sábado, 25 de abril de 2020

Dn 1,8-15 – PUREZA



D
aniel fora retirado de Jerusalém e levado para Babilônia. Lá ele e seus companheiros foram escolhidos e separados para serem treinados e postos a serviço do rei Nabucodonossor. De imediato foram colocados diante de um grande desafio: se macular com a alimentação real, considerada impura pelos judeus, ou permanecer fiéis a aliança, aos preceitos legais.  Eles escolheram ser fiéis a Deus, permanecendo puros e embora tenham recusado o alimento aparentemente superior da mesa do rei, eles se nutriam, tornaram-se robustos e de aparência melhor que os demais.
            O que é alimento puro ou impuro? Para os judeus, certas carnes proibidas pela lei mosaica, tais como, porco, coelho, certos peixes e outros. Mas Jesus veio reformular a lei e não faz restrições a nenhum tipo de alimento. Em Mc 7, diz Jesus que o que nos torna impuros não é o que entra, mas o que sai de nossa boca. Assim de certa forma Ele permiti-nos consumir qualquer coisa, desde que saudável obviamente. Em At 10, Pedro em oração tem a visão da grande toalha descendo do céu cheia de animais que ele considerava impuros e a voz de Deus a lhe dizer: Pedro, toma de cada um deles, mata e come. À resposta de Pedro que diz não comer nada impuro, o Senhor o repreende: Não digas tu que é impuro aquilo que Eu purifiquei!
            Porém o que esta Palavra tem para nós não se refere a alimentos, refere-se à pureza espiritual. O que é puro e impuro? Impuro é a sujeira que o mundo nos oferece, é o lixo embrulhado para presente que o mundo nos empurra. Pureza nós encontramos em Deus e na sua Palavra. Quantas vezes somos criticados por estarmos na Igreja, frequentarmos assiduamente a igreja. Dizem que perdemos tempo, deixamos a vida passar nos ocupando de coisas sem graça. Muito ao contrário, encontramos a graça de Deus, não perdemos tempo e ganhamos vida, vida nova em Jesus. Às vezes nós mesmos somos assaltados por tentações do tipo: “Porque devo fazer somente o que Deus me pede? Porque não fazer minha própria vontade? As respostas de Deus são demoradas, lentas e nem sempre são o que eu desejo. Além do mais, segui-lo implica renúncia, privar-me de coisas que eu gosto. Que mal há em buscar atalhos que me tragam uma satisfação imediata? Porque me privar de algo que parece bom para mim?” Dessa forma nos deixamos enganar, colocando Deus de lado, preferindo as falsas promessas do tentador, do impostor.
            O mundo faz propaganda maciça das suas mentiras, de suas veleidades, de suas fraudes. As coisas de Deus, porém, são simples, singelas, mas nos fazem bem, nos nutrem como o alimento simples que Daniel e seus amigos escolheram. Deus não faz estardalhaço nem propaganda espalhafatosa. A Palavra de Deus (Bíblia) eis sua propaganda, alimento para nossa alma. A Eucaristia, Deus vivo que se doa a cada dia, eis sua propaganda, alimento para nossa alma.
            Devemos ser puros simplesmente porque nada impuro, sujo, maculado pode apresentar-se diante de Deus. Ele nos quer ver diante dele, Ele pede que nos purifiquemos, Ele quer, Ele nos exorta a buscarmos sua Palavra, sua Igreja, o Senhorio de Jesus para que possamos quando chegada a hora, estar diante Dele e assim permacecermos para sempre.  O céu clama por nossa santidade, por nossa purificação. Maria chora lágrimas sentidas quando um filho seu se perde nas trevas. Jesus se entristece ao ver uma alma se perder, cair nas profundezas do abismo; cada alma perdida é como uma gota do sangue de Jesus que se desvanece.
            Eu quero a santidade, eu quero a vida, eu quero a salvação e você também quer , certamente. Amém.
(sinopse de pregação)

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Zc 6,9-15 – Renovação



O
 povo hebreu voltava do exílio na Babilônia e buscava a reunificação e identidade nacional. O povo precisava de renovação, uma nova esperança. Daí então Deus suscita o profeta e o exorta para que ele reúna os sacerdotes e homens influentes para anunciar a futura vinda do Messias, conforme também escrito em Sl 88,20 e Jr 23,5. Isto fica claro no v.12 (...). Gérmen, ou rebento, ou renovo é um broto de vegetal, uma semente germinada. Biblicamente gérmen representa a perspectiva da vinda do Messias, significando algo novo que chega para fazer novas todas as coisas.
                Nós sabemos que o Messias já veio. É Jesus, Jesus Cristo Nazareno. E veio pra que? Para fazer novas todas as coisas. Além da salvação que Ele nos trouxe, da vida plena e abundante, Ele quer nos transformar, quer nos renovar. Ele veio renovar você!  - Eu já sou convertido. – É convertido, mas precisa ser renovado!
                S. Paulo em Rm 12,2 nos exorta (...). Essa renovação que Paulo nos fala é diferente de conversão. Conversão é o primeiro passo, a virada radical. Passo esse que deve ser reiterado, confirmado, renovado a cada dia. Essa mudança diuturna, constante, é que chamamos renovação. A parábola do filho pródigo nos mostra nitidamente essa diferença: O filho mais velho, o tempo todo junto ao pai, era convertido por certo. No entanto ele teve ciúme, inveja, ressentimento. Vê-se que ele precisava ser renovado, mudado, curado de suas mágoas. O pródigo, ao arrepender-se e ser perdoado converteu-se, mas a partir daí também precisará ser renovado a cada dia, para livrar-se vez por todas das tentações do passado.
                Ao longo de nossas vidas somos formados por ensinamentos, filosofias e valores do mundo que nos cerca, tanto bons como maus. Quando conhecemos Cristo tudo começa a mudar – Em verdade há um conflito interior – Recebemos um novo coração, uma nova unção, mas de certo modo continuamos a nos comportar como antes. Por isso S. Paulo nos adverte em Ef 4,22ss (...) temos que renovar nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas atitudes, temos que nos renovar por inteiro. Porém não nos renovamos por si sós; somos renovados pela ação do Espírito Santo. Essa renovação ocorre quando nos abrimos e deixamos o Espírito Santo agir. Deus nos renova à medida que nos entregamos a Ele! Convertidos somos todos, mas todos  sem exceção, precisamos ser renovados, confirmando nossa conversão todos os dias. Precisamos buscar incessantemente a santidade, vivendo para ser santos.
                Certa vez ouvi alguém – falando da morte – dizer que somos casulos. Que nosso corpo é só um invólucro; que ao morrer somos transformados, etc... Eu não sou um casulo, nem vocês. Somos imagem e semelhança de Deus, somos templos vivos do Espírito Santo. Casulo é invólucro de inseto e Deus não é uma borboleta; Deus é Deus! Essa filosofia é poética, bonitinha, mas na verdade é um pensamento esotérico. Ninguém é transformado, mudado, depois da morte. A salvação é aqui, agora, enquanto estamos vivos em corpo e alma. A transformação, restauração, reconstrução, renovação é aqui. Ninguém é transformado, ninguém deixa de ser o que é depois da morte. Verdadeiramente não há outra vida, há uma única vida que é eterna. Quando morremos, quando nosso corpo morre, passamos para a eternidade. Após a morte, puros espíritos, somos como os anjos, não podemos ser modificados e por isso a salvação nos é oferecida aqui, enquanto estamos na carne. Após a morte do corpo só há dois destinos: inferno (tormento eterno) e céu (glória eterna), mesmo que a caminho do céu passemos pelo purgatório, onde resquícios de pecados, não os pecados, nos são lavados. Infelizmente em nosso meio há gente que almeja simplesmente o purgatório; ouvi, na igreja, alguém dizer que se “pegasse um purgatóriozinho estaria satisfeito”. Quem pensa assim não quer compromisso com a verdade evangélica; talvez tenha saudades do pecado. Buscar o purgatório é como andar no fio da navalha, se resvalar o pé, cai no inferno! Quem busca o céu, na pior das hipóteses, passa pelo purgatório que é caminho do céu!
                Precisamos nos renovar, o mundo precisa ser renovado. O mundo precisa de paz.
Precisamos converter-nos, precisamos reafirmar nossa conversão, precisamos converter o maior número possível de pessoas a nossa volta. Precisamos fazer a nossa parte. Se irmão ajuda irmão e assim por diante, o mundo por certo fica melhor. Somos incapazes de mudar o mundo, somos incapazes de mudar a nós próprios, mas podemos apresentar ao mundo aquele que tudo pode, o que faz novas todas as coisas: Jesus! Amém.
(sinopse de pregação)




sexta-feira, 10 de abril de 2020

Eclo 16,1-6 – Filhos Ímpios



M
ais uma vez Deus me colocou diante dos irmãos para anunciar a sua palavra. E a palavra está no livro do Eclesiástico 16, versículos 1 a 6.      
               Essa palavra fala de filhos ímpios. Mas eu não posso falar apenas para quem é pai ou mãe e deixar os outros de lado. O Senhor nos deu esta palavra, em oração, para que fosse anunciada a toda a assembléia e não a uma parte dessa assembléia. Assim sendo não vamos tomar o texto de modo formal, ao pé da letra. Vamos estender o sentido desta passagem bíblica; filhos nós vamos entender como amigos, amizades, frutos do nosso convívio social no trabalho, na vizinhança, na comunidade.

            Vamos agora meditar versículo por versículo:
V1(...) – Não devemos nos alegrar em termos muitos amigos se esses amigos não comungam da nossa fé em Cristo.
 V2(...) – Não devemos confiar nesses falsos amigos, nem nos deixar levar por sua vida de pecado.
Vv3-4(...) – Ímpio significa sem piedade. Aqui usados no sentido de afastamento de Deus, vida de pecado, longe da Piedade Divina.
V5(...) – Um exemplo é Abraão. Abraão foi homem sensato, fiel a Deus e teve por posteridade todo o povo de Israel. Nós somos os herdeiros das promessas de Deus a Abraão, somos o povo da nova aliança; nova e eterna aliança em Cristo Jesus, nosso Salvador.
V6(...) – Este versículo é um testemunho do subscritor. Subscritor é aquele que escreveu. O autor é Deus.
            Tudo que foi visto não significa que devamos desprezar nossas amizades, evidente que não. Amizade é para ser cultivada e amigo é para ser honrado. Devemos sim, selecionar as nossas amizades, as nossas companhias. A Palavra de Deus nos diz que não devemos sentar com os escarnecedores nem buscar a companhia dos ímpios. Alguém por certo deve estar pensando: Jesus sentou-se à mesa com os pecadores! Certo, porém Ele não compactuava com eles, não convivia com eles. Jesus levava a eles sua palavra, o Evangelho. Aos pecadores, não devemos discriminar, devemos tentar converte-los.
            Sabendo que o coração do homem é terreno que ninguém pisa, a não ser Deus, quem pode dizer o nome do melhor amigo, aquele em que se pode confiar cegamente? Eu digo: Jesus, Jesus de Nazaré, Jesus Cristo filho de Maria. O único, único em que podemos confiar cegamente.
            Em alguns amigos podemos confiar muito, mas até um certo limite. Só em Jesus podemos fechar os olhos e nos atirar de cabeça, porque temos a certeza de que Ele está de braços abertos para nos amparar.
            Poderemos até ter amigos que se envolvam em lutas corporais por nossa causa e até “tomem uns tapas na cara.” Mas irão cobrar isso de nós pelo resto da vida, seremos seus eternos devedores. Mas Jesus foi espancado, chicoteado, cuspido, crucificado, por nós e de graça, não cobra nada; só nos pede amor, acima de tudo amor a Deus e depois aos irmãos.(Aliás, paradoxalmente, só se pode amar a Deus se amarmos o irmão). Porque Jesus sendo Deus, se fez homem e viveu a humanidade na plenitude, menos no pecado, e disse e está dizendo a cada um de nós: “Já não vos chamo servos, mas amigos”.Só Jesus está conosco 24 horas por dia, cada dia de nossa vida. Só Jesus morreu e ressuscitou por cada um de nós, para nos dar a vida eterna. Amém.
 (sinopse de pregação)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

EUCARISTIA ALIMENTO DA ALMA



Assim como nosso corpo necessita de alimento para se manter vivo e saudável, também a alma precisa se fortalecer e se manter sadia. Há varias fontes de nutrição da alma: a Palavra de Deus na Sagrada Escritura, a oração e de modo especial a Eucaristia. Eucaristia que é o próprio Jesus que se dá como pão e vinho.
Nos Evangelhos sinóticos Jesus institui o rito eucarístico, nos apresenta a Eucaristia de modo formal, litúrgico. Mas no Evangelho segundo S. João, a Eucaristia nos é revelada na essência, conforme as passagens bíblicas a seguir: “Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu, porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que crê em mim não terá sede. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo que dele comer. Eu sou o pão que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. Em verdade eu vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e meu sangue verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele ” (Jo 6,32-33.35.48-51.53-56).
O pão e o vinho apresentados no altar, pelo poder do Espírito Santo, são transubstanciados no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, num renovar continuo de Seu sacrifício de amor. A cada missa Jesus se dá no pão e vinho consagrados como hóstia viva de amor, pois no altar se rememora a vida, paixão morte e ressurreição do Cristo Salvador.
Sim, precisamos de pão para a subsistência do corpo, mas precisamos também – e muito – da comunhão eucarística para que a alma não se fragilize, não adoeça, não definhe. Eucaristia: pão vivo descido do céu. Eucaristia: corpo, sangue, alma e divindade de nosso Senhor Jesus Cristo.  Eucaristia: alimento da alma, fonte de vida. Eucaristia: o milagre nós não vemos, basta a fé no coração. 


sexta-feira, 27 de março de 2020

Em quem confiar?



Nossa proteção está no nome do Senhor que fez o céu e a terra, diz o salmista em Sl 123,8. Quantos de nós colocamos nossa esperança, contamos com a proteção e o socorro nas pessoas ou até mesmo em talismãs e mandingas. Não queremos dizer com isso que não podemos nem devemos contar com o auxilio – prestimoso – dos irmãos; é claro que sim. Mas acima de tudo contamos com a benevolência divina para que esse auxilio seja eficaz. Não podemos colocar única e exclusivamente nossa vida nas mãos de outros; somente nas mãos do Senhor.
E quanto ao uso de medalhas e crucifixos? Se não forem usados como amuletos, nada demais. Estes apetrechos podem ser naturalmente usados como ornamento e/ou símbolos de fé. De modo especial o crucifixo, que nos faz lembrar o sacrifício de amor que Jesus Cristo fez por cada ser humano, por cada um de nós. Usados como amuletos ou talismãs no intuito de livrar de males, de nada servirão; terão desvirtuado o seu uso, que repetindo, são sinais de nossa fé, nada além disso,
Para nos proteger dos perigos deste mundo devemos ser prudentes, cautelosos, evitar situações de risco. Contar com a proteção divina, mas com os pés no chão, afinal não por Deus a prova, diz a Bíblia em Mt 4,7: “não tentarás o Senhor teu Deus”. Assim disse Jesus ao ser interpelado pelo demônio, quando este lhe desafiou a saltar do alto de uma torre, citando a Palavra em Sl 90,11-12: “Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos, com cuidado para não machucares teus pés nalguma pedra.”
Podemos aqui relatar testemunhos diversos de ambas circunstancias: gente que deliberadamente assumiu riscos contando com a proteção divina, se julgando imune por conta disso e no fim descobriu da pior forma possível que tentar a Deus não é uma boa coisa. Também há casos de gente que involuntariamente colocou a vida em risco e com certeza, por ação de Deus, contou com livramento de maneira prodigiosa. Daí podemos afirmar com toda certeza, que nosso socorro, nossa proteção está em Deus criador de tudo e de todos, no entanto, devemos fazer nossa parte. Afinal, não estamos imunes ao mal só por sermos cristãos, em verdade somos imunes aos efeitos do mal, quando confiamos em Deus e aceitamos seus desígnios.  


sábado, 21 de março de 2020

AMIGO, O IRMÃO DO CORAÇÃO



Certa vez ouvi alguém dizer: amigo é o irmão que o coração escolhe.  A amizade é um dom de Deus que nos permite sentir-se bem na companhia do outro e ao mesmo tempo experimentar a confiança. A verdadeira amizade possui uma aliança que nada e ninguém pode romper: nem a morte, a fome, a doença, a pobreza e nem a riqueza. É uma aliança que carrega em si o sabor do Céu, do amor que não pode ser deixado ao sabor dos sentimentos.
            A Bíblia nos diz: “Se teu amigo for constante, ele te será como um igual e agirá livremente com os de tua casa. Se se rebaixa em tua presença e se retrai diante de ti, terás aí, na união dos corações, uma excelente amizade. Separa-te daqueles que são teus inimigos e fica de sobreaviso diante de teus amigos. Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor, achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá também uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante”. (Eclo 6,11-17). ´
         Assim se referem à amizade as articulistas do VoxDei, jornal da Pascom-S. Brás, Anna Paula e Thais Cristina:  “ Amigos são tesouros encontrados nas ocasiões de maior necessidade, diferentemente de ouro, jóias e pedras preciosas. Essas pessoas não ficam em nossas mãos, mas são mantidas dentro do coração. São (como) anjos que Deus enviou para auxiliar e guiar nossos caminhos, estar ao nosso lado em todos os momentos, sejam estes felizes ou tristes. O amigo ama independentemente dos defeitos e consegue enxergar além do que os olhos podem ver. O laço que os une é composto por um elo de fraternidade com base na integridade, honestidade, sinceridade e verdade. Assim, olhemos ao redor e agradeçamos aos amigos maravilhosos que nos cercam com seu amor fraterno. Que possamos olhar para estas pessoas e dizer-lhes o quanto são importantes em nossa vida e o quanto as amamos. Afinal, amigo é para se guardar do lado esquerdo do peito dentro do coração de Deus”.  
         Nosso maior e melhor amigo? Sem dúvida aquele que deu a vida por nós: Jesus Cristo.
        
        

sexta-feira, 13 de março de 2020

Ditadura da impiedade



O mundo tenta nos impingir seus contra-valores. Infelizmente muitos de nós (cristãos) caímos nas armadilhas do politicamente correto, dos direitos das (auto intituladas) minorias, do relativismo, das imposições da grande mídia. Quanto ao politicamente correto, não podemos confundir polidez com tolerância, com anuência. E é o aceitar tudo, a conivência, isso é o que prega o tal politicamente correto. É correto aceitar o erro? E o direito das “minorias”? Existem disposições constitucionais que privilegiem este ou aquele? Não somos todos iguais perante a lei? Homossexuais, indígenas, todos nós, temos nossos direitos como pessoas, como cidadãos. Porque alguns arvoram a si direitos exclusivos? É auto discriminação. Discriminação não no sentido usual, mas o querer ser diferente no intuito de fazer-se o “coitadinho”, o incompreendido e daí tentar auferir vantagens.
O relativismo quer nos fazer crer que nada é constante; tudo muda, evolui conforme as circunstancias, os modismos. Assim, não existe pecado, pois o que era velho passou, a Igreja é arcaica, seus valores não são mais aplicáveis, o mundo mudou e por aí vai... Porém há leis e Leis. Da mesma forma que as leis naturais, a lei de Deus é imutável, pois ELE É ontem, hoje, amanhã e sempre!
Então, os grandes meios de comunicação vêm e apregoam que tudo é normal e opcional. Opção sexual seria um direito, o homossexualismo nos é empurrado goela abaixo como coisa normal. Desde quando? Deus nos criou homem e mulher, não homem-mulher ou mulher-homem. A própria natureza distingue o sexo em todo animal e em algumas espécies vegetais. Quem julgamos ser, para arrogantemente subverter a natureza, tentando modificar simplesmente por que assim nos é conveniente, seus princípios eternos?
Em Isaías encontramos essa revelação: “Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal. Ai dos que fazem das trevas luz e luz em trevas, que tornam doce o amargo e amargo o que é doce”. (Is 5,20). Vivemos num país e num mundo onde essas palavras reveladoras do profeta Isaías se tornam cada vez mais uma realidade vivida, defendida, publicada e até transformada em normas de vida, em leis governamentais e até constitucionais. A morte de fetos congelados para fins de pesquisa, até mesmo com aprovação escrita dos pais; o tremendo infanticídio provocado pelas leis que aprovam e patrocinam o aborto; as guerras desencadeadas por interesses econômicos e ganâncias de poder; as leis que aprovam as uniões homossexuais; a corrupção política e econômica; toda falta de ética e moral no desempenho de funções publicas e profissões, bem como todo tipo de pecados de natureza pessoal, como adultério, homossexualismo, prostituição, vícios morais e outros tantos, são um grande mal, mas considerados um “bem”; são as trevas, mas agora consideradas “luz”; são tidos como modernismos, conquistas da sociedade; são o amargo do mal, agora defendido como o “doce”de uma vida de progresso.   



sexta-feira, 6 de março de 2020

Firmes na Fé



A quantas anda nossa fé? Está firme como rocha ou ‘firme como geleia’? Rocha é fundamento sólido, praticamente inabalável. Geleia, apesar da aparência de solidez, é macia, fura-se com a ponta de um dedo e esfacela-se com facilidade.
A Bíblia (Hb 11,1) nos diz que fé é o fundamento da esperança, a certeza daquilo que não se vê.  Podemos então definir fé como sendo uma iluminação interior que nos faz crer mesmo ainda sem ter visto o objeto de nossa fé, ou não ter sido alcançado algum resultado esperado. Daí então podemos perceber que fé é dom. Se temos o coração receptivo, Deus na sua infinita bondade nos oferece e se abrimos realmente o coração o dom da fé nos é concedido. 
Não confundamos crendice com fé. Crendice é acreditar em tudo, qualquer coisa visível ou invisível, material ou etéreo, verdadeiro ou falso. Fé é crer e esperar. Fé teologal é crer em Deus e esperar nele; na fé teologal a fé carismática é crer e esperar na certeza da resposta de Deus. E então como está nossa fé? Arraigada na rocha ou grudada na geleia? Na rocha é fé verdadeira, gelatinosa é simples crença. Acreditamos num único Salvador, ou há outros “salvadores” por aí? Acreditamos que todos os caminhos levam a Deus, ou num único caminho? Não devemos nos esquecer das palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, verdade e vida.” Ele disse, eu sou O CAMINHO, não um dos caminhos. Portanto... Só há um único e real caminho que nos leva a Deus: Jesus Cristo, Ele o próprio Deus feito um de nós. Jesus é o caminho que nos conduz à verdade, verdade que traz vida, vida plena e abundante.
Eis a rocha, Jesus e com Jesus a Igreja. Igreja fundada na rocha (Ele próprio) e delegada a outra rocha (Pedro); Igreja fiel depositária da fé. Eis a firmeza, fé dom divino fortalecido e enriquecido com os ensinamentos da Igreja. Portanto, não nos deixemos levar por qualquer vento de vã doutrina, mas pela brisa leve do Espírito Santo que habita nos batizados e dirige e inspira a Santa Mãe igreja. 


sábado, 29 de fevereiro de 2020

Rancor e Mansidão


Rancor – mágoa profunda, ódio.
Mansidão – brandura de coração.


Há muito, muito tempo, existiu um homem muito bom. Ele era amigo de todo mundo e gostava de ensinar coisas boas aos outros. Esse homem era manso e humilde de coração, mas mesmo assim era odiado por algumas pessoas que tinham inveja dele.
O homem vivia num lugar que era quase um deserto, as cidades eram pequenas e ficavam longe umas das outras. Naquele tempo não haviam carros, ônibus, avião. Só haviam carroças, camelos e jumentinhos. Mas o homem andava a pé. Ia de uma cidadezinha à outra a pé! E não reclamava, não resmungava, ao contrário, agradecia a Deus por tudo. Em cada vila que chegava ele reunia as pessoas em volta dele e começava a ensinar tudo que ele sabia e o que ele sabia era muito importante para as pessoas. Ele também ajudava as pessoas doentes, as pessoas tristes, enfim as pessoas que sofriam de algum mal. Ele rezava para que as pessoas ficassem boas e elas ficavam!
Por causa disso as pessoas gostavam dele e sempre que ele chegava a algum lugar reunia uma multidão para ouvi-lo e serem curadas. Mas outras pessoas más, de coração duro e invejosas não gostavam dele, exatamente por que ele gostava das pessoas e tudo que fazia era por amor. Essas pessoas más sentiam ódio por ele e mesmo assim, ele não sentia ódio por eles nem tinha nenhum rancor.
Num certo dia, os maus arranjaram um jeito de acusar o bom homem de um monte de mentiras; disseram que ele era um mentiroso, que tudo que fazia era falso e que blasfemava (explicando às crianças: blasfemar é falar mal de Deus, é dizer mentiras de Deus). Então ele foi preso, julgado e condenado injustamente.
Vocês pensam que ele ficou zangado por causa disso? Não!!!!!  Ele ficou um pouco triste, mas não ficou zangado, nem com raiva, nem reclamou. Ele não abriu a boca, ele ficou quietinho. Os homens maus maltratavam ele, batiam nele, cuspiam nele e ele lá, quietinho. Os maus demonstravam toda sua raiva e ele demonstrava toda sua mansidão. Ele não guardava mágoa nem rancor. Ele estava sofrendo, sendo maltratado, e caladinho pensava: “Meu Pai, perdoa essas pessoas, eles não sabem o que estão fazendo”.
Este homem era manso, tinha brandura de coração e não odiava, não guardava mágoa, não tinha rancor.
Sabem o nome desse homem? 
(Texto base para pregação infantil)



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Deus cuida de nós



Quem cuida de mim? Quem cuida de nós? Deus. É Deus quem nos segura, nos ampara, quem nos fortalece, quem zela por cada um de nós. Deus com seu amor de pai, de mãe, de amigo.
Quando choramos é Ele que nos consola, conforta e enxuga nossas lágrimas. Quando padecemos Ele nos ampara, nos dá forças na tribulação. Ele nos sustenta nos tempos difíceis, nos compreende em nossos momentos de fraqueza; até quando nossa fé está arrefecida, até mesmo quando pomos em dúvida seu amor por nós.
Como não reconhecer e amar esse Deus que é misericórdia, amizade, justiça e acima de tudo, amor. Amor imensurável, incondicional, amor personificado. Personificado, pois Deus é o próprio amor, o ‘agapoe’, o ‘hessed’.
Mesmo que não o reconheçamos como Deus, mesmo que duvidemos de sua presença viva em meio a nós, mesmo não crendo na sua existência, mesmo não o amando, Ele nos ama mesmo assim, do jeito que somos: ingratos ou amorosos, incrédulos ou fiéis, injustos ou afáveis pecadores ou piedosos... Seu amor é para todos. 
Deste modo, caríssimos, em Deus somos fortalecidos, pois “tudo posso naquele que me fortalece”. Podem vir tempestades, noites traiçoeiras, dias nevoentos, turbulências no dia a dia – que venham; em Deus tudo posso, com Deus sou forte e vencedor. Não que as mazelas sejam bem-vindas, não é isso, mas se acaso vierem – e muitas vezes vêm – não é motivo de desespero para quem confia em Deus. Como afirmamos acima, Ele nos consola, nos conforta, nos sustenta, nos ampara.
Aos que não confiam, aí vai a palavra auxiliadora: mesmo assim (repetindo dois parágrafos acima) ele os ama. E os consola e conforta; mas esses não creem e sendo assim, não aceitam o carinhoso e caridoso alívio divino.
Os que confiam no Senhor reconhecem seu grande amor e num preito de gratidão, rendem ação de graças e louvores. Os que não confiam, saibam, Deus os ama, ama de tal modo que deu seu Filho para doar a vida por todos, indistintamente.  Como o bom pastor da parábola, Deus deixa as noventa e nove ovelhas em segurança e vai em busca da desgarrada.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Importa apreender mais que memorizar



Um homem católico, mas nem tanto, queixava-se que frequentava a igreja havia mais de trinta anos e nesse período embora tenha ouvido cerca de três mil sermões, palestras e pregações, não se lembrava de nada que tivesse ouvido. Dizia que fora infrutífera sua frequência à igreja e que havia perdido seu tempo. Segundo ele as pregações não haviam servido para nada, não obstante reconhecer que algo em sua vida mudara, segundo ele devido a sua própria força de vontade e, reconhecendo, em parte devido as orações que ouvia e fazia.
Este mesmo homem, casado há mais de trinta anos, serviu-se de aproximadamente trinta mil refeições preparadas com carinho por sua esposa e certamente não se lembrava do cardápio de cada uma delas.  Mesmo assim era bem nutrido e saudável.
 Não se lembrava do que havia comido, mas independente disso estava muito bem alimentado; se não o fosse teria morrido a míngua, seu corpo, sua carne sucumbiria. Não se lembrava de uma palavra que havia lhe sido pregada, porém algo em si mudara. Por certo essa mudança foi por força da palavra anunciada. Sem o que havia ouvido e não guardara na memória seu espírito teria fraquejado, minguado.
Da mesma forma que o alimento ingerido age em nosso físico, a Palavra anunciada age com poder em nossa área espiritual, independentemente de ser lembrada por toda a vida ou esquecida no dia seguinte. O que importa aí é a receptividade do coração. Se nos abrimos ao novo do Senhor em nossa vida, se os ouvidos conduzem ao coração a mensagem recebida mesmo que a memória falhe, a ação de Deus pelo Espírito Santo se efetuará em nós, pois somos templos vivos do Espírito.
Se vamos a igreja de coração fechado, endurecido, capengas na fé, por certo a palavra, seja qual for, não penetrará nosso coração. Assim, sem nenhuma abertura à ação do Espírito Santo nada edificante ocorrerá em nossa vida. Se comemos nossa refeição e ela não fica retida no estômago, se em seguida vomitamos, de nada serve o alimento.  Assim acontece com as pregações que ouvimos e não apreendemos; é como se fosse uma bulimia espiritual.
Portanto não é tão importante lembrar-se de cada palavra, cada frase, decorar uma pregação que ouvimos (até porque só conseguimos guardar cerca de trinta por cento do que é falado); o que importa é estar atento, interiorizado para se apossar da proclamação e do anúncio no interior, no mais fundo do coração.  Se a memória for boa, ótimo. Se não, que o coração esteja aberto, receptivo a Boa Nova. Isso é o que importa.   



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Sofrimento não é de Deus



Sabemos que o mundo não é perfeito. Não o mundo idealizado e criado por Deus, mas o mundo deturpado, corrompido, aviltado pelo homem instigado pelo maligno. Por isso a dor e o sofrimento nos acompanham como uma nuvem sombria que não poucas vezes nos alcança e nos envolve. No entanto, ao ser acometido pelo mal não devemos nos desesperar; entreguemos nosso sofrimento a Deus, ofertando-o, como aquilo que falta ao sofrimento de Cristo para nossa redenção. Isso não significa conformismo, é na verdade resignação, ou seja, estar animoso mesmo na tribulação. Ter animo sabendo que a dor é passageira. “Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade comprovada produz a esperança” (Rm 5,3-4).
O Senhor Deus de toda consolação nos conforta, para que com sua força possamos nós consolar aqueles que sofrem e que muitíssimas vezes não têm onde se apoiar.
Diante da dor e do sofrimento é costume de muitos dizer: é vontade de Deus. Que imagem distorcida trazemos de Deus em nosso coração! A verdade é que não agrada a Deus o sofrimento do mundo. Quando dizemos que o sofrimento é vontade de Deus, estamos dando uma desculpa para continuarmos instalados em nosso egoísmo, apegados a nossos bens, nosso imobilismo, nossas idéias. Não, Deus não quer o sofrimento. A via crucis não é obra sua, mas nossa. Se tirarmos do mundo as consequências das nossas ações, o que é causado pelo nosso coração; coração tantas vezes cheio de ódio, ganância, libidinoso, apegado ao ter e ao poder, sobraria o que é do Senhor: alegria, bondade, perdão, fidelidade, amor irrestrito. 
O que estamos fazendo? Ficamos esperando, parados debaixo da nuvem, rezando para que ela não desabe sobre nós? Ou, rezando, nos movemos, nos desinstalamos e procuramos abrigo para não sermos atingidos pela tempestade? Mova-se, desfaça-se do excesso de carga, deixe no seu coração apenas o que é do Senhor: um fardo leve, suave, sem arestas; um coração como o dele próprio, manso e humilde.