Apresentamos a homilia do Santo Padre Francisco na Missa da Solenidade da Epifania do Senhor na Basílica Vaticana, celebrada quarta-feira, 6 de janeiro de 2016.
As palavras do profeta Isaías, dirigidas à cidade santa de Jerusalém, convidam-nos a sair – a sair dos nossos fechamentos, a sair de nós mesmos – para reconhecermos a luz esplendorosa que ilumina a nossa existência: «Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti!» (60, 1). A «tua luz» é a glória do Senhor. A Igreja não pode iludir-se de brilhar com luz própria. Lembra-o Santo Ambrósio com uma bela expressão em que usa a lua como metáfora da Igreja: «Verdadeiramente como a lua é a Igreja (…) brilha, não com luz própria, mas com a de Cristo. Recebe o seu próprio esplendor do Sol de Justiça, podendo assim dizer: “Já não sou eu que vivo, é Cristo vive em mim”» (Exameron, IV, 8, 32). Cristo é a luz verdadeira, que ilumina; e a Igreja, na medida em que permanece ancorada n’Ele, na medida em que se deixa iluminar por Ele, consegue iluminar a vida das pessoas e dos povos. Por isso, os Santos Padres reconheciam, na Igreja, o «mysterium lunae».
Temos necessidade desta luz, que vem do Alto, para corresponder coerentemente à vocação que recebemos. Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer de entre muitas, nem é uma profissão. Para a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo; para a Igreja, ser missionária equivale a exprimir a sua própria natureza: ser iluminada por Deus e refletir a sua luz. Esse é o seu serviço. Não há outra estrada. A missão é a sua vocação, refletir a luz de Cristo é o seu serviço. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo, precisam de conhecer o rosto do Pai!
Os Magos, de que nos fala o Evangelho de Mateus, são um testemunho vivo de como estão presentes por todo lado as sementes da verdade, pois são dom do Criador que, a todos, chama a reconhecê-Lo como Pai bom e fiel. Os Magos representam as pessoas, dos quatro cantos da terra, que são acolhidas na casa de Deus. Na presença de Jesus, já não há qualquer divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino, toda a humanidade encontra a sua unidade. E a Igreja tem o dever de reconhecer e fazer surgir, de forma cada vez mais clara, o desejo de Deus que cada um traz dentro de si. Esse é o serviço da Igreja, a luz que reflete, fazer emergir o desejo de Deus que cada um traz consigo. Como os Magos, ainda hoje, há muitas pessoas que vivem com o «coração inquieto», continuando a questionar-se sem encontrar respostas certas. A inquietude do Espírito Santo que move o coração. Também elas andam à procura da estrela que indica a estrada para Belém.
Quantas estrelas existem no céu! E todavia os Magos seguiram uma diferente, uma nova, que – segundo eles – brilhava muito mais. Longamente perscrutaram o grande livro do céu para encontrar uma resposta às suas questões, tinham o coração inquieto, e finalmente, a luz aparecera. Aquela estrela mudou-os. Fez-lhes esquecer as ocupações diárias e puseram-se imediatamente a caminho. Deram ouvidos a uma voz que, no íntimo, os impelia a seguir aquela luz; a voz do Espírito Santo que trabalha em todas as pessoas e esta guiou-os até encontrarem o rei dos judeus numa pobre casa de Belém.
Tudo isto é uma lição para nós. Hoje far-nos-á bem repetir a pergunta dos Magos: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo» (Mt 2, 2). Somos chamados, sobretudo num tempo como o nosso, a procurar os sinais que Deus oferece, cientes de que se requer o nosso esforço para os decifrar e, assim, compreender a vontade divina. Somos desafiados a ir a Belém encontrar o Menino e sua Mãe. Sigamos a luz que Deus nos oferece! A luz que irradia do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade. E, quando chegarmos junto d’Ele, adoremo-Lo com todo o coração e ofereçamos-Lhe de presente a nossa liberdade, a nossa inteligência, o nosso amor. Reconheçamos que a verdadeira sabedoria se esconde no rosto deste Menino. É aqui, na simplicidade de Belém, que a vida da Igreja encontra a sua síntese. Aqui está a fonte daquela luz que atrai a si toda a pessoa e orienta o caminho dos povos pela senda da paz.
Fonte: Zenit
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
A Marca Indelével do Batismo
Sabemos que ao ser batizados
todos recebemos uma marca. Marca invisível e indelével (irremovível). Esta
marca significa sinal de pertença ao Senhor ao qual somos consagrados no
momento da imersão ou da aspersão da água sobre o batizando. Na unção do
batizando com o óleo do crisma sobre o
peito e fronte, passamos a ser pertença de Deus, pois aí passamos a ser templo
e morada do Espírito Santo; no batismo propriamente dito, com a água que é a
matéria, sem a qual não pode haver o sacramento, o rito se completa e a partir
daí, lavados pela água da mácula do pecado original e sendo infuso em nós o
Espírito Santo, a marca indelével do Batismo nos é imposta.
No mundo insano em que estamos –
estamos, mas a ele não pertencemos – muitos estão marcados e marcados como gado
que vai ao matadouro. Marcados pelo pecado, pela impureza, pelo ateísmo
anticristão; como gado a caminho do matadouro, pois sabemos que o pecado leva a
morte, não morte física – pois essa é inevitável para todos – e sim morte no
sentido transcendental, pois que é o afastamento definitivo de Deus.
Entretanto, graças a benevolência de nosso grande Deus a marca do mundo não é
perene, pode ser retirada; retirada no perdão concedido no sacramento da
reconciliação, após arrependimento sincero e confissão dos pecados.
O Batismo católico não é um
sacramento penitencial, como o batismo conferido por João Batista; é antes de
tudo, sacramento de iniciação, inspirado no batismo recebido por Jesus, o qual
a partir daí dá inicio a sua Missão Salvífica. O nascimento de um homem, uma
mulher, ocorre no parto do bebê, mas o nascimento do cristão se dá no ato do
batismo. A partir do Batismo Sacramental, como foi dito no inicio do texto,
passamos a pertencer a Deus, na pessoa de Cristo. O Batismo nos confere a
dignidade de filhos adotivos de Deus na Santíssima Trindade, já que somos
batizados em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Pertencemos ao Pai em
nome de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo. E isso é irrevogável!
A marca do mundo pode ser
apagada, mas o sinal de Deus em nós, jamais. Por isso não importa o que viermos
a ser, uma vez batizados, sempre batizados e isso acontece apenas numa única
vez. Todos nós batizados somos filhos
do mesmo Pai Eterno, portanto irmãos. E assim, como irmãos devemos conviver;
fraternalmente, amando da mesma forma como o Senhor nos ama. Amar o Senhor de
todo o coração, e amar ao próximo como a si mesmo é o dever de todo cristão, de
todo batizado. Façamos jus ao sinal de Cristo em nós.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Dez pedidos que devemos fazer a Deus em nossas orações
1 – Que desde a manhã possamos sentir o Seu
amor, para que a Sua alegria seja a nossa força durante todo o dia.
2 – Que Deus expulse de nosso coração as trevas
do pecado e faça-nos alcançar a verdadeira Luz que é Jesus Cristo.
3 – Que Deus nos dê a compreensão dos nossos
deveres e a força de cumpri-los.
4 – Que Deus faça de nossa vida um continuo
sacrifício de louvor.
5 – Que possamos guardar sempre os Seus
Mandamentos para que, pela força do Espírito Santo, Ele permaneça sempre em nós
e nós Nele.
6 – Que Deus nos dê a Sua sabedoria eterna, para
que ela sempre acompanhe o dirija os nossos desejos, pensamentos e trabalhos.
7 – Que Deus não permita que no dia de hoje
sejamos motivo de tristeza para os que convivem conosco, mas causa de alegria
para todos.
8 – Que Deus ilumine as profundezas de nosso
coração para que não se prenda em desejos tenebrosos.
9 – Que agrade a Deus o cantar dos nossos lábios
e a voz da nossa alma, e que ela chegue até Ele.
10 – Que sobre nós venha a Sua graça da mesma
forma que Nele nós esperamos com fé e alegria.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
A responsabilidade dos pregadores
Ninguém prega em seu próprio nome, mas é enviado pela
Igreja; então, o pregador precisa ser fiel à Igreja que representa.
Em suas homilias sobre os Evangelhos, São Gregório Magno
(540-604), papa e doutor da Igreja, nos deixa uma profunda reflexão sobre a
missão de todo pregador da Palavra de Deus. (Hom. 17,3.14: PL
76,1139-1140.1146).
Ele começa lembrando as palavras do Senhor: “A messe é
grande, mas poucos os operários. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que envie
operários a seu campo. São poucos os operários para a grande messe” (Mt
9,37-38).
Sem meias palavras ele critica os maus sacerdotes do seu
tempo: “Não podemos deixar de dizer isto com imensa tristeza, porque, embora
haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga. Eis que o mundo está
cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um
operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática…
Que a língua não se entorpeça diante da exortação, para que, tendo recebido a
condição de pregadores, nosso silêncio também não nos imobilize diante do justo
juiz. Com frequência, por maldade sua, a língua dos pregadores se vê impedida.
Por sua vez, por culpa dos súditos, muitas vezes acontece que seus chefes os
privem da palavra da pregação. Por maldade sua, com efeito, a língua dos
pregadores se vê impedida… Por sua vez, por culpa dos súditos, cala-se a voz
dos pregadores”.
Neste tempo de relativismo moral, em que nem sempre os
pregadores obedecem aos ensinamentos do Magistério da Igreja, muito bem
definidos no Catecismo da Igreja, preferindo às vezes ensinar os “seus”
conceitos, São Gregório diz:
“Porque se o silêncio do pastor às vezes o prejudica, sempre
causa dano ao povo, isto é absolutamente certo. Há ainda outra coisa, irmãos
caríssimos, que muito me aflige na vida dos pastores… Um cargo nos foi dado
pela consagração e, na prática, damos prova de outro. Abandonamos o ministério
da pregação e, reconheço-o para pesar nosso… Aqueles que nos foram confiados
abandonam a Deus e nos calamos. Jazem em suas más ações e não lhes estendemos a
mão da advertência. Quando, porém, conseguiremos corrigir a vida de outrem, se
descuramos a nossa? Preocupados com questões terrenas, tornamo-nos tanto mais
insensíveis interiormente quanto mais parecemos aplicados às coisas
exteriores.”
Estas
exortações não são apenas para os padres e bispos, porque hoje há muitos
pregadores leigos, e todos nós precisamos pensar nisso. A Igreja, desde o
Concílio Vaticano II, confiando nos leigos abriu-lhes as portas da
evangelização. Mas isso tem uma consequência séria; é preciso que nós leigos
estejamos preparados para pregar ao povo segundo aquilo que nos ensina a
Igreja, e não aquilo que escolhemos pregar. Só a Igreja recebeu de Cristo o
carisma de ensinar sem erro e de participar de sua infalibilidade. Diz o
Catecismo da Igreja que:
“Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos
Apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação em sua própria
infalibilidade, ele que é a Verdade ” (n.889).
De modo especial, os Catequistas, que exercem uma missão tão
importante na Igreja, precisam conhecer muito bem o que ela nos ensina, tudo
que recebeu do Espírito Santo, desde Cristo até hoje.
Cristo continua a chamar os pregadores “de todas as horas”: “Ao
sair pelas nove horas da manhã, viu outros, que estavam ociosos, e disse-lhes:
Ide vós também para a minha vinha” (Mt 20, 3-4).
Na exortação “Catechesi Tradendae”, São João Paulo II disse
que: “A catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas
primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para o Pai, deu aos
Apóstolos uma última ordem: fazer discípulos de todas as nações e ensinar-lhes
a observar tudo aquilo que lhes tinha mandado (cf. Mt 28,19).
Disse o Papa: “Todos os catequistas deveriam poder aplicar a
si próprios a misteriosa palavra de Jesus: “A minha doutrina não é minha mas
d’Aquele que me enviou” (Jo. 7,16). Está enunciado nesta passagem um tema
frequente no quarto Evangelho: (cf. Jo. 3,34; 8,28; 12,49 s.; 14,24; 17,8.14.
13). É isso que faz São Paulo, ao tratar de um assunto de grande importância:
“Eu aprendi do Senhor isto, que por minha vez vos transmiti” (1 Cor 11,23). A
Igreja também nos adverte na Apostolicam Actuositatem: “Grassando em nossa
época gravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, este
Concílio [Vat II] exorta de coração todos os leigos que assumam mais
conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios cristãos”.
(Apostolicam Actuositatem, 6)
Que frequente e assíduo contato com a Palavra de Deus
transmitida pelo Magistério da Igreja, que familiaridade profunda com Cristo e
com o Pai, que espírito de oração e que desprendimento de si mesmo deve ter um
catequista, para poder dizer: “A minha doutrina não é minha”!
Ninguém prega em seu próprio nome, mas é enviado pela
Igreja; então, o pregador precisa ser fiel à Igreja que representa. Esta é a
segurança de quem prega. Assim pode “pregar com autoridade”, como Jesus, certo
de que ensina o que Deus quer.
Prof. Felipe Aquino
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
O ateísmo é uma opção religiosa
Se formos a fundo,
veremos que o ateísmo é uma opção religiosa
Ateu vem da palavra grega
“atheos”, ou seja, aqueles que negam (“a”) a existência de Deus (“Theos”).
Ateu, portanto, é todo aquele que não acredita em Deus, ou seja, em um ser
superior. É uma atitude de descrença perante a afirmação religiosa de que
existem divindades e que elas exercem influência no universo e na conduta
humana. Porém, dentre esses, existem aqueles que militam pela causa da não
existência de Deus e aqueles que simplesmente negam a existência d’Ele por não
achar provas racionais para tal. Esses últimos estão na linha dos agnósticos,
que negam o Senhor, porque Sua existência não pode ser provada. Hoje, no mundo,
por volta de 749,2 milhões de pessoas se dizem não crentes, ou seja, 11% da
população. O país mais ateu do mundo em porcentagem é a Suécia com 85% de
Ateus. O Brasil se encontra entre as populações mais religiosas com 76% de
crentes (pessoa que acredita em alguma forma de religiosidade).
Todavia, se formos a
fundo na questão do ateísmo, vamos ver que a verdadeira descrença em seres
superiores é bem rara. Na verdade, desde sempre, o ser humano é marcado pela
religiosidade, a tal ponto que, na arqueologia, a diferença fundamental entre
restos mortais de primatas e seres humanos é a presença de religiosidade
através de sinais de ritos religiosos nos ossos humanos (sacrifícios) e nos
utensílios que eles usavam. Embora a propaganda pós- iluminista e midiática
insista em querer enganar as pessoas no sentido de que a razão e a fé são
antagônicas, na verdade “a fé e a razão constituem como que as duas asas pelas
quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade” (São João Paulo
II).
Grandes cientistas
religiosos
É curioso observar que a
maior parte dos grandes cientistas é de religiosos como, por exemplo, Nicolau
Copérnico († 1543), fundador da cosmovisão moderna; Newton († 1727), fundador
da física teórica clássica; Ampére († 1836), que descobriu a lei fundamental da
corrente elétrica, Gaus († 1855), importante matemático alemão; Darwin (†
1882), criador da teoria da evolução; Albert Einstein († 1955), fundador da
física contemporânea e da teoria da relatividade; Millikan († 1953), físico
ganhador do prêmio Nobel de 1923; Plank († 1947), fundador da física quântica e
Nobel em 1918; Erwin Schrödinger († 1961), criador da mecânica ondulatória e
ganhador do prêmio Nobel de 1933; Wernher von Brown († 1977), americano criador
dos foguetes espaciais.
Após essa lista de
crentes, poderíamos fazer outra de famosos ateus, anticlericais, que se
converteram em seu leito de morte, como Voltaire e Antonio Gramsci (conforme
noticiado recentemente em diversos jornais e sites).
É difícil achar um
verdadeiro ateu
A verdade é que muitos
que negam ou desprezam Deus e a religião, tantas vezes buscam o transcendente
(ser ou força superior) de outras formas. Penso que seja bem difícil achar um
verdadeiro ateu. Não é coincidência que, enquanto cresce o ateísmo no mundo,
crescem outras formas mais ou menos veladas de busca de transcendência, como a
fixação por ETs, a atração pelo mórbido, como os zumbis e outros. Coisas ainda
mais sutis revelam a busca de “algo a mais”, como o endeusamento na ciência
pelo cientificismo, a absolutização do prazer no consumismo e até o uso e abuso
de drogas entorpecentes que trazem sensações transcendentais.
Nessas formas veladas de
transcendência podemos ver o risco que o ateísmo pode representar para a
sanidade pessoal e social. Daí, é muito fácil cair em ideologias grotescas como
o comunismo, o nazismo, o feminismo radical e a moderna ideologia de gênero, ou
até as formas bizarras de religiosidade e superstições, que pautam suas crenças
em forças ocultas de objetos, mantras, astros e animais.
O ateísmo é um opção
religiosa
Importante notar que o
ateísmo, na verdade, ele não deixa de ser uma opção religiosa. Se para os ateus
é impossível provar racionalmente a existência de Deus, é preciso dizer que o
inverso é verdadeiro. Ninguém pode provar que Deus não existe. Se não existe
uma definição racional ou científica definida, tudo fica no plano da fé: eu
acredito ou não. Fica claro que o ateísmo tem uma configuração religiosa e isso
se evidencia entre os ateus que militam pela causa ateia como se fosse
realmente uma religião que quer “converter adeptos”.
Querendo ou não, mesmo
que se negue, o amor e o transcendente são a marca mais profunda do ser humano.
A busca da beleza e do amor, impossível aos animais, mostra que o homem anseia
por algo superior e, como Santo Agostinho, lembrando de seus tempos de
paganismo, muitos poderão dizer: “Tarde Te amei, ó beleza tão antiga e tão
nova… Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Assim, longe de Ti, me detinha
nas criaturas que nada seriam, se em Ti não existissem”.
André Botelho - Casado e pai de três filhos. Com formação em Teologia
e Filosofia Tomista, Andrade é fundador e moderador geral da comunidade
católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente.
http://www.pantokrator.org.br
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Inquisição: uma breve história -conclusão
Na Idade Média, a Inquisição não atuou em toda a Europa. Sua
ação limitou-se mais à França, Itália, Sacro Império Romano (Alemanha, Áustria,
Boêmia) e Aragão. No final do século XV, o rei Fernando II de Aragão (que havia
unido seu reino aos de Castela e Leão mediante o matrimônio com a rainha
castelhana Isabel I) conseguiu do papa Sixto IV a instituição de um Tribunal
inquisitorial no restante da Espanha. Este era chefiado por um
inquisidor-geral, nomeado geralmente pelo rei (lembrando que a Inquisição papal
tinha seu próprio inquisidor-mor, nomeado pelo papa). Em Portugal, no século
XVI, o rei D. João III também conseguiu semelhante instituição. Esses dois
tribunais, mais tarde, acabaram se transformando em instrumentos de
favorecimento do absolutismo de seus monarcas. O absolutismo monárquico
concebia uma unidade do reino identificada com a unidade religiosa: assim, os
monarcas ibéricos buscaram expulsar ou converter à força a população judaica e
muçulmana de seus reinos. Batizados à força ou por pressão, estes indivíduos
passavam a integrar juridicamente a Igreja, entrando, portanto, na alçada
inquisitorial. Isto gerou uma grande perseguição – especialmente aos judeus –
nos reinos ibéricos e em parte de suas colônias. Procedimentos semelhantes eram
tomados por reinos, príncipes e autoridades citadinas das diferentes vertentes
da Reforma protestante. É nesse sentido que alguns autores falam em “Inquisição
protestante”, embora devamos atentar ao fato de que as configurações jurídicas
e institucionais desses casos eram distintas das inquisições católicas.
Com o Concílio de Trento, em fins do século XVI, o papado
reorganizou a Inquisição papal, chamando-a de Tribunal do Santo Ofício. Mesmo
após o abandono dos poderes seculares na ação inquisitorial – e a abolição das
inquisições em Portugal e Espanha no século XIX -, o Santo Ofício continuou
trabalhando nas questões doutrinais da Igreja, estabelecendo as sanções e penas
espirituais, não mais como um tribunal eclesiástico, mas como um dicastério da
Cúria Romana. O papa Paulo VI renomeou esse dicastério como Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé. Tendo se transformado na Idade Moderna em instrumento
político, a Inquisição perdia a razão de ser com o desaparecimento dos
movimentos heréticos conturbados do período feudal e com a estagnação do
elemento cruento das contendas entre católicos e protestantes depois do século
XVIII.
É possível tecermos um juízo moral sobre os acontecimentos
envolvendo a Inquisição? Penso que sim, guardadas as devidas proporções
contextuais. Se, por um lado, é compreensível que a heresia fosse encarada como
problema de ordem pública no medievo devido ao caráter violento de muitos
movimentos heréticos e que os inquisidores se vissem como defensores de seu
rebanho, por outro lado devemos admitir que, em muitos casos, os envolvidos nos
processos inquisitoriais agiram de forma contrária aos princípios cristãos,
desviando o processo para algo que, na prática, tornava-se tentativa de
conversão forçada. O equilíbrio entre preservação da doutrina e disciplina
eclesiástica e a tolerância no convívio social com a dissidência religiosa era
difícil de mensurar em tempos nos quais questões religiosas e políticas se
misturavam não só na esfera dos princípios, mas também em níveis
institucionais.
Olhar jurídico
Para as concepções atuais de Direito e as sensibilidades do
homem moderno, soam estranhos os métodos e penalidades da Inquisição. Para os
medievais, contudo, os tribunais eclesiásticos eram muitas vezes vistos como
mais brandos que os tribunais seculares – que impunham penas mais pesadas. Um
caso curioso mencionado por João Bernardino Gonzaga em seu estudo
jurídico-histórico sobre a Inquisição é o de dois ladrões que haviam tonsurado
os cabelos (tonsura é o corte de cabelo que os monges e frades utilizam como
sinal de sua consagração) para que, ao serem confundidos com membros do clero,
fossem enviados para um tribunal da Igreja, de modo a escaparem do julgamento
mais severo do tribunal secular. Exemplos dessa “brandura” podem ser os tipos
de prisão utilizados pelos eclesiásticos (celas individuais inspiradas nos
mosteiros, em contraposição às masmorras dos castelos onde ficavam os presos de
alçada secular), as restrições às práticas de tortura, o uso de penitências em
vez de punições físicas etc.
Naturalmente, todas essas “branduras” também soam estranhas
na atualidade, já que não só as atribuições das leis e punições mudaram, como
ainda as ideias acerca das proporções entre penas e delitos. Numa época em que
a falsificação de moeda era punida com a morte, não era de estranhar que a
heresia, vista como falsificação das verdades sobre Deus, fosse punida de
maneira semelhante. Atualmente, torna-se cada vez mais aceita a ideia das penas
físicas como último recurso, de forma que é impossível entendermos o contexto
medieval e pré-iluminista com as noções do Direito moderno.
O olhar da Igreja católica
Em uma das celebrações litúrgicas do Jubileu do Ano Santo de
2000, no dia 12 de março, o papa João Paulo II realizou um ato histórico que
marcou o seu pontificado: o Sumo Pontífice, em nome de toda a Igreja, pediu
perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja no anúncio do Evangelho.
Esse discurso foi, já na época, bastante distorcido e poucos conhecem a
profundidade daquelas palavras e o contexto em que ele está inserido.
Um dos objetivos do simpósio organizado no Vaticano para
estudar a Inquisição, na ótica do papa, era o de amadurecer a consciência das
autoridades da Igreja para o pedido de perdão feito no ano 2000. A questão era
a busca de um juízo fundamentado na objetividade histórica: admitindo as falhas
dos membros da Igreja, mas separando os fatos das propagandas ideológicas.
No mesmo ano de 2000, a Comissão Teológica Internacional
elaborou um documento chamado “Memória e Reconciliação: a Igreja e as culpas do
passado”, que apresenta um estudo teológico da relação entre os pecados
cometidos pelos católicos e a Igreja ao longo da História. No documento, a
Igreja reconhece que muitos de seus membros ao longo da História recorreram à
métodos e posturas contrários aos princípios cristãos, embora ressalte que o
pecado sempre acarreta uma responsabilidade pessoal daquele que o cometeu e que
a Igreja pede perdão em nome de seus filhos por essas imposturas, exortando
seus fiéis à contínua penitência e purificação de suas faltas.
GONZAGA, João Bernardino. A Inquisição em seu mundo. São
Paulo: Saraiva, 1993. Um resumo histórico da Inquisição, sob o ponto de vista
da História do Direito.
AQUINO, Felipe. Para entender a Inquisição. Lorena: Cléofas,
2010. De linguagem mais simples, o livro apresenta um resumo da Inquisição,
reportando-se aos estudos do Simpósio realizado no Vaticano em 1998.
FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo: Perspectiva,
2005. O livro apresenta a história e a doutrina dos principais movimentos
heréticos da Europa entre os séculos XI e XIV.
Texto de Rafael de Mesquita Diehl, professor e historiador
formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestrando pela mesma
universidade. Publicado pelo site Revista Vila Nova.
sábado, 16 de janeiro de 2016
Inquisição: uma breve história
Não, o seu professor anticlerical e marxista não contou a
você a história real, documentada e objetiva.
Quando falamos das culpas passadas dos membros da Igreja
católica, a primeira coisa que nos vem à mente é a Inquisição, o tribunal
eclesiástico instituído a partir do século XIII para julgar os casos de
heresia. Apesar de estarmos séculos de distância dos acontecimentos, é natural
que o tema suscite polêmicas e o afloramento das paixões, podendo as pessoas se
identificarem com um ou outro lado dos conflitos de outrora. Julgando ser
necessário colocar o dedo nessa “ferida” histórica, o papa João Paulo II
apontou a necessidade de um juízo com objetividade crítica, motivo pelo qual o
Vaticano organizou no ano de 1998 um simpósio com diversos pesquisadores e
estudiosos, católicos e não-católicos, para que juntos debatessem questões
históricas acerca da Inquisição.
O que pretendo nessas linhas é fazer uma síntese dos
aspectos históricos da Inquisição. Não busco fazer uma apologia nem um
revanchismo. Faz parte da maturidade de posicionamento reconhecer que aqueles
com os quais nos identificamos em matéria de crenças e valores são também
passíveis de erro.
Aspectos históricos
Primeiramente, é preciso estabelecer uma precisão de termos:
seria mais correto falarmos de Inquisições, no plural, haja vista que, depois
do século XV, havia na Europa três inquisições em funcionamento: a Inquisição
Portuguesa, a Inquisição Espanhola e o Tribunal do Santo Ofício Romano. Esses
três tribunais originam-se, contudo, de um tribunal eclesiástico instituído
pelo papado no século XIII. Para entendermos melhor a questão toda, é preciso
regressar aos tempos do Império Romano.
Quando o imperador Constantino converteu-se ao cristianismo
e deu liberdade de culto aos cristãos, no ano 313, sua política religiosa não
diferia muito dos antecessores. Assim como os imperadores romanos precedentes
haviam tolerado os cultos juridicamente lícitos, mas favorecido pessoalmente os
cultos de suas preferências, Constantino tolerou os demais cultos, concedendo
ao clero da Igreja cristã os mesmos privilégios que o Império já facultava aos
sacerdotes pagãos. Contudo, a aproximação com o Império também introduziu
querelas políticas no meio eclesiástico: grandes disputas doutrinais
tornavam-se então conflitos que podiam desestabilizar a almejada unidade
imperial. Dessa forma, os imperadores romanos passaram não só a convocar
Concílios da Igreja, como também a exilar os líderes heréticos. Contudo, os
Padres eram contrários à execução dos hereges, e as querelas doutrinais da
época, por mais acaloradas que fossem, ainda não tinham o caráter tumultuoso
que marcaria os grandes movimentos heréticos da época feudal.
Por volta do século XI é que surgem nos reinos feudais da
Europa os primeiros processos eclesiásticos para julgamento de heresias.
Dirigidos pelos bispos locais, esses processos impunham somente penas
espirituais aos processados: penitências, excomunhões etc. Nessa mesma época,
temos notícia das primeiras execuções de hereges na fogueira pelo poder
secular, a mando do rei Roberto I da França. É preciso, contudo, observar que,
a partir desse período, os movimentos heréticos adquirem um caráter de maior
contestação social, na medida em que se apresentam muitas vezes como
adversários da hierarquia, seja do clero, seja dos reis e senhores feudais.
Assim, a heresia tornava-se não mais um problema unicamente interno de
disciplina eclesiástica, mas também um problema de ordem pública.
O caso mais significativo desse novo tipo de movimento
herético era o catarismo, surgido no sul da atual França. Pregando uma doutrina
maniqueísta (haveria dois deuses: o bom, criador das coisas espirituais, e o
mau, criador das coisas materiais), os cátaros conseguiram entre os séculos XII
e XIII o apoio de alguns senhores feudais do Languedoc, agindo muitas vezes de
forma violenta contra a hierarquia eclesiástica ou contra os que não seguiam as
suas doutrinas. A primeira ação repressiva de parte do papado veio com a
decretal Ad Abolendam, do papa Lúcio III, em 1184: o pontífice romano exortava
os príncipes seculares a combaterem as heresias em seus territórios. Após o
envio de monges da ordem cisterciense e de uma expedição militar de Cruzada
contra os nobres do Sul da França, o papa Inocêncio III instituiu na passagem
dos séculos XII e XIII os “inquisidores da fé”, isto é, indivíduos que
representavam o papa na missão de investigar os casos de heresia.
O crescimento do catarismo em outras regiões da Europa, bem
como a confusão existente acerca das atribuições dos poderes eclesiástico e
secular nos casos de heresia, acirrou-se no século XIII, tendo o imperador
germânico Frederico II (na época em conflito com o papado por questões
políticas acerca da Itália) estabelecido leis contra os hereges. Como forma de
centralizar as questões jurídicas de heresia, o papa Gregório IX estabeleceu em
1231 o Tribunal da Santa Inquisição, regulamentando os inquisidores papais que
haviam sido instituídos anteriormente por Inocêncio III. Assim, o papado
afirmava que, embora a aplicação das penas coubesse ao poder secular, este não
teria competência para julgar em matéria de doutrina, definindo o que era
herético ou não.
A Inquisição era um tribunal eclesiástico, formado por
clérigos e religiosos (embora em alguns períodos também existissem inquisidores
leigos) com jurisdição unicamente sobre os batizados católicos. Esse tribunal
buscava investigar casos de heresia dentro da Igreja, principalmente os
heresiarcas (hereges que difundiam e propagavam suas heresias). Tratava de
impor as penas espirituais (penitências, excomunhões, interditos), enquanto,
nos casos mais graves, entregava os réus ao braço secular, que aplicava as
penas físicas e materiais (confisco de bens, demolição da casa ou morte).
O esquema montado pelo tribunal era centrado na busca da
confissão do réu e do seu arrependimento, contrário ao sistema mais comum nos
meios seculares da época, onde havia o chamado “duelo judiciário” (as duas
partes duelavam e a parte vencedora do duelo era automaticamente a vencedora da
causa jurídica). Mesmo com a autorização do uso de castigo físico (aplicado
pela autoridade secular) pelo papa Inocêncio IV na bula Ad Extirpanda, este era
limitado em duração e formas (proibiam-se mutilações, fraturas e derramamento
de sangue), além de ser obrigatória a presença de um médico nas sessões. O
método mais utilizado para obter a confissão dos réus, no entanto, era o
interrogatório (os manuais de inquisidores ensinavam a obter confissões apenas
mediante o desenrolar da conversa com o réu). Alguns teólogos da época
justificavam a utilização de penas físicas aos hereges não em virtude de suas
crenças (pois a Igreja sempre considerou que não se pode converter à força),
mas por causa do perigo de que eles levassem outros a crerem em suas heresias e
das suas ações violentas de perturbação da ordem, o que dava ao poder secular
pleno direito de agir (alguns grupos, como os cátaros, cometiam assassinatos em
nome de suas crenças heréticas).
(continua...)
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Leitura Orante da palavra de Deus
A origem deste método de oração vem da Tradição Cristã e,
por volta dos anos de 1150, foi organizada pelos monges. Este jeito de
rezar, portanto, vem caminhando com nossa Igreja e está ao alcance de todos, é
para o homem e para a mulher, para o idoso, o jovem e a criança, todos podem
falar com Deus e escutá-Lo.
De uma forma especial para nós enquanto pregadores da
palavra de Deus é o principal alimento da nossa alma, pois nos coloca em
sintonia com o mistério de cristo através da sua palavra.
Lectio Divina e sua importância
Esta prática para nós é de suma importância, pois através
dela temos o próprio Deus falando aos nossos corações com voz forte, mostrando
sua vontade, revelando sua
face,
Se a sagrada escritura afirma que devemos falar daquilo que vemos e ouvimos, a
prática da Leitura Orante da Palavra, realizada com unção, permite ao espírito,
nos revelar o rosto de Deus, e apura nossos ouvidos para decifrar sua voz em
meio ao ensurdecedor barulho do mundo.
Estaremos ao longo dos próximos dois anos, realizando este
exercício em nossos encontros diocesanos e vicariais, como uma forma de
crescermos espiritualmente
E promovermos um amadurecimento em nosso
relacionamento com Deus e sua palavra.
O que é a Lectio Divina
È uma prática e método de oração, reflexão e contemplação praticado
pelos fiéis do Catolicismo desde
tempos antigos, particularmente nos mosteiros beneditinos.
Consiste na prática de oração e leitura das Escrituras e tem o intuito, segundo
a Igreja Católica, de promover a comunhão com Deus e aumentar o conhecimento da
Palavra de Deus.
Sua Forma
- Lectio – Leitura
- Meditatio – Meditação
- Oratio – Oração
- Contemplatio – Contemplação
Na Lectio/Leitura, toma-se o Texto Sagrado, A Sagrada
Escritura de preferência e faz-se a leitura lenta e cuidadosa do texto, não
tanto com o objetivo de fazer uma exegese bíblica, mas sim o de ‘escutar’ o que
Deus fala ao leitor. Pode-se repetir a leitura quantas vezes for preciso, até
que se sinta ‘tocado’, pelo Senhor.
Na Meditatio/Meditação, rumina-se a
Palavra, busca-se perceber o que é que Deus fala aquele (a) que lê. Não é mais
uma leitura, mas uma ‘escuta’ da Palavra. “Fala, Senhor, teu servo escuta!”
Na Oratio/Oração, responde-se
a Deus que antes falou. De acordo com o contexto, com a história pessoal de
cada um naquele momento, deixa-se o coração derramar-se diante do Senhor. Se
antes se escutou, agora responde-se a Deus. Pode ser uma súplica, ação
de graças, petição, o que o coração mandar, enfim. É um diálogo com Deus e uma
relação entre dois seres que se amam. A alma e Deus!
Na
Contemplatio/Contemplação, já não há mais necessidade de palavras. O
orante/leitor tomou contato com o texto escrito, ou até diante da Natureza, de
um fato da vida; leu, ou melhor, ‘escutou’ a Voz que fala em seu coração.
Responde a essa Palavra, escrita ou não. E no último estágio, na Contemplação,
cala-se, adora, entrega-se numa adoração muda e silenciosa. A Oração centrante é uma modalidade de oração
contemplativa que se enquadra nesse quarto estágio da Lectio
Amados coloquemo-nos
em ordem de batalha, tomai enfim o capacete da salvação e a espada do espírito,
isto é a palavra de Deus pois ela nos confirma e nos sustenta, nestes que são
os últimos tempos.
Deus abençoe a
todos.
Claudio
Roberto da Silva - Coordenador Arquidiocesano do Ministério de Pregação – Niterói
sábado, 2 de janeiro de 2016
Misericórdia (II)
Misericórdia, palavra composta: miséria + coração. A Divina
Misericórdia é, podemos assim dizer, o Coração de Deus debruçado sobre a
miséria humana. Estendendo a nós que usamos de misericórdia para com os irmãos,
podemos também dizer que é nosso coração debruçado na miséria alheia; é
compadecer-se com o sofrimento do outro, sentir com o que sofre. Assim, Jesus
tomou sobre si as nossas dores, compadecendo-se de nós. Se somos, ou desejamos
ser, imitadores de Cristo, tomemos sobre nós as dores do irmão, assim como
outros tomam as nossas dores.
Sabemos que não é fácil. Como sofrer com o outro? Jamais! Já
tenho problemas demais para me preocupar com os outros... Cada um por si, Deus
por todos. Não é esse o pensamento vigente entre nós? Contudo, nos esquecemos de
que é através da misericórdia que nos tornamos aptos à salvação. Jesus Cristo
pela sua morte e ressurreição nos garantiu e ofereceu a Salvação. É pela
Misericórdia Divina, fruto do imenso Amor de Deus que fomos salvos, pois a
Justiça de Deus é a Misericórdia, não a Lei.
Desde modo podemos ousar dizer que é retribuindo ao próximo a
misericórdia, que nos tornados dignos da salvação ofertada pelo Senhor.
Não é fácil usar de misericórdia. Somos egoístas; só fazemos
o bem a quem nos faz o bem, só oferecemos a mão num gesto de solidariedade a
quem nos pode favorecer adiante, amamos parentes e amigos, enfim, a quem nos é
afim ou benfeitor. Poucos são abnegados ou imparciais. Felizmente esse egoísmo
pode ser eliminado, ou ao menos atenuado. Quando abrimos nosso coração e
deixamos Deus agir em nós, quando permitimos a entrada de Jesus em nosso
coração, quando nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, aí então tudo começa a
mudar; quando percebemos e sentimos a presença da Misericórdia em nós, somos
impelidos a ir adiante envolvidos por essa mesma misericórdia e partilha-la.
Quando nos deixamos alcançar pela Misericórdia, Jesus
mergulha em nosso interior e retira de nós, pelo perdão, os pecados; pela
compaixão, as dores e os sofrimentos; pelo amor, os traumas, psicoses, os
distúrbios emocionais. Através da misericórdia, manifestação do seu desmedido
amor, Deus nos cura por dentro e por fora, corpo e alma, Ele nos cura por
inteiro.
Vivamos sob a égide da Misericórdia e sejamos
misericordiosos. Possamos dizer: ‘Ó
sangue e água que jorraram do coração de Jesus, como fonte de misericórdia para
nós; eu confio em vós.’
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Não posso viver uma falsa conversão
O joio e o trigo
serão separados. Deus quer a nossa conversão.
As crianças, na praia, constroem seus castelos de areia e
depois o derrubam, chutam tudo. O inimigo deste mundo faz igual às crianças. O
demônio constrói todo um império com injustiças, maldades, ganâncias, doenças,
drogas… Tudo a custo de sangue e guerras! E muitas pessoas foram atrás dele.
Agora, ele vai fazer igualzinho às crianças na praia, vai
chutar todo esse império e todas as pessoas que estiverem envolvidas com ele.
As pessoas que usam de todos os meios para ter dinheiro e
poder criam misérias, mortes, abortos e devastam povos. Essas pessoas estão sob
o julgo do inimigo e ele vai destruí-las.
É hora de sairmos dos castelos que ajudamos a construir,
porque nenhum de nós pode viver uma falsa conversão. Não podemos nos dizer
“convertidos”, mas continuarmos levando uma vida de pecadores, injustos,
egoístas, impuros, maliciosos, depravados e corruptos. Não dá para ficar na
frente do Senhor de cara lavada, dizendo uma coisa e sendo outra, pois o joio e
o trigo serão separados.
É hora de sermos inteiramente do Senhor.
(Mons. Jonas Abib – Cancaonova.com)
domingo, 27 de dezembro de 2015
Livres e fiéis em Cristo
Deus nos criou com o dom maravilhoso e desafiador que é a
liberdade. Ele se arrisca a encontrar inclusive respostas negativas ao seu
projeto de amor e felicidade para a humanidade. Seu contato com a humanidade,
expresso em toda a História da Salvação, inclui um elemento importante, o
chamado, apelo, a vocação. A aventura humana pede este confronto de duas
liberdades, que podem construir, ao longo dos anos, fecundo relacionamento,
cujos frutos contribuem para o crescimento do Reino de Deus, sem excluir as
possíveis crises de amadurecimento, já que somos respeitados nos passos a serem
dados.
Um homem de nome Amós, vindo do ambiente rural (Am 7,
12-15), cuja experiência é descrita pela Liturgia neste final de semana, é
convocado por Deus, para exercer a missão de profeta, com palavras provocadoras
e exigentes, em tempos de crise política e religiosa. Deus chama quem ele quer
e do jeito que quer, desenraizando, quando necessário, a pessoa do próprio
ambiente, concedendo-lhe palavras acertadas que suscitam mudança e conversão. A
resposta ao chamado poderia ser negativa, mas a hombridade do homem simples e
corajoso pede um compromisso corajoso. Não dá para voltar atrás!
Jesus chamou doze (Mc 6, 7- 13), setenta e dois, centenas e
milhares para o seguirem e serem enviados. Houve gente que disse não (Cf. Mc
10, 17-22), entre os que o seguiram houve deserções, traição, negação
vergonhosa, pecados! A todos ele faz propostas semelhantes e desproporcionais
às capacidades humanas: não levar nada para o caminho, despojamento total,
expulsar demônios, curar os enfermos, anunciar a chegada do Reino de Deus. Até
hoje é assim, nos diversos dons, ministérios e carismas que são concedidos a
todo o povo de Deus. Existe o chamado e as pessoas continuam respondendo, mesmo
em meio a tantas mudanças no mundo. E quem o segue deve acolher condições
exigentes: "Entrai pela porta estreita! Pois larga é a porta e espaçoso o
caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram! Como é estreita a
porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que o
encontram" (Mt 7, 13-14). O que acontece? Por que este
"incômodo" que é seguir Jesus continua a se realizar, malgrado toda
uma onda que aparentemente conduz a estradas diversas?
É claro que nosso ângulo de visão é fruto de nossa fé.
Estamos convencidos de algumas realidades fundamentais! Fomos feitos por Deus,
não somos obra do acaso, por ele somos amados e o mundo não é o espaço dominado
pela maldade, mas terra de Deus, pensada por ele para a nossa felicidade, tanto
que a Bíblia descreve poeticamente a Criação, falando de um Paraíso! Num mundo
de pessoas que apenas pensam em vestir-se bem, outras querem a ociosidade,
tantas rejeitam a verdade ou querem criticar todas as coisas, há gente que
prefere os valores do Paraíso e o preferem, como santos do porte de um São
Filipe Neri, sobre o qual é muito conhecido um filme chamado "Prefiro o
Paraíso". Renunciam a grandes carreiras, homenagens, sucesso a qualquer
custo. Agrada-lhes outra coisa, o Paraíso! É que o projeto de Deus contempla
valores diferentes dos que costumeiramente encontramos como a partilha, a
sensibilidade diante das situações dolorosas dos outros, a atenção, a coragem
para tomar iniciativas de serviço à sociedade, a superação da impureza e da
ganância. Trata-se de preferir o Paraíso, o jeito de Deus ver as coisas!
O Apóstolo São Paulo usa expressões que podem abrir os
horizontes de nossa compreensão da realidade humana e dos desígnios de Deus
para todos: "Deus nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para
sermos santos e imaculados diante dele, no amor. Conforme o desígnio
benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra
de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, com que nos agraciou no
seu bem-amado" (Ef 1, 4-6). Nós fomos escolhidos, antes do mundo ser
criado, para sermos santos e imaculados, diante dele, no amor. Ninguém foi
feito para o egoísmo ou para o pecado. Optar pela maldade é possível, mas é
processo de autodestruição, e Deus não fez ninguém para ser infeliz!
Aqui tocamos num ponto delicado. Há um destino traçado, do
qual não podemos fugir? Será que não posso escolher jogar tudo para o alto,
considerando-me livre para fazer o que quiser? Só posso ser feliz em Deus? São
perguntas desafiadoras e incômodas! Só Deus é capaz de propor aos seres humanos
um caminho de felicidade e continuar a amá-los, se manipular sua liberdade,
mesmo se eventualmente voltarem as costas para ele. Só o Pai do Céu é capaz de
enviar seu Filho amado, que foi até o mais profundo da rejeição de Deus,
quando, em nome da humanidade arrasada, gritou na Cruz o abandono: "Quando
chegou o meio-dia, uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da
tarde. Às três da tarde, Jesus gritou com voz forte: “Eloí, Eloí, lemá sabactâni?
– que quer dizer “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste" (Mc 15,
33-34). Tendo descido por amor ao ponto mais baixo, Jesus Cristo nos abriu o
caminho da vida e da liberdade, visitando todas as situações humanas, para
preenchê-las apenas de amor.
Nesta “viagem”, com a qual conheceu tudo o que é humano,
concedeu capacidades às pessoas, chamou, convocou, atraiu e enviou: “A cada um
de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. Por isso, diz a
Escritura: “Subindo às alturas, levou cativo o cativeiro e distribuiu dons aos
seres humanos”. Que significa “subiu”, senão que ele desceu também às
profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os
céus, a fim de encher o universo” (Ef 4, 7-10). Para resgatar o escravo, fazendo-o
livre e fiel, ele se fez escravo, entregou-se até à morte, e morte de Cruz!
O caminho da liberdade passa pela entrega. Só se liberta
quem se doa, quem transforma sua vida em oferta a Deus e ao próximo! Quem se
guarda condena a si mesmo à esterilidade e à tristeza, e este não é o plano de
Deus! O dom da liberdade se efetiva quando as pessoas saem de si mesmas. Pode
acontecer que alguém até esteja preso, como ocorreu e ocorre com tantos homens
e mulheres que se sacrificam por Deus e pelo próximo, mas estas são pessoas
livres, porque são fiéis a Cristo. Acima das eventuais circunstâncias, “pela
fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, foram contemplados com promessas,
amordaçaram a boca dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio
da espada, recobraram saúde na doença, mostraram-se valentes na guerra,
repeliram os exércitos estrangeiros. Mulheres reencontraram os seus mortos pela
ressurreição. Outros foram torturados ou recusaram ser resgatados, para chegar
a uma ressurreição melhor. Outros ainda sofreram a provação dos escárnios,
experimentaram o açoite, as cadeias, as prisões, foram apedrejados, serrados ou
passados ao fio da espada, levaram vida errante, vestidos com pele de carneiro
ou pelos de cabra, oprimidos, atribulados, sofrendo privações. Eles, dos quais
o mundo não era digno” (Hb 11, 33- 38). Que Deus continue a chamar, em nosso
meio, pessoas desse quilate!
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASILquarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Sede Nacional - uma forma de construir o sonho do Senhor
Construir o sonho de ter uma casa, de fazer aquela viagem em
família, comprar o carro, casar, se formar na faculdade, ou qualquer outra
coisa... Vários são os sonhos que vão sendo construídos na vida de cada um,
porém, nas mãos de Deus, esse sonho passa a ser um projeto, consagrado ao
próprio Senhor e que Ele mesmo cuidará de providenciar.
A Sede Nacional é esse projeto, que foi sonhado por Deus,
sonhado por toda a RCCBRASIL e passa pelas mãos dos colaboradores, que ajudam a
torná-lo real. Desde 2009, já temos esse local para literalmente construí-lo. É
a terra que o Senhor deu para a RCC e, a partir de lá, toda a família
carismática tem trabalhado para edificar a Nossa Casa, Nossa Benção. Muitas
pessoas têm contribuído e lutado para ver essa casa erguida. Maria Ivone
Ferreira Ranieri é uma dessas pessoas. A presidente do conselho da RCC da
Arquidiocese de Londrina (PR) é colaboradora desde os primeiros anos em que
Deus inspirou a RCC para construção.
Ao longo da história do movimento, a RCC já teve alguns
locais que serviam de sede, como em Brasília (DF), Itajubá (MG), Sorocaba (SP)
e Pelotas (RS). Mas sempre no coração, houve o desejo de uma casa permanente.
No ano de 2005, foi lançado para a Renovação de todo o Brasil o projeto de
construção de um Centro Nacional de Formação, em Brasília. Mas, com o passar do
tempo, foi-se percebendo a necessidade de construir mais do que um Centro e sim
uma estrutura que comportasse o Escritório Nacional, um centro administrativo e
um local de eventos. Desde essa época, no ano de 2006, Maria Ivone contribui
com a construção de uma sede. De lá até hoje, nunca parou de colaborar e ela
foi, várias vezes, surpreendida pelas promessas de Deus: “o Senhor nos deu uma
promessa, que quem se desprendesse materialmente para a construção da Sede, Ele
faria o mesmo na vida pessoal de cada um”, conta Maria Ivone.
Em outubro de 2009, o Senhor falou ao conselho
nacional: “Coragem, não tenham medo. Erguerei muralhas de fogo em torno
de vocês para proteger o que precisa ser construído, e também reconstruirei as
muralhas (as que desabaram) na vida de cada um (...). A partir daí, a
construção começou e a graça de Deus tem sido testemunhada por muitas pessoas
que ajudam nessa obra e têm a própria vida reconstruída por Ele. Maria Ivone,
conta as graças que recebeu nesse período, “Nós não podemos impor condições
para Deus, mas Ele pode nos fazer promessas e foram muitas graças recebidas...
Se Deus dá graças materiais, imagina as espirituais?” completa a semeadora.
Ela conta que na diocese dela muitas pessoas, ao
contribuírem, foram vendo as graças de Deus acontecendo e os testemunhos
começaram a estimular outras pessoas para se tornarem semeadoras. “Deus é o
dispensador de graças especiais, nós apenas acolhemos”, comenta Maria. Há
alguns anos, Londrina é a diocese que mais participa do Projeto Semeando a Vida
no Espírito.
Você também pode fazer essa experiência de ser um semeador
da Vida no Espírito colaborando com a construção da Sede Nacional na cidade de
Canas (SP), que é sonho de Deus para toda a família carismática. Você pode se
cadastrar aqui ou
encaminhar os seus dados para o e-mail sedenacional@rccbrasil.org.br.
Para mais informações, ligue para o Escritório Nacional da RCCBRASIL no
telefone (12) 3151-4155, no WhatsApp (12) 98258-0024 ou entre em contato
conosco pelo atendimento
online.
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