sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O que agrada a Deus



Que agrada a Deus? Bater no peito e gritar: “Jesus é meu Senhor”; comprometer-se com mil serviços, num excesso de ativismo; fazer todos os retiros; rezar o rosário diariamente; guardar os dias santos de preceito?
Dizer que Jesus é Senhor (e é mesmo) somente da boca pra fora, sem submeter-se integralmente a seu Senhorio é só falação, mero blá blá blá. Já fora dito pelo Senhor mesmo, nem todo o que diz senhor senhor, é digno do reino do céu. Ativismo em excesso é só ativismo. Quem se preocupa com muitos afazeres na igreja, ou mesmo no cotidiano, não tem tempo para a oração, para a escuta de Deus, para a leitura orante da Palavra, não tem tempo para nada, a não ser para suas tarefas, muitas delas infrutíferas e tantas outras que poderiam ser delegadas. De que vale fazer todos os retiros, se passa-se ao largo dos mais necessitados? Tomar o rosário e rezar mecanicamente cada terço, sem a devida meditação a cada mistério, é desprezar a riqueza que esta devoção nos proporciona. Cumprir os preceitos como se fossem mera obrigação também de nada vale. Nada feito por temor, por interesse pessoal ou por formalidade conta com o beneplácito divino.
Agrada a deus àquele que tem o coração contrito, amoroso, misericordioso, um coração adorador. Aquele que proclama que Jesus é Senhor e realmente vive sob o Senhorio de Jesus. Aquele que exerce dignamente seu trabalho no ganha pão de cada dia e participa ativamente na igreja, como agente de pastoral ou servo de movimentos eclesiais, sem esquecer-se de uma vida de oração. Aquele que comumente faz retiros espirituais, aos quais lhes são necessários, e não simplesmente por achar que estes lhe tornam santos. Aquele que, devoto mariano ou não, reza com respeito e dedicação o terço. Também aquele que cumpre os preceitos e é fiel a doutrina da Igreja, não no intuito do cumprimento de regras, mas com um sentimento de amor e fidelidade.
A estes Deus olha com especial atenção. Ele não esquece os outros, obviamente, pois o sol nasce para todos, bons ou maus e assim também Deus ama a todos seus filhos, rebeldes, ingratos, ou obedientes e fiéis. Portanto agrada a Deus quem o segue, quem se submete a sua vontade, quem o reconhece Senhor e Soberano, quem o reconhece dispensador de todas as graças.   
Para sermos assim é fundamental aceitarmos Jesus como senhor, reiteramos.   E para tanto nosso coração tem que ser (ou estar) brando e assim permanecer. Abertura de coração para o Espírito Santo; o Espírito Santo é o próprio Deus habitando em nós e que se revela quando, abrindo o coração nós Lhe concedemos que nos controle.
Jesus com o Pai nos dá o Espírito Santo para que através do Espírito, Ele próprio se revele e nos conceda Sua companhia para que o sigamos incondicionalmente, deixando o caminho largo e trilhando a via que conduz à porta estreita.  Esse caminhar no Espírito agrada imensamente a Deus.   

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ser ou não ser



De longa data conhecemos pessoas que aparentam ser o que não são. Nos dias de hoje parece que o número de pessoas assim aumentou consideravelmente. A ditadura da moda, o exemplo (muitas vezes mau exemplo) das celebridades, a necessidade de inserção em um grupo, o orgulho, enfim inúmeros motivos são responsáveis pelo acréscimo no número de pessoas insatisfeitas consigo mesmas. Em verdade, tipos assim são pessoas com baixa autoestima. Quero ser moderno e antenado, então visto o que está na moda sem perceber que esta ou aquela roupa não me cai bem; quero imitar meu “ídolo”, então me visto, corto o cabelo e me comporto como ele (ou ela). Por medo da solidão procuro a todo custo juntar-me ao grupo tal e tal, e deste modo faço tudo aquilo que o grupo me induz, não importando se para o bem ou para o mal. O orgulho também faz parte desse rol: fulano de tal é bom no que faz, mas sou melhor que ele; daí, mais que imitá-lo, irei superá-lo.
Assim deixamos de sermos nós mesmos para sermos o outro, ou o que imaginamos do outro. A vida seria um teatro, nosso espaço um grande palco onde representaríamos cada qual nosso papel; seriamos personagens de um mundo irreal. Infelizmente é assim mesmo. Deveríamos ser o que somos, no entanto pretendemos ser aquilo que idealizamos. Como consequência recrudescem os casos de traumas emocionais, angústias, rejeição, frustrações, até mesmo doenças depressivas.
Isso acontece quando deixamos nosso “eu” para sermos o “eu” do outro; quando deixamos de viver nossa vida para viver a vida do outro. Não refiro aqui à imitação das virtudes nem o seguimento dos bons exemplos e dos testemunhos edificantes. Não; refiro-me a cópia dos trejeitos, das atitudes (não importando se dignas ou não), da trajetória do outro.  Preciso ser igual e se possível melhor a qualquer custo, não importando mais nada. Assim o interior se deteriora, adoece, míngua, esvazia-se. O “eu” interior fenece, vive-se uma ilusão; por isso as frustrações, as crises de identidade, a depressão. 
Somos o que somos e nada mais. Sou bonito; bom para mim. Sou feio; assumo minha feiura numa boa. Sou gordo, sou magro; sou alto, sou baixo; sou popular, sou desconhecido; sou extrovertido, sou tímido; sou rico, sou pobre... etc...etc.
Somos imagem e semelhança de Deus. Deus É aquele que É. Porque não sermos como Ele? Afinal somos Sua imagem, semelhantes a Ele. Eu sou quem sou, você é quem é;  você não é o outro, o outro não é você. Sejamos autênticos, vivamos nossa vida e não a vida do outro. Jesus veio ao mundo como Salvador, mas também foi mestre; o mestre dos mestres. Deixou-nos lições de vida e amor ao próximo. Esse sim, vale imitar em tudo.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Desgraças não vêm de Deus (2)



Ultimamente tenho ouvido muitas acusações a Deus (Deus é cruel... Onde está Deus que não vê isso... Deus isso, Deus aquilo...). Quando ocorrem coisas desagradáveis, desastres naturais ou não, ouvimos as constantes e conhecidas contestações a Deus e seu amor. Reflitamos, então, nas palavras do texto escrito pelo padre Francisco Sehnem, transcrito a seguir: “Hoje muito procuram um deus à sua imagem e semelhança, um deus que justifique seu modo de pensar e agir. Mas é bom e necessário que pelo menos alguns continuem a crer no Deus revelado por e em Jesus Cristo; que continuem a crer no verdadeiro Deus, de amor e misericórdia. Fora de Cristo os homens se arriscam a dar ao rosto de Deus, aparências estranhas e às vezes perigosas, porque todo o modo de pensar a Deus tem repercussão sobre o modo de pensar o homem e a sua vida. Hoje há um verdadeiro renascimento de vários deuses pagãos, que não possam de criações humanas colocadas nos céus: deus-poder que assusta e domina o mundo, que destrói todos aqueles que são contra ele. Volta a sobressair o deus-juiz, que tem somente a função de punir e condenar (principalmente aqueles que não pensam como eles ou não são da sua religião). Para muitos, Deus se confunde com o mundo, se dissolve e desaparece , deixando o homem na solidão dos seus problemas não resolvidos”.
Pensando assim com tal imagem distorcida da Divindade, agimos arbitrariamente, a nosso bel prazer, prescindindo do Deus verdadeiro e no fim culpando-o quando algo dá errado. Quando tudo me é conforme, eu quero, eu posso, eu faço, eu aconteço, eu sou forte e auto-suficiente. Porém, quando não é como eu quero ou gostaria que fosse, quando o resultado é diferente do esperado, quando algo de ruim acontece, Deus é cruel e não olha por nós. Isto é notório quando se refere ao mal.
O mal nasce do abuso da liberdade ou da falta de amor. Deus não intervém a todo momento para modificar o   curso natural das coisas ou para corrigir arbitrariamente nossos erros – lembremo-nos: uma pedra afunda na água, uma rolha de cortiça flutua, um vazamento de gás asfixia ou provoca incêndios, etc. – pois Deus não nos tolhe a liberdade, mesmo quando abusamos, desobedecemos; também não reverte as leis naturais. Deus perdoa sempre, o homem às vezes e a natureza nunca.  
           

sábado, 26 de janeiro de 2019

Desgraças não vêm de Deus


 U
ma pedra na água afunda porque é mais pesada, uma rolha de cortiça flutua porque é mais leve que a água. Se você se lançar ao mar, se atirar na água sem saber nadar, por certo se afogará. Aí então alguém há de culpar Deus por isso.
                A nossa tendência é sempre culpar os outros pelos nossos erros, nossas falhas. Assim sendo, Deus é quase sempre considerado culpado por nossos sofrimentos, nossas dores, pelas coisas ruins que acontecem invariavelmente devido a nossa desobediência, teimosia, imprudência, descuido... Nos julgamos auto suficientes, fazemos o que queremos e quando a casa cai, culpamos Deus! 
                É típico o caso da mãe que perde o filho em acidente de trânsito. O jovem dirigia em alta velocidade, derrapou e se acabou numa árvore ou poste. A mãe, em desespero, entre blasfêmias e imprecações se revolta contra Deus. Será que Deus pisava o acelerador daquele carro? Será que Deus induziu aquele jovem a dirigir como um louco?
                Há uma lei em física, a inércia, que diz que o estado de repouso ou movimento de um corpo não pode se alterar por si só. Há necessidade de um estimulo, de uma ação externa, ou seja, nada se move se não for impulsionado, nada em movimento para se não for freado. Podemos assim, traçar um paralelo com nossa relação com Deus. Se observarmos bem as escrituras, podemos ver que para cada ação de Deus há uma contrapartida humana e vice-versa. Nas bodas de Caná, Jesus transformou em vinho a água que os homens, a seu pedido, colocaram nas talhas; Os homens rolaram a pedra para que Jesus ressuscitasse Lázaro; O general sírio Naamã foi curado da lepra pelo profeta Eliseu, após se banhar sete vezes no rio Jordão. Assim, em tudo que fazemos, há uma conseqüência, boa ou má. As coisas ruins nos acontecem não devido a uma ação divina, mas a uma ação humana. Dessa forma, não devemos afrontar Deus nem pô-Lo a prova. Todos conhecemos a passagem do Evangelho em que Jesus é colocado no alto de uma torre e tentado. Satanás citando a Bíblia, o Salmo 90(91) diz a Jesus para que Ele se atire, que os anjos o protegeriam, o amparariam, que nada de mal iria acontecer. Lembram-se da resposta de Jesus? -   Também está escrito: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Se nós, deliberadamente, nos expomos a uma situação de risco, de perigo iminente, na pretensão de estarmos sob a proteção de Deus, transferindo a Ele nossa responsabilidade, estaremos colocando Deus a prova! E colocar Deus a prova é tentar a Deus.
                Deus tudo pode, para Deus nada é impossível. Uma coisa  porém Deus não pode fazer. Deus não pode deixar de amar! Simplesmente porque Deus é amor e se Deus é amor, deixando de amar, deixaria de ser Deus. Isso é impossível, porque Deus é eterno, é infinito, é imutável. Deus nos ama com amor infinito e não quer o nosso mal, nem mesmo o mal para o pecador. Desgraças não são castigos, diz Jesus em Lc 13, referindo-se aos 18 homens que morreram no desabamento da torre de Siloé. Fatalidades acontecem, mas não são obras de Deus. Acontecem por imperícia, incompetência, imprudência humana. Pessoas são atropeladas sobre a calçada, elas eram inocentes, mas alguém errou, alguém falhou, alguém guiava mal um automóvel; por certo não era Deus. Em verdade quando Deus age nestes casos é para salvar, para dar um livramento, não para prejudicar. Há vários exemplos a citar, mas nenhum é tão notório como falar de crianças atingidas pelo mal. Parece o argumento definitivo dos detratores de Deus: Se Deus é bom, porque crianças ficam doentes e morrem? Porque crianças nascem defeituosas? Não cabe a nós julgar nem buscar entendimento dos desígnios de Deus, mas sem aprofundar, podemos dizer que em muitos, muitíssimos casos, os pais negligenciaram no cuidado da saúde dos filhos; mães, gestantes, ingeriram remédios inadequados, fumaram, consumiram drogas, etc.
                No mundo sempre haverá dor, sofrimento, tragédias. Mas nem por isso devemos perder a esperança e a confiança em Deus, ao contrário, devemos levar o conforto e o alivio aos que sofrem, devemos levar Jesus às pessoas. Jesus que sofreu na carne as nossas dores, foi humilhado, torturado e não reclamou. Jesus que morreu por nós, Jesus, o nome acima de todo nome. Jesus, diante do qual todo joelho se dobra no céu, na terra e no inferno. Que toda boca proclame que Jesus é o Senhor. Se você irmão, irmã, estiver com seu coração aberto vai perceber que é o próprio Deus falando a você. E Ele esta dizendo: confie, confie e espere em Mim, não importa o que aconteça a sua volta.
                Deus não é responsável pelas coisas ruins que nos acontecem. Somos responsáveis pelos nossos atos e temos que arcar com as conseqüências. Não podemos imputar a Deus a responsabilidade que é nossa. Deus é bom, 
(Carlos Nunes)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

BATISMO NO ESPÍRITO SANTO



Sobre os que creem é derramada a plenitude do Espírito Santo com a mesma força com que foi derramado em pentecostes; sobre todos que creem com fé expectante. Assim se realiza em nós o chamado batismo no Espírito Santo, expressão que pode ser substituída por efusão do Espírito Santo.  Efusão porque na realidade é um transbordamento, um derramar do Espírito em nós. Batismo porque somos mergulhados, simbolicamente, no Espírito Santo. Não confundamos com o batismo sacramental; BES não é um sacramento que é indelével, é uma relação pessoal de intimidade plena com o Espírito Santo e que deve ser continuamente renovada. Podemos então dizer que no batismo sacramental recebemos o Espírito Santo de modo infuso, ou seja, Ele é insuflado em nós, os batizados. Já no chamado batismo no Espírito Santo, Ele que já está conosco, age de modo efuso, movendo-se, preenchendo-nos por completo e transbordando na manifestação dos carismas.
Contudo o BES não é uma experiência emocional, mas uma experiência de fé. É a experiência concreta da graça de pentecostes. Muitos após experimentar o BES nada percebem de imediato, não se arrepiam, não sentem calor repentino, não choram, não sentem um palpitar agitado do coração; pensam que nada de extraordinário aconteceu. Mas se realmente foram dóceis ao Espírito Santo, abriram o coração e se deixaram envolver nos momentos de oração pela efusão do Espírito, com certeza, ao longo dos dias seguintes algo mudará. Serão atraídos pela Palavra de Deus e passarão a ler a Bíblia com mais frequência, entendendo de modo espontâneo as passagens que antes pareciam indecifráveis; terão mais zelo e compromisso com a Eucaristia, na comunhão e adoração; intensificarão os momentos de oração; perceberão em si a manifestação dos dons carismáticos, tais como o dom de línguas, palavras proféticas, de sabedoria, de ciência. Para que isso se efetive na vida do batizado (sacramento) é necessário o renovar constante da efusão do Espírito Santo (movimento).
Podemos afirmar convictos que todos somos carismáticos. Toda a Igreja é carismática. Só que alguns não se dão conta disso; não se abrem a ação do Espírito Santo, não vivem o múnus do batismo sacramental,     não se deixam alcançar pela efusão do Espírito e se fecham aos carismas. Dons infusos (os sete dons concedidos no Batismo) são dons de santificação. Os dons carismáticos (concedidos na efusão do Espírito Santo) são dons de serviço. E muitos não querem se comprometer com a obra do Senhor.       
Carismas são dons de serviço, como ferramentas; não como ferramentas que usamos a nosso bel prazer. Não temos os carismas numa caixa que transportamos, abrimos e usamos como e quando quisermos. Na verdade somos nós as ferramentas nas mãos de Deus, que nos utiliza quando e como lhe convém de acordo com os carismas que Ele nos concede. É certo que há dons carismáticos que usamos livremente tais como o dom de orar em línguas, o discernimento, palavras de sabedoria, fé carismática; porém a maioria dos dons de inspiração e poder vem diretamente de Deus a nós quando abrimos o coração e nos deixamos conduzir por Ele. Se formos impregnados pelo Espírito Santo, como disse certa vez D. Alberto Taveira, não viveremos num fogo de palha e sim na fornalha ardente do coração de Deus. Vivamos a experiência de pentecostes e as consequências edificantes do batismo no Espírito Santo.



sábado, 12 de janeiro de 2019

Se não houver amanhã



A Palavra de Deus nos alerta para estarmos sempre vigilantes, pois não sabemos dia nem hora da vinda do Senhor. Seu retorno é iminente, pode vir a qualquer momento; pode ser hoje, amanhã, semana que vem, daqui a um mês, um ano, uma década. Não importa, Ele virá, ou iremos ao encontro dele inevitavelmente. “Quem é, pois, o servo prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno? Bem aventurado aquele servo a quem seu Senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim! Em verdade vos digo, ele o estabelecerá sobre todos os seus bens. Mas se é um mau servo que imagina consigo: ‘Meu senhor  tarda a vir’, e se põe a bater em seus companheiros e a comer e beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele não espera e na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes”  (Mt 24,45-51).
O texto bíblico em referência tem quase dois mil anos, mas é atualíssimo. Quantos têm o procedimento do servo mau; são desobedientes, omissos, desonestos, violentos. Quanta gente quer aproveitar a vida – ela é curta, dizem – de maneira frenética. Vivem frivolamente, descompromissados com o próximo, levando a vida de forma egoísta e hedonista. Não importa que o outro passe fome, desde que ele esteja saciado. Buscam uma vida de prazeres, sem se preocupar com o bem estar dos demais. Se for bom para ele, ótimo, mesmo que prejudique os outros; “tô nem aí!” Assim muitos vivem de maneira dissoluta, sem pensar no amanhã, sem pensar nas consequências. “De que vale ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a vida eterna?” (cf. Mt 16,26a).
Há gente que diz: “vou viver a vida do meu jeito enquanto sou jovem e posso aproveitá-la; vou fazer o que quero, vou me permitir tudo. Mais tarde, na velhice, procuro uma igreja, peço perdão a Deus e fica tudo bem.” Hipócrita, faz planos pensando iludir a Deus e na verdade se ilude. Não imagina a possibilidade de findar a vida antes de envelhecer. Aí morre em pecado (...o servo virá no dia em que ele não espera, na hora em que ele não sabe e o despedirá e o mandará ao destino dos hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes). Mesmo envelhecendo, se a busca por Deus tiver essa intenção; fez o que fez, tudo quanto podia, agora idoso, limitado, convenientemente “se converte”. Ledo engano; Deus vê o coração e conhece nossas intenções. Não há perdão dos pecados sem arrependimento, sem a reta intenção de mudança. Isso não significa que pessoas que têm, ou tiveram, uma vida desregrada possam se arrepender sinceramente a qualquer tempo, não importando a idade.
Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos sequer se haverá um amanhã. Ontem passou, já o vivemos; hoje é agora, estamos vivendo. O amanhã é futuro, é incógnita, e em Deus haveremos de vivê-lo. Portanto, como não conhecemos o amanhã – podemos no máximo conjecturar – vivamos de tal modo que se Cristo voltar agora, ou se Ele nos chamar, que nos encontre preparados, tal qual o servo fiel e honesto em quem Ele confiou. 









sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Cruz Sagrada



A Igreja celebra aos 14 de setembro a exaltação da Santa Cruz. Cruz que é escândalo para muitos. Cruz que é rejeitada e incompreendida por muitos mais. Nesta solenidade a Igreja nos lembra a importância da cruz na vida do cristão. Exaltá-la é exaltar a vitória de Cristo sobre a morte, pois Jesus não mais está nela, ressuscitou. Porém convém lembrar que para ressuscitar, Jesus teve que passar pela morte e morte na cruz. Para ser glorificado, Jesus submeteu-se a cruz; para ratificar o que foi prenunciado no Tabor, Jesus passou pelo Calvário!
Por Cristo Jesus, a cruz deixou de ser instrumento de suplicio e morte para se tornar penhor de salvação, sinal de redenção.
Em analogia à serpente de bronze levantada no deserto por Moisés (cf. Nm 21,5-9) disse Jesus: “É necessário que o filho do homem seja levantado para que todos os que nele creiam sejam salvos e tenham vida eterna” (Jo 8,14-15).  Ainda nesse contexto, Jesus disse que quando fosse levantado da terra atrairia todos para Ele. Porque então não reconhecer a cruz como penhor de salvação?
Nossa igreja é apostólica, ou seja, se fundamenta na doutrina dos apóstolos; eles pregavam Cristo, e Cristo crucificado: “Nós anunciamos o Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo, para os gregos loucura, mas para os chamados, a cruz é Cristo, poder e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23-24). Ainda: “Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão de vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele quem nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Cl 2,13-15).
Tracemos o sinal da cruz, o sinal da presença de Cristo em nós: “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Amém”.    

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Ágape



Mesmo que você não se sinta amado, mesmo que você se sinta desprezado, abandonado, solitário, perdido, saiba que há alguém que te ama muito; te ama com um amor tão grande que não tem medida. Amor imenso, escandaloso. Escandaloso a nossos olhos, porque é incondicional, nada pede em troca, não é excludente. Um amor assim nenhum ser humano é capaz de dar e poucos compreendem. Aliás, nem é necessário compreender, basta sentir. Como sentir algo tão grandioso? Como sentir algo tão maravilhoso?
Para sentir e experimentar o amor de Deus, basta se abrir à Sua Palavra. Basta crer e crendo se deixar envolver.
“E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que criou, Jacó e te formou, Israel: Nada temas, pois te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te submergirão; se caminhares pelo fogo, não te queimarás e a chama não te consumirá. Pois Eu Sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, teu salvador. Dou o Egito por teu resgate, a Etiópia e Sabá por compensação. Por que és precioso a meus olhos, por que eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti. Fica tranquilo, pois estou contigo” (Is 43,1-5a). 
“Pode uma mulher esquecer-se daquele que ela amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela esquecesse, Eu não te esqueceria nunca” (Is 49,15).
“Mesmo que as montanhas oscilassem e as colinas se abalassem, jamais meu amor te abandonará e jamais meu pacto de paz vacilará, diz o Senhor que se compadeceu de ti” (Is 54,10).
“De longe me aparecia o Senhor: amo-te com eterno amor, e por isso a ti estendi o meu favor” (Jr 31,3).
E finalmente, 1Jo 4,7-8, a máxima que coroa esta reflexão: “Carissimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”.



sábado, 22 de dezembro de 2018

Nem só de pão vive o homem



Nessa época percebemos uma grande agitação nas pessoas, um burburinho nas ruas, as lojas repletas. O consumismo é acelerado, desenfreado para muitos.  Tudo em nome dos festejos de fim de ano. Natal e réveillon se fazem presentes, presentes se fazem no Natal.  As ceias de Natal e passagem de ano são imprescindíveis; os mimos, as lembrancinhas, importantíssimos. Daí a agitação das pessoas, o burburinho das ruas; nos bairros comerciais o transito, normalmente intenso cotidianamente, torna-se caótico nos meados do mês de dezembro.
É o espírito do Natal, dizem. Será? Pessoas apressadas se esbarram, se atropelam, ao invés de um pedido de desculpa se irritam, se xingam; nas lojas disputam (quase aos tapas) os últimos itens de promoções e ofertas; no transito, buzinaço, falta de polidez ao volante, pressa irracional. Para que? Para ter uma noite serena no Natal e alegre no ano novo? Para alguns. Para muitos, muitos mesmo, serão noites de bebedeira e de excessos (por conta da bebida). Para outros, tristeza e abatimento. Tristeza proveniente de lembranças dolorosas do passado que sempre vem à tona nestas datas. Pra que chorar, pra que sofrer, se há sempre um novo amor, há sempre um novo amanhecer... diz uma canção popular. Porem, sem refutar a letra da canção, dizemos aos que sofrem, aos que choram; pra que chorar, pra que sofrer, se há alguém que enxuga tuas lágrimas, há alguém que te conforta, há alguém que é capaz de te restituir a alegria. Esse alguém tem nome, nome que é acima de todo nome; nome que ao ser simplesmente pronunciado com doçura e fé no coração, é capaz de nos proporcionar paz, harmonia, cura interior. Esse nome é Jesus. Jesus o dono das festas de fim de ano. Natal pelo motivo óbvio; ano novo, porque Ele é Senhor de tudo, inclusive do tempo.  
   Pois é. Rabanadas, chester, tender, bacalhoada, salada de frutas, uma taça de vinho, presentes. Temos direito a tudo isso, mas não nos esqueçamos do motivo real da festa, Jesus Cristo. Ele mesmo nos disse: Nem só de pão vivemos nós.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

CARIDADE DOM MAIOR



“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade sou como o bronze que soa, ou como o cimbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda ciência, mesmo que tivesse toda a fé a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens aos pobres e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (1Cor 13,1-3).
Se não tiver amor de nada valho. Na vulgata lemos “caritatem”, de caritas: amor. Na versão grega dos setenta o termo é “agaphn” (ágape), que significa amor incondicional, amor pleno. Muitos confundem caridade com o gesto de doar algo a alguém. Dar esmola a um mendigo, ajudar materialmente aos mais carentes, alimentar um faminto, etc. Isto faz parte da caridade, mas não é caridade na acepção plena da palavra. (“Ainda que entregasse todos os meus bens aos pobres...se não tiver caridade de nada valeria”).
Portanto, se não houver amor, se a doação não se efetiva por amor e com amor, não é caridade; embora gesto louvável, não é caridade, é filantropia. Não há caridade sem amor. Aliás, seria uma contradição, pois caridade e amor são a mesma coisa.
Outro ponto importante é doar amorosamente sem esperar nada em troca; “a caridade é paciente, não busca seus próprios interesses, tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta”. (cf. 1Cor 13, 4-5.7). Caridade não é “toma lá dá cá”, caridade é amor, e amor incondicional (ágape). Alguém que promova doações de cestas básicas ou serviços sociais comunitários visando granjear fama, poder ou mesmo retorno financeiro, nem mesmo é filantropo, muito menos caridoso.
Caridade então é amar, amar, amar. Partilhar, doar e se doar sem interesse próprio, e esperar, não para si, não uma contrapartida, mas a esperança de ver a alegria e a felicidade do próximo.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Deus está sempre perto de nós



Nos afastamos de Deus porque pecamos ou pecamos por que nos afastamos de Deus? Na verdade o afastamento de Deus é consequência do pecado e quanto mais pecamos, mais nos afastamos dele. Cada pecado cometido é um passo a mais longe de Deus. Sendo assim, uma vida de pecados nos distancia mais e mais de Deus, logo da Sua Graça.
É como se caminhássemos em direção ao abismo e o Senhor ficasse nos observando, aguardando com extrema misericórdia nosso retorno. Se arrependidos nos voltamos a Ele, para cada passo nosso em sua direção, Ele dá inúmeros passos até nós. Assim é nosso Deus, amoroso, misericordioso; um Deus que vem em direção ao seu povo; Deus fiel, cumpridor de suas promessas: “Estou contigo para te guardar aonde quer que fores, e te reconduzirei a esta terra, e não te abandonarei sem ter cumprido o que prometi” (Gn28,15).
Deus que nos perdoa sempre e nos reconduz a seus caminhos. Se arrependidos nos voltamos a Ele, caídos, humilhados, Ele nos toma pela mão e nos soergue. Bem nos recorda o salmista: “Lembrai-vos, Senhor, de vossas misericórdias e de vossas bondades, que são eternas. Não vos lembrei dos pecados de minha juventude e dos meus delitos; em nome de vossa misericórdia, lembrai-vos de mim, por vossa bondade, Senhor. O Senhor é bom e reto, por isso reconduz os extraviados ao caminho reto. Dirige os humildes na justiça, e lhes ensina a sua via.” (Sl 24,6-9).
A graça do Senhor, sua misericórdia, seu Divino amor, em sinergia com nosso arrependimento cobrem e anulam uma multidão de pecados, pois como diz a Palavra: “Onde abundou o pecado, superabundou a Graça” (Rm 5,20).
Desse modo, caríssimos, se afastados voltemos a Deus não importando nossa condição passada ou atual; o que importa é arrependidos pedirmos perdão por nossas faltas, nos reconhecendo pecadores – como no salmo citado acima – e como o salmista, clamar pela Divina Misericórdia para que Ele venha perdoar nossos pecados e nos recolocar em caminho seguro,  o caminho da salvação que conduz à vida eterna.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Em busca de Deus



Desde tempos imemoriais a humanidade tem buscado o transcendental, contato com a divindade, o sobrenatural. “Tomaram o fogo, ou o vento, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros do céu por deuses, regentes do mundo. Se tomaram essas coisas por deuses, encantados por sua beleza, saibam quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza quem fez todas essas coisas. Se o que os impressionou é a sua força e o seu poder, que eles compreendam por meio delas que seu criador é mais forte; pois é a partir da beleza e da grandeza das criaturas que por analogia se conhece o seu autor” (cf. Sb 13,2-5).  Era dessa forma que buscavam Deus. Alguns verdadeiramente o encontraram e foram eleitos seu povo. Outros continuaram a adorar a criação ao invés do criador e pior, caindo na obscuridade, fizeram a si mesmo deuses.
Ainda hoje é assim. As seitas exotéricas louvam a natureza, a “mãe terra”, as forças cósmicas, as divindades ecológicas. “São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus e através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras” (Sb 13,1). Mas, desejando que assim seja, queremos crer que muitos desses busquem realmente o deus verdadeiro, ou seja, o único Deus; como citado a seguir: “Contudo, estes só incorrem numa ligeira censura, porque talvez eles caíram no erro procurando Deus e querendo encontrá-lo: vivendo entre suas obras, eles as observam com cuidado, e porque eles as considerem belas, deixam-se seduzir pelo seu aspecto. Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque se possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente aquele que é  seu Senhor?” (Sb 13,6-7).
E os que se fizeram deuses? Aqueles que se auto idolatram? Pode parecer exagero, mas não é; a egolatria é muito comum hoje em dia. Pessoas que se julgam autossuficientes, que prescindem de Deus e de todos: eu sou o mais inteligente, o mais sábio, o mais forte, o mais bonito, o mais isso e aquilo, etc, etc, etc... Até o dia em que suas supostas inteligência e sabedoria o levarem a desgraça, sua força e beleza sucumbirem diante de uma enfermidade. Da mesma forma que estes, arrogantemente e com indisfarçável sarcasmo, questionam um temente a Deus que sofre tribulações com a indefectível pergunta: “Onde está seu Deus?” poderia se perguntar: “e agora, cadê você?” O que eles por certo não percebem é que a diferença entre as duas situações é abissal. Onde está seu Deus? – Apesar de tudo que passei, meu Deus está a meu lado, me amparando, me confortando, me fortalecendo. Eis nossa resposta. E você onde está? Com certeza absoluta, longe de Deus, está num sofrimento atroz, revoltado contra tudo e contra todos, amaldiçoando o Deus que você diz que não existe. Mas para estes há um consolo, o Deus em que cremos não é só meu Deus, é nosso Deus, Deus de todos! Portanto, se eles se quebrantarem, reconhecerem sua fraqueza e interdependência, por certo nosso Deus há de também restituir-lhes a dignidade e saúde plena. 
“Virão dias – oráculo do Senhor – em que enviarei fome e sede sobre a terra; não uma fome de pão, nem sede de água, mas fome e sede de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11).