sábado, 10 de setembro de 2016

A boca fala daquilo que o coração está cheio



Um ditado popular diz: "O peixe morre pela boca". O quanto há de verdadeiro nesta metáfora? A Bíblia em Tiago 3,5-6 diz claramente que a língua pode ser causa de perdição. Esse pequeno membro pode fazer tanto estrago na vida das pessoas tanto quando uma arma letal. Parece exagero, mas não é; uma arma fere o corpo, pode ou não deixar sequelas que com tratamento médico adequado são com relativa facilidade curadas ou minimizadas. A língua pode não ferir e realmente não fere o corpo, mas geralmente fere e fere profundamente a alma, trazendo consequencias graves ao emocional e na psique das pessoas vitimadas por injurias e agressões verbais.
Sim, o peixe morre pela boca e o difamador, o fofoqueiro, o maldizente, o falastrão também. "A língua contamina todo o corpo e inflamada pelo inferno incendeia o curso de nossa vida" (cf. Tg 3,6). Isto é uma advertencia aos contumazes usuários das palavras de maldição, das ameaças, das ofensas, das mentiras difamatórias, do julgamento, enfim, do uso da língua como instrumento de maldade, não de bençãos.
Neste contexto podemos citar também a passagem bíblica em Mt 7,1-5: "Não julgueis e não sereis julgados; porque do mesmo modo que julgardes sereis também vós julgados e com a mesma medida que medirdes sereis vós medidos. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave que está no teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão". Carissimos irmãos, o Senhor aqui nos adverte que devemos ser caridosos e prudentes com as atitudes dos outros. Isto não significa ser complacente com os erros, mas antes de emitir qualquer juízo de valor, olhar para si mesmo numa auto análise crítica e perceber que muito daquilo que criticamos nos outros é inerente a nós mesmos. Assim, no âmago da questão observamos que os que criticam e julgam já condenando, estão na verdade projetando sua própria idiossincrasia. É um ato de defesa; ataco primeiro e diminuo as chances de ser atacado. Desnudo o adversário e me revisto de uma capa de integridade. É verdadeiramente uma estratégia de dissimulação, na medida em que aponto os defeitos do outro enquanto escondo os meus.
Por isso as palavras duras de Jesus, que não são acusatórias, entrementes são palavras de advertência que nos levam a refletir, examinar minuciosamente nossa consciência para que possamos nos livrar da tendência perniciosa da julgar o próximo. Afinal a boca fala daquilo que o coração está cheio. Se comemos cebola nosso hálito certamente não será de hortelã.





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A IGREJA VIVE DA PALAVRA


Artigos - ASJ
O Sínodo dos Bispos sobre "A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja", que aconteceu em outubro, deverá ser um marco importante e decisivo da presença da Bíblia na Igreja Católica. Este lema, que presidiu os trabalhos do Sínodo, fala bem da importância maior que a Bíblia deveria ter para todos os católicos. Nestas palavras, vamos cingir-nos apenas à VIDA. Vida é, em primeiro lugar, conhecimento da Bíblia; pois esta nunca entrará realmente na vida dos cristãos em particular e na vida da Igreja em geral, sem que a conheçamos previamente; pois não é possível viver o cristianismo sem conhecer o Livro onde está escrito o que é ser cristão. Ora, este conhecer implica necessariamente termos e ações que são estranhos a muitos católicos: estudo da Bíblia, participação em cursos de formação bíblica, uso diário da Bíblia, a sua utilização na catequese, na pregação, na oração diária. (Dei Verbum, 25).

Este conhecimento da Bíblia, como Palavra de Deus, levará a amar a Palavra, e só o amor à Palavra pode levar ao "casamento" com a Palavra e a ter uma vida em comum com ela, ou seja, com o Deus da Palavra. Nada disto carece de ser provado, pois ninguém ama o que desconhece. Com maior razão, não é possível viver uma Palavra que se desconhece. Portanto, a Bíblia é o livro dos cristãos em geral e de cada cristão em particular. Cada um de nós, que se diz cristão, deveria possuir a sua Bíblia pessoal e levá-la sempre consigo, como quem leva um amigo íntimo, de quem não consegue separar-se. Só neste contato íntimo e permanente com o Deus da Bíblia - e não há outro! - será possível colocar a Bíblia na vida dos cristãos católicos individualmente, na vida das comunidades cristãs, a fim de que as palavras da Bíblia sejam o paradigma, o ponto de referência fundamental da vivência dos nossos cristãos. As intervenções dos padres sinodais vão neste sentido, tentando apresentar meios para que este ideal se torne uma realidade na Igreja do Século XXI.

O Movimento de Dinamização Bíblica dos Franciscanos Capuchinhos - que é anterior ao Vaticano II - tentou, desde meados do século passado, levar a Bíblia ao povo, que é o mesmo que levar-lhe o Deus da Bíblia. Um slogan resume esta atividade: "Com a Bíblia na mão e o Deus da Bíblia no coração". A formação bíblica nem sempre encontrou o ambiente capaz, o terreno bem preparado para dar frutos. E penso que é isso que falta na Igreja. Não havendo uma pastoral bíblica a nível nacional, diocesano e local, todos os esforços individuais são dificilmente aceitos, e o trabalho torna-se, em grande parte, inglório.

Depois do Sínodo a Igreja não pode continuar a ser a mesma. Ele deve marcar um antes e um depois na relação dos católicos com a Bíblia, isto é, com o próprio Deus falante da Bíblia. De fato, estes têm feito uma dicotomia anti-teológica, operando uma diferença entre Deus e a Bíblia, entre Deus e a sua Palavra, quando se trata, fundamentalmente, da mesma coisa. Isto acontece quando pensam prestar um verdadeiro culto a Deus, sem prestar atenção à sua Palavra. Mais ainda, os católicos têm feito outra dicotomia ilegítima entre sacramentos e palavra de Deus, quando, na realidade, os sacramentos supõem a Palavra, já que não pode haver sacramentos - e outros rituais litúrgicos - sem a raiz da palavra de Deus.

Para obviar a tudo isto, é necessário que sejam criadas verdadeiras estruturas pastorais dentro da Igreja e pela Igreja, para dar o devido relevo à Palavra. A "Dei Verbum 21" colocou a premissa teológica há 43 anos, na qual se dá o mesmo valor à Palavra e à Eucaristia (e sacramentos): "A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais (.) de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida quer da mesa da Palavra de Deus, quer do Corpo de Cristo".

Ora, estas estruturas apenas serviriam para pôr em prática a "Dei Verbum" de há 43 anos! Estas estruturas deveriam ter um alcance maior que a simples criação dos ministros da Palavra, que foram objeto de algumas intervenções no Sínodo. Ora, o Sínodo deve ir mais longe - esperemos que vá - criando, por exemplo, a Escola da Palavra, ou a Escola Bíblica paroquial, como meio de dar o devido relevo à Palavra nas comunidades. Porque é que o pároco há de ter como tarefa fundamental a celebração da Eucaristia.



sábado, 27 de agosto de 2016

Ministério de Pregação


Um dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
– Sr Bilac, estou precisando vender meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderia redigir um anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu: ‘Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda’. Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio”.
– Nem pense mais nisso! – disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que eu tinha.”
Essa história me fez lembrar que além de ter uma boa inspiração, para pregar precisamos saber nos comunicar; falamos de comunicar com unção. A forma de falar, a postura do pregador, seu timbre de voz, seus gestos, enfim, tudo que compõe a imagem do pregador influencia no ânimo dos ouvintes. E essa influência vai predispô-los a aceitarem ou a rejeitarem a mensagem transmitida na pregação. É por isso que os pregadores devem ser incansáveis quando se trata de formação; devem ser santamente insaciáveis na busca de novos métodos para pregar. É neste contexto que entra a formação, para colaborar.

Na Bíblia encontramos exemplos de como a forma de se expressar influencia os ouvintes. Certa vez, após Jesus terminar uma pregação “a multidão ficou impressionada com a sua doutrina” (Mt 7,28) e o evangelista segue explicando que “ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas” (v. 29).

Vejam que exemplo interessante encontramos em Atos dos Apóstolos, quando no dia de Pentecostes, o Espírito Santo fez os discípulos começarem as pregações em línguas. Observem no texto abaixo o efeito inicial no ânimo de muitos ouvintes:
“Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?” (At 2,4-12).

Ora, como havia milhares de pessoas naquele lugar – era Festa de Pentecostes – se os pregadores não tivessem, impulsionados pelo Espírito Santo, começado a pregar (publicar as maravilhas de Deus) por meio do dom da xenoglassia, certamente poucas pessoas, ou quase ninguém, os teria ouvido. Note bem os questionamentos do povo que o evangelista teve o cuidado de narrar: “todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas?” Todo professor sabe que o questionamento marca o início da boa aprendizagem. Aqui a forma de pregação foi decisiva para atrair os ouvintes e para ganhar a atenção deles.

Outro exemplo, para citar somente mais um. Trata-se de Apolo. Ele é citado no capítulo dezoito do Livro dos Atos dos Apóstolos. Ele era judeu, profundo conhecedor das escrituras. Era também eloqüente e pregava com veemência suficiente para calar os que tentavam contradizer o Evangelho. Pelo testemunho de Lucas sabemos que sua presença em Corinto foi de muito proveito para os cristãos.
É por perceber a necessidade de apresentar o Evangelho da forma mais adequada possível que o Ministério de Pregação não se dá por vencido ante os embaraços que encontramos para ministrar uma boa formação. É por acreditar que podemos formar novos pregadores e aperfeiçoar os veteranos que temos um projeto de formação (Projeto Pedagógico). É também por compreender que trabalhando com afinco conseguiremos dar um passo a mais na caminhada da formação de pregadores, isto é, conseguiremos ir “além dos limites dos nossos desertos de pregadores”, saindo, portanto, do “lugar comum” em se tratando de formação, que implantaremos a partir de 2004 as oficinas de pregação.
Nos encontros de formação temos apresentado aos pregadores uma metodologia que nos ajuda a pregar com unção e com docilidade ao Espírito Santo. Temos também exortado a que todos os pregadores busquem o conhecimento necessário para pregar, participando de todos os encontros ministrados pelos outros ministérios. É que o pregador não necessita somente de pregar com unção e com metodologia correta, ele necessita também de conhecer o assunto que vai expor. Assim ele deve participar de todos os encontros que conseguir, além de complementar sua formação com outras fontes de conhecimento, tais como: livros, fitas de áudio e de vídeo, entre outros recursos.

Mas, sem dúvida, é nas oficinas que deverá ocorrer a formação mais profunda. Elas são compostas por dinâmicas simples e criativas que ajudam o pregador a se treinar nas melhores técnicas de pregação. Elas são mais que necessárias, pois a pregação é uma daquelas atividades humanas que poucos de nós conseguimos realizar com perfeição sem um bom treinamento, contudo é muito fácil de ser feita “mais ou menos”. E esta facilidade de se pregar “meia pedra meio tijolo” tem se tornado um dos maiores obstáculos que impedem a realização de uma formação integral, de uma formação que contempla o maior número de itens da oratória sacra. Voltando às oficinas, quem nelas não for treinado o será durante as pregações que certamente fará nos grupos de oração. Todavia o treinamento que se consegue durante as pregações nos grupos e em outros lugares é lento, bastante lento. É por este motivo que os melhores pregadores do Brasil, com pouquíssimas exceções, demoraram de cinco a dez anos para conseguirem uma boa técnica de pregação. Com certeza as oficinas poderão – e deverão – abreviar este tempo, além de possibilitar outros ganhos. Estamos oferecendo encontros de formação que devem ser aprofundados em oficinas. A partir disso a formação dependerá do esforço, do trabalho, do estudo, do treinamento e das orações de cada pregador do Brasil.

Talvez você esteja curioso para entender o que vem a ser oficina. Elas serão bem entendidas na prática, mas aqui vai uma palavrinha sobre elas.

Hoje as oficinas incorporaram de vez os mais representativos campos de formação profissional. Em alguns deles elas já eram tradicionais, porém conhecidas com outros nomes, como laboratório, no teatro; treinamento, nos esportes e estágio nas formações acadêmicas. Por falar em formação acadêmica e oficinas, elas têm sido inseridas em projetos pedagógicos de universidades, como é exemplo um projeto pedagógico da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia, elaborado no ano 2000, que traz as oficinas como sendo uma das formas usadas para capacitar seu corpo docente.
Como disse acima, as oficinas serão bem compreendidas na prática, mas o melhor delas é que poderão ser feitas com pequenos grupos de pregadores que certamente se reunirão nas dioceses, nas cidades ou nos grupos de oração.

Pretendemos em breve disponibilizar um material para preparar roteiros de pregação passo a passo, para ser usado nas oficinas. Oremos para mais esta etapa na caminhada da formação, dentro do Projeto Reavivando a Chama.

Muito obrigado a você que se dedica a formar pregadores e a você que busca a formação. Deus os abençoe. E permanecemos unidos no Cristo, pelo Espírito.
Dercides Pires da Silva



domingo, 21 de agosto de 2016

A Sagrada Eucaristia é um mistério de fé


 Primeiro que tudo, queremos recordar uma verdade, que muito bem conheceis e é absolutamente necessária no combate a qualquer veneno de racionalismo. Verdade, que muitos mártires selaram com o próprio sangue, e célebres Padres e Doutores da Igreja professaram e ensinaram constantemente. É a seguinte: a Eucaristia é um Mistério altíssimo, é, propriamente, o Mistério da fé, como se exprime a Sagrada Liturgia: “Nele só, estão concentradas, com singular riqueza e variedade de milagres, todas as realidades sobrenaturais”, como muito bem diz o nosso predecessor Leão XIII de feliz memória.

Sobretudo deste Mistério é necessário que nos aproximemos com humilde respeito, não dominados por pensamentos humanos que devem emudecer, mas atendo-nos firmemente à Revelação divina.
São João Crisóstomo, que, como sabeis, tratou com tanta elevação de linguagem e tão iluminada piedade o Mistério Eucarístico, exprimiu-se nos seguintes termos precisos, ao ensinar aos seus féis esta verdade: “Inclinemo-nos sempre diante de Deus sem o contradizermos, embora o que Ele diz possa parecer contrário à nossa razão e à nossa inteligência; sobre a nossa razão e a nossa inteligência, prevaleça a sua palavra. Assim nos comportemos também diante do Mistério (Eucarístico), não considerando só o que nos pode vir dos nossos sentidos, mas conservando-nos fiéis às suas palavras. Uma palavra sua não pode enganar”.

A Eucaristia não é coisa que se possa descobrir com os sentidos

Idênticas afirmações encontramos frequentemente nos Doutores Escolásticos. Estar presente neste Sacramento o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Cristo, “não é coisa que se possa descobrir com os sentidos, diz Santo Tomás, mas só com a fé, baseada na autoridade de Deus. Por isso, comentando a passagem de São Lucas, 22,19: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós”, diz São Cirilo: “Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, mas aceita com fé as palavras do Salvador; sendo Ele a Verdade, não mente”.
Repetindo a expressão do mesmo Doutor Angélico, assim canta o povo cristão: “Enganam-se em ti a vista, o tato e o gosto. Com segurança só no ouvido cremos: creio tudo o que disse o Filho de Deus. Nada é mais verdadeiro do que esta palavra de verdade”.
Mais ainda: é São Boaventura quem afirma: “Estar Cristo no Sacramento como num sinal, nenhuma dificuldade tem; estar no Sacramento verdadeiramente, como no céu, tem a maior das dificuldades: é pois sumamente meritório acreditá-lo”.

Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna!”

O mesmo dá a entender o Evangelho ao contar que muitos discípulos de Cristo, ao ouvirem falar de comer carne e beber sangue, voltaram as costas e abandonaram o Senhor, dizendo: Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las? Perguntando então Jesus se também os Doze se queriam retirar, Pedro afirmou, com decisão e firmeza, a fé sua e a dos Apóstolos, com esta resposta admirável: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna!”
Ao magistério da Igreja confiou o Redentor divino a palavra de Deus tanto escrita como transmitida oralmente, para que a guardasse e interpretasse. É esse magistério que devemos seguir, como estrela orientadora, na investigação desse Mistério, convencidos de que “embora não esteja ao alcance da razão e embora se não explique com palavras, continua sempre a ser verdade aquilo que há muito se proclama com a fé católica genuína e é objeto de crença em toda a Igreja”.
Ainda não é tudo. Salva a integridade da fé, é necessário salvar também a maneira exata de falar, não aconteça que, usando nós palavras ao acaso, entrem no nosso espírito, o que Deus não permita, idéias falsas como expressão da crença nos mais altos mistérios. Vem a propósito a advertência de Santo Agostinho sobre o modo diverso como falam os filósofos e os cristãos: “Os filósofos, escreve o Santo, falam livremente, sem medo de ferir os ouvidos das pessoas religiosas em coisas muito difíceis de entender. Nós, porém, devemos falar segundo uma regra determinada, para evitar que a liberdade de linguagem venha a causar maneiras de pensar ímpias, mesmo quanto ao sentido das palavras”.
Donde se conclui que se deve observar religiosamente a regra de falar, que a Igreja, durante longos séculos de trabalho, assistida pelo Espírito Santo, estabeleceu e foi confirmando com a autoridade dos Concílios, regra que, muitas vezes, se veio a tornar sinal e bandeira da ortodoxia da fé. Ninguém presuma mudá-la, a seu arbítrio ou a pretexto de nova ciência. Quem há de tolerar que fórmulas dogmáticas, usadas pelos Concílios Ecumênicos a propósito dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação, sejam acusadas de inadaptação à mentalidade dos nossos contemporâneos, e outras lhes sejam temerariamente substituídas? Do mesmo modo, não se pode tolerar quem pretenda expungir, a seu talante, as fórmulas usadas pelo Concílio Tridentino ao propor a fé no Mistério Eucarístico. Essas fórmulas, como as outras que a Igreja usa para enunciar os dogmas de fé, exprimem conceitos que não estão ligados a uma forma de cultura, a determinada fase do progresso científico, a uma ou outra escola teológica, mas apresentam aquilo que o espírito humano, na sua experiência universal e necessária, atinge da realidade, exprimindo-o em termos apropriados e sempre os mesmos, recebidos da linguagem ou vulgar ou erudita. São, portanto, fórmulas inteligíveis em todos os tempos e lugares.
Pode haver vantagem em explicar essas fórmulas com maior clareza e em palavras mais acessíveis, nunca, porém, em sentido diverso daquele em que foram usadas. Progrida a inteligência da fé, contanto que se mantenha a verdade imutável da fé. O Concílio Vaticano I ensina que nos dogmas “se deve conservar perpetuamente aquele sentido que, duma vez para sempre, declarou a Santa Madre Igreja, e que nunca é lícito afastarmo-nos desse sentido, pretextando e invocando maior penetração”.






sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os prejuízos espirituais dos pecados veniais


O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.
A santa Mãe Igreja ensina que “aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro”. (CIC, § 1488)
Sabemos que há pecados graves, que chamamos de “mortais”, porque matam a vida da graça em nossa alma, expulsam Deus do nosso coração, perde-se o “estado de graça”. É uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Fere principalmente os 10 Mandamentos, que são a base da Moral católica, conforme a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19).
Para que um pecado, seja mortal são necessárias três condições ao mesmo tempo: “E pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente”(CIC, §1857). O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Mas a gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência contra os contra os pais é em mais grave que contra um estranho.
O Catecismo diz que “se o estado de graça não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso”. (n.1861)
Há pecados menos graves, que não causam a perda do estado de graça, mas que são também muito prejudiciais à vida espiritual da pessoa. São os pecados veniais. “Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (Reconciliatio et Poenitentia,17). “Não priva da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (CIC,§ 1863). Não chega a quebrar a aliança com Deus.
Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. Quando acontece uma falta, mas que não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, tais pecados são veniais.
Mas a Igreja alerta-nos que o pecado venial enfraquece a caridade; mostra uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral.

O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.
Santo Agostinho disse que: “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão…” (Ep. João 1,6).
Podemos comparar o pecado venial àqueles matinhos que se juntam ao pé das plantas; não as matam mas as impedem de se desenvolverem plenamente porque sugam a seiva da terra que deveria ser só da planta. É por isso que o bom agricultor tira frequentemente essas ervas daninhas, essas tiriricas, que crescem rapidamente e que têm raízes profundas. É fundamental que elas sejam retiradas com as raízes e não apenas cortadas, pois, é incrível a rapidez com que crescem. Diz um provérbio chinês que não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do lavrador.
Nossos pecados veniais são assim, como as tiriricas, pequenos, mas resistentes, e abundantes. São as palavras inconvenientes; as pequenas invejas, ciúmes, críticas, julgamentos leves, vaidades, pequenas iras, preguiças de fazer bem feito os trabalhos e orações, etc.. Os cometemos sem mesmo tomarmos conhecimento disso muitas vezes. Esses pequenos vícios enraizados em nossa alma, sugam sua vitalidade espiritual, enfraquecem a prática da caridade, dificultam a prática das virtudes humanas (prudência, temperança, justiça), prejudicam a oração, o reto comportamento moral, e podem nos conduzir a pecados mortais.
Por isso, com a mesma frequência e cuidado com que o horticultor retira do canteiro das verduras as pequenas pragas, o cristão precisa estar atento para dia a dia limpar o canteiro de sua alma desses pecados. Uma boa reflexão nos ajuda a descobrir quais são essas pragas que estão impedindo o nosso crescimento espiritual. E a Confissão é o bom remédio para eliminá-los.
Ao entrar na igreja, ao fazer o sinal da cruz com a água benta, peça a Deus o perdão desses pecados, a fim de participar dignamente do santo mistério da missa. O ato penitencial é outra maneira de se arrepender deles para poder participar fervorosamente da sagrada Eucaristia.
Prof. Felipe Aquino



sábado, 6 de agosto de 2016

O trabalho na família 


Deus cria o ser humano, como o oleiro que trabalha o barro (Gn 2,7). Diante das maravilhas cridas no mundo, Deus contempla e se rejubila com o ser humano, obra prima do Seu trabalho. Por isso, quando nos reconhecemos como criaturas de especial predileção diante das maravilhas do mundo, revivamos de alguma maneira o júbilo de Deus.
Contudo a criação não deve ser apenas contemplada e admirada pelo ser humano, mas por ele transformada. Com efeito, o trabalho é para cada ser humano um chamado a participar efetiva e afetivamente na obra de Deus, fazendo na criação um verdadeiro trabalho de santificação.
Como coparticipante da criação, o ser humano não está submetido ao trabalho, mas submete a “terra” pelo trabalho. Isto é, todo o globo terrestre está à disposição do ser humano, a fim de que ele, mediante a sua criatividade e o seu compromisso, descubra os recursos necessários para viver e fazer deles o devido uso. Para esta finalidade, hoje muito mais que no passado, não podemos esquecer que a terra nos foi confiada por Deus como um jardim a apreciar e a cultivar (Gn 2,7).
Através do trabalho, as pessoas também nutrem as suas relações familiares. Com efeito, a benção de Deus diz respeito a fecundidade do casal e a dominação da terra. Esta dupla benção convida a bondade da vida familiar e da vida de trabalho, encorajando o ser humano a encontrar uma forma de viver a família e o trabalho de modo equilibrado e harmonioso.

Airton e Marli Silva
Coordenadores Nacionais do Ministério para as Famílias

sábado, 30 de julho de 2016

Maternidade, dom de Deus e fonte de salvação para a mulher


Contudo, ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça na fé, na caridade e na santidade(1 Tim 2, 15).
Maternidade não é um hobby. É um chamado!
Deus concede à mulher a graça de ser mãe como uma grande oportunidade de servi-lo na formação da humanidade. Graça essa que exige muito compromisso e respeito ao chamado. Gerar filhos e pô-los no mundo, não é uma mera opção, mas, graça que vem de Deus!
Filhos são tesouros especiais que Deus nos confia para lapidá-los, para que sejam luzes acesas e brilhantes no mundo!
Ser mãe é renunciar-se e deixar que um novo ser se forme em si e através de você. Em si porque, a maternidade, transforma, tornando-as mulheres bem diferentes. Tornam-se seguras, corajosas, responsáveis e um enorme depósito de amor! Amor vindo do coração de Deus, na certeza de que esse amor inabalável e sem fim, as levará a olhar para seu rebento como parte de si e de Deus!
A maternidade não acontece somente quando geramos em nosso ventre uma vida! Acontece, também, quando geramos vidas em nossos corações. Quantos filhos estamos gerando pelo Espírito Santo, por esse imenso Brasil, no decorrer desses três anos no Ministério para as Famílias.
É um amor diferente; porém, maternal que aquece o coração e, mesmo com pouco contato, somos capazes de entender e compreender a cada um, independentemente da distância que nos separa.
Cremos que assim acontece com todas as servas de Deus espalhadas pelos inúmeros Grupos de Oração. Onde cada uma acolhe, com amor maternal, os filhos que Deus lhes envia, necessitados de cuidados especiais e, principalmente, de encontrar o Pai de Amor que os espera de braços abertos. Mulheres, servas de Deus, mães espirituais, guerreiras e corajosas em defesa dos seus.
Temos a graça de vivenciar essa experiência em nosso Grupo de Oração. Desde os servos até àqueles que chegam pela primeira vez, como a ovelha perdida.
É muito belo quando vemos uma jovem entregando sua vida para Deus, através da maternidade. Renuncia a seus ideais, projetos profissionais e entrega-se ao divino papel de mãe!
Temos uma neta que fez isso e muito nos alegra; pois, através dela temos três bisnetos. Desde de pequenina, quando brincava e as coleguinhas manifestavam os desejos de inúmeras profissões ela dizia: quero ser mãe! Assim fez e é uma excelente mãe. Cumpridora de seus deveres, criando os filhos tementes a Deus, fiéis aos bons costumes, preparando grandes cidadãos cristãos que, com certeza, farão a diferença nesse mundo tão sofrido que estamos vivendo. Não poderia deixar de homenageá-la! Louvamos a Deus por essa graça!
Deus nos mostra que ser mãe  é saber suportar as cruzes que a vida nos apresenta. A exemplo de Maria, a Santíssima Virgem Mãe, escolhida por Deus para trazer ao mundo o Salvador, refletimos e entendemos todo o mistério que envolve a maternidade:
RENÚNCIA- Maria renunciou-se abrindo mão de seus projetos iniciais para acolher o desígnio de Deus para ela, o de ser a Mãe de Jesus.
ENTREGA - Maria entregou-se ao seu papel de mãe, mesmo sem compreender o lugar que ocuparia na vida de seu filho Deus.
CORAGEM- Maria, mulher corajosa, enfrentou todas as situações que envolviam seu filho, sendo firme e forte até à Cruz.
- Maria, mulher de fé inabalável, sem questionamentos, contribuiu para que seu filho levasse a bom termo o plano da salvação da humanidade.
AMOR - Maria amou e ama a humanidade a quem seu próprio filho outorgou-lhe a maternidade (mulher, eis aí teu filho...), a qual assumiu, cuida e nos trata como filhos amados.
Nesse dia, nos lembremos de todas as mães, saiamos de nosso egoísmo, lembrando somente de nossas próprias mães e acolhamos, em nossas orações, todas as mães do mundo, e pedindo a intercessão da Mãe de todos os homens, Maria Santíssima, que saibamos viver a maternidade como fonte de santidade para nós e nossos filhos.
Viva todas as mães do Brasil!
Viva nossa Mãe, Maria Santíssima! 
 Cleusa Bombonati - Coordenadora Nacional do Ministério para as Famílias




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Como se forma uma pérola


Ela é o produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra contém uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, a linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
Todos nós somos feridos de muitas maneiras pelas palavras dos outros; às vezes de ciúme, de ódio, de vingança, de inveja, de calúnia, maledicência… Às vezes nossas ideias são rejeitadas e até menosprezadas e, algumas vezes mal interpretadas.
Não se agite, não revide; não pague o mal com o mal; não, faça como a ostra e produza uma pérola no seu interior, no mesmo lugar da ferida que sangrou. Cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor, paciência, bondade, delicadeza, oração…
Não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,2-3)
Não adianta ficar blasfemando contra a vida, contra as pessoas e contra Deus; nada resolve e ainda piora o estado de sua alma. É melhor acender um fósforo do que maldizer a escuridão. Uma simples chama de alegria ilumina uma grande escuridão.

Prof. Felipe Aquino

sábado, 16 de julho de 2016

Objetos usados na Missa


Água
Trata-se de água natural. É usada para purificar as mãos do sacerdote e para ser misturada com o vinho, simbolizando a união da Humanidade com a Divindade em Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a âmbula.
Âmbula
É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário, juntamente com as hóstias que foram consagradas.

Cálice
É uma taça geralmente revestida de ouro ou prata. Nele se deposita o vinho a ser consagrado.
Corporal
É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se o Corpo do Senhor (cálice e âmbula), no centro do altar.

Cruxifixo
Sobre o altar ou acima dele, existe um crucifixo para lembrar que a Ceia do Senhor é inseparável do seu sacrifício redentor. Vemos em Mt 26,28, que Jesus deu a seus discípulos o ”sangue da aliança que será derramado por muitos para o perdão dos pecados”.
Flores
Em dias festivos pode-se usar flores, não sobre o altar, mas ao lado deste. Sobre o altar usa-se decoração com motivos litúrgicos, tais como o pão e o vinho, o trigo e a uva, além das velas e crucifixo. No tempo da Quaresma não se usa flores; durante o Advento, admite-se seu uso desde que seja com moderação, para não antecipar a alegria do Natal.
Galhetas
São duas jarrinhas em vidro ou metal. Em uma vai a água e na outra, o vinho. Estão sempre juntas sobre um pratinho no altar.
Hóstia
É feita de pão de trigo. Há uma hóstia grande para o sacerdote e pequenas para o povo. A do sacerdote é grande para que possa ser vista de longe pelo povo durante a elevação e também para ser repartida entre alguns participantes, em geral os ministros.
Lecionário
Livro que contém todas as leituras da Bíblia, de acordo com a missa do dia.
Manustérgio
Toalha que serve para enxugar as mãos do sacerdote, durante o ofertório. Costuma acompanhar as galhetas.
Missal
É um livro grosso que contém todo o roteiro do rito da missa, com exceção das leituras que se encontram no lecionário.
Pala
É uma peça quadrada e dura (um cartão revestido de linho). Serve para cobrir o cálice.
Patena
É um pratinho de metal. Sobre ela coloca-se a hóstia maior.
Sanguíneo
É uma toalha branca e comprida, usada para enxugar o cálice e a âmbula.
Velas
Sobre o altar ficam duas velas. A chama da vela simboliza a fé que recebemos de Jesus, Luz do Mundo, no batismo e na confirmação. É sinal de que a missa só tem sentido para quem vive a fé.


Vinho
É vinho puro de uva. Assim como o pão se converte no verdadeiro Corpo de Cristo, também o vinho se converte no verdadeiro Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado.
As vestes litúrgicas
Para lidar com as coisas santas, o sacerdote se utiliza de sinais sagrados, usando vestes que o distingUem das outras pessoas. As vestes representam o Cristo cheio de glória e simbolizam a comunidade que crê no Cristo ressuscitado.
Alva
É uma veste muito semelhante à túnica, sendo toda branca. Simboliza a nova vida, a pureza e a ressurreição.
Amito
Usado por alguns sacerdotes, é um pano branco que envolve o pescoço e que é colocado sob a túnica ou a alva.
Casula
É colocada sobre todas as vestes e também cobre todo o corpo. A cor da casula varia de acordo com o tempo litúrgico (branca, verde, roxa, vermelha…). É uma veste solene, ampla, usada nos dias festivos como o Natal, a Páscoa e o Corpus Christi. Simboliza a paz e a caridade que devem envolver todos aqueles que se aproximam do altar.
Cíngulo
É um cordão que prende a alva ou a túnica à altura da cintura. Simboliza a vigilância, lembrando as cordas com as quais Jesus foi amarrado.
Estola
É uma faixa vertical, separada da túnica, que desce a partir do pescoço do sacerdote em duas partes sobre o peito, uma de cada lado. Sua cor também varia de acordo com o tempo litúrgico. Simboliza o poder conferido ao sacerdote, a caridade, o perdão, a misericórdia e o serviço.
Túnica
É um manto longo, geralmente na cor branca, bege ou cinza clara, que cobre todo o corpo. Lembra a túnica que Jesus usava, ´sem costura de alto a baixo´, sobre a qual os soldados romanos tiraram a sorte para decidir quem ficaria com ela.
As Cores Litúrgicas
Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes  comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia indicada pelo calendário fica estabelecida determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
Verde
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
Branco
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc., Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
Vermelho
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires.
Roxo
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Rosa
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve ´pausa´ na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
Preto
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa



sexta-feira, 8 de julho de 2016

Como organizar o Ministério para Crianças?


O Ministério para Crianças acontece a partir do Grupo de Oração para Crianças (GOC). A coordenação do GOC deve estar em unidade com a coordenação do GO de adultos e com a coordenação do Ministério diocesana, estadual e nacional, facilitando assim a orientação, formação e realização de projetos.
Para servir no Ministério para as Crianças só é necessário se sentir chamado. Informações sobre a estrutura do GOC, a evangelização, o evangelizador, a criança e material de apoio já estão disponíveis na Apostila 1 do Módulo Básico do Ministério para Crianças (Adquira aqui). Cursos de formação também são oferecidos em instância diocesana, estadual, nacional. 
Na página 39 desta mesma Apostila, temos o Modelo de Projeto de Estruturação do Ministério para as Crianças na Comunidade que tem como objetivo esclarecer o que é o GOC para ser apresentado ao coordenador do GO adulto, ou ao Pároc,o caso não conheçam. Após a formalização do serviço a ser desenvolvido no GOC, é hora de formar equipe de servos. Reunir a equipe para oração, divisão de tarefas e preparação das atividades.
Preparando o ambiente para acolher as crianças
São quatro os espaços necessários para acolher os pequeninos. Os dois primeiros espaços ficam dentro do local onde acontece o GO de adulto. Escolher um espaço seguro e limpo, onde os bebês e seus pais serão acolhidos. Para os pais cuidarem de seus filhos, ofereceremos um trocador (fraldário) e se o bebê dormir, colchonetes. O segundo espaço é um cercadinho, ao lado de onde os pais deverão ficar assentados. Neste, os servos do Ministério para as Crianças evangelizam através de historinhas, cantigas de roda, desenhos, pinturas, brinquedos. Para este serviço, dois ou três servos são o suficiente. Atenção: Não é permitido aos servos alimentar, trocar fralda, ficar com a criança o tempo todo no colo, pois sua missão é apenas evangelizar.
Os dois outros espaços serão para atender as crianças acima de quatro anos e os “adoleSantos” (modo como o Ministério chama os adolescentes). Como nesta idade as crianças não estranham o local e o distanciamento dos pais, estes espaços serão anexos ao GO adulto evitando ao máximo que o barulho de um atrapalhe o outro. O GOC desenvolve-se como se encontra na página 41 da Apostila 1.  O tema a ser desenvolvido nos GOC serão os mesmos do GO adulto adaptado para a linguagem de cada idade.
O Ministério para as Crianças entende que a criança é capaz de receber e transmitir a fé, por isso as atividades de oficina, as dinâmicas realizadas no GOC, serão para fixar o tema e preparar a criança para ser uma evangelizadora e não uma simples forma de ocupar seu tempo dando-lhe papel e lápis para colorir. A partilha da Palavra e o uso da Bíblia se aplica a todas as idades, principalmente, aos “adoleSantos” que formarão equipes de pregadores, animadores, intercessores, música, teatro, acolhida, entre outras.
Uma coisa muito importante, o GOC é para as crianças, elas devem pregar, animar, acolher... Os adultos devem dar espaço à medida em que as crianças vão sendo formadas para estes fins. Atenção: O GOC não pode ficar sob a responsabilidade de crianças, elas não podem responder por imprevistos ocorridos. A presença de adultos é imprescindível.
Os GOC devem ser inscritos no SAVIC no Portal da RCC com o nome do Grupo, nome do coordenador e endereço onde se reúne. O coordenador diocesano deverá visitar os GOC e reunir com seus coordenadores para formação, partilha, planejamento e avaliação dos trabalhos realizados.
Já o coordenador estadual deverá visitar as dioceses e manter contato mensal para formação, partilha, planejamento e avaliação dos trabalhos realizados em cada diocese. De dois em dois anos, deverá promover o EEEC (Encontro Estadual de Evangelizadores de Crianças) com workshops apresentação de trabalhos de evangelização das dioceses e participar do ENEC (Encontro Nacional de Evangelizadores de Crianças) levando trabalhos de seu estado.
Sonho para o Jubileu de ouro da RCC

Em 2017, quando a RCC completar seus 50 anos, o Ministério para as Crianças da RCC do Brasil quer dar de presente ao Menino Jesus um Grupo de Oração para Crianças em cada Grupo de Oração adulto. Você aceita esse desafio? Sigamos juntos na missão de evangelizar nossas crianças!                 rccbrasil.org.br

sábado, 2 de julho de 2016

O que é preciso para ser um bom pregador?


Algumas pessoas me procuram dizendo que se sentem chamadas a pregar e querem saber o que é preciso para se preparar bem para essa missão. Por exemplo, um rapaz me escreveu:
“Sou pregador da RCC (Renovação Carismática Católica), mas sinto desejo de me aprofundar na formação teológica. Gostaria de um direcionamento de o que começar estudar e a fazer? Por onde começar?”
Vou colocar aqui algumas sugestões que me ajudam na missão de pregar e escrever. Antes de tudo, esse é um belo chamado de Deus, especialmente para aqueles que receberam a graça de saber se expressar bem, o dom da pregação. Digo isso em relação à pregação para o público; todos são chamados a difundir o Evangelho, ainda que não seja para grupos de pessoas e auditórios. “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1 Cor 9,16).
1 – Cuidar bem da vida espiritual
O pregador precisa ter uma vida de oração contínua, ter comunhão com Deus. Jesus disse: “Sem Mim nada podeis fazer” (João 15,5); muito menos em se tratando de levar as pessoas a Deus. Sem vida de oração não é possível ser bom pregador, ou seja, transmitir aos outros “O que Deus quer”. Santo Agostinho dizia: “falar com Deus, mais do que falar de Deus”. A pregação de quem não ora, é vazia, não toca as pessoas. Na pregação temos de passar aos outros “aquilo que recebemos de Deus na oração”; e isso só e possível com intimidade com Deus, na vida sacramental (Eucaristia e Confissão frequentes), na meditação da Palavra de Deus, na leitura de bons livros espirituais, etc..
2 – Cuidado com seu comportamento
O contra testemunho decepciona as pessoas. Papa Paulo VI disse que “o mundo quer mais testemunhas do que mestres”. A luta contra todo tipo de pecado deve ser uma preocupação permanente. O pregador está a serviço de Cristo e da Igreja, sua responsabilidade é grande. “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”; também a do pregador. Mas, somos pecadores; nem por isso o pregador deve deixar de pregar por causa de seus pecados; a menos que seja algo muito grave e que se tornou um contra testemunho muito sério para as pessoas. Se cair, levante-se imediatamente e continue a caminhada para Deus. Deixar a pregação por causa dos pecados pode ser uma tentação.
3 – Buscar continuamente a santidade
O Papa João Paulo II disse que “a santidade é a força mais poderosa para levar Cristo às pessoas”. Os santos abalaram o mundo, e a maioria deles sem usar avião, computador e, microfone. Basta olhar para os exemplos de São Francisco, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, Santa Teresa, Santa Teresinha, São João Vianney… abalaram o mundo pela força da sua santidade. Estou convencido de que em primeiro lugar o pregador deve buscar a santidade. Se ele fizer isso, Deus vai chamá-lo para muitas missões, sem ele precisar se oferecer para isso. Deus disse a Abrão: “Anda na minha presença e sê integro” (Gen 17,1). De nada adianta um bom microfone sem que haja por trás alguém que busque a santidade. Deus usa os pregadores que buscam a santidade. Daí a importância do pregador se examinar continuamente e se confessar sempre.
Bem nos lembrava São Francisco de Assis que dizia: “Pregue o evangelho em todo tempo, se necessário use palavras”. Ou seja, mais do que pregar com palavras, o principal é pregar com a vida!
4 – Trabalhar com “reta intenção”
Pregar por amor a Jesus e pela salvação das almas; isto é, só por Jesus, nada mais. A motivação do pregador deve ser a mesma de Jesus: ir buscar as ovelhas perdidas, porque no Céu a mais alegria por um pecador que se converte do que por 99 convertidos. Essa é a mola propulsora da evangelização.
Como disse São Paulo: “Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3, 17.23).
É um grande perigo, uma cilada do inimigo, deixar-se levar pelos aplausos e pelas recompensas. O trabalhador tem direito ao salário; o pregador consagrado, “que vive do Evangelho”, e que não tenha outro rendimento, deve receber o necessário para as suas necessidades e de sua família; mas os outros não devem exigir nada além das despesas da própria missão (transporte, alimentação, etc.). “Dai de graça o que recebestes de graça” (Mt 10,10).


5 – Priorizar as pregações
Quando as solicitações para pregações são muitas, então, será necessário estabelecer um critério para atender aos pedidos mais necessários, que mais necessitam de uma evangelização. Não é apenas o número de ouvintes que mais importa, mas a necessidade das pessoas. Jesus trabalhou mais tempo com doze discípulos, e mais os 72 que enviou dois a dois; mas não deixava de pregara para as multidões. Às vezes um grupo menor produz mais resultado que um grupo grande. É uma tentação deixar de pregar para pequenos grupos, principalmente quando são formadores de opinião (universitários, professores, profissionais liberais, etc.).
6 – Pregar em nome de Cristo e da Igreja
O pregador não é autônomo; é obrigado a pregar segundo o que ensina o Sagrado Magistério da Igreja. Para isso, deve observar criteriosamente o que a Igreja ensina, no Catecismo e nos documentos, sobre o tema que vai pregar. O Magistério explica a Bíblia, que nem sempre é fácil de ser entendida. O pregador não pode proibir o que a Igreja não proíbe; não pode aprovar o que a Igreja não aprova; não pode ensinar o que a Igreja não ensina, e não pode querer saber o que a Igreja não sabe. É um perigo espiritual. Ele não pode discordar nunca de um ensinamento da Igreja. Limite-se a ensinar o que a Igreja sabe e ensina. “A salvação está na verdade” (n. 851), diz o Catecismo. Para ser preparado, o pregador deve estudar sempre. Conhecer bem os dogmas da fé, as verdades sobre os sacramentos, a moral católica, etc…
O pregador não pode querer agradar as pessoas apenas afetivamente com a pregação, mas deve leva-las a meditar com profundidade na sua vida espiritual. Uma dose adequada de sensibilidade é conveniente, mas a conversão não pode ser buscada só por esse caminho. As pessoas imaturas na fé buscam a emotividade espiritual, então, o pregador não pode se perder nisso. Ajuda muito a pregação, os bons livros, sobretudo os escritos dos santos e o estudo de suas vidas.
7 – Preparar bem a pregação
Antes de tudo colocar-se em oração e pedir a luz do Espírito Santo para ser assistido e guiado na pregação; “ouvir a moção interior do Espírito Santo” sobre o assunto a pregar. Em seguida, preparar a pregação usando a Bíblia, o Catecismo, os livros, os documentos, etc.
A pregação deve ser clara, profunda e seguir uma sequência que vá aos poucos tornando mais fácil o entendimento da matéria que se deseja ensinar. Pode-se seguir um esquema escrito, mas sem se prender muito ao papel e à leitura para não cansar os ouvintes. A doutrina explanada sobre um assunto deve ser exemplificada sempre que possível com exemplos concretos e que sirvam de esclarecimento sobre o tema abordado. O uso de parábolas, como Jesus fazia, de histórias adequadas, ajuda o entendimento melhor do assunto, tirando-se delas lições importantes.
8 – Consagrar-se a Deus, aos anjos e aos santos
A pregação visa a mudança de comportamento dos ouvintes segundo o Evangelho. Claramente, o Inimigo de Deus e nosso, não fica satisfeito com isso, e de muitas formas tenta atrapalhar a vida do pregador e a pregação. Portanto, o pregador deve estar sempre em alerta, vigilante, se consagrar a Santíssima Trindade, e se recomendar à Virgem Maria, aos anjos e santos. E não deve temer pelo trabalho a executar, e nem temer o que o Mal possa querer fazer. Nada ele pode fazer sem o consentimento de Deus. Jesus disse: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Ele é a segurança do pregador. Se você se preparou e rezou, tenha plena confiança de que a pregação será frutuosa. Nos meus 45 anos de pregador, desde a juventude, nunca vi um Encontro bem preparado dar errado, não ser bem concluído e não dar fruto. A mesma coisa posso dizer das pregações. A obra é de Jesus, Ele cuida dela. A Igreja tem o hábito de terminar as pregações sempre invocando a Virgem Maria e suas virtudes.
9 – O tema da pregação
Este deve ser fornecido, em princípio, por quem a solicita, dentro de um programa a ser cumprido. Se for dado ao pregador a escolha do tema, ele deve ouvir as pessoas que o solicitaram para saber da necessidade espiritual do grupo para o qual vai pregar. Se isso não for possível, peça ao Espírito Santo que o ilumine para escolher o tema. Conheça para quem você vai pregar, o nível intelectual das pessoas, as maiores necessidades espirituais, e use os recursos adequados a cada auditório e local (microfone, data show, slides, música, encenação, etc.). é muito importante escolher bem esses recursos e prepara-los bem.
10 – Saiba ouvir as críticas construtivas
O pregador pode errar em alguma afirmação; eu já errei várias vezes. E o seu compromisso não pode ser consigo, mas com a verdade ensinada pela Igreja. “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, devemos dar graças a Deus quando alguém nos corrige; não podemos ficar magoados ou feridos. Não, confira se foi erro mesmo e faça a correção como for possível. A observação dos irmãos nos ajuda na vida de pregador; eles nos incentivam, comprovam o bom trabalho, etc..