sexta-feira, 22 de março de 2019

Somos filhos amados de Deus



Quem somos, de onde viemos, para onde vamos? É comum ouvirmos estas perguntas. A questão existencial frequenta nosso dia a dia. Alguns mergulham fundo e  elucubram teorias mirabolantes, extravagantes, exotéricas, fantasiosas e que tais. Ninguém prova nada. Nem nós cristãos; aliás, não carece provarmos, temos fé e isso basta.   Somos criaturas plenas nascidas da vontade perfeita de Deus, portanto viemos Dele e a Ele voltaremos. Como Ele – sendo imagem e semelhança – também podemos dizer sermos uma trindade indivisível. Somos trinos (pneumopsicosomáticos); criaturas espirituais (pneumo), ao mesmo tempo alma inteligente (psico) e corpo físico (soma). Nossa matéria, morada temporária da alma irá se desfazer, mas como cremos, será recomposta, desta feita num corpo incorruptível para a glória ou – infelizmente para alguns – para a condenação eterna.
Somos de Deus, viemos de Deus e voltaremos a Deus. Deus Pai, Criador, Senhor de todas as coisas invisíveis e visíveis, tudo criou, tudo fez. Criou o universo para servir de suporte a nosso belíssimo planeta. Criou a Terra para nosso habitáculo. Criou mares, rios, florestas, vales profundos, planícies verdejantes, aves do céu, feras do campo, animais de todo tipo nos ares, nas águas, no chão da terra.  Por fim, para que tudo nos fosse sujeito, criou a nós. Deus Amor com amor, por amor e no amor criou-nos à sua imagem e semelhança. Nosso corpo, conseqüência natural da união física de nossos pais; nossa alma imortal, criada por Deus no momento da concepção carnal. Eis quem somos e de quem viemos.
Para onde vamos? Viemos do coração do Pai Divino e para lá voltaremos, é nossa vocação natural, como disse Santo Agostinho: “Tu nos fizeste para Ti e nosso coração não ficará satisfeito enquanto não repousar em Ti”.  Existimos e vivemos no tempo, mas nossa meta é a eternidade. O tempo passa e cada vez ficamos mais próximos do limiar, fora do tempo onde só existe o sempre e onde o tempo não passa: a eternidade.
Queremos Deus, assim como ele nos quer mais ainda; para tanto vivamos já aqui na Sua presença, fazendo de nós templos vivos, morada do Espírito Santo, sob o senhorio do Verbo Divino, Jesus, e quando o portal da eternidade se abrir, estaremos diante do Pai, vendo-o tal como Ele É, e julgados dignos aí permaneçamos para sempre. Como a lua reflete a luz do sol, nossa face resplandeça a luz intensa do Sol Nascente da Justiça, Jesus que pelo seu Santo Espírito nos leva ao Pai. Assim seja!






sexta-feira, 15 de março de 2019

As sete súplicas do Pai Nosso



O Pai Nosso, modelo de toda oração, consta de sete súplicas ou pedidos. Inicia-se com um principio eterno que dá titulo a oração: Pai Nosso que estais no céu. A partir daí vem os sete pedidos.
Santificado seja o vosso nome – o primeiro pedido nos faz reconhecer a Santidade do Pai. O pedido é na realidade que saibamos reconhecer essa santidade e só tem valor quando feito em nome de Jesus.
Venha a nós o vosso reino – o segundo pedido pelo qual rogamos a presença do reino de Deus já, aqui na terra. Que a Palavra Viva do Senhor se faça presente, enriquecendo-nos com os dons do Espírito Santo.
Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu – no terceiro pedido suplicamos ao Pai que nossa vontade se una à vontade de Cristo, para que possamos alcançar o direito à Salvação, fazendo que a Sua vontade prevaleça, mesmo quando diferente daquilo que esperamos.    
O pão nosso de cada dia nos dai hoje – neste quarto pedido contamos com a providência divina.  Que nos seja concedido o alimento que nos sustenta, necessário a nossa subsistência, mesmo diante de dificuldades materiais que eventualmente possam advir.
Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido – neste quinto pedido, seguido de uma condição, nos reconciliamos com o Pai desde que façamos a nossa parte cumprindo a condição feita com o pedido.  
Não nos deixeis cair em tentação – neste pedido, o sexto, rogamos a deus que nos dê força, não permitindo que o pecado tome conta de nossa vida. Que pelos dons do discernimento, da sabedoria e da fortaleza nos seja concedida a graça de vencer todas as tentações que nos assolam.
Livrai-nos do mal – na sétima e última súplica pedimos que não sejamos submetidos ao mal. Aqui o mal não é sinônimo de maldade, mas o próprio Satanás, a personificação do mal. Sabemos que Satanás já foi definitivamente derrotado por Jesus e quem se entrega a Jesus não teme o mal, pois com Cristo somos mais que vencedores; afinal se Deus é por nós, quem será contra nós?
Senhor, vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!


sexta-feira, 8 de março de 2019

Se Jesus voltasse agora?



Se Jesus voltasse agora, nesse momento, como nos encontraria? Estaríamos prontos para esse encontro, ou tentaríamos nos esconder? Se você ouvisse a noticia: Jesus está aqui, voltou revestido de glória para resgatar os seus, para separar os justos dos pecadores, o que você faria? Correria para Ele e se prostaria em adoração, ou fugiria como Balaão?
Se Jesus chegasse agora por certo não encontraria paz na terra. Encontraria fogo. Não o fogo que Ele gostaria de encontrar, a chama viva e ardente do Espírito Santo, mas o fogo devorador, as chamas do ódio, das desavenças, da desunião entre os povos, da desunião entre aqueles que se dizem seus, os cristãos. É certo, há também os de boa vontade, os que semeiam amor, os que têm o coração abrasado pela chama de amor do Espírito Santo. Em que fogueira você está? Na fornalha ardente do coração de Jesus ou no fogo devorador do pecado?
Devemos fazer tudo para estar e permanecer nos caminhos do Senhor, caminhar no Espírito, viver segundo a Palavra de Deus, experimentar as obras de misericórdia, e assim estarmos prontos (ou quase) para a volta gloriosa de Cristo. Se assim Ele nos encontrar, por certo ao nos prostrarmos em adoração, nos tomará pela mão e nos levará com Ele em Sua Glória. E aquele que está longe Dele, dos seus caminhos? “Quem me segue não andará nas trevas...” logo, sendo a recíproca verdadeira, quem não o segue estará nas trevas. Quem o segue titubeante, um pé nas trilhas Dele, outro no mundo, estará na penumbra; um passo em falso cai nas trevas, no entanto, um passo bem dado o retorna à luz. Se estamos vacilantes, em ziguezague, cai não cai, não desanimemos, busquemos a luz, e luz do mundo é Jesus. O mundo nos oferece caminhos demais – reza a canção – choramos, rimos, mas nem sempre somos felizes; as coisas do mundo não nos satisfazem. Isso porque nossa alma é grande demais e só Deus pode enchê-la. Por isso a mesma canção nos adverte: “Hoje seus passos se perdem na estrada; nem sempre você tem chegada. Entregue seu caminho a Deus, entregue seu caminho a Deus”.
Como está seu coração? Firme na fé, porém tenro e afável na misericórdia e no amor, ou está como porcelana, fina e delicada, mas quebradiça e que se esfacela ao menor impacto? Seja como for, que esteja em Jesus. Pois em Jesus, seu coração se fortalece, se consolida na fé, no amor e na misericórdia.
Se Jesus voltar agora que nos encontre assim, caminhando firmes na fé, de coração manso e humilde como o Dele; trilhemos esse caminho; caminho difícil, às vezes lacrimoso, mas seguro, pois caminhamos com o Mestre Senhor de tudo e de todos, o guia seguro de nossa vida, pois que Ele mesmo é o Caminho; caminho que leva a santidade, a vida eterna na glória celestial.  Assim seja!

sábado, 2 de março de 2019

Não se é feliz estando só



Diz um ditado popular que ninguém é feliz sozinho. Verdade, pois como vimos anteriormente, precisamos uns dos outros. Alguém, porventura há de dizer: eu não me enquadro aí, eu me basto, não dependo e nem preciso de ninguém. Falsa premissa; vejamos o exemplo a seguir: O patrão precisa do empregado para o funcionamento do seu negócio; o trabalhador precisa do empresário para ter seu emprego. Há como uma simbiose, ou seja, um depende do outro. Há necessidade também de sinergia entre ambos, o que significa ação conjunta e interdependente para que o patrão tenha seu rendimento e o empregado sua remuneração.
De certo modo assim é nosso relacionamento com Deus e com o próximo. Sabemos que a rigor Deus não precisa nem depende de ninguém, Ele é Deus e se basta por si só. Entretanto, sabemos também que Deus se relaciona com seu povo, conosco, e desse modo por iniciativa própria, Ele deseja que esse relacionamento seja recíproco.   Assim precisamos de Deus para que nossa vida seja completa, ao passo que Deus precisa de nós para que seu nome seja proclamado a todos os filhos e seu amor seja espalhado em todo o mundo.
Ninguém é feliz sozinho. Precisamos conviver com outros seres humanos para nos completarmos e suprir nossas necessidades materiais. Precisamos nos relacionar com Deus para que nossa felicidade seja completa. Além do mais, a união nos fortalece, a mão amiga nos soergue, o ombro do irmão nos ampara; o grupo, a comunidade, a sociedade nos torna cidadãos. Ainda citando provérbios populares, “cada um por si Deus por todos” não é coerente com o pensamento exposto aqui, pois faz apologia ao egoísmo. Já “um por todos, todos por um” resume nossa posição. Em verdade precisamos uns dos outros, portanto sejamos um por todos enaltecendo a vida comunitária, para que a comunidade seja uma em nós e por nós.
Concluindo essa reflexão, meditemos o texto em Eclesiastes 4,9-12: “Mais vale dois que um só, porque terão proveito do seu trabalho. Se caem, um levanta o outro; quando se está sozinho, se cai, não tem quem levantá-lo. Se deitam juntos podem se aquecer, mas alguém sozinho como se aquecer? Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir e a corda tripla não se rompe facilmente.”.
Somos seres sociais e como tal precisamos uns dos outros. Gostamos e precisamos de companhia, mas nem sempre isso é possível. Se não pudermos estar com outras pessoas, esforcemo-nos para estar com Deus.  Este nos supre, nos preenche e com Ele, mesmos sós não estaremos sós. Parece um simples jogo de palavras; não é, é pura verdade. Junto aos irmãos e principalmente com Deus somos felizes!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Para onde ir



Nos dias de hoje o mundo nos oferece muitos caminhos. Como diz a letra da canção: “Hoje o mundo oferece caminhos demais; você chora, você ri e não se satisfaz...” Caminhos esses muitas vezes (muitas mesmo!) tortuosos e altamente perigosos. Caminhos que, na maioria das vezes, levam à morte, à perdição. Morte no sentido amplo da palavra: corporal, e pior, da alma. Morte corporal, física, pois são caminhos literalmente perigosos. Morte da alma, pois quando o perigo não é material,   na carta aos romanos cap. 6, verso 23.
é transcendental, ou seja, induz ao erro, leva ao pecado. E o pecado, sabemos, leva à morte, morte da alma, segundo São Paulo
  Para onde ir?  Continuando a canção: “... Hoje seus passos se perdem na estrada, nem sempre você tem chegada...” O que fazer então? A mesma canção dá a resposta: “... Entregue seu caminho a Deus; entregue seu caminho a Deus!” Eis a solução, eis a resposta; somente Deus nos oferece caminhos límpidos, caminhos retos, caminhos iluminados, caminhos seguros. Os caminhos de Deus convergem para um só, uma única via: Jesus de Nazaré, Caminho, Verdade, Vida. Vereda que ao ser conhecida, percorrida, leva à vida verdadeira, a eternidade. “Desde então muitos de seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele. Então Jesus perguntou aos doze: ‘quereis vós também retirar-vos?’ Respondeu-lhe Simão Pedro: ‘Senhor a quem iríamos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna’.” (Jo 6,67-68).
A quem você quer seguir? Os discípulos ingratos que abandonaram Jesus, pois não aceitaram sua doutrina e preferiram os caminhos de morte e destruição, ou como Pedro e os demais apóstolos, seguir Jesus e os caminhos de vida plena e abundante, a vida na eternidade?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O que agrada a Deus



Que agrada a Deus? Bater no peito e gritar: “Jesus é meu Senhor”; comprometer-se com mil serviços, num excesso de ativismo; fazer todos os retiros; rezar o rosário diariamente; guardar os dias santos de preceito?
Dizer que Jesus é Senhor (e é mesmo) somente da boca pra fora, sem submeter-se integralmente a seu Senhorio é só falação, mero blá blá blá. Já fora dito pelo Senhor mesmo, nem todo o que diz senhor senhor, é digno do reino do céu. Ativismo em excesso é só ativismo. Quem se preocupa com muitos afazeres na igreja, ou mesmo no cotidiano, não tem tempo para a oração, para a escuta de Deus, para a leitura orante da Palavra, não tem tempo para nada, a não ser para suas tarefas, muitas delas infrutíferas e tantas outras que poderiam ser delegadas. De que vale fazer todos os retiros, se passa-se ao largo dos mais necessitados? Tomar o rosário e rezar mecanicamente cada terço, sem a devida meditação a cada mistério, é desprezar a riqueza que esta devoção nos proporciona. Cumprir os preceitos como se fossem mera obrigação também de nada vale. Nada feito por temor, por interesse pessoal ou por formalidade conta com o beneplácito divino.
Agrada a deus àquele que tem o coração contrito, amoroso, misericordioso, um coração adorador. Aquele que proclama que Jesus é Senhor e realmente vive sob o Senhorio de Jesus. Aquele que exerce dignamente seu trabalho no ganha pão de cada dia e participa ativamente na igreja, como agente de pastoral ou servo de movimentos eclesiais, sem esquecer-se de uma vida de oração. Aquele que comumente faz retiros espirituais, aos quais lhes são necessários, e não simplesmente por achar que estes lhe tornam santos. Aquele que, devoto mariano ou não, reza com respeito e dedicação o terço. Também aquele que cumpre os preceitos e é fiel a doutrina da Igreja, não no intuito do cumprimento de regras, mas com um sentimento de amor e fidelidade.
A estes Deus olha com especial atenção. Ele não esquece os outros, obviamente, pois o sol nasce para todos, bons ou maus e assim também Deus ama a todos seus filhos, rebeldes, ingratos, ou obedientes e fiéis. Portanto agrada a Deus quem o segue, quem se submete a sua vontade, quem o reconhece Senhor e Soberano, quem o reconhece dispensador de todas as graças.   
Para sermos assim é fundamental aceitarmos Jesus como senhor, reiteramos.   E para tanto nosso coração tem que ser (ou estar) brando e assim permanecer. Abertura de coração para o Espírito Santo; o Espírito Santo é o próprio Deus habitando em nós e que se revela quando, abrindo o coração nós Lhe concedemos que nos controle.
Jesus com o Pai nos dá o Espírito Santo para que através do Espírito, Ele próprio se revele e nos conceda Sua companhia para que o sigamos incondicionalmente, deixando o caminho largo e trilhando a via que conduz à porta estreita.  Esse caminhar no Espírito agrada imensamente a Deus.   

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ser ou não ser



De longa data conhecemos pessoas que aparentam ser o que não são. Nos dias de hoje parece que o número de pessoas assim aumentou consideravelmente. A ditadura da moda, o exemplo (muitas vezes mau exemplo) das celebridades, a necessidade de inserção em um grupo, o orgulho, enfim inúmeros motivos são responsáveis pelo acréscimo no número de pessoas insatisfeitas consigo mesmas. Em verdade, tipos assim são pessoas com baixa autoestima. Quero ser moderno e antenado, então visto o que está na moda sem perceber que esta ou aquela roupa não me cai bem; quero imitar meu “ídolo”, então me visto, corto o cabelo e me comporto como ele (ou ela). Por medo da solidão procuro a todo custo juntar-me ao grupo tal e tal, e deste modo faço tudo aquilo que o grupo me induz, não importando se para o bem ou para o mal. O orgulho também faz parte desse rol: fulano de tal é bom no que faz, mas sou melhor que ele; daí, mais que imitá-lo, irei superá-lo.
Assim deixamos de sermos nós mesmos para sermos o outro, ou o que imaginamos do outro. A vida seria um teatro, nosso espaço um grande palco onde representaríamos cada qual nosso papel; seriamos personagens de um mundo irreal. Infelizmente é assim mesmo. Deveríamos ser o que somos, no entanto pretendemos ser aquilo que idealizamos. Como consequência recrudescem os casos de traumas emocionais, angústias, rejeição, frustrações, até mesmo doenças depressivas.
Isso acontece quando deixamos nosso “eu” para sermos o “eu” do outro; quando deixamos de viver nossa vida para viver a vida do outro. Não refiro aqui à imitação das virtudes nem o seguimento dos bons exemplos e dos testemunhos edificantes. Não; refiro-me a cópia dos trejeitos, das atitudes (não importando se dignas ou não), da trajetória do outro.  Preciso ser igual e se possível melhor a qualquer custo, não importando mais nada. Assim o interior se deteriora, adoece, míngua, esvazia-se. O “eu” interior fenece, vive-se uma ilusão; por isso as frustrações, as crises de identidade, a depressão. 
Somos o que somos e nada mais. Sou bonito; bom para mim. Sou feio; assumo minha feiura numa boa. Sou gordo, sou magro; sou alto, sou baixo; sou popular, sou desconhecido; sou extrovertido, sou tímido; sou rico, sou pobre... etc...etc.
Somos imagem e semelhança de Deus. Deus É aquele que É. Porque não sermos como Ele? Afinal somos Sua imagem, semelhantes a Ele. Eu sou quem sou, você é quem é;  você não é o outro, o outro não é você. Sejamos autênticos, vivamos nossa vida e não a vida do outro. Jesus veio ao mundo como Salvador, mas também foi mestre; o mestre dos mestres. Deixou-nos lições de vida e amor ao próximo. Esse sim, vale imitar em tudo.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Desgraças não vêm de Deus (2)



Ultimamente tenho ouvido muitas acusações a Deus (Deus é cruel... Onde está Deus que não vê isso... Deus isso, Deus aquilo...). Quando ocorrem coisas desagradáveis, desastres naturais ou não, ouvimos as constantes e conhecidas contestações a Deus e seu amor. Reflitamos, então, nas palavras do texto escrito pelo padre Francisco Sehnem, transcrito a seguir: “Hoje muito procuram um deus à sua imagem e semelhança, um deus que justifique seu modo de pensar e agir. Mas é bom e necessário que pelo menos alguns continuem a crer no Deus revelado por e em Jesus Cristo; que continuem a crer no verdadeiro Deus, de amor e misericórdia. Fora de Cristo os homens se arriscam a dar ao rosto de Deus, aparências estranhas e às vezes perigosas, porque todo o modo de pensar a Deus tem repercussão sobre o modo de pensar o homem e a sua vida. Hoje há um verdadeiro renascimento de vários deuses pagãos, que não possam de criações humanas colocadas nos céus: deus-poder que assusta e domina o mundo, que destrói todos aqueles que são contra ele. Volta a sobressair o deus-juiz, que tem somente a função de punir e condenar (principalmente aqueles que não pensam como eles ou não são da sua religião). Para muitos, Deus se confunde com o mundo, se dissolve e desaparece , deixando o homem na solidão dos seus problemas não resolvidos”.
Pensando assim com tal imagem distorcida da Divindade, agimos arbitrariamente, a nosso bel prazer, prescindindo do Deus verdadeiro e no fim culpando-o quando algo dá errado. Quando tudo me é conforme, eu quero, eu posso, eu faço, eu aconteço, eu sou forte e auto-suficiente. Porém, quando não é como eu quero ou gostaria que fosse, quando o resultado é diferente do esperado, quando algo de ruim acontece, Deus é cruel e não olha por nós. Isto é notório quando se refere ao mal.
O mal nasce do abuso da liberdade ou da falta de amor. Deus não intervém a todo momento para modificar o   curso natural das coisas ou para corrigir arbitrariamente nossos erros – lembremo-nos: uma pedra afunda na água, uma rolha de cortiça flutua, um vazamento de gás asfixia ou provoca incêndios, etc. – pois Deus não nos tolhe a liberdade, mesmo quando abusamos, desobedecemos; também não reverte as leis naturais. Deus perdoa sempre, o homem às vezes e a natureza nunca.  
           

sábado, 26 de janeiro de 2019

Desgraças não vêm de Deus


 U
ma pedra na água afunda porque é mais pesada, uma rolha de cortiça flutua porque é mais leve que a água. Se você se lançar ao mar, se atirar na água sem saber nadar, por certo se afogará. Aí então alguém há de culpar Deus por isso.
                A nossa tendência é sempre culpar os outros pelos nossos erros, nossas falhas. Assim sendo, Deus é quase sempre considerado culpado por nossos sofrimentos, nossas dores, pelas coisas ruins que acontecem invariavelmente devido a nossa desobediência, teimosia, imprudência, descuido... Nos julgamos auto suficientes, fazemos o que queremos e quando a casa cai, culpamos Deus! 
                É típico o caso da mãe que perde o filho em acidente de trânsito. O jovem dirigia em alta velocidade, derrapou e se acabou numa árvore ou poste. A mãe, em desespero, entre blasfêmias e imprecações se revolta contra Deus. Será que Deus pisava o acelerador daquele carro? Será que Deus induziu aquele jovem a dirigir como um louco?
                Há uma lei em física, a inércia, que diz que o estado de repouso ou movimento de um corpo não pode se alterar por si só. Há necessidade de um estimulo, de uma ação externa, ou seja, nada se move se não for impulsionado, nada em movimento para se não for freado. Podemos assim, traçar um paralelo com nossa relação com Deus. Se observarmos bem as escrituras, podemos ver que para cada ação de Deus há uma contrapartida humana e vice-versa. Nas bodas de Caná, Jesus transformou em vinho a água que os homens, a seu pedido, colocaram nas talhas; Os homens rolaram a pedra para que Jesus ressuscitasse Lázaro; O general sírio Naamã foi curado da lepra pelo profeta Eliseu, após se banhar sete vezes no rio Jordão. Assim, em tudo que fazemos, há uma conseqüência, boa ou má. As coisas ruins nos acontecem não devido a uma ação divina, mas a uma ação humana. Dessa forma, não devemos afrontar Deus nem pô-Lo a prova. Todos conhecemos a passagem do Evangelho em que Jesus é colocado no alto de uma torre e tentado. Satanás citando a Bíblia, o Salmo 90(91) diz a Jesus para que Ele se atire, que os anjos o protegeriam, o amparariam, que nada de mal iria acontecer. Lembram-se da resposta de Jesus? -   Também está escrito: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Se nós, deliberadamente, nos expomos a uma situação de risco, de perigo iminente, na pretensão de estarmos sob a proteção de Deus, transferindo a Ele nossa responsabilidade, estaremos colocando Deus a prova! E colocar Deus a prova é tentar a Deus.
                Deus tudo pode, para Deus nada é impossível. Uma coisa  porém Deus não pode fazer. Deus não pode deixar de amar! Simplesmente porque Deus é amor e se Deus é amor, deixando de amar, deixaria de ser Deus. Isso é impossível, porque Deus é eterno, é infinito, é imutável. Deus nos ama com amor infinito e não quer o nosso mal, nem mesmo o mal para o pecador. Desgraças não são castigos, diz Jesus em Lc 13, referindo-se aos 18 homens que morreram no desabamento da torre de Siloé. Fatalidades acontecem, mas não são obras de Deus. Acontecem por imperícia, incompetência, imprudência humana. Pessoas são atropeladas sobre a calçada, elas eram inocentes, mas alguém errou, alguém falhou, alguém guiava mal um automóvel; por certo não era Deus. Em verdade quando Deus age nestes casos é para salvar, para dar um livramento, não para prejudicar. Há vários exemplos a citar, mas nenhum é tão notório como falar de crianças atingidas pelo mal. Parece o argumento definitivo dos detratores de Deus: Se Deus é bom, porque crianças ficam doentes e morrem? Porque crianças nascem defeituosas? Não cabe a nós julgar nem buscar entendimento dos desígnios de Deus, mas sem aprofundar, podemos dizer que em muitos, muitíssimos casos, os pais negligenciaram no cuidado da saúde dos filhos; mães, gestantes, ingeriram remédios inadequados, fumaram, consumiram drogas, etc.
                No mundo sempre haverá dor, sofrimento, tragédias. Mas nem por isso devemos perder a esperança e a confiança em Deus, ao contrário, devemos levar o conforto e o alivio aos que sofrem, devemos levar Jesus às pessoas. Jesus que sofreu na carne as nossas dores, foi humilhado, torturado e não reclamou. Jesus que morreu por nós, Jesus, o nome acima de todo nome. Jesus, diante do qual todo joelho se dobra no céu, na terra e no inferno. Que toda boca proclame que Jesus é o Senhor. Se você irmão, irmã, estiver com seu coração aberto vai perceber que é o próprio Deus falando a você. E Ele esta dizendo: confie, confie e espere em Mim, não importa o que aconteça a sua volta.
                Deus não é responsável pelas coisas ruins que nos acontecem. Somos responsáveis pelos nossos atos e temos que arcar com as conseqüências. Não podemos imputar a Deus a responsabilidade que é nossa. Deus é bom, 
(Carlos Nunes)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

BATISMO NO ESPÍRITO SANTO



Sobre os que creem é derramada a plenitude do Espírito Santo com a mesma força com que foi derramado em pentecostes; sobre todos que creem com fé expectante. Assim se realiza em nós o chamado batismo no Espírito Santo, expressão que pode ser substituída por efusão do Espírito Santo.  Efusão porque na realidade é um transbordamento, um derramar do Espírito em nós. Batismo porque somos mergulhados, simbolicamente, no Espírito Santo. Não confundamos com o batismo sacramental; BES não é um sacramento que é indelével, é uma relação pessoal de intimidade plena com o Espírito Santo e que deve ser continuamente renovada. Podemos então dizer que no batismo sacramental recebemos o Espírito Santo de modo infuso, ou seja, Ele é insuflado em nós, os batizados. Já no chamado batismo no Espírito Santo, Ele que já está conosco, age de modo efuso, movendo-se, preenchendo-nos por completo e transbordando na manifestação dos carismas.
Contudo o BES não é uma experiência emocional, mas uma experiência de fé. É a experiência concreta da graça de pentecostes. Muitos após experimentar o BES nada percebem de imediato, não se arrepiam, não sentem calor repentino, não choram, não sentem um palpitar agitado do coração; pensam que nada de extraordinário aconteceu. Mas se realmente foram dóceis ao Espírito Santo, abriram o coração e se deixaram envolver nos momentos de oração pela efusão do Espírito, com certeza, ao longo dos dias seguintes algo mudará. Serão atraídos pela Palavra de Deus e passarão a ler a Bíblia com mais frequência, entendendo de modo espontâneo as passagens que antes pareciam indecifráveis; terão mais zelo e compromisso com a Eucaristia, na comunhão e adoração; intensificarão os momentos de oração; perceberão em si a manifestação dos dons carismáticos, tais como o dom de línguas, palavras proféticas, de sabedoria, de ciência. Para que isso se efetive na vida do batizado (sacramento) é necessário o renovar constante da efusão do Espírito Santo (movimento).
Podemos afirmar convictos que todos somos carismáticos. Toda a Igreja é carismática. Só que alguns não se dão conta disso; não se abrem a ação do Espírito Santo, não vivem o múnus do batismo sacramental,     não se deixam alcançar pela efusão do Espírito e se fecham aos carismas. Dons infusos (os sete dons concedidos no Batismo) são dons de santificação. Os dons carismáticos (concedidos na efusão do Espírito Santo) são dons de serviço. E muitos não querem se comprometer com a obra do Senhor.       
Carismas são dons de serviço, como ferramentas; não como ferramentas que usamos a nosso bel prazer. Não temos os carismas numa caixa que transportamos, abrimos e usamos como e quando quisermos. Na verdade somos nós as ferramentas nas mãos de Deus, que nos utiliza quando e como lhe convém de acordo com os carismas que Ele nos concede. É certo que há dons carismáticos que usamos livremente tais como o dom de orar em línguas, o discernimento, palavras de sabedoria, fé carismática; porém a maioria dos dons de inspiração e poder vem diretamente de Deus a nós quando abrimos o coração e nos deixamos conduzir por Ele. Se formos impregnados pelo Espírito Santo, como disse certa vez D. Alberto Taveira, não viveremos num fogo de palha e sim na fornalha ardente do coração de Deus. Vivamos a experiência de pentecostes e as consequências edificantes do batismo no Espírito Santo.



sábado, 12 de janeiro de 2019

Se não houver amanhã



A Palavra de Deus nos alerta para estarmos sempre vigilantes, pois não sabemos dia nem hora da vinda do Senhor. Seu retorno é iminente, pode vir a qualquer momento; pode ser hoje, amanhã, semana que vem, daqui a um mês, um ano, uma década. Não importa, Ele virá, ou iremos ao encontro dele inevitavelmente. “Quem é, pois, o servo prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno? Bem aventurado aquele servo a quem seu Senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim! Em verdade vos digo, ele o estabelecerá sobre todos os seus bens. Mas se é um mau servo que imagina consigo: ‘Meu senhor  tarda a vir’, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele não espera e na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”  (Mt 24,45-51).
O texto bíblico em referência tem quase dois mil anos, mas é atualíssimo. Quantos têm o procedimento do servo mau; são desobedientes, omissos, desonestos, violentos. Quanta gente quer aproveitar a vida – ela é curta, dizem – de maneira frenética. Vivem frivolamente, descompromissados com o próximo, levando a vida de forma egoísta e hedonista. Não importa que o outro passe fome, desde que ele esteja saciado. Buscam uma vida de prazeres, sem se preocupar com o bem estar dos demais. Se for bom para ele, ótimo, mesmo que prejudique os outros; “tô nem aí!” Assim muitos vivem de maneira dissoluta, sem pensar no amanhã, sem pensar nas consequências. “De que vale ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a vida eterna?” (cf. Mt 16,26a).
Há gente que diz: “vou viver a vida do meu jeito enquanto sou jovem e posso aproveitá-la; vou fazer o que quero, vou me permitir tudo. Mais tarde, na velhice, procuro uma igreja, peço perdão a Deus e fica tudo bem.” Hipócrita, faz planos pensando iludir a Deus e na verdade se ilude. Não imagina a possibilidade de findar a vida antes de envelhecer. Aí morre em pecado (...o servo virá no dia em que ele não espera, na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes). Mesmo envelhecendo, se a busca por Deus tiver essa intenção; fez o que fez, tudo quanto podia, agora idoso, limitado, convenientemente “se converte”. Ledo engano; Deus vê o coração e conhece nossas intenções. Não há perdão dos pecados sem arrependimento, sem a reta intenção de mudança. Isso não significa que pessoas que têm, ou tiveram, uma vida desregrada possam se arrepender sinceramente a qualquer tempo, não importando a idade.
Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos sequer se haverá um amanhã. Ontem passou, já o vivemos; hoje é agora, estamos vivendo. O amanhã é futuro, é incógnita, e em Deus haveremos de vivê-lo. Portanto, como não conhecemos o amanhã – podemos no máximo conjecturar – vivamos de tal modo que se Cristo voltar agora, ou se Ele nos chamar, que nos encontre preparados, tal qual o servo fiel e honesto em quem Ele confiou. 









sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Cruz Sagrada



A Igreja celebra aos 14 de setembro a exaltação da Santa Cruz. Cruz que é escândalo para muitos. Cruz que é rejeitada e incompreendida por muitos mais. Nesta solenidade a Igreja nos lembra a importância da cruz na vida do cristão. Exaltá-la é exaltar a vitória de Cristo sobre a morte, pois Jesus não mais está nela, ressuscitou. Porém convém lembrar que para ressuscitar, Jesus teve que passar pela morte e morte na cruz. Para ser glorificado, Jesus submeteu-se a cruz; para ratificar o que foi prenunciado no Tabor, Jesus passou pelo Calvário!
Por Cristo Jesus, a cruz deixou de ser instrumento de suplicio e morte para se tornar penhor de salvação, sinal de redenção.
Em analogia à serpente de bronze levantada no deserto por Moisés (cf. Nm 21,5-9) disse Jesus: “É necessário que o filho do homem seja levantado para que todos os que nele creiam sejam salvos e tenham vida eterna” (Jo 8,14-15).  Ainda nesse contexto, Jesus disse que quando fosse levantado da terra atrairia todos para Ele. Porque então não reconhecer a cruz como penhor de salvação?
Nossa igreja é apostólica, ou seja, se fundamenta na doutrina dos apóstolos; eles pregavam Cristo, e Cristo crucificado: “Nós anunciamos o Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gregos loucura, mas para os chamados, a cruz é Cristo, poder e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23-24). Ainda: “Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão de vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele quem nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Cl 2,13-15).
Tracemos o sinal da cruz, o sinal da presença de Cristo em nós: “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Amém”.