sábado, 28 de março de 2015

Mensagem do Papa - A IGREJA

                      "Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros" (l Cor l2,26)


Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentamos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa "tem parte com Ele" (cf. Jo 13,8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é urn tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos corno Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. "Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria" (l Cor l2,26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque nela tomam parte os Santos, mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

Papa Francisco

quarta-feira, 25 de março de 2015

Força da Moral Católica


A moral católica é a base do comportamento do cristão, segundo a fé que ele professa recebida de Cristo e dos Apóstolos. No Sermão da Montanha Jesus estabeleceu a “Constituição” do Reino de Deus, e em todo o Evangelho nos ensina a viver conforme a vontade de Deus.
Para quem vive pela fé, a moral cristã não é uma cadeia, antes, um caminho de vida plena e de felicidade. Deus não nos teria deixado um Código de Moral se isto não fosse imprescindível para servos felizes. As leis morais podem ser comparadas às setas de trânsito que guiam os motoristas, especialmente em estradas perigosas, de muitas curvas, neblinas e lombadas. Se o motorista as desrespeitar, poderá pagar com a própria vida e com as dos outros.
Mas para crer nisto e viver com alegria a Moral é preciso ter fé; acreditar em Deus e no seu amor por nós; e acreditar na Igreja católica como porta voz de Jesus Cristo. É preciso ser guiado pelo Espírito Santo.
Cristo nos fala pelo Evangelho e pela Igreja. Ele a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos para ser a nossa Mãe, guia e mestra. Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Cristo concedeu à Igreja parte de sua infalibilidade em matéria de doutrina: fé e moral, porque isto é necessário para a nossa salvação, e instituiu a Igreja para nos levar à salvação. Por isso, Cristo não pode deixar que a Igreja erre em coisas essenciais à nossa salvação. O Concílio Vaticano II disse que “a Igreja é o sacramento universal da salvação” (LG,4).
É por Ela que Jesus continua a salvar os homens de todos os tempos e lugares, através dos Sacramentos e da Verdade que ensina. São Paulo disse à S. Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento (alicerce) da verdade” (1Tm 3,15) e que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade” (1Tm2, 4). Essa “verdade que salva” Deus confiou à Igreja para guardar cuidadosamente, e ela faz isto há vinte séculos. Enfrentou muitas heresias e cismas, muitas críticas dos homens e mulheres sem fé, especialmente em nossos dias, mas a Igreja não trai Jesus Cristo.
Cristo está permanentemente na Igreja – “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20) – e ela sabe que embora os seus filhos sejam pecadores, ela não pode errar o caminho da salvação e da verdade.
Na última Ceia o Senhor prometeu à Igreja (Cristo e os Apóstolos) no Cenáculo, na última Ceia, que ela conheceria a verdade plena. “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não estão preparados para ouvir agora; mas quando vier o Espírito Santo, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,12-13).
Ao longo dos vinte séculos o Espírito Santo foi ensinando à Igreja esta verdade, através dos santos, dos papas, dos Santos Padres…
Se Cristo não concedesse à Igreja a infalibilidade em termos de doutrina (fé e moral) de nada valeria ter-lhe confiado o Evangelho, pois os homens o interpretam de muitas maneiras diferentes, e criaram muitas outras “igrejas”, sem o Seu consentimento, para aplicarem a verdade conforme o “seu” entendimento, e não conforme o entendimento da Igreja deixada por Cristo. A multiplicação das milhares de igrejas cristãs e de seitas, é a conseqüência do esfacelamento da única Verdade que Jesus confiou ao Sagrado Magistério da Igreja (Papa e Bispos em comunhão com ele) para guardar e ensinar a todos os povos.
Além de confiar à Igreja a Verdade eterna, Cristo lhe garantiu a Vitória contra todos os seus inimigos. Disse a Pedro: “As portas do inferno jamais a vencerão” (Mt 16,17).
Já se passaram vinte séculos, inúmeras perseguições (império romano, nazismo, comunismo, fascismo, ateísmo,… ) e a Igreja continua mais firme e forte do que nunca. Quanto mais é perseguida, mais corajosa se torna, quanto mais apanha, tanto mais se fortalece; quanto mais é caluniada, mais sábia se torna.
Tertuliano de Cartago (†220), um dos apologetas da Igreja, escreveu ao imperador romano da época, Antonino Pio, que perseguia os cristãos, dizendo que não adiantava persegui-los e matá-los, porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.
O império romano desabou, o comunismo sucumbiu, o nazismo acabou… mas a Igreja continua mais firme do que nunca. Nenhum chefe de Estado têm tantos embaixadores (Núncios Apostólicos) em outros países como o Vaticano; são cerca de 180.
O mundo chama hoje a Igreja Católica de obscurantista, retrógrada, etc, por ela ser fiel a Jesus; mas ela não se curva diante do pecado do mundo moderno, da mesma forma que não se curvou diante dos carrascos dos seus mártires.
A Igreja não busca a glória dos homens, mas somente a glória de Deus, por isso não se intimida e não desanima diante das ameaças dos infiéis. Ainda que ela fique sozinha, não negará a verdade do seu Senhor.
A moral católica não muda ao sabor da vontade dos homens e nem com o passar do tempo, porque a Verdade não muda, seja ela qual for. O teorema de Pitágoras e o princípio do empuxo, de Arquimedes, são os mesmos que esses gregos descobriram vários séculos antes de Cristo. A verdade que foi revogada, nunca foi verdade; pois a verdade de fato não pode mudar. Cristo não nos deixou uma moral transitória, passageira, provisória; não, Ele nos deixou uma Verdade eterna. Ele mesmo é a Verdade.
As questões morais não dependem da “opinião da maioria” e nem se altera com os “avanços” científicos. A moral é que deve dizer quais descobertas da Ciência são válidas para o progresso do homem, e não o contrário. Uma lei moral não se torna lícita só porque é aprovada pelo Governo ou pelo Parlamento.
Muitas vezes a confusão moral e os erros são cometidos por causa de uma incompreensão insuficiente dessas questões. A Igreja, de sua parte, examina com profundidade as questões morais, olhando não apenas o conforto do homem, mas, principalmente a sua dignidade humana.
Diante das leis que não estão de acordo com a Moral católica, os fiéis precisam se manifestar com viva voz; porque se ficarmos calados e submissos, em breve poderemos ter em nosso país muitas leis imorais. O Papa Leão XIII disse que a audácia dos maus se alimenta da covardia e omissão dos bons. Não podemos mais viver um catolicismo de sacristia; a maioria do povo brasileiro é católica (cerca de 73%) e tem direito de viver em um país com leis católicas; mas isto só acontecerá se fizermos isto acontecer. Jesus já tinha avisado que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz”.

 Prof. Felipe Aquino

sábado, 21 de março de 2015

Não se é feliz estando só


Diz um ditado popular que ninguém é feliz sozinho. Verdade, pois como vimos anteriormente, precisamos uns dos outros. Alguém, porventura há de dizer: eu não me enquadro aí, eu me basto, não dependo e nem preciso de ninguém. Falsa premissa; vejamos o exemplo a seguir: O patrão precisa do empregado para o funcionamento do seu negócio; o trabalhador precisa do empresário para ter seu emprego. Há como uma simbiose, ou seja, um depende do outro. Há necessidade também de sinergia entre ambos, o que significa ação conjunta e interdependente para que o patrão tenha seu rendimento e o empregado sua remuneração.
De certo modo assim é nosso relacionamento com Deus e com o próximo. Sabemos que a rigor Deus não precisa nem depende de ninguém, Ele é Deus e se basta por si só. Entretanto, sabemos também que Deus se relaciona com seu povo, conosco, e desse modo por iniciativa própria, Ele deseja que esse relacionamento seja recíproco.   Assim precisamos de Deus para que nossa vida seja completa, ao passo que Deus precisa de nós para que seu nome seja proclamado a todos os filhos e seu amor seja espalhado em todo o mundo.
Ninguém é feliz sozinho. Precisamos conviver com outros seres humanos para nos completarmos e suprir nossas necessidades materiais. Precisamos nos relacionar com Deus para que nossa felicidade seja completa. Além do mais, a união nos fortalece, a mão amiga nos soergue, o ombro do irmão nos ampara; o grupo, a comunidade, a sociedade nos torna cidadãos. Ainda citando provérbios populares, “cada um por si Deus por todos” não é coerente com o pensamento exposto aqui, pois faz apologia ao egoísmo. Já “um por todos, todos por um” resume nossa posição. Em verdade precisamos uns dos outros, portanto sejamos um por todos enaltecendo a vida comunitária, para que a comunidade seja uma em nós e por nós.
Concluindo essa reflexão, meditemos o texto em Eclesiastes 4,9-12: “Mais vale dois que um só, porque terão proveito do seu trabalho. Se caem, um levanta o outro; quando se está sozinho, se cai, não tem quem levantá-lo. Se deitam juntos podem se aquecer, mas alguém sozinho como se aquecer? Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir e a corda tripla não se rompe facilmente.”.

Somos seres sociais e como tal precisamos uns dos outros. Gostamos e precisamos de companhia, mas nem sempre isso é possível. Se não pudermos estar com outras pessoas, esforcemo-nos para estar com Deus.  Este nos supre, nos preenche e com Ele, mesmos sós não estaremos sós. Parece um simples jogo de palavras; não é, é pura verdade. Junto aos irmãos e principalmente com Deus somos felizes!

quarta-feira, 18 de março de 2015

As Indulgências


                     “A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da Penitência. A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem-disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos. A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar parcial totalmente da pena devida pelos pecados. ‘Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou aplicá-las aos defuntos’.” 1471
                     “Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tenha uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama ‘pena eterna’ do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado ‘purgatório’. Esta purificação liberta da chamada ‘pena temporal’ do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena.” 1472
                 “O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. Mas permanecem as penas temporais do pecado. Suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte, o cristão deve esforçar-se para aceitar, como urna graça, essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, por inicio de obras de misericórdia e de caridade, como também pela oração e por diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do ‘velho homem’ para revestir-se do ‘homem novo’.” 1473
                 “A indulgencia se obtém de Deus mediante a Igreja, que, em virtude do poder de ligar e desligar que Cristo Jesus lhe concedeu, intervém em favor do cristão, abrindo-lhe o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos para obter do Pai das misericórdias a remissão das penas temporais devidas aos seus pecados. Assim, a Igreja não só vem em auxílio do cristão, mas também o incita a obras de piedade, de penitência e de caridade.” 1478
                     “Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los entre outros modos, obtendo em favor deles indulgências para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.” 1479
                     “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, conseqüências dos pecados.” 1498
                     “Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: ‘Eis por que ele [(Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado’ (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos: Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.” 1032



sábado, 14 de março de 2015

Espiritualidade e Sustentabilidade: o poder da intercessão


Neste ano a situação em grande parte do país e especialmente no Norte fluminense a falta de água tem sido dramática, levando a muitas comunidades a rezarem insistentemente pelas chuvas. Esta prática expressa primeiramente a confiança e a fé, no Deus Pai e Providente que governa a criação para o bem de todas as criaturas.
A oração como encontro que visa a comunhão com Deus é intensamente transformadora, tornando-se uma experiência de conversão e de aceitação de um novo olhar e novas práticas de vida. Neste caso da oração de petição pelas chuvas, quem a realiza descobre a visão amorosa do Pai, a respeito da criação. Se abre para a perspectiva de cuidado e compaixão para com todas as criaturas e da responsabilidade para com a vida do planeta.
A pessoa orante entra em profunda comunicação com a teia da vida, percebendo as conexões e o ambiente sagrado que permeia toda a natureza. É capaz de vislumbrar a água, como nossa irmã, como um dom venerável de Deus, que é preciso guardar e administrar com justiça, e sempre em harmonia com o bem comum.
O olhar contemplativo permite superar a razão instrumental e gananciosa que manipula a terra como se fosse apenas mercadoria, destinada a produzir lucros, sem importar-se com a biodiversidade e a interdependência que abraça a todas as criaturas. A oração sempre será para os cristãos o grito do Espírito Santo que nos faz ver e sentir o sofrimento e os gemidos da humanidade e da própria terra em sua caminhada pela total manifestação do plano de Deus.
A falta de chuvas é um sinal que por um lado exige de nós novas atitudes que se traduzam em uma economia sóbria e generosa da água que dispomos para que todos possam também usufrui-la, mas também reclama uma cidadania planetária que regule com justiça o uso das águas, como bem público e direito de todos os seres viventes.
Que o Senhor da Vida, da ternura e da misericórdia nos mande chuvas, e que saibamos como jardineiros da terra e guardiães da criação recebê-las com gratidão e cuidado responsável. Deus seja louvado!
“Espiritualidade e Sustentabilidade: as orações pedindo chuvas”
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)


quarta-feira, 11 de março de 2015

Ainda sobre o sofrimento do homem


O sofrimento faz parte do mistério da vida humana, seja na realidade física, como a doença e a dor, seja na esfera moral como o desprezo, a rejeição e o remorso de consciência, a perseguição, a solidão, o abandono, a perda de um ente querido, a ingratidão, o remorso e a decepção. A realidade humana nos mostra que neste mundo é praticamente impossível viver sem a experiência do sofrimento. A fé cristã, mais do que buscar respostas simples, nos apresenta um Deus que sofre conosco. Em Jesus descobrimos que Deus não nos abando­na, compadecendo-se do nosso sofrimento e transformando-o em redenção. No mistério da Cruz vemos que onde está alguém que sofre,  lá estará o Cristo.
Por sua vez  Jesus que passou fazendo o bem  suscita em nosso coração a compaixão pelo que sofre,  como na parábola do Bom Samaritano.  Diante do próximo que sofre não nos é permitido passar adiante, com indiferença; mas parar junto dele, não com curiosidade, mas disponibilidade.  Bom Samaritano é todo homem sensível ao sofrimento de outro, que se comove, que se compadece, se comove diante do sofrimento do próximo.    

(A MISSA-Arquidiocese RJ)

sábado, 7 de março de 2015

Fé e Política – Brevíssimo comentário


Diante de tanta noticia ruim, de tanto descalabro dos governantes do país, da corrupção institucionalizada, da impunidade reinante só nos resta a esperança de dias melhores. Esperança principalmente em Deus, nós que confiamos nele. No entanto é conveniente lembrar que fé e esperança não significam cruzar os braços e esperar que a solução de nossos problemas caia  do céu, como um pacotão de graças. É necessário ação. Dar passos na fé; passo na fé é andar num caminho que Deus próprio prepara para nós enquanto caminhamos. Façamos nossa parte com sabedoria e discernimento e com certeza Deus faz a dele com perfeição.
Em relação ao caput do parágrafo acima, fazer nossa parte é não compactuar e nem sequer pensar na possibilidade de justificativas para ações nefastas, venha de onde vier. Protestar pacificamente contra o status quo vigente é lícito e necessário; exigir, na forma da lei, a apuração e punição de todos os delitos praticados por autoridades e empresários corruptos e corruptores e até mesmo a defenestração de governantes incompetentes e imparciais. 
Onde entram nesse contexto a fé e a esperança? Esperança que tudo seja esclarecido, resolvido e que o país volte a normalidade política, social e econômica. Fé, crendo que o Senhor Nosso Deus há de ter compaixão por seus filhos, da nação brasileira, que em função da ação consciente dos cidadãos indignados com a rapinagem do erário publico, venha Ele fazer valer a justiça. Que venha ser imputada a pena devida aos delitos praticados. 

Façamos como cristãos a nossa parte e Deus por certo fará a dele conforte sua vontade. E a vontade de Deus é que sejamos felizes. Assim seja, amém, amém.

quarta-feira, 4 de março de 2015

O Batismo no Espírito Santo como experiência fundante

Transcrição, na íntegra, da pregação de Michelle Moran, então presidente do ICCRS, feita durante o ENF 2015, em 22/01 na cidade de Aparecida/SP.

É maravilhoso poder falar com vocês imediatamente após a fala do Papa. O Papa Francisco nos deu a direção e, agora, nós temos a responsabilidade de fazer isso acontecer. O Jubileu não é um ponto de chegada, mas é um momento para nós celebrarmos. E todos vocês, como líderes, têm uma responsabilidade: Quem vocês vão levar junto com vocês para o Jubileu? Não se trata de nós juntos fazermos uma festa, mas se trata de um mundo conhecer a obra transformadora de vidas que o Espírito Santo realiza. Todos nós temos um trabalho a fazer, portanto.
Uma das coisas que eu faço como parte da minha responsabilidade, eu tenho a oportunidade de me encontrar com o Santo Padre com frequência, e todas as vezes em que eu me encontro com o Santo Padre, eu quero que vocês saibam que levo toda a Renovação Carismática do mundo inteiro dentro do meu coração. Então vocês estão se encontrando com o Santo Padre com muita frequência.
Nesta manhã, eu quero refletir com vocês sobre o coração da Renovação Carismática Católica que é a experiência do Batismo no Espírito Santo. Em Pentecostes de 2008, nós estávamos reunidos na praça de São Pedro e o Papa Bento XVI falou conosco muito claramente sobre o Batismo no Espírito Santo. E ele disse: “Que nós possamos redescobrir a graça de ser batizados no Espírito Santo. A alegria e a beleza de sermos batizados no Espírito Santo”. Vamos lembrar-nos do nosso Batismo e do nosso Crisma e vamos pedir à Maria para ter um novo Pentecostes para nós. Vamos difundir e espalhar a graça de Pentecostes para todo o mundo.
Ele não estava falando só sobre a Renovação Carismática Católica e acho que temos que ouvir isso com nossos ouvidos muito abertos. Porque o que o Papa Bento estava fazendo era nos lembrar de que o Batismo no Espírito Santo não era só para os carismáticos, mas para toda a Igreja. Ele estava nos fazendo pensar sobre os Sacramentos do Batismo e do Crisma. Isso é uma coisa que nós carismáticos fazemos com frequência, nós nos lembramos da graça do Batismo e seguimos com a força do Sacramento do Crisma.
Bento XVI estava nos lembrando de que nós temos que ficar em expectativa pelo novo derramamento do Espírito e estarmos prontos para nos mover de acordo com a direção do Espírito. Nessa ocasião em que vocês puderam ver no vídeo hoje de manhã, no estádio olímpico, no ano passado, o Papa Francisco falou muito claramente e, desta vez, para a Renovação Carismática Católica: “Eu espero que vocês partilhem com todos na Igreja a graça do Batismo no Espírito Santo”. “EU ESPERO QUE VOCÊS”. Quem se sente
convidado com o Papa? Todos nós. E qual é a nossa tarefa? Partilhar com todos a graça do Batismo no Espírito Santo.
Então eu poderia perguntar para vocês: “o que vocês fizeram até agora?”. Desde que o Santo Padre nos pediu para fazer isso, o que nós temos feito? Tenho certeza de que nós fizemos muitas coisas. Mas, esta manhã eu quero motivá-los para fazerem mais, buscarem mais. Isso resultou numa Renovação Carismática enfraquecida, sem visão e sem força. Tenho de certeza que isso não se aplica ao Brasil. Mas, que quero partilhar com vocês o que acontece em nossa família ao redor do mundo.
Em algumas partes do mundo têm se dispendido muita energia na construção de estruturas, construindo estruturas e deixando que a parte organizacional tome um papel importante. Quero dizer para vocês que estruturas são importantes, mas o Santo Padre nos advertiu sobre o perigo da organização excessiva. A imagem que eu gosto de usar para descrever isso é: se nós pensarmos no Espírito Santo como fogo, eu já estive na Austrália muitas vezes, e, no verão, eles têm um grande problema com o fogo que pega na vegetação. Quando começa o incêndio, a madeira está muito seca e o fogo começa a se espalhar e gradualmente ele fica fora de controle. É muito perigoso, é caótico, é um grande problema. Sem as estruturas necessárias, quando as pessoas são batizadas no Espírito Santo e o fogo está queimando, esse fogo pode ser espalhar, mas também coisas caóticas podem acontecer. As pessoas podem acabar deixando a Igreja, acreditarem em heresias, fazendo a sua própria vontade em nome de Deus. Então, sim, nós precisamos das estruturas. Mas, se as estruturas forem muito pesadas, nós acabamos extinguindo o fogo.
No ano passado, eu estive no Peru e nós fizemos lá nosso programa de treinamento de liderança. Numa noite, nós fizemos nossa oração fora, em torno de um campo de fogo. Nós nos reunimos em torno daquele fogo e, então, um dos homens daquele grupo. E agora eu não quero dizer que só os homens têm a tendência de super organizar as coisas, mas alguns dos homens disseram: “Vamos construir esse fogo”. Então eles começaram a colocar muitas toras de madeira sobre aquela fogueira e gradualmente o fogo ia se apagando. Daí uma pessoa disse: “É porque o fogo não consegue respirar”. Então eles abriram aqueles pedaços de madeira e houve uma ignição. Acho que isso é uma imagem muito boa de como devemos pastorear o Batismo no Espírito Santo. Sim, nós precisamos de estruturas. Com certeza, as pessoas precisam das lideranças, mas nós não precisamos controlar, nem conter o Espírito Santo, porque, se nós fizermos isso, nós vamos extinguir a graça da Renovação Carismática. Acho que vocês entenderam, aleluia!
Em algumas partes do mundo, nós nos afastamos tanto do nosso fundamento, que as pessoas estão fazendo Seminários de Vida no Espírito, mas não estão sendo batizadas no Espírito Santo. Mas, eu me pergunto por quê? O Espírito Santo parou de agir? Não. O Espírito Santo se extinguiu, morreu? Não! Então,
por que as pessoas não estão sendo batizadas no Espírito Santo? Talvez vocês possam responder essa pergunta para mim. Eu acho que isso tem a ver com o fato de que como líderes nós não temos sido fiéis ao nosso fundamento e nós não estamos nos movendo com aquela fé expectante que tínhamos no início. Nós temos que voltar à simplicidade do início da Renovação Carismática Católica. Existem alguns Grupos de Oração que eu visito e nem tenho certeza de que eles ainda são Grupos de Oração carismáticos. Tem pessoas cantando, dançando, talvez alguém até faça uma leitura da bíblia e as pessoas rezam. É um bom Grupo de Oração, mas não é um Grupo de Oração carismático.
Nesses tempos em que estamos fazendo nossa jornada rumo ao Jubileu, nós temos que nós perguntar: “Nós somos carismáticos?”. Os nossos Grupos de Oração estão se movendo nos carismas? Nós estamos vendo coisas novas no Espírito? Nós estamos nos aprofundando em nossa vida de oração? Nós estamos sendo mais eficientes e eficazes em nossa evangelização? Estes todos são pontos importantes para nós refletirmos.
Me lembro agora de Atos 19, quando Paulo chega em Éfeso, ele pergunta para as pessoas: “vocês receberam o Espírito Santo quando foram batizados?” e vocês lembram que as pessoas disseram: “nós nem sabíamos que tinha o Espírito Santo”. Penso que existem pessoas na Renovação Carismática Católica que não conhecem toda a dimensão da graça do Batismo no Espírito Santo. Meus amigos, nós temos uma grande tarefa para cumprir, nós temos que nos revigorar, refrescar. Nós temos que fazer com que nossos Grupos se tornem jovens novamente. Nós precisamos de um novo Pentecostes, para uma nova evangelização.
Vamos voltar por um momento para o evento de Pentecostes em Atos 2. Lembrem que Pentecostes era uma festa judaica. Então eles se reuniam para celebrar essa festa que fazia memória das leis sendo dadas a Moisés no monte Sinai. Então nós temos que ler Atos 2 juntamente com Êxodo 19. Santo Agostinho, em uma de suas homilias, observou que se passaram 50 dias entre a saída do Egito e o recebimento das tábuas da lei no monte Sinai. Então, se passaram também 50 dias entre o sacrifício do cordeiro, Jesus Cristo, e o recebimento do Espírito na festa de Pentecostes. Agora que nós nos aproximamos do nosso 50º aniversário, penso que nós precisamos ficar em atitude de expectativa. Penso que nós podemos viver uma experiência nova com o Espírito Santo. A mensagem é a mesma no livro do Êxodo 19, 10, o Senhor disse: “preparem-se, aprontem-se”. Em Atos 1, 4, aos apóstolos é dito que eles devem esperar pela promessa do Pai. Hoje o Senhor diz para nós: “estejam preparados, aprontem-se, fiquem na expectativa, fiquem atentos à minha palavra”. Estejam preparados para mais daquilo que o Pai prometeu.
No monte Sinai, houve uma manifestação de Deus. Trovões, raios, trombetas, fumaça, fogo, mas somente Moisés estava lá na montanha, ele estava acompanhado de Aarão e ele era o mediador entre o povo e Deus. Em Atos 2,
Deus se manifesta. Há fogo, vento, a sala se move, mas não há mediador. O Espírito Santo diretamente repousa sobre cada pessoa. O Batismo no Espírito Santo é pessoal. Todos precisam de um Pentecostes pessoal. E o nosso Batismo no Espírito Santo nos permite viver agora toda a grandeza da graça do batismo. Se nós pudéssemos realmente entender isso, o mundo seria transformado. Deus, através do Espírito Santo, quer transformar o mundo através de mim e através de você. No dia de Pentecostes, a promessa de Deus foi cumprida: Joel 3, 1 – “Eu derramarei o meu Espírito sobre todos os seres humanos”. O Senhor derramou o seu Espírito. Amém? Onde Ele derramou o Espírito? Em mim, em você, em todo mundo. Nós temos que ajudar as pessoas a verem o que Deus fez. Nós temos que ajudar as pessoas a receberem o que Deus fez. Nós temos que assumir nosso lugar nesse novo tempo, nesta nova era do Espírito Santo. Nós temos o Espírito Santo dentro de nós. É daí que temos o tema deste nosso Encontro, nós vivemos sob a lei do Espírito de graça. Quero, portanto, motivá-los para abrirem os seus corações para receberem mais daquilo que Deus já fez. Para cada dia receberem mais das graças do seu Batismo e do seu Crisma, mas que também estejam abertos para as novidades do Espírito Santo.
Vejam, o Espírito não foi dado no dia de Pentecostes para nós termos uma experiência espiritual. A vida no Espírito não quer dizer que é uma experiência. O Espírito não foi derramado no dia de Pentecostes para que nós fôssemos curados. O Espírito não foi dado em Pentecostes para que nós pudéssemos ter dons carismáticos. Essas coisas são muito importantes. Mas, em primeiro lugar, o Espírito foi derramado no dia de Pentecostes para formar um povo que fizesse aliança com Ele. Pentecostes começou uma nova era: a Igreja, onde Deus tem levantado pessoas do Espírito. E não são somente pessoas da Renovação Carismática, mas eu creio que nós temos uma responsabilidade especial, por causa daquilo que nós já vimos, já ouvimos, por causa do que nos vivemos. O Senhor nos chama a sermos testemunhas até os confins do mundo. Então precisamos constantemente clamar para ter mais do Espírito Santo.
No I Coríntios 1, 4-7, Paulo parabeniza a comunidade. Ele diz: “eu nunca deixei de agradecer por vocês. Eu agradeço a Deus por vocês terem sidos abençoados de tantas maneiras e agradeço a Deus porque o amor a Jesus Cristo é forte entre vocês.” Mas depois, em I Cor 3, 1, Paulo diz: “eu não consegui falar com vocês como a pessoas do Espírito”. Eu peço a Deus que quando Ele olhar para a Renovação Carismática, Ele se alegre. Eu espero que o Senhor ache que aquilo que nós fizemos foi bom. Mas eu não gostaria que Ele dissesse: “Vocês não são espirituais”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são imaturos no Espírito”. Eu não gostaria que Ele dissesse: “vocês são líderes, mas vocês não trabalharam para que se difundisse para o mundo essa graça”. Então o convite para nós esta manhã é “voltem”! Voltem para aquela base aquele, aquele fundamento soberano da Renovação Carismática. Voltem
para a graça do Batismo no Espírito Santo. E quando eu digo “voltem”, eu não quero que vão para trás. Nós não somos pessoas que estão voltando para trás, nós estamos nos movendo para frente. Talvez nós tenhamos que redescobrir esse nosso fundamento para que nós possamos nos mover com uma nova força.
Em novembro de 2013, um grupo de líderes de todo o mundo se reuniram na Terra Santa para escutar o Senhor nessa nossa jornada rumo ao Jubileu. Em um daqueles, dias nós fizemos uma peregrinação a Jerusalém e nós tínhamos a esperança de podermos nos reunir no local do Cenáculo. Mas o Cenáculo é um dos lugares santos que não é cuidado pelos franciscanos. A polícia é que controla aquela área. Então, vamos até o Cenáculo e temos que passar por ele, não podemos ficar lá. Nós éramos 160 pessoas e nós chegamos lá com uma visão no nosso coração. Nós queríamos ficar lá no Cenáculo. Meu marido estava lá com o seu violão e o policial disse “sem violão”. Então nós nos perguntamos: o que vamos fazer? E o policial disse: “Ah! Vão, vão...” e nós fomos com o violão. Quando nós temos um violão, nós temos um Grupo de Oração e nós tínhamos que nos mover rapidamente no Espírito. Então muito rapidamente começamos a rezar. Éramos pessoas de muitas diferentes línguas, então nós oramos na linguagem do Espírito. E nós ficamos lá, naquele lugar que não pode ficar muito tempo, por mais de uma hora. Creio que aquela foi uma reunião de oração profética. Líderes carismáticos de diferentes línguas, de todas as partes do mundo, reunidos no Cenáculo. Numa certa altura, o policial foi lá ver o que estava acontecendo. Ele entrou lá no Cenáculo e ficou olhando, nós rezamos ainda mais alto em línguas. E o policial saiu. Vejam, quando nos movemos no poder do Espírito Santo, nada pode nos impedir.
O que Deus nos falou no Cenáculo? Certamente o que Ele disse a cada um de nós foi “recebam um novo Pentecostes pessoal. Não somente para você mesmo, mas para todas as pessoas que você representa”. Eu creio que, naquele dia, o Brasil recebeu um novo Pentecostes. Aleluia! Mas, nós temos que nos apropriar desse novo Pentecostes, nós temos que recebê-lo. A última palavra profética que nós ouvimos lá no Cenáculo foi: “Eu derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito, e derramarei o meu Espírito. Eu vou derramar o meu Espírito abundantemente e perpetuamente até que tenha sido realizado aquilo que eu desejo”. Vocês acreditam que o Senhor está derramando o seu Espírito? Vamos ficar de pé. Nós vamos rezar pedindo mais do Espírito Santo. Há um novo refrigério que o Senhor quer nos dar hoje. Nós não vamos pensar mais nas bênçãos de ontem, nós queremos um novo toque do Espírito. Vamos orar no Espírito para receber mais do Espírito!
Senhor, dá-nos o novo do teu Espírito, dá-nos o teu refrigério. Senhor, renova-nos no poder do teu Espírito, transforme as nossas vidas. Traga a novidade para dentro da tua Igreja, Senhor. Traga conversão para o nosso mundo, que a Tua Palavra vá até os confins do mundo no poder do Espírito Santo, amém!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

A Teoria do gênero



 


Nos dias de hoje, pouco a pouco, a palavra "sexo" está sendo substituída pela palavra "gênero". Antes se falava em "discriminação de sexo"; agora se fala em "discriminação de gênero". Tudo parece muito inocente. Afinal, "sexo" possui um significado secundário, subentendendo relação sexual ou atividade sexual. "Gênero" parece mais delicado e refinado. Ledo engano, pois, por trás da palavra "gênero", agora adotada por muitos, para substituir a palavra "sexo", há uma teoria, um programa e uma política de atuação arquitetados para que venham a prevalecer certos conceitos acerca desse tema... Explico-me. 
A teoria do gênero é uma hipótese segundo a qual a identidade sexual do ser humano depende do ambiente sociocultural e não do sexo - homem ou mulher - que o caracteriza, desde o instante da concepção.
Assim, o nosso sexo biológico não seria mais importante do que o fato de alguém ser alto ou baixo, branco ou afrodescendente; a identidade, feminina ou masculina, teria pouco a ver com as características biológicas do nosso corpo, pois essa identidade seria, de fato, imposta pela sociedade. Sem outra escolha, desde a mais tenra idade cada pessoa interiorizaria o papel que supostamente deve desempenhar na sociedade, na condição de homem ou de mulher. Segundo essa teoria, o nosso gênero deveria ser alicerçado na nossa orientação sexual, a qual somos livres para aceitar. Essa orientação poderia ter formas diversas, bem como poderia alterar-se ao longo dos anos.
Em outras palavras: a teoria do gênero subestima a realidade biológica do ser humano. Valoriza, sim, a construção sociocultural da identidade sexual, opondo-a à natureza. Enquanto "sexo" designa a realidade biológica - menino ou menina -, "gênero" designa a dimensão social do sexo. De acordo com essa teoria, o termo "gênero" designa a masculinidade ou feminilidade construída pelo ambiente social e cultural (idioma, educação, modelos propostos etc.). O gênero não dependeria do sexo biológico: seria subjetivo, pois obedeceria à percepção que cada indivíduo tem de si mesmo e da sexualidade que escolheu viver.
As consequências dessa teoria são imensas. Nasce, assim, um novo "modelo" familiar. A família - formada a partir de um casal composto por um homem e uma mulher - não seria mais legítima do que outras formas de "família". 
Biologicamente, todo ser humano é homem ou mulher. Desde o nascimento, a educação e a cultura, absorvidas pelo ser humano em formação, interagindo com o meio social e, sobretudo, com a presença dos pais (pai e mãe) e das pessoas com quem a criança convive, permitem que ela construa, pouco a pouco, a sua identidade de menino ou menina. Assim, a criança forma a sua identidade sexual do ponto de vista psicológico, cultural. É natural que o comportamento social (o gênero) esteja em harmonia com o sexo biológico.
Os adeptos da teoria do gênero pretendem que, por um simples ato de vontade, poderíamos alterar a realidade do que somos, escolhendo a nossa identidade sexual: "Eu não sou o corpo que tenho". Desconectar o sexo do gênero e considerar que a identidade sexual repousa apenas sobre o gênero resulta em apagar uma evidência anatômica. O nosso corpo mentiria para nós? Adotar essa teoria significa querer uma sociedade baseada numa ilusão.
Sejamos realistas: nascemos menino ou menina. A procriação necessita de pai e mãe. A criança precisa de pai e mãe para se desenvolver, para construir a sua personalidade. Observamos que em casos de dificuldade os psicólogos apelam para o pai e a mãe para solucionar o problema relacional do filho. As respostas do pai e da mãe enriquecem umas às outras, complementam-se e permitem resolver os problemas.
Por fim, lembro o que poderia ter sido colocado no início do texto, e que está no começo da Bíblia: "E o Senhor Deus disse: `Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda´... Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne" (Gênesis 2,18.24).
Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Passos firmes pelo Espírito Santo: 48 anos de Renovação Carismática Católica


A Renovação Carismática Católica completa 48 anos de existência. O Movimento inspirado por Deus para difundir a Cultura de Pentecostes tem uma história cheia de graças e bênçãos. Uma caminhada de mais de quatro décadas que está marcada com diversos testemunhos e experiências fervorosas com o amor de Deus através do Espírito Santo.
Entre 17 a 19 de fevereiro de 1967, sob a luz do Paráclito, mais de 30 pessoas, dentre elas jovens estudantes e professores, se reuniram em retiro na Universidade de Duquesne, em Pittsburg, na Pensilvânia, para orar e estudar a Bíblia. Neste evento, em dado momento, os participantes foram levados a se colocarem diante do Santíssimo Sacramento, mal sabiam o que o Senhor lhes propunha, mas foram dóceis ao que Ele lhes pedia.
Os jovens ali presentes tiveram a experiência do Batismo no Espírito Santo. Um Pentecostes pessoal acontecia na vida deles e o poder do Espírito se manifestava de diversas formas. Mas aquele ardor que havia sido infundido pelo Espírito Santo não acabou junto ao conhecido Retiro de Duquesne. Revigorados através do batismo no Espírito, os estudantes e professores começaram a difundir essa experiência para outras pessoas, tal como os apóstolos fizeram depois de Pentecostes (cf. Atos 4,31).
Após toda essa experiência, a Renovação Carismática Católica foi crescendo e se difundindo pelo mundo inteiro. Grupos de Oração foram formados, retiros realizados e a cada dia podia se ver que mais pessoas tinham seu encontro pessoal com Deus por meio do Batismo no Espírito Santo.
Com o seu crescimento, o Movimento foi confirmado e abençoado por diversos Pontífices. Papa Paulo VI afirmou que era necessária uma renovação no Espírito; João XXIII trouxe o Concílio Vaticano II; Papa João Paulo II desejou “vida longa aos carismáticos”, quando se encontrou com líderes da RCC; o Papa Bento XVI falou sobre a importância da propagação da Cultura de Pentecostes, “que é tão necessária”, e Papa Francisco chamou a RCC de “corrente de graça para a Igreja”.
Comemorando seus 48 anos, a RCC continua viva, apresenta-se cada vez mais missionária, mas sabe que ainda há muito a amadurecer e que precisa ser cada vez mais efetiva em suas ações de evangelização. Por isso, o ICCRS (Serviços Internacionais da Renovação Carismática Católica) propõe um aprofundamento da identidade do Movimento e intensificação de missões como preparação para o Jubileu de Ouro da RCC a ser celebrado em 2017, na Praça de São Pedro em Roma.
Celebrando os 50 anos da RCC
Em comunhão com o Movimento de todo o mundo, a Renovação Carismática Católica do Brasil se organiza para estar presente neste momento de profunda intimidade com o Espírito Santo e grande festa!
Por isso, a RCCBRASIL oferece um pacote especial de peregrinação para o Jubileu de Ouro. São oito dias de peregrinação por Roma, com saída em 29 de maio de 2017 e retorno no dia 5 junho. Aos interessados que adquirir o pacote até 28 de fevereiro o valor é de R$4.880,00 mais a taxa de adesão de R$180,00. Após esta data, o valor será de R$5.880,00.
Para saber sobre as formas de pagamento, conhecer os pacotes adicionais e outras informações, entre em contato pelo e-mailperegrinacao@rccbrasil.org.br ou pelo telefone (12) 3151-4155.
Ao relembrar todas essas maravilhas neste dia, queremos junto com a RCC do mundo, glorificar a Deus pelas inúmeras graças derramadas ao longo desses 48 anos, pelas incontáveis famílias que foram transformadas pelo Batismo no Espírito Santo, pelos muitos encontros pessoais com Jesus, pelos tantos corações que um dia foram impactados ao saber: “Jesus te ama!”.
Que pela intercessão da Beata Elena Guerra, nós, Renovação Carismática Católica, sejamos semeadores eficazes da Cultura de Pentecostes. Que sejamos tão apaixonados por Jesus, a ponto de colocar nossa vida em missão! E continuemos sempre atentos ao mover do Espírito, que nos conduz a caminhar sempre de acordo com sua vontade.
(www.rccbrasil.org.br)




domingo, 22 de fevereiro de 2015

O sentido cristão do sexo


Antes de tudo o casal cristão precisa conhecer bem o sentido do sexo no plano de Deus. Ele o quis. De todas as alternativas possíveis que Deus poderia ter empregado para gerar e manter a espécie humana, Ele escolheu a relação física e espiritual do amor conjugal. Deus quis que o casal humano fosse o arquétipo da humanidade, e que sua geração fosse por meio da via sexual.
Além disso, por meio deste ato, quis aprofundar o amor do casal. Então, a conclusão a que se chega, é que Deus não só inventou o sexo, mas o dotou de profunda dignidade e sentido, e por isso colocou normas para ser vivido de maneira correta, para que não causasse desajustamento e sofrimento.
Deus quis que o ser humano fosse material e espiritual, algo como uma síntese bela do animal que apenas tem corpo, com o anjo que apenas é espírito.
E dotando-o de corpo quis que o homem fosse sexuado como os animais; porém, a sua vida sexual devia ser guiada não pelo instinto, como nos animais, mas, pela alma, e iluminada pela inteligência, embelezada pela liberdade, conduzida pela vontade e vivida no amor.
A vida sexual é algo muito sublime no plano de Deus; por isso, jamais um casal deve pensar que Deus esteja longe no momento de sua união mais íntima; pois este ato é santo e santificador no casamento e querido por Deus.
O amor conjugal tem um sentido único; o amor entre dois seres do mesmo sexo, como, por exemplo, pai e filho ou dois amigos, não contém a complementação no plano físico. O uso do sexo no seu devido lugar, no casamento, bem entendido nos seus aspectos espiritual e psicológico, é um dos atos mais nobres e significativos que o ser humano pode realizar; pois ele é a fonte da vida e da celebração do amor. A virtude da castidade, mais do que consistir na renúncia ao sexo, significa o seu uso adequado.
Diz o Dr. Alphone H. Clemens, Diretor do Centro de Aconselhamento da Universidade Católica da América, Washington, D.C., sobre o ato sexual:
“É um ato de grande beleza e profunda significação espiritual, pois o amor conjugal entre dois cristãos em estado de graça, é uma fusão de dois corpos que são templos da Trindade, e uma fusão de duas almas que participam da mesma Vida Divina… Por outro lado, usado com propriedade, torna-se uma fonte de união, harmonia, paz e ajustamento. Intensifica o amor entre o esposo e a esposa, e funciona como escudo contra a infidelidade e incontinência. A personalidade humana integral, mesmo nos seus aspectos sobrenaturais, é enriquecida pelo sexo, uma vez que o ato do amor conjugal também é merecedor de graças” (Clemens, 1969, p. 175).
Afirma Raoul de Gutchenere, em “Judgment on Birth Control” que:
“Foi reconhecido há já bastante tempo, que […] as relações sexuais produzem efeitos psicológicos profundos, especialmente sobre a mulher”, uma vez que o esperma absorvido por seu corpo, desempenha um papel dinamogênico, promovendo o equilíbrio. De modo geral, o ato de amor conjugal provoca o relaxamento, vigor, autoconfiança, satisfação, sensação geral de bem estar, sensação de segurança e uma disposição que conduz ao esquecimento de atritos e tensões de menor importância entre o casal” (Apud Clemens, p. 177).
Não é à toa que São Paulo, há 2000 anos já recomendava aos cônjuges cristãos: “não vos recuseis um ao outro… afim de que Satanás não vos tente” (1Cor 7,5).
A recusa do sexo sem motivo pode representar não apenas uma injustiça para com o cônjuge, mas também o perigo de o expor à infidelidade e o casamento ao fracasso. Isso mostra que os casais não devem ficar muito tempo separados quaisquer que sejam os motivos, especialmente por razões menores. O afastamento prolongado deles pode gerar uma situação de estresse especialmente para o homem. Alguns conseguem superar essa abstinência sexual forçada com uma sublimação religiosa, mas nem todos tem a mesma disposição.
No entanto, é preciso dizer que os especialistas mostram em suas pesquisas que “outros fatores que não o sexo são mais importantes para a felicidade matrimonial”, uma vez que muitos casais superam seus problemas e angústias com um amor autêntico.

Prof. Felipe Aquino  (Trecho retirado do livro: A vida sexual no casamento – Editora Cléofas)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O amor pode terminar?


Quando tempo pode durar o casamento? Ou ainda, quando é que ele começa a desmoronar? Até há pouco, pensava-se que as primeiras crises chegassem depois de sete anos de “feliz” convivência. Em seguida, o tempo se abreviou, e o prazo de sua validade foi reduzido para cinco anos. Ultimamente, um levantamento feito pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, com aproximadamente 10.000 casais, descobriu que o amor não sobrevive mais de três anos – dado que coincide com outro estudo feito no Reino Unido, entre 2.000 casais.
«Paixão eterna só existe na ficção», afirma o psicólogo Bernardo Jablonksi, autor do livro: “Até que a vida nos separe: a crise do casamento contemporâneo”. Contudo, as diversas separações que ele atravessou podem provir do fato de ter identificado o amor com a emoção: «Na paixão, você sofre, deixa de se alimentar, não consegue dormir. Não poder durar!».
Dessa confusão não escapa outro psicólogo de renome, Aílton Amélio. Fundamentado no princípio de que tudo na vida precisa ser alimentado para não morrer, ele conclui: «O amor pode terminar, porque precisa ser nutrido por fatos. É como andar de motocicleta: se parar, cai».
Apesar da dificuldade de distinguir as coisas, o cineasta Roberto Moreira consegue descortinar uma luz no fundo do túnel: «O amor pode ser eterno, mas a probabilidade é pequena. Relacionamento que dure mais de dez anos é um sucesso». Referindo-se ao seu filme “Quanto dura o amor?”, lançado em 2009, Moreira apresenta a solução do enigma: «Talvez o melhor título fosse “Quanto dura a paixão?”, porque o amor só existe quando o parceiro deixa de ser uma projeção nossa».
Como já se tornou lugar-comum afirmar, amor é a palavra mais inflacionada do planeta. Diz tudo e não diz nada! Pode ocultar um egoísmo tão atroz que seu fruto é o desespero e a morte.
Contudo, para os cristãos, sua realidade resplandece como o sol. Quem encontrou seu pleno significado foi o evangelista São João. Por que ele é o único dos apóstolos que, por mais vezes, se declara o “discípulo amado” por Jesus? A resposta é simples e… deslumbrante: porque foi ele quem escreveu a página mais comovedora da Bíblia e fez a descoberta mais revolucionária da história: «Deus é amor. Quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele» (1Jo 4,16).
Mas, o que é o amor? Eis a resposta de São João: « Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. O amor consiste no seguinte: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e nos enviou o seu Filho para nos libertar de nossos pecados» (1Jo 4,9-10).
Para São João, amar é dar o que de melhor existe no coração humano – sem dúvida, fruto do sacrifício – para que a pessoa que está ao lado tenha uma vida digna e plena. Assim como faz Deus, que oferece o que de mais precioso tem: seu filho Jesus.  Amar é sair de si mesmo, é esvaziar-se de seus interesses para que o outro se liberte e se promova, em seu sentido mais verdadeiro e profundo. Por isso, o amor exige autodomínio e heroísmo, ao pedir que nos coloquemos diante de cada pessoa sem levar em conta as emoções, as mágoas, os apegos e os preconceitos que se aninham em nosso coração. Amar é tomar sempre a iniciativa: «Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho».
O amor humano, embora bonito, misterioso e arrebatador, não é suficiente para preencher o espírito humano. Se é indispensável para iniciar um casamento, é insuficiente para mantê-lo de pé a vida inteira: «O fato de sermos amados por Deus enche-nos de alegria. O amor humano encontra sua plenitude quando participa do amor divino, do amor de Jesus que se entrega solidariamente por nós em seu amor pleno até o fim» (Documento de Aparecida, 117).
O que pode acabar – às vezes, com uma rapidez tão espantosa que se transforma em seu contrário – é a emoção, o sentimento, a emotividade. Mas o amor verdadeiro nunca termina, simplesmente porque se identifica com Deus. Nessa simbiose divina, ele passa a ter a fisionomia de Deus: paciente e prestativo, humilde e perseverante, misericordioso e gratuito: «Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (Cf. 1Cor 13,4-7).
Dom Redovino Rizzardo, cs - Bispo de Dourados – MS