Os 1,2-9 – Infidelidade
Oséias desposou uma mulher, Gomer, que o traiu prostituindo-se. Oséias amava esta mulher, mas ela retribuiu este amor com traição; Deus amava o povo de Israel e este lhe pagou com traição, adorando falsos deuses. E nós? E você? Deus nos ama e da mesma maneira como Gomer traiu Oséias e Israel traiu Javé, nós somos infiéis a nosso Deus, nos entregando a idolatria das coisas que o mundo nos oferece.
O v. 4 nos diz: “...Chama-o Jezrael, porque dentro em breve punirei a casa de Jeú pelos massacres de Jezrael e porei fim a dinastia da casa de Israel”. Jezrael significa Deus semeia. É também o nome de uma planície onde vários reis foram massacrados. Daí se conclui que Deus deixaria de atender esse povo, mas ao mesmo tempo, devido ao significado real do nome (Deus semeia) é a promessa do surgimento de um novo povo, um povo remido.
Diz o v.6: “...Chama-a Lo Ruhama , porque não terei mais amor a casa de Israel, mas a destruirei completamente”. Lo Ruhama quer dizer não amada, aquela que não se tem afeição. Aí o Senhor perde o afeto por seu povo; na verdade não deixa de amar, pois Deus jamais nos abandona nem deixa de amar seu filhos; ocorre que por nossas faltas nos distanciamos de Deus e nos tornamos inatingíveis por seu amor.
Por fim o v. 9 nos diz : “...Chama-o Lo Ami, porque já não sois meu povo e eu não sou vosso Deus. Lo Ami, ou seja, não meu povo". É o rompimento total com Deus. É o abandono do povo a própria sorte; por sua infidelidade o povo se afasta do Senhor e sofrerá as conseqüências da falta de Deus em suas vidas.
Irmãos, irmãs, não quero – e creio que nenhum de nós queira – ser ovelha sem pastor; não quero ser indigno de compaixão, desprezado por Deus; não quero ser abandonado, indigno de pertencer ao povo de Deus; não quero ser deserdado, quero ser herdeiro das promessas de Deus. Mas para isso temos que ser fiéis a Deus como Deus é fiel a sua promessa.
Onde está nossa infidelidade? Somos infiéis quando deixamos de ouvir Deus e damos ouvidos aos clamores do mundo. Quando nos envolvemos com falsas doutrinas, filosofias da chamada nova era, esoterismo, superstições, crendices, espiritismo, etc. Quando buscamos a cura divina através de Jesus, mas ao mesmo tempo – “por garantia” – buscamos curandeiros, pais de santo, banhos de arruda e outras tantas bobagens. Somos infiéis quando contrariando a doutrina da Igreja e a Palavra de Deus, acreditamos em reencarnação. Não há reencarnação: “Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na ressurreição da carne, na vida eterna!” Na ressurreição da carne, não na reencarnação. Ninguém vai e volta, vai e volta, se purificando de pecados, purgando em vida mazelas passadas. Vivemos e morremos apenas uma vez, sendo purificados no sangue precioso de Jesus! Vivemos uma vez e para sempre, morreremos uma única vez passando para a eternidade, e um dia haveremos de ressurgir num corpo glorioso, como o corpo do Cristo Ressuscitado. Ver 2 Sm 14,14 e Hb 9,24-28.
Não podemos servir a dois senhores, diz a Palavra de Deus em Mt 6,24. Não podemos ser cristãos e espíritas, umbandistas, ou qualquer outra coisa. Não podemos beber o cálice da salvação e ao mesmo tempo a taça de veneno; não se comunga o Santo Corpo do Senhor na ceia Eucarística e depois ir freqüentar terreiros de macumba. Isto é infidelidade, é adultério! Dirão: ele está se repetindo. Sim, estou me repetindo pela enésima vez. Deus nada faz em vão: da mesma maneira que o mundo nos bombardeia constantemente com seus falsos valores, Deus está contra atacando e nos advertindo também de modo continuo, impregnando em nós a sua Santa Palavra. Louvado seja Deus por não nos abandonar, apesar de nossas faltas. Podemos nos considerar como aquele povo remido, o novo povo – Deus semeia – lembram-se do inicio? Abramos nossos corações e acreditemos efetivamente que debaixo dos céus nenhum outro nome foi dado pelo qual devamos ser salvos. Esse nome é Jesus Cristo, diante do qual dobramos nossos joelhos e rendemos graças. Sejamos fiéis a Ele, como Ele é fiel. Assim seja.
Carlos Nunes
terça-feira, 3 de maio de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
Negação de Pedro
Pedro nega Jesus três vezes. Na verdade Pedro não rejeita Jesus, ele o nega impelido pelas circunstâncias. Pedro teve medo, assim como os demais apóstolos, pois diante da cruz no calvário estavam apenas João, Maria a mãe de Jesus e outras mulheres. Os demais seguidores de Jesus também o haviam abandonado. Haviam o negado por medo, não por rejeição. Em Mt 10,33 diz Jesus: “Aquele que me negar diante dos homens também eu o negarei diante de meu Pai...” O negar referido por Jesus não é a negação circunstancial como a de Pedro, mas a negação definitiva, consciente, é a rejeição. Negação é diferente de rejeição: negar é dizer não a alguém ou a alguma coisa, a alguma situação. Rejeitar é não querer, não aceitar, é desprezar. Muitas vezes nós negamos Jesus. Negamos Jesus quando por covardia, timidez, comodismo ou mesmo má vontade, deixamos de anuncia-lo, deixamos de dar testemunho de suas maravilhas. Muitos negam Jesus quando interpretam erroneamente a atitude da Igreja quando ela faz a opção preferencial pelos pobres. Explico: Há pessoas, muitas pessoas infelizmente, que pensam que ação social é mero assistencialismo; limitam-se a ajuda material e só. O ser humano não é apenas um bolo de carne que se movimenta de um lado a outro; o ser humano tem alma, um espírito criado por Deus. As pessoas se esquecem disso, providenciam uma cesta básica, dão o feijão e o arroz e deixam de dar o mais precioso alimento: o pão vivo, o pão do céu, Jesus! Quem assim procede nega Jesus aos irmãos. Devemos auxiliar materialmente os mais necessitados, mas temos o dever cristão de também aliviar a carência espiritual desses irmãos.
Negar Jesus é não aceita-lo como único senhor de nossas vidas, é desprezar sua oferta de amor. Sabemos que existem católicos envolvidos com ocultismo, magia, espiritismo, esoterismo e outros “ismos” que contrariam a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. Estas pessoas, na igreja, aparentam perfeição, porém suas obras são vazias, infrutíferas; suas orações são inócuas; ouvem a Palavra de Deus mas não a retem; passam horas diante da TV mas não se disponibilizam 15 minutos que sejam para ouvir a palavra de Deus sendo pregada. Muitos buscam a comunhão eucarística em situação de pecado. Essas pessoas negam Jesus, renegam Jesus, rejeitam Jesus!
Pedro negou Jesus três vezes, é verdade. Negou, não rejeitou. Tanto que foi escolhido por Jesus como chefe da Igreja. Em Jo,21 Jesus repete três vezes a pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Pedro responde: Senhor, sabes que te amo. – Então apascenta minhas ovelhas, diz Jesus. Apesar de sua tibieza Pedro é confirmado como primeiro Papa. Havia sido redimido e dissera sim a Jesus. E Jesus agora está te chamando pelo nome e perguntando: João, Maria, Odete, você me ama? Respondamos todos: Senhor sabes que te amo!
Jesus está agora estendendo suas mãos sobre nós, sobre cada um de nós. De suas chagas abertas gotas de seu sangue estão caindo sobre nós. Irmão, irmã, há uma gota do sangue precioso de Jesus sobre a sua cabeça, Esse sangue tem o poder de curar e libertar de todas as mazelas. Abra seu coração e diga sim para Jesus, diga sim como Maria, diga sim como Pedro naquela manhã à beira do lago Genesaré.
Senhor, sabes que te amo. Amém.
Carlos Nunes
Negar Jesus é não aceita-lo como único senhor de nossas vidas, é desprezar sua oferta de amor. Sabemos que existem católicos envolvidos com ocultismo, magia, espiritismo, esoterismo e outros “ismos” que contrariam a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. Estas pessoas, na igreja, aparentam perfeição, porém suas obras são vazias, infrutíferas; suas orações são inócuas; ouvem a Palavra de Deus mas não a retem; passam horas diante da TV mas não se disponibilizam 15 minutos que sejam para ouvir a palavra de Deus sendo pregada. Muitos buscam a comunhão eucarística em situação de pecado. Essas pessoas negam Jesus, renegam Jesus, rejeitam Jesus!
Pedro negou Jesus três vezes, é verdade. Negou, não rejeitou. Tanto que foi escolhido por Jesus como chefe da Igreja. Em Jo,21 Jesus repete três vezes a pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Pedro responde: Senhor, sabes que te amo. – Então apascenta minhas ovelhas, diz Jesus. Apesar de sua tibieza Pedro é confirmado como primeiro Papa. Havia sido redimido e dissera sim a Jesus. E Jesus agora está te chamando pelo nome e perguntando: João, Maria, Odete, você me ama? Respondamos todos: Senhor sabes que te amo!
Jesus está agora estendendo suas mãos sobre nós, sobre cada um de nós. De suas chagas abertas gotas de seu sangue estão caindo sobre nós. Irmão, irmã, há uma gota do sangue precioso de Jesus sobre a sua cabeça, Esse sangue tem o poder de curar e libertar de todas as mazelas. Abra seu coração e diga sim para Jesus, diga sim como Maria, diga sim como Pedro naquela manhã à beira do lago Genesaré.
Senhor, sabes que te amo. Amém.
Carlos Nunes
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Triduo Pascal
Um olhar de conjunto
“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!... Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 33.36).
A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel - aliança que vai além da sua infidelidade - e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.
O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).
Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).
As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres “partícipes da vida do Ressuscitado”, partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).
As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).
O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. “Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4).
Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.
Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).
Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.
A Quinta-feira santa: “Jesus... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”
A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã - especialmente durante a grande vigília pascal - e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.
A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que “todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.
Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor
No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12; Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama comorevelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.
Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o “eixo do mundo”, diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.
O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.
O grito sofrido e confiante de Jesus, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois “por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título”, e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).
O perdão invocado sobre os algozes: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Sal 31,6 - Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: “Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam” (Mt 27,50 -51).
A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.
Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme “Homens e Deuses” (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.
(Fonte: Pascom - S. Brás)
“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!... Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 33.36).
A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel - aliança que vai além da sua infidelidade - e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.
O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).
Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).
As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres “partícipes da vida do Ressuscitado”, partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).
As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: “para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que “não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).
O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. “Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4).
Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.
Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).
Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.
A Quinta-feira santa: “Jesus... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”
A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã - especialmente durante a grande vigília pascal - e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.
A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que “todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção” (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.
Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor
No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12; Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama comorevelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.
Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o “eixo do mundo”, diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.
O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.
O grito sofrido e confiante de Jesus, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois “por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título”, e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).
O perdão invocado sobre os algozes: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Sal 31,6 - Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: “Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam” (Mt 27,50 -51).
A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.
Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme “Homens e Deuses” (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.
(Fonte: Pascom - S. Brás)
sábado, 16 de abril de 2011
Jesus é nossa paz
“Pedi, vós todos, a paz para Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. Reine a paz em teus muros e a tranquilidade em teus palácios. Por amor de meus irmãos e meus amigos pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade.” (Sl 121,6-9).
Frente à pergunta: o que mais desejam, a resposta predominante é paz. Paz no mundo, paz na cidade, paz no bairro, paz na família. No entanto, essa paz não depende exclusivamente de cada um em si. Depende da coletividade, da sociedade, dos governos. Porém, a paz interior, essa depende de cada um de nós, com o auxilio inestimável do Espírito Santo.
Quando se está em paz (consigo mesmo), quando a consciência está tranquila, quando a alma esta lavada, tudo suportamos. Isso não significa isolamento, alienação; como cristãos nos preocupamos com o irmão, com o próximo. Assim, a falta de paz no mundo nos mobiliza na medida da nossa misericórdia.
Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não a dou como o mundo dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14,27). Eis a verdadeira paz. Quantos de nós buscamos a felicidade e a paz nas coisas exteriores, na posse de bens materiais, no ter, no poder; esquecemo-nos que a verdadeira paz vem de dentro para fora, não de fora para dentro. A verdadeira paz nos é infundida no coração por Jesus, via Espírito Santo.
Deus nos oferece sua Paz. Cabe a nós desejá-la, aceitá-la. Abrir o coração e deixar-se inundar pela paz, pela luz, pelo amor. A paz do Senhor Jesus esteja e permaneça sempre em nós.
Frente à pergunta: o que mais desejam, a resposta predominante é paz. Paz no mundo, paz na cidade, paz no bairro, paz na família. No entanto, essa paz não depende exclusivamente de cada um em si. Depende da coletividade, da sociedade, dos governos. Porém, a paz interior, essa depende de cada um de nós, com o auxilio inestimável do Espírito Santo.
Quando se está em paz (consigo mesmo), quando a consciência está tranquila, quando a alma esta lavada, tudo suportamos. Isso não significa isolamento, alienação; como cristãos nos preocupamos com o irmão, com o próximo. Assim, a falta de paz no mundo nos mobiliza na medida da nossa misericórdia.
Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não a dou como o mundo dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14,27). Eis a verdadeira paz. Quantos de nós buscamos a felicidade e a paz nas coisas exteriores, na posse de bens materiais, no ter, no poder; esquecemo-nos que a verdadeira paz vem de dentro para fora, não de fora para dentro. A verdadeira paz nos é infundida no coração por Jesus, via Espírito Santo.
Deus nos oferece sua Paz. Cabe a nós desejá-la, aceitá-la. Abrir o coração e deixar-se inundar pela paz, pela luz, pelo amor. A paz do Senhor Jesus esteja e permaneça sempre em nós.
sábado, 9 de abril de 2011
Confiar é a solução
Um brilhante intelectual foi trabalhar por alguns meses na “casa dos moribundos”, em Calcutá. Ele procurava uma resposta para viver melhor a sua vida. Logo na primeira manhã, encontrou-se com Madre Teresa de Calcutá, e ela lhe perguntou: “Como posso ser útil a você?” O intelectual respondeu, pedindo que orasse por ele. Madre Teresa perguntou: “Por qual necessidade você quer que eu ore?” e ele colocou o pedido que carregava consigo há durante muito tempo em sua vida: “Ore para que eu tenha clareza na minha vida”. Madre Teresa disse então com firmeza ao intelectual: “Não, eu não vou orar por isso. Clareza é a ultima coisa a que você deve se apegar”.
Então o intelectual afirmou que sempre tivera a impressão de que Madre Teresa tinha muita clareza sobre tudo que fazia; exatamente aquela clareza pela qual ele tento ansiava. A madre, então, riu e lhe disse: “Nunca tive clareza sobre nada; o que sempre tive ao longo da minha vida foi confiança. Portanto, vou orar para que você confie mais em Deus”.
Meu irmão, minha irmã, confiar na Misericórdia Divina é a solução para a sua vida! Não existe outro caminho. Confiar, para alguns, em certos momentos, beira ao heroísmo, pois nada é mais difícil do que superar as decepções e desafios que a vida nos apresenta.
Uma confiança cega no Amor e na Misericórdia do Senhor destrói o desespero e o medo. É também o nosso ato supremo de obediência a Jesus que ensinou: “Creiam em Deus, creiam também em mim”. Henry Nouwen em sua obra diz: “A escolha fundamental é confiar sempre que Deus está com você e lhe dará o que você mais precisa”.
Rezemos juntos com Santa Faustina: “Com a confiança e simplicidade de uma criança, entrego-me hoje a vós, Senhor Jesus e meu Mestre. Deixo-vos inteira liberdade na direção de minha alma. Guiai-me pelos caminhos que escolherdes. Eu não vou querer entendê-los, eu vos seguirei confiante. O Vosso Misericordioso Coração tudo pode! Amém.
(Luis Gustavo, MSS).
domingo, 3 de abril de 2011
Imagens Sagradas
Imagens nos mostram onde Deus agiu.
Êxodo 25,18-19: “Farás dois querubins de ouro; os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um ao lado do outro, fixando-os para formar uma só peça com a extremidade da tampa”.
Números 21,8: “O senhor disse a Moisés: faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela conservará a vida”.
Ops! Deus se contradiz? Não, Deus não é homem para mentir nem ter duas palavras. São contextos diferentes, situações muito, muito, distintas. Só não entendem os textos quem é falho de raciocínio ou analfabeto funcional, ou – pior – mal intencionado, pois entendendo perfeitamente os textos, deliberadamente interpreta erroneamente e assim os ensina. A ordem de Deus é clara: Não terás outros (falsos) deuses diante de minha face. Deus falava ao povo, da arca da aliança, sentado sobre os querubins (Ex 25,22). A serpente de bronze é prefiguração do próprio Cristo.
Quem de sã consciência pode dizer que viu nos templos católicos imagens de deuses? O que se vê são esculturas e pinturas que retratam homens e mulheres cujas vidas foram pautadas por fé inabalável, submetidas ao sofrimento a até ao martírio de sangue em defesa da fé em Cristo Jesus. Gente como nós, cujo exemplo e testemunho de fé devem ser seguidos. Nossa doutrina ensina que logo após a morte vem o julgamento (juízo particular) e aqueles se encontram certamente nos braços do Pai. “Vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. Foi lhes dado vestes brancas e foi dito que aguardassem um pouco mais, até que se completasse o número dos companheiros mártires”. (Apocalipse 6,9-11) – “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua; conservavam-se de pé diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas nas mãos. Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu templo. Aquele assentado no trono os abrigará em sua tenda”. (Ap 7,9.14-15).
Estão ou não na glória? Ninguém está em estado cataléptico aguardando o juízo final. Já foram julgados pelo Justo Juiz e encontraram graça diante do Altíssimo. O juízo final ocorrerá na parusia de Jesus, quando os que estiverem sobre a face da terra serão arrebatados ao céu ou lançados ao fogo do inferno.
“As imagens do culto católico não são de ídolos; não são feitas para serem adoradas. São veneradas com carinho para recordar o próprio Jesus Cristo, sua mãe, ou alguém que o seguiu de forma extraordinária, a quem chamamos de santos. Com as imagens, relembramos seus feitos, seus ensinamentos. Os fiéis têm por elas veneração, isto é, respeito, admiração, consideração. – O mesmo respeito que têm pela fotografia de uma pessoa que lhes é querida”. Estas são palavras de D. Murilo Krieger, bispo, autoridade eclesial, sendo, portanto voz da Igreja. As imagens nos mostram onde Deus agiu.
Êxodo 20,3-5: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, do que há debaixo da terra, ou nas águas, sob a terra. Não as adorarás nem lhes prestará culto”.
Êxodo 25,18-19: “Farás dois querubins de ouro; os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um ao lado do outro, fixando-os para formar uma só peça com a extremidade da tampa”.
Números 21,8: “O senhor disse a Moisés: faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela conservará a vida”.
Ops! Deus se contradiz? Não, Deus não é homem para mentir nem ter duas palavras. São contextos diferentes, situações muito, muito, distintas. Só não entendem os textos quem é falho de raciocínio ou analfabeto funcional, ou – pior – mal intencionado, pois entendendo perfeitamente os textos, deliberadamente interpreta erroneamente e assim os ensina. A ordem de Deus é clara: Não terás outros (falsos) deuses diante de minha face. Deus falava ao povo, da arca da aliança, sentado sobre os querubins (Ex 25,22). A serpente de bronze é prefiguração do próprio Cristo.
Quem de sã consciência pode dizer que viu nos templos católicos imagens de deuses? O que se vê são esculturas e pinturas que retratam homens e mulheres cujas vidas foram pautadas por fé inabalável, submetidas ao sofrimento a até ao martírio de sangue em defesa da fé em Cristo Jesus. Gente como nós, cujo exemplo e testemunho de fé devem ser seguidos. Nossa doutrina ensina que logo após a morte vem o julgamento (juízo particular) e aqueles se encontram certamente nos braços do Pai. “Vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. Foi lhes dado vestes brancas e foi dito que aguardassem um pouco mais, até que se completasse o número dos companheiros mártires”. (Apocalipse 6,9-11) – “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua; conservavam-se de pé diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas nas mãos. Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu templo. Aquele assentado no trono os abrigará em sua tenda”. (Ap 7,9.14-15).
Estão ou não na glória? Ninguém está em estado cataléptico aguardando o juízo final. Já foram julgados pelo Justo Juiz e encontraram graça diante do Altíssimo. O juízo final ocorrerá na parusia de Jesus, quando os que estiverem sobre a face da terra serão arrebatados ao céu ou lançados ao fogo do inferno.
“As imagens do culto católico não são de ídolos; não são feitas para serem adoradas. São veneradas com carinho para recordar o próprio Jesus Cristo, sua mãe, ou alguém que o seguiu de forma extraordinária, a quem chamamos de santos. Com as imagens, relembramos seus feitos, seus ensinamentos. Os fiéis têm por elas veneração, isto é, respeito, admiração, consideração. – O mesmo respeito que têm pela fotografia de uma pessoa que lhes é querida”. Estas são palavras de D. Murilo Krieger, bispo, autoridade eclesial, sendo, portanto voz da Igreja. As imagens nos mostram onde Deus agiu.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Grupos de oração
Como não se sentir amado por quem só ama e é Amor?
Se você não se sente amado, saiba, há Alguém que te ama com um amor acima de nossa compreensão. Deus te ama com amor eterno.
Quer experimentar esse amor? Participe de um grupo de oração!
sábado, 26 de março de 2011
Homens novos

Nascemos “homens velhos” e devemos nos tornar “homens novos”.
Se percorrermos a historia do mundo de trás para frente, como se folheia um livro começando da ultima página, chegando ao fim nos daríamos conta de que seria como se faltasse a primeira página, O “incipit” (a introdução do texto). Sabemos tudo do mundo, exceto o porque e como tudo começou. O fiel tem a convicção de que a Bíblia nos dá esta página que falta. Nela, como na capa de todo livro, está escrito o nome do autor e o titulo da obra.
Uma analogia pode nos ajudar a conciliar nossa fé na existência de um desígnio inteligente de Deus sobre o mundo, com a aparente causalidade e imprevisibilidade evidenciada por Darwin e pela ciência atual. Trata-se da relação entre graça e liberdade. Num caso e no outro, Deus, como diz o provérbio, escreve certo por linhas tortas.
A criação é obra do Espírito Santo que aperfeiçoa as coisas e as faz passar do caos à ordem. Isso acontece também ao homem, pequeno cosmo.
O Espírito Santo é aquele que faz cada um de nós passar do caos ao cosmo: da desordem, da confusão, do desespero, à ordem, unidade, a beleza. Aquela beleza que consiste no ser conformado a vontade de Deus e a imagem de Cristo, no passar do homem velho ao homem novo. Nós nascemos “homens velhos” e devemos nos tornar “homens novos”. Toda a vida, não somente a adolescência, é uma idade evolutiva! O Espírito Santo é a alma dessa renovação e desse rejuvenescimento.
(Frei Raniero Cantalamessa – pregador da Casa Pontifícia)
sábado, 19 de março de 2011
Povo santo ou povo santeiro
Breve resumo a respeito daqueles que pensam que são católicos, se dizem católicos, mas nada conhecem da doutrina da igreja a qual dizem pertencer.
Muitos desses não põem os pés na soleira de uma igreja há anos. Outros vão eventualmente (casamentos, missas de sétimo dia, batizados) e alguns até frequentam regularmente a igreja. Alguns são super, hiper, mega supersticiosos. Seus filhos são batizados, não por pertença a uma fé ou ao senhorio de Jesus, mas por mera superstição: a criança batizada fica mais calma e livre de doenças, dizem. Casam-se na igreja por formalidade, para satisfazer à sociedade e não visando um sacramento. Suas crianças participam da Eucaristia (primeira comunhão) porque – segundo eles – é chique; depois tchau, igreja nunca mais.
Há aqueles que ao invés de se espelhar no testemunho de vida dos santos, conferem-lhes atributos que eles não têm; os consideram milagreiros e protetores. São os “católicos santeiros”. Há também os devotos “exclusivamente marianos”, que colocam Maria a frente de seu Divino Filho, esquecendo-se que a legitima devoção Mariana sempre nos conduz ao centro de nossa fé, Jesus. A propósito, há pessoas que deixaram o catolicismo e passaram a frequentar igrejas evangélicas, sem contudo deixar de cultuar – agora ocultamente – seus “santinhos”. Conheci uma mulher, viúva de um pastor, que mal o marido morrera, recuperou suas estampas de Maria do fundo da gaveta e publicamente passou a cultuá-la. Deixou a Igreja Protestante, sem no entanto retornar a Igreja Católica.
Atentem que não refiro aqui aos Movimentos Marianos nem a veneração aos santos, que na verdade são exemplos da fé em Cristo e em comunhão com Deus na glória eterna, intercedem por nós. Faço referencia a devoções particulares e crendices populares; a uma religiosidade descompromissada e sem nenhum fundamento doutrinário. Gente que confunde Nossa Senhora com Iemanjá e São Jorge com Ogum
Culpa de quem? Um pouco deles, pois muitos não querem aprender e quando se dispõem a aprender, aprendem errado. Culpa nossa, pois estamos evangelizando poucos. Vamos a luta?
terça-feira, 15 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Campanha da Fraternidade
Oração da Campanha da Fraternidade 2011:
Senhor Deus, nosso pai e Criador, /a beleza do universo revela vossa grandeza, /a sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas, /e o eterno amor que tendes por todos nós. /pecadores que somos, não respeitamos a vossa obra, /e o que era para ser garantia da vida está se tornando ameaça. /A beleza está sendo mudada em devastação, /e a morte mostra a sua presença no nosso planeta. /Que nesta quaresma nos convertamos /e vejamos que a criação geme em dores de parto, /para que possa renascer segundo o vosso plano de amor, /por meio da nossa mudança de mentalidade e de atitudes. /E, assim como Maria. que meditava a vossa Palavra e a fazia vida, /também nós, movidos pelos principios do Evangelho, /possamos celebrar na Páscoa do vosso Filho, nosso Senhor,/ o ressurgimento do vosso projeto para todo o mundo. /Amém.
sábado, 5 de março de 2011
Isaias 53
“Quem poderia acreditar nisso que ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor?
Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares e seu aspecto não podia seduzir-nos.
Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.
Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado por Deus e humilhado.
Mas ele foi castigado pelos nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças as suas chagas.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, seguíamos cada qual nosso caminho; o Senhor fazia recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós.
Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca. Como um cordeiro que se conduz ao matadouro e uma ovelha nas mãos do tosquiador.(Ele não abriu a boca).
Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?
Foi lhe dada sepultura ao lado de facínoras e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em sua boca nunca tenha havido mentira.
Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias e a vontade do Senhor será por ele realizada.
Após suportar em sua pessoa os tormentos, ele se alegrará de conhecê-lo até o enlevo. O justo, meu Servo, justificará muitos homens e tomará sobre si suas iniquidades.
Eis porque lhe darei parte com os grandes e ele dividirá a presa com os poderosos: porque ele próprio deu sua vida, e deixou-se colocar entre os criminosos, tomando sobre si os pecados de muitos homens e intercedendo pelos culpados.”
Quem poderia acreditar no que lemos? Este trecho do profeta Isaias (capitulo 53) foi escrito cerca de 720 AC. A profecia nos mostra em detalhes instigantes o sofrimento e o sacrifício do Messias, Jesus Cristo. Como não acreditar?
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