quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quais as mensagens do livro do Gênesis?


O livro do Gênesis tem grande importância porque traz a Revelação de Deus sobre a origem do homem e do mundo, a queda pelo pecado original e a promessa de salvação. Apresenta-nos a maravilhosa história dos Patriarcas: Abraão, Isac e Jacó. Não é um livro de ciências e nem de etnologia (raças), apenas de verdades religiosas. Entre outras coisas traz a Revelação de Deus sobre os seguinte pontos:
1 - Deus é o Criador do mundo e do homem.
2 - Deus é distinto do universo; quer dizer, não existe o Panteísmo (tudo é Deus), que defende que Deus e o mundo são a mesma coisa; e vê o mundo apenas como uma “emanação de Deus”.
3 - O mundo é bom. A matéria é boa.
4 - O mundo criado manifesta a glória e a paz de Deus.
5 - O homem foi criado da terra, mas foi animado de um espírito de vida (alma) imortal, criado e dado por Deus. O seu corpo é fruto da evolução, mas não a sua alma.
6 - O homem foi criado para viver na amizade de Deus.
7 - O homem foi criado livre.
8 - A harmonia primitiva foi destruída pelo pecado da desobediência a Deus. O homem tem a vã esperança de ser Deus (pecado original).
9 - O homem foi excluído do Paraíso.
10 - Deus faz a Promessa de Redenção da humanidade através da Mulher (Gen 3,15).
11 - O homem foi dominado pelo pecado e o mal se generaliza: Caim, Torre de Babel, Sodoma e Gomorra, etc..
12 - Deus faz uma primeira aliança com o homem através de Noé.
13 - Deus continua a aliança com Abraão, Isac e Jacó.
Os capítulos de 1 a 11 do Gênesis formam a “pré-história” bíblica, por se referir a acontecimentos anteriores à história bíblica, que começou com o Patriarca Abraão (1850 aC). O gênero literário deste livro é o da história religiosa da humanidade primitiva. O autor sagrado não quis ensinar verdades científicas, mas apenas apresentou verdades religiosas através de um linguagem figurada, simbólica.


A imagem do mundo para o autor sagrado, naquele tempo, era diferente da nossa. A terra era entendida como se fosse uma mesa plana, não uma esfera como sabemos hoje. Esta mesa estava apoiada sobre colunas; abaixo havia as águas de onde brotavam as fontes, e também a região dos mortos chamada de Cheol. A luz era entendida como se não dependesse do sol ou das estrelas. Portanto, é preciso ter bem claro que o autor sagrado não escreveu como um cientista, mas como alguém inspirado por Deus para nos revelar verdades religiosas. Não se deve então, buscar no Gênesis resposta para perguntas como: Com quem se casou Caim? Onde fica o Paraíso terrestre? Como surgiram as raças e as cores diferentes dos homens?, etc. Nem se pensar que o mundo tenha sido criado em seis dias.                                                                                                       (Cleofas.com.br)

domingo, 12 de abril de 2015

Mártires do nosso tempo


Recentemente fomos impactados com as imagens que circularam na internet exibindo um vídeo divulgado pelo Estado Islâmico em que 21 jovens cristãos são literalmente decapitados à beira de uma praia. Estes jovens egípcios foram assassinados por serem cristãos e a gravação revela a que nível de perseguição os cristãos do Oriente Médio estão sendo vítimas. O crime, tornado público pelos próprios algozes, tem certamente o intuito de intimidar outros cristãos, ferir as famílias das vítimas, e fazer o mundo todo sentir o seu “poder”. Uma ação demoníaca, não temos dúvida!
Ontem e hoje, cristãos têm sido alvo de perseguições. Desde os primeiros Profetas tem sido assim. E assim foi com o próprio Cristo. Quanto mais não o será com os Seus discípulos... Ele mesmo nos advertiu quando disse “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim. O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, perseguirão também a vós” (cf. Jo 15, 18. 20).
Não menos forte é o testemunho da família de dois dos jovens assassinados. Perguntados sobre os seus sentimentos acerca do que sofreram, dizem que sentem orgulho de seus irmãos e que eles também são orgulho para a cristandade. “O EI ajudou a fortalecer a nossa fé”, disseram. E foram além, afirmando que “desde os tempos de Roma, nós, como cristãos, temos sido alvo de martírios. Isso só nos ajuda a nos fortalecer em certos períodos de crise, porque a Bíblia nos ensina a amar os nossos inimigos e a abençoar os que nos amaldiçoam”. E, em seguida, eles clamam pela salvação dos assassinos, pedindo que Deus abra seus olhos e livre-os da ignorância. Grande é esta fé!
E o que toca a cada um de nós quando assistimos a esses acontecimentos? Passaremos imunes e indiferentes a tudo isso? Será mais uma notícia de jornal, em um lugar distante do mundo, com pessoas que sequer conhecemos? Ficaremos apenas chocados com a brutalidade das cenas, e deixaremos lágrimas de emoção caírem de nossos olhos sem que nos penetre verdadeiramente a alma? O testemunho desta família é algo bonito de se ouvir, mas “surreal” para nós?
Diante do martírio destes cristãos e do testemunho desta família, o primeiro sentimento que deve brotar em nós é o da vergonha da nossa pouca fé. Somos também chamados à radicalidade da fé! Sem negociá-la, sem ocultá-la, sem nos intimidar diante das circunstâncias que se nos apresentam. Vivamos a fé de forma integral em todos os aspectos e âmbitos de nossa vida. Não existe fé pela metade, fé de circunstância, de ocasião, nem, muito menos, fé interesseira.
Assumamos o nosso lugar de cristãos e professemos a nossa fé no nosso modo de viver, na família, na comunidade, no trabalho, no cargo que ocupamos, na Igreja e no mundo. Quem vive autenticamente a sua fé cristã, pautando sua vida pelo Evangelho, amando, perdoando, doando-se, sacrificando-se por amor, não corrompendo-se, este também está vivendo uma espécie de martírio, não o de sangue, mas o martírio silencioso de quem prefere aos outros do que a si mesmo, de quem não nega que Cristo é o Senhor da sua vida, mesmo que para isso precise sacrificar tantas coisas.
O que Deus está pedindo de você, de nós? Como tem sido o nosso testemunho? Estamos vivendo a mediocridade de uma “fé” circunstancial e de aparências ou estamos progredindo na busca da intimidade com Deus que nos leva dia após dia à santidade e ao testemunho verdadeiro?  
Que o sangue dos Mártires não seja derramado em vão! Que deles aprendamos a prosseguir até o fim na nossa missão, com Deus, em Deus e por Deus. Que o Espírito Santo nos fortaleça diante das batalhas, nos momentos desafiadores da nossa fé, naquelas horas que mais precisamos de coragem para permanecermos firmes na Palavra e na Verdade. Nos mártires do nosso tempo vejamos um grande exemplo, e no maior deles, Jesus Cristo, tenhamos a certeza de que a Sua vitória é a nossa e de que nada do que for feito por amor a Ele ficará sem a sua recompensa!
Unidos pelo testemunho da fé até o fim!
Pe. Eduardo Braga (Dudu) Presbítero da Arquidiocese de Niterói/RJ


sábado, 4 de abril de 2015

Mensagem do papa - CADA UM DOS FIÉIS

          "Fortalecei os vossos corações" (Tg 5,8)

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja - mesmo a nível diocesano - nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal - mesmo pequeno, mas concreto - da nossa participação na humanidade que temos em comum. E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui urn apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos.
Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de onipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta ene. Deus cantas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: "Fac cor nosírum secundum cor tuum - Fazei o nosso coração semelhante ao vosso" (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.
Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
Papa Francisco



quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mensagem do papa - AS PARÓQUIAS E AS COMUNIDADES

 "Onde está o teu Irmão?" (Gn 4,9)



Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc l6,19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direções. Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o fato de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham conosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofre e geme, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: "Muito espero não ficar inativa no Céu; omeu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas alma" (Carta254, de 14de Julhode 1897).
Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.
Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens. Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf.At l,8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.
Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!   
Papa Francisco





sábado, 28 de março de 2015

Mensagem do Papa - A IGREJA

                      "Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros" (l Cor l2,26)


Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentamos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa "tem parte com Ele" (cf. Jo 13,8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é urn tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos corno Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. "Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria" (l Cor l2,26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque nela tomam parte os Santos, mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

Papa Francisco

quarta-feira, 25 de março de 2015

Força da Moral Católica


A moral católica é a base do comportamento do cristão, segundo a fé que ele professa recebida de Cristo e dos Apóstolos. No Sermão da Montanha Jesus estabeleceu a “Constituição” do Reino de Deus, e em todo o Evangelho nos ensina a viver conforme a vontade de Deus.
Para quem vive pela fé, a moral cristã não é uma cadeia, antes, um caminho de vida plena e de felicidade. Deus não nos teria deixado um Código de Moral se isto não fosse imprescindível para servos felizes. As leis morais podem ser comparadas às setas de trânsito que guiam os motoristas, especialmente em estradas perigosas, de muitas curvas, neblinas e lombadas. Se o motorista as desrespeitar, poderá pagar com a própria vida e com as dos outros.
Mas para crer nisto e viver com alegria a Moral é preciso ter fé; acreditar em Deus e no seu amor por nós; e acreditar na Igreja católica como porta voz de Jesus Cristo. É preciso ser guiado pelo Espírito Santo.
Cristo nos fala pelo Evangelho e pela Igreja. Ele a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos para ser a nossa Mãe, guia e mestra. Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Cristo concedeu à Igreja parte de sua infalibilidade em matéria de doutrina: fé e moral, porque isto é necessário para a nossa salvação, e instituiu a Igreja para nos levar à salvação. Por isso, Cristo não pode deixar que a Igreja erre em coisas essenciais à nossa salvação. O Concílio Vaticano II disse que “a Igreja é o sacramento universal da salvação” (LG,4).
É por Ela que Jesus continua a salvar os homens de todos os tempos e lugares, através dos Sacramentos e da Verdade que ensina. São Paulo disse à S. Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento (alicerce) da verdade” (1Tm 3,15) e que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade” (1Tm2, 4). Essa “verdade que salva” Deus confiou à Igreja para guardar cuidadosamente, e ela faz isto há vinte séculos. Enfrentou muitas heresias e cismas, muitas críticas dos homens e mulheres sem fé, especialmente em nossos dias, mas a Igreja não trai Jesus Cristo.
Cristo está permanentemente na Igreja – “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20) – e ela sabe que embora os seus filhos sejam pecadores, ela não pode errar o caminho da salvação e da verdade.
Na última Ceia o Senhor prometeu à Igreja (Cristo e os Apóstolos) no Cenáculo, na última Ceia, que ela conheceria a verdade plena. “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não estão preparados para ouvir agora; mas quando vier o Espírito Santo, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,12-13).
Ao longo dos vinte séculos o Espírito Santo foi ensinando à Igreja esta verdade, através dos santos, dos papas, dos Santos Padres…
Se Cristo não concedesse à Igreja a infalibilidade em termos de doutrina (fé e moral) de nada valeria ter-lhe confiado o Evangelho, pois os homens o interpretam de muitas maneiras diferentes, e criaram muitas outras “igrejas”, sem o Seu consentimento, para aplicarem a verdade conforme o “seu” entendimento, e não conforme o entendimento da Igreja deixada por Cristo. A multiplicação das milhares de igrejas cristãs e de seitas, é a conseqüência do esfacelamento da única Verdade que Jesus confiou ao Sagrado Magistério da Igreja (Papa e Bispos em comunhão com ele) para guardar e ensinar a todos os povos.
Além de confiar à Igreja a Verdade eterna, Cristo lhe garantiu a Vitória contra todos os seus inimigos. Disse a Pedro: “As portas do inferno jamais a vencerão” (Mt 16,17).
Já se passaram vinte séculos, inúmeras perseguições (império romano, nazismo, comunismo, fascismo, ateísmo,… ) e a Igreja continua mais firme e forte do que nunca. Quanto mais é perseguida, mais corajosa se torna, quanto mais apanha, tanto mais se fortalece; quanto mais é caluniada, mais sábia se torna.
Tertuliano de Cartago (†220), um dos apologetas da Igreja, escreveu ao imperador romano da época, Antonino Pio, que perseguia os cristãos, dizendo que não adiantava persegui-los e matá-los, porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.
O império romano desabou, o comunismo sucumbiu, o nazismo acabou… mas a Igreja continua mais firme do que nunca. Nenhum chefe de Estado têm tantos embaixadores (Núncios Apostólicos) em outros países como o Vaticano; são cerca de 180.
O mundo chama hoje a Igreja Católica de obscurantista, retrógrada, etc, por ela ser fiel a Jesus; mas ela não se curva diante do pecado do mundo moderno, da mesma forma que não se curvou diante dos carrascos dos seus mártires.
A Igreja não busca a glória dos homens, mas somente a glória de Deus, por isso não se intimida e não desanima diante das ameaças dos infiéis. Ainda que ela fique sozinha, não negará a verdade do seu Senhor.
A moral católica não muda ao sabor da vontade dos homens e nem com o passar do tempo, porque a Verdade não muda, seja ela qual for. O teorema de Pitágoras e o princípio do empuxo, de Arquimedes, são os mesmos que esses gregos descobriram vários séculos antes de Cristo. A verdade que foi revogada, nunca foi verdade; pois a verdade de fato não pode mudar. Cristo não nos deixou uma moral transitória, passageira, provisória; não, Ele nos deixou uma Verdade eterna. Ele mesmo é a Verdade.
As questões morais não dependem da “opinião da maioria” e nem se altera com os “avanços” científicos. A moral é que deve dizer quais descobertas da Ciência são válidas para o progresso do homem, e não o contrário. Uma lei moral não se torna lícita só porque é aprovada pelo Governo ou pelo Parlamento.
Muitas vezes a confusão moral e os erros são cometidos por causa de uma incompreensão insuficiente dessas questões. A Igreja, de sua parte, examina com profundidade as questões morais, olhando não apenas o conforto do homem, mas, principalmente a sua dignidade humana.
Diante das leis que não estão de acordo com a Moral católica, os fiéis precisam se manifestar com viva voz; porque se ficarmos calados e submissos, em breve poderemos ter em nosso país muitas leis imorais. O Papa Leão XIII disse que a audácia dos maus se alimenta da covardia e omissão dos bons. Não podemos mais viver um catolicismo de sacristia; a maioria do povo brasileiro é católica (cerca de 73%) e tem direito de viver em um país com leis católicas; mas isto só acontecerá se fizermos isto acontecer. Jesus já tinha avisado que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz”.

 Prof. Felipe Aquino

sábado, 21 de março de 2015

Não se é feliz estando só


Diz um ditado popular que ninguém é feliz sozinho. Verdade, pois como vimos anteriormente, precisamos uns dos outros. Alguém, porventura há de dizer: eu não me enquadro aí, eu me basto, não dependo e nem preciso de ninguém. Falsa premissa; vejamos o exemplo a seguir: O patrão precisa do empregado para o funcionamento do seu negócio; o trabalhador precisa do empresário para ter seu emprego. Há como uma simbiose, ou seja, um depende do outro. Há necessidade também de sinergia entre ambos, o que significa ação conjunta e interdependente para que o patrão tenha seu rendimento e o empregado sua remuneração.
De certo modo assim é nosso relacionamento com Deus e com o próximo. Sabemos que a rigor Deus não precisa nem depende de ninguém, Ele é Deus e se basta por si só. Entretanto, sabemos também que Deus se relaciona com seu povo, conosco, e desse modo por iniciativa própria, Ele deseja que esse relacionamento seja recíproco.   Assim precisamos de Deus para que nossa vida seja completa, ao passo que Deus precisa de nós para que seu nome seja proclamado a todos os filhos e seu amor seja espalhado em todo o mundo.
Ninguém é feliz sozinho. Precisamos conviver com outros seres humanos para nos completarmos e suprir nossas necessidades materiais. Precisamos nos relacionar com Deus para que nossa felicidade seja completa. Além do mais, a união nos fortalece, a mão amiga nos soergue, o ombro do irmão nos ampara; o grupo, a comunidade, a sociedade nos torna cidadãos. Ainda citando provérbios populares, “cada um por si Deus por todos” não é coerente com o pensamento exposto aqui, pois faz apologia ao egoísmo. Já “um por todos, todos por um” resume nossa posição. Em verdade precisamos uns dos outros, portanto sejamos um por todos enaltecendo a vida comunitária, para que a comunidade seja uma em nós e por nós.
Concluindo essa reflexão, meditemos o texto em Eclesiastes 4,9-12: “Mais vale dois que um só, porque terão proveito do seu trabalho. Se caem, um levanta o outro; quando se está sozinho, se cai, não tem quem levantá-lo. Se deitam juntos podem se aquecer, mas alguém sozinho como se aquecer? Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir e a corda tripla não se rompe facilmente.”.

Somos seres sociais e como tal precisamos uns dos outros. Gostamos e precisamos de companhia, mas nem sempre isso é possível. Se não pudermos estar com outras pessoas, esforcemo-nos para estar com Deus.  Este nos supre, nos preenche e com Ele, mesmos sós não estaremos sós. Parece um simples jogo de palavras; não é, é pura verdade. Junto aos irmãos e principalmente com Deus somos felizes!

quarta-feira, 18 de março de 2015

As Indulgências


                     “A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da Penitência. A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem-disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos. A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar parcial totalmente da pena devida pelos pecados. ‘Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou aplicá-las aos defuntos’.” 1471
                     “Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tenha uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama ‘pena eterna’ do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado ‘purgatório’. Esta purificação liberta da chamada ‘pena temporal’ do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena.” 1472
                 “O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. Mas permanecem as penas temporais do pecado. Suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte, o cristão deve esforçar-se para aceitar, como urna graça, essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, por inicio de obras de misericórdia e de caridade, como também pela oração e por diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do ‘velho homem’ para revestir-se do ‘homem novo’.” 1473
                 “A indulgencia se obtém de Deus mediante a Igreja, que, em virtude do poder de ligar e desligar que Cristo Jesus lhe concedeu, intervém em favor do cristão, abrindo-lhe o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos para obter do Pai das misericórdias a remissão das penas temporais devidas aos seus pecados. Assim, a Igreja não só vem em auxílio do cristão, mas também o incita a obras de piedade, de penitência e de caridade.” 1478
                     “Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los entre outros modos, obtendo em favor deles indulgências para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.” 1479
                     “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, conseqüências dos pecados.” 1498
                     “Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: ‘Eis por que ele [(Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado’ (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos: Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.” 1032



sábado, 14 de março de 2015

Espiritualidade e Sustentabilidade: o poder da intercessão


Neste ano a situação em grande parte do país e especialmente no Norte fluminense a falta de água tem sido dramática, levando a muitas comunidades a rezarem insistentemente pelas chuvas. Esta prática expressa primeiramente a confiança e a fé, no Deus Pai e Providente que governa a criação para o bem de todas as criaturas.
A oração como encontro que visa a comunhão com Deus é intensamente transformadora, tornando-se uma experiência de conversão e de aceitação de um novo olhar e novas práticas de vida. Neste caso da oração de petição pelas chuvas, quem a realiza descobre a visão amorosa do Pai, a respeito da criação. Se abre para a perspectiva de cuidado e compaixão para com todas as criaturas e da responsabilidade para com a vida do planeta.
A pessoa orante entra em profunda comunicação com a teia da vida, percebendo as conexões e o ambiente sagrado que permeia toda a natureza. É capaz de vislumbrar a água, como nossa irmã, como um dom venerável de Deus, que é preciso guardar e administrar com justiça, e sempre em harmonia com o bem comum.
O olhar contemplativo permite superar a razão instrumental e gananciosa que manipula a terra como se fosse apenas mercadoria, destinada a produzir lucros, sem importar-se com a biodiversidade e a interdependência que abraça a todas as criaturas. A oração sempre será para os cristãos o grito do Espírito Santo que nos faz ver e sentir o sofrimento e os gemidos da humanidade e da própria terra em sua caminhada pela total manifestação do plano de Deus.
A falta de chuvas é um sinal que por um lado exige de nós novas atitudes que se traduzam em uma economia sóbria e generosa da água que dispomos para que todos possam também usufrui-la, mas também reclama uma cidadania planetária que regule com justiça o uso das águas, como bem público e direito de todos os seres viventes.
Que o Senhor da Vida, da ternura e da misericórdia nos mande chuvas, e que saibamos como jardineiros da terra e guardiães da criação recebê-las com gratidão e cuidado responsável. Deus seja louvado!
“Espiritualidade e Sustentabilidade: as orações pedindo chuvas”
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)


quarta-feira, 11 de março de 2015

Ainda sobre o sofrimento do homem


O sofrimento faz parte do mistério da vida humana, seja na realidade física, como a doença e a dor, seja na esfera moral como o desprezo, a rejeição e o remorso de consciência, a perseguição, a solidão, o abandono, a perda de um ente querido, a ingratidão, o remorso e a decepção. A realidade humana nos mostra que neste mundo é praticamente impossível viver sem a experiência do sofrimento. A fé cristã, mais do que buscar respostas simples, nos apresenta um Deus que sofre conosco. Em Jesus descobrimos que Deus não nos abando­na, compadecendo-se do nosso sofrimento e transformando-o em redenção. No mistério da Cruz vemos que onde está alguém que sofre,  lá estará o Cristo.
Por sua vez  Jesus que passou fazendo o bem  suscita em nosso coração a compaixão pelo que sofre,  como na parábola do Bom Samaritano.  Diante do próximo que sofre não nos é permitido passar adiante, com indiferença; mas parar junto dele, não com curiosidade, mas disponibilidade.  Bom Samaritano é todo homem sensível ao sofrimento de outro, que se comove, que se compadece, se comove diante do sofrimento do próximo.    

(A MISSA-Arquidiocese RJ)

sábado, 7 de março de 2015

Fé e Política – Brevíssimo comentário


Diante de tanta noticia ruim, de tanto descalabro dos governantes do país, da corrupção institucionalizada, da impunidade reinante só nos resta a esperança de dias melhores. Esperança principalmente em Deus, nós que confiamos nele. No entanto é conveniente lembrar que fé e esperança não significam cruzar os braços e esperar que a solução de nossos problemas caia  do céu, como um pacotão de graças. É necessário ação. Dar passos na fé; passo na fé é andar num caminho que Deus próprio prepara para nós enquanto caminhamos. Façamos nossa parte com sabedoria e discernimento e com certeza Deus faz a dele com perfeição.
Em relação ao caput do parágrafo acima, fazer nossa parte é não compactuar e nem sequer pensar na possibilidade de justificativas para ações nefastas, venha de onde vier. Protestar pacificamente contra o status quo vigente é lícito e necessário; exigir, na forma da lei, a apuração e punição de todos os delitos praticados por autoridades e empresários corruptos e corruptores e até mesmo a defenestração de governantes incompetentes e imparciais. 
Onde entram nesse contexto a fé e a esperança? Esperança que tudo seja esclarecido, resolvido e que o país volte a normalidade política, social e econômica. Fé, crendo que o Senhor Nosso Deus há de ter compaixão por seus filhos, da nação brasileira, que em função da ação consciente dos cidadãos indignados com a rapinagem do erário publico, venha Ele fazer valer a justiça. Que venha ser imputada a pena devida aos delitos praticados. 

Façamos como cristãos a nossa parte e Deus por certo fará a dele conforte sua vontade. E a vontade de Deus é que sejamos felizes. Assim seja, amém, amém.

quarta-feira, 4 de março de 2015

O Batismo no Espírito Santo como experiência fundante

Transcrição, na íntegra, da pregação de Michelle Moran, então presidente do ICCRS, feita durante o ENF 2015, em 22/01 na cidade de Aparecida/SP.

É maravilhoso poder falar com vocês imediatamente após a fala do Papa. O Papa Francisco nos deu a direção e, agora, nós temos a responsabilidade de fazer isso acontecer. O Jubileu não é um ponto de chegada, mas é um momento para nós celebrarmos. E todos vocês, como líderes, têm uma responsabilidade: Quem vocês vão levar junto com vocês para o Jubileu? Não se trata de nós juntos fazermos uma festa, mas se trata de um mundo conhecer a obra transformadora de vidas que o Espírito Santo realiza. Todos nós temos um trabalho a fazer, portanto.
Uma das coisas que eu faço como parte da minha responsabilidade, eu tenho a oportunidade de me encontrar com o Santo Padre com frequência, e todas as vezes em que eu me encontro com o Santo Padre, eu quero que vocês saibam que levo toda a Renovação Carismática do mundo inteiro dentro do meu coração. Então vocês estão se encontrando com o Santo Padre com muita frequência.
Nesta manhã, eu quero refletir com vocês sobre o coração da Renovação Carismática Católica que é a experiência do Batismo no Espírito Santo. Em Pentecostes de 2008, nós estávamos reunidos na praça de São Pedro e o Papa Bento XVI falou conosco muito claramente sobre o Batismo no Espírito Santo. E ele disse: “Que nós possamos redescobrir a graça de ser batizados no Espírito Santo. A alegria e a beleza de sermos batizados no Espírito Santo”. Vamos lembrar-nos do nosso Batismo e do nosso Crisma e vamos pedir à Maria para ter um novo Pentecostes para nós. Vamos difundir e espalhar a graça de Pentecostes para todo o mundo.
Ele não estava falando só sobre a Renovação Carismática Católica e acho que temos que ouvir isso com nossos ouvidos muito abertos. Porque o que o Papa Bento estava fazendo era nos lembrar de que o Batismo no Espírito Santo não era só para os carismáticos, mas para toda a Igreja. Ele estava nos fazendo pensar sobre os Sacramentos do Batismo e do Crisma. Isso é uma coisa que nós carismáticos fazemos com frequência, nós nos lembramos da graça do Batismo e seguimos com a força do Sacramento do Crisma.
Bento XVI estava nos lembrando de que nós temos que ficar em expectativa pelo novo derramamento do Espírito e estarmos prontos para nos mover de acordo com a direção do Espírito. Nessa ocasião em que vocês puderam ver no vídeo hoje de manhã, no estádio olímpico, no ano passado, o Papa Francisco falou muito claramente e, desta vez, para a Renovação Carismática Católica: “Eu espero que vocês partilhem com todos na Igreja a graça do Batismo no Espírito Santo”. “EU ESPERO QUE VOCÊS”. Quem se sente
convidado com o Papa? Todos nós. E qual é a nossa tarefa? Partilhar com todos a graça do Batismo no Espírito Santo.
Então eu poderia perguntar para vocês: “o que vocês fizeram até agora?”. Desde que o Santo Padre nos pediu para fazer isso, o que nós temos feito? Tenho certeza de que nós fizemos muitas coisas. Mas, esta manhã eu quero motivá-los para fazerem mais, buscarem mais. Isso resultou numa Renovação Carismática enfraquecida, sem visão e sem força. Tenho de certeza que isso não se aplica ao Brasil. Mas, que quero partilhar com vocês o que acontece em nossa família ao redor do mundo.
Em algumas partes do mundo têm se dispendido muita energia na construção de estruturas, construindo estruturas e deixando que a parte organizacional tome um papel importante. Quero dizer para vocês que estruturas são importantes, mas o Santo Padre nos advertiu sobre o perigo da organização excessiva. A imagem que eu gosto de usar para descrever isso é: se nós pensarmos no Espírito Santo como fogo, eu já estive na Austrália muitas vezes, e, no verão, eles têm um grande problema com o fogo que pega na vegetação. Quando começa o incêndio, a madeira está muito seca e o fogo começa a se espalhar e gradualmente ele fica fora de controle. É muito perigoso, é caótico, é um grande problema. Sem as estruturas necessárias, quando as pessoas são batizadas no Espírito Santo e o fogo está queimando, esse fogo pode ser espalhar, mas também coisas caóticas podem acontecer. As pessoas podem acabar deixando a Igreja, acreditarem em heresias, fazendo a sua própria vontade em nome de Deus. Então, sim, nós precisamos das estruturas. Mas, se as estruturas forem muito pesadas, nós acabamos extinguindo o fogo.
No ano passado, eu estive no Peru e nós fizemos lá nosso programa de treinamento de liderança. Numa noite, nós fizemos nossa oração fora, em torno de um campo de fogo. Nós nos reunimos em torno daquele fogo e, então, um dos homens daquele grupo. E agora eu não quero dizer que só os homens têm a tendência de super organizar as coisas, mas alguns dos homens disseram: “Vamos construir esse fogo”. Então eles começaram a colocar muitas toras de madeira sobre aquela fogueira e gradualmente o fogo ia se apagando. Daí uma pessoa disse: “É porque o fogo não consegue respirar”. Então eles abriram aqueles pedaços de madeira e houve uma ignição. Acho que isso é uma imagem muito boa de como devemos pastorear o Batismo no Espírito Santo. Sim, nós precisamos de estruturas. Com certeza, as pessoas precisam das lideranças, mas nós não precisamos controlar, nem conter o Espírito Santo, porque, se nós fizermos isso, nós vamos extinguir a graça da Renovação Carismática. Acho que vocês entenderam, aleluia!
Em algumas partes do mundo, nós nos afastamos tanto do nosso fundamento, que as pessoas estão fazendo Seminários de Vida no Espírito, mas não estão sendo batizadas no Espírito Santo. Mas, eu me pergunto por quê? O Espírito Santo parou de agir? Não. O Espírito Santo se extinguiu, morreu? Não! Então,
por que as pessoas não estão sendo batizadas no Espírito Santo? Talvez vocês possam responder essa pergunta para mim. Eu acho que isso tem a ver com o fato de que como líderes nós não temos sido fiéis ao nosso fundamento e nós não estamos nos movendo com aquela fé expectante que tínhamos no início. Nós temos que voltar à simplicidade do início da Renovação Carismática Católica. Existem alguns Grupos de Oração que eu visito e nem tenho certeza de que eles ainda são Grupos de Oração carismáticos. Tem pessoas cantando, dançando, talvez alguém até faça uma leitura da bíblia e as pessoas rezam. É um bom Grupo de Oração, mas não é um Grupo de Oração carismático.
Nesses tempos em que estamos fazendo nossa jornada rumo ao Jubileu, nós temos que nós perguntar: “Nós somos carismáticos?”. Os nossos Grupos de Oração estão se movendo nos carismas? Nós estamos vendo coisas novas no Espírito? Nós estamos nos aprofundando em nossa vida de oração? Nós estamos sendo mais eficientes e eficazes em nossa evangelização? Estes todos são pontos importantes para nós refletirmos.
Me lembro agora de Atos 19, quando Paulo chega em Éfeso, ele pergunta para as pessoas: “vocês receberam o Espírito Santo quando foram batizados?” e vocês lembram que as pessoas disseram: “nós nem sabíamos que tinha o Espírito Santo”. Penso que existem pessoas na Renovação Carismática Católica que não conhecem toda a dimensão da graça do Batismo no Espírito Santo. Meus amigos, nós temos uma grande tarefa para cumprir, nós temos que nos revigorar, refrescar. Nós temos que fazer com que nossos Grupos se tornem jovens novamente. Nós precisamos de um novo Pentecostes, para uma nova evangelização.
Vamos voltar por um momento para o evento de Pentecostes em Atos 2. Lembrem que Pentecostes era uma festa judaica. Então eles se reuniam para celebrar essa festa que fazia memória das leis sendo dadas a Moisés no monte Sinai. Então nós temos que ler Atos 2 juntamente com Êxodo 19. Santo Agostinho, em uma de suas homilias, observou que se passaram 50 dias entre a saída do Egito e o recebimento das tábuas da lei no monte Sinai. Então, se passaram também 50 dias entre o sacrifício do cordeiro, Jesus Cristo, e o recebimento do Espírito na festa de Pentecostes. Agora que nós nos aproximamos do nosso 50º aniversário, penso que nós precisamos ficar em atitude de expectativa. Penso que nós podemos viver uma experiência nova com o Espírito Santo. A mensagem é a mesma no livro do Êxodo 19, 10, o Senhor disse: “preparem-se, aprontem-se”. Em Atos 1, 4, aos apóstolos é dito que eles devem esperar pela promessa do Pai. Hoje o Senhor diz para nós: “estejam preparados, aprontem-se, fiquem na expectativa, fiquem atentos à minha palavra”. Estejam preparados para mais daquilo que o Pai prometeu.
No monte Sinai, houve uma manifestação de Deus. Trovões, raios, trombetas, fumaça, fogo, mas somente Moisés estava lá na montanha, ele estava acompanhado de Aarão e ele era o mediador entre o povo e Deus. Em Atos 2,
Deus se manifesta. Há fogo, vento, a sala se move, mas não há mediador. O Espírito Santo diretamente repousa sobre cada pessoa. O Batismo no Espírito Santo é pessoal. Todos precisam de um Pentecostes pessoal. E o nosso Batismo no Espírito Santo nos permite viver agora toda a grandeza da graça do batismo. Se nós pudéssemos realmente entender isso, o mundo seria transformado. Deus, através do Espírito Santo, quer transformar o mundo através de mim e através de você. No dia de Pentecostes, a promessa de Deus foi cumprida: Joel 3, 1 – “Eu derramarei o meu Espírito sobre todos os seres humanos”. O Senhor derramou o seu Espírito. Amém? Onde Ele derramou o Espírito? Em mim, em você, em todo mundo. Nós temos que ajudar as pessoas a verem o que Deus fez. Nós temos que ajudar as pessoas a receberem o que Deus fez. Nós temos que assumir nosso lugar nesse novo tempo, nesta nova era do Espírito Santo. Nós temos o Espírito Santo dentro de nós. É daí que temos o tema deste nosso Encontro, nós vivemos sob a lei do Espírito de graça. Quero, portanto, motivá-los para abrirem os seus corações para receberem mais daquilo que Deus já fez. Para cada dia receberem mais das graças do seu Batismo e do seu Crisma, mas que também estejam abertos para as novidades do Espírito Santo.
Vejam, o Espírito não foi dado no dia de Pentecostes para nós termos uma experiência espiritual. A vida no Espírito não quer dizer que é uma experiência. O Espírito não foi derramado no dia de Pentecostes para que nós fôssemos curados. O Espírito não foi dado em Pentecostes para que nós pudéssemos ter dons carismáticos. Essas coisas são muito importantes. Mas, em primeiro lugar, o Espírito foi derramado no dia de Pentecostes para formar um povo que fizesse aliança com Ele. Pentecostes começou uma nova era: a Igreja, onde Deus tem levantado pessoas do Espírito. E não são somente pessoas da Renovação Carismática, mas eu creio que nós temos uma responsabilidade especial, por causa daquilo que nós já vimos, já ouvimos, por causa do que nos vivemos. O Senhor nos chama a sermos testemunhas até os confins do mundo. Então precisamos constantemente clamar para ter mais do Espírito Santo.
No I Coríntios 1, 4-7, Paulo parabeniza a comunidade. Ele diz: “eu nunca deixei de agradecer por vocês. Eu agradeço a Deus por vocês terem sidos abençoados de tantas maneiras e agradeço a Deus porque o amor a Jesus Cristo é forte entre vocês.” Mas depois, em I Cor 3, 1, Paulo diz: “eu não consegui falar com vocês como a pessoas do Espírito”. Eu peço a Deus que quando Ele olhar para a Renovação Carismática, Ele se alegre. Eu espero que o Senhor ache que aquilo que nós fizemos foi bom. Mas eu não gostaria que Ele dissesse: “Vocês não são espirituais”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são imaturos no Espírito”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são líderes, mas vocês não trabalharam para que se difundisse para o mundo essa graça”. Então o convite para nós esta manhã é “voltem”! Voltem para aquela base aquele, aquele fundamento soberano da Renovação Carismática. Voltem
para a graça do Batismo no Espírito Santo. E quando eu digo “voltem”, eu não quero que vão para trás. Nós não somos pessoas que estão voltando para trás, nós estamos nos movendo para frente. Talvez nós tenhamos que redescobrir esse nosso fundamento para que nós possamos nos mover com uma nova força.
Em novembro de 2013, um grupo de líderes de todo o mundo se reuniram na Terra Santa para escutar o Senhor nessa nossa jornada rumo ao Jubileu. Em um daqueles, dias nós fizemos uma peregrinação a Jerusalém e nós tínhamos a esperança de podermos nos reunir no local do Cenáculo. Mas o Cenáculo é um dos lugares santos que não é cuidado pelos franciscanos. A polícia é que controla aquela área. Então, vamos até o Cenáculo e temos que passar por ele, não podemos ficar lá. Nós éramos 160 pessoas e nós chegamos lá com uma visão no nosso coração. Nós queríamos ficar lá no Cenáculo. Meu marido estava lá com o seu violão e o policial disse “sem violão”. Então nós nos perguntamos: o que vamos fazer? E o policial disse: “Ah! Vão, vão...” e nós fomos com o violão. Quando nós temos um violão, nós temos um Grupo de Oração e nós tínhamos que nos mover rapidamente no Espírito. Então muito rapidamente começamos a rezar. Éramos pessoas de muitas diferentes línguas, então nós oramos na linguagem do Espírito. E nós ficamos lá, naquele lugar que não pode ficar muito tempo, por mais de uma hora. Creio que aquela foi uma reunião de oração profética. Líderes carismáticos de diferentes línguas, de todas as partes do mundo, reunidos no Cenáculo. Numa certa altura, o policial foi lá ver o que estava acontecendo. Ele entrou lá no Cenáculo e ficou olhando, nós rezamos ainda mais alto em línguas. E o policial saiu. Vejam, quando nos movemos no poder do Espírito Santo, nada pode nos impedir.
O que Deus nos falou no Cenáculo? Certamente o que Ele disse a cada um de nós foi “recebam um novo Pentecostes pessoal. Não somente para você mesmo, mas para todas as pessoas que você representa”. Eu creio que, naquele dia, o Brasil recebeu um novo Pentecostes. Aleluia! Mas, nós temos que nos apropriar desse novo Pentecostes, nós temos que recebê-lo. A última palavra profética que nós ouvimos lá no Cenáculo foi: “Eu derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito. Eu vou derramar o meu Espírito abundantemente e perpetuamente até que tenha sido realizado aquilo que eu desejo”. Vocês acreditam que o Senhor está derramando o seu Espírito? Vamos ficar de pé. Nós vamos rezar pedindo mais do Espírito Santo. Há um novo refrigério que o Senhor quer nos dar hoje. Nós não vamos pensar mais nas bênçãos de ontem, nós queremos um novo toque do Espírito. Vamos orar no Espírito para receber mais do Espírito!
Senhor, dá-nos o novo do teu Espírito, dá-nos o teu refrigério. Senhor, renova-nos no poder do teu Espírito, transforme as nossas vidas. Traga a novidade para dentro da tua Igreja, Senhor. Traga conversão para o nosso mundo, que a Tua Palavra vá até os confins do mundo no poder do Espírito Santo, amém!