sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A Verdadeira Face de Deus



“O Deus do antigo testamento é cruel, vingativo, sanguinário”. Só uma mente obtusa é capaz de pensar assim. Jesus não veio apresentar um novo Deus, um Deus renovado. Não; ele veio apresentar a verdadeira face do Pai Deus, corrigindo a imagem distorcida que faziam Dele.
Por questões conjunturais, no contexto histórico da época Deus se apresentava com severidade, porém nas entrelinhas se percebe o Deus amoroso que é. O povo de Deus no antigo testamento, este sim de coração empedernido, via então um Deus ciumento, irascível e ávido por sacrifícios e holocaustos penitenciais. A boca fala daquilo que o coração está cheio; assim as mãos escrevem, os olhos enxergam e por aí vai. Seria mais ou menos assim: Deus fala ao profeta que o mal deve ser exterminado. O profeta diz ao povo: exterminem o mal! O povo obediente, mas odiento, extermina os homens que eles julgam maus e não o mal que habita em si mesmo.
A Bíblia é verdadeira Palavra de Deus, porém escrita por mãos humanas; homens que viviam num contexto histórico diferente do nosso. Por isso a necessidade de uma exegese sistemática para o entendimento e visão verdadeira de Deus no antigo testamento. Numa leitura superficial, literal, enxergamos Deus como um ser ciumento e rancoroso; daí o grande perigo do fundamentalismo. Entretanto se aprofundarmos a leitura, buscando compreender o sentido da escritura num contexto histórico-literário da época, conforme o Magistério da Igreja nos ensina, veremos Deus completamente diferente, aí sim, o verdadeiro Deus.   
Jesus Cristo, rosto divino do homem e rosto humano de Deus, veio então mostrar o verdadeiro Deus como sempre foi desde sempre: amoroso, misericordioso, zeloso, bom, fiel a suas promessas, imutável, eterno, glorioso. Para selar definitivamente a aliança feita com seu povo, fez-se carne e habitou entre nós; doou-se. Não exigiu sangue alheio, deu em sacrifício cruento sua própria carne, Jesus, numa prova inconteste de amor.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Igreja de Cristo



Sabemos que a igreja, fundamento da verdade evangélica, foi fundada por Jesus Cristo a partir da cruz. “Assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo do seu lado nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. Assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte” (S. João Crisóstomo). A igreja de Cristo já existia no coração de Deus desde sempre: a jornada do povo hebreu no deserto prefigura a Igreja na sua peregrinação terrena; a cruz, penhor de salvação, foi o germe de onde nasceu a Igreja e o derramamento do Espírito Santo em pentecostes determina a sua manifestação ao mundo.  
No tempo de Jesus na terra o exército romano havia conquistado todo o mundo conhecido, para glória de César e enriquecimento do império. Jesus veio ao mundo para conquistar os corações para o reino de Deus. E continua fazendo isto até hoje e quer servir-se de nós para dar continuidade a sua obra. Para isto Deus nos deixou a sua palavra, as sagradas escrituras. Deixou-nos também como legado de amor e salvação, sua igreja. Igreja Santa, Católica, Apostólica.
A Igreja peregrina é ao mesmo tempo santa (em si) e pecadora (nós). Santa, porque assistida pelo Espírito Santo, pecadora porque formada por nós, seres humanos passiveis de erro.  Porquanto a Igreja, na essência, nunca erra; quem erra somos nós, seus membros. A padecente se purifica e a Igreja triunfante é a Jerusalém celeste na glória eterna.
A Igreja de Cristo é como uma grande e frondosa árvore, cuja raiz é a Igreja primitiva, o tronco a Igreja Católica e os ramos principais, ligados ao tronco são as diversas Igrejas de tradição histórica. Nenhum ramo pode sobreviver fora da árvore, assim como a árvore não vive sem o tronco. Sabemos, há igrejas – ramos externos da árvore – que procuram separar-se da árvore e até mesmo, em vão, cortar o tronco principal. Fora da árvore os ramos secam; cortando-se o tronco a árvore cai e morre. Morrendo a árvore, o Cristianismo desaparece da face da Terra. Fica então no ar a questão: A quem isso pode interessar? Estarão estas igrejas realmente a serviço de Deus?  A Igreja desde os seus primórdios foi perseguida e ainda será até o fim dos tempos. Primeiro pelos fariseus quando era tão somente uma pequena seita de origem judaica, depois pelo império romano, pelas heresias, pelas filosofias agnósticas, pela reforma, pelo iluminismo, pelo comunismo, e hoje pelo racionalismo, relativismo, pelo ateísmo critico. 
 Apesar de todo ataque, toda perseguição, cruenta no inicio, incruenta hoje, ela subsiste resistente, inexpugnável; donde vem essa força? Jesus no Evangelho segundo S. Mateus revela: “Eu te declaro, tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18). Aí Jesus fundamenta sua igreja sobre a rocha (Ele mesmo) delegada à outra rocha (Pedro).  
Os grandes impérios e instituições meramente humanas ruíram, se esfacelaram, se dividiram; a Igreja, no entanto apesar de abalos resiste, una e plural ao mesmo tempo. A explicação é simples: nada, nada, nem mesmo as forças infernais prevalecem sobre a vontade divina. As empreitadas humanas são temporárias, a obra de Deus é eterna.
(Carlos Nunes)

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Promessas de Deus



Todas as promessas de Deus se realizam, porém temos que fazer por onde, ou seja, fazermos a nossa parte, colaborar com a ação de Deus. Procurar Deus, buscar a Sua face e assim, buscar o bem, evitar o mal, fugir das ocasiões de pecado.
Todas as reais promessas de Deus se realizam, repito; porém Deus não opera em nós contra nossa vontade. Quando pensamos de uma maneira e agimos de outra, estamos sendo incoerentes, e a nossa vontade é o que transparece, o que é mostrado nas nossas atitudes. De que vale frequentar regularmente o grupo de oração e ao chegar em casa a primeira coisa a fazer é pegar o telefone, ligar para a comadre e falar mal da vizinha?  
Na nossa piedade, muitas vezes nos deixamos enganar, mas Deus, na Sua justiça, não. – Ah, mas Deus é misericordioso. – É misericordioso, mas não é bobo! Ele releva o pecado sim; Ele leva em conta nosso pecado. Contudo na Sua infinita misericórdia, quando nos arrependemos e deixamos para trás uma vida de pecados, Ele nos perdoa e apaga todos os pecados. Pois que a justiça de Deus é a misericórdia, não a lei.
Ao preço da cruz, Jesus já nos libertou. Cabe a nós sair do fundo da jaula - O pecado é como uma jaula, onde ficamos expostos ao escárnio do maligno. - e saindo, gozar da liberdade plena que Cristo nos oferece.
“Pedis e recebereis, buscai e achareis, bati e se vos abrirá. Tudo que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá”.  Assim disse Jesus. Mas Ele também disse: “Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus”.    


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ouvir a voz de Deus



É de suma importância ouvir o Senhor. Mais que ouvir, acolher a palavra e obedecer. Mas como ouvir a voz de alguém que não vemos, alguém que na realidade é incorpóreo, pois que é puro Espírito? Esse é o questionamento que muitos fazem; crentes e descrentes. Muitos dos que creem, apesar de não duvidar, julgam-se incapazes de ter contato intimo com Deus; julgam – erroneamente – que só os especialmente iluminados têm essa capacidade. Os descrentes, obviamente não creem e ponto final; ouvir Deus? Ah, isso é loucura!
Quase todas as pessoas, indistintamente, já tiveram intuição. Grande número delas guiaram suas decisões através da intuição e por certo tomaram a decisão correta. E o que é intuição senão a voz de Deus falando ao coração? Quando dirigidos por ela – essa voz interior que nos fala ao coração – e obedientes, seguimos como que seus conselhos, por certo o resultado será positivo. Mas é preciso atenção, discernir bons e maus direcionamentos. Às vezes nossa vontade prevalece e o que julgamos ser algo intuitivo, é na verdade um desejo intrínseco; neste caso, inúmeras vezes a decisão é equivocada. Cuidado também para que vozes espúrias, pensamentos invasivos, confusos, coisa que nos trazem dúvidas e invariavelmente antiéticas, pautem nossas decisões.
Para nós carismáticos, é relativamente fácil entender: basta aplicar o discernimento dos espíritos; o que vem para o bem, que traz harmonia e dirime dúvidas, tem grande probabilidade de vir de Deus. Quando o pensamento ou a suposta intuição provoca mal estar emocional, nos confunde, quase sempre vem de fonte diabólica; são as tentações. Considere-se isto apenas uma dica, uma pista; sabemos que não existem regras nem manuais de aplicação dos dons carismáticos.
Nosso Deus é amoroso e se aproxima de nós. Ele quer ser intimo de todos, indistintamente. Por isso Ele se comunica, Ele nos fala – de modo inaudível aos ouvidos carnais, porém de forma loquaz em nosso coração. Portanto, os que se abrem, os que creem, os que realmente querem ouvir, certamente serão inundados pela voz do Senhor. Mas não basta ouvir, como dito acima é preciso reter, mais que reter obedecer às ordens divinas, seguir os conselhos, pautar-se na Palavra de Deus.
Estejamos atentos a palavra de Deus, não só através da conhecida “intuição”, como também no conselho salutar e na orientação de um amigo verdadeiro, nas palavras proféticas e de sabedoria ouvidas numa pregação e principalmente na leitura da Palavra, na Bíblia Sagrada.



sábado, 27 de outubro de 2018

Luar sobre a colina



Imagine Jesus orando no alto dum monte. Imagine o luar incidindo sobre o Senhor em oração. Isto muito provavelmente acontecia, porque era costume de Jesus retirar-se, subir um monte e lá colocar-se em profunda oração, numa vigília durante toda a noite. Jesus Deus e homem.  A natureza humana de Jesus rezava e rezava muito. O Filho orava fervorosamente ao Pai, num diálogo de amor.
Da janela vejo a Capelinha de São José no alto do morro em frente. Em noites de lua cheia, a capela iluminada ao luar se torna uma bela visão. Que belíssima visão seria a de Jesus, envolto pelo luar, irradiando sua própria luz e mesclando-a à da lua. Caríssimos, quando estamos em Deus, com o Espírito Santo, somos mergulhados na sua luz, e como a lua reflete a luz do sol, refletimos também nós, a luz imensa do sol radiante da justiça que é Jesus.
O mundo tenta ofuscar nossa vista, tenta nos cegar com o brilho falso das luzes feéricas que nos cercam; brilho falso de joias falsas. O mundo corrompido, sedutor, não o mundo imaginado e criado por Deus; o mundo paradisíaco entregue a nós como habitáculo e manancial, o qual degradamos pela nossa desobediência e mal proceder. Esse mundo corrompido, dominado pela concupiscência humana exacerbada pelo maligno, dirigido pela iniquidade é que nos tenta, é que nos oferece lixo camuflado em belas embalagens, cavalos de Tróia, presentes de grego.   Não nos deixemos enganar, desarmemos as armadilhas, fixemos nosso olhar em Cristo, esse sim, a luz verdadeira. Um caco de vidro pode brilhar tanto quanto um diamante, mas continua sendo um caco de vidro. Ademais, se apertarmos na mão um diamante nada acontece, mas se apertamos um caco de vidro nos ferimos seriamente.  
Não permita que a falsa luz te inebrie, reanima-te com a luz verdadeira, fonte de vida e santidade. Não te firas com cacos de vidro, enriqueça tua vida com o diamante verdadeiro, com a joia preciosa, com o tesouro celestial: Jesus de Nazaré, Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Pessoa do Espirito Santo



A Pessoa do Espírito Santo sempre acompanhou a historia da salvação, desde o inicio da revelação Divina no Antigo Testamento. No inicio de maneira velada, implicitamente: “O Espírito de Deus pairava sobre as águas.” (Gn 1,2); “Por ventura não clama a Sabedoria e a inteligência não eleva a sua voz? Eu, a Sabedoria, sou amiga da prudência, possuo uma ciência profunda” (Pr 8,1.12); “A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espirito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, se afastará dos pensamentos insensatos. Sim, a Sabedoria é um espírito que ama os homens, mas não deixará sem castigo o blasfemador pelo crime dos seus lábios. Com efeito, o Espirito do Senhor enche o universo e ele que tem unidas todas as coisas, ouve toda voz” (Sb 1,4-7); “Dentro de vós colocarei   meu Espirito, fazendo com que obedeçais as minhas leis e sigais e observais os meus preceitos” (Ez 36,27); Depois disso acontecerá que derramarei o meu espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões” (Jl 3,1). Nestes tempos o Espirito Santo só era dado aos Profetas, homens especialmente eleitos por Deus.
O Espírito Santo como pessoa Divina só foi plenamente apresentado no Novo Testamento, através de Jesus Cristo, com a revelação da Santíssima Trindade: “Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espirito de Deus. e do céu baixou uma voz: ‘Eis meu filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3,16). A partir daí o Espirito Santo nos é apresentado tal como o conhecemos.
Entretanto o Espirito Santo só se manifesta nos fiéis em pentecostes. Aí também inicia a missão evangelizadora e catequética da Igreja. No episódio narrado em Atos dos Apóstolos 2, versículos 1 a 4, o Espirito Santo é derramado sobre os discípulos de Jesus, por extensão à Igreja, confirmando as profecias de Ezequiel (Ez 36,27) e Joel (Jl 3,1). A partir daí o cristianismo, guiado pelo Espirito Santo, cresceu em número e em graça, difundindo-se pela pregação dos Apóstolos e seus enviados por todo o mundo.
  Assim até hoje a igreja em seu múnus apostólico difunde a doutrina da salvação por todo o mundo, daí sua catolicidade, ou seja, universalidade. Isso só se torna possível com a assistência, com a inspiração, a direção, o agir do Espirito Santo. Sem ele, qualquer palavra ou ação, por bonita e envolvente que fosse não surtiria o efeito desejado, pois seria atitude meramente humana que tocaria somente a superficialidade da alma, o emocional. Contudo, na ação do Espirito todo testemunho alcança o âmago, as profundezas do espírito humano, provocando as transformações que levam à conversão, à metanóia, ao caminho da salvação, à ascese, enfim, à santificação.
Quem afinal é essa pessoa com atributos tão notáveis? É Deus. Simples assim. Teologicamente podemos dizer que é a terceira pessoa da Trindade. Terceira não significa ordem de importância, hierarquia; as Pessoas Divinas são iguais em tudo, pois são um único Deus. Primeira, segunda e terceira representam a ordem em que foram reveladas: Pai (o Criador), Filho (Jesus) e Espirito Santo. Podemos dizer que o Pai é Deus por nós (YAHWE – Aquele que É), o Filho é Deus conosco (Emanuel) o Espirito Santo é Deus em nós (nos foi infundido no batismo sacramental, tornando-nos sua morada). Assim apresentamos o Espirito Santo na Santíssima Trindade.
No Antigo Testamento o Espirito de Deus era representado pelo termo hebraico ‘ruah’ – em latim ‘spiritus’ – que significa vento, brisa, tempestade. Esta palavra está associada a ideia de vida, portando ‘ruah’ significa força vivificante de Deus. É este Espirito que fortalece os homens, capacitando-os a ações extraordinárias (Sansão, Elias), ouvir e falar com Deus (Isaias, Jeremias, Ezequiel). O Messias prometido seria portador do ‘ruah’, portanto pleno de poderes.  No Novo Testamento Jesus explicitou o Espirito Divino, ao falar do Pai e do Espirito, que com o Filho formam o único Deus Uno e Trino. Na anunciação do anjo a Maria (Lc 1,26-38) o Espirito Santo é apresentado como força que fecunda e gera vida. Na visita de Maria a Isabel, o Espirito inspira e fortalece (Lc 1,39-45). No diálogo com Nicodemos Jesus apresenta o Espirito Santo como fator de renovação, de renascimento (Jo 3, 1-8). O Espírito Santo confere autoridade (Jo 20,22-23). O Espirito Santo é força do alto, que revigora, encoraja (At 1,8). Finalmente é quem nos move, nos concede os dons e carismas, nos anima, nos transforma em anunciadores audazes de Sua Palavra (At 2,1-13)
   O Espírito é concedido aos batizados, quando sacramentalmente recebemos o Espírito Santo no batismo e posteriormente confirmado no crisma, conferindo-nos os sete dons infusos. No “batismo no Espírito Santo” ou efusão do Espírito nos são concedidos os dons carismáticos, os quais nos levam a uma renovação espiritual tão intensa que somos realmente regenerados (o zelo pela doutrina da Igreja, o amor a Maria, a leitura orante da Bíblia, a oração e o louvor são nitidamente intensificados).
     Concluindo podemos afirmar que o Pai nos trouxe o Filho Jesus. Jesus nos dá o Espirito Santo, para que através desse mesmo Espirito Ele seja apresentado e possa nos levar ao Pai, num circulo virtuoso de amor.
(Carlos Nunes)

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A humilde Serva do Senhor



Hoje celebramos o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Também é o dia especialmente dedicado às crianças. Como cristãos o que podemos dar de maior valor a nossas crianças? A fé em Deus. Ensina-las a amar Nosso Senhor Jesus Cristo e sua mãe Maria, aqui representada como N. S. Aparecida. Transmitir a elas os valores morais, hoje tão aviltados, ensinando-as a respeitar os mais velhos, a partilhar com outras crianças, educando-as segundo os preceitos da nossa fé. Ensinando-as principalmente a ser humildes, sendo para elas exemplos e testemunhos vivos de uma educação salutar. Humildes como Maria, serva do Senhor: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim conforme a Tua Palavra” (Lc 1,38). Maria é simples, humilde ao extremo e quer que sejamos também simples. Nas aparições Maria se apresentou a pessoas muito simples – a um índio no México (N.S. Guadalupe), a crianças em Portugal (N.S. de Fátima), a pescadores no Brasil (N.S. Aparecida). Maria, mãe de Jesus Nosso Salvador, não se prevalece de sua condição de primeira cristã, de ser mãe do Messias, ao contrário, se mantém simples e humilde durante toda a vida. Por tudo isso, sejamos simples e humildes, seguindo o testemunho de Nossa Mãe do Céu.  Sejamos exemplo para todas as crianças, sejam nossos filhos, netos, sobrinhos ou afilhados.
Nossa Senhora Aparecida rogai por nós!

sábado, 6 de outubro de 2018

Transformar o mundo



O mundo – a mídia em geral – vive uma hipocrisia crônica. O povo brasileiro saiu da letargia e acordou (desperta tu que dormes...). Houve excessos, vandalismo; baderneiros e malfeitores infiltrados promoveram distúrbios. A imprensa criticou; as forças de segurança agiram. A imprensa criticou.  As mesmas organizações jornalísticas que criticaram a baderna “caíram de pau” na policia quando esta agiu. Pode ter havido excessos, é bem possível que sim, mas agiu legitimamente para defender o patrimônio das cidades, como também a própria integridade pessoal. Aqui pode ser aplicada, metaforicamente, a lei da estática (física): a toda força corresponde uma força de mesma intensidade e em sentido contrário. Assim caminhamos; cobram providências e quando providências são tomadas, as criticas são severas. Criminosos são mortos em confronto com policiais; a policia é violenta e assassina. Facínoras covardes matam friamente uma criança, e não há um jornalista ou defensor dos direitos humanos que sequer digam uma palavra, uma palavra apenas, em defesa de famílias enlutadas ou da sociedade.
Assim caminhamos, num mundo de gente que aboliu Deus de sua vida. Sem Deus não há amor fraterno, sem amor não há justiça, sem justiça não há paz. A pregação do mundo é o hedonismo, o consumismo, o ter cada vez mais, a ambição do poder, da fama, da notoriedade. Por isso cada vez mais há pessoas sem escrúpulos, violentas, insensíveis. Não respeitam nada nem ninguém. Também por isso, há pessoas depressivas, angustiadas, frustradas, emocionalmente abaladas; pessoas inferiorizadas, traumatizadas, obsessivas. Nesse mundo enfermo por falta de amor estamos inseridos. Não importa se você ”é do bem”, está no turbilhão como todos. Já discorremos em outras ocasiões, que no mundo há de tudo: bons, maus, indiferentes. Os maus espalham o mal; os bons promovem o bem; os indiferentes não se importam com nada que não seja seu, na verdade são egoístas. Se você esta entre os de bom coração, não se omita, faça alguma coisa, por menor que seja. Martin Luther King dizia: “Pior que a atitude dos maus, é o silêncio dos bons”.
Como cristãos não podemos ficar omissos. Se o mundo ataca, contra ataquemos.  Se o mundo grita, gritemos mais alto. Se o mundo prega a iniquidade, preguemos a paz, a justiça, o amor. Restauremos o mundo; a perversão dê lugar à perfeição, do jeito que Deus criou, do jeito que Deus quer que sejamos, do jeito original: à Sua imagem e semelhança. Estamos mal, mas não é o fim. Com Deus temos fé; fé que leva à esperança; esperança que leva à caridade. Caridade que é amor; amor que pode transformar o mundo.


sábado, 29 de setembro de 2018

Palavra da Igreja



Falas de João Paulo II à Renovação Carismática: “Como não dar graças pelos preciosos frutos espirituais que a Renovação gerou na vida da Igreja e de tantas pessoas? Quantos fiéis leigos - homens e mulheres, jovens, adultos e anciãos – puderam experimentar na própria vida o maravilhoso poder do Espírito e dos seus dons! Quantas pessoas redescobriram a fé, o gosto pela oração, a força e a beleza da Palavra de Deus, traduzindo tudo isso num generoso serviço a missão da Igreja! Quantas vidas mudaram de maneira radical! Por tudo isto, hoje, juntamente convosco, desejo louvar e agradecer ao Espírito Santo”.– À RCC na Itália, 04/04/1998.
“No nosso tempo, ávido de esperança, fazei com que o Espírito Santo seja conhecido e amado. Assim, ajudareis a fazer que tome forma aquela ‘cultura do Pentecostes’, a única que pode fecundar a civilização do amor e da convivência entre os povos. Com insistência fervorosa, não vos cansei de invocar:  Vem ó Espírito Santo! Vem! Vem !” – 14/03/2002.
“A Igreja e o mundo têm necessidade de santos, e nós somos tanto mais santos quanto mais deixamos que o Espírito Santo nos configure com Cristo. Eis o segredo da experiência renovadora da ‘efusão do Espírito’, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto pelos membros de vossos Grupos e das vossas comunidades”.– L’Osservatore Romano, 30/03/2002.
“Graças ao movimento carismático, tantos cristãos, homens e mulheres, jovens e adultos, têm redescoberto Pentecostes como realidade viva e presente na sua existência cotidiana. Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, da comunhão e de anúncio”.– 29/05/2004.
Eis um verdadeiro reconhecimento pontifício da identidade da Renovação Carismática Católica, bem como um mandato e direcionamento ao movimento: apostolado da efusão do Espírito Santo e difusão da cultura de Pentecostes.  

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Olho por olho – Coração por coração


“Dói muito ser queimado vivo, dói muito. Dói no corpo, dói na alma” (vitima de facínoras no ônibus incendiado no Rio de Janeiro em 03/03/2015).


Dói na alma... Dói na alma tomar conhecimento da barbárie que assola nossa cidade, nosso pais, a terra inteira. Crimes hediondos, atentados terroristas, massacres de inocentes em guerras insanas mundo afora, tudo isso nos afronta. No Brasil a impunidade generalizada, no mundo a insolência dos fortes tripudiando sobre os fracos.
No livro dos Salmos 12(13), o salmista num lamento questiona: “Até quando Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Até quando aninharei a angustia em minha alma, até quando se levantará o inimigo contra mim?” (vv. 2-4), para logo após exprimir confiança: “Iluminai meus olhos com vossa luz (...) antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro!” (vv. 5-6).
Somos passiveis de sentimentos de vingança tipo olho por olho; afinal somos seres carnais. Contudo, não podemos deixar que a carne e o sangue falem mais alto. Não é coerente indignar-se com a crueldade sendo cruéis. Somos seres carnais, no entanto também espirituais. O ser humano é constituído de corpo, alma (psique), espírito. O espírito iluminado pela fé e enlevado pela graça; a alma, a vida sensível e também a razão sem a graça, e o corpo a área material, nossa parte visível, palpável, receptáculo da graça. Se a carne clama por vingança, a alma deve sobrepujá-la e clamar por justiça. Acima de tudo, enlevado pela graça, o espírito se doa em perdão. Entenda-se, perdoar não é aceitar resignadamente o que se fez contra nós, isentando o agressor de culpa (afinal a alma clama por justiça). Ao contrário, perdoar é reconhecer que fomos feridos, que alguém nos ofendeu e mesmo assim não lhe desejar o mal. Imputando culpa sim, porém sem imprimir ódio nem desejo de vingança no coração.
Em vista de toda maldade imperante no mundo, coloquemos nossa confiança no Senhor que fez o céu e a terra e a todos ama igualmente, mereçam ou não. Dói, dói muito; mas do mesmo modo como Deus concede-nos gratuitamente a misericórdia, aprendamos também a perdoar. Talvez assim o mundo fique melhor.
Perdoar é ir além, é dar mais (per + donare = doar mais). Portanto só perdoa quem é generoso, caridoso, ama e por amor é capaz de se doar. O outro passa dos limites e nos tira algo; nós ultrapassamos nossos próprios limites e lhe damos o que ele não mereceria. Isso é perdão.    

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fé e Razão


“É infrutífero falar da contraposição entre razão e a fé. A razão é ela mesma uma questão de fé. É um ato de fé asseverar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade”. (Gilbert Chesterton).
                    

Nós católicos, apesar de sabermos que os mistérios divinos colocam a fé acima da razão, não nos esquecemos de que somos seres racionais e como tal, em muitas questões usamos da razão em contraponto à emoção – o que não contraria nossa posição de homens de fé – porque como corpo material, somos submetidos às leis da matéria, as ciências naturais que, aliás, não é ciência do homem como muitos alegam, porém ciência de Deus dada a conhecer aos homens. Nesse aspecto, a mística dos milagres só é aceita pela Igreja, no âmbito da fé após ratificação dos fundamentos bíblico-teológicos, e no contexto racional após comprovação cientifica quando há mudanças radicais no curso dos fenômenos naturais.
 O que se faz no método científico é obter dados sobre os fenômenos estudados, buscando padrões, tentando entendê-los. Então hipóteses são formuladas, e desenvolvem-se experimentos que venham a confirmar (ou não) as várias hipóteses. Mas esses passos não podem ser seguidos se não houver a crença que o universo é ordenado: “Mas tudo dispuseste com medida, quantidade e peso” (Sb 11,20).
 Muitos consideram a sabedoria do mundo incompatível com a sabedoria divina. Veem uma como boa e a outra como má. Realmente, se não formos cuidadosos em nossos critérios e discernimento, podemos aceitar essa noção. Mas será isso verdadeiro? O próprio Jesus, ele mesmo, não exerceu de certa forma a sabedoria do mundo em sua vida? Podemos refletir como ele compôs parábolas sobre o cotidiano da época em que viveu entre nós. Consideremos também sua esperteza ao argumentar com seus opositores. Jesus estava enraizado no mundo real, apesar de sua mente e coração estarem abertos ao Espírito. O que faz a sabedoria do mundo perigosa é a intenção oculta por trás dela. Estamos caminhando com justiça, integridade, compaixão? Estamos preocupados com o bem comum? Ou apenas usamos nossos dons de sabedoria para nosso ganho e prazer pessoal? Se Jesus reina em nosso coração, então assumirá nossa sabedoria e experiência e a usará para seu reino e a glória do Pai.
A ciência quer ver para crer, a fé crer para ver. A fé não é tanto compreensão; É mais aceitação do que não compreendemos e nisso reside o mérito da fé. (Felizes os que creem sem ter visto...).   Muitas coisas não sabemos, não conhecemos e talvez só venhamos a conhecer quando estivermos face a face com Deus. Enquanto esse momento não chega, vivamos a convicção da nossa fé com intensidade, com esperança e com amor!




sábado, 8 de setembro de 2018

Ativismo



Muitas vezes sob o pretexto de servir a Deus executamos tarefas – até extenuantes – com o real intuito de aparecer diante dos outros: “Vejam como ele é dedicado! Não mede esforços para trabalhar, para ajudar nos serviços paroquiais!” Essa é na verdade a intenção; chamar a atenção para si, ser reconhecido, elogiado. Contudo, não devemos generalizar; há casos e casos. Outras tantas vezes, pessoas realmente dedicadas trabalham com afinco, porém discretamente, na reta intenção de auxiliar, de diligentemente executar as tarefas sob seu encargo.
Estes últimos, em verdade executam o que pontualmente lhes aparecem e que sejam concernentes com sua missão e ministério na igreja. Os primeiros, porém, procuram avidamente o que fazer, na intenção de liderar os trabalhos, recebendo assim “os louros e a glória” por um possível trabalho bem feito. Infelizmente é nossa realidade. Muito de Marta, nada ou quase nada de Maria. A recíproca é verdadeira; há Marias nada Martas (ver Evang. Lucas 10,38-42).
Ativismo exagerado não é bom. Uma espiritualidade intimista sem vinculo comunitário, também. “Ora et labora” assim deve ser; vida de oração e ação concreta sempre que necessário. Orar e trabalhar, trabalhar orando; ser como Marta sem deixar de ser como Maria e vice versa. Há pessoas cujo carisma é o trabalho, o ativismo; isso é bom, mas não se deve esquecer a oração e que se tenha em mente que todo trabalho em ambiente eclesial, nas capelas, na paróquia ou em instancias superiores, deve ser feito para honra e glória do Senhor e não para engrandecimento pessoal. Lembrar sempre que igreja não é ONG nem firma empresarial.  
Trabalhar, trabalhar, num ativismo desenfreado sem vida de oração não é ser pertença à igreja. Rezar, somente rezar sem compromisso comunitário, e aí se insere as frentes de trabalho concreto, também não é ser pertença à igreja.
Essa reflexão parece um contra-senso – rezar demais é bom ou ruim? Trabalhar na e para a igreja é bom ou ruim? Parece incoerência, mas não é. Simples: rezar, só rezar, egoisticamente pedindo só para si sem pensar no próximo, sem compromisso com a comunidade de fé a qual pertence, é estar longe da comunhão entre irmãos. Do mesmo modo que trabalhar, só trabalhar pensando em granjear “fama e poder”, é também estar longe da comunhão fraterna.
Se não houver Maria de Betânia, não haverá ninguém para ouvir Jesus; se não houver Marta, não haverá ninguém para preparar o local para receber Jesus. Sejamos Marta e ao mesmo tempo Maria: Arrumemos a casa para receber e ouvir Jesus. E essa casa não seja apenas a igreja de pedra (o templo), principalmente seja a igreja viva – nosso coração.