quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A Sagrada Eucaristia


O Pão da Vida


 

 

                    “Depois disso, Jesus foi para outra margem do mar da Galiléia, também chamado Tibiríades. Uma grande multidão seguia Jesus porque as pessoas viram os sinais que ele fazia, curando os doentes. Jesus subiu a montanha e sentou-se aí com seus discípulos. Estava próximo a Páscoa, festa dos judeus. Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro.


                    Então Jesus disse a Felipe: ‘Onde vamos comprar pão para eles comerem?’ Jesus falou assim para testar Felipe, pois sabia muito bem o que ia fazer. Felipe respondeu: ‘Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço para cada um. ’ Um discípulo de Jesus, André, irmão de Simão Pedro, disse: ‘Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?


                    Então Jesus disse: ‘Falem para o povo sentar. ’ Havia muita grama nesse lugar e todos sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. Jesus pegou os pães agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam. Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: ‘Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada. ’ Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos pães que haviam comido.” (João 6, 1 –13)


                           Nosso Senhor faz o anúncio da Eucaristia. Reparte o pão aos que têm fome. Desse momento em diante o peixe vira símbolo dos cristãos e o pão se transforma em alimento corporal e espiritual.

                          “No dia seguinte, a multidão, que tinha ficado do outro lado do mar, viu que aí havia uma barca. Viu também que Jesus não havia subido na barca com os discípulos e que eles tinham ido sozinhos. Então chegaram outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde eles tinham comido o pão, depois que o Senhor agradeceu a Deus. Quando a multidão viu que nem Jesus nem os discípulos estavam aí, as pessoas subiam nas barcas e foram procurar Jesus em Cafarnaum.

                    Quando encontraram Jesus no outro lado do lago, perguntaram: ‘Rabi, quando chegaste aqui?’ Jesus respondeu: ‘Eu garanto a vocês: vocês estão me procurando não porque viram os sinais, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura a vida eterna. É este o alimento que o Filho do Homem dará a vocês, porque foi ele que Deus Pai marcou com seu selo. ’

                  Então eles perguntaram: ‘O que é que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ Jesus respondeu: ‘A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou. ’ Eles perguntaram: ‘Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Qual é a tua obra? Nossos pais comeram o maná no deserto como diz a Escritura: ‘Ele deu-lhes um pão que veio do céu’. ’

                 Jesus respondeu: ‘Eu garanto a vocês: Moisés não deu para vocês o pão que veio do céu. É meu Pai quem dá para vocês o verdadeiro pão que vem do céu, porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. ’ Então eles pediram: ‘Senhor, dá-nos sempre desse pão’.”

(João 6, 22 – 34)

                     A Eucaristia é o alimento que dura para a vida eterna, o verdadeiro pão do céu, o pão da vida, o pão de Deus.

                    “Jesus disse: ‘Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede.” (João 6, 35)

                    Nosso Senhor é Jesus Cristo o eterno alimento para o corpo, para a mente, para o coração e para a alma. O sustento da vida eterna.

                   “As autoridades dos judeus começaram a criticar, porque Jesus tinha dito: ‘Eu sou o pão que desceu do céu’. ’’ (João 6, 41)

                   Nosso Senhor sempre foi criticado por pessoas incrédulas, mas Cristo está eternamente certo em tudo que fala e faz.

                  Eu garanto a vocês: quem acredita possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os pais de vocês comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Eis aqui o pão que desceu do céu: quem dele comer nunca morrerá.” (João 6, 47 – 50)

                 Nosso Senhor reafirma, quem come deste pão tem a vida eterna. Tenhamos a certeza de receber o corpo de Cristo como alimento.

                “E Jesus continuou: ‘Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come desse pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha vida. ’

                As autoridades dos judeus começaram discutir entre si: ‘Como pode esse homem dar-nos a sua carne para comer?’ Jesus respondeu: ‘Eu garanto a vocês: se vocês não comem a carne do Filho do Homem e não bebem o seu sangue, não terão a vida em vocês. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu nele. E como o Pai, que vive me enviou e eu vivo pelo Pai, assim, aquele que me receber como alimento viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o pão que os pais de vocês comeram e depois morreram. Quem come deste pão viverá para sempre’.” (João 6, 51 –58)

                     Peço em nome de Deus Pai, pelo amor do Filho e pela ação do Espírito Santo.  Não aja como os fariseus que não acreditavam que o corpo e o sangue de Cristo são verdadeiramente comida e bebida. Que outro trecho Nosso Senhor transmite tanta clareza e objetividade? Afirmando e reafirmando 15 vezes que devemos recebê-lo como alimento para termos a vida em nós. Que outra interpretação desta passagem poderia ter? Se não fosse verdadeira a expressão comer a carne e beber o sangue para ter a comunhão com Cristo e por conseqüência à vida eterna. Então por que tanta discussão com os fariseus? Leia outros trechos que Nosso Senhor discute assim com os fariseus e pense se em alguma delas há tanta clareza, objetividade e principalmente insistência de Nosso Senhor de convencer as pessoas sobre algo tão majestoso.

                    “Depois que ouviram essas coisas, muitos discípulos de Jesus disseram: ‘Esse modo de falar é duro demais. Quem pode continuar ouvindo isso? ’ Jesus sabia que seus discípulos estavam criticando o que ele havia dito. Então lhes perguntou: ‘Isso escandaliza vocês? Imaginem então se vocês virem o Filho do Homem subir para o lugar onde estava antes! O Espirito é que dá a vida, a carne não serve para nada. As palavras que eu disse a vocês são espírito e vida. Mas entre vocês há alguns que não acreditam. ’ Jesus sabia desde o começo quais eram aqueles que não acreditavam e quem seria o traidor. E acrescentou: ‘É por isso que eu disse: Ninguém pode vir a mim se isso não lhe é concedido pelo Pai. ’

                     A partir desse momento, muitos discípulos voltaram atrás, e não andavam mais com Jesus. Então Jesus disse as Doze: ‘Vocês também querem ir embora?’ Simão Pedro respondeu: ‘A quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Agora nós acreditamos e sabemos que tu és o Santo de Deus. (João 6, 60 –69) 

                     Nosso Senhor afirma mais uma vez que o que foi dito acima é a verdade da nossa fé. Uma verdade que chega a tal de ponto que, escandaliza até os discípulos. É preciso ter fé. “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem.” (Hebreus 11, 1). E a falta desta fé fez com que muitos abandonassem Cristo porque não acreditavam na Comunhão Eucarística.

                    Agora eu pergunto: será que se o pão e o vinho não fossem verdadeiramente o corpo e o sangue de Cristo teria causado tanta polemica entre os discípulos a ponto de Nosso Senhor perguntar se os apóstolos também o deixariam? Como quem diz: ou aceita a verdade ou me deixe.

                   “A Eucaristia é "fonte e ápice de toda a vida cristã”. "Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”." 1324

                   "A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é ela mesma, a Eucaristia as significa e as realiza. Nela está o clímax tanto da ação pela qual, em Cristo, Deus santifica o mundo, como do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por ele, ao Pai." 1325

                  “Finalmente, pela Celebração Eucarística a nos unimos à liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando Deus ser tudo em todos.” (1Cor 15,28). 1326

 

 

A Instituição da Eucaristia


 

                    

                   “O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus discípulos para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste único pão de sua Eucaristia. O sinal da água transformada em vinho em Caná já anuncia a hora da glorificação de Jesus. Manifesta a realização da ceia das bodas no Reino do Pai, onde os fiéis beberão o vinho novo, transformado no Sangue de Cristo.” 1335               

                  “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a benção, o partiu, distribuiu aos discípulos e disse: ‘Tomem e comam, isto é o meu corpo. ’ Em seguida, tomou o cálice, agradeceu, e deu a eles dizendo: ‘Bebam dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu lhes digo: de hoje em diante não beberei desse fruto da videira, até o dia em que, com vocês, beberei o vinho novo no reino do meu Pai’.” (Mateus 26, 26 –29)

                A Primeira Missa foi realizada por Nosso Senhor durante a Última Ceia. Ao celebrarmos a Ceia do Senhor comemos a carne e bebemos o sangue do Cordeiro de Deus que tira todo o pecado do mundo. A Santa Eucaristia é a Nova Arca Aliança aberta para que todo o povo de Deus possa ser agraciado com os mistérios da fé.

                    “Desde o século II temos o testemunho de S. Justiço Mártir sobre as grandes linhas do desenrolar da Celebração Eucarística, que permaneceram as mesmas até os nossos dias para todas as grandes famílias litúrgicas. Assim escreve pelo ano de 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que os cristãos fazem: "No dia 'do Sol', como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Lêem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e elevamos nossas preces por nós mesmos (...) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo. Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia, que significa 'ação de graças' longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons. Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água 'eucaristizados' e levam (também) aos ausentes".” 1345

                     “A liturgia da Eucaristia desenrola-se segundo uma estrutura fundamental que se conservou ao longo dos séculos até nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos que formam uma unidade básica: a convocação, a Liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal; a Liturgia Eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão. Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas "um só e mesmo ato do culto"; com efeito, a mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor. ”1346

                    “Por acaso não é exatamente esta a seqüência da Ceia Pascal de Jesus ressuscitado com seus discípulos? Estando a caminho, explicou-lhes as Escrituras, e em seguida, colocando-se à mesa com eles, "tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles". 1347

 

sábado, 19 de outubro de 2013

Santa Teresa de Ávila


Teresa d´Ávila mereceu ser proclamada “Doutora da Igreja”: Santa Teresa de Ávila (também conhecida como Santa Teresa de Jesus, nasceu em Ávila  na Espanha, em 1515 e foi educada de modo sólido e cristão, tanto assim que, quando criança, se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires a ponto de ter combinado fugir com o irmão para uma região onde muitos cristãos eram martirizados; mas nada disso aconteceu graças à vigilância dos pais. Aos vinte anos, ingressou no Carmelo de Ávila, onde viveu um período no relaxamento, pois muito se apegou às criaturas, parentes e conversas destrutivas, assim como conta em seu livro biográfico. Certo dia, foi tocada pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor, assumiu a partir dessa experiência a sua conversão e voltou ao fervor da espiritualidade carmelita, a ponto de criar uma espiritualidade modelo. Foi grande amiga do seu conselheiro espiritual São João da Cruz, também Doutor da Igreja, místico e reformador da parte masculina da Ordem Carmelita. Por meio de contatos místicos e com a orientação desse grande amigo, iniciou aos 40 anos de idade, com saúde abalada, a reforma do Carmelo feminino. Começou pela fundação do Carmelo de São José, fora dos muros de Ávila. Daí partiu para todas as direções da Espanha, criando novos Carmelos e reformando os antigos. Provocou com isso muitos ressentimentos por parte daqueles que não aceitavam a vida austera que propunha para o Carmelo reformado. Chegou a ter temporariamente revogada a licença para reformar outros conventos ou fundar novas casas.

Santa Teresa deixou-nos várias obras grandiosas e profundas, principalmente escritas para as suas filhas do Carmelo: “O Caminho da Perfeição”, “Pensamentos sobre o Amor de Deus”, “Castelo Interior”, “A Vida”. Morreu em Alba de Tormes na noite de 15 de outubro de 1582 aos 67 anos, e em 1622 foi proclamada santa. O seu segredo foi o amor. Conseguiu fundar mais de trinta e dois mosteiros, além de recuperar o fervor primitivo de muitas carmelitas, juntamente com São João da Cruz. Teve sofrimentos físicos e morais antes de morrer, até que em 1582 disse uma das últimas palavras: “Senhor, sou filha de vossa Igreja. Como filha da Igreja Católica quero morrer”. No dia 27 de setembro de 1970 o Papa Paulo VI reconheceu-lhe o título de Doutora da Igreja. Sua festa litúrgica é no dia 15 de outubro. Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso. O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, a tinha em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos.

Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!

Fonte: PASCOM- S. Brás

 

 

 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A Confissão Sacramental 2


A Reconciliação


 

 

                    “O pecado é antes de tudo uma ofensa a Deus, uma ruptura da comunhão com ele. Ao mesmo tempo é um atentado à comunhão com a Igreja. Por isso, a conversão traz simultaneamente o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, Q que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e da Reconciliação.” 1440

                 “Conferindo aos apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra ser ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,19). "O múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro, consta que também foi dado ao colégio do apóstolos, unido a seu chefe (cf. Mt 18,18; 28,16-20)”." 1444

                 “As palavras ligar e desligar significam: aquele que excluirdes da vossa comunhão, será excluído da comunhão com Deus; aquele que receberdes de novo na vossa comunhão, Deus o acolherá também na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.” 1445

                  “Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do Batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. E a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de converter-se e de recobrar a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como "a segunda tábua (de salvação) depois do naufrágio que é a perda da graça.” 1446

                 “Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote cumpre o ministério do bom pastor, que busca a ovelha perdida; do bom samaritano, que cura as feridas; do Pai, que espera o filho pródigo e o acolhe ao voltar; do justo juiz, que não faz acepção de pessoa e cujo julgamento é justo e misericordioso ao mesmo tempo. Em suma, o sacerdote é o sinal e o instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.” 1465

                 “O confessor não é o senhor, mas o servo do perdão de Deus. O ministro deste sacramento deve unir-se à intenção e à caridade Cristo. Deve possuir um comprovado conhecimento do comportamento cristão, experiência das coisas humanas, respeito e delicadeza diante daquele que caiu; deve amar a verdade, ser fiel ao magistério da Igreja e conduzir, com paciência, o penitente à cura e à plena maturidade. Deve orar e fazer penitência por ele, confiando-o à misericórdia do Senhor.” 1466

                 ““Toda a força da Penitência reside no fato de ela nos reconstituir na graça de Deus e de nos unir a Ele com a máxima amizade.” Portanto, a finalidade e o efeito deste sacramento é a reconciliação com Deus. Os que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e disposição religiosa "podem usufruir a paz e a tranqüilidade da consciência, que vem acompanhada de uma intensa consolação espiritual". Com efeito, o sacramento da Reconciliação com Deus traz consigo uma verdadeira "ressurreição espiritual", uma restituição da dignidade e dos bens da vida dos filhos de Deus, entre os quais o mais precioso é a amizade de Deus (Cf. Lc 15,32).” 1468

                 “Este sacramento nos reconcilia com a Igreja. O pecado fende ou quebra a comunhão fraterna. O sacramento da Penitência a repara ou restaura. Neste sentido, ele não cura apenas aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas tem também um efeito vivificante sobre a vida da Igreja, que sofreu com o pecado de um de seus membros. Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador sai fortalecido pela participação dos bens espirituais de todos os membros vivos do Corpo de Cristo, quer estejam ainda em estado de peregrinação, quer já estejam na pátria celeste:

Não devemos esquecer que a reconciliação com Deus tem como conseqüência, por assim dizer, outras reconciliações capazes de remediar outras rupturas ocasionadas pelo pecado: o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo de seu ser, onde recupera a própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos que de alguma maneira ofendeu e feriu; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação.” 1469

                “Neste sacramento, o pecador, entregando-se ao julgamento misericordioso de Deus, antecipa de certa maneira o julgamento a que ser sujeito no fim desta vida terrestre. Pois é agora, nesta vida, que nos é oferecida a escolha entre a vida e a morte, e só pelo caminho da conversão poderemos entrar no Reino do qual somos excluídos pelo pecado grave. Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte para a vida "sem ser julgado" (Jo 5,24).” 1470

                      “E Jesus nos mandou pregar ao povo que Deus o constitui o Juiz dos vivos e dos mortos. Sobre ele todos os profetas dão o seguinte testemunho: todo aquele que acredita em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados.” (Atos 10, 42-43)

                         É preciso que haja o exame de consciência, para avaliar a firmeza na fé. Mesmo que nossa consciência não nos condene somos abalados pelo pecado. Por isto, A Igreja pede que se faça a confissão no mínimo uma vez por ano, durante A Páscoa do Senhor, e se possível uma vez por mês. Aliás, se confessarmos o pecado e recebemos o perdão, mas voltarmos a pecar este que confessamos não podemos comungar, devemos confessar de novo, mesmo que se tenha passado algumas horas.

                          “Não se põe vinho novo em barris velhos, se não os barris se arrebentam, o vinho derrama e os barris se perdem. Mas vinho novo se põe em barris novos e assim os dois se conservam.” (Mateus 9, 17) 

                           Eis porque A Igreja pede que os fiéis se confessem uma vez por mês. Não podemos comungar o Corpo e o Sangue de Cristo sendo barris velhos para o Vinho Novo, isso é um disparate para a essência da fé cristã, vinho novo só pode ser comungado por barris novos, e esta renovação acontece no sacramento da confissão. Através da confissão dos pecados e absolvição do Magistério cumpre-se a penitência e torna-se um barril novo para comungar o Vinho Novo. Lembre-se de 1 Coríntios 11, 27-29:

                          “Por isso, todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. ‘Portanto, cada um examine a si mesmo antes de comer deste pão e beber deste cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação’.”

 

 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Confissão Sacramental


Somos Pecadores


 

 

                   “Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e a Verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, Deus, que é fiel e justo, perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda injustiça. Se dizermos que nunca pecamos, estaremos afirmando que Deus é mentiroso, e sua Palavra não estará em nós.”

(1João 1, 8-10)

                  Todos somos pecadores, cometemos pecados porque nascemos com a marca do pecado original. E necessitamos da misericórdia divina para alcançarmos a salvação. Essa misericórdia em ao nosso encontro através do sacramento da confissão.

                “Que é o homem, e para que serve? Que mal ou que bem pode ele fazer? A duração da vida humana é quando muito cem anos. No dia da eternidade esses breves anos serão contados como uma gota de água do mar, como um grão de areia. É por isso que o Senhor é paciente com os homens, e espalha sobre eles a sua misericórdia. Ele vê quanto é má a presunção do seu coração, e reconhece que o fim deles é lamentável; é por isso que ele os trata com toda a doçura, e mostra-lhes o caminho da justiça. A compaixão de um homem concerne ao seu próximo, mas a misericórdia divina estende-se sobre todo ser vivo. Cheio de compaixão, (Deus) ensina os homens, e os repreende como um pastor o faz com o seu rebanho. Compadece-se daquele que recebe os ensinamentos de sua misericórdia, e do que se apressa a cumprir os seus preceitos.” (Eclesiástico 18, 7-14)

                Por isto é preciso que o homem se converta e busque a santidade em seu coração, amando a Deus com as forças da alma. Se não confessamos, o pecado está em nós e nos mancha excluindo da salvação e leva para a morte.

                “Vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se iludam! Nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os caluniadores irão herdar o Reino de Deus. Alguns de vocês eram assim, mas vocês se lavaram, foram santificados e reabilitados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus.” (1Corintios 6, 9-12)

                  Olhe a grandeza do amor infinito de Deus conosco, sua fidelidade misericordiosa nos toca em momentos que nós mesmos nos achamos perdidos. Mas Deus, por amor, vem ao nosso encontro. Basta apenas reconhecermos nossos pecados e buscarmos a confissão. Que não é apenas uma confissão dos nossos pecados, mas antes de tudo, é uma confissão ao nosso amor a Deus. Confessamos que o amamos e não queremos mais o pecado, por amor a Deus.

                “Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue, lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra; se recusardes e vos revoltardes, provareis a espada. É a boca do Senhor que o declara.” (Isaías 1, 15-20)

                Infelizmente muitas pessoas não querem entender que Deus é amor, por isto mesmo sendo amor, é fiel e justo. Sendo assim, Deus, por amor a nós, não pode nos perdoar se não confessamos nossos pecados e procuramos a santidade.

               Quem dissimula suas faltas, não há de prosperar; quem as confessa e as detesta, obtém misericórdia. Feliz daquele que vive em temor contínuo; mas o que endurece seu coração, cairá na desgraça.” (Provérbios 28, 13-14)

               Por isto, Deus confiou A Santa Igreja através dos apóstolos e seus sucessores este sacramento de perdão, cura, reconciliação com o próprio Deus, A Igreja, o próximo, e cada um consigo mesmo. Confessar também é amar A Igreja e perdoar o próximo e a si mesmo.

               Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (João 20, 23)

 

 

Sacramento do Perdão

 

 

                 “A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às m s obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça. Esta conversão do coração vem acompanhada de uma dor e uma tristeza salutares, chamadas pelos Padres de "animi cruciatus (aflição do espírito)", "compunctio cordis (arrependimento do coração)".” 1431

                 “O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é antes de tudo uma obra da graça de Deus que reconduz nossos corações a ele: "Converte-nos a ti, Senhor, e nos converteremos" (Lm 5,21). Deus nos dá a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado e começa a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado e de ser separado dele. O coração humano converte-se olhando para aquele que foi traspassado por nossos pecados.

“Fixemos nossos olhos no sangue de Cristo para compreender como é precioso a seu Pai porque, derramado para a nossa salvação, dispensou ao mundo inteiro a graça do arrependimento.” 1432

                 “A penitência interior do cristão pode ter expressões bem variadas. A escritura e os padres insistem principalmente em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão com relação a si mesmo, a Deus e aos outros. Ao lado da purificação radical operada pelo batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços empreendidos para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade, "que cobre uma multidão de pecados" (1Pd 4,8).” 1434

                 “A conversão se realiza na vida cotidiana por meio de gestos de reconciliação, do cuidado dos pobres, do exercício e da defesa da Justiça e do direito, pela confissão das faltas aos irmãos, pela correção fraterna, pela revisão de vida, pelo exame de consciência pela direção espiritual, pela aceitação dos sofrimentos, pela firmeza na perseguição por causa da justiça. Tomar sua cruz, cada dia, seguir a Jesus é o caminho mais seguro da penitencia.” 1435

                 “O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do "filho pródigo", cujo centro é "O pai misericordioso": o fascínio de uma liberdade ilusória, o abandono da casa paterna; a extrema miséria em que se encontra o filho depois de esbanjar sua fortuna; a profunda humilhação de ver-se obrigado a cuidar dos porcos e, pior ainda, de querer matar a fome com a sua ração; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de declarar-se culpado diante do pai; o caminho de volta; o generoso acolhimento da parte do pai; a alegria do pai: tudo isso são traços específicos do processo de conversão. A bela túnica, o anel e o banquete da festa são símbolos desta nova vida, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta a Deus e ao seio de sua família, que é a Igreja. Só o coração de Cristo que conhece as profundezas do amor do Pai pôde revelar-nos o abismo de sua misericórdia de uma maneira tão simples e tão bela.” 1439

                

 

A Confissão dos Pecados


 

 

                          “O perdão dos pecados cometidos após o Batismo é concedido por um Sacramento próprio chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação.”1486

                          “Voltar à comunhão com Deus depois de a ter perdido pelo pecado, é um movimento que nasce da graça do Deus misericordioso e solícito pela salvação dos homens. É preciso pedir este dom precioso para si mesmo e também para os outros.” 1489
                          “O movimento de volta a Deus, chamado conversão e arrependimento, implica uma dor e uma aversão aos pecados cometidos e o firme propósito de não mais pecar no futuro; nutre-se da esperança na misericórdia divina.” 1490
                         “O sacramento da penitência é constituído de três atos do penitente e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação.”1491

                       “Aquele que quiser obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não confessou e de que se lembra depois de examinar cuidadosamente sua consciência. Mesmo sem ser necessária em si a confissão das faltas veniais, a Igreja não deixa de recomendá-la vivamente.” 1493

                       “Somente os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver podem perdoar os pecados em nome de Cristo.”1495

                      “Os efeitos espirituais do sacramento da Penitência são: a reconciliação com Deus, pela qual o penitente recobra a graça; a reconciliação com a Igreja; a remissão da pena eterna devida aos pecados mortais; a remissão, pelo menos em parte, das penas temporais, seqüelas do pecado; a paz e a serenidade da consciência e a consolação espiritual; o acréscimo de forças espirituais para o combate cristão.” 1496


 

sábado, 12 de outubro de 2013

Eis-me aqui Senhor



Chamaste-me Senhor, eu ouvi a tua voz e atendi a teu chamado. Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir. Senhor, não fui eu que te escolhi, mas tu que me escolheste – escolhi o teu caminho, mas tu me escolheste para o serviço – ensina-me então, Senhor, a dar os primeiros passos. Adestra-me para o teu serviço. A messe é grande e os servidores são poucos, tu já disseste; então aqui estou a teu dispor.

Espírito Divino vem sobre mim, vem fazer-me instrumento de ti. Vem falar em mim, vem falar por mim.  Sopra sobre mim, Senhor, o teu Espírito e renova-me por inteiro; preenche minha vida com tua luz, tua sabedoria, teu destemor, teu arrojo, tua fortaleza, tua misericórdia, teu amor. Fazei de mim instrumento vivo de ti, que eu possa servir-te sempre, que eu possa estar sempre disponível a ti, despojando-me, Senhor, e entregando-me a ti sem reservas.

Quero proclamar a tua glória, levar o teu Santo Nome àqueles que não te conhecem. Fazer o teu nome conhecido e amado, levar-te, Senhor, onde tu não és reconhecido como Senhor e Salvador. Mas para tanto, Senhor, não posso contar com minhas habilidades, minha capacidade pessoal, meus próprios talentos. Para te anunciar com poder e autoridade, preciso muito mais de ti; preciso dos teus talentos (os dons carismáticos), da tua autoridade (o teu mandato), do teu poder (a unção do Espírito Santo). Tu mesmo nos disseste: ninguém pode clamar teu nome se não estiver sob a ação do Espírito Santo; ninguém pode caminhar reto em teu caminho se não estiver conduzido pelo Espírito Santo, muito menos proclamar-te. 

Vinde Senhor ungir-me, vinde Senhor, fazei de mim um servo teu; servo imperfeito, eu reconheço, mas jamais um servo inútil.  Vinde e enchei-me com o fogo abrasador do teu Espírito. Eis-me aqui Senhor. 

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis com o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra!”   


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Sacramento da Crisma 2


Confirmação Sacramental


 

 

                “Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor. (Sua alegria se encontrará no temor ao Senhor.) Ele não julgará pelas aparências, e não decidirá pelo que ouvir dizer; mas julgará os fracos com eqüidade, fará justiça aos pobres da terra, ferirá o homem impetuoso com uma sentença de sua boca, e com o sopro dos seus lábios fará morrer o ímpio. A justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. (Isaías 11, 2-5)

                  “A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada das obras.” 1316

                   O sopro do Espírito Santo pairou sobre os apóstolos, assim eles foram crismados, como uma forma de serem adultos na fé, enviados no Caminho do Evangelho para serem ministros de Deus entre os filhos do Pai na terra.

                   “Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco! Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.”

(Jo 20, 19-22)

                    Nós cristãos, quando passamos a ser adultos na fé e na Palavra somos revestidos das forças do Alto: O Espírito Santo de Deus. Revestimos esse poder de filhos através do sacramento da crisma, entregando o nosso sim a Deus, essa é confirmação de que somos filhos de Deus Pai e soldados do exército de Cristo.    

                    Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto. Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus”. (Lucas 24, 49-53)

                     “A Confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou caráter indelével; razão pela qual só se pode receber este sacramento uma vez na vida.” 1317

                     Nesta passagem é a ação de receber o Espírito Santo como confirmação demonstra a diferença e, esta confirmação vem pela imposição das mãos, e não como o batismo: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo através da água.

                      “Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus. Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.” (Atos 8, 14-17)

                      “Quando a Confirmação é celebrada em separado do Batismo, sua vinculação com este e expressa, entre outras coisas, pela renovação dos compromissos batismais. A celebração da confirmação no decurso da Eucaristia contribui para sublinhar a unidade dos sacramentos da iniciação cristã.” 1321

                       Primeiro os discípulos de Éfeso se fizeram batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois o apóstolo lhes impôs as mãos e, assim os discípulos foram crismados ou confirmados no Espírito Santo e de imediato passaram a ser conduzidos pelo Espírito de Deus. 

                     “Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! Então em que batismo fostes batizados? perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João. Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam. Eram ao todo uns doze homens.” (Atos 19, 1-7)

                           

 

A Imposição das Mãos


 

 

                     O rito da confirmação consiste na imposição das mãos, diferente do batismo que, utiliza a água. O batismo imprime o Espírito Santo no cristão e a crisma desenvolve a ação do Espírito Santo de Deus no fiel.

                      Logo que Paulo Apóstolo impõe as mãos sobre alguém que já foi batizado, estas pessoas recebem o Espírito Santo. Evidente que, nesta passagem além do batismo há outro rito que imprime na alma do cristão a confirmação de soldado de Cristo. Este rito é a crisma, a confirmação, o desenvolvimento da graça do Espírito Santo na vida do fiel que dá o seu sim a Deus.

                     Portanto, desde que Pedro e João impondo as mãos sobre aqueles que já foram batizados, não sinaliza outro batismo, mas, a confirmação do caráter cristão pela imposição das mãos em um novo rito. Este rito é a plenitude da ação do Espírito.

                      A crisma apesar de não ser um sacramento essencial para a salvação é um rito de suma importância para alcançar a graça do Espírito Santo na terra, é através da confirmação sacramental, e somente através desta confirmação, que o cristão recebe o Espírito Santo em sua plenitude. Logo, somente A Santa Igreja Católica tem a plenitude de toda a ação do Espírito Santo de Deus agindo junto ao povo de Deus na terra. O Espírito Santo age também em todos os filhos de Deus não católicos, porque são filhos de Deus, mas é somente na Santa Igreja que o Espírito Santo é pleno e se faz pleno na vida dos fiéis através da celebração Eucarística e da Crisma. Por exemplo, onde A Igreja Católica é única em sua plena celebração e em seu sentido Divino Eclesial.

                    “Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos.” (1Timóteo 4, 14)

                     “Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro! Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus. Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração. Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade. Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim.”

(Atos 8, 18-24)

                         Somente os presbíteros e bispos podem crismar. E aonde existe estas ordens sacerdotais? Na Santa Igreja Católica. Única que possui o sacramento do crisma, sacramento fundamental para as virtudes e ações do Espírito Santo na vida, na fé, nas obras e na graça dos fiéis católicos. 

                       “É impondo as mãos que Jesus cura os doentes e abençoa as criancinhas. Em nome dele, os apóstolos farão o mesmo. Melhor ainda: é pela imposição das mãos dos apóstolos que o Espírito Santo é dado. A Epístola aos Hebreus (6, 1-2) inclui a imposição das mãos entre os "artigos fundamentais" de seu ensinamento. A Igreja conservou este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo em suas epicleses sacramentais.” 699

 

sábado, 5 de outubro de 2013

Veremos os parentes no céu?


A morte é um enigma, e muitos perguntam se nós veremos os nossos entes queridos no céu. A saudade é amarga e as lágrimas não podem deixar de rolar quando perdemos uma pessoa querida. Cristo chorou quando perdeu o amigo Lázaro.

Fé não é insensibilidade e dureza de coração. Você pode chorar, até diante dos filhos, mas chore como quem tem fé na ressurreição. Os santos nos garantem que veremos os entes queridos mortos que nos antecederam.

Diante da dor da morte gosto de me lembrar de Nossa Senhora aos pés da cruz do seu Amado. Ela perdeu o Filho Único…, Deus, morto de uma maneira tão cruel como  nenhum de nós o será. Ela perdeu muito mais do que nós e não se desesperou. Certamente chorou muito, mas nunca se desesperou e nunca perdeu a fé. Aos pés da cruz de Jesus estava de pé (stabat!).

Podemos chorar os mortos; as lágrimas são o tributo da natureza, mas sem desespero e sem desilusão.

Até o céu; lá nos voltaremos a ver, ensinam os santos. Que grande felicidade será para nós poder encontrá-los, depois de ter chorado tanto a sua ausência! Não nos deixemos levar ao desespero quando alguém parte; não somos pagãos. Lá não haverá mais pranto, nem lágrimas e nem luto.

São Francisco de Sales disse: “Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados… Como essa amizade é preciosa e como é preciso amar na terra, como se ama no Céu!”

São Tomás de Aquino garante que no Céu conheceremos nossos parentes e amigos. Diz o santo doutor:

“A contemplação da Essência Divina não absorve os santos de maneira a impedir-lhes a percepção das coisas sensíveis, a contemplação das criaturas e a sua própria ação. Reciprocamente, essa percepção, essa contemplação e essa ação não os podem distrair da visão beatífica de Deus” (S. Teológica, 30, p. 84).

A morte não é o aniquilamento estúpido que pregam os materialistas sem Deus, mas o renascimento da pessoa. A Igreja reza na Liturgia que “a vida não é tirada mas transformada”.

Só o cristão valoriza a morte e é capaz de ficar de pé diante dela. Deus não nos criou para o aniquilamento estúpido, mas para a sua glória e para o seu amor. Fomos criados para participar da felicidade eterna de Deus.

Santa Teresinha disse ao morrer: “não morro, entro para a vida”.

A árvore cai sempre do lado em que viveu inclinada; se vivermos inclinados ao Coração de Jesus, nele cairemos.

É preciso saber educar os filhos também diante da morte; a psicologia recomenda, por exemplo, que os pais deixem os filhos verem os mortos, se assim eles desejarem, embora não devam forçá-los. Fale da morte com naturalidade aos filhos, e aproveite o momento para ensinar sobre o céu e sobre a ressurreição. Não se pode permitir que as crianças assistam cenas de desespero diante da morte, mesmo que se possa manifestar a dor e sofrimento diante delas.

O grande santo São Francisco Xavier, jesuíta, amigo íntimo de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, foi evangelizar o Japão e a China e por lá morreu. Sabendo que não mais poderia ver o rosto do seu querido amigo Santo Inácio, escreveu-lhe uma carta onde dizia: Não mais verei o teu rosto, mas lá no céu te darei um abraço que durará para sempre.
Prof. Felipe Aquino
 

 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O Sacramento da Crisma


Ensinamento Catequético


 

 

                 “Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos "sacramentos da iniciação crista cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal. Com efeito, "pelo sacramento da Confirmação [os fiéis] são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras".” 1285

                “No Antigo Testamento os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado em vista de sua missão salvífica. A descida do Espírito Santo sobre Jesus por ocasião de seu Batismo por João Batista foi o sinal de que era Ele quem devia vir que Ele era o Messias; o Filho de Deus. Concebido do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em uma comunhão total com o mesmo Espírito, que o Pai lhe dá "sem medida" (Jo 3,34).” 1286

               “Ora, esta plenitude do Espírito não devia ser apenas a do Messias; devia ser comunicada a todo o povo messiânico. Por várias vezes Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa. e em seguida, de maneira mais marcante, no dia de Pentecostes. Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar "as maravilhas de Deus" (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo.” 1287

                "Desde então, os apóstolos, para cumprir a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito que leva a graça do Batismo à sua consumação. E por isso que na Epístola aos Hebreus ocupa um lugar, entre os elementos da primeira instrução cristã, a doutrina sobre os batismos e também sobre a imposição das mãos. A imposição das mãos é com razão reconhecida pela tradição católica como a origem do sacramento da Confirmação que perpétua, de certo modo, na Igreja, a graça de Pentecostes." 1288

 

 

Desenvolvimento da Graça


 

 

              “Da celebração ressalta que o efeito do sacramento da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo, como foi outorgado outrora aos apóstolos no dia de Pentecostes.” 1302

              “Por isso, a confirmação produz crescimento e aprofundamento da graça batismal: enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos faz dizer "Abbá, Pai" (Rm 8,15), une-nos mais solidamente a Cristo; aumenta em nós os dons do Espírito Santo; torna mais perfeita nossa vinculação com a Igreja; dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz: Lembra-te, portanto, de que recebeste o sinal espiritual, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o Espírito de conselho e força, o Espírito de conhecimento e de piedade, o Espírito do santo temor, e conserva o que recebeste. Deus Pai te marcou com seu sinal, Cristo Senhor te confirmou e colocou em teu coração o penhor do Espírito.” 1303

              “Como o Batismo, do qual é consumação, a Confirmação é dada uma só vez, pois imprime na alma uma marca espiritual indelével, o "caráter", que é o sinal de que Jesus Cristo assinalou um cristão com o selo de seu Espírito, revestindo-o da força do alto para ser sua testemunha.” 1304

              “O "caráter" aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no Batismo, e "o confirmado recebe o poder de confessar a fé de Cristo publicamente, e como que em virtude de um ofício (quasi ex ofício)".” 1305

              “A preparação para a Confirmação deve visar conduzir o cristão a uma união mais íntima com Cristo, a uma familiaridade mais intensa com o Espírito Santo, sua ação, seus dons e seus chamados, a fim de poder assumir melhor as responsabilidades apostólicas da vida cristã. Por isso, a catequese da Confirmação se empenhará em despertar o senso da pertença à Igreja de Jesus Cristo, tanto à Igreja universal como à comunidade paroquial. Esta última tem uma responsabilidade peculiar na preparação dos confirmandos.” 1309

              “Para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser o purificado em vista do dom do Espírito Santo Uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.” 1310