sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Os prejuízos espirituais dos pecados veniais


O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.
A santa Mãe Igreja ensina que “aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro”. (CIC, § 1488)
Sabemos que há pecados graves, que chamamos de “mortais”, porque matam a vida da graça em nossa alma, expulsam Deus do nosso coração, perde-se o “estado de graça”. É uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Fere principalmente os 10 Mandamentos, que são a base da Moral católica, conforme a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19).
Para que um pecado, seja mortal são necessárias três condições ao mesmo tempo: “E pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente”(CIC, §1857). O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Mas a gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência contra os contra os pais é em mais grave que contra um estranho.
O Catecismo diz que “se o estado de graça não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso”. (n.1861)
Há pecados menos graves, que não causam a perda do estado de graça, mas que são também muito prejudiciais à vida espiritual da pessoa. São os pecados veniais. “Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (Reconciliatio et Poenitentia,17). “Não priva da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna” (CIC,§ 1863). Não chega a quebrar a aliança com Deus.
Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento. Quando acontece uma falta, mas que não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, tais pecados são veniais.
Mas a Igreja alerta-nos que o pecado venial enfraquece a caridade; mostra uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral.

O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal.
Santo Agostinho disse que: “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão…” (Ep. João 1,6).
Podemos comparar o pecado venial àqueles matinhos que se juntam ao pé das plantas; não as matam mas as impedem de se desenvolverem plenamente porque sugam a seiva da terra que deveria ser só da planta. É por isso que o bom agricultor tira frequentemente essas ervas daninhas, essas tiriricas, que crescem rapidamente e que têm raízes profundas. É fundamental que elas sejam retiradas com as raízes e não apenas cortadas, pois, é incrível a rapidez com que crescem. Diz um provérbio chinês que não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do lavrador.
Nossos pecados veniais são assim, como as tiriricas, pequenos, mas resistentes, e abundantes. São as palavras inconvenientes; as pequenas invejas, ciúmes, críticas, julgamentos leves, vaidades, pequenas iras, preguiças de fazer bem feito os trabalhos e orações, etc.. Os cometemos sem mesmo tomarmos conhecimento disso muitas vezes. Esses pequenos vícios enraizados em nossa alma, sugam sua vitalidade espiritual, enfraquecem a prática da caridade, dificultam a prática das virtudes humanas (prudência, temperança, justiça), prejudicam a oração, o reto comportamento moral, e podem nos conduzir a pecados mortais.
Por isso, com a mesma frequência e cuidado com que o horticultor retira do canteiro das verduras as pequenas pragas, o cristão precisa estar atento para dia a dia limpar o canteiro de sua alma desses pecados. Uma boa reflexão nos ajuda a descobrir quais são essas pragas que estão impedindo o nosso crescimento espiritual. E a Confissão é o bom remédio para eliminá-los.
Ao entrar na igreja, ao fazer o sinal da cruz com a água benta, peça a Deus o perdão desses pecados, a fim de participar dignamente do santo mistério da missa. O ato penitencial é outra maneira de se arrepender deles para poder participar fervorosamente da sagrada Eucaristia.
Prof. Felipe Aquino



sábado, 6 de agosto de 2016

O trabalho na família 


Deus cria o ser humano, como o oleiro que trabalha o barro (Gn 2,7). Diante das maravilhas cridas no mundo, Deus contempla e se rejubila com o ser humano, obra prima do Seu trabalho. Por isso, quando nos reconhecemos como criaturas de especial predileção diante das maravilhas do mundo, revivamos de alguma maneira o júbilo de Deus.
Contudo a criação não deve ser apenas contemplada e admirada pelo ser humano, mas por ele transformada. Com efeito, o trabalho é para cada ser humano um chamado a participar efetiva e afetivamente na obra de Deus, fazendo na criação um verdadeiro trabalho de santificação.
Como coparticipante da criação, o ser humano não está submetido ao trabalho, mas submete a “terra” pelo trabalho. Isto é, todo o globo terrestre está à disposição do ser humano, a fim de que ele, mediante a sua criatividade e o seu compromisso, descubra os recursos necessários para viver e fazer deles o devido uso. Para esta finalidade, hoje muito mais que no passado, não podemos esquecer que a terra nos foi confiada por Deus como um jardim a apreciar e a cultivar (Gn 2,7).
Através do trabalho, as pessoas também nutrem as suas relações familiares. Com efeito, a benção de Deus diz respeito a fecundidade do casal e a dominação da terra. Esta dupla benção convida a bondade da vida familiar e da vida de trabalho, encorajando o ser humano a encontrar uma forma de viver a família e o trabalho de modo equilibrado e harmonioso.

Airton e Marli Silva
Coordenadores Nacionais do Ministério para as Famílias

sábado, 30 de julho de 2016

Maternidade, dom de Deus e fonte de salvação para a mulher


Contudo, ela poderá salvar-se, cumprindo os deveres de mãe, contanto que permaneça na fé, na caridade e na santidade(1 Tim 2, 15).
Maternidade não é um hobby. É um chamado!
Deus concede à mulher a graça de ser mãe como uma grande oportunidade de servi-lo na formação da humanidade. Graça essa que exige muito compromisso e respeito ao chamado. Gerar filhos e pô-los no mundo, não é uma mera opção, mas, graça que vem de Deus!
Filhos são tesouros especiais que Deus nos confia para lapidá-los, para que sejam luzes acesas e brilhantes no mundo!
Ser mãe é renunciar-se e deixar que um novo ser se forme em si e através de você. Em si porque, a maternidade, transforma, tornando-as mulheres bem diferentes. Tornam-se seguras, corajosas, responsáveis e um enorme depósito de amor! Amor vindo do coração de Deus, na certeza de que esse amor inabalável e sem fim, as levará a olhar para seu rebento como parte de si e de Deus!
A maternidade não acontece somente quando geramos em nosso ventre uma vida! Acontece, também, quando geramos vidas em nossos corações. Quantos filhos estamos gerando pelo Espírito Santo, por esse imenso Brasil, no decorrer desses três anos no Ministério para as Famílias.
É um amor diferente; porém, maternal que aquece o coração e, mesmo com pouco contato, somos capazes de entender e compreender a cada um, independentemente da distância que nos separa.
Cremos que assim acontece com todas as servas de Deus espalhadas pelos inúmeros Grupos de Oração. Onde cada uma acolhe, com amor maternal, os filhos que Deus lhes envia, necessitados de cuidados especiais e, principalmente, de encontrar o Pai de Amor que os espera de braços abertos. Mulheres, servas de Deus, mães espirituais, guerreiras e corajosas em defesa dos seus.
Temos a graça de vivenciar essa experiência em nosso Grupo de Oração. Desde os servos até àqueles que chegam pela primeira vez, como a ovelha perdida.
É muito belo quando vemos uma jovem entregando sua vida para Deus, através da maternidade. Renuncia a seus ideais, projetos profissionais e entrega-se ao divino papel de mãe!
Temos uma neta que fez isso e muito nos alegra; pois, através dela temos três bisnetos. Desde de pequenina, quando brincava e as coleguinhas manifestavam os desejos de inúmeras profissões ela dizia: quero ser mãe! Assim fez e é uma excelente mãe. Cumpridora de seus deveres, criando os filhos tementes a Deus, fiéis aos bons costumes, preparando grandes cidadãos cristãos que, com certeza, farão a diferença nesse mundo tão sofrido que estamos vivendo. Não poderia deixar de homenageá-la! Louvamos a Deus por essa graça!
Deus nos mostra que ser mãe  é saber suportar as cruzes que a vida nos apresenta. A exemplo de Maria, a Santíssima Virgem Mãe, escolhida por Deus para trazer ao mundo o Salvador, refletimos e entendemos todo o mistério que envolve a maternidade:
RENÚNCIA- Maria renunciou-se abrindo mão de seus projetos iniciais para acolher o desígnio de Deus para ela, o de ser a Mãe de Jesus.
ENTREGA - Maria entregou-se ao seu papel de mãe, mesmo sem compreender o lugar que ocuparia na vida de seu filho Deus.
CORAGEM- Maria, mulher corajosa, enfrentou todas as situações que envolviam seu filho, sendo firme e forte até à Cruz.
- Maria, mulher de fé inabalável, sem questionamentos, contribuiu para que seu filho levasse a bom termo o plano da salvação da humanidade.
AMOR - Maria amou e ama a humanidade a quem seu próprio filho outorgou-lhe a maternidade (mulher, eis aí teu filho...), a qual assumiu, cuida e nos trata como filhos amados.
Nesse dia, nos lembremos de todas as mães, saiamos de nosso egoísmo, lembrando somente de nossas próprias mães e acolhamos, em nossas orações, todas as mães do mundo, e pedindo a intercessão da Mãe de todos os homens, Maria Santíssima, que saibamos viver a maternidade como fonte de santidade para nós e nossos filhos.
Viva todas as mães do Brasil!
Viva nossa Mãe, Maria Santíssima! 
 Cleusa Bombonati - Coordenadora Nacional do Ministério para as Famílias




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Como se forma uma pérola


Ela é o produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra contém uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, a linda pérola é formada.
Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
Todos nós somos feridos de muitas maneiras pelas palavras dos outros; às vezes de ciúme, de ódio, de vingança, de inveja, de calúnia, maledicência… Às vezes nossas ideias são rejeitadas e até menosprezadas e, algumas vezes mal interpretadas.
Não se agite, não revide; não pague o mal com o mal; não, faça como a ostra e produza uma pérola no seu interior, no mesmo lugar da ferida que sangrou. Cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor, paciência, bondade, delicadeza, oração…
Não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça”. (Eclo 2,2-3)
Não adianta ficar blasfemando contra a vida, contra as pessoas e contra Deus; nada resolve e ainda piora o estado de sua alma. É melhor acender um fósforo do que maldizer a escuridão. Uma simples chama de alegria ilumina uma grande escuridão.

Prof. Felipe Aquino

sábado, 16 de julho de 2016

Objetos usados na Missa


Água
Trata-se de água natural. É usada para purificar as mãos do sacerdote e para ser misturada com o vinho, simbolizando a união da Humanidade com a Divindade em Jesus. Também é usada para purificar o cálice e a âmbula.
Âmbula
É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário, juntamente com as hóstias que foram consagradas.

Cálice
É uma taça geralmente revestida de ouro ou prata. Nele se deposita o vinho a ser consagrado.
Corporal
É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se o Corpo do Senhor (cálice e âmbula), no centro do altar.

Cruxifixo
Sobre o altar ou acima dele, existe um crucifixo para lembrar que a Ceia do Senhor é inseparável do seu sacrifício redentor. Vemos em Mt 26,28, que Jesus deu a seus discípulos o ”sangue da aliança que será derramado por muitos para o perdão dos pecados”.
Flores
Em dias festivos pode-se usar flores, não sobre o altar, mas ao lado deste. Sobre o altar usa-se decoração com motivos litúrgicos, tais como o pão e o vinho, o trigo e a uva, além das velas e crucifixo. No tempo da Quaresma não se usa flores; durante o Advento, admite-se seu uso desde que seja com moderação, para não antecipar a alegria do Natal.
Galhetas
São duas jarrinhas em vidro ou metal. Em uma vai a água e na outra, o vinho. Estão sempre juntas sobre um pratinho no altar.
Hóstia
É feita de pão de trigo. Há uma hóstia grande para o sacerdote e pequenas para o povo. A do sacerdote é grande para que possa ser vista de longe pelo povo durante a elevação e também para ser repartida entre alguns participantes, em geral os ministros.
Lecionário
Livro que contém todas as leituras da Bíblia, de acordo com a missa do dia.
Manustérgio
Toalha que serve para enxugar as mãos do sacerdote, durante o ofertório. Costuma acompanhar as galhetas.
Missal
É um livro grosso que contém todo o roteiro do rito da missa, com exceção das leituras que se encontram no lecionário.
Pala
É uma peça quadrada e dura (um cartão revestido de linho). Serve para cobrir o cálice.
Patena
É um pratinho de metal. Sobre ela coloca-se a hóstia maior.
Sanguíneo
É uma toalha branca e comprida, usada para enxugar o cálice e a âmbula.
Velas
Sobre o altar ficam duas velas. A chama da vela simboliza a fé que recebemos de Jesus, Luz do Mundo, no batismo e na confirmação. É sinal de que a missa só tem sentido para quem vive a fé.


Vinho
É vinho puro de uva. Assim como o pão se converte no verdadeiro Corpo de Cristo, também o vinho se converte no verdadeiro Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado.
As vestes litúrgicas
Para lidar com as coisas santas, o sacerdote se utiliza de sinais sagrados, usando vestes que o distingUem das outras pessoas. As vestes representam o Cristo cheio de glória e simbolizam a comunidade que crê no Cristo ressuscitado.
Alva
É uma veste muito semelhante à túnica, sendo toda branca. Simboliza a nova vida, a pureza e a ressurreição.
Amito
Usado por alguns sacerdotes, é um pano branco que envolve o pescoço e que é colocado sob a túnica ou a alva.
Casula
É colocada sobre todas as vestes e também cobre todo o corpo. A cor da casula varia de acordo com o tempo litúrgico (branca, verde, roxa, vermelha…). É uma veste solene, ampla, usada nos dias festivos como o Natal, a Páscoa e o Corpus Christi. Simboliza a paz e a caridade que devem envolver todos aqueles que se aproximam do altar.
Cíngulo
É um cordão que prende a alva ou a túnica à altura da cintura. Simboliza a vigilância, lembrando as cordas com as quais Jesus foi amarrado.
Estola
É uma faixa vertical, separada da túnica, que desce a partir do pescoço do sacerdote em duas partes sobre o peito, uma de cada lado. Sua cor também varia de acordo com o tempo litúrgico. Simboliza o poder conferido ao sacerdote, a caridade, o perdão, a misericórdia e o serviço.
Túnica
É um manto longo, geralmente na cor branca, bege ou cinza clara, que cobre todo o corpo. Lembra a túnica que Jesus usava, ´sem costura de alto a baixo´, sobre a qual os soldados romanos tiraram a sorte para decidir quem ficaria com ela.
As Cores Litúrgicas
Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes  comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia indicada pelo calendário fica estabelecida determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
Verde
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
Branco
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc., Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
Vermelho
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires.
Roxo
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
Rosa
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve ´pausa´ na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
Preto
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa



sexta-feira, 8 de julho de 2016

Como organizar o Ministério para Crianças?


O Ministério para Crianças acontece a partir do Grupo de Oração para Crianças (GOC). A coordenação do GOC deve estar em unidade com a coordenação do GO de adultos e com a coordenação do Ministério diocesana, estadual e nacional, facilitando assim a orientação, formação e realização de projetos.
Para servir no Ministério para as Crianças só é necessário se sentir chamado. Informações sobre a estrutura do GOC, a evangelização, o evangelizador, a criança e material de apoio já estão disponíveis na Apostila 1 do Módulo Básico do Ministério para Crianças (Adquira aqui). Cursos de formação também são oferecidos em instância diocesana, estadual, nacional. 
Na página 39 desta mesma Apostila, temos o Modelo de Projeto de Estruturação do Ministério para as Crianças na Comunidade que tem como objetivo esclarecer o que é o GOC para ser apresentado ao coordenador do GO adulto, ou ao Pároc,o caso não conheçam. Após a formalização do serviço a ser desenvolvido no GOC, é hora de formar equipe de servos. Reunir a equipe para oração, divisão de tarefas e preparação das atividades.
Preparando o ambiente para acolher as crianças
São quatro os espaços necessários para acolher os pequeninos. Os dois primeiros espaços ficam dentro do local onde acontece o GO de adulto. Escolher um espaço seguro e limpo, onde os bebês e seus pais serão acolhidos. Para os pais cuidarem de seus filhos, ofereceremos um trocador (fraldário) e se o bebê dormir, colchonetes. O segundo espaço é um cercadinho, ao lado de onde os pais deverão ficar assentados. Neste, os servos do Ministério para as Crianças evangelizam através de historinhas, cantigas de roda, desenhos, pinturas, brinquedos. Para este serviço, dois ou três servos são o suficiente. Atenção: Não é permitido aos servos alimentar, trocar fralda, ficar com a criança o tempo todo no colo, pois sua missão é apenas evangelizar.
Os dois outros espaços serão para atender as crianças acima de quatro anos e os “adoleSantos” (modo como o Ministério chama os adolescentes). Como nesta idade as crianças não estranham o local e o distanciamento dos pais, estes espaços serão anexos ao GO adulto evitando ao máximo que o barulho de um atrapalhe o outro. O GOC desenvolve-se como se encontra na página 41 da Apostila 1.  O tema a ser desenvolvido nos GOC serão os mesmos do GO adulto adaptado para a linguagem de cada idade.
O Ministério para as Crianças entende que a criança é capaz de receber e transmitir a fé, por isso as atividades de oficina, as dinâmicas realizadas no GOC, serão para fixar o tema e preparar a criança para ser uma evangelizadora e não uma simples forma de ocupar seu tempo dando-lhe papel e lápis para colorir. A partilha da Palavra e o uso da Bíblia se aplica a todas as idades, principalmente, aos “adoleSantos” que formarão equipes de pregadores, animadores, intercessores, música, teatro, acolhida, entre outras.
Uma coisa muito importante, o GOC é para as crianças, elas devem pregar, animar, acolher... Os adultos devem dar espaço à medida em que as crianças vão sendo formadas para estes fins. Atenção: O GOC não pode ficar sob a responsabilidade de crianças, elas não podem responder por imprevistos ocorridos. A presença de adultos é imprescindível.
Os GOC devem ser inscritos no SAVIC no Portal da RCC com o nome do Grupo, nome do coordenador e endereço onde se reúne. O coordenador diocesano deverá visitar os GOC e reunir com seus coordenadores para formação, partilha, planejamento e avaliação dos trabalhos realizados.
Já o coordenador estadual deverá visitar as dioceses e manter contato mensal para formação, partilha, planejamento e avaliação dos trabalhos realizados em cada diocese. De dois em dois anos, deverá promover o EEEC (Encontro Estadual de Evangelizadores de Crianças) com workshops apresentação de trabalhos de evangelização das dioceses e participar do ENEC (Encontro Nacional de Evangelizadores de Crianças) levando trabalhos de seu estado.
Sonho para o Jubileu de ouro da RCC

Em 2017, quando a RCC completar seus 50 anos, o Ministério para as Crianças da RCC do Brasil quer dar de presente ao Menino Jesus um Grupo de Oração para Crianças em cada Grupo de Oração adulto. Você aceita esse desafio? Sigamos juntos na missão de evangelizar nossas crianças!                 rccbrasil.org.br

sábado, 2 de julho de 2016

O que é preciso para ser um bom pregador?


Algumas pessoas me procuram dizendo que se sentem chamadas a pregar e querem saber o que é preciso para se preparar bem para essa missão. Por exemplo, um rapaz me escreveu:
“Sou pregador da RCC (Renovação Carismática Católica), mas sinto desejo de me aprofundar na formação teológica. Gostaria de um direcionamento de o que começar estudar e a fazer? Por onde começar?”
Vou colocar aqui algumas sugestões que me ajudam na missão de pregar e escrever. Antes de tudo, esse é um belo chamado de Deus, especialmente para aqueles que receberam a graça de saber se expressar bem, o dom da pregação. Digo isso em relação à pregação para o público; todos são chamados a difundir o Evangelho, ainda que não seja para grupos de pessoas e auditórios. “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1 Cor 9,16).
1 – Cuidar bem da vida espiritual
O pregador precisa ter uma vida de oração contínua, ter comunhão com Deus. Jesus disse: “Sem Mim nada podeis fazer” (João 15,5); muito menos em se tratando de levar as pessoas a Deus. Sem vida de oração não é possível ser bom pregador, ou seja, transmitir aos outros “O que Deus quer”. Santo Agostinho dizia: “falar com Deus, mais do que falar de Deus”. A pregação de quem não ora, é vazia, não toca as pessoas. Na pregação temos de passar aos outros “aquilo que recebemos de Deus na oração”; e isso só e possível com intimidade com Deus, na vida sacramental (Eucaristia e Confissão frequentes), na meditação da Palavra de Deus, na leitura de bons livros espirituais, etc..
2 – Cuidado com seu comportamento
O contra testemunho decepciona as pessoas. Papa Paulo VI disse que “o mundo quer mais testemunhas do que mestres”. A luta contra todo tipo de pecado deve ser uma preocupação permanente. O pregador está a serviço de Cristo e da Igreja, sua responsabilidade é grande. “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”; também a do pregador. Mas, somos pecadores; nem por isso o pregador deve deixar de pregar por causa de seus pecados; a menos que seja algo muito grave e que se tornou um contra testemunho muito sério para as pessoas. Se cair, levante-se imediatamente e continue a caminhada para Deus. Deixar a pregação por causa dos pecados pode ser uma tentação.
3 – Buscar continuamente a santidade
O Papa João Paulo II disse que “a santidade é a força mais poderosa para levar Cristo às pessoas”. Os santos abalaram o mundo, e a maioria deles sem usar avião, computador e, microfone. Basta olhar para os exemplos de São Francisco, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, Santa Teresa, Santa Teresinha, São João Vianney… abalaram o mundo pela força da sua santidade. Estou convencido de que em primeiro lugar o pregador deve buscar a santidade. Se ele fizer isso, Deus vai chamá-lo para muitas missões, sem ele precisar se oferecer para isso. Deus disse a Abrão: “Anda na minha presença e sê integro” (Gen 17,1). De nada adianta um bom microfone sem que haja por trás alguém que busque a santidade. Deus usa os pregadores que buscam a santidade. Daí a importância do pregador se examinar continuamente e se confessar sempre.
Bem nos lembrava São Francisco de Assis que dizia: “Pregue o evangelho em todo tempo, se necessário use palavras”. Ou seja, mais do que pregar com palavras, o principal é pregar com a vida!
4 – Trabalhar com “reta intenção”
Pregar por amor a Jesus e pela salvação das almas; isto é, só por Jesus, nada mais. A motivação do pregador deve ser a mesma de Jesus: ir buscar as ovelhas perdidas, porque no Céu a mais alegria por um pecador que se converte do que por 99 convertidos. Essa é a mola propulsora da evangelização.
Como disse São Paulo: “Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3, 17.23).
É um grande perigo, uma cilada do inimigo, deixar-se levar pelos aplausos e pelas recompensas. O trabalhador tem direito ao salário; o pregador consagrado, “que vive do Evangelho”, e que não tenha outro rendimento, deve receber o necessário para as suas necessidades e de sua família; mas os outros não devem exigir nada além das despesas da própria missão (transporte, alimentação, etc.). “Dai de graça o que recebestes de graça” (Mt 10,10).


5 – Priorizar as pregações
Quando as solicitações para pregações são muitas, então, será necessário estabelecer um critério para atender aos pedidos mais necessários, que mais necessitam de uma evangelização. Não é apenas o número de ouvintes que mais importa, mas a necessidade das pessoas. Jesus trabalhou mais tempo com doze discípulos, e mais os 72 que enviou dois a dois; mas não deixava de pregara para as multidões. Às vezes um grupo menor produz mais resultado que um grupo grande. É uma tentação deixar de pregar para pequenos grupos, principalmente quando são formadores de opinião (universitários, professores, profissionais liberais, etc.).
6 – Pregar em nome de Cristo e da Igreja
O pregador não é autônomo; é obrigado a pregar segundo o que ensina o Sagrado Magistério da Igreja. Para isso, deve observar criteriosamente o que a Igreja ensina, no Catecismo e nos documentos, sobre o tema que vai pregar. O Magistério explica a Bíblia, que nem sempre é fácil de ser entendida. O pregador não pode proibir o que a Igreja não proíbe; não pode aprovar o que a Igreja não aprova; não pode ensinar o que a Igreja não ensina, e não pode querer saber o que a Igreja não sabe. É um perigo espiritual. Ele não pode discordar nunca de um ensinamento da Igreja. Limite-se a ensinar o que a Igreja sabe e ensina. “A salvação está na verdade” (n. 851), diz o Catecismo. Para ser preparado, o pregador deve estudar sempre. Conhecer bem os dogmas da fé, as verdades sobre os sacramentos, a moral católica, etc…
O pregador não pode querer agradar as pessoas apenas afetivamente com a pregação, mas deve leva-las a meditar com profundidade na sua vida espiritual. Uma dose adequada de sensibilidade é conveniente, mas a conversão não pode ser buscada só por esse caminho. As pessoas imaturas na fé buscam a emotividade espiritual, então, o pregador não pode se perder nisso. Ajuda muito a pregação, os bons livros, sobretudo os escritos dos santos e o estudo de suas vidas.
7 – Preparar bem a pregação
Antes de tudo colocar-se em oração e pedir a luz do Espírito Santo para ser assistido e guiado na pregação; “ouvir a moção interior do Espírito Santo” sobre o assunto a pregar. Em seguida, preparar a pregação usando a Bíblia, o Catecismo, os livros, os documentos, etc.
A pregação deve ser clara, profunda e seguir uma sequência que vá aos poucos tornando mais fácil o entendimento da matéria que se deseja ensinar. Pode-se seguir um esquema escrito, mas sem se prender muito ao papel e à leitura para não cansar os ouvintes. A doutrina explanada sobre um assunto deve ser exemplificada sempre que possível com exemplos concretos e que sirvam de esclarecimento sobre o tema abordado. O uso de parábolas, como Jesus fazia, de histórias adequadas, ajuda o entendimento melhor do assunto, tirando-se delas lições importantes.
8 – Consagrar-se a Deus, aos anjos e aos santos
A pregação visa a mudança de comportamento dos ouvintes segundo o Evangelho. Claramente, o Inimigo de Deus e nosso, não fica satisfeito com isso, e de muitas formas tenta atrapalhar a vida do pregador e a pregação. Portanto, o pregador deve estar sempre em alerta, vigilante, se consagrar a Santíssima Trindade, e se recomendar à Virgem Maria, aos anjos e santos. E não deve temer pelo trabalho a executar, e nem temer o que o Mal possa querer fazer. Nada ele pode fazer sem o consentimento de Deus. Jesus disse: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Ele é a segurança do pregador. Se você se preparou e rezou, tenha plena confiança de que a pregação será frutuosa. Nos meus 45 anos de pregador, desde a juventude, nunca vi um Encontro bem preparado dar errado, não ser bem concluído e não dar fruto. A mesma coisa posso dizer das pregações. A obra é de Jesus, Ele cuida dela. A Igreja tem o hábito de terminar as pregações sempre invocando a Virgem Maria e suas virtudes.
9 – O tema da pregação
Este deve ser fornecido, em princípio, por quem a solicita, dentro de um programa a ser cumprido. Se for dado ao pregador a escolha do tema, ele deve ouvir as pessoas que o solicitaram para saber da necessidade espiritual do grupo para o qual vai pregar. Se isso não for possível, peça ao Espírito Santo que o ilumine para escolher o tema. Conheça para quem você vai pregar, o nível intelectual das pessoas, as maiores necessidades espirituais, e use os recursos adequados a cada auditório e local (microfone, data show, slides, música, encenação, etc.). é muito importante escolher bem esses recursos e prepara-los bem.
10 – Saiba ouvir as críticas construtivas
O pregador pode errar em alguma afirmação; eu já errei várias vezes. E o seu compromisso não pode ser consigo, mas com a verdade ensinada pela Igreja. “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, devemos dar graças a Deus quando alguém nos corrige; não podemos ficar magoados ou feridos. Não, confira se foi erro mesmo e faça a correção como for possível. A observação dos irmãos nos ajuda na vida de pregador; eles nos incentivam, comprovam o bom trabalho, etc..




quarta-feira, 29 de junho de 2016

O chamado de Pedro


Os Apóstolos de Jesus e os discípulos que a eles se juntaram eram pessoas provenientes do ambiente popular, com atividades diversificadas. Vários deles eram pescadores profissionais. O Mar de Tiberíades, também chamado Mar da Galileia ou Lago de Genesaré, era o espaço de trabalho e convivência. Pregações, milagres, caminhadas, muitas das atividades de Jesus se desenvolveram ali, num sobe e desce de barcos, ventanias, redes, peixes, comércio no mercado, suor, cansaço, horas de expectativa dos peixes, que nem sempre vinham, famílias que dependiam daquele trabalho, um conjunto de vida e atividade certamente muito carregado de humanidade e lutas, temperado também com muitas alegrias.
É para o lago que retorna Pedro, seguido de seus companheiros. Não lhes era ainda claro tudo o que viria a acontecer, se pensarmos na origem simples daqueles homens, que não eram especialistas em profecias, letras da lei ou mesmo na novidade do próprio Evangelho. Era um mar de novidades, num mar de ideias confusas. Sabemos que foi depois do derramamento do Espírito Santo que aqueles homens adquiriram a ousadia (Parresia!) necessária para pregar, constituir as primeiras comunidades cristãs e derramar o próprio sangue pela Igreja e pela causa do Reino! Tinham que aprender muito, e o Senhor aproveita a aparente volta à profissão de pescadores para oferecer-lhes e a todos nós preciosas lições (Jo 21, 1-19).
Seis pescadores profissionais chegam à madrugada sem qualquer fruto do trabalho. Barca e trabalho na barca de Pedro, que sabemos ser a Igreja, não leva a nada sem a presença do Senhor. O lusco-fusco da madrugada mostra uma figura na praia. É que a experiência da fé exige mesmo amadurecimento! Jesus os provoca, perguntando sobre algo para comer. Nem sabiam que da Ressurreição para frente quem oferece o alimento que perdura para a vida eterna é Jesus! É João, o discípulo amado, que proclama com força “é o Senhor”, pois o amor verdadeiro faz enxergar no meio da escuridão dos acontecimentos!
Redes lançadas pela força da Palavra de Jesus, frutos em profusão! Começa uma nova mudança em Pedro, que culminará em mais um chamado! O homem nu se reveste agora de sua inusitada missão. Corre até Jesus, mas parece-me ver o próprio Jesus entrando na barca do coração de Pedro! Chegados à praia, é Jesus que havia preparado tudo. O Mestre e Senhor se faz mais uma vez servidor. Uma refeição oferecida por Jesus é sinal daquela que o mesmo Senhor oferece todos os dias, até o fim dos tempos, na Eucaristia. Além disso, a rede da Igreja tem cento e cinquenta e três grandes peixes, e esta rede nunca vai se romper, podendo acolher, na contínua festa eucarística da misericórdia, todas as gerações, até que ele volte outra vez. É a abundância do tempo novo inaugurado pelos discípulos capazes de se lançarem na fidelidade à ordem do Senhor. Eles têm alguma e muita coisa para oferecer! Igreja é assim! Deus recebe, Deus se doa, suscita a maravilhosa comunhão em que Céu e Terra compartilham seus dons! É claro que ninguém mais se atreve a perguntar nada, pois é certa a vinda e a presença do Senhor.
Mesa preparada, convivas que se alimentam, corações pulsantes pela emoção de mais uma aparição do Ressuscitado. A virada de página para um novo chamado tem no Senhor a iniciativa. Pedro, que três vezes havia negado conhecer o Senhor, agora não precisa do canto do galo para desatar suas lágrimas.
Lições para a Igreja e para todos nós. Ninguém pense em singrar qualquer mar sem a presença de Jesus no barco da vida! Não dá certo! E as noites e os dias serão estéreis! Na escuridão do tempo ou das crises pessoais, comunitárias e sociais, descobrir gente que às vezes tem “pouca leitura”, mas muita percepção das coisas de Deus. A luz pode chegar através de tais pessoas! Quando parece que o mar não está para peixe, na aventura diária da existência, apostar naquele (“É o Senhor!”) que manda jogar as redes onde nem poderíamos pensar. Ao chegar às muitas praias que a vida oferecer, levar o que tivermos, sabendo que as redes agora repletas não se romperão! Depois aceitar a gratuidade daquele que se assenta em torno de um fogo aceso e se faz servidor, oferecendo o alimento que dura até a vida eterna.
Os apóstolos de Jesus devem ter comentado tais acontecimentos, depois de passados a Ascensão do Senhor e o Pentecostes, quando tiveram a lucidez necessário para montar o verdadeiro quebra-cabeça que lhes tinha sido oferecido por Deus. Há uma linha mestra que lhes serviu de guia para a vida e o apostolado e iluminam nossa vida. O chamado de Deus é gratuito, parte de seu amor infinito que vai ao encontro das pessoas, sem depender de suas qualidades ou eventuais defeitos. Deus tem a paciência necessária para cercar de amor e infinitas iniciativas ou repetidas perguntas a respeito de nossas disposições. Há um olhar pessoal de Deus, que nos leva a sério, mostrando-nos alternativas, novas possibilidades de serviço ao seu Reino, para o que ele nos oferece os dons necessários. Ninguém pense que tudo está definido e muito explicado nas medidas humanas que desejamos muitas vezes impor a Deus. Antes, ele é mais criativo do que nós e encontrará sempre o modo para surpreender-nos. Estejamos atentos, porque mesmo quando passamos anos fugindo dele, numa noite de suor, sobre o barco em alto mar, ele se mostrará. Quando as luzes de nossa limitada inteligência parecerem insuficientes, é hora de dizer, com o Apóstolo e Evangelista São João, que “é o Senhor”!
Se forem corajosas nossas respostas, diante dos grandes desafios de nosso tempo, que podem levar-nos a “baixar a guarda” diante das tentações, e poderemos dizer como Simão Pedro, aquele que, convertido, foi chamado a confirmar os irmãos: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens” (At 5, 29). Aliás, é hora dos cristãos assumirem posições ousadas!                                                                                                                                 "Tu sabes de tudo, sabes que eu Te amo"
 Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará - Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Amai-vos como Eu vos amei



Fomos chamados por Deus à novidade de vida, a participar de sua maravilhosa obra, que aponta para o alto e para frente. O Apocalipse nos faz sonhar alto! “Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram”. Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 3-4). O quadro social, político e econômico em que se encontra o mundo, em nossos dias e aqui, bem em nossa pátria, parece contradizer o que, sendo sonho de Deus, deveria tornar-se projeto da humanidade. É impressionante como se espalha o confronto e o ódio entre as pessoas, a violência se instala, os grupos e partidos, cuja vocação deveria ser o cultivo da legítima diversidade, tornam-se adversários e inimigos. Da vizinhança, passando pelas ruas, estádios, praças e a sociedade, chega às raias do absurdo o quanto se pretende eliminar o diferente, sejam quais forem as bandeiras empunhadas pelas muitas partesenvolvidas.

Há muito tempo atrás (Cf. At 14, 21-27), Paulo e Barnabé, da primeira geração de cristãos, empreenderam viagens missionárias, nas quais primaram pela criatividade e solicitude. Algumas atitudes assumidas por eles podem iluminar nossos dias e a desafiadora tarefa dos cristãos, chamados a serem neste tempo que se chama “hoje”, anunciadores da Boa Nova do Evangelho. A todos afirmavam ser necessário “passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (Cf. At 14, 23). É ilusório pretender um mundo renovado sem a entrega da própria vida, inclusive com a prontidão à imolação e ao derramamento do próprio sangue. Não nos enganemos! Nossa salvação e a salvação do mundo passam necessariamente pela Cruz! O enfrentamento dos obstáculos exige iniciativa, coragem para dar o primeiro passo na busca da reconciliação, prontidão para os esforços mais duros e exigentes, tudo ungido pela serenidade de quem busca acima de tudo a vontade deDeus.

Outra atitude notável foi a confiança que Paulo e Barnabé depositaram em pessoas escolhidas como presbíteros, gente de responsabilidade colocada à frente das Comunidades. No início dos Atos dos Apóstolos, tinham surgido outros servidores (At 6, 1-6), sete homens aos quais foi entregue o serviço da caridade, início do que hoje chamamos de Diáconos. De lá para cá, a Igreja foi sempre desafiada a discernir os caminhos indicados pelo Espírito Santo, valorizar os carismas, promover novas lideranças, ajudá-las a se prepararem bem, lançá-las a novas tarefas e identificar os desafios missionários, para sair de si mesma, para que todos, sem exceção, se lancem a campo, para que sejamos,naexpressãotãocaraaoPapaFrancisco,umaIgreja“emsaída”, formada por discípulos que sejam efetivamente missionários! Assim, anunciaremos a Palavra e poderemos contar uns aos outros como Deus abre as portas da fé em nosso tempo (Cf. At 14,25.27).

Entretanto, por mais que nos esforcemos, os recursos humanos são limitados, nossas forças são desproporcionais ao tamanho do desafio. Só no Céu está a solução! O cristianismo não é um código de leis destinadas ao bom comportamento ou, quem sabe, a normatização das relações sociais que constituem a cidadania. Em nosso país, multiplicam-se as leis, a organização de Conselhos, a regulamentação do convívio social, pretende-se unificar os programas educacionais, inclusive contendo princípios que contradizem nossas convicções religiosas e os valores morais e éticos. O resultado está aí, bem à nossa vista. Como falta o Céu como referência, a terra se estraga, mesmo com milhares de páginas escritas. Como faltam homens e mulheres renovados por dentro, o desastre se faz e searrasta.

No Céu está a solução. “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35). O segredo está na palavrinha “como”. Se as relações humanas forem apenas humanas, não levarão muito adiante a mudança da sociedade. O modelo está no Céu, do jeito como o Pai ama o Filho, o Filho ama o Pai e este amor é o Espírito Santo. O amor de Deus é sem medida, sem limites. Ele nos amou por primeiro, toma a iniciativa, tem a reciprocidade como princípio, não cobra do outro, entrega-se totalmente. Volto à palavra “sonho”. O desastre entre nós é justamente achar que o projeto de Deus é irreal, não tem o pé no chão, que realistas somos nós que fazemos treinamento de tiro ao alvo com olhares e gestos, para o duelo cotidiano!

O Apóstolo São Paulo (1 Cor 13, 4-7), depois de descrever os muitos dons e carismas presentes nas Comunidades cristãs, aponta o caminho que chama de excelente, no hino à caridade: “O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo”. O Papa Francisco tomou este texto como referência ao descrever, de modo surpreendente, o amor no matrimônio, na Exortação Apostólica “Amoris lætitia”, cuja leitura recomendo. Diante da grave crise da família em nossos dias, o Papa não tem receio de propor o modelo do Céu, quando propõe à família hodierna a paciência, como exercício da misericórdia, indica o caminho para que o amor seja recíproco e se manifesta na ternura do afeto e das obras, para penetrar toda a vida. Diz o Papa que convém cuidar da alegria do amor gratuito, ou insiste com os jovens no casamento por amor, ou dá “dicas” para o diálogo em família. Cabe a nós desfrutar estes ensinamentos e ampliá-los, como incendiários, partindo do fogo do afeto da caridade no lar, para alcançar as comunidades, passar pelas nossas ruas e chegar ao mundointeiro!
D. Alberto Taveira







sábado, 18 de junho de 2016

Comunicar o testemunho construído na Misericórdia



O reino será alcançado pela misericórdia, essa foi uma das mensagens que Jesus veio nos comunicar e ordenou que anunciássemos para todo o mundo (Mc 16,15). A ascensão é nitidamente a completude do que Jesus mostrou como caminho para seus seguidores e todos estaremos, se seguirmos seus passos, um dia, com Ele nos céus (Mt 19,28). No entanto, é necessário cumprir seus ensinamentos, assumir a missão e ser testemunhas.

Os apóstolos foram “formados, preparados, fortalecidos” para a grande missão de evangelizar todo o mundo, anunciar a misericórdia do Pai e testemunhar com a vida. Passaram mais de 3 anos com o Senhor, O viram ressuscitado, andaram com Ele, antes e depois da crucificação. Os Santos deram e dão esses testemunhos nas mais diversas realidades. Nós homens e mulheres, desse tempo, andamos com Jesus através da Santa Igreja, seu corpo, vivemos com o Senhor em sua palavra, apreendemos saberes na tradição dos santos apóstolos, recebemos Jesus Eucarístico continuadamente para comunicar através da vida. Assim, temos a luz necessária para nossa peregrinação e para auxiliar muitos.

A humanidade precisa de luz para seu caminho, a verdade deve ser mostrada para ser seguida. Assim, Jesus que encontramos continuamente e conhecemos precisa ser anunciado! O viver em Jesus, nesse tempo, precisa ser apresentado! O santo padre Francisco em sua mensagem para o dia das comunicações veio pedir essa ação frutuosa da comunicação para o mundo. Seja no meio que for, para muitas ou apenas uma pessoa, leigo ou ordenado é necessário ser fecundo! Todos os atos são comunicação, são testemunho, “O amor, por sua natureza, é comunicação”. Os nossos atos precisam ser de amor.

Não foram poucos os momentos em que Jesus disse aos discípulos que eles ficariam responsáveis por expor e levar essa misericórdia, esse amor para o mundo, pela disseminação da boa nova em toda a terra. Chega a ser engraçado os momentos em que São Pedro não entende as indicações de Jesus, momentos que nós, eu e você, também vivemos quando entendemos que a missão é “grande ou complicada demais para nós”. Jesus nos fala, que estará com o Pai intercedendo por todos nós, enviar o paráclito é a promessa dEle, e com o poder do alto vamos cumprir a nossa missão, o nosso chamado, viver a nossa vida. Receber continuamente o Espírito de Santo é a condição primordial.

Comunicar, anunciar, proclamar, fazer memória, tornar comum e de conhecimento de todos as obras de Jesus, as ações do Espírito Santo, a Misericórdia do Pai é o que forma a Santa Igreja, é o que ela é, testemunhar o que nós somos, somos puro testemunho de uma vida no Espírito Santo. O conhecer, reconhecer Jesus, apreender seus ensinamentos, cumprir suas ordens através da Santa Igreja são fases anteriores e condicionais para O encontrar nos céus.

Os grupos de oração são uma prova autêntica e contemporânea que essas práticas podem ser realizadas. Em todo o planeta os grupos acontecem, seus participantes fazem como os primeiros cristãos, encontram-se continuamente e levam essa experiência para os demais homens e mulheres. Neles, encontramos pessoas simples, intelectuais, universitários, religiosos, todos com uma visão espiritual para a edificação da civilização do amor. Nós fazemos o que o Santo Padre pede, comunicamos o amor.

 Airton Rocha - Coordenador Nacional do Ministério de Comunicação Social






sábado, 11 de junho de 2016

A CASA DE DEUS




 
  Esta é a casa de Deus! Este ano, no lugar do XXXII domingo do Tempo Comum, celebra-se a festa da dedicação da igreja-mãe de Roma, a Basílica de São João de Latrão, dedicada em um primeiro momento ao Salvador e depois a São João Batista. O que representa para a liturgia e para a espiritualidade cristã a dedicação de uma igreja, e a própria existência da igreja, entendida como lugar de culto? Temos que começar com as palavras do Evangelho: "Mas chega a hora (já estamos nela) em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque assim quer o Pai que sejam os que o adoram" (João 4).



Jesus ensina que o templo de Deus é, em primeiro lugar, o coração do homem que acolheu sua palavra. Falando de si e do Pai, diz: "viremos a ele, e faremos morada nele" (João 14, 23). E Paulo escreve aos cristãos: "Não sabeis que sois santuário de Deus?" (1 Coríntios 3, 16). Portanto, o crente é templo novo de Deus. Mas o lugar da presença de Deus e de Cristo também se encontra "onde estão dois ou três reunidos em meu nome" (Mateus 18, 20). O Concílio Vaticano II chama a família de "igreja doméstica" (Lumen Gentium, 11), ou seja, um pequeno templo de Deus, precisamente porque, graças ao sacramento do matrimônio, é, por excelência, o lugar no qual "dois ou três" estão reunidos em seu nome.



Por que, então, os cristãos dão tanta importância à igreja, se cada um de nós pode adorar o Pai em espírito e verdade em seu próprio coração ou em sua própria casa? Por que é obrigatório ir à igreja todos os domingos? A resposta é que Jesus não nos salva separadamente; veio para formar um povo, uma comunidade de pessoas, em comunhão entre si e com Ele.



O que é a casa para uma família, é a igreja para a família de Deus. Não há família sem uma casa. Um dos filmes do neo-realismo italiano que ainda recordo é "O teto" (Il tetto), escrito por Cesare Zavattini e dirigido por Vittorio De Sica. Dois jovens, pobres e enamorados, se casam, mas não têm uma casa. Nos arredores de Roma, após a 2ª Guerra Mundial, inventam um sistema para construir uma, lutando contra o tempo e a lei (se a construção não chega até o teto, à noite será demolida). Quando no final terminam o teto, estão certos de que têm uma casa e uma intimidade própria e se abraçam felizes. Formam uma família.



Vi esta história se repetir em muitos bairros de cidade, em povoados e aldeias, que não tinham uma igreja própria e tiveram de construir uma. A solidariedade, o entusiasmo, a alegria de trabalhar juntos com o sacerdote para dar à comunidade um lugar de culto e de encontro são histórias que valeriam a pena levar às telas como no filme de De Sica.



Agora, temos que evocar também um fenômeno doloroso: o abandono em massa da participação na igreja e, portanto, na missa dominical. As estatísticas sobre a prática religiosa são para fazer chorar. Isto não quer dizer que quem não vai à igreja necessariamente perdeu a fé. Não! O que acontece é que se substitui a religião instituída por Cristo pela chamada religião "a la carte". Nos Estados Unidos dizem "pick and choose", pegue e escolha. Como no supermercado.

 Fr. Raniero Cantalamessa

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Por que um católico não deve consultar horóscopo?



O diabo não busca outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus

A astrologia pretende definir a vida humana a partir da posição ocupada pelos astros no dia do nascimento da pessoa. A astrologia e o horóscopo são cultivados desde remotas épocas antes de Cristo, ou seja, desde a civilização dos caldeus da Mesopotâmia, por volta de 2500 a.C.. Nessa época, os estudiosos pouco sabiam a respeito do sistema solar e dos astros em geral.

Segundo o grande mestre D. Estevão Bettencourt, tal “ciência” é falsa por diversos motivos:

1 – Baseia-se na cosmologia geocêntrica de Ptolomeu; conta sete planetas apenas, entre os quais é enumerado o Sol;

2 – A existência das casas do horóscopo ou dos compartimentos do zodíaco é algo de totalmente arbitrário e irreal;

3 – Os astros existentes no cosmo são quase inumeráveis; conhece-se interferências deles no espaço que outrora se ignorava. É notório também o fato de que os astros modificam incessantemente a sua posição no espaço. Por que então a astrologia leva em conta a influência de uma constelação apenas?;

4 – A astrologia incute uma mentalidade fatalista e alienante, que deve ser combatida, pois não corresponde aos genuínos conceitos de Deus e do homem. Registram-se erros flagrantes de astrólogos. (Revista PR, Nº 266 – Ano 1983 – Pág. 49).

Uma pesquisa realizada nos EUA mostra que seguir os horóscopos “pode fazer mal à saúde mental”. O estudo foi publicado na revista “Journal of Consumer Research” e descobriu que pessoas que leem o horóscopo diariamente são mais propensas a um comportamento impulsivo ou a serem mais tolerantes com seus “desvios” quando a previsão do zodíaco é negativa. Cientistas das universidades Johns Hopkins e da Carolina do Norte recrutaram 188 indivíduos, que leram um horóscopo desfavorável. Os resultados mostraram que para as pessoas que acreditam que podem mudar o seu destino, um horóscopo desfavorável aumentou a probabilidade de elas caírem em alguma “tentação”. “Acreditava-se que, para uma pessoa que julga poder mudar o seu destino, o horóscopo deveria fazê-la tentar modificar alguma coisa em seu futuro”, disseram os autores da pesquisa. No entanto, viu-se o oposto: aqueles que acreditam no horóscopo, quando veem que a previsão é negativa, acabam cedendo às suas “tentações”, levando-os a um comportamento impulsivo e, eventualmente, irresponsável.

Uma prova do erro da astrologia é a desigualdade de sortes de crianças nascidas no mesmo lugar e no mesmo instante, até mesmo dos gêmeos. Veja por exemplo caso de Esaú e Jacó (Gen 25). Se os astros regem a vida dos homens, como não a regem uniformemente nos casos citados? Quem conhece os gêmeos sabem muito bem disso.


Santo Agostinho, já no século IV, combatia veementemente as superstições e a astrologia. No seu livro ‘A doutrina cristã’ escreve: “Todo homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vênus ou quiçá de outros astros”.

Querer predizer os costumes, os atos e os eventos baseando-se sobre esse tipo de observação, é grande erro e desvario. O cristão deve repudiar e fugir completamente das artes dessa superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demônios. Essas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruínam assim o coração.


Em doutrinas desse gênero, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demônios que, juntamente com seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno a Deus.”

“Os astrólogos dizem: a causa inevitável do pecado vem do céu; Saturno e Marte são os responsáveis. Assim isentam o homem de toda falta e atribuem as culpas ao Criador, àquele que rege os céus e os astros” (Confissões, I, IV, c. 3).

“Um astrólogo não pode ter o privilégio de se enganar sempre”, dizia o sarcástico Voltaire.

“O interesse pelo horóscopo como também por Tarô, I Ching, Numerologia, Cabala, jogo de búzios, cartas etc. é alimentado por mentalidade que se pode dizer “mágica”. Quem se entrega à prática de tais processos de adivinhação, de certo modo, acredita estar subordinado a forças cegas e misteriosas; o cliente de tais instâncias se amedronta e dobra diante de poderes fictícios – o que não é cristão.” (D. Estevão)

São Tomás de Aquino, em sua obra “Exposição do Credo”, afirma que o demônio quer ser adorado, por isso se esconde atrás dos ídolos. E São Paulo diz que “as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam aos demônios e não a Deus” (1 Cor 10,21). Então, é preciso cuidado para não prestar um culto que não seja a Deus.

Prof. Felipe Aquino