quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Evangelizadores com Espírito


 


  Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo. No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma­-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria lín­gua. Além disso, o Espírito Santo infunde a for­ça para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente. Invoquemo-Lo hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a ação corre o risco de ficar vã e o anúncio, no fim de contas, carece de alma. Jesus quer evange­lizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigu­rada pela presença de Deus.

   Evangelizadores com espírito quer di­zer evangelizadores que rezam e trabalham. Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoro­so compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração. Estas propostas parciais e desagregadoras alcançam só pequenos grupos e não têm força de ampla pe­netração, porque mutilam o Evangelho. É pre­ciso cultivar sempre um espaço interior que dê sentido cristão ao compromisso e à atividade.  Sem momentos prolongados de adoração, de en­contro orante com a Palavra, de diálogo sincero com o Senhor, as tarefas facilmente se esvaziam de significado, quebrantamo-nos com o cansaço e as dificuldades, e o ardor apaga-se. A Igreja não pode dispensar o pulmão da oração, e alegra-me imenso que se multipliquem, em todas as insti­tuições eclesiais, os grupos de oração, de inter­cessão, de leitura orante da Palavra, as adorações perpétuas da Eucaristia. Ao mesmo tempo, «há que rejeitar a tentação duma espiritualidade inti­mista e individualista, que dificilmente se coadu­na com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação».  Há o risco de que alguns momen­tos de oração se tornem uma desculpa para evitar dedicar a vida à missão, porque a privatização do estilo de vida pode levar os cristãos a refugia­rem-se nalguma falsa espiritualidade.

(Papa Francisco – Evangelii Gaudium/Cap. V-§259 e 262)

 

sábado, 11 de janeiro de 2014

O poder da bênção


Ser cristão é ser um “acontecimento feliz” para o mundo, para as pessoas que conosco convivem. Eis-nos diante deste lindo desafio: ser bênção, exalar o perfume de Cristo, ser presença de Deus onde quer que estejamos. Mas, para isso, precisamos vigiar nosso comportamento e renunciar a alguma práticas que, muitas vezes, sem percebermos, tornam-se comuns em nosso meio. 

A palavra bênção possui significados muito profundos e ricos. Entretanto, dois me chamam bastante a atenção: bênção significa benefício e também acontecimento feliz. Ao sermos abençoados por nosso Abbá(nosso Pai-Deus querido) somos cumulados de seus benefícios: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e jamais te esqueças de todos os seus benefícios.” “É Ele que cumula de benefícios a tua vida, e renova a tua juventude como a da águia” (Sl. 102, 2.5). Portanto, bênção é um benefício, um bem generosamente dirigido a alguém. Por outro lado, bênção é um favor que gera satisfação, felicidade, júbilo interior, contentamento, grande alegria; é um acontecimento feliz. O maior ícone desse favor, desse acontecimento, feliz foi a encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo” (Ef. 1, 3).

Nesse sentido, também nós precisamos ser bênção para os outros. Uma vez abençoados por Deus, sejamos nós uma bênção para os irmãos em Cristo, para a nossa família, para os nossos lares, para a Igreja, para o Grupo de Oração do qual fazemos parte, para a RCCBRASIL, para o mundo em suas diversas implicações e desdobramentos. Precisamos ser esses “vasos transbordantes do benefício de Deus” e também esse “acontecimento feliz” na vida das pessoas. É como o Senhor falou a Abrão: “Eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos” (Gn, 12, 2b).

Ser, pois, agente transbordante do benefício de Deus implica em exalar o perfume de Cristo (cf. II Cor. 2, 14-15) através de nossas atitudes, postura, expressões faciais; através de nossos gestos, olhar, sentimentos, critérios, impulsos; através das prioridades que traçamos para nossas vidas, das escolhas que fazemos, das palavras que proferimos. De modo particular, quero me deter aqui na possibilidade de sermos agentes transbordantes do benefício de Deus através das nossas palavras. Sabemos que uma palavra tanto pode edificar, reconstruir, restabelecer, quanto pode ferir, matar, massacrar alguém. São Tiago nos ensina que um homem ou uma mulher que refreia sua língua é alguém perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo (cf. Tg. 3, 2b). E ele denunciou o que acontecia naquela comunidade, que não é diferente do que acontece hoje: “Com ela (língua) bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim” (Tg. 3, 9-10).

Irmãos, sabemos que xingamentos, calúnias, falsos testemunhos, fofocas, palavras de depreciação e de julgamentos temerários, gritarias, palavras geradas por impulso de raiva dentre outras não são palavras de bênção. Precisamos cuidar também para que não caiamos na armadilha de, movidos algumas vezes pela falsa pretensão de fazermos uma crítica construtiva, querer, em verdade, nos sobrepor ao outro para diminuí-lo e colocá-lo em xeque. Por vezes não exalamos o perfume de Cristo através de nossa língua, mas apresentamos uma espécie de espada bem afiada e fria a cortar o pescoço dos irmãos e a disseminar coisas que não são de Deus entre nós. Nossa língua precisa ser comunicadora do benefício de Deus!

De igual modo, somos chamados a ser um “acontecimento feliz” na vida das pessoas. Quantas vezes ouvimos: “você foi enviado por Deus para me levantar” ou “sinto tanta paz quando estou com você ou quando converso com você”... Ser um acontecimento feliz na vida das pessoas é simplesmente mostrar a Face de Cristo para elas e conduzi-las para Deus através de nossas palavras e testemunho credível (cf. PortaFidei, 15). O Papa Paulo VI, ao nos exortar que precisamos ter “fogo no coração, palavra nos lábios e profecia no olhar”, pretendeu abranger todos esses níveis da vida cristã: a experiência profunda com Deus que arde em nós, o impulso ardoroso de anunciar oportuna e importunamente a Boa-Nova e o testemunho coerente e eloquente do verdadeiro seguimento de Cristo.

Vinícius Rodrigues Simões - Coordenador Nacional do Ministério de Formação RCCBRASIL (Fonte: Portal RCC Brasil)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Confiar na Vossa Providência


Ó Senhor, Vós nos dissestes como cuida dos lírios do campo.  Vós que nem um lugar tivestes para repousar a Vossa cabeça cansada, sede o nosso professor.

Ensinai-nos a confiar na Providência divina e ajudai-nos a superar a ganância humana. A ganância a ninguém faz feliz. Dai-nos força de nos darmos a Vós para que sejamos um instrumento da Vossa vontade.

Abençoai o uso do dinheiro no mundo para que sejam saciados os que têm fome, sejam vestidos os que estão nus, tenham abrigo os pobres e sejam tratados os doentes.

E, Senhor, dai-nos o Espírito Santo para que, pela fé que nos concedeis, claramente discirnamos que todos nós para Vós somos mais valiosos do que cada lindo lírio ou cada rouxinol que no céu canta. Amém.
Beata Madre Teresa de Calcutá

domingo, 5 de janeiro de 2014

Os Reis Magos


“E, abrindo os seus tesouros, lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 11). A Igreja celebra a festa da manifestação do Senhor (Epifania) no dia 6 de janeiro, embora no Brasil ela seja festejada no domingo mais próximo.

O Catecismo da Igreja nos ensina que: “A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Com o Batismo de Jesus no Jordão e com as bodas de Caná, ela celebra a adoração de Jesus pelos “magos” vindos do Oriente (Mt 2,1).

Nesses “magos”, representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa-Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém para “prestar homenagem ao Rei dos Judeus” (Mt 2,2) mostra que eles procuram Israel, à luz messiânica da estrela de Davi (Nm 24, 17; Ap 22, 16), aquele que será o Rei das nações (Nm 24, 17-19). Sua vinda significa que os pagãos só podem descobrir a Jesus e adorá-lo como Filho de Deus e Salvador do mundo voltando-se para os judeus (Jo 4,22) e recebendo deles a sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento. A Epifania manifesta que “a plenitude dos pagãos entra na família dos Patriarcas” e adquire a “dignidade israelítica” (§528).

Quem eram esses reis magos? Pouco sabemos sobre eles, parece que vieram da Pérsia, pois se vestiam como persas. Quando os persas invadiram Belém, não destruíram a basílica da natividade porque na sua fachada encontraram a figura dos reis Magos vestidos com roupas persas.

Comentando a adoração dos reis Magos que vieram do Oriente, diz Santo Agostinho: “Ó menino, a quem os astros se submetem! De quem é tamanha grandeza e glória de ter, perante seus próprios panos, Anjos que velam, reis que tremem e sábios que se ajoelham? Quem é este, que é tal e tanto? Admiro de olhar para panos e contemplar o céu; ardo de amor ao ver no presépio um mendigo que reina sobre os astros. Que a fé venha em nosso socorro, pois falha a razão natural.”

De fato, apenas nascido, o Rei começa imediatamente a governar o seu poderoso império: chama de longínquas regiões os monarcas, como seus servos, para adorá-Lo; o Céu e a terra se curvam diante d’Ele e seus inimigos tremem à sua chegada.

A Igreja nos ensina que em primeiro lugar Jesus Menino se apresentou a seu povo Judeu na figura dos Pastores de Belém que, avisados pelos Anjos foram adorar o Deus Menino em Belém. Em seguida Ele quis se manifestar (Epifania) aos pagãos, para mostrar que Ele veio para reinar sobre toda a humanidade e salvar a todos. Os pagãos estão representados nos misteriosos Reis Magos, que deviam ser reis de cidades orientais, como havia muitos antigamente.

Naquele tempo, o mundo inteiro, em particular o mundo oriental, esperava uma nova era para todas as nações e julgava-se que essa era tivesse origem na Palestina. Os Magos meditavam talvez nessa crença, quando viram resplandecer no céu uma estrela em direção à Palestina. Eles vieram com seus séquitos, camelos, servos e muitos presentes para oferecer ao Rei de Israel.

Por isso, foram diretamente para Jerusalém e procuraram a Herodes, pensando que toda Jerusalém estivesse em festa. Mas esta capital nada sabia, desconhecia o seu Rei. Em seguida foram para Belém guiados pela Estrela até a gruta santa, já que os doutores da lei o indicaram. Toda Jerusalém se alvoroçou porque o povo esperava o Messias Salvador, mas jamais podiam imaginar que seria aquele Menino.

Em Belém os Magos, que a tradição chamou de Baltazar, Gaspar e Melquior, encontraram o Menino e seus pais; e não se decepcionaram com a pobreza e simplicidade. Certamente poderiam perguntar:

- Mas que tipo de Rei é este que nasce numa manjedoura e não em um berço de ouro? É belo perceber como a fé sustentou  a convicção deles; deixaram que Deus os guiasse…

E sem duvidar, adoraram o Menino e lhe ofereceram ouro (para o Rei), incenso (para Deus) e a Mirra (para o Cordeiro a ser um dia imolado).

O ouro é dado ao Rei; significa a sabedoria celeste. São Bernardo escreve: “Tereis encontrado esta sabedoria se antes tiverdes chorado os pecados cometidos, desprezado os gozos do mundo e desejado, de todo coração, a vida eterna. Tereis encontrado a sabedoria se cada uma destas tiverem o gosto que tem: as coisas amargas e as coisas de que se deve evitar; estas devem ser desprezadas como caducas e transitórias; aquelas devem ser cobiçadas com todo desejo como bens perfeitos; discerni o gosto no íntimo da alma”.

Diz Santo Anselmo (1033-1109), doutor da Igreja, que as moedas oferecidas pelos Magos a Jesus Menino seriam as mesmas com que tantos séculos antes o casto José egípcio fora comprado pelos israelitas, ao ser-lhes vendido por seus irmãos: as mesmas que, tendo chegado depois às mãos dos Sacerdotes do Templo, serviram para dar a Judas o preço da traição.

O incenso é oferecido a Deus; significa a oração devota. Daí o salmista: “Suba direto a ti a minha oração, como o incenso” (Sl. 140, 2). A oração fiel, humilde e fervorosa sobe ao céu e não regressa vazia.

A mirra significa a mortificação da carne. “As minhas mãos destilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa” (Ct 5, 5). Diz o grande São Gregório Magno: “As mãos significam as obras virtuosas, os dedos, a discrição. Portanto, as mãos destilam a mirra quando, pelas obras virtuosas, castiga-se a carne; mas os dedos são ditos cheios da mais preciosa mirra, pois é muito preciosa a mortificação que se faz com discrição.”

Assim como a Estrela guiou os Reis Magos até Jesus, a fé deve nos levar até Ele todos os momentos da vida, para que esta tenha sentido. Disse o Papa João Paulo II, na encíclica “Redemptor Hominis” que “o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido; um mistério inexplicável, um enigma insondável”. Este vive sem rumo, sem meta, sem sentido, sem saber o que a vida vale, sem saber o sentido da dor, da  prece, da morte e da vida eterna.

Que a Estrela da fé guie cada um de nós até esta Gruta Sagrada onde na pobre manjedoura descansa em paz o Príncipe da Paz, o Deus Forte, a Luz do Mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida.
Prof. Felipe Aquino (Cleofas)
 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano Novo Novas Esperanças


Novo ano se inicia. O que Deus tem preparado para nós nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, ninguém pode prever.  Esperamos em Deus que 2014 seja pleno de realizações e alegria. Confiamos no Senhor e na sua providência, sabemos que pela fé granjearemos o que de bom Ele tem preparado para nós. Que nossos sonhos, nossos projetos sejam realizados na conformidade da Sua vontade, e que a Sua vontade seja também a nossa. Acolhamos com alegria no coração o que Deus tem preparado para nós, pois sabemos que de Deus só pode vir o bem. Dele emana amor, amor imenso, incontido. Amor que nos constrange, pois é maior que tudo que possamos imaginar; é mais forte que tudo. Estejamos também prontos para suportar o que não desejamos: a dor, as decepções, as injustiças, as ingratidões, pois que estamos no mundo e no mundo haveremos de sofrer tribulações, nos diz Jesus. Ele também, a seguir, nos conforta: coragem! Eu venci o mundo. O sofrimento é ruim para todos, ninguém quer. Se a dor vier, que nos encontre junto ao Mestre, pois com Ele suportamos tudo e nos resignamos. Com Jesus somos mais que vencedores. Tenhamos fé, muita fé, fé multiplicada; como Paulo possamos ver, ouvir, sentir: “É como está escrito: coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou; tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”(1Cor 2,9).

domingo, 29 de dezembro de 2013

Perseverar na Oração


Quando vier o Filho do Homem, encontrará fé sobre a terra?


 

Para mostrar que é necessário orar sempre, sem nunca desanimar, Jesus contou uma parábola: “Havia numa cidade um juiz que não temia a Deus e não respeitava ninguém. Havia lá também uma viúva que o procurava, dizendo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’. E durante muito tempo o juiz se recusou. Por fim disse consigo mesmo: ‘embora eu não tema a Deus e não respeite ninguém, vou fazer-lhe justiça, porque esta viúva está me aborrecendo. Talvez assim ela pare de me incomodar’. Prosseguiu o Senhor: ‘ouvi o que diz este juiz perverso. E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que clamam por Ele noite e dia, mesmo quando os fizer esperar? Eu vos digo que em breve lhes fará justiça. mas quando vier o Filho do Homem, encontrará fé sobre a terra”? (Lc 18,1-8).

Este trecho do Evangelho fala de justiça, de perseverança, de oração. e fala acima de tudo, do grande amor de Deus por cada um de nós e de sua grande preocupação conosco, seus filhos eleitos. Mostra-nos o Senhor preocupado com nossa fé. E, deixa claro que é preciso muita oração, rezar sem esmorecer para vencermos as barreiras/muralhas diárias. Jesus usa neste trecho bíblico a parábola da viúva e do juiz, para mostrar aos seus discípulos o valor da persistência. Essa senhora dependia de uma ação daquele juiz para se livrar da opressão se um adversário. E só conseguiu ser atendida depois de muita insistência.

A viúva que Jesus usou como exemplo, é um personagem bastante comum em nosso dia a dia. Ela simboliza o pobre e o desamparado, que justamente por não ter como custear as despesas judiciais, é simplesmente privado de seus direitos perante os fortes e poderosos de nossa sociedade.  

A Palavra de Deus não envelhece. Dois mil anos se passaram e parece que Jesus foi buscar esse exemplo nas manchetes dos jornais. Aquele juiz era desonesto, não cumpria com suas obrigações e provavelmente legislava em causa própria, em beneficio dos ricos e de seus aliados políticos. É triste admitir, mas nosso dia a dia está repleto de casos semelhantes.

Juiz quer dizer: aquele que tem o poder de julgar. Entretanto, subentende-se que seu julgamento seja justo e imparcial.  Nesta parábola, o juiz não é justo e simboliza somente o poder. Infelizmente, esse juiz é o retrato fiel de certos homens públicos e de muitos políticos que manipulam as leis em causa própria. A viúva simboliza o marginalizado e excluído. Representa os pobres, os doentes, os trabalhadores, os aposentados, enfim, simboliza o povo simples que não tem quem lute por seus direitos.

O juiz atendeu a viúva só para não ser importunado. Essa é a reação normal de quem não ama, só cede sob pressão. Através dessa parábola, Jesus nos lembra que Deus é Amor e sabe das nossas necessidades, portanto, fará por nós o melhor, se pedirmos com humildade e muita fé.

Com esse exemplo, Jesus ressalta a importância e a necessidade de sermos perseverantes na oração. Se a viúva tivesse desistido, se não tivesse sido perseverante, não teria recebido a merecida justiça. Sabemos que a oração é o caminho para quem procura a justiça. Sabemos? Acreditar e pedir, insistir sem exigir, essa é a oração que nos aproxima de Deus.

Pe. Nivaldo Jr. -  Vigário Episcopal Vic. Suburbano-Arquid. Rio de Janeiro/Pároco Paróquia S. Brás.

 

 

sábado, 21 de dezembro de 2013

O infinito amor materno


Amor que não acaba, amor sem limites. Uma mãe ama seu filho, não importa quem ou o que ele seja; mães de criminosos, mesmo quando estas os denunciam e os entregam a autoridade policial, o fazem por amor. Elas têm a esperança que se recuperem e preferem ver o filho vivo na cadeia, que morto nas ruas. Amor de mãe é assim, sofrido, incompreendido, até contestado. Algumas sofrem o desprezo dos filhos, que muitas vezes não reconhecem a dedicação de suas mães por eles. Mães que se sacrificam para sustentar, cuidar, educar. Mães que se alimentam mal para que seus filhos tenham o que comer. Mães que trabalham de sol a sol – às vezes em jornada dupla – para que os filhos tenham o que vestir, possam estudar, até possam usufruir momentos de lazer. 
O poeta já dizia: ser mãe é padecer no paraíso; ser mãe é viver intensamente a graça de gerar uma vida, gestá-la, dar a luz, enfim, trazer um novo ser humano ao mundo. A maternidade é algo tão sublime, que Deus ao encarnar-se e vir ao mundo como Filho, serviu-se de uma mulher para que Ele tivesse também uma mãe. Maria de Nazaré foi a escolhida. Virgem Maria, Mãe de Deus (Teothokos), Maria, modelo de todas as mães na face da terra. Assim podemos afirmar que não existe amor humano maior que o amor de mãe. É certo que existem mães, raríssimas na verdade, que não merecem ser assim chamadas; aquelas que abortam, que jogam os filhos recém-nascidos no lixo, que deixam os filhos pequenos trancados em casa e vão para a rua se drogar, se prostituir. Entretanto, felizmente, apesar do desvirtuamento dos costumes nos dias atuais, a imensa e esmagadora maioria são verdadeiramente mães. Mães solteiras, mães casadas, mães com família, mães sozinhas, não importa; mães que amam, que educam, que zelam pelos filhos.  Amor de mãe, humanamente incomparável.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Sacramento do Matrimônio 2


 


 

 

                 “Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja porque somos membros de seu corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne (Gn 2,24). Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja. Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.” (Efésios 5, 25-33)

                  No rito latino, a celebração do Matrimônio entre dois fiéis católicos normalmente ocorre dentro da santa missa, em vista de vínculo de todos os sacramentos com o mistério pascal de Cristo. Na Eucaristia se realiza o memorial da nova aliança, na qual Cristo se uniu para sempre à Igreja, sua esposa bem-amada, pela qual se entregou. Portanto, é conveniente que os esposos selem seu consentimento de entregar-se um ao outro pela oferenda de suas próprias vidas, unindo-o à oferenda de Cristo por sua Igreja que se toma presente no Sacrifício Eucarístico, e recebendo Eucaristia, a fim de que, comungando no mesmo Corpo e no mesmo Sangue de Cristo, eles "formem um só corpo" nele. 1621

                 "Como gesto sacramental de santificação, a celebração litúrgica do Matrimônio ... deve ser válida por si mesma, digna e frutuosa." Convém, pois, que os futuros esposos se disponham à celebração de seu casamento recebendo o sacramento da Penitência. 1622

Segundo a tradição latina, são os esposos que, como ministros da graça de Cristo, se conferem mutuamente o sacramento do Matrimônio, expressando diante da Igreja seu consentimento. Nas tradições das Igrejas Orientais, os sacerdotes, Bispos ou presbíteros, são testemunhas do consentimento recíproco dos esposos, mas também é necessária a bênção deles para a validade do sacramento. 1623

                    As diversas liturgias são ricas em orações de bênção e de epiclese para pedir a Deus a graça e a bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja (Cf. Ef 5,32). É Ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovar a fidelidade dos esposos. 1624

                  O consentimento consiste num "ato humano pelo qual os cônjuges se doam e se recebem mutuamente": "Eu te recebo por minha mulher" - "Eu te recebo por meu marido. Este consentimento que liga os esposos entre si encontra seu cumprimento no fato de "os dois se tomarem uma só carne". 1627

 

                                        

A Graça do Sacramento


 

 

                    Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o estilo de um ágil escriba. Sois belo, o mais belo dos filhos dos homens. Expande-se a graça em vossos lábios, pelo que Deus vos cumulou de bênçãos eternas. Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor. Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos. Aguçadas são as vossas flechas; a vós se submetem os povos; os inimigos do rei perdem o ânimo. Vosso trono, ó Deus, é eterno, de eqüidade é vosso cetro real. Amais a justiça e detestais o mal, pelo que o Senhor, vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria, preferindo-vos aos vossos iguais. Exalam vossas vestes perfume de mirra, aloés e incenso; do palácio de marfim os sons das liras vos deleitam. Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir. Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece o teu povo e a casa de teu pai. De tua beleza se encantará o rei; ele é teu senhor, rende-lhe homenagens. Habitantes de Tiro virão com seus presentes, próceres do povo implorarão teu favor. Toda formosa, entra a filha do rei, com vestes bordadas de ouro. Em roupagens multicores apresenta-se ao rei, após ela vos são apresentadas as virgens, suas companheiras. Levadas entre alegrias e júbilos, ingressam no palácio real. Tomarão os vossos filhos o lugar de vossos pais, vós os estabelecereis príncipes sobre toda a terra. Celebrarei vosso nome através das gerações. E os povos vos louvarão eternamente.” (Salmo 44, 2-18)

                   "Em seu estado de vida e função, (os esposos cristãos) têm um dom especial dentro do povo de Deus." Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça "eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos". 1641

                   Cristo é a fonte desta graça. "Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio." Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, "submeter-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro.

Onde poderei haurir a força para descrever satisfatoriamente a felicidade do Matrimônio administrado pela Igreja, confirmado pela doação mútua, selado pela bênção? Os anjos o proclamam, o Pai celeste o ratifica... O casal ideal não é o de dois cristãos unidos por uma única esperança, um único desejo, uma única disciplina, o mesmo serviço? Ambos filhos de um mesmo Pai, servos de um mesmo Senhor. Nada pode separá-los, nem no espírito nem na carne; ao contrário, eles são verdadeiramente dois numa só carne. Onde a carne é uma só, um também é o espírito. 1642

                 "O amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração do espírito e da vontade; O amor conjugal dirige-se a uma unidade profundamente pessoal, aquela que, para além da união numa só carne, não conduz senão a um só coração e a uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca definitiva e abre-se à fecundidade. Numa palavra, trata-se das características normais de todo amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e as consolida, mas eleva-as, a ponto de torná-las a expressão dos valores propriamente cristãos." 1643

                 O amor dos esposos exige, por sua própria natureza, a unidade e a indissolubilidade da comunidade de pessoas que engloba toda a sua vida: "De modo que já não são dois, mas uma só carne" (Mt 19,6). "Eles são chamados a crescer continuamente nesta comunhão por meio da fidelidade cotidiana à promessa matrimonial do dom total recíproco." Esta comunhão humana é confirmada, purificada e aperfeiçoada pela comunhão em Jesus Cristo, concedida pelo sacramento do Matrimônio . E aprofundada pela vida da fé comum e pela Eucaristia recebida pelos dois. 1644

                “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria! O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e o amor. Porém, a maior delas é o amor.”   (1 Coríntios 13,1-13)   

                    ( Final da série sacramentos)

 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

A dignidade da mulher


Admiro-me, cada vez mais, da significativa presença e atuação das mulheres nas pastorais e movimentos de nossa Arquidiocese. Tenho notado, também, quanto é importante e essencial o papel que exercem na própria família. Dessas constatações, nasceu a reflexão que segue.
O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. Para a fé cristã, essa é uma verdade fundamental e inquestionável. Somos pessoas, isto é, criaturas racionais e livres, capazes de conhecer e amar o Criador. Só nos realizamos plenamente no dom de nós mesmos a Deus e ao nosso próximo. Em suas pregações e em seu modo de agir, Jesus deixava claro que tanto o homem como a mulher merecem o respeito de todos, porque são iguais em dignidade. Hoje isso é aceito pacificamente; no tempo de Jesus, contudo, era uma ideia revolucionária, pois a mulher era vista como um ser inferior, sem direitos. O relacionamento que Jesus tinha com elas despertava a atenção de todos, pois era marcado pela atenção, simplicidade e transparência. Com elas conversava sobre os mistérios mais profundos do Reino dos céus, como aconteceu em seu encontro com a Samaritana (cf. Jo 4). Falou-lhe do dom que Deus lhe queria dar, qual fonte de água viva que jorra para a vida eterna. Algumas mulheres acompanharam seus passos e com ele caminharam até o Calvário. Mereceram, inclusive, uma advertência de sua parte: “Não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos!” (Lc 23,28).
A dedicação e o sofrimento dessas mulheres nos lembram as que hoje sofrem por inúmeros motivos. Aliás, como há mulheres que sofrem! Além de tudo o que uma mulher enfrenta enquanto espera um filho, é decisiva sua contribuição na formação da personalidade desse novo ser. Quantos poderiam dar um belo testemunho a essa respeito! É imensa a dívida que nós, homens, temos para com elas. Respeitar sua dignidade e ajudá-las a viver sua vocação e missão é o mínimo que podemos fazer em retribuição ao que delas recebemos. Mas podemos dar um passo a mais, agradecendo ao Senhor por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, irmãs e esposas; pelas consagradas a Deus na vida religiosa; pelas que se dedicam aos necessitados e doentes; pelas que exercem uma profissão e dão preciosa contribuição na construção da sociedade; pelas que, sozinhas, assumem a responsabilidade de sua família. Todas elas saíram do coração de Deus e tornam nosso mundo mais poético e belo, mais rico e virtuoso. Diante dessas colocações, poderia nascer uma pergunta: se Cristo valorizou tanto a dignidade e a vocação da mulher, por que a Igreja não lhes possibilita a ordenação sacerdotal e episcopal? A resposta é simples: agindo assim, a Igreja segue a prática do próprio Jesus que, ao chamar os “Doze”, escolheu só homens. Só eles estiveram com Jesus na última Ceia; só eles receberam o mandato sacramental: “Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19), ligado à instituição da eucaristia; só eles, na tarde do dia da Ressurreição, receberam o Espírito Santo para perdoar os pecados. Quem fez essa escolha foi aquele mesmo Jesus que sempre agiu com liberdade e, superando a mentalidade reinante em seu tempo – mentalidade antifeminista –, soube respeitar e enaltecer a mulher. Ao partir para o Pai, Jesus ordenou a seus discípulos: “Ide e evangelizai todas as nações!” Para cumprir essa missão, a Igreja volta seu olhar para as mulheres, que podem dar uma colaboração inestimável nesse campo. Elas são como algumas mulheres da Bíblia – como Maria, por exemplo, que soube acolher a proposta que Deus lhe fazia e colaborou decisivamente para a vinda do Salvador ao mundo. Ela se antecipou a nós no caminho da santidade. Nela, a Igreja já atingiu a perfeição. Para os homens, a Virgem Santíssima testemunha a vocação e a dignidade de cada mulher. Para as mulheres, ela é exemplo de filha e mãe, de virgem e esposa, de mestra e discípula. Para todos, ela é um modelo perfeito de vida cristã, pois nos precedeu no caminho da fé, da caridade e da união com Cristo.
Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador (BA), Primaz do Brasil
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Sacramento do Matrimônio


 


 

 

 


 Sacramento do Matrimônio desígnio Divino

 

                    “Ah! Beija-me com os beijos de tua boca! Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho, e suave é a fragrância de teus perfumes; o teu nome é como um perfume derramado: por isto amam-te as jovens. Arrasta-me após ti; corramos! O rei introduziu-me nos seus aposentos. Exultaremos de alegria e de júbilo em ti. Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho. Quanta razão há de te amar!” (Cânticos 1, 2-4)

                   "A aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento por Cristo Senhor." 1601          

                   A sagrada Escritura abre-se com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus se fecha-se com a visão das "núpcias do Cordeiro" (cf. Ap 19,7). De um extremo a outro, a Escritura fala do casamento e de seu "mistério", de sua instituição e do sentido que lhe foi dado por Deus, de sua origem e de seu fim, de suas diversas realizações ao longo de história da salvação, de suas dificuldades provenientes do pecado e de sua renovação "no Senhor" (1Cor 7,39), na noa aliança de Cristo e da Igreja. 1602

                  "A íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis [...] O próprio [...] Deus é o autor do matrimônio. "A vocação para o Matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador. O casamento não é uma instituição simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais. Essas diversidades não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes. Ainda que a dignidade desta instituição não transpareça em toda parte com a mesma clareza, existe, contudo, em todas as culturas, um certo sentido da grandeza da união matrimonial. "A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar." 1603

                 Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é Amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do Criador, que "é amor" (1Jo 4,8. 16). E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: "Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a" (Gn 1,28). 1604

                 Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a sagrada Escritura o afirma: "Não é bom que O homem esteja só" (Gn 2,18). A mulher, "carne de sua carne", é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um "auxilio", representando, assim, "Deus, em quem está o nosso socorro". "Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne" (Gn 2,24). Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, 'na origem", o desígnio do Criador (Cf. Mt 19,4): "De modo que já não são dois, mas uma só carne" (Mt 19,6). 1605

                 “Casar-Me-ei contigo para sempre, casar-Me-ei contigo na justiça e no direito, no amor e na ternura.22.Casar-Me-ei contigo na fidelidade e conhecerás Javé.23.Nesse dia - oráculo de Javé - Eu responderei ao céu e o céu responderá à terra; e a terra responderá com o trigo, com o vinho e o azeite. E tudo estará respondendo a Jezrael, † Deus semeia.” (Oséias 2, 21-24)

 

 

Aliança no Senhor


 

 

                    “Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, o que há entre nós? Minha hora ainda não chegou.’ Disse, então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser.’ Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. Jesus ordena-lhes: ‘Enchei as talhas de água.’ Eles encheram-nas até em cima. ‘Tirai agora’ , disse-lhes Jesus, ‘e levai ao chefe dos serventes.’ E levaram. Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: ‘É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.’ Este foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

(João 2, 1- 11)

                 A aliança nupcial entre Deus e seu povo Israel havia preparado a nova e eterna aliança na qual o Filho de Deus, encarnando-se e entregando sua vida, uniu-se de certa maneira com toda a humanidade salva por ele, preparando, assim, "as núpcias do Cordeiro (Cf. Ap 19,7 e 9). 1612

                No limiar de sua vida pública, Jesus opera seu primeiro sinal a pedido de sua Mãe por ocasião de uma festa de casamento. A Igreja atribui grande importância à presença de Jesus nas núpcias de Caná. Vê nela a confirmação de que o casamento é uma realidade boa e o anúncio de que, daí em diante, ser ele um sinal eficaz da presença de Cristo. 1613

               É provável que esta insistência sem equívoco na indissolubilidade do vínculo matrimonial deixasse as pessoas perplexas e aparecesse como uma exigência irrealizável. Todavia, isso não quer dizer que Jesus tenha imposto um fardo impossível de carregar e pesado demais para os ombros dos esposos, mais pesado que a Lei de Moisés. Como Jesus veio para restabelecer ordem inicial da criação perturbada pelo pecado, ele mesmo dá a força e a graça para viver o casamento na nova dimensão do Reino de Deus. E seguindo a Cristo, renunciando a si mesmos e tomando cada um sua cruz que os esposos poderão "compreender" o sentido original do casamento e vivê-lo com a ajuda de Cristo. Esta graça do Matrimônio cristão é um fruto da Cruz de Cristo, fonte de toda vida cristã. 1615

               É justamente isso que o apóstolo Paulo quer fazer entender quando diz: "E vós, maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la" (Ef 5,25-26), acrescentando imediatamente: "Por isso de deixar o homem seu pai e sua mãe e se ligar à sua mulher, e serão ambos uma só carne. E grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e sua Igreja" (Ef 5,31-32). 1616

               Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja. Já o Batismo, entrada no Povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho das núpcias que precede o banquete de núpcias, a Eucaristia. O Matrimônio cristão se torna, por sua vez, sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo e da Igreja. O Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da nova aliança, pois significa e comunica a graça. 1617

             

          

 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Acolha Jesus neste Natal


 
O Natal se aproxima. As ruas dos centros comerciais estão apinhadas, os shoppings abarrotados. O Rio de janeiro está um canteiro de obras, o que piora consideravelmente o trânsito, já muito ruim rotineiramente. O texto parece repetição do anterior sobre a época do natal. E é, pois a situação é praticamente a mesma. Repetem-se os esbarrões, o empurra empurra, a impaciência, o mal humor, tudo sob um calor escaldante – o que agrava a situação.

Tudo em nome do Natal; época de paz, de harmonia, de boa convivência, de amor... Será? O Natal de Jesus é realmente uma oportunidade para a reconciliação, o perdão, a convivência pacifica. Mas o natal do comércio é uma época de lucros, $$$, lucros, $$$$, mais lucros, $$$$$, e assim a propaganda natalina evoca um tempo de paz e prosperidade, paz para nós (merecemos) e prosperidade para os comerciantes. O ideal seria paz e prosperidade para todos, pois isso todos nós merecemos.

Nada de anormal o comércio ter bons lucros, nós trocarmos presentes, comemorarmos festivamente com os familiares e amigos. Tudo isso é licito, válido, desde que tenhamos em mente que a festa é para comemorarmos a encarnação e o nascimento do Salvador, a vinda do Messias ao mundo; portanto não esqueçamos que o Natal é festa religiosa e como tal deve ser vivenciada. Portanto, tenhamos temperança no comer e beber, parcimônia na compra de presentes, evitando a gastança, a comilança e a bebedeira. Assim teremos verdadeiramente um bom e feliz Natal, uma alegria autêntica no encontro de parentes e amigos, a degustação saudável dos quitutes à mesa.

O Natal sem Jesus (uma incoerência) termina em desavenças, brigas, acirramento de velhas rixas, bebedeira incontrolada, tristeza, choro, decepções. Sem dúvida ao menos uma dessas situações, e não raro todas elas acontecem juntas.   

Com Jesus (o motivo da festa) o Natal é rico, mesmo numa mesa modesta. Rico em alegria autêntica, em harmonia, em controle no comer e beber, rico em felicidade, pois Ele está presente e Ele é a razão da nossa felicidade.

Em Belém de Judá, Maria a dar a luz não teve quem a acolhesse com José e a criança prestes a nascer. Neste Natal acolha a Sagrada Família no seio da sua família e tenha um Natal cheio de Paz e Felicidade. Que Jesus viva e reine na sua vida. Amém.