sábado, 28 de maio de 2016

Maria quer formar Jesus em você



Nossa Mãe pode formar Jesus em nossos corações


Você sabe: quem educou Jesus foi Maria. E é lindo o que se lê no Evangelho de São Lucas, quando o menino Jesus, aos 12 anos, foi encontrado no templo de Jerusalém:
Depois ele desceu com eles – Maria e José – para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração. Jesus progredia em sabedoria e em estatura, e em graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,51-52).

O próprio Evangelho testemunha: Era-lhes submisso. A mulher tem um papel preponderante na educação dos filhos. A mãe é educadora por excelência. Você pode então imaginar a Virgem Maria passando para Jesus, desde Seus primeiros dias, toda sua fé, todo seu amor a Deus, toda sua espiritualidade, fidelidade e entrega ao Todo-poderoso.

O filho de Deus criado por uma mulher humilde

Tudo o que vivia ela passava àquela criança, junto com seu leite materno, dia após dia. É uma beleza poder imaginar Maria formando, educando o menino Jesus. Dentro d’Ele havia uma semente: Ele era Filho de Deus; havia n’Ele uma natureza receptiva. Ele não tinha, como nós, o pecado original. Mas quem o formava era Nossa Senhora.




O Pai quis que Seu Filho Jesus fosse educado por uma mulher. Assim como Cristo foi concebido no ventre de, como foi gerado e trazido à luz, amamentando por Maria, Ele foi também educado por ela. Quer dizer: tudo aquilo que havia no interior de Jesus foi posto para fora, cresceu, desabrochou e desenvolveu-se graças a Maria. Ele recebeu tudo isso dela. Ela foi a formadora e educadora de Jesus.


Que sejamos Jesus nos dias de hoje


O Pai quer que sejamos semelhantes a Jesus. Que sejamos Seus continuadores. É vontade de Deus que você seja um outro Jesus para o mundo, porque o mundo precisa de coisas concretas, o mundo só vai acreditar a partir de cristãos que vivam a vida de Cristo. E para ser como Jesus é preciso ser educado por aquela que O educou. Por causa do pecado, que está em nós, há todo um longo trabalho de educação por fazer, e Maria tem aí seu papel especial de mãe e educadora. Ela quer nos educar nos caminhos de Jesus. Com o amor, a paciência, a bondade, a simplicidade, a humildade de Jesus…

Ela quer formar você também com a têmpera e a fortaleza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela o quer com o entusiasmo, o otimismo, a garra e com a entrega de Cristo.

Maria quer formar Jesus em você. Esta é a missão dela. A resposta de cada um deve ser: “Faça-se! Faça-se em mim segundo a vontade do Pai”.

Monsenhor Jonas AbibFundador da Comunidade Canção Nova







sábado, 21 de maio de 2016

É Deus quem nos santifica!


 
Deus nos criou para Ele; somos as ovelhas do Seu rebanho, diz o Salmista (Sl 99,3). São Paulo disse aos efésios que “Cristo Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e íntegros diante Dele, no amor” (Ef 1,4).
E mais ainda: “Nos predestinamos à adoração como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, em que nos agraciou no seu amado” (v.6).
Não foi sem razão que Santo Irineu de Lião disse, no segundo século, que “o homem é a glória de Deus”.
Fomos criados para a Sua glória (“Laudem gloriae”). Por isso fomos criados à imagem e semelhança de Deus; à imagem de Jesus Cristo. Mas infelizmente, o pecado original desfigurou em nós essa bela imagem humana e divina.
E o Cristo veio a Terra para que ela possa ser restaurada em cada um de nós.
Para isso Jesus “armou a Sua tenda entre nós”, e vive entre nós. Ele continua a caminhar conosco pela Igreja, pelos Sacramentos, e está em toda parte nos Sacrários para continuar essa obra de refazer a Sua imagem em cada um de Seus irmãos feridos pelo pecado.
Só Deus nos conhece profundamente e, por isso, só Ele pode ser o nosso restaurador. O salmista fala com toda clareza:
“Senhor, Tu me examinas e me conheces, sabe quando me sento e me levanto.
Penetras de longe os meus pensamentos, distingues meu caminho e meu descanso, sabe todas as minhas trilhas…
Por trás e pela frente me envolves e pões sobre mim a Tua mão.
Para onde irei longe do Teu espírito? Para onde fugirei de Tua presença?…
Foste Tu que criaste minhas entranhas e me tecestes no seio de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste maravilhoso; são admiráveis as Tuas obras; e Tu me conheces por inteiro…
Ainda embrião, os Teus olhos me viram, e tudo estava escrito em Teu livro… (Sl 13).
Porque nos conhece completamente, só Deus pode restaurar em nós a Sua imagem em nós danificada pelos pecados. E Ele faz isso porque nos ama. Nós não somos capazes, não temos poder e sabedoria, para operar a nossa santificação; só Deus.
Então, o que nos resta fazer? Entregar-se dócil nas Suas mãos; e silencioso deixar que o Artista possa esculpir nossa pedra bruta a Sua imagem novamente.
Só o homem recebeu de Deus o maravilhoso e assustador privilégio de atingir o seu fim pela livre escolha da sua vontade. Os animais e plantas não tem essa liberdade.
Se o homem, livremente, se abandonar nas mãos do Seu Criador e se conformar com Sua disposição divina, alcançará o fim para o qual foi criado: participar da vida bem aventurada de Deus (Cat. nº1).
Deus nos conduz para o nosso destino Nele. Não é uma glória para nós saber que Deus se ocupa de nós, débil criatura?
Devo, então, reconhecer o Seu soberano domínio sobre mim, e entregar-me a Ele sem reservas. Ele é o meu fim.
Devo viver em relação a meu Deus numa dependência absoluta e universal. É previsto que eu o siga em cada instante de minha vida, que me abandona à sua direção, que o deixa despir de mim como bem desejar.
Deus já traçou o caminho para cada um de nós chegar ao Céu, mas só Ele pode nos conduzir por esse caminho. Cada pormenor de nossa vida Ele já conhecia desde toda a eternidade.
Basta-me deixar que Ele me conduza por esse caminho suave. São eternos os desígnios de Deus sobre mim.
Às vezes a gente se ilude querendo traçar o próprio caminho da santidade, às margens do desígnio de Deus. Ficamos sonhando com uma perfeição ou cruzes que não são para nós. É no decorrer do tempo, no dia a dia de nossa vida, lentamente, que Deus vai nos revelando o destino que Ele concebeu para nós.
Todos os acontecimentos, doenças, fracassos e vitórias, são guiados pela divina Providência amorosamente.
A mim cabe, amar o meu Deus, aceitar seu trabalho em mim, e adorá-lo no abandono da fé.
Não me cabe lamentar e nem lamuriar, amaldiçoar ou blasfemar, mas apenas obedecer humildemente e alegremente. Que alegria saber que Deus cuida de mim.
Não me compete perguntar a Ele as razões da Sua conduta para comigo. A criança não pergunta ao pai para onde ele a está levando.
Deus não me deve explicação alguma! Por que eu nasci nesta data, neste lugar, neste país, desses pais, com esta cor e com este físico. Ele sabe que a minha beleza está na alma invisível e imortal; o corpo é apenas uma casca que um dia vai deixá-la. Não posso me agarrar a esta casca, senão perecerei rapidamente com ela.
Deus tem eternos desígnios sobre mim. Devo aceitá-los e santificar-me nessas circunstâncias.
 Prof. Felipe Aquino

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Elena Guerra: de Lucca ao Céu, um apostolado sem fim



Mais de um século se passou desde a Páscoa de Elena Guerra. 11 de abril de 1914 foi o dia de sua passagem, em um Sábado Santo, na sua pequena Lucca. E, no entanto, sua vida, obra e legado continuam ressoando atualíssimos para os dias contemporâneos. Certamente, este é um sinal da graça especial que os santos receberam: a graça de um testemunho tão forte e verdadeiro que transpassa gerações, que ecoa através do tempo e do espaço como a corrente caudalosa de um rio que, atravessando todos os obstáculos, vai se encaminhando e arrastando consigo tudo (ou todos!) que encontra pelo seu curso. De fato, o destino destas águas é o infinito “oceano” de Deus. Os santos dirigiram o curso de suas vidas para Deus, e de tão genuíno e autêntico que foi o seu testemunho e anúncio, levam consigo uma multidão de irmãos que, convencidos pela autenticidade do seu “ser cristão”, abraçam esse mesmo “estilo” de vida, vindo a entrar nesta corrente de amor e de fé cujo único destino é o encontro definitivo com Deus.

E assim foi com a Beata Elena Guerra, a nossa Pequena Mãe. Dizia de si mesma que sua aparência não tinha nada de particularmente agradável, mas era no seu interior que se encontrava o belo e fecundo jardim que Deus havia plantado. Sua vida foi o grande legado que deixou. A riqueza interior que descobriu dentro de si e que, com tanto amor e afinco, cultivou e fez amadurecer, foi a razão do seu anúncio e para o quê ela canalizou todas as suas forças, de forma que todos pudessem também descobrir.  Elena encontrou-se com o Espírito de Deus! Este era o seu valioso Tesouro, mas um Tesouro que logo descobriu que não podia ficar guardado, mas deveria ser conhecido por todos, adorado por todos, invocado por todos. E, então, Elena tornou esta a missão de sua vida. Dali em diante, tudo o que fizesse, tudo o que sofresse, tudo o que alcançasse seria por Ele, para Ele! Incansável, ousada, persistente! Uma mulher à frente do seu tempo! De “pequenos” escritos sobre o Espírito Santo a uma correspondência profética com o Papa Leão XIII! Não podia se conter, nem se conformar com a ingratidão de tamanho esquecimento do Espírito Santo que é a Alma da Igreja, o Senhor que dá a vida!

Escreveu, insistiu, persistiu... Dedicou a sua vida a tornar o Espírito mais conhecido, amado e invocado. De um Novo Pentecostes o mundo precisa, ela dizia. E, para isso, o mundo devia se tornar um Cenáculo permanente de oração, um Cenáculo Universal!

Neste 11 de abril não nos importa tanto recordar a morte de Elena Guerra, mas a sua vida. Recordar para nos inspirar novamente, para nos motivar a, ainda mais, dar continuidade ao apostolado que um dia, em um lugar distante daqui, Elena começou. Mas, como já foi dito, o testemunho verdadeiro transpassa o tempo e o espaço, e nós, filhos de Elena Guerra, sabemos bem disto! Descobrindo seus escritos, conhecendo a sua vida e obra, dela nos tornamos íntimos, por graça do mesmo Espírito que a inspirou e que, hoje, nos inspira e anima. A espiritualidade que Elena viveu continua sendo fonte de inspiração para tantos que a conhecem hoje. Continua sendo mestra, continua seu apostolado, agora com ainda mais força, pois habita, na morada eterna, no Coração de Deus.

Pelo Brasil e pelo mundo, são inúmeros os amigos que a Beata Elena Guerra já conquistou. Seja através de seus escritos, ou das Capelinhas do Espírito Santo, o fato é que Deus continua suscitando novos apóstolos do Espírito Santo em todos os lugares! E era este o desejo de Elena! Que o Cenáculo se alargasse, que cada um que se encontrasse com o Doce Espírito de Deus se tornasse uma centelha viva a espalhar pela Terra o Fogo do Divino Amor! Continuar seu apostolado, profetizar o Novo Pentecostes com a vida, com as obras, com o amor! Eis a missão que Deus também nos confiou! Não sejamos contemplativos de uma bonita espiritualidade, mas que a possamos viver com a mesma intensidade com que Elena Guerra a viveu, comprometendo-nos com a sua causa, tornando-a também a nossa! 

Mas, certamente, Elena Guerra não desejaria que as atenções se voltassem a ela mesma, por si mesma. A imagem que dela conhecemos deixa isto bem claro. Sua vida aponta para o Alto, aponta para o Espírito Santo. E, como é dito no livro de sua biografia, digo agora a todos os que conhecem a história de Elena, a todos que descobriram na sua espiritualidade o seu modo próprio de também se relacionarem com Deus, a todos que, através dela, se tornaram Amigos do Espírito Santo, como eu: “Tome esta chama, este Fogo; deixa que te invada e te leve a doá-Lo para todos, todos... Passa a Palavra, espalhe a Profecia do Novo Pentecostes, retorne ao Cenáculo! E logo será Primavera. Um Pentecostes sem fim!!!”

Padre Dudu



sexta-feira, 6 de maio de 2016

FALAR DO AMOR DE DEUS



O mundo ainda não existia, mas o Amor de Deus já era real. E, como não ver este Amor? É só perceber as suas múltiplas atuações no mundo, suas intervenções para que o ser humano fosse feliz. Desde a criação, passando pelos profetas e chegando até nós, o Amor de Deus manifestou-se escancaradamente na história do povo e na nossa história pessoal. Basta fazer uma retrospectiva para vermos este Amor manifestando-se e escancarando-se à nossa frente.

E o que me chama a atenção neste Amor é sua gratuidade. É de graça, sem cobranças, sem reticências, sem espera de retorno algum. Ele só ama porque é Amor! Somos eleitos para sermos amados; você é amado porque Ele escolheu você como destinatário de sua essência de Amor.

Outra maravilha é que o Amor de Deus não é destruído pela nossa infidelidade. Nada supera seu Amor incondicional; nada destrói seu bem querer por nós. Se pudéssemos descrever, diríamos que é um Amor Super, Hiper, Mega... É inexplicável, intransferível e insubstituível.

Mesmo que façamos o mal a nós mesmos e aos outros, Deus continua a nos amar. E, basta um coração sinceramente arrependido, contrito e humilde, e lá está Ele renovando seu Amor por nós, sem "mas", mas com "mais, e mais, e mais".

Não creio que a cegueira tome conta de nosso ser a ponto de não podermos ver seu Amor externado no alto do madeiro, da cruz, quando nos dá seu Filho Único como prova de Amor extremado e desnorteado, a nos provar, "por A mais B", que ama sua criatura com afinco e dedicação total. Somente para nos salvar de nós mesmos, de nossas falhas criadas e fabricadas pela nossa imperfeição da busca perfeita de nossos anseios desmedidos.

Ele só espera de nós uma resposta de vida que vence a morte de nossos devaneios e alucinações, de querermos ser deuses ou de brincarmos de sê-lo! Ele só quer nossa volta, tal qual o filho pródigo. E Ele vem ao nosso encontro de braços abertos para nos acolher e fazer uma festa de retorno, sem revidar nossas transgressões ao seu Amor. A Ele importa só nosso desejo de voltar. O resto Deus apaga sem deixar nódoas.

Ame este Amor, pois Ele amou e ama você do jeito que você é, pois o que você é foi Ele que fez!

Com um beijo de Jesus, pelos lábios de Maria, em seu coração!
 Pe. Delair Cuerva

sábado, 30 de abril de 2016

O que são dons Preternaturais?

Foram os dons preternaturais que perdemos após o pecado original:
1 – Imortalidade, pois a morte é fruto do pecado (Gen 2, 7; 3,3 s; Sab 2,14; Rom 5, 12; Rom 6,23). Isto significa que , antes do pecado, o homem não morreria dolorosa e violentamente como ocorre hoje; poderia morrer, mas a morte seria um sono suave, como a de Maria.
2 – Integridade, ou imunidade de concupiscência: os afetos, sentimentos e desejos não eram desordenados, mas submetidos docilmente à razão e à fé, sem conflitos interiores.
3 – Impassibilidade, ou a ausência de sofrimento, fruto do pecado (Gen 3,16)


4 -Ciência Moral infusa: que tornava o homem apto a assumir suas responsabilidades diante de Deus sem dificuldades.


O nosso Catecismo diz (§ 404s) que o homem, após a queda, não pôde mais transmitir aos descendentes o “estado de santidade” (participação perfeita na comunhão com Deus) e de ” justiça” (harmonia perfeita consigo, com a mulher, com a natureza e com Deus). Leia mais no Catecismo (§385 s).
cleofas.com


sábado, 23 de abril de 2016

O PERDÃO QUE CURA



"É Ele quem perdoa as tuas faltas e sara as tuas enfermidades" (Sl 102, 3).


Perdoar significa doar-se, dar o perdão por inteiro e de todo o coração. Perdoar é dar uma nova chance, uma oportunidade para quem caiu poder se levantar e recomeçar. O perdão que cura não é simplesmente fruto do desejo e da vontade, mas de uma decisão tomada de maneira livre e consciente por alguém que resolve colocar um fim no sofrimento causado pelas mágoas e ressentimentos guardados.

Perdoar e ser curado não é um ato mágico, mas um processo que exige paciência e perseverança. O perdão é um remédio eficaz que atinge a raiz da mágoa e da culpa que nos faz adoecer. Para que o remédio do perdão chegue até à raiz do problema é necessário mexer na ferida para se chegar à causa mais profunda da mágoa e da culpa e, assim, conseguir perdoar e ser perdoado de todo o coração.

Há pessoas que dizem: "eu não quero mais tocar nesse assunto; coloquei uma pedra sobre isso". Na verdade estão com medo de sofrer ao mexer na ferida. Preferem negar a enfrentar o problema.

Um dia, Pedro perguntou a Jesus: "Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele pecar contra mim?" (Mt 18, 21). A resposta do Mestre foi clara: "setenta vezes sete" (Mt 18, 22), que significa sempre e de todo coração! Mas, até quando? Até o coração ficar livre da mágoa e do ressentimento. Não se trata de esquecer, mas, sim, de lembrar sem sofrer. Quando for possível a reconciliação deve acompanhar o ato de dar ou receber o perdão, embora haja situações em que a reconciliação não seja mais possível. Por exemplo: uma amizade rompida, um casamento desfeito. Mas em qualquer circunstância o perdão é sempre necessário.

Por experiência, posso afirmar, sem dúvida, que nós sofremos muito mais pelas conseqüências das culpas, mágoas e ressentimentos guardados, do que pelas ofensas recebidas. Muitos prejuízos podem se recuperados, mas os danos provocados diretamente pela mágoa só podem ser curados através de muita oração e exercícios de perdão. O tratamento e a cura para a mágoa é dar o perdão, é perdoar. É com o perdão ensinado e testemunhado por Jesus que se deve perdoar: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem" (Lc 23, 34).

Graças a esse perdão conquistado por Jesus na cruz e no Calvário fomos curados, libertos e salvos. Para ser curado é necessário fazer o exercício e a oração do perdão pelo menos por 30 dias. Procure um lugar de silêncio e coloque-se na presença de Deus. Invoque o Espírito Santo... Imagine cada pessoa, viva ou falecida, que você precisa perdoar e reze com fé a oração a seguir, ou outra semelhante: "(o nome da pessoa) em nome de Jesus seja perdoado de todo o meu coração. Assim como eu fui perdoado pelo Senhor Jesus, eu te perdôo, porque você não sabia o que estava fazendo contra mim. Eu te declaro livre de toda culpa que possa estar no seu coração e que ainda faz você sofrer. Eu estou livre de toda mágoa e ressentimento que eu tinha contra você. Ofereço meu abraço de perdão e de reconciliação, e te desejo a paz de Jesus. Amém!"

Nós não somos apenas ofendidos, mas ofendemos também. Por isso, quando tomamos consciência dos prejuízos que causamos aos outros, por aquilo que falamos ou fizemos de mal, é necessário pedir e receber o perdão, para sermos curados da culpa, da acusação e da condenação que pesam sobre nós. E, para nos sentirmos perdoados não basta apenas um simples pedido de perdão. Muitas vezes é necessário fazer a reparação do mal causado. Há muitos exemplos de reparação na Bíblia: Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos, se arrependeu, pediu perdão e foi perdoado. Mas, para tomar posse da cura que vem do perdão, decidiu fazer reparação: "Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo" (Lc 19, 8).
asj.org.br






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Qual é a diferença entre venerar e adorar?



Entender a diferença entre venerar e adorar é de suma importância para o nosso crescimento como cristãos


Adorar e venerar são duas formas de culto presentes na vida da Igreja. Embora elas sejam diferentes, muitos católicos fazem uma grande confusão entre as duas.

Adoração é o culto que prestamos exclusivamente a Deus


“Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso. ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’ (Lc 4, 8) – diz Jesus, citando o Deuteronômio (Dt 6, 13)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2096). A adoração é chamada de “culto de latria” (do grego latreou, que significa “adorar”). “Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o ‘nada da criatura’” (idem, n. 2097).

Venerar é o culto prestado aos santos e às imagens e relíquias que os representam


Venerar significa honrar; é chamado de “culto de dulia” (do grego douleuo). Também recebe o culto de dulia a Palavra de Deus, ou melhor, os sinais da Palavra de Deus, especialmente a Sagrada Escritura, o evangeliário e o lecionário (esses últimos livros litúrgicos possuem partes da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras). Existe também o “culto de hiperdulia”, que é prestado a Nossa Senhora.

A veneração, por sua vez, tem sentido quando se refere a honrar uma pessoa ou um objeto que nos remete a Deus. Claro, fora do âmbito religioso existe a prática de venerar e honrar pessoas, lugares, entre outros. Porém, a veneração, enquanto culto cristão, não tem outro sentido senão valorizar algo, um sinal que nos remete a Deus e Seu chamado de conversão a nós.

A veneração é um culto, muitas vezes, incompreendido pelos protestantes e evangélicos; e muitas vezes, a falta de conhecimento e formação de alguns fiéis católicos em nada ajuda esses nossos irmãos nesse sentido. Contudo, muitas vezes, mesmo sem o saber, eles também veneram sinais que os remetem a Deus, e nisso fazem confusão maior ainda.

Confusão de culto


Apegados à Antiga Aliança, os protestantes veneram os sinais próprios dessa fase da Revelação, como a Arca da Aliança, a menorah (candelabro de 7 velas), o Templo de Jerusalém, as pedras da Lei, entre outros. Essa contradição só não é mais evidente porque os grandes sinais da Antiga Aliança desapareceram. Mas a grande confusão de culto deles se dá em relação à Bíblia.

A Palavra de Deus a qual adoramos é Jesus, o Verbo Encarnado, Palavra eterna do Pai, Pessoa viva da Santíssima Trindade. A Sagrada Escritura é expressão inspirada e infalível dessa mesma Palavra, mas, mesmo sendo assim, não deixa de ser um livro. Que o leitor preste atenção nesta sutil, mas importantíssima diferença: a Bíblia é Palavra de Deus, mas a Palavra de Deus não é a Bíblia, a Palavra de Deus é Cristo. A Bíblia e seus conteúdos escritos – todos escritos em contextos históricos específicos, culturais, geográficos, sociais, entre outros – devem ser honrados por nós, venerados pelos cristãos.

Confusão em relação aos santos e imagens


A Palavra de Deus não pode se restringir a um livro, por mais sagrado que este seja. Essa confusão leva os protestantes a ter uma relação de adoração à Bíblia, o que os faz desprezar as outras fontes de Revelação que Deus deixou para a Sua Igreja. Essa confusão é muito mais nociva à fé do que a confusão feita pelos fiéis católicos com relação aos santos e suas imagens. Isso porque os protestantes o fazem por uma questão de conceito, enquanto os fiéis católicos que fazem essa confusão, fazem-na por ignorância.

Fica evidente a importância de compreender a relação que devemos ter com as coisas santas. Devemos cultuá-las, porém, da maneira correta. Que os erros não nos desanimem de prestar o devido culto a esses tesouros que Deus deixa no meio dos homens, para que, olhando para eles e os venerando, possamos encontrar a face d’Aquele que é o Único a quem nós adoramos.

 André Botelho


sábado, 9 de abril de 2016

Deus nos ama e quer nos resgatar por amor



Não importam nossos pecados, Deus nos ama e quer nos salvar!




A Palavra meditada está em I Pedro 1,13-21:“Por isso, aprontai a vossa mente, sede sóbrios e colocai toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida no dia da revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não moldeis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo de vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está escrito: “Sereis santos porque eu sou santo”. Se invocais como Pai aquele que, sem discriminação, julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei no temor o tempo de vossa permanência como migrantes. Tende consciência de que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro sem defeito e sem mancha. Conhecido de antemão antes da criação do mundo, ele foi, neste final dos tempos, manifestado em favor de vós. Por ele, tendes fé no Deus que o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, vossa fé e vossa esperança estão em Deus.”
Coloquemos nossa esperança no Senhor! Não tenhamos uma espera passiva, mas nos coloquemos junto do Pai.
Nossa humanidade nos leva a esquecer todo mal que o pecado nos causou, por isso, muitas vezes, cometemos os mesmos erros que nos feriram. Nosso futuro está em nossas mãos, porém insistimos em viver no passado. Deus, no entanto, não nos criou para sermos escravos do pecado.

Despertemos para uma vida no Senhor

Uma pessoa que deposita em Deus sua fé orienta-se pelas Sagradas Escrituras. O bem que recebemos do Senhor e dos nossos irmãos temos de devolvê-lo às pessoas. Façamos sempre o bem e estejamos sempre prontos para receber as graças de Deus.
Não nos embriaguemos com pensamentos e sentimentos que não vem de Deus. Renunciemos a tudo o que nos tira da presença do Pai. Coloquemos toda nossa esperança na graça de Deus. É tempo de despertarmos e permitirmos que o Senhor nos cure dos nossos pecados, pois o pecado corrói nossa alma.
Quando nosso coração está desconfiado, perdemos a paz e nos deixamos ser orientados pelo pecado, o qual levanta um muro entre o homem e Deus. Quando permitimos que a tristeza adentre nosso coração, é sinal de que estamos distantes do Senhor e ficamos propensos a uma vida de pecado.
Deus nos chama a despertar, a estarmos sóbrios. Façamos nossa parte e não O impeçamos de realizar Seu querer em nossa vida. Quando fazemos tudo que está a nosso alcance e deixamos que a vontade do Pai se realize em nós, experimentamos milagres.
A graça de Deus se move de acordo com o que necessitamos. O Senhor não vê alegria em nosso sofrimento. O Pai nos amou tanto, que foi capaz de enviar Seu Filho para nos salvar e não nos condenar.

O Senhor nos dá a salvação

O Senhor quer entrar na nossa vida não para nos condenar, mas sim para nos salvar. Ele vem ao nosso encontro, toca-nos e traz-nos novamente para Seu caminho. Jesus é o único que pode nos salvar e nos dar forças para vencermos nossos pecados. Ele quer nos fazer feliz!
Há momentos em nossa história que nos sentimos abandonados. Nessa hora, Jesus nos pede que confiemos ainda mais em Seu amor e coloquemos n’Ele a nossa esperança. É preciso crer para que sejamos salvos.
Jesus pode e quer curar os danos que o pecado causou em nós. Resistamos ao mal e sigamos Cristo. Quem vive longe de Deus é esmagado pelo diabo. Sejamos homens e mulheres livres. Peçamos ao Senhor que retire de nós o coração de pedra, o coração frio, e coloque em nós um coração de carne.
O pecado nos rouba a sensibilidade e nos cega a ponto de não percebermos o amor de Deus e das pessoas. A nossa esperança está depositada na graça do Senhor. Abramos nosso coração para que Ele nos transforme.
Márcio Mendes
Missionário da Comunidade Canção Nova

domingo, 3 de abril de 2016

Autoridade vaticana põe um fim no debate sobre divorciados: não podemos negociar ensinamentos de Cristo



Segundo o site ACI Digital, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, colocou um fim no debate sobre a situação dos divorciados em nova união dentro da Igreja e a possibilidade de que comunguem a partir de uma proposta dos bispos alemães durante o Sínodo da Família.

Em uma entrevista concedida esta semana ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger, de Colônia, a autoridade vaticana descartou que a Igreja possa reinterpretar os ensinamentos de Cristo sobre o matrimônio.

O Cardeal também negou que haja uma “batalha” dentro do Vaticano acerca deste tema e explicou que o Cardeal Walter Kasper – que promove há vários anos a comunhão para divorciados em nova união – já se retratou por ter usado uma metáfora que sugeria tal enfrentamento.

“Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo. E este ensinamento é, depois de tudo: o que Deus uniu, o homem não separa. Não pode haver nenhum compromisso nisto”, sublinhou o Cardeal Müller e logo esclareceu que não podemos “como seres humanos converter a clara palavra de Deus em algo vago. Uma sólida aproximação pastoral é o contrário da relativização das palavras de Cristo”.

A autoridade vaticana reiterou que para o Papa Francisco a situação dos divorciados em nova união na Igreja não se limita a comunhão, mas pede sua integração na vida eclesiástica, “cujo último passo pode constituir a comunhão, depois de um processo de conversão e arrependimento se cumprirem com pré-requisitos geralmente válidos”.

“Não é possível um segundo matrimônio ou um segundo esposo, enquanto viva o anterior, segundo a interpretação católica das palavras de Jesus”, indicou o Cardeal Müller e adicionou que “a Igreja não é capaz de dissolver ou suspender um matrimônio válido e verdadeiramente sacramental”.

Neste sentido, precisou que “o Papa e todos nós queremos evitar cuidadosamente que as pessoas se afastem da Igreja como comunidade de salvação. Existem outras formas – teologicamente válidas e legítimas – de participar da vida da Igreja. A comunhão com Deus e com a Igreja não está só constituída pela recepção oral da Eucaristia”.

O Prefeito foi questionado especificamente a respeito da proposta que os bispos alemães, liderados pelo Presidente do Episcopado, Cardeal Reinhard Marx, apresentaram no Sínodo da Família a fim de permitir que os divorciados em nova união comunguem “olhando cada caso” e segundo sua consciência.

O Cardeal Müller explicou que isto seria possível somente “quando os esposos – como o Papa João Pablo II recordou o permanentemente válido ensinamento da Igreja sobre o matrimônio em sua Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981) — vivem juntos como irmão e irmã”.

O entrevistador recordou à autoridade vaticana que o Cardeal Marx considera irreal esperar que os casais convivam em abstinência sexual. E o Cardeal Müller recordou que “isso foi o que também pensaram os apóstolos quando Jesus lhes explicou a indissolubilidade do matrimônio (Mt 19, 10). Mas, o que parece impossível para os seres humanos é possível pela graça de Deus”.






sexta-feira, 25 de março de 2016

Liturgia da Palavra: O Tríduo Sagrado da Páscoa

 
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração



O TRÍDUO SAGRADO DA PÁSCOA: JESUS MORTO, SEPULTADO, RESSUSCITADO
Um olhar de conjunto
“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!… Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 33.36).
A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel – aliança que vai além da sua infidelidade – e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.
O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).
Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).
As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres “partícipes da vida do Ressuscitado”, partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).
As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).
O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. “Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4).
Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.
Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).
Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.          
A Quinta-feira santa: “Jesus… tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”
A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã – especialmente durante a grande vigília pascal – e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.
A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que “todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.
A Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor           
No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12;  Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama como revelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.
Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o “eixo do mundo”, diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.
O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.
O grito sofrido e confiante de Jesus, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois “por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título”, e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).
O perdão invocado sobre os algozes: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Sal 31,6 – Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: “Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam” (Mt 27,50 -51).
A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.
Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme “Homens e Deuses” (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.
Na sua fé a Igreja contempla o mistério da cruz na sua integridade, deixando-se guiar pela visão teológica da Paixão escrita por João. Ela faz da cruz o “evento de salvação”, da elevação violenta de Jesus na cruz a sua glorificação, e do “crucificado” o “Senhor” que dá a vida, derramando o Espírito criador (cf. Jo 19,30). A arte da Igreja, até o séc. 13, teve a ousadia de representar Jesus crucificado, como o Vivente, o Rei vitorioso e o Sacerdote do Pai. Do seu lado transpassado nasce o admirável sacramento da Igreja (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 5).
A religiosidade popular do Brasil, herdeira da religiosidade popular de Portugal colonial, tem ainda dificuldade de integrar a cruz na ressurreição. Deixando-se guiar pela liturgia, existe bastante espaço para valorizar a sensibilidade do povo brasileiro para o Cristo sofredor, tão próximo à sua história e, ao mesmo tempo, reconstruir a integridade da boa nova libertadora de Jesus e do seu mistério pascal.
Sábado Santo: dia do silêncio de Deus e dos homens
O Sábado santo é o dia do grande silêncio. Só a Liturgia das Horas acompanha as etapas do dia.
Um dia vazio ou, ao invés, um dia de silêncio contemplativo e fecundo, de espera e de esperança, suscitada pela gestação silenciosa da nova criatura no seio da terra e do coração de Deus?
“Que está acontecendo hoje?”, se pergunta o autor de uma antiga homilia sobre o sábado santo (séc. IV). “Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos.” (LH, IV, Sábado santo).
O Sábado santo testemunha que Deus continua descendo até as entranhas mais obscuras e ambíguas da alma humana, e nas experiências mais marginalizadas, para recuperá-las e trazê-las à vida. Nada e ninguém é abandonado a si mesmo. Aprender a conviver com a “fraqueza” de Deus, com os silêncios de Deus, com os tempos e os diferentes ritmos de Deus, dos seus projetos, com a pedagogia com a qual ele nos dirige e acompanha com amor fiel embora às vezes incompreensível. Eis a lição do Sábado santo. O Sábado santo não é somente o segundo dia do tríduo: é uma dimensão constitutiva da  identidade cristã e de  todo caminho espiritual cristão.
Para perceber e acolher a voz silenciosa que sobe da escuridão, é preciso o silêncio interior que abre à escuta e à uma visão mais aguda.
A grande Vigília da noite  e o domingo de Páscoa
A grande vigília da noite, junto com o dia de Páscoa, constitui o cume do Tríduo sagrado e do caminho quaresmal.
São a noite e o dia destinados por sua natureza a iniciar/introduzir os catecúmenos à fundamental relação pessoal com Cristo através dos sacramentos da iniciação cristã. Com as palavras dos profetas Oséias e Isaías (4a Leitura: Is 54,5-14), a liturgia chama esta vigília de “noite das núpcias” de Cristo com a Igreja. Ele a torna mãe fecunda, capaz de gerar novos filhos ao Senhor nas águas maternais do batismo. Santo Ambrósio, nas suas catequeses mistagógicas sobre a iniciação cristã, descreve o encontro pessoal do neo-batizado com Cristo na eucaristia como o encontro apaixonado do amado com a amada do Cântico dos Cânticos! [1]
É a noite-dia em que também os “fieis” são chamados a renovar seu compromisso batismal (renovação das promessas batismais), pois o batismo é a fonte que alimenta toda experiência espiritual cristã.
A vigília se articula em quatro etapas que bem representam o caminho da iniciação e o do progresso espiritual ao longo da vida: liturgia da luz – liturgia da palavra – liturgia batismal – liturgia eucarística.
Quatro linguagens rituais para celebrar o único mistério de Cristo morto e ressuscitado, Elas destacam a passagem do batizado de uma existência nas trevas e na morte do pecado para uma vida nova em Cristo, para viver como ressuscitados.
– Liturgia da luz: Uma luz nasce de repente no coração da noite. Do círio pascal, símbolo de Cristo, recebem luz as velas de toda a assembléia que se põe a caminho. A reação frente a tamanho dom de Deus é o grito de alegria do “Exultet”, quase contraponto ao grito sofrido da Sexta-feira santa e ao silêncio adorante do sábado.
– Liturgia da Palavra: As sete leituras do AT e as duas do NT constituem a profunda contemplação das etapas de toda a história da salvação, desde a criação do mundo, através da história de Israel no AT, até à ressurreição de Jesus, e à proclamação que os batizados participam por graça à ela, iniciando o caminho do novo povo de Deus (Rm 6,3-11). A vida espiritual do cristão é continuidade e realização da mesma e única história da salvação, na espera do seu cumprimento com a vinda gloriosa de Cristo.
– Liturgia batismal: Constitui a passagem forte da vigília pascal. É a meta da longa preparação quaresmal para os catecúmenos, assim como para os já batizados.
O processo de preparação – como vimos, ao seguir a estrutura dos domingos da quaresma – destacou os variados horizontes e exigências para entrar na experiência sacramental e de relação pessoal com Cristo, e fazer desta relação a fonte e o critério de uma nova existência.
A renovação das promessas do batismo por parte de toda a assembléia abre estes horizontes, destaca estas exigências, confirma esta graça.
– Liturgia eucarística. Partilhar o corpo e o sangue do Senhor à mesa do altar é o dom supremo que os neo-batizados e os renovados na graça do batismo vão receber do próprio Cristo ressuscitado. Eles são introduzidos no mesmo dinamismo do Senhor. “Quando vai receber o corpo de Cristo nas mãos – sublinha Santo Agostinho aos recém-batizados – e ouvis o sacerdote dizer “É o corpo de Cristo”, tu respondes “Amém”. Tu recebes o corpo de Cristo, que sois vós”.
A nova existência alimentada pelo Espírito do Ressuscitado é vivificada por um novo dinamismo que produz os frutos do Espírito: alegria, paz, confiança filial, solidariedade fraterna.
O canto do Aleluia constitui o emblema da Páscoa e da vida nova em Cristo. Brota da alegria da fé, se irradia através da vida renovada, antecipa a plenitude da esperança: “A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada… É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia! Louvai o Senhor!… Mas louvai com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, a vossa vida, as vossas ações. (S. Agostinho, Com. Salmos, 148 1-2; 5a Semana do Tempo Pascal,  Sábado  LH II,  pg 779).    
“Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova” (Domingo de Páscoa, Oração do dia). 


sábado, 19 de março de 2016

Que o Espírito Santo seja mais conhecido e mais honrado


“Quem, ó Santo Padre, pode fazer com que o Espírito Santo seja mais conhecido e mais honrado, senão o Vigário de Jesus sobre a terra (...). Portanto, Santo Padre, somente o senhor, pode fazer com que os cristãos retornem ao Espírito Santo, para que o Espírito Santo retorne a nós, abata o domínio do demônio e nos conceda a desejada renovação da face da terra”. É com essa ousadia de profeta que Elena Guerra se dirige ao Santo Padre Papa Leão XIII e inicia o grande marco, dos últimos séculos, da graça de Pentecostes sobre a face da terra.
Convencida pelo próprio Espírito Santo, a Beata Elena escreve cartas ao Papa Leão XIII, a fim de difundir na Igreja uma maior atenção ao culto e devoção a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Expressões inspiradas por Deus no coração da freira Italiana, essas cartas foram recebidas pelo Papa, que instaurou um novo tempo para a Igreja, um benefício para todo o mundo, especialmente para, o movimento que nasceria muitos anos depois, a Renovação Carismática Católica. O pedido da beata, levou o Papa a consagrar o século XX ao Espírito Santo.
Cheia de profetismo, as cartas da apóstola do Espírito Santo, depois de mais de um século em que foram escritas, chegam até os dias atuais. E mesmo tantos anos mais tarde, esses escritos convidam cristãos, de todo o mundo para um retorno ao Cenáculo.
O livro “Escritos de Fogo” reúne as correspondências entre a Beata e o Papa Leão XIII. Em 13 cartas, esse livro traz um apelo a fim de tornar o Espírito Santo mais conhecido e amado, documentando a nova abertura da Igreja para a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Esse livro, é uma parte que, indiretamente,  documenta a história da Renovação Carismática com esse conteúdo profético que faz parte da raiz desse Movimento.
Tenha em suas mãos esse material que desperta o desejo pela vida no Espírito Santo e de uma constante efusão de Pentecostes. Nele, você encontra  a possibilidade de conhecer, um pouco mais, o apelo de Deus ao coração da Beata Elena Guerra, suas inspirações e essa parte da história da nossa Igreja.
Adquira o livro Escritos de Fogo - a correspondência profética entre a Beata Elena Guerra e o Papa Leão XIII sobre o Espírito Santo do Pe. Eduardo Braga (Pe. Dudu). Faça seu pedido acessando a loja virtual da Editora RCCBRASIL, ou pelo e-mail rccshop@rccbrasil.org.br. 

sábado, 12 de março de 2016

Aparições Marianas

Confira a lista das principais aparições reconhecidas pelo catolicismo e confie na prudência da Santa Igreja Católica

É inegável que a devoção à Virgem Maria esteja estendida pelo mundo inteiro. Assim o revelam suas inumeráveis invocações e também os abundantes testemunhos sobre sua mediação a favor daqueles que a invocam com grande fervor. É tal o impacto que por séculos tem gerado a Mãe de Deus na Fé dos crentes, que inclusive recentemente a revista norte-americana National Geographic destacou a figura da Santíssima Virgem Maria como “a mulher mais poderosa do Mundo”.
Dentro deste fenômeno mariano, o que mais chama a atenção são suas aparições: mais de 2 mil registradas em todo o mundo, segundo o website ‘The Miracle Hunter’ (www.miraclehunter.com), que reúne os relatos, histórias, testemunhos e frequência de milagres, entre eles as aparições marianas, que se registraram ao longo dos séculos, tudo baseado nas investigações de Michael O’Neill.
De acordo com o website, a primeira aparição da Virgem da qual se tem dados, é a de Nossa Senhora do Pilar de Zaragoza, na Espanha, que apareceu ao Apóstolo Santiago o Maior às margens do rio Ebro no ano 40 depois de Cristo. De acordo com a tradição, esta aparição tem um selo particular diante das demais, já que a Mãe de Deus se apresentou em “carne mortal” ao apóstolo padroeiro da Espanha.
O certo é que diante destes acontecimentos a Igreja Católica sempre foi muito prudente e de todas as aparições marianas, o Vaticano somente reconheceu 16 e 28 contam com a aprovação dos Bispos locais.
Prudência que está muito bem explicada no Catecismo da Igreja Católica, onde se expõem: “Ao longo dos séculos houve revelações chamadas ‘privadas’, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Estas, no entanto, não pertencem ao depósito da Fé. Sua função não é a de ‘melhorar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas a de ajudar a vivê-la mais plenamente em uma certa época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis (sensus fidelium) sabe discernir e acolher o que nestas revelações constitui uma chamada autêntica de Cristo ou de seus Santos à Igreja”.
 Tal como se expõem no website ‘The Miracle Hunter’, durante o Concílio de Trento (1545-1563) se estabeleceu que o Bispo local é a primeira e principal autoridade para julgar a autenticidade de uma aparição mariana; quer dizer, se reconhece que sua mensagem não é contrária à Fé já a moral, e a Virgem Maria pode ser venerada de uma maneira especial. Aqui a aprovação do Vaticano não é necessária para assinalar que a aparição é autêntica, mas, depois de uma aprovação episcopal, este pode realizar uma declaração oficial, ou, após um tempo, efetuar uma visita papal coroando a imagem ou presenteando com uma rosa de ouro.
Entre as aparições marianas que contam com reconhecimento da Santa Sé, se encontram a da Virgem de Guadalupe, no México (fato ocorrido em 1531); a de Nossa Senhora de Siluva, na Lituânia (1608); a Virgem da Medalha Milagrosa na França (1830); Nossa Senhora de Sión em Roma, Itália (1842); a Virgem de La Salette (1846) e Lourdes (1858) na França; Nossa Senhora de Gietzwald na Polônia (1877); a Virgem de Fátima, Portugal (1917), e a Mãe do Mundo de Kibeho, Rwanda (1981), para mencionar algumas.
Sobre Medjugorje, na Bosnia e Herzegovina, a Igreja se mantêm prudente seguindo o parecer dos Bispos da Iugoslávia (país que se dividiu após as guerras), que em 1991 assinalaram que “não é possível estabelecer que houve aparições ou revelações sobrenaturais”. Para este sucesso em 2010 foi constituída a partir do Vaticano uma comissão internacional, sob a autoridade da Congregação da Doutrina da Fé, que tem a cargo determinar a sobrenaturalidade ou não do fenômeno.
Fonte: http://pt.aleteia.org/2016/01/18/de-mais-de-2-mil-aparicoes-marianas-registradas-so-16-foram-reconhecidas-pelo-vaticano/