sábado, 4 de junho de 2011

Pureza

Daniel fora retirado de Jerusalém e levado para Babilônia. Lá ele e seus companheiros foram escolhidos e separados para serem treinados e postos a serviço do rei Nabucodonossor. De imediato foram colocados diante de um grande desafio: se macular com a alimentação real, considerada impura pelos judeus, ou permanecer fiéis a aliança, aos preceitos legais. Eles escolheram ser fiéis a Deus, permanecendo puros e embora tenham recusado o alimento aparentemente superior da mesa do rei, eles se nutriam, tornaram-se robustos e de aparência melhor que os demais.

O que é alimento puro ou impuro? Para os judeus, certas carnes proibidas pela lei mosaica, tais como, porco, coelho, certos peixes e outros. Mas Jesus veio reformular a lei e não faz restrições a nenhum tipo de alimento. Em Mc 7, diz Jesus que o que nos torna impuros não é o que entra, mas o que sai de nossa boca. Assim de certa forma Ele permiti-nos consumir qualquer coisa, desde que saudável obviamente. Em At 10, Pedro em oração tem a visão da grande toalha descendo do céu cheia de animais que ele considerava impuros e a voz de Deus a lhe dizer: Pedro, toma de cada um deles, mata e come. À resposta de Pedro que diz não comer nada impuro, o Senhor o repreende: Não digas tu que é impuro aquilo que Eu purifiquei!

Porém o que esta Palavra tem para nós não se refere a alimentos, refere-se à pureza espiritual. O que é puro e impuro? Impuro é a sujeira que o mundo nos oferece, é o lixo embrulhado para presente que o mundo nos empurra. Pureza nós encontramos em Deus e na sua Palavra. Quantas vezes somos criticados por estarmos na Igreja, freqüentarmos assiduamente a igreja. Dizem que perdemos tempo, deixamos a vida passar nos ocupando de coisas sem graça. Muito ao contrário, encontramos a graça de Deus, não perdemos tempo e ganhamos vida, vida nova em Jesus. Às vezes nós mesmos somos assaltados por tentações do tipo: “Porque devo fazer somente o que Deus me pede? Porque não fazer minha própria vontade? As respostas de Deus são demoradas, lentas e nem sempre são o que eu desejo. Além do mais, segui-lo implica renúncia, privar-me de coisas que eu gosto. Que mal há em buscar atalhos que me tragam uma satisfação imediata? Porque me privar de algo que parece bom para mim?” Dessa forma nos deixamos enganar, colocando Deus de lado, preferindo as falsas promessas do tentador, do impostor.

O mundo faz propaganda maciça das suas mentiras, de suas veleidades, de suas fraudes. As coisas de Deus, porém, são simples, singelas, mas nos fazem bem, nos nutrem como o alimento simples que Daniel e seus amigos escolheram. Deus não faz estardalhaço nem propaganda espalhafatosa. A Palavra de Deus (Bíblia) eis sua propaganda, alimento para nossa alma. A Eucaristia, Deus vivo que se doa a cada dia, eis sua propaganda, alimento para nossa alma.

Devemos ser puros simplesmente porque nada impuro, sujo, maculado pode apresentar-se diante de Deus. Ele nos quer ver diante dele, Ele pede que nos purifiquemos, Ele quer, Ele nos exorta a buscarmos sua Palavra, sua Igreja, o Senhorio de Jesus para que possamos quando chegada a hora, estar diante Dele e assim permacecermos para sempre. O céu clama por nossa santidade, por nossa purificação. Maria chora lágrimas sentidas quando um filho seu se perde nas trevas. Jesus se entristece ao ver uma alma se perder, cair nas profundezas do abismo; cada alma perdida é como uma gota do sangue de Jesus que se desvanece.

Eu quero a santidade, eu quero a vida, eu quero a salvação e você também quer , certamente.
Carlos Nunes

domingo, 22 de maio de 2011

Doce mel



            O pecado é doce e a virtude muitas vezes tem gosto amargo. Mas quem considera isto absolutamente verdadeiro? Somente os iníquos; talvez aqueles que optaram pela “doçura” do pecado. A doçura de um falso mel, mel industrializado, glicose queimada com um pouco de açúcar, na verdade um logro. Após a fartura desse falso mel, vêm potes e mais potes de fel, o amargor total.

A virtude de uma vida cristã porém, ao contrário do que  possa parecer ao mundo, não é amarga como dizem. No início de uma caminhada em busca da santidade, ou em alguns momentos de aridez espiritual devido aos clamores do mundo ( o falso mel ), ou até mesmo a incompreensão de pessoas próximas afetivamente, a virtude poderá ter um sabor ligeiramente amargo. Mas um amargor do própolis, produto natural, precursor do mel. Um amargor que é prenúncio da doçura do mel verdadeiro.

Sim, o resultado final de uma vida liberta do pecado, uma vida cristã, são barris de mel, onde os justos se fartarão para sempre.

sábado, 14 de maio de 2011

O Serviço

 Muitos serão chamados, poucos os escolhidos. Todos somos chamados, escolhidos são aqueles que abrem o coração e dizem sim a Deus.



A Palavra em 2 Corintios 8, bendiz e traça um elogio àqueles que se prestam com boa vontade ao serviço do Senhor. O texto fala do zelo, desprendimento, solicitude, disponibilidade; características do servo de Deus. Zelo é a dedicação, o cuidado para que tudo seja feito e seja bem feito. Desprendimento é o soltar-se, liberar-se, entregar-se de corpo e alma ao serviço. Solicitude é o ato de ser prestativo, diligente, sempre pronto. Disponibilidade é fazer-se disponível, ter tempo; todo tempo deve ser de Deus, para Deus.


Para sermos bons servos é necessário darmos testemunho de Deus; não somente proclamar, mas sermos exemplo, testemunhos vivos em boas obras e conduta. Usar bem os itens do querigma de Jesus: primeiro evangelizar, anunciar a boa nova, depois catequizar, aprofundar.


Iniciamos com a frase: Muitos serão chamados, poucos escolhidos. Reafirmamos: chamados somos todos; escolhidos são aqueles que se disponibilizam e dizem sim de coração. O assunto nos remete à parábola do jovem rico (Mt 19,16) que nos mostra o jovem interessado em seguir Jesus, mas com muito apego as coisas materiais. Devido ao apego exagerado deixou Jesus passar diante de si, como fumaça que se esvai entre os dedos.


“Deixai pai e mãe, deixar a família...” (Mc 10).Trata de renuncia. Ou sendo mais brando, não usar a família como desculpa para não servir, para a má vontade, a falta de desprendimento. Jesus também disse: “Toma a tua cruz, vem e segue-me”. Muitas vezes o serviço é árduo, penoso, não é fácil não, mas é gratificante!


Eclesiástico 2,1: “Se entrares para o serviço de Deus, prepara-te para a provação”. Sofremos ou sofreremos perseguições, seremos chamados de alienados pelos descrentes, de fanáticos pelos próprios irmãos de fé, seremos incompreendidos, ignorados e desprezados pelo mundo, mas não devemos desistir, porque maior o que está em nós do que aquilo que está no mundo.


Quando servimos a Deus, servimos também a sua casa, a Igreja. Daí a importância de sermos generosos nas coletas, no ofertório e sermos fiéis no dizimo. Que se ofereça e se dê, mesmo pouco conforme as possibilidades de cada um, mas que se dê de coração.


Devemos também viver sempre no Espírito, movidos pelo Divino Espírito Santo; ao menos devemos tentar. Amor e caridade são fundamentais na vida do cristão. Que seja assim, que sejamos assim.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nossa Senhora de Fátima


Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.
Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.
Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.
Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.
Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.
Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: "Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!"
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
(Pascom-São Brás)






terça-feira, 10 de maio de 2011

Em espirito e verdade

O verdadeiro cristão não critica sem fundamentos. Não ataca gratuitamente; na verdade nem deve atacar, antes deve buscar o diálogo. Criticar sem base e atacar sem motivo é julgar e condenar. Isto é ser cristão?

                Fazer da fé um cavalo de batalha investindo, não contra o inimigo espiritual e sim contra os próprios irmãos (mesmo os descrentes) é de certa forma aliar-se ao verdadeiro inimigo. A cizânia do demônio não é isso? Desagregar, provocar dissensões?

                Não devemos simplesmente atacar o homem que pratica o mal, mas o mal que domina esse homem. Ser contra o pecado e a favor do pecador, acolhendo-o, eis a bandeira, o lema do verdadeiro cristão.

                Agredir o pecador para extinguir o pecado é o mesmo que matar o doente para acabar com a doença. É a eutanásia espiritual.

                Como cristãos verdadeiros (que temos Cristo Jesus no coração e não somente na cabeça) jamais devemos execrar o irmão pecador, o irmão diferente, o irmão adversário; sobretudo devemos ter misericórdia por esses irmãos, devemos rezar, interceder por eles, lutar contra o pecado, faze-los iguais, torná-los aliados para juntos lutarmos contra o inimigo comum: o príncipe do mundo.

                O irmão supostamente cristão que se julga salvo simplesmente porque faz parte de determinada igreja ou crença, excluindo os demais, virando-lhes as costas ou agredindo-os somente por não comungarem de sua fé particular é verdadeiramente cristão?

O cristão, cristão mesmo, que tem Nosso Senhor no coração, que experimenta o Evangelho (não apenas conhece, porém participa, experimenta, vivencia) não se incomoda com a doutrina do irmão, mesmo que ligeiramente diferente da sua. Que importa se sou católico e meu vizinho evangélico? O que nos une é muito maior do que aparentemente nos separa. Devemos pôr em evidência o que temos em comum e deixar de lado as diferenças. A partilha, o respeito mútuo deve ser incentivado. Quanto às diferenças, deixemos que o Espírito Santo as administre, sua sabedoria é superior a tudo isso. Amém.


sábado, 7 de maio de 2011

O homem rico

 Lucas 12,13-21(...)
A parábola do homem rico demonstra que a verdadeira riqueza não consiste em ser rico diante dos homens, mas sim rico ao olhos de Deus. A verdadeira riqueza não é o acumulo de bens materiais, é a abundancia dos bens espirituais, das graças concedidas por Deus. Isto não significa que Deus não gosta das pessoas ricas, até porque há pessoas muito ricas que têm um coração puro, que são extremamente generosas, caridosas, que sabem partilhar sua riqueza, assim como há pessoas pobres que têm o coração de pedra. O que Deus não quer, o que Deus abomina é a ganância, a ambição desmedida, desenfreada, a avareza, o acumulo exagerado de riquezas para usufruto pessoal, egoisticamente. A riqueza é para ser partilhada, usufruída de maneira solidária.


Um bom exemplo de acumulo exagerado de coisas, temos nas formigas. As formigas trabalham a vida inteira estocando comida para dezenas de anos e vivem apenas algumas semanas. E há pessoas que são como formigas! Trabalham somente para acumular riquezas. Uma mulher muito famosa possuía três mil pares de sapatos! Se ela calçasse um par a cada dia, levaria de sete a oito anos para usar todos. Barcos, iates de luxo, são vendidos por mais de um milhão de dólares; se existe quem venda, há quem compre. Estes são exemplos de desperdício de dinheiro, de ostentação despropositada, de demonstração insana de riqueza. Isto Deus não quer, Deus não gosta. Se este dinheiro fosse usado de forma correta, poderia salvar a vida de milhares de crianças que morrem de fome na África, na Índia e mesmo no Brasil.

Relendo os versículos 13 e 14 vemos um homem pedindo a Jesus que faça que seu irmão divida com ele sua fortuna. Um ganancioso e outro avarento. Jesus não atende seu pedido. Jesus não é juiz de causas humanas, de nossas demandas, Jesus é o justo juiz de nossas almas. Em outra passagem do Evangelho diz Jesus que tudo que pedirmos ao Pai em seu nome, Ele, o Pai nos dará. Porém, de acordo com o que lemos, há uma condição para isso: só se deve pedir em nome de Jesus, o que é justo, o que é pertinente ao Evangelho. Salomão pediu sabedoria e ganhou tudo. Muito jovem, ele foi colocado a frente do seu povo como rei. Em vez de pedir a Deus que seus inimigos fossem aniquilados, em vez de pedir força, poder, riqueza, Salomão pediu simplesmente sabedoria para conduzir seu povo. Em resposta, Deus lhe deu sabedoria e tudo o mais. Salomão foi o rei mais poderoso e rico de seu tempo. Em seu reinado, Israel experimentou o período de maior prosperidade e paz. Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo mais vos será acrescentado.

Devemos pedir um coração santo, um coração adorador, um coração manso e humilde como o coração de Jesus. Infelizmente há pessoas que ao invés do reino de Deus, buscam o reino dos homens, a riqueza dos homens. Adoram o dinheiro, ao invés do verdadeiro Deus. Idolatram o talão de cheques, o cartão de crédito, a casa bonita, o carro novo. Trabalham 12 a 15 horas por dia, não para seu sustento, para ganhar o pão de cada dia, mas para juntar dinheiro e mais dinheiro; são como formigas. Desse modo negligenciam a família, em Deus nem pensar, pois seu deus é o dinheiro. O resultado muitas vezes são filhos drogados, prostituídos, adultério, divórcio, tragédias: pais matando filhos, filhos matando pais. O livro do Eclesiastes nos adverte: reparti suas riquezas, pois não sabeis o dia de amanhã.

O manancial de nossa riqueza, nossa fonte de riqueza é o Espírito Santo com seus dons. O Espírito Santo que nos cumula com as graças de Deus, nos propicia o encontro pessoal com Jesus. Diz a Palavra que o que de graça nos foi dado, de graça demos. Repartamos então as graças e bênçãos recebidas, anunciemos Jesus, rezemos pelos mais necessitados. Partilhemos não só os bens materiais, como também os bens espirituais, os dons do Espírito.

Pratiquemos o bem, sejamos ricos de boas obras, generosos, ajuntemos um tesouro verdadeiro – a graça de Deus – a fim de conquistarmos a vida verdadeira que é a vida eterna, essa sim, um tesouro inesgotável. (cf. 1 Tm 6,17ss).
Carlos Nunes

terça-feira, 3 de maio de 2011

Infidelidade

Os 1,2-9 – Infidelidade




Oséias desposou uma mulher, Gomer, que o traiu prostituindo-se. Oséias amava esta mulher, mas ela retribuiu este amor com traição; Deus amava o povo de Israel e este lhe pagou com traição, adorando falsos deuses. E nós? E você? Deus nos ama e da mesma maneira como Gomer traiu Oséias e Israel traiu Javé, nós somos infiéis a nosso Deus, nos entregando a idolatria das coisas que o mundo nos oferece.

O v. 4 nos diz: “...Chama-o Jezrael, porque dentro em breve punirei a casa de Jeú pelos massacres de Jezrael e porei fim a dinastia da casa de Israel”. Jezrael significa Deus semeia. É também o nome de uma planície onde vários reis foram massacrados. Daí se conclui que Deus deixaria de atender esse povo, mas ao mesmo tempo, devido ao significado real do nome (Deus semeia) é a promessa do surgimento de um novo povo, um povo remido.

Diz o v.6: “...Chama-a Lo Ruhama , porque não terei mais amor a casa de Israel, mas a destruirei completamente”. Lo Ruhama quer dizer não amada, aquela que não se tem afeição. Aí o Senhor perde o afeto por seu povo; na verdade não deixa de amar, pois Deus jamais nos abandona nem deixa de amar seu filhos; ocorre que por nossas faltas nos distanciamos de Deus e nos tornamos inatingíveis por seu amor.

Por fim o v. 9 nos diz : “...Chama-o Lo Ami, porque já não sois meu povo e eu não sou vosso Deus. Lo Ami, ou seja, não meu povo". É o rompimento total com Deus. É o abandono do povo a própria sorte; por sua infidelidade o povo se afasta do Senhor e sofrerá as conseqüências da falta de Deus em suas vidas.

Irmãos, irmãs, não quero – e creio que nenhum de nós queira – ser ovelha sem pastor; não quero ser indigno de compaixão, desprezado por Deus; não quero ser abandonado, indigno de pertencer ao povo de Deus; não quero ser deserdado, quero ser herdeiro das promessas de Deus. Mas para isso temos que ser fiéis a Deus como Deus é fiel a sua promessa.

Onde está nossa infidelidade? Somos infiéis quando deixamos de ouvir Deus e damos ouvidos aos clamores do mundo. Quando nos envolvemos com falsas doutrinas, filosofias da chamada nova era, esoterismo, superstições, crendices, espiritismo, etc. Quando buscamos a cura divina através de Jesus, mas ao mesmo tempo – “por garantia” – buscamos curandeiros, pais de santo, banhos de arruda e outras tantas bobagens. Somos infiéis quando contrariando a doutrina da Igreja e a Palavra de Deus, acreditamos em reencarnação. Não há reencarnação: “Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na ressurreição da carne, na vida eterna!” Na ressurreição da carne, não na reencarnação. Ninguém vai e volta, vai e volta, se purificando de pecados, purgando em vida mazelas passadas. Vivemos e morremos apenas uma vez, sendo purificados no sangue precioso de Jesus! Vivemos uma vez e para sempre, morreremos uma única vez passando para a eternidade, e um dia haveremos de ressurgir num corpo glorioso, como o corpo do Cristo Ressuscitado. Ver 2 Sm 14,14 e Hb 9,24-28.

Não podemos servir a dois senhores, diz a Palavra de Deus em Mt 6,24. Não podemos ser cristãos e espíritas, umbandistas, ou qualquer outra coisa. Não podemos beber o cálice da salvação e ao mesmo tempo a taça de veneno; não se comunga o Santo Corpo do Senhor na ceia Eucarística e depois ir freqüentar terreiros de macumba. Isto é infidelidade, é adultério! Dirão: ele está se repetindo. Sim, estou me repetindo pela enésima vez. Deus nada faz em vão: da mesma maneira que o mundo nos bombardeia constantemente com seus falsos valores, Deus está contra atacando e nos advertindo também de modo continuo, impregnando em nós a sua Santa Palavra. Louvado seja Deus por não nos abandonar, apesar de nossas faltas. Podemos nos considerar como aquele povo remido, o novo povo – Deus semeia – lembram-se do inicio? Abramos nossos corações e acreditemos efetivamente que debaixo dos céus nenhum outro nome foi dado pelo qual devamos ser salvos. Esse nome é Jesus Cristo, diante do qual dobramos nossos joelhos e rendemos graças. Sejamos fiéis a Ele, como Ele é fiel. Assim seja.
Carlos Nunes

sábado, 23 de abril de 2011

Negação de Pedro

Pedro nega Jesus três vezes. Na verdade Pedro não rejeita Jesus, ele o nega impelido pelas circunstâncias. Pedro teve medo, assim como os demais apóstolos, pois diante da cruz no calvário estavam apenas João, Maria a mãe de Jesus e outras mulheres. Os demais seguidores de Jesus também o haviam abandonado. Haviam o negado por medo, não por rejeição. Em Mt 10,33 diz Jesus: “Aquele que me negar diante dos homens também eu o negarei diante de meu Pai...” O negar referido por Jesus não é a negação circunstancial como a de Pedro, mas a negação definitiva, consciente, é a rejeição. Negação é diferente de rejeição: negar é dizer não a alguém ou a alguma coisa, a alguma situação. Rejeitar é não querer, não aceitar, é desprezar. Muitas vezes nós negamos Jesus. Negamos Jesus quando por covardia, timidez, comodismo ou mesmo má vontade, deixamos de anuncia-lo, deixamos de dar testemunho de suas maravilhas. Muitos negam Jesus quando interpretam erroneamente a atitude da Igreja quando ela faz a opção preferencial pelos pobres. Explico: Há pessoas, muitas pessoas infelizmente, que pensam que ação social é mero assistencialismo; limitam-se a ajuda material e só. O ser humano não é apenas um bolo de carne que se movimenta de um lado a outro; o ser humano tem alma, um espírito criado por Deus. As pessoas se esquecem disso, providenciam uma cesta básica, dão o feijão e o arroz e deixam de dar o mais precioso alimento: o pão vivo, o pão do céu, Jesus! Quem assim procede nega Jesus aos irmãos. Devemos auxiliar materialmente os mais necessitados, mas temos o dever cristão de também aliviar a carência espiritual desses irmãos.


Negar Jesus é não aceita-lo como único senhor de nossas vidas, é desprezar sua oferta de amor. Sabemos que existem católicos envolvidos com ocultismo, magia, espiritismo, esoterismo e outros “ismos” que contrariam a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. Estas pessoas, na igreja, aparentam perfeição, porém suas obras são vazias, infrutíferas; suas orações são inócuas; ouvem a Palavra de Deus mas não a retem; passam horas diante da TV mas não se disponibilizam 15 minutos que sejam para ouvir a palavra de Deus sendo pregada. Muitos buscam a comunhão eucarística em situação de pecado. Essas pessoas negam Jesus, renegam Jesus, rejeitam Jesus!

Pedro negou Jesus três vezes, é verdade. Negou, não rejeitou. Tanto que foi escolhido por Jesus como chefe da Igreja. Em Jo,21 Jesus repete três vezes a pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Pedro responde: Senhor, sabes que te amo. – Então apascenta minhas ovelhas, diz Jesus. Apesar de sua tibieza Pedro é confirmado como primeiro Papa. Havia sido redimido e dissera sim a Jesus. E Jesus agora está te chamando pelo nome e perguntando: João, Maria, Odete, você me ama? Respondamos todos: Senhor sabes que te amo!

Jesus está agora estendendo suas mãos sobre nós, sobre cada um de nós. De suas chagas abertas gotas de seu sangue estão caindo sobre nós. Irmão, irmã, há uma gota do sangue precioso de Jesus sobre a sua cabeça, Esse sangue tem o poder de curar e libertar de todas as mazelas. Abra seu coração e diga sim para Jesus, diga sim como Maria, diga sim como Pedro naquela manhã à beira do lago Genesaré.

Senhor, sabes que te amo. Amém.
Carlos Nunes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Triduo Pascal

Um olhar de conjunto


“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!... Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 33.36).

A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel - aliança que vai além da sua infidelidade - e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.

O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).

Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).

As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres “partícipes da vida do Ressuscitado”, partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).


As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).


O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. “Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4).

Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.


Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).


Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.



A Quinta-feira santa: “Jesus... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”


A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã - especialmente durante a grande vigília pascal - e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.


A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que “todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.


Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor


No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12; Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama comorevelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.


Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o “eixo do mundo”, diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.


O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.


O grito sofrido e confiante de Jesus, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois “por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título”, e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).


O perdão invocado sobre os algozes: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Sal 31,6 - Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: “Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam” (Mt 27,50 -51).


A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.

 Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme “Homens e Deuses” (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.
(Fonte: Pascom - S. Brás)

sábado, 16 de abril de 2011

Jesus é nossa paz

“Pedi, vós todos, a paz para Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. Reine a paz em teus muros e a tranquilidade em teus palácios. Por amor de meus irmãos e meus amigos pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade.” (Sl 121,6-9).

Frente à pergunta: o que mais desejam, a resposta predominante é paz. Paz no mundo, paz na cidade, paz no bairro, paz na família. No entanto, essa paz não depende exclusivamente de cada um em si. Depende da coletividade, da sociedade, dos governos. Porém, a paz interior, essa depende de cada um de nós, com o auxilio inestimável do Espírito Santo.

Quando se está em paz (consigo mesmo), quando a consciência está tranquila, quando a alma esta lavada, tudo suportamos. Isso não significa isolamento, alienação; como cristãos nos preocupamos com o irmão, com o próximo. Assim, a falta de paz no mundo nos mobiliza na medida da nossa misericórdia.

Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não a dou como o mundo dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14,27). Eis a verdadeira paz. Quantos de nós buscamos a felicidade e a paz nas coisas exteriores, na posse de bens materiais, no ter, no poder; esquecemo-nos que a verdadeira paz vem de dentro para fora, não de fora para dentro. A verdadeira paz nos é infundida no coração por Jesus, via Espírito Santo.

Deus nos oferece sua Paz. Cabe a nós desejá-la, aceitá-la. Abrir o coração e deixar-se inundar pela paz, pela luz, pelo amor. A paz do Senhor Jesus esteja e permaneça sempre em nós.

sábado, 9 de abril de 2011

Confiar é a solução


Um brilhante intelectual foi trabalhar por alguns meses na “casa dos moribundos”, em Calcutá. Ele procurava uma resposta para viver melhor a sua vida. Logo na primeira manhã, encontrou-se com Madre Teresa de Calcutá, e ela lhe perguntou: “Como posso ser útil a você?” O intelectual respondeu, pedindo que orasse por ele. Madre Teresa perguntou: “Por qual necessidade você quer que eu ore?” e ele colocou o pedido que carregava consigo há durante muito tempo em sua vida: “Ore para que eu tenha clareza na minha vida”. Madre Teresa disse então com firmeza ao intelectual: “Não, eu não vou orar por isso. Clareza é a ultima coisa a que você deve se apegar”.


Então o intelectual afirmou que sempre tivera a impressão de que Madre Teresa tinha muita clareza sobre tudo que fazia; exatamente aquela clareza pela qual ele tento ansiava. A madre, então, riu e lhe disse: “Nunca tive clareza sobre nada; o que sempre tive ao longo da minha vida foi confiança. Portanto, vou orar para que você confie mais em Deus”.

Meu irmão, minha irmã, confiar na Misericórdia Divina é a solução para a sua vida! Não existe outro caminho. Confiar, para alguns, em certos momentos, beira ao heroísmo, pois nada é mais difícil do que superar as decepções e desafios que a vida nos apresenta.

Uma confiança cega no Amor e na Misericórdia do Senhor destrói o desespero e o medo. É também o nosso ato supremo de obediência a Jesus que ensinou: “Creiam em Deus, creiam também em mim”. Henry Nouwen em sua obra diz: “A escolha fundamental é confiar sempre que Deus está com você e lhe dará o que você mais precisa”.

Rezemos juntos com Santa Faustina: “Com a confiança e simplicidade de uma criança, entrego-me hoje a vós, Senhor Jesus e meu Mestre. Deixo-vos inteira liberdade na direção de minha alma. Guiai-me pelos caminhos que escolherdes. Eu não vou querer entendê-los, eu vos seguirei confiante. O Vosso Misericordioso Coração tudo pode! Amém.
(Luis Gustavo, MSS).






domingo, 3 de abril de 2011

Imagens Sagradas

 Imagens nos mostram onde Deus agiu.





Êxodo 20,3-5: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, do que há debaixo da terra, ou nas águas, sob a terra. Não as adorarás nem lhes prestará culto”.

Êxodo 25,18-19: “Farás dois querubins de ouro; os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um ao lado do outro, fixando-os para formar uma só peça com a extremidade da tampa”.

Números 21,8: “O senhor disse a Moisés: faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela conservará a vida”.

Ops! Deus se contradiz? Não, Deus não é homem para mentir nem ter duas palavras. São contextos diferentes, situações muito, muito, distintas. Só não entendem os textos quem é falho de raciocínio ou analfabeto funcional, ou – pior – mal intencionado, pois entendendo perfeitamente os textos, deliberadamente interpreta erroneamente e assim os ensina. A ordem de Deus é clara: Não terás outros (falsos) deuses diante de minha face. Deus falava ao povo, da arca da aliança, sentado sobre os querubins (Ex 25,22). A serpente de bronze é prefiguração do próprio Cristo.

Quem de sã consciência pode dizer que viu nos templos católicos imagens de deuses? O que se vê são esculturas e pinturas que retratam homens e mulheres cujas vidas foram pautadas por fé inabalável, submetidas ao sofrimento a até ao martírio de sangue em defesa da fé em Cristo Jesus. Gente como nós, cujo exemplo e testemunho de fé devem ser seguidos. Nossa doutrina ensina que logo após a morte vem o julgamento (juízo particular) e aqueles se encontram certamente nos braços do Pai. “Vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. Foi lhes dado vestes brancas e foi dito que aguardassem um pouco mais, até que se completasse o número dos companheiros mártires”. (Apocalipse 6,9-11) – “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua; conservavam-se de pé diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas nas mãos. Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu templo. Aquele assentado no trono os abrigará em sua tenda”. (Ap 7,9.14-15).

Estão ou não na glória? Ninguém está em estado cataléptico aguardando o juízo final. Já foram julgados pelo Justo Juiz e encontraram graça diante do Altíssimo. O juízo final ocorrerá na parusia de Jesus, quando os que estiverem sobre a face da terra serão arrebatados ao céu ou lançados ao fogo do inferno.

“As imagens do culto católico não são de ídolos; não são feitas para serem adoradas. São veneradas com carinho para recordar o próprio Jesus Cristo, sua mãe, ou alguém que o seguiu de forma extraordinária, a quem chamamos de santos. Com as imagens, relembramos seus feitos, seus ensinamentos. Os fiéis têm por elas veneração, isto é, respeito, admiração, consideração. – O mesmo respeito que têm pela fotografia de uma pessoa que lhes é querida”. Estas são palavras de D. Murilo Krieger, bispo, autoridade eclesial, sendo, portanto voz da Igreja. As imagens nos mostram onde Deus agiu.