quarta-feira, 29 de junho de 2016

O chamado de Pedro


Os Apóstolos de Jesus e os discípulos que a eles se juntaram eram pessoas provenientes do ambiente popular, com atividades diversificadas. Vários deles eram pescadores profissionais. O Mar de Tiberíades, também chamado Mar da Galileia ou Lago de Genesaré, era o espaço de trabalho e convivência. Pregações, milagres, caminhadas, muitas das atividades de Jesus se desenvolveram ali, num sobe e desce de barcos, ventanias, redes, peixes, comércio no mercado, suor, cansaço, horas de expectativa dos peixes, que nem sempre vinham, famílias que dependiam daquele trabalho, um conjunto de vida e atividade certamente muito carregado de humanidade e lutas, temperado também com muitas alegrias.
É para o lago que retorna Pedro, seguido de seus companheiros. Não lhes era ainda claro tudo o que viria a acontecer, se pensarmos na origem simples daqueles homens, que não eram especialistas em profecias, letras da lei ou mesmo na novidade do próprio Evangelho. Era um mar de novidades, num mar de ideias confusas. Sabemos que foi depois do derramamento do Espírito Santo que aqueles homens adquiriram a ousadia (Parresia!) necessária para pregar, constituir as primeiras comunidades cristãs e derramar o próprio sangue pela Igreja e pela causa do Reino! Tinham que aprender muito, e o Senhor aproveita a aparente volta à profissão de pescadores para oferecer-lhes e a todos nós preciosas lições (Jo 21, 1-19).
Seis pescadores profissionais chegam à madrugada sem qualquer fruto do trabalho. Barca e trabalho na barca de Pedro, que sabemos ser a Igreja, não leva a nada sem a presença do Senhor. O lusco-fusco da madrugada mostra uma figura na praia. É que a experiência da fé exige mesmo amadurecimento! Jesus os provoca, perguntando sobre algo para comer. Nem sabiam que da Ressurreição para frente quem oferece o alimento que perdura para a vida eterna é Jesus! É João, o discípulo amado, que proclama com força “é o Senhor”, pois o amor verdadeiro faz enxergar no meio da escuridão dos acontecimentos!
Redes lançadas pela força da Palavra de Jesus, frutos em profusão! Começa uma nova mudança em Pedro, que culminará em mais um chamado! O homem nu se reveste agora de sua inusitada missão. Corre até Jesus, mas parece-me ver o próprio Jesus entrando na barca do coração de Pedro! Chegados à praia, é Jesus que havia preparado tudo. O Mestre e Senhor se faz mais uma vez servidor. Uma refeição oferecida por Jesus é sinal daquela que o mesmo Senhor oferece todos os dias, até o fim dos tempos, na Eucaristia. Além disso, a rede da Igreja tem cento e cinquenta e três grandes peixes, e esta rede nunca vai se romper, podendo acolher, na contínua festa eucarística da misericórdia, todas as gerações, até que ele volte outra vez. É a abundância do tempo novo inaugurado pelos discípulos capazes de se lançarem na fidelidade à ordem do Senhor. Eles têm alguma e muita coisa para oferecer! Igreja é assim! Deus recebe, Deus se doa, suscita a maravilhosa comunhão em que Céu e Terra compartilham seus dons! É claro que ninguém mais se atreve a perguntar nada, pois é certa a vinda e a presença do Senhor.
Mesa preparada, convivas que se alimentam, corações pulsantes pela emoção de mais uma aparição do Ressuscitado. A virada de página para um novo chamado tem no Senhor a iniciativa. Pedro, que três vezes havia negado conhecer o Senhor, agora não precisa do canto do galo para desatar suas lágrimas.
Lições para a Igreja e para todos nós. Ninguém pense em singrar qualquer mar sem a presença de Jesus no barco da vida! Não dá certo! E as noites e os dias serão estéreis! Na escuridão do tempo ou das crises pessoais, comunitárias e sociais, descobrir gente que às vezes tem “pouca leitura”, mas muita percepção das coisas de Deus. A luz pode chegar através de tais pessoas! Quando parece que o mar não está para peixe, na aventura diária da existência, apostar naquele (“É o Senhor!”) que manda jogar as redes onde nem poderíamos pensar. Ao chegar às muitas praias que a vida oferecer, levar o que tivermos, sabendo que as redes agora repletas não se romperão! Depois aceitar a gratuidade daquele que se assenta em torno de um fogo aceso e se faz servidor, oferecendo o alimento que dura até a vida eterna.
Os apóstolos de Jesus devem ter comentado tais acontecimentos, depois de passados a Ascensão do Senhor e o Pentecostes, quando tiveram a lucidez necessário para montar o verdadeiro quebra-cabeça que lhes tinha sido oferecido por Deus. Há uma linha mestra que lhes serviu de guia para a vida e o apostolado e iluminam nossa vida. O chamado de Deus é gratuito, parte de seu amor infinito que vai ao encontro das pessoas, sem depender de suas qualidades ou eventuais defeitos. Deus tem a paciência necessária para cercar de amor e infinitas iniciativas ou repetidas perguntas a respeito de nossas disposições. Há um olhar pessoal de Deus, que nos leva a sério, mostrando-nos alternativas, novas possibilidades de serviço ao seu Reino, para o que ele nos oferece os dons necessários. Ninguém pense que tudo está definido e muito explicado nas medidas humanas que desejamos muitas vezes impor a Deus. Antes, ele é mais criativo do que nós e encontrará sempre o modo para surpreender-nos. Estejamos atentos, porque mesmo quando passamos anos fugindo dele, numa noite de suor, sobre o barco em alto mar, ele se mostrará. Quando as luzes de nossa limitada inteligência parecerem insuficientes, é hora de dizer, com o Apóstolo e Evangelista São João, que “é o Senhor”!
Se forem corajosas nossas respostas, diante dos grandes desafios de nosso tempo, que podem levar-nos a “baixar a guarda” diante das tentações, e poderemos dizer como Simão Pedro, aquele que, convertido, foi chamado a confirmar os irmãos: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens” (At 5, 29). Aliás, é hora dos cristãos assumirem posições ousadas!                                                                                                                                 "Tu sabes de tudo, sabes que eu Te amo"
 Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará - Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Amai-vos como Eu vos amei



Fomos chamados por Deus à novidade de vida, a participar de sua maravilhosa obra, que aponta para o alto e para frente. O Apocalipse nos faz sonhar alto! “Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram”. Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 3-4). O quadro social, político e econômico em que se encontra o mundo, em nossos dias e aqui, bem em nossa pátria, parece contradizer o que, sendo sonho de Deus, deveria tornar-se projeto da humanidade. É impressionante como se espalha o confronto e o ódio entre as pessoas, a violência se instala, os grupos e partidos, cuja vocação deveria ser o cultivo da legítima diversidade, tornam-se adversários e inimigos. Da vizinhança, passando pelas ruas, estádios, praças e a sociedade, chega às raias do absurdo o quanto se pretende eliminar o diferente, sejam quais forem as bandeiras empunhadas pelas muitas partesenvolvidas.

Há muito tempo atrás (Cf. At 14, 21-27), Paulo e Barnabé, da primeira geração de cristãos, empreenderam viagens missionárias, nas quais primaram pela criatividade e solicitude. Algumas atitudes assumidas por eles podem iluminar nossos dias e a desafiadora tarefa dos cristãos, chamados a serem neste tempo que se chama “hoje”, anunciadores da Boa Nova do Evangelho. A todos afirmavam ser necessário “passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (Cf. At 14, 23). É ilusório pretender um mundo renovado sem a entrega da própria vida, inclusive com a prontidão à imolação e ao derramamento do próprio sangue. Não nos enganemos! Nossa salvação e a salvação do mundo passam necessariamente pela Cruz! O enfrentamento dos obstáculos exige iniciativa, coragem para dar o primeiro passo na busca da reconciliação, prontidão para os esforços mais duros e exigentes, tudo ungido pela serenidade de quem busca acima de tudo a vontade deDeus.

Outra atitude notável foi a confiança que Paulo e Barnabé depositaram em pessoas escolhidas como presbíteros, gente de responsabilidade colocada à frente das Comunidades. No início dos Atos dos Apóstolos, tinham surgido outros servidores (At 6, 1-6), sete homens aos quais foi entregue o serviço da caridade, início do que hoje chamamos de Diáconos. De lá para cá, a Igreja foi sempre desafiada a discernir os caminhos indicados pelo Espírito Santo, valorizar os carismas, promover novas lideranças, ajudá-las a se prepararem bem, lançá-las a novas tarefas e identificar os desafios missionários, para sair de si mesma, para que todos, sem exceção, se lancem a campo, para que sejamos,naexpressãotãocaraaoPapaFrancisco,umaIgreja“emsaída”, formada por discípulos que sejam efetivamente missionários! Assim, anunciaremos a Palavra e poderemos contar uns aos outros como Deus abre as portas da fé em nosso tempo (Cf. At 14,25.27).

Entretanto, por mais que nos esforcemos, os recursos humanos são limitados, nossas forças são desproporcionais ao tamanho do desafio. Só no Céu está a solução! O cristianismo não é um código de leis destinadas ao bom comportamento ou, quem sabe, a normatização das relações sociais que constituem a cidadania. Em nosso país, multiplicam-se as leis, a organização de Conselhos, a regulamentação do convívio social, pretende-se unificar os programas educacionais, inclusive contendo princípios que contradizem nossas convicções religiosas e os valores morais e éticos. O resultado está aí, bem à nossa vista. Como falta o Céu como referência, a terra se estraga, mesmo com milhares de páginas escritas. Como faltam homens e mulheres renovados por dentro, o desastre se faz e searrasta.

No Céu está a solução. “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35). O segredo está na palavrinha “como”. Se as relações humanas forem apenas humanas, não levarão muito adiante a mudança da sociedade. O modelo está no Céu, do jeito como o Pai ama o Filho, o Filho ama o Pai e este amor é o Espírito Santo. O amor de Deus é sem medida, sem limites. Ele nos amou por primeiro, toma a iniciativa, tem a reciprocidade como princípio, não cobra do outro, entrega-se totalmente. Volto à palavra “sonho”. O desastre entre nós é justamente achar que o projeto de Deus é irreal, não tem o pé no chão, que realistas somos nós que fazemos treinamento de tiro ao alvo com olhares e gestos, para o duelo cotidiano!

O Apóstolo São Paulo (1 Cor 13, 4-7), depois de descrever os muitos dons e carismas presentes nas Comunidades cristãs, aponta o caminho que chama de excelente, no hino à caridade: “O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo”. O Papa Francisco tomou este texto como referência ao descrever, de modo surpreendente, o amor no matrimônio, na Exortação Apostólica “Amoris lætitia”, cuja leitura recomendo. Diante da grave crise da família em nossos dias, o Papa não tem receio de propor o modelo do Céu, quando propõe à família hodierna a paciência, como exercício da misericórdia, indica o caminho para que o amor seja recíproco e se manifesta na ternura do afeto e das obras, para penetrar toda a vida. Diz o Papa que convém cuidar da alegria do amor gratuito, ou insiste com os jovens no casamento por amor, ou dá “dicas” para o diálogo em família. Cabe a nós desfrutar estes ensinamentos e ampliá-los, como incendiários, partindo do fogo do afeto da caridade no lar, para alcançar as comunidades, passar pelas nossas ruas e chegar ao mundointeiro!
D. Alberto Taveira







sábado, 18 de junho de 2016

Comunicar o testemunho construído na Misericórdia



O reino será alcançado pela misericórdia, essa foi uma das mensagens que Jesus veio nos comunicar e ordenou que anunciássemos para todo o mundo (Mc 16,15). A ascensão é nitidamente a completude do que Jesus mostrou como caminho para seus seguidores e todos estaremos, se seguirmos seus passos, um dia, com Ele nos céus (Mt 19,28). No entanto, é necessário cumprir seus ensinamentos, assumir a missão e ser testemunhas.

Os apóstolos foram “formados, preparados, fortalecidos” para a grande missão de evangelizar todo o mundo, anunciar a misericórdia do Pai e testemunhar com a vida. Passaram mais de 3 anos com o Senhor, O viram ressuscitado, andaram com Ele, antes e depois da crucificação. Os Santos deram e dão esses testemunhos nas mais diversas realidades. Nós homens e mulheres, desse tempo, andamos com Jesus através da Santa Igreja, seu corpo, vivemos com o Senhor em sua palavra, apreendemos saberes na tradição dos santos apóstolos, recebemos Jesus Eucarístico continuadamente para comunicar através da vida. Assim, temos a luz necessária para nossa peregrinação e para auxiliar muitos.

A humanidade precisa de luz para seu caminho, a verdade deve ser mostrada para ser seguida. Assim, Jesus que encontramos continuamente e conhecemos precisa ser anunciado! O viver em Jesus, nesse tempo, precisa ser apresentado! O santo padre Francisco em sua mensagem para o dia das comunicações veio pedir essa ação frutuosa da comunicação para o mundo. Seja no meio que for, para muitas ou apenas uma pessoa, leigo ou ordenado é necessário ser fecundo! Todos os atos são comunicação, são testemunho, “O amor, por sua natureza, é comunicação”. Os nossos atos precisam ser de amor.

Não foram poucos os momentos em que Jesus disse aos discípulos que eles ficariam responsáveis por expor e levar essa misericórdia, esse amor para o mundo, pela disseminação da boa nova em toda a terra. Chega a ser engraçado os momentos em que São Pedro não entende as indicações de Jesus, momentos que nós, eu e você, também vivemos quando entendemos que a missão é “grande ou complicada demais para nós”. Jesus nos fala, que estará com o Pai intercedendo por todos nós, enviar o paráclito é a promessa dEle, e com o poder do alto vamos cumprir a nossa missão, o nosso chamado, viver a nossa vida. Receber continuamente o Espírito de Santo é a condição primordial.

Comunicar, anunciar, proclamar, fazer memória, tornar comum e de conhecimento de todos as obras de Jesus, as ações do Espírito Santo, a Misericórdia do Pai é o que forma a Santa Igreja, é o que ela é, testemunhar o que nós somos, somos puro testemunho de uma vida no Espírito Santo. O conhecer, reconhecer Jesus, apreender seus ensinamentos, cumprir suas ordens através da Santa Igreja são fases anteriores e condicionais para O encontrar nos céus.

Os grupos de oração são uma prova autêntica e contemporânea que essas práticas podem ser realizadas. Em todo o planeta os grupos acontecem, seus participantes fazem como os primeiros cristãos, encontram-se continuamente e levam essa experiência para os demais homens e mulheres. Neles, encontramos pessoas simples, intelectuais, universitários, religiosos, todos com uma visão espiritual para a edificação da civilização do amor. Nós fazemos o que o Santo Padre pede, comunicamos o amor.

 Airton Rocha - Coordenador Nacional do Ministério de Comunicação Social






sábado, 11 de junho de 2016

A CASA DE DEUS




 
  Esta é a casa de Deus! Este ano, no lugar do XXXII domingo do Tempo Comum, celebra-se a festa da dedicação da igreja-mãe de Roma, a Basílica de São João de Latrão, dedicada em um primeiro momento ao Salvador e depois a São João Batista. O que representa para a liturgia e para a espiritualidade cristã a dedicação de uma igreja, e a própria existência da igreja, entendida como lugar de culto? Temos que começar com as palavras do Evangelho: "Mas chega a hora (já estamos nela) em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque assim quer o Pai que sejam os que o adoram" (João 4).



Jesus ensina que o templo de Deus é, em primeiro lugar, o coração do homem que acolheu sua palavra. Falando de si e do Pai, diz: "viremos a ele, e faremos morada nele" (João 14, 23). E Paulo escreve aos cristãos: "Não sabeis que sois santuário de Deus?" (1 Coríntios 3, 16). Portanto, o crente é templo novo de Deus. Mas o lugar da presença de Deus e de Cristo também se encontra "onde estão dois ou três reunidos em meu nome" (Mateus 18, 20). O Concílio Vaticano II chama a família de "igreja doméstica" (Lumen Gentium, 11), ou seja, um pequeno templo de Deus, precisamente porque, graças ao sacramento do matrimônio, é, por excelência, o lugar no qual "dois ou três" estão reunidos em seu nome.



Por que, então, os cristãos dão tanta importância à igreja, se cada um de nós pode adorar o Pai em espírito e verdade em seu próprio coração ou em sua própria casa? Por que é obrigatório ir à igreja todos os domingos? A resposta é que Jesus não nos salva separadamente; veio para formar um povo, uma comunidade de pessoas, em comunhão entre si e com Ele.



O que é a casa para uma família, é a igreja para a família de Deus. Não há família sem uma casa. Um dos filmes do neo-realismo italiano que ainda recordo é "O teto" (Il tetto), escrito por Cesare Zavattini e dirigido por Vittorio De Sica. Dois jovens, pobres e enamorados, se casam, mas não têm uma casa. Nos arredores de Roma, após a 2ª Guerra Mundial, inventam um sistema para construir uma, lutando contra o tempo e a lei (se a construção não chega até o teto, à noite será demolida). Quando no final terminam o teto, estão certos de que têm uma casa e uma intimidade própria e se abraçam felizes. Formam uma família.



Vi esta história se repetir em muitos bairros de cidade, em povoados e aldeias, que não tinham uma igreja própria e tiveram de construir uma. A solidariedade, o entusiasmo, a alegria de trabalhar juntos com o sacerdote para dar à comunidade um lugar de culto e de encontro são histórias que valeriam a pena levar às telas como no filme de De Sica.



Agora, temos que evocar também um fenômeno doloroso: o abandono em massa da participação na igreja e, portanto, na missa dominical. As estatísticas sobre a prática religiosa são para fazer chorar. Isto não quer dizer que quem não vai à igreja necessariamente perdeu a fé. Não! O que acontece é que se substitui a religião instituída por Cristo pela chamada religião "a la carte". Nos Estados Unidos dizem "pick and choose", pegue e escolha. Como no supermercado.

 Fr. Raniero Cantalamessa

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Por que um católico não deve consultar horóscopo?



O diabo não busca outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus

A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.

Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:

1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;

2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;

3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que então a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;

4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registram-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que leem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável. Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa em seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando veem que a previsão é negativa, acabam cedendo às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.

Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gêmeos. Veja por exemplo caso de Esaú e Jacó (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gêmeos sabem muito bem disso.


Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vênus ou quiçá de outros astros”.

Querer predizer os costumes, os atos e os eventos baseando-se sobre esse tipo de observação, é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes dessa superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demônios. Essas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.


Em doutrinas desse gênero, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demônios que, juntamente com seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus.”

“Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões, I, IV, c. 3).

“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.

“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado a forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias se amedronta e dobra diante de poderes fictícios – o que não é cristão.” (D. Estevão)

São Tomás de Aquino, em sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demônio quer ser adorado, por isso se esconde atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.

Prof. Felipe Aquino




sábado, 28 de maio de 2016

Maria quer formar Jesus em você



Nossa Mãe pode formar Jesus em nossos corações


Você sabe: quem educou Jesus foi Maria. E é lindo o que se lê no Evangelho de São Lucas, quando o menino Jesus, aos 12 anos, foi encontrado no templo de Jerusalém:
Depois ele desceu com eles – Maria e José – para Nazaré; era-lhes submisso; e a sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração. Jesus progredia em sabedoria e em estatura, e em graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,51-52).

O próprio Evangelho testemunha: Era-lhes submisso. A mulher tem um papel preponderante na educação dos filhos. A mãe é educadora por excelência. Você pode então imaginar a Virgem Maria passando para Jesus, desde Seus primeiros dias, toda sua fé, todo seu amor a Deus, toda sua espiritualidade, fidelidade e entrega ao Todo-poderoso.

O filho de Deus criado por uma mulher humilde

Tudo o que vivia ela passava àquela criança, junto com seu leite materno, dia após dia. É uma beleza poder imaginar Maria formando, educando o menino Jesus. Dentro d’Ele havia uma semente: Ele era Filho de Deus; havia n’Ele uma natureza receptiva. Ele não tinha, como nós, o pecado original. Mas quem o formava era Nossa Senhora.




O Pai quis que Seu Filho Jesus fosse educado por uma mulher. Assim como Cristo foi concebido no ventre de, como foi gerado e trazido à luz, amamentando por Maria, Ele foi também educado por ela. Quer dizer: tudo aquilo que havia no interior de Jesus foi posto para fora, cresceu, desabrochou e desenvolveu-se graças a Maria. Ele recebeu tudo isso dela. Ela foi a formadora e educadora de Jesus.


Que sejamos Jesus nos dias de hoje


O Pai quer que sejamos semelhantes a Jesus. Que sejamos Seus continuadores. É vontade de Deus que você seja um outro Jesus para o mundo, porque o mundo precisa de coisas concretas, o mundo só vai acreditar a partir de cristãos que vivam a vida de Cristo. E para ser como Jesus é preciso ser educado por aquela que O educou. Por causa do pecado, que está em nós, há todo um longo trabalho de educação por fazer, e Maria tem aí seu papel especial de mãe e educadora. Ela quer nos educar nos caminhos de Jesus. Com o amor, a paciência, a bondade, a simplicidade, a humildade de Jesus…

Ela quer formar você também com a têmpera e a fortaleza de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela o quer com o entusiasmo, o otimismo, a garra e com a entrega de Cristo.

Maria quer formar Jesus em você. Esta é a missão dela. A resposta de cada um deve ser: “Faça-se! Faça-se em mim segundo a vontade do Pai”.

Monsenhor Jonas AbibFundador da Comunidade Canção Nova







sábado, 21 de maio de 2016

É Deus quem nos santifica!


 
Deus nos criou para Ele; somos as ovelhas do Seu rebanho, diz o Salmista (Sl 99,3). São Paulo disse aos efésios que “Cristo Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e íntegros diante Dele, no amor” (Ef 1,4).
E mais ainda: “Nos predestinamos à adoração como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, em que nos agraciou no seu amado” (v.6).
Não foi sem razão que Santo Irineu de Lião disse, no segundo século, que “o homem é a glória de Deus”.
Fomos criados para a Sua glória (“Laudem gloriae”). Por isso fomos criados à imagem e semelhança de Deus; à imagem de Jesus Cristo. Mas infelizmente, o pecado original desfigurou em nós essa bela imagem humana e divina.
E o Cristo veio a Terra para que ela possa ser restaurada em cada um de nós.
Para isso Jesus “armou a Sua tenda entre nós”, e vive entre nós. Ele continua a caminhar conosco pela Igreja, pelos Sacramentos, e está em toda parte nos Sacrários para continuar essa obra de refazer a Sua imagem em cada um de Seus irmãos feridos pelo pecado.
Só Deus nos conhece profundamente e, por isso, só Ele pode ser o nosso restaurador. O salmista fala com toda clareza:
“Senhor, Tu me examinas e me conheces, sabe quando me sento e me levanto.
Penetras de longe os meus pensamentos, distingues meu caminho e meu descanso, sabe todas as minhas trilhas…
Por trás e pela frente me envolves e pões sobre mim a Tua mão.
Para onde irei longe do Teu espírito? Para onde fugirei de Tua presença?…
Foste Tu que criaste minhas entranhas e me tecestes no seio de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste maravilhoso; são admiráveis as Tuas obras; e Tu me conheces por inteiro…
Ainda embrião, os Teus olhos me viram, e tudo estava escrito em Teu livro… (Sl 13).
Porque nos conhece completamente, só Deus pode restaurar em nós a Sua imagem em nós danificada pelos pecados. E Ele faz isso porque nos ama. Nós não somos capazes, não temos poder e sabedoria, para operar a nossa santificação; só Deus.
Então, o que nos resta fazer? Entregar-se dócil nas Suas mãos; e silencioso deixar que o Artista possa esculpir nossa pedra bruta a Sua imagem novamente.
Só o homem recebeu de Deus o maravilhoso e assustador privilégio de atingir o seu fim pela livre escolha da sua vontade. Os animais e plantas não tem essa liberdade.
Se o homem, livremente, se abandonar nas mãos do Seu Criador e se conformar com Sua disposição divina, alcançará o fim para o qual foi criado: participar da vida bem aventurada de Deus (Cat. nº1).
Deus nos conduz para o nosso destino Nele. Não é uma glória para nós saber que Deus se ocupa de nós, débil criatura?
Devo, então, reconhecer o Seu soberano domínio sobre mim, e entregar-me a Ele sem reservas. Ele é o meu fim.
Devo viver em relação a meu Deus numa dependência absoluta e universal. É previsto que eu o siga em cada instante de minha vida, que me abandona à sua direção, que o deixa despir de mim como bem desejar.
Deus já traçou o caminho para cada um de nós chegar ao Céu, mas só Ele pode nos conduzir por esse caminho. Cada pormenor de nossa vida Ele já conhecia desde toda a eternidade.
Basta-me deixar que Ele me conduza por esse caminho suave. São eternos os desígnios de Deus sobre mim.
Às vezes a gente se ilude querendo traçar o próprio caminho da santidade, às margens do desígnio de Deus. Ficamos sonhando com uma perfeição ou cruzes que não são para nós. É no decorrer do tempo, no dia a dia de nossa vida, lentamente, que Deus vai nos revelando o destino que Ele concebeu para nós.
Todos os acontecimentos, doenças, fracassos e vitórias, são guiados pela divina Providência amorosamente.
A mim cabe, amar o meu Deus, aceitar seu trabalho em mim, e adorá-lo no abandono da fé.
Não me cabe lamentar e nem lamuriar, amaldiçoar ou blasfemar, mas apenas obedecer humildemente e alegremente. Que alegria saber que Deus cuida de mim.
Não me compete perguntar a Ele as razões da Sua conduta para comigo. A criança não pergunta ao pai para onde ele a está levando.
Deus não me deve explicação alguma! Por que eu nasci nesta data, neste lugar, neste país, desses pais, com esta cor e com este físico. Ele sabe que a minha beleza está na alma invisível e imortal; o corpo é apenas uma casca que um dia vai deixá-la. Não posso me agarrar a esta casca, senão perecerei rapidamente com ela.
Deus tem eternos desígnios sobre mim. Devo aceitá-los e santificar-me nessas circunstâncias.
 Prof. Felipe Aquino

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Elena Guerra: de Lucca ao Céu, um apostolado sem fim



Mais de um século se passou desde a Páscoa de Elena Guerra. 11 de abril de 1914 foi o dia de sua passagem, em um Sábado Santo, na sua pequena Lucca. E, no entanto, sua vida, obra e legado continuam ressoando atualíssimos para os dias contemporâneos. Certamente, este é um sinal da graça especial que os santos receberam: a graça de um testemunho tão forte e verdadeiro que transpassa gerações, que ecoa através do tempo e do espaço como a corrente caudalosa de um rio que, atravessando todos os obstáculos, vai se encaminhando e arrastando consigo tudo (ou todos!) que encontra pelo seu curso. De fato, o destino destas águas é o infinito “oceano” de Deus. Os santos dirigiram o curso de suas vidas para Deus, e de tão genuíno e autêntico que foi o seu testemunho e anúncio, levam consigo uma multidão de irmãos que, convencidos pela autenticidade do seu “ser cristão”, abraçam esse mesmo “estilo” de vida, vindo a entrar nesta corrente de amor e de fé cujo único destino é o encontro definitivo com Deus.

E assim foi com a Beata Elena Guerra, a nossa Pequena Mãe. Dizia de si mesma que sua aparência não tinha nada de particularmente agradável, mas era no seu interior que se encontrava o belo e fecundo jardim que Deus havia plantado. Sua vida foi o grande legado que deixou. A riqueza interior que descobriu dentro de si e que, com tanto amor e afinco, cultivou e fez amadurecer, foi a razão do seu anúncio e para o quê ela canalizou todas as suas forças, de forma que todos pudessem também descobrir.  Elena encontrou-se com o Espírito de Deus! Este era o seu valioso Tesouro, mas um Tesouro que logo descobriu que não podia ficar guardado, mas deveria ser conhecido por todos, adorado por todos, invocado por todos. E, então, Elena tornou esta a missão de sua vida. Dali em diante, tudo o que fizesse, tudo o que sofresse, tudo o que alcançasse seria por Ele, para Ele! Incansável, ousada, persistente! Uma mulher à frente do seu tempo! De “pequenos” escritos sobre o Espírito Santo a uma correspondência profética com o Papa Leão XIII! Não podia se conter, nem se conformar com a ingratidão de tamanho esquecimento do Espírito Santo que é a Alma da Igreja, o Senhor que dá a vida!

Escreveu, insistiu, persistiu... Dedicou a sua vida a tornar o Espírito mais conhecido, amado e invocado. De um Novo Pentecostes o mundo precisa, ela dizia. E, para isso, o mundo devia se tornar um Cenáculo permanente de oração, um Cenáculo Universal!

Neste 11 de abril não nos importa tanto recordar a morte de Elena Guerra, mas a sua vida. Recordar para nos inspirar novamente, para nos motivar a, ainda mais, dar continuidade ao apostolado que um dia, em um lugar distante daqui, Elena começou. Mas, como já foi dito, o testemunho verdadeiro transpassa o tempo e o espaço, e nós, filhos de Elena Guerra, sabemos bem disto! Descobrindo seus escritos, conhecendo a sua vida e obra, dela nos tornamos íntimos, por graça do mesmo Espírito que a inspirou e que, hoje, nos inspira e anima. A espiritualidade que Elena viveu continua sendo fonte de inspiração para tantos que a conhecem hoje. Continua sendo mestra, continua seu apostolado, agora com ainda mais força, pois habita, na morada eterna, no Coração de Deus.

Pelo Brasil e pelo mundo, são inúmeros os amigos que a Beata Elena Guerra já conquistou. Seja através de seus escritos, ou das Capelinhas do Espírito Santo, o fato é que Deus continua suscitando novos apóstolos do Espírito Santo em todos os lugares! E era este o desejo de Elena! Que o Cenáculo se alargasse, que cada um que se encontrasse com o Doce Espírito de Deus se tornasse uma centelha viva a espalhar pela Terra o Fogo do Divino Amor! Continuar seu apostolado, profetizar o Novo Pentecostes com a vida, com as obras, com o amor! Eis a missão que Deus também nos confiou! Não sejamos contemplativos de uma bonita espiritualidade, mas que a possamos viver com a mesma intensidade com que Elena Guerra a viveu, comprometendo-nos com a sua causa, tornando-a também a nossa! 

Mas, certamente, Elena Guerra não desejaria que as atenções se voltassem a ela mesma, por si mesma. A imagem que dela conhecemos deixa isto bem claro. Sua vida aponta para o Alto, aponta para o Espírito Santo. E, como é dito no livro de sua biografia, digo agora a todos os que conhecem a história de Elena, a todos que descobriram na sua espiritualidade o seu modo próprio de também se relacionarem com Deus, a todos que, através dela, se tornaram Amigos do Espírito Santo, como eu: “Tome esta chama, este Fogo; deixa que te invada e te leve a doá-Lo para todos, todos... Passa a Palavra, espalhe a Profecia do Novo Pentecostes, retorne ao Cenáculo! E logo será Primavera. Um Pentecostes sem fim!!!”

Padre Dudu



sexta-feira, 6 de maio de 2016

FALAR DO AMOR DE DEUS



O mundo ainda não existia, mas o Amor de Deus já era real. E, como não ver este Amor? É só perceber as suas múltiplas atuações no mundo, suas intervenções para que o ser humano fosse feliz. Desde a criação, passando pelos profetas e chegando até nós, o Amor de Deus manifestou-se escancaradamente na história do povo e na nossa história pessoal. Basta fazer uma retrospectiva para vermos este Amor manifestando-se e escancarando-se à nossa frente.

E o que me chama a atenção neste Amor é sua gratuidade. É de graça, sem cobranças, sem reticências, sem espera de retorno algum. Ele só ama porque é Amor! Somos eleitos para sermos amados; você é amado porque Ele escolheu você como destinatário de sua essência de Amor.

Outra maravilha é que o Amor de Deus não é destruído pela nossa infidelidade. Nada supera seu Amor incondicional; nada destrói seu bem querer por nós. Se pudéssemos descrever, diríamos que é um Amor Super, Hiper, Mega... É inexplicável, intransferível e insubstituível.

Mesmo que façamos o mal a nós mesmos e aos outros, Deus continua a nos amar. E, basta um coração sinceramente arrependido, contrito e humilde, e lá está Ele renovando seu Amor por nós, sem "mas", mas com "mais, e mais, e mais".

Não creio que a cegueira tome conta de nosso ser a ponto de não podermos ver seu Amor externado no alto do madeiro, da cruz, quando nos dá seu Filho Único como prova de Amor extremado e desnorteado, a nos provar, "por A mais B", que ama sua criatura com afinco e dedicação total. Somente para nos salvar de nós mesmos, de nossas falhas criadas e fabricadas pela nossa imperfeição da busca perfeita de nossos anseios desmedidos.

Ele só espera de nós uma resposta de vida que vence a morte de nossos devaneios e alucinações, de querermos ser deuses ou de brincarmos de sê-lo! Ele só quer nossa volta, tal qual o filho pródigo. E Ele vem ao nosso encontro de braços abertos para nos acolher e fazer uma festa de retorno, sem revidar nossas transgressões ao seu Amor. A Ele importa só nosso desejo de voltar. O resto Deus apaga sem deixar nódoas.

Ame este Amor, pois Ele amou e ama você do jeito que você é, pois o que você é foi Ele que fez!

Com um beijo de Jesus, pelos lábios de Maria, em seu coração!
 Pe. Delair Cuerva

sábado, 30 de abril de 2016

O que são dons Preternaturais?

Foram os dons preternaturais que perdemos após o pecado original:
1 – Imortalidade, pois a morte é fruto do pecado (Gen 2, 7; 3,3 s; Sab 2,14; Rom 5, 12; Rom 6,23). Isto significa que , antes do pecado, o homem não morreria dolorosa e violentamente como ocorre hoje; poderia morrer, mas a morte seria um sono suave, como a de Maria.
2 – Integridade, ou imunidade de concupiscência: os afetos, sentimentos e desejos não eram desordenados, mas submetidos docilmente à razão e à fé, sem conflitos interiores.
3 – Impassibilidade, ou a ausência de sofrimento, fruto do pecado (Gen 3,16)


4 -Ciência Moral infusa: que tornava o homem apto a assumir suas responsabilidades diante de Deus sem dificuldades.


O nosso Catecismo diz (§ 404s) que o homem, após a queda, não pôde mais transmitir aos descendentes o “estado de santidade” (participação perfeita na comunhão com Deus) e de ” justiça” (harmonia perfeita consigo, com a mulher, com a natureza e com Deus). Leia mais no Catecismo (§385 s).
cleofas.com


sábado, 23 de abril de 2016

O PERDÃO QUE CURA



"É Ele quem perdoa as tuas faltas e sara as tuas enfermidades" (Sl 102, 3).


Perdoar significa doar-se, dar o perdão por inteiro e de todo o coração. Perdoar é dar uma nova chance, uma oportunidade para quem caiu poder se levantar e recomeçar. O perdão que cura não é simplesmente fruto do desejo e da vontade, mas de uma decisão tomada de maneira livre e consciente por alguém que resolve colocar um fim no sofrimento causado pelas mágoas e ressentimentos guardados.

Perdoar e ser curado não é um ato mágico, mas um processo que exige paciência e perseverança. O perdão é um remédio eficaz que atinge a raiz da mágoa e da culpa que nos faz adoecer. Para que o remédio do perdão chegue até à raiz do problema é necessário mexer na ferida para se chegar à causa mais profunda da mágoa e da culpa e, assim, conseguir perdoar e ser perdoado de todo o coração.

Há pessoas que dizem: "eu não quero mais tocar nesse assunto; coloquei uma pedra sobre isso". Na verdade estão com medo de sofrer ao mexer na ferida. Preferem negar a enfrentar o problema.

Um dia, Pedro perguntou a Jesus: "Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele pecar contra mim?" (Mt 18, 21). A resposta do Mestre foi clara: "setenta vezes sete" (Mt 18, 22), que significa sempre e de todo coração! Mas, até quando? Até o coração ficar livre da mágoa e do ressentimento. Não se trata de esquecer, mas, sim, de lembrar sem sofrer. Quando for possível a reconciliação deve acompanhar o ato de dar ou receber o perdão, embora haja situações em que a reconciliação não seja mais possível. Por exemplo: uma amizade rompida, um casamento desfeito. Mas em qualquer circunstância o perdão é sempre necessário.

Por experiência, posso afirmar, sem dúvida, que nós sofremos muito mais pelas conseqüências das culpas, mágoas e ressentimentos guardados, do que pelas ofensas recebidas. Muitos prejuízos podem se recuperados, mas os danos provocados diretamente pela mágoa só podem ser curados através de muita oração e exercícios de perdão. O tratamento e a cura para a mágoa é dar o perdão, é perdoar. É com o perdão ensinado e testemunhado por Jesus que se deve perdoar: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem" (Lc 23, 34).

Graças a esse perdão conquistado por Jesus na cruz e no Calvário fomos curados, libertos e salvos. Para ser curado é necessário fazer o exercício e a oração do perdão pelo menos por 30 dias. Procure um lugar de silêncio e coloque-se na presença de Deus. Invoque o Espírito Santo... Imagine cada pessoa, viva ou falecida, que você precisa perdoar e reze com fé a oração a seguir, ou outra semelhante: "(o nome da pessoa) em nome de Jesus seja perdoado de todo o meu coração. Assim como eu fui perdoado pelo Senhor Jesus, eu te perdôo, porque você não sabia o que estava fazendo contra mim. Eu te declaro livre de toda culpa que possa estar no seu coração e que ainda faz você sofrer. Eu estou livre de toda mágoa e ressentimento que eu tinha contra você. Ofereço meu abraço de perdão e de reconciliação, e te desejo a paz de Jesus. Amém!"

Nós não somos apenas ofendidos, mas ofendemos também. Por isso, quando tomamos consciência dos prejuízos que causamos aos outros, por aquilo que falamos ou fizemos de mal, é necessário pedir e receber o perdão, para sermos curados da culpa, da acusação e da condenação que pesam sobre nós. E, para nos sentirmos perdoados não basta apenas um simples pedido de perdão. Muitas vezes é necessário fazer a reparação do mal causado. Há muitos exemplos de reparação na Bíblia: Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos, se arrependeu, pediu perdão e foi perdoado. Mas, para tomar posse da cura que vem do perdão, decidiu fazer reparação: "Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo" (Lc 19, 8).
asj.org.br






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Qual é a diferença entre venerar e adorar?



Entender a diferença entre venerar e adorar é de suma importância para o nosso crescimento como cristãos


Adorar e venerar são duas formas de culto presentes na vida da Igreja. Embora elas sejam diferentes, muitos católicos fazem uma grande confusão entre as duas.

Adoração é o culto que prestamos exclusivamente a Deus


“Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso. ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’ (Lc 4, 8) – diz Jesus, citando o Deuteronômio (Dt 6, 13)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2096). A adoração é chamada de “culto de latria” (do grego latreou, que significa “adorar”). “Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o ‘nada da criatura’” (idem, n. 2097).

Venerar é o culto prestado aos santos e às imagens e relíquias que os representam


Venerar significa honrar; é chamado de “culto de dulia” (do grego douleuo). Também recebe o culto de dulia a Palavra de Deus, ou melhor, os sinais da Palavra de Deus, especialmente a Sagrada Escritura, o evangeliário e o lecionário (esses últimos livros litúrgicos possuem partes da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras). Existe também o “culto de hiperdulia”, que é prestado a Nossa Senhora.

A veneração, por sua vez, tem sentido quando se refere a honrar uma pessoa ou um objeto que nos remete a Deus. Claro, fora do âmbito religioso existe a prática de venerar e honrar pessoas, lugares, entre outros. Porém, a veneração, enquanto culto cristão, não tem outro sentido senão valorizar algo, um sinal que nos remete a Deus e Seu chamado de conversão a nós.

A veneração é um culto, muitas vezes, incompreendido pelos protestantes e evangélicos; e muitas vezes, a falta de conhecimento e formação de alguns fiéis católicos em nada ajuda esses nossos irmãos nesse sentido. Contudo, muitas vezes, mesmo sem o saber, eles também veneram sinais que os remetem a Deus, e nisso fazem confusão maior ainda.

Confusão de culto


Apegados à Antiga Aliança, os protestantes veneram os sinais próprios dessa fase da Revelação, como a Arca da Aliança, a menorah (candelabro de 7 velas), o Templo de Jerusalém, as pedras da Lei, entre outros. Essa contradição só não é mais evidente porque os grandes sinais da Antiga Aliança desapareceram. Mas a grande confusão de culto deles se dá em relação à Bíblia.

A Palavra de Deus a qual adoramos é Jesus, o Verbo Encarnado, Palavra eterna do Pai, Pessoa viva da Santíssima Trindade. A Sagrada Escritura é expressão inspirada e infalível dessa mesma Palavra, mas, mesmo sendo assim, não deixa de ser um livro. Que o leitor preste atenção nesta sutil, mas importantíssima diferença: a Bíblia é Palavra de Deus, mas a Palavra de Deus não é a Bíblia, a Palavra de Deus é Cristo. A Bíblia e seus conteúdos escritos – todos escritos em contextos históricos específicos, culturais, geográficos, sociais, entre outros – devem ser honrados por nós, venerados pelos cristãos.

Confusão em relação aos santos e imagens


A Palavra de Deus não pode se restringir a um livro, por mais sagrado que este seja. Essa confusão leva os protestantes a ter uma relação de adoração à Bíblia, o que os faz desprezar as outras fontes de Revelação que Deus deixou para a Sua Igreja. Essa confusão é muito mais nociva à fé do que a confusão feita pelos fiéis católicos com relação aos santos e suas imagens. Isso porque os protestantes o fazem por uma questão de conceito, enquanto os fiéis católicos que fazem essa confusão, fazem-na por ignorância.

Fica evidente a importância de compreender a relação que devemos ter com as coisas santas. Devemos cultuá-las, porém, da maneira correta. Que os erros não nos desanimem de prestar o devido culto a esses tesouros que Deus deixa no meio dos homens, para que, olhando para eles e os venerando, possamos encontrar a face d’Aquele que é o Único a quem nós adoramos.

 André Botelho