao pecado, dos perigos do descaminho. Resistir às tentações, firmeza, pois quem se afasta de Deus cai nas garras do inimigo. Enquanto Deus leva a salvação, o inimigo arrasta para o abismo!

            Assim como não podemos impedir que pássaros nos sobrevoem, não podemos evitar as tentações; contudo do mesmo modo que podemos impedir que pássaros façam ninhos em nossas cabeças, podemos impedir que a tentação nos vença e instale o pecado em nós.  Deus nos criou como primícias, como obras primas, no entanto quantas vezes nos sentimos fracos, desamparados, nossa fé abalada; não entendemos como alguém que amamos, ou nós mesmos, temos que sofrer. Parece que Deus se afastou, que caminhamos sem sua luz. Mas não ficaremos assim para sempre; em algum momento Ele se revelará a nós. Precisamos confiar em sua bondade e fidelidade, principalmente quando tudo parece apontar para outro caminho.

            No livro do Eclesiástico em Eclo 2,1-6 o senhor vem nos falar de perseverança mesmo na dor, na tribulação. A tribulação leva à paciência, a paciência à esperança e a esperança à fé, fé firme e inabalável. Jó é o melhor exemplo bíblico daquele que vive e resiste às provações.

            Deus enviou Jesus, seu filho, não como um profeta impetuoso, não como o Messias guerreiro. Enviou como o servo sofredor, que se doou até o fim; aquele que nos amou e se entregou por nós, fiel ao Pai até a morte e morte de cruz! Nos regatou ao preço de seu sangue; cruz, fonte de graças. Quem é Jesus para você? Em Mc 8,29 Ele pergunta: “e vós quem dizeis quem sou?” O que significa abraçar a cruz? A cruz que se abraça é mais leve que a cruz que se arrasta. O cristo, Messias crucificado, requer seguidores crucificados. Você assume a cruz na sua vida?

            Hoje, agora, deixe o Espírito Santo conduzi-lo até a cruz, lá onde seu coração pode ser curado e sua mente renovada. Abra-se, ouça ao menos o sussurro suave do Espírito Santo lhe trazendo encorajamento, correção. Confia, obedeça, e Ele lhe conduzirá da morte para a vida. Amém.

 

Obs: no trecho “Tg 1...etc.”  pode-se recorrer a Eclo 15,21s; I Cor 10,13 , aludindo ao v.13 de Tiago 1.

                                                                           Após citação de Jó, pode-se recorrer a Cl 1,24.

                                                                           No trecho “Jó é o melhor exemplo...etc.” pode-se incluir: Amar mesmo na dor, retribuir o mal com o bem... (ostra e a pérola)”.

                                                                           Após o questionamento “você assume a cruz na sua vida...” pode-se inserir a estória da cruz como ponte.    


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Ez 11,1-8 – Maus Conselhos

 

E

sta passagem nos relata Ezequiel sendo convocado por Deus a proclamar um oráculo contra aqueles que desvirtuavam o povo de Deus. Lideres, homens de muito influência, que possuíam autoridade e devido a seu contra testemunho, a maus conselhos, desviavam o povo do reto caminho de Deus e com isso conduziram muitos ao pecado e em conseqüência, à morte. O texto refere-se a espada; espada que para nós pode ser a palavra de Deus, a espada do Espírito que nos guarda e protege, como em Ef 6. Mas também pode ser a espada   que aniquila, que põe por terra os maquinadores do mal, os que levam o povo ao mau caminho; a espada vingadora, como em Eclo 39,36.

                O que isso nos mostra? Nos mostra o mundo como uma grande vitrine com tudo que ele tem a oferecer. Como em qualquer vitrine, há produtos de boa e de má qualidade. Mas o mundo só nos empurra o que não serve, o que tem de pior, o refugo do refugo. E a gente que nem bobo aceita tudo!... O mundo aí está com seus modismos, maldades, pecados. E oferece tudo isto a nós em uma bandeja enfeitada; bonita por fora, mas podre por dentro. E o que o mundo tem a nos oferecer, inofensivo que possa parecer, bem embalado que esteja, não passa de alimento deteriorado, comida estragada; e quem come comida estragada passa mal, se intoxica, pode até morrer. S. Paulo nos adverte em Romanos: “O salário de pecado é a morte”. E a pílula dourada que o mundo tenta nos empurrar goela abaixo é veneno mortal; veneno que leva à morte, morte da alma!

                Infelizmente não é só nas coisas do mundo que estão os maus exemplos, os maus conselhos. Há gente oportunista, pessoas que se dizem cristãos, que manipulam a palavra de Deus com propósitos nada louváveis. Se alguém te convidar a ir a igreja dele porque lá você vai ser curado de uma “ziquizira” qualquer, não vá não; você vai ser tapeado! A cura que você vai obter lá você obtém cá, pois quem cura não é a igreja, é Jesus.

                Há uma certa igreja que prega que basta procurar Deus, de resto nada importa, vale tudo. Para eles o que a pessoa faz fora da igreja não é importante; o importante é dizer que aceitou Jesus. Isso leva as pessoas – desculpem a força das palavras – a fornicar o tempo todo, ao adultério, a se prostituírem e se drogar, a todo pecado e depois simplesmente ir ao templo, levantar os braços, gritar aleluia e dizer que aceitam Jesus. Hipocrisia, hipocrisia! Quando se conhece Jesus, quando se aceita Jesus verdadeiramente como Senhor e Salvador, há mudança de vida, mudança radical de vida.

                Uma pessoa de uma igreja, a qual também não cito o nome – não é esse o propósito, atacar essa ou aquela denominação, mas simplesmente denunciar – disse-me que a cruz é maldição. Blasfêmia, grande blasfêmia! Se a cruz fosse maldição Jesus seria maldito, pois morreu nela! Sabemos que a cruz foi um instrumento de suplicio, de morte e de tortura, mas a partir da morte e ressurreição de Cristo, a cruz é símbolo de salvação, é penhor de salvação. Jesus passou pela cruz para salvar o mundo. A cruz é sagrada! Ela foi banhada, foi batizada no sangue de Jesus! A pessoa disse ainda mais: que somente a igreja dele era verdadeira, as demais eram falsas; e que a Igreja Católica seria a igreja do demônio e o papa a encarnação do diabo. Se a nossa igreja fosse do demônio, todas as outras igrejas cristãs, da mais antiga às mais recentes, seriam filhas do demônio, pois de uma maneira ou de outra, todas são oriundas da Igreja Católica. A Igreja Católica Apostólica Romana foi concebida aos pés da cruz com o sangue de Jesus, nasceu em Pentecostes sob a ação do Espírito Santo e cresceu regada, alimentada com o sangue dos mártires. Somos a real igreja do Senhor, não somos uma igrejinha qualquer inventada por homens e com alvará de funcionamento registrado num cartório de notas; nosso registro está no céu, aos pés do trono de Deus!

                Sejamos precavidos, estejamos com os sentidos alertas contra os falsos profetas que torcem e distorcem o evangelho, tentando seduzir o povo de Deus. Há uma frase muito antiga, dita por um padre jesuíta, por volta de 1500, que diz assim: “Razão é que se peça só razão, justo que se peça só justiça”. A razão e os motivos de cada um mostrará o caminho a seguir; a justiça de Deus dirá se está certo ou errado. Ouçamos a voz de Deus e nos fechemos aos maus conselhos, para seguirmos o caminho da justiça e da salvação.

                Para ilustrar essa questão de bons e maus conselhos, contarei um fato ocorrido recentemente: um jovem procurou-me para que fossem sanadas dúvidas no campo da fé. Ele – a principio cético – rendeu-se aos argumentos e abriu seu coração a Deus. Por que conto isso? Porque esse rapaz veio a mim para que eu lhe falasse de Deus, lhe mostrasse a verdade. Diz a Palavra: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Imaginem se ele caísse em mãos erradas, fosse ao encontro de pessoas inescrupulosas que desvirtuariam tudo, ensinariam errado, contariam mentiras. Ele provavelmente estaria no pecado, caminhando rumo a perdição.

                Irmãos, vamos nos deixar alcançar pela espada do Espírito, a espada de dois gumes que penetra fundo no coração trazendo luz e vida. Porque do contrário, correremos o risco de ser abatidos pela espada vingadora, a que traz a morte e destruição. Amém.

 

 

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Sabedoria 2,1-13 – Falsa Mentalidade dos Ímpios

 


H

averá o dia em que chegará para nós o último domingo. O véu então se rasgará e desejaremos estar diante de Deus. Nesse dia não apenas tocaremos, mas penetraremos o Santo dos Santos, e aí, diante Dele, quando caírem todas as nossas imperfeições, estaremos face a face com Deus e o veremos tal como ele é.

                Vejamos o que diz a Palavra de Deus em Sab 2,1-13. O primeiro versículo diz assim...(v. 1 a). Quem pensa assim? Eu? Vocês? Quem pensa assim são os ímpios; a menos que sejamos ímpios pensaremos assim. Mas graças a Deus, somos ou queremos ser como aqueles do último versículo, que se gabam de conhecer Deus, são filhos amados e adoradores de Deus, do único e verdadeiro deus.     

                Essa leitura fala de que? Essa leitura nos mostra o mundo como ele é; como ele se nos apresenta. Um mundo cruel, um mundo desumano, afastado de Deus. Um mundo mentiroso, sedutor, que nos inflige tentações a cada dia, a todo instante. Infelizmente é assim o mundo em que vivemos. Devemos nos conformar com isso? Com esse estado de coisas? Claro que não!

                Isso faz lembrar o ambiente do AT, Jerusalém idólatra, pecadora, esquecendo-se do verdadeiro deus e buscando, adorando falsos deuses. Isso fez com que aquele povo fosse aprisionado, fosse disperso, fosse massacrado. E você irmão, quer isso para o seu povo? Claro que não!

                Essa Palavra nos fala da opção pelo pecado, do apego as coisas do mundo, dos falsos valores. Nos fala de pessoas que pensam que a felicidade está nas coisas materiais, enquanto a verdadeira felicidade está em Deus. Vamos nos conformar com isso? Claro que não!

                Eu ouvi muitas vezes e vocês também por certo já devem ter ouvido, pessoas que ao saberem da morte de algum parente ou conhecido, costuma dizer que a vida é curta, que a vida não vale nada e por isso deve ser aproveitada ao máximo, deve ser vivida com intensidade. E o que é viver intensamente para essas pessoas? – É se embebedar, é se empanturrar de comida (enquanto alguém ao lado passa fome); é o homem ter várias mulheres e as mulheres vários homens; é viver na promiscuidade, no adultério; é acumular riquezas materiais. E você vai se calar diante disso? Claro que não!

                Devemos viver a vida intensamente sim, devemos viver cada dia como se fosse o último. Não na idolatria do sexo, na idolatria do dinheiro, mas na busca do verdadeiro deus, na busca de Jesus. Está na Palavra, em Lucas 12,35; não sabemos quando Jesus vai voltar, tampouco sabemos quando estaremos diante de Deus prestando contas dos nossos atos. A Palavra de Deus também diz, de que vale ganhar o mundo inteiro e perder a vida eterna? Vigiai e orai; vivamos de tal maneira que quando chegar a hora possamos encarar Deus face a face e permanecermos vivos na eternidade.

                Abramos nossos olhos e ouvidos a Deus e fechemos olhos e ouvidos aos apelos mentirosos do mundo. Vivamos dignamente e anunciemos Jesus. Não nos calemos diante da iniqüidade; contra ataquemos e anunciemos Jesus ao mundo.

                Não se deixe derrotar, seja vitorioso. Jesus está chamando; Ele quer te dar a vitória, irmão. Se você ouviu o chamado de Deus, diga sim, faça como Maria: Eis aqui a serva do Senhor; eis aqui o servo do Senhor! Sejamos vencedores, não por nossos méritos, mas pelo amor e misericórdia de Jesus, pela salvação que Ele nos trouxe.

                Nós do núcleo anunciamos o amor de Deus e Jesus Salvador, não porque somos melhores ou mais sábios. Poderemos ser menos sábios e menos inteligentes que vocês. Estamos aqui porque Deus nos capacitou. Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Vocês já devem ter ouvido ou lido esta frase. E Deus quer capacitar você meu irmão, minha irmã. Deus quer te capacitar. Deus quis precisar de mim, quis precisar de vocês; Deus quis precisar de nós. Ele é o mestre da obra, somos seus operários. Lembro-me dos versos de uma canção: “Não fui eu que Te escolhi, mas Tu que me escolheste; da mesma forma ajuda-me a dar os primeiros passos”. O passo foi dado por quem está orando, pregando, louvando. Peça a Deus para que Ele te ajude a dar esse passo.Glória a Deus! Amém.

               


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sab 16,1-10 – EQUIDADE (Deus nos Trata com Justiça)

 

F

alaremos de eqüidade. Eqüidade significa justiça; justiça natural e aqui, justiça divina. Deus trata cada um segundo seus méritos, ou seja, conforme nosso merecimento. Leiamos Sab 16,1-10 (...).

            O que lemos nos remete ao livro do Êxodo, as dez pragas do Egito.

            As tribulações acontecem, não por vontade de Deus, não são enviadas por Deus como castigo, mas para nos advertir. As tribulações acontecem porque muitas vezes nos afastamos de Deus e nos tornamos vulneráveis. Isso não significa que não teremos tribulações se estivermos com Deus, até porque caminhar na fé não é estar vacinado contra os males do mundo. Não podemos nos esquecer que Jesus para ser glorificado teve antes, que passar pela cruz. E muitos de nós seremos provados na tribulação! Tribulação, dores, decepções, todos teremos, mas se estivermos vivendo nossa fé em Cristo Jesus, o mal pode até afetar nosso corpo, pode até mesmo afetar nossa mente, mas nunca vai afetar nossa alma, nunca a nossa alma! Ao passo que estando longe de Deus, vivendo e gostando do pecado, o mal irá “torcer”a nossa alma, machucar, dilacerar a alma e a dor nos atingirá profundamente. Por isso é muito importante que creiamos naquele que se fez homem e deu a vida por nós; verteu seu sangue por mim, por você, por todos.

            Pela cruz, Cristo nos salvou, pela cruz Cristo remiu o mundo inteiro, pela cruz fomos libertos do pecado. Jesus morreu na cruz humano e ressuscitou glorioso, divino. Pelo sangue de Jesus a cruz foi transformada de instrumento de suplicio em símbolo de salvação.

            O versículo 6 diz: (...). Isto tem um significado muito importante.  O que é para nós a serpente de bronze? Ela prefigura Cristo na cruz. Olhe para a cruz e veja o penhor da nossa salvação.

            Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e tua casa, diz a Palavra e a Palavra de Deus é verdadeira. Mas será tão simples assim? Jesus nos salvou, pela fé somos justificados, mas temos que viver a fé, viver na fé, viver pela fé. Temos que nos colocar debaixo da cruz e deixar que o sangue de Jesus goteje em nossa cabeça! Mas como? Jesus foi crucificado há dois mil anos atrás... Mas ele esta vivo, ele está no meio de nós e oferece todos os dias sua carne e seu sangue. É preciso que abramos nosso coração e entreguemos a Jesus para que ele faça morada plena em nós. O crucificado nos salvou, o ressuscitado quer nos curar e libertar!

            Glorifique, louve a Deus, louve Jesus, louve aquele que pela Santa Cruz remiu o mundo. Amém.


            


sábado, 7 de novembro de 2020

Romanos 10, 14-18 - Anúncio

 


 N


o tempo de Jesus na terra, o exército romano havia conquistado todo o mundo conhecido, para glória de César e enriquecimento do império. Jesus veio ao mundo para conquistar os corações para o reino de Deus. E continua fazendo isto até hoje e quer servir-se de nós para dar continuidade a sua obra. Para isto Deus nos deixou a sua palavra, as sagradas escrituras.

            A Palavra de Deus é alimento da alma, bússola para nosso caminho e como a própria bíblia diz, lâmpada para nossos pés; é archote que ilumina nossa jornada. A Palavra de Deus é nossa arma; é espada de dois gumes que separa a medula da carne, que penetra fundo os corações, trazendo não morte, mas gerando vida. Diz-se por aí que a bíblia do católico tem cheiro de mofo – fica no fundo da gaveta junto a papéis velhos – e a bíblia dos protestantes cheira a desodorante – fica embaixo do braço. Bíblia não tem cheiro. Aliás, se Deus tivesse cheiro, a bíblia teria o cheiro de Deus. A bíblia tem que ter aspecto de usada; quanto mais amarrotada, quanto mais amassada, melhor.

            Quero aqui dar um testemunho. Testemunho de real valor, pois a pessoa citada está presente. Esta pessoa sofre de insuficiência renal crônica e precisa se submeter a tratamento de hemodiálise em dias alternados; enquanto a máquina filtra e depura seu sangue durante uma manhã inteira, ele não perde seu tempo, não deixa o tempo passar lendo revistinhas ou jornais. Ele ganha tempo com a Palavra de Deus, lendo a bíblia. Enquanto a máquina limpa e purifica seu organismo, a Palavra de Deus limpa e purifica a sua alma!

            A bíblia fechada é um livro como qualquer outro; aberta, é a boca de Deus falando ao leitor. A bíblia não é simplesmente um livro que conta a história de um povo, a vida de Jesus ou dos apóstolos. A bíblia nos apresenta a revelação divina ao longo da história, através dos patriarcas, dos profetas, e que culmina com Jesus, o próprio Deus encarnado. O Evangelho não são só palavras impressas em folhas de papel, tampouco é simplesmente uma boa nova; o Evangelho é revelação! Como tal deve ser lido; em atitude de reverencia, de oração.

            A palavra chega até nós pelos olhos quando lemos a bíblia, pelos ouvidos, quando ouvimos uma pregação, passa pela nossa mente e vai ao coração, onde frutifica e tem o efeito de mudar a nossa vida. Mas não deve ficar guardada, deve refluir até nossos lábios e ser proclamada, passada a outros que necessitem de conversão. Temos que anunciar Jesus, pregar a sua palavra. Para isso temos que ser íntimos de Deus, ter fé inabalável, perseverantes na oração e principalmente falar a verdade, pois iremos anunciar a verdade, o caminho e a vida.

            O melhor exemplo de pregador é o próprio Jesus. Ele anunciou com maestria o reino de Deus. O segundo é Paulo, o grande divulgador do Evangelho. Paulo não só proferiu a palavra verbalizada, como a palavra escrita; a maior parte do Novo Testamento é obra de Paulo. Depois Pedro, que pregava com simplicidade. Era direto e objetivo; com poucas palavras convertia multidões.

 Para Deus não há tempo. O tempo é uma invenção humana e o homem se tornou prisioneiro do tempo. Muitos pregadores caem na armadilha do tempo, supondo que boa pregação é pregação longa, demorada. Há belas pregações em 1 hora, como há belas pregações em 10 minutos. O que importa não é a extensão, mas o conteúdo da pregação e que o ouvinte possa assimila-la.

Deus nos convoca para anuncia-lo e quer de nós uma resposta.Quando digo nós, não refiro-me somente a quem está ministrando, refiro-me também a vocês. Porque vocês fazem parte desse grupo de oração, dessa comunidade, do povo de Deus. Convide alguém que esteja afastado da igreja a vir à missa e depois lhe fale de Jesus. Visite um doente, ore por ele, fale a ele do amor de Deus, independentemente da situação difícil em que ele possa se encontrar. Não tema, não se acanhe em anunciar Jesus às pessoas. Eu, você, nenhum de nós é capaz de mudar o mundo, mas podemos – e temos o dever de faze-lo – mostrar, apresentar aquele que tudo pode mudar, que faz novas todas as coisas: Jesus Cristo. Amém.