sábado, 12 de dezembro de 2015
Programa Celebrando Pentecostes - RCC Brasil
Programa comemorativo dos dez anos do programa Celebrando pentecostes, na TV Canção Nova.
Acessem o link abaixo.
http://www.rccbrasil.org.br/webtv/?id_webtv=948
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Diocese nos Estados Unidos estuda o caso da “hóstia que sangra”
Segundo o site ACI (30/11/15), a diocese do Salt Lake City nos
Estados Unidos iniciou uma investigação sobre um fato que chamou atenção dos
fiéis. Uma hóstia consagrada devolvida ao celebrante da missa, e posta em um
copo d´água, ainda não se dissolve, e dentro dela é possível ver marcas de
sangue. O caso está ficando conhecido como a “hóstia que sangra”.
No último 27 de novembro, a diocese de Salt Lake enviou à
imprensa uma declaração sobre a “hóstia que sangra”, que se encontrava na
Igreja de São Francisco Xavier.
O canal KUTV de Utah assinala que um sacerdote dessa igreja
deu a hóstia consagrada a um menino para que comungasse e um parente disse ao
presbítero que o pequeno não tinha feito sua primeira comunhão – ou não era
católico – e por isso a devolveu.
A hóstia logo foi colocada em água para que se dissolvesse
como costuma fazer-se nestes casos de acordo com as normas litúrgicas.
Entretanto, a hóstia não se dissolveu e ainda, depois de
alguns dias, apareceram nela manchas vermelhas, talvez de sangue. Alguns
sugerem que poderia tratar-se de um milagre, enquanto outros afirmam causas
naturais para o acontecimento.
O fato é que o Administrador Diocesano do Salt Lake City,
Mons. Colin F. Bircumshaw, designou uma comissão ad hoc de “indivíduos de
distintos campos para investigar o tema”. O grupo inclui cientistas e
pesquisadores.
“O processo já está em marcha e os resultados serão feitos
públicos”, indicam as autoridades da diocese.
A hóstia que é objeto da investigação está sob custódia do
Administrador Diocesano. “Diferentemente do que assinalam os rumores, não há
planos de expô-la publicamente ou para a adoração”, precisa o texto.
A declaração, que leva a assinatura do Mons. M. Francis
Mannion, Presidente do Comitê de investigação, assinala ainda que “qualquer que
seja o resultado da investigação, podemos usar este tempo para renovar nossa fé
e devoção no maior dos milagres: a presença real de Jesus Cristo que se dá em
cada Missa”.
domingo, 6 de dezembro de 2015
“Tomo posse da Benção de hoje”, um diário espiritual para fortalecer a vida de oração
Sono, cansaço, desmotivação, dificuldade para leitura, falta
de compreensão e muitas outras coisas aparecem, bem na hora de ler as Sagradas
Escrituras! Pensando nessas dificuldades, a Comissão Nacional de Formação da
RCCBRASIL preparou para todas as pessoas que desejam uma maior intimidade com a
Palavra de Deus uma ferramenta que serve de orientação para a escuta
aprofundada da Palavra no dia-a-dia.
“Tomo posse da benção de hoje – o poder da Palavra de Deus
em minha vida” é um diário espiritual que pode ser um auxílio para os servos
terem uma vida de oração com maior disciplina e assiduidade. Ele visa fazer o
leitor se aprofundar no conhecimento ao Senhor, pela oração e pela Palavra.
São 365 dias para meditação da Bíblia pela “Lectio divina”,
forma de leitura orante da Palavra, que passa por quatro fases: leitura,
meditação, oração e contemplação. Esse exercício surgiu na Idade Média e
até hoje é a base para todos os outros modos de leitura; sobre ela, Monge Guido
II (1173-1180) dizia: “buscai na leitura e encontrareis na meditação; batei
pela oração e encontrareis pela contemplação”.
Além disso, o diário possui orientações para práticas
espirituais como o sacramento da confissão, obras de misericórdia, jejum e
adoração eucarística, a fim de ajudar a crescer na graça e conhecimento ao
Senhor. “Tomo posse da Benção de hoje – o poder da Palavra de Deus em minha
vida” é um instrumento para exercícios espirituais e para se alimentar bem
desse alimento salutar, que é a Sagrada Escritura.
Com um roteiro de meditação programado para cada dia, o
diário oferece ainda preces para fixação da palavra de Deus e orações
necessárias para intimidade com o Senhor, como oração de cura interior,
autolibertação, consagração ao Espírito Santo, oração pela família, campanha do
Jejum de Daniel e oração , exame de consciência antes da confissão, entre
outras.
Faça a experiência, conheça o diário espiritual “Tomo posse
da Benção de hoje”. Ele será uma ajuda para perseverar na leitura da Palavra de
Deus e vai servir de auxílio para a fidelidade da oração pessoal. Adquira pelo
telefone (12) 3151-4155 ou pelo e-mailrccshop@rccbrasil.org.br.
Você também pode fazer o seu pedido acessando a loja virtual da Editora
RCCBRASIL
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
O Ecumenismo - Conceito
“Eu sou o bom pastor.
Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu
conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. (Tenho ainda outras ovelhas,
que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha
voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.) É por isso que o Pai me ama:
porque dou a minha vida. E assim, eu a recebo de novo”. (João 10, 14-17)
“É necessário fazer um
esclarecimento sobre o conceito de ecumenismo, muito deturpado hoje em dia.
Ecumenismo não se confunde com sincretismo ou com relativismo. Sincretismo é a
mistura das religiões, querendo fazer um meio-termo entre elas. Cada um abre
mão de parte de sua doutrina em função do outro. O relativismo é o fundamento
do conceito de equivocado ecumenismo e a negação da verdade. No fundo, é um
tipo de ateísmo disfarçado, pois Deus é a verdade e, como conseqüência, ela não
pode ser múltipla e "relativa" a cada um. Quem segue esse falso
ecumenismo não crê em sua religião e busca moldar sua fé segundo o mundo e não
segundo a Deus. Ele tem receio de se dizer católico por vergonha de proclamar
verdades eternas. Ele tem vergonha de defender a Cristo quando todos o combatem
etc.” (Encíclica Mortalium Animus, Papa Pio IX)
O diálogo ecumênico é um abraço universal
entre os cristãos que entendem que Deus não criou cisões dentro da Igreja. O
diálogo ecumênico é um ato de dar as mãos unindo o que jamais deveria se
separar, A Igreja e seus filhos, que são todo o povo de Deus. Assim, existe da
Igreja Católica o reconhecimento da fé dos cristãos e das igrejas como fé
verdadeiramente cristã. E essas igrejas reconhecem os dogmas e a unidade que
deve existir entre todos os cristãos, professam a fé católica e são inseridos
nesta única Mãe Igreja.
“Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em
mim pela palavra deles. Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em
ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu
lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um:
eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça
que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim. Pai, quero que estejam comigo
aqueles que me deste, para que contemplem a minha glória, a glória que tu me
deste, porque me amaste antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu,
mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer
o teu nome, e o farei conhecer ainda, para que o amor com que me amaste esteja
neles, e eu mesmo esteja neles”.” (João 17, 20-27)
sábado, 28 de novembro de 2015
Ouvir a voz de Deus
É de suma importância ouvir o Senhor. Mais que ouvir,
acolher a palavra e obedecer. Mas como ouvir a voz de alguém que não vemos,
alguém que na realidade é incorpóreo, pois que é puro Espírito? Esse é o
questionamento que muitos fazem; crentes e descrentes. Muitos dos que creem,
apesar de não duvidar, julgam-se incapazes de ter contato intimo com Deus;
julgam – erroneamente – que só os especialmente iluminados têm essa capacidade.
Os descrentes, obviamente não creem e ponto final; ouvir Deus? Ah, isso é loucura!
Quase todas as pessoas, indistintamente, já tiveram
intuição. Grande número delas guiaram suas decisões através da intuição e por
certo tomaram a decisão correta. E o que é intuição senão a voz de Deus falando
ao coração? Quando dirigidos por ela – essa voz interior que nos fala ao
coração – e obedientes, seguimos como que seus conselhos, por certo o resultado
será positivo. Mas é preciso atenção, discernir bons e maus direcionamentos. Às
vezes nossa vontade prevalece e o que julgamos ser algo intuitivo, é na verdade
um desejo intrínseco; neste caso, inúmeras vezes a decisão é equivocada.
Cuidado também para que vozes espúrias, pensamentos invasivos, confusos, coisa
que nos trazem dúvidas e invariavelmente antiéticas, pautem nossas decisões.
Para nós carismáticos, é relativamente fácil entender: basta
aplicar o discernimento dos espíritos; o que vem para o bem, que traz harmonia
e dirime dúvidas, tem grande probabilidade de vir de Deus. Quando o pensamento
ou a suposta intuição provoca mal estar emocional, nos confunde, quase sempre
vem de fonte diabólica; são as tentações. Considere-se isto apenas uma dica,
uma pista; sabemos que não existem regras nem manuais de aplicação dos dons
carismáticos.
Nosso Deus é amoroso e se aproxima de nós. Ele quer ser intimo
de todos, indistintamente. Por isso Ele se comunica, Ele nos fala – de modo
inaudível aos ouvidos carnais, porém de forma loquaz em nosso coração.
Portanto, os que se abrem, os que creem, os que realmente querem ouvir,
certamente serão inundados pela voz do Senhor. Mas não basta ouvir, como dito
acima é preciso reter, mais que reter obedecer às ordens divinas, seguir os
conselhos, pautar-se na Palavra de Deus.
Estejamos atentos a palavra de Deus, não só através da
conhecida “intuição”, como também no conselho salutar e na orientação de um
amigo verdadeiro , nas palavras proféticas e de sabedoria ouvidas numa pregação
e principalmente na leitura da Palavra, na Bíblia Sagrada.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
O que é o Exorcismo?
É dogma de fé que o demônio existe e pode agir sobre o ser
humano. O Catecismo da Igreja diz que: “Por trás da opção de desobediência de
nossos primeiros pais há uma voz sedutora que se opõe a Deus e que, por inveja,
os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja veem neste ser um anjo
destronado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido
anteriormente um anjo bom, criado por Deus… mas se tornaram maus por sua
própria iniciativa.” (§391). O Diabo é “pecador desde o princípio” (1Jo 3,8),
“pai da mentira” (Jo 8,44). Jesus o chama de “homicida desde o princípio” (Jo
8,44). “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras
do Diabo” (1Jo 3,9), disse São João.
A Igreja ensina que o demônio pode possuir uma pessoa,
assumir o comando de suas faculdades; e para isso tem o Rito do Exorcismo para
expulsá-lo. Jesus realizou muitos exorcismos: “Se é pelo Espírito de Deus que
eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós” (Mt 12,28).
É de Jesus que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar.
Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome
de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a influência
do maligno e subtraídos a seu domínio, fala-se de exorcismo.
Sob uma forma simples, o exorcismo é praticado durante a
celebração do Batismo. Visto que o Batismo significa a libertação do pecado e
de seu instigador, o Diabo, pronuncia-se um exorcismo sobre o candidato. Este é
ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o
candidato renuncia explicitamente a satanás.
O exorcismo solene, chamado “grande exorcismo “só pode ser
praticado por um sacerdote, com a permissão do Bispo. Nele é necessário
proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela
Igreja. É importante, pois, assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, se se
trata de uma presença do maligno ou de uma doença mental.
A Congregação da Fé do Vaticano, em 24.09.1985, deu uma
Instrução sobre o Exorcismo, onde lembra o seguinte:
1. O cânon 1172 do Código de Direito Canônico declara que a
ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas, a não ser que o
Ordinário do lugar tenha concedido peculiar e explícita licença para tanto
(1º). Determina também que esta licença só pode ser concedida pelo Ordinário do
lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria, prudência e integridade de
vida.
2. Não é lícito aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de
exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito que foi
publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão XIII; muito menos lhes é lícito
aplicar o texto inteiro deste exorcismo.
3. Os senhores Bispos são solicitados a que vigiem para que
– mesmo nos casos que pareçam revelar algum influxo do diabo, com exclusão da
autêntica possessão diabólica – pessoas não devidamente autorizadas não
orientem reuniões nas quais se façam orações para obter a expulsão do demônio,
orações que diretamente interpelem os demônios ou manifestem o anseio de conhecer
a identidade dos mesmos.
Prof. Felipe Aquino - DOUTRINA E TEOLOGIA
sábado, 21 de novembro de 2015
A Queda dos muros de Jericó
Por Prof. Felipe
Aquino – Cleofas.com.br
(Js 6, 1-20)
Logo após a travessia do Jordão, os filhos de Israel defrontaram-se com a cidade de Jericó, habitada por cananeus hostis. Tiveram de se dispor ao assalto do reduto inimigo, obtendo por fim estrondosa vitória.
O texto bíblico referente ao episódio (Js 6, 1-20) parece ter sofrido glossas no decorrer dos tempos, prestando-se atualmente a diversos ensaios de reconstituição e interpretação; ademais as recensões hebraica e grega apresentam pequenas divergências entre si. Eis, porém, em grandes linhas, o que se verificou:
Havendo os filhos de Israel acampado diante de Jericó, os habitantes da cidade, confiantes no poder de suas muralhas, fecharam-se no interior destas, esperando que a penúria ou alguma inclemência da natureza obrigasse os invasores a retroceder. Foi então que, a mandado do Senhor, os guerreiros hebreus, junto com os sacerdotes, que levavam a arca de Javé, por seis dias consecuti-vos deram processionalmente a volta da cidade (a qual não devia ter perímetro muito longo, para poder ser bem defendida); os desfiles se fizeram ao som das trombetas dos sacerdotes. No sétimo dia, efetuaram sete circuitos, após os quais ressoaram as trombetas; a estas os quarenta mil filhos de Israel (cf. Js 4, 13) responderam imediatamente com brado poderosíssimo; em consequência, as muralhas de Jericó desmoronaram e os assaltantes puderam penetrar na cidade.
Não há dúvida, trata-se aqui
de um feito maravilhoso, que só se verificou por intervenção extraordinária de
Deus. É o que a Sagrada Escritura explicitamente recorda num dos livros
posteriores do Antigo Testamento:
“O soberano Senhor do mundo, sem catapulta e sem máquinas de guerra, derrubou os muros de Jericó nos tempos de Josué”. (2Mc 12, 15)
Contudo não pode deixar de chamar a atenção o artifício prescrito pelo Senhor. Precisava o Todo-Poderoso de que os israelitas fizessem o circuito da cidade para que Ele desmantelasse as fortificações? Que relação há entre as procissões, com seus toques de trombeta, e o desmoronamento subsequente?
Pressupondo que eram um estratagema bélico, os exegetas têm procurado estabelecer um nexo entre esses desfiles e a vitória final. Assim:
1. Alguns apelam para o testemunho de cronistas da antiguidade, os quais referem que tropas assaltantes, em um ou outro caso, fizeram repetidos circuitos da cidade ou do acampamento sitiados, com o fim de ludibriar o inimigo. Eis, por exemplo, o que narra Sexto Júlio Frontino, autor da obra Stratagemata (catálogo de estratagemas) sob o Imperador Domiciano (81-96):
“Domício Calvino cercava na Ligúria a cidade de Luna, localidade defendida tanto por sua posição geográfica como por obras de fortificação. Muito frequentemente mandava que todas as suas tropas desfilassem ao redor da mesma, reconduzindo-as, a seguir, ao acampamento. Esta tática incutiu aos habitantes a convicção de que os romanos não queriam senão exercitar-se; visto então que negligenciavam o serviço de vigilância. Domício transformou essa espécie de passeata em ataque repentino. A cidade foi tomada, e os moradores se renderam”.
“O soberano Senhor do mundo, sem catapulta e sem máquinas de guerra, derrubou os muros de Jericó nos tempos de Josué”. (2Mc 12, 15)
Contudo não pode deixar de chamar a atenção o artifício prescrito pelo Senhor. Precisava o Todo-Poderoso de que os israelitas fizessem o circuito da cidade para que Ele desmantelasse as fortificações? Que relação há entre as procissões, com seus toques de trombeta, e o desmoronamento subsequente?
Pressupondo que eram um estratagema bélico, os exegetas têm procurado estabelecer um nexo entre esses desfiles e a vitória final. Assim:
1. Alguns apelam para o testemunho de cronistas da antiguidade, os quais referem que tropas assaltantes, em um ou outro caso, fizeram repetidos circuitos da cidade ou do acampamento sitiados, com o fim de ludibriar o inimigo. Eis, por exemplo, o que narra Sexto Júlio Frontino, autor da obra Stratagemata (catálogo de estratagemas) sob o Imperador Domiciano (81-96):
“Domício Calvino cercava na Ligúria a cidade de Luna, localidade defendida tanto por sua posição geográfica como por obras de fortificação. Muito frequentemente mandava que todas as suas tropas desfilassem ao redor da mesma, reconduzindo-as, a seguir, ao acampamento. Esta tática incutiu aos habitantes a convicção de que os romanos não queriam senão exercitar-se; visto então que negligenciavam o serviço de vigilância. Domício transformou essa espécie de passeata em ataque repentino. A cidade foi tomada, e os moradores se renderam”.
Merece atenção o fato de
que o autor refere este estratagema sob o título “De fallendis his Qui
obsidebuntur. Como se procede para enganar os que são sitiados”.18
Baseando-se neste
testemunho, julga o Pe. Abel O. P., professor da Escola Bíblica de Jerusalém,
que Josué recorreu a tática semelhante com a intenção de fazer crer aos
habitantes de Jericó que os seus planos eram pacíficos e não visavam um ataque
à cidade (em tempo de guerra justa, torna-se lícito o recurso não somente a
manobras cruentas, mas também às que enganam e desnorteiam o adversário).
É de notar, porém, que o ilustre exegeta, para construir a sua hipótese, é obrigado
a afirmar que as “passeatas” dos israelitas se realizavam em absoluto silêncio;
nem toque de trombeta nem clamor de guerra emanava de Israel, de sorte a não
provocar suspeita ou alarma na cidade de Jericó. E, a fim de inferir este traço
da narrativa bíblica, Abel, apelando para critérios filológicos, distingue dois
documentos, fontes do texto atual de Js 6, documentos dos quais o primeiro, o
“fundamental”, lhe parece narrar unicamente desfiles silenciosos !19
A sentença do Pe. Abel não deixa de ter autoridade. Contudo baseia-se num postulado que não pode ser estabelecido com segurança. É o que a torna discutível.
2. Há quem, apelando igualmente para a mentalidade e a praxe dos antigos, explique de outra maneira o valor bélico dos circuitos praticados pelos filhos de Israel. Em vez de tranquilizar os habitantes de Jericó, teriam tido por fim aterrorizá-los!… A ostentação da arca (quase “estandarte” da teocracia israelita) acompanhada pelos sacerdotes e os guerreiros, o toque das trombetas, o brado final deviam ser ritos aptos a impressionar os “supersticiosos” moradores de Jericó. Estes admitiam, sim, a existência de um Deus próprio dos israelitas, protetor poderoso desta gente; haviam ouvido falar dos prodígios realizados por Javé em prol dos hebreus na saída do Egito, na travessia do Mar Vermelho e no deserto; isto tudo os fazia temer (cf. Js 2, 8-11). Sobre este fundo, os desfiles dos israelitas podiam-lhes parecer equivalentes a uma tomada de posse do terreno em nome do Deus Forte de Israel; o número setenário (dos desfiles, dos dias de cerco), sendo símbolo de totalidade, devia insinuar a esses homens a ruína total que o pujante Senhor lhes destinava, condenando-os ao anátema. É preciso não esquecer que, para os antigos, a guerra era ação religiosa; junto com os povos que se defrontavam, julgavam que os respectivos deuses pugnavam entre si;20 ora no caso parecia que o Deus de Israel se anunciava mais forte que os deuses de Jericó, como se mostrara mais poderoso que os dos egípcios e de outras nações.
A sentença do Pe. Abel não deixa de ter autoridade. Contudo baseia-se num postulado que não pode ser estabelecido com segurança. É o que a torna discutível.
2. Há quem, apelando igualmente para a mentalidade e a praxe dos antigos, explique de outra maneira o valor bélico dos circuitos praticados pelos filhos de Israel. Em vez de tranquilizar os habitantes de Jericó, teriam tido por fim aterrorizá-los!… A ostentação da arca (quase “estandarte” da teocracia israelita) acompanhada pelos sacerdotes e os guerreiros, o toque das trombetas, o brado final deviam ser ritos aptos a impressionar os “supersticiosos” moradores de Jericó. Estes admitiam, sim, a existência de um Deus próprio dos israelitas, protetor poderoso desta gente; haviam ouvido falar dos prodígios realizados por Javé em prol dos hebreus na saída do Egito, na travessia do Mar Vermelho e no deserto; isto tudo os fazia temer (cf. Js 2, 8-11). Sobre este fundo, os desfiles dos israelitas podiam-lhes parecer equivalentes a uma tomada de posse do terreno em nome do Deus Forte de Israel; o número setenário (dos desfiles, dos dias de cerco), sendo símbolo de totalidade, devia insinuar a esses homens a ruína total que o pujante Senhor lhes destinava, condenando-os ao anátema. É preciso não esquecer que, para os antigos, a guerra era ação religiosa; junto com os povos que se defrontavam, julgavam que os respectivos deuses pugnavam entre si;20 ora no caso parecia que o Deus de Israel se anunciava mais forte que os deuses de Jericó, como se mostrara mais poderoso que os dos egípcios e de outras nações.
Assim os desfiles em torno de Jericó teriam desempenhado o papel de causar pessimismo psicológico e religioso aos assediados: quando no fim dos sete dias de estratagema, explorando este estado de alma, Josué soltou o brado de avanço, já não terá encontrado grande resistência por parte dos defensores da cidade.
Esta sentença não pode ser comprovada de maneira decisiva, como também nada de sério se lhe poderia objetar.
Caso se admita uma das duas hipóteses acima propostas, ainda fica margem para a pergunta: como se deu o assalto à cidade após a preparação psicológica dos sete dias?
Sem poder reconstituir o quadro com precisão, dada a escassez de dados, os exegetas por vezes sugerem um ou outro particular que a narrativa lhes parece oferecer:
a) os espiões que, antes do cerco da cidade, estiveram em Jericó (cf. Js 2) concluíram um pacto com a meretriz Rahab, cuja casa estava situada na periferia da cidade (cf. 2, 15). Esta mulher, crendo que realmente Javé havia de entregar Jericó aos hebreus, decidira salvar-se com os seus familiares, atraiçoando os concidadãos; terá, pois, prometido dar ingresso aos invasores pela sua casa, logo que se propusessem empreender o assalto… Para apoiar a tese, os estudiosos fazem notar a precisão de topografia e de sinais, a recomendação de silêncio, no diálogo travado entre Rahab e os exploradores (cf. 2, l5-2O);21
b) pode-se interpretar em sentido figurado o termo hebraico homah, geralmente traduzido por “muralha”. É, sim, com valor metafórico que ele ocorre, por exemplo, em 1Sm 25, 16.22 Significaria então a guarnição militar, os homens que montavam a guarda às portas de Jericó. Estes, e não as muralhas, teriam caído… isto é, desfalecido de terror após o estratagema de Josué; teriam capitulado, permitindo o ingresso na cidade sem desferir algum golpe. Entrando em Jericó, os invasores lhe teriam ateado fogo, pou¬pando apenas a casa de Rahab, posta no perímetro das muralhas; 23
c) o toque diário de trombetas teria sido um artifício para prender a atenção dos habitantes de Jericó, enquanto operários israelitas cavavam galerias debaixo das muralhas de Jericó; uma vez terminados os trabalhos, o brado mais forte teria sido sinal para que pusessem fogo à armação de madeira que sustentava os muros e se retirassem; o pânico teria então irrompido em Jericó. Aproveitando-se da situação confusa e das ruínas causadas pelo incêndio, os filhos de Israel teriam conseguido penetrar na cidade. 24
3. Estas diversas conjecturas formuladas para explicar os desfiles dos israelitas como estratagema bélico, embora muito eruditas, não possuem senão o valor de suposições mais ou menos fundadas no texto e na arqueologia. Não se pode insistir sobre o papel estratégico de tais procissões. Uma consideração mais atenta dos trechos sagrados insinua que o seu significado primordial é de outra ordem: é significado religioso, não militar. Com efeito, eis os termos com que, no fim da Escritura, o Apóstolo de Cristo se refere ao episódio:
“Foi pela fé que os muros de Jericó desmoronaram, depois de se lhes haver dado a volta durante sete dias”. (Hb 11, 30)
Esta breve frase estabelece um nexo entre a fé dos israelitas e a conquista de Jericó; foi aquela que de Deus obteve esta. Verdade é que entre a atitude de fé dos hebreus que assediaram Jericó e a conquista da cidade medearam os desfiles de sete dias. Tais cerimônias foram prescritas pelo Senhor, não, porém, como se Javé visasse ensinar aos seus fiéis um estratagema bélico, a manobra adequada….; foram inculcadas primariamente para que os filhos de Israel tivessem ocasião de exercer a sua fé; praticando aqueles artifícios (cujo valor militar é incerto e não importa muito no caso), os hebreus, antes do mais, professavam crer no Auxílio de Deus, que dispensa máquinas de guerra desde que Ele queira realizar algum desígnio. Depois de ter experimentado essa fé, o Senhor recompensou-a com retumbante vitória.25
Firme este princípio básico para a interpretação do episódio, não nos seria lícito fechar os olhos a ulteriores considerações: é bem possível que, para entregar Jericó aos israelitas em prêmio de sua fé, o Senhor se tenha servido de causas segundas. Bons autores pensam que permitiu um terremoto em momento oportuno,26 à semelhança do que se verificou posteriormente numa batalha contra os filisteus.27 Não terá dispensado de pequenos combates o exército de Josué; a estes alude Js 24, 11. 28 O clamor proferido pelo povo israelita imediatamente antes de assaltarem a cidade parece não ser senão a terou´a ou o brado de ataque que marcava o início das batalhas de outrora.29 Nem se exclui a ação devastadora da sede na cidade cercada, pois a única fonte de abastecimento pode ter estado fora dos muros do reduto, como às vezes acontecia (cf. Jt 7, 6). Em suma, é de crer que o texto do livro de Josué não nos refere a história completa da tomada de Jericó, mas se restringe ao episódio que realçava a influência do fator “fé” na campanha bélica.
Quanto à arqueologia, as escavações levadas a efeito desde 1908 no local da antiga cidade fizeram ver que a muralha de Jericó construída após 1600 a.C. sofreu destruição; o seu lado oriental foi mesmo totalmente arrasado. Os arqueólogos discutem sobre a época precisa em que se deu o desastre, embora o assinalem geralmente ao intervalo que corre entre 1400 e 1200 a.C. (ora Josué tomou Jericó por volta de 1200 a.C.)
Em conclusão: as manobras dos hebreus em tomo de Jericó têm primariamente o significado de um testemunho da fé que Deus exigia de seu povo; a sua finalidade imediata era provocar um bem de ordem espiritual numa gente rude como Israel, ou seja, excitar uma sincera atitude religiosa perante o verdadeiro Deus. A resposta do Senhor ao seu povo consistiu certamente numa intervenção poderosa, portentosa, cujos pormenores não podemos descrever com exatidão, visto que o texto sagrado não fornece os elementos para isto.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Existem seres extraterrestres?
Algumas pessoas nos perguntam se existem ETs, seres de
outros planetas ou galáxias. Este é um assunto que a Igreja não fala sobre e
deixa para os cientistas da astrofísica e astronomia falarem do assunto. Já
sabemos que em nosso sistema solar não há vida humana, nem mesmo vida animal e
vegetal.
O Dr. Marcelo Gleiser, que é professor de física teórica no
“Dartmouth College”, em Hanover (EUA), e autor de “Criação Imperfeita”.
(Facebook: goo.gl/93dHI), escreveu recente matéria no jornal Folha de São Paulo
(14/7/2013), intitulada “Sobre visitas de extraterrestres”, que esclarece um
pouco o assunto, e mostra a dificuldade dos ETs, se existem, chegarem a nós.
Ele pergunta: “Será razoável supor que tenham [os ETs] feito o esforço para
chegar até aqui e se esconder como luzes nos céus?”.
Ele mostra que o grande desafio de viagens interestelares
são as distâncias gigantescas, o que dificultaria um ET chegar até nós se ele
fosse de outra galáxia, ou mesmo que fosse de nossa Via Láctea. Por quê?
O Sol está a aproximadamente oito minutos-luz da Terra; isto
é, se alguém viajasse com a velocidade da luz (300.000 km/s), demoraria oito
minutos para cobrir os 150 milhões de quilômetros que nos separa do Sol.
Para se chegar às estrelas mais próximas de nós, a
constelação do Centauro, seria preciso viajar quatro anos na velocidade da luz.
Com a espaçonave mais rápida que temos, que viaja a 50.000 km/h, demoraríamos
cerca de 100 mil anos para chegar nas estrelas mais próximas de nós!
Seria, portanto, muito difícil que os ETs, se existissem,
chegassem a nós. Einstein mostrou que é impossível alguém viajar na velocidade
da luz. Os cientistas sérios nunca descobriram ETs que chegaram a nós. O Dr.
Marcelo Gleiser diz que, em 1950, o físico Enrico Fermi “fez um cálculo
mostrando que, se inteligências capazes de viagens interestelares existem na
nossa galáxia, teriam já tido tempo de sobra para colonizá-la. “Onde estão
eles?”, perguntou-se.
O pesquisador, Dr. Fermi, colocou um Paradoxo: “nossa
galáxia tem 10 bilhões de anos e 100.000 anos-luz de extensão. Vamos supor que
uma inteligência surgiu em algum canto um milhão de anos antes da gente, o que
é bem razoável, considerando que a galáxia tem 200 bilhões de estrelas e
possivelmente trilhões de planetas e luas. Esses seres do planeta Yczykx têm
espaçonaves que viajam a velocidades de 10% da velocidade da luz. Ou seja, em
um milhão de anos, poderiam ter viajado de ponta a ponta da galáxia, incluindo
várias passagens pela Terra. Se tivessem surgido não um, mas 10 milhões de anos
atrás, poderiam ter colonizado a galáxia inteira. E certamente não nos
contataram de forma direta e clara”. Isto mostra que dificilmente os ETs
cheguem a nós caso existam. Portanto, até hoje não há confirmação da existência
de ETs.
Dr. Gleiser diz que “das várias explicações para luzes
estranhas nos céus, as mais plausíveis – fenômenos atmosféricos, balões de
pesquisa etc.- , mesmo que menos dramáticas, são muito mais realistas”.
sábado, 14 de novembro de 2015
Caminhos para o discipulado
"O Senhor Deus deu-me uma língua habilidosa para que
aos desanimados eu saiba ajudar com uma palavra. Toda manhã ele desperta meus
ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção. O Senhor Deus abriu-me
os ouvidos, e eu não fiquei revoltado, para trás não andei" (Is 50, 4-5).
Tornar-se discípulo do Senhor! Este é um desafio que suscitou o seguimento aos
profetas que punham sua boca e sua inteligência à disposição de Deus, para
abrir os caminhos de Deus para seu tempo. Jesus, Salvador e Senhor, escolheu
discípulos que foram por ele enviados, de acordo com as tarefas que se abriam
no grande horizonte da evangelização, fazendo-os assim missionários.
A Igreja, em nosso tempo, especialmente à luz do grande
Documento da V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe,
realizada em Aparecida - SP, tem buscado os caminhos para que o cristãos se
formem como discípulos verdadeiros, que se sintam também missionários, pois não
é possível separar as duas realidades. Bento XVI nos recordou que “o discípulo,
fundamentado na rocha da Palavra de Deus, sente-se motivado a levar a Boa Nova
da salvação a seus irmãos. Discipulado e missão são como os dois lados de uma
mesma moeda: quando o discípulo está enamorado de Cristo, não pode deixar de
anunciar ao mundo que só ele salva (cf. At 4,12). Na realidade, o discípulo
sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”
(Documento de Aparecida, 146).
Aqueles que foram escolhidos por Jesus percorreram várias etapas
em sua formação. Descobriram-se amigos, chamados pelo nome, amados por Jesus,
que lhes ia ao encontro com misericórdia, corrigidos por ele em sua
imaturidade, ajudados a superar as dificuldades, para o seguirem com
radicalidade. Foram por ele enviados às primeiras experiências missionárias. Ao
retornarem, as lições se desdobram: “Os setenta e dois voltaram alegres,
dizendo: Senhor, até os demônios nos obedecem por causa do teu nome. Jesus
respondeu: Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de
pisar em cobras e escorpiões, e sobre toda a força do inimigo. Nada vos poderá
fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós.
Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos nos céus” (Lc 10,
17-20). Não podem acostumar-se com o elogio fácil e aparente, mas haverão de
apegar-se a valores consistentes, que não podem ser destruídos.
O Evangelho de São Marcos (10, 46-52), proclamado neste
final de semana em nossas celebrações eucarísticas, descreve uma etapa preciosa
da formação ao discipulado, quando chegam com Jesus a Jericó, depois de fazerem
um caminho ao longo do Jordão, vindos da Galileia. Curioso é que intervém uma
figura que não fazia parte do grupo escolhido inicialmente por Jesus. Chama
atenção o fato de que ele tem nome, Bartimeu, o filho de Timeu. Mendigo, cego,
morador de Jericó, ele se torna o modelo do discípulo. No Evangelho, pobre tem
nome e é importante!
Um homem que vivia na escuridão de sua cegueira, tendo
ouvido falar de Jesus, pergunta a respeito do ruído que se espalhava pela
cidade. Jesus se transforma na grande oportunidade para sua vida: “Jesus, filho
de Davi, tem piedade de mim”. Descobre que Jesus é a sua esperança! Não pode
desperdiçar esta oportunidade! Do mais profundo da vida de cada pessoa, emerge
o grito e o desejo de conhecer Jesus, quem sabe no meio de tanta confusão. O
discípulo é parecido com as outras pessoas. Não é melhor do que ninguém, mas é
capaz de gritar! Podem criticá-lo, mas Bartimeu aposta tudo e não faz caso das
reprovações circunstantes.
Nós também, muitas vezes temos os olhos e o coração
fechados. Jesus passa pelo caminho e, do mais profundo do abismo (Cf. Sl 129)
pode subir ao Senhor nosso clamor. Podem começar as dificuldades, pois os
cegos, os coxos e aleijados de sempre encontram muitas vozes que querem abafar
o grito. Pode ser a própria sociedade ou o ambiente que nos desviam, até para
que não incomodemos Jesus. Ou, quem sabe nosso comodismo, os hábitos adquiridos
ou outros impedimentos nos fazem calar a boca. O discípulo autêntico começa com
um clamor pela verdade e pela liberdade verdadeira!
Quem não escuta a voz das turbas, mas deixa vir à tona o
grito pela verdade, quem for constante na busca do Senhor, insistindo para
encontrar o Senhor, vai fazer Jesus parar nas estradas de Jericó. Apesar das
dificuldades externas, a oração do cego foi ouvida, mesmo quando aparentemente
Jesus está em silêncio, não fala nada, apenas caminha. É que o Senhor, tendo
ouvido desde o princípio o clamor do cego, quer vê-lo insistente e corajoso!
Depois Jesus parou, como faz sempre diante de qualquer pedido confiante.
Chamaram o cego: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama”. Bartimeu jogou fora o
manto! Afinal, a vida agora será outra! E com um pulo se apresenta diante do
Senhor! Trata-se do salto a ser dado corajosamente pelo discípulo, na direção
do Senhor. Uma veste nova, presente de Batismo, é o sinal da novidade para cada
discípulo de todos os tempos!
Cegos ou não, temos desejos profundos a ser apresentados ao
Senhor, e ele não os despreza: “Mestre, que eu veja!”. Os discípulos encontram
mestres e não apenas professores. Mestre atrai, arrasta as pessoas para
compartilharem de sua vida. O milagre que se segue é o encontro daquele que
busca com o único que pode dar respostas. “Vai, a tua fé te salvou!”. Pediu a
cura dos olhos e encontrou a salvação. O mendigo se faz discípulo missionário,
seguindo Jesus pelo caminho, e nunca se esquecerá do Senhor. Certamente vamos
encontrá-lo no Céu, entre santos cujos nomes não foram divulgados.
Roteiro de vida para os discípulos de hoje: gritar, pular,
largar o manto, dizer o que quer, confrontar-se com o Senhor, deixar-se
envolver pelo manto da vida nova que vem da fé, continuar na estrada de Jesus
para a Jerusalém da morte e da ressurreição, sair pelo caminho contando o que
lhe aconteceu.
Aqui está nosso desafio fundamental: promover e formar
discípulos que respondam à vocação recebida e comuniquem em todas as partes,
transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo. Não
temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra
prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para
que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e
comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o
melhor serviço que a Igreja tem que oferecer às pessoas e nações (Cf. Documento
de Aparecida, 14).
Dom Alberto Taveira
Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará - Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Postura e os gestos na Santa Missa
Postura
A Liturgia é feita de gestos e símbolos. Dizia-nos o papa
Paulo IV sobre a postura: “Talvez vos possa parecer que a Liturgia está feita
de coisas pequenas: atitudes do corpo, genuflexões, inclinações de cabeça,
movimentos do incensório, do missal, das galhetas. É então que se devem
recordar aquelas palavras do Cristo no Evangelho: quem é fiel no pouco sê-lo-á
no muito (Lc 16, 16). Por outro lado, nada é pequeno na Santa Liturgia, quando
se pensa na grandeza daquele a quem se dirige”. A imagem é bastante clara, toda
e qualquer ação litúrgica não está em seu lugar por um mero acaso, ao
contrário, está naquele momento e é daquela forma porque a Igreja entende que é
assim, e não de qualquer outra forma, que se pode mais facilmente elevar ao
alto nossos corações ao encontro de Deus.
O Missal Romano, de uma forma bastante sucinta e direta,
diz-nos que todos os gestos e posturas devem ser realizados com a simplicidade
e nobreza que são característicos do Rito Romano e que eles sejam capazes de,
ao serem realizados com a simplicidade e nobreza que são características do
Rito Romano e que eles sejam capazes de, ao serem realizados, ajudar o
entendimento daquilo que se celebra e, ao mesmo tempo, que melhor possamos
celebrá-lo.
Normalmente, os gestos e posturas são realizados por todos
(seja por toda a Assembleia ou por todos os que estão no Presbitério – como é o
caso de estar de mãos-postas) e isso, igualmente, indica a profunda unidade que
toda a Assembleia reunida como Corpo Místico de Cristo deve possuir em seu seio.
Mãos postas ou juntas
Ter as mãos postas é o que poderíamos chamar de postura
padrão do Presbitério e faz parte da prática tradicional do Rito Romano desde
há muitos séculos, mesmo que o Missal Romano não o cite como exemplo ao falar
das práticas tradicionais, a posição é citada no Cerimonial dos Bispos. As mãos
ficam juntas, palma com palma, os dedos juntos, sendo o polegar direito acima
do polegar esquerdo em forma de cruz. Todos aqueles que estão no Presbitério, a
não ser que o Rito especifique o contrário (por exemplo, os padres
concelebrantes no momento da “Consagração” ou o Bispo ao levar o báculo), devem
manter-se assim. A postura deve ser observada tanto ao andar do Presbitério,
como ao permanecer nele. Essa postura só não será esteticamente bonita se for
realizada de forma forçada ou com desleixo.
Sempre que uma das mãos está ocupada e outra livre, a livre
vai para o peito (a não ser na “Oração Eucarística”, onde a mão esquerda
encostará no Altar).
Estar sentado
Estar sentado é uma forma de mostrar atenção. Normalmente,
senta-se de costas ereta na cadeira, mas sem parecer que o gesto é forçado, com
as palmas das mãos sobre os joelhos. É esteticamente belo e faz parte da
Tradição da Igreja, o Cerimonial dos Bispos o indica para o bispo quando ele não
segura nada, logo, acaba aplicando-se a todos os que estão no Presbitério
estando ou não o Ordinário presente.
O sinal da cruz
O sinal da cruz é feito com calma, leveza e beleza. Para
fazê-lo a pessoa colocará a mão esquerda sobre o peito e traçará a cruz sobre
si com a mão direita, sobre a testa e o peito, ombro esquerdo e ombro direito,
juntando, em seguida, as mãos novamente.
Durante o “Evangelho” há ainda a repetição do sinal da cruz
por duas vezes. Uma é feita no livro (lecionário ou Evangeliário), com a mão
direita sobre a cruz do início do texto, enquanto a mão esquerda está junto ao
peito. O outro é feito por todos, de modo suave e calmo, na forma de três
cruzes: na testa, nos lábios e no peito.
Por fim, o sacerdote traça o sinal da cruz sobre o povo ao
abençoá-lo. Neste caso, a mão esquerda repousa sobre o peito e a direita
abençoa traçando o sinal da cruz em direção a aqueles que serão abençoados.
Cabe lembrar que apenas o bispo pode realizar a benção fazendo três cruzes.
Reverência
Na Forma Ordinária do Rito Romano a Reverência é bastante
simples, mas um pouco relegada a segundo plano. Existem dois tipos e a cada um
deles se atribui a reverência e a honra a quem recebe a inclinação.
A Inclinação de cabeça, ou seja, uma leve inclinação apenas
de cabeça, faz-se ao nomear as três pessoas da Santíssima Trindade (“Glória ao
Pai…”); aos Santos Nomes de Jesus (acompanhado ou não com “Cristo”, mas não
apenas a “Cristo”), de Maria e do santo da qual se celebra a festa, solenidade
ou memória, seja na Santa Missa ou na Liturgia das Horas.
A Inclinação de corpo é mais profunda, curvando-se a cabeça
junto com os ombros de modo profundo e mantendo as mãos postas. Ela faz-se ao
Altar, ao chegar e ao sair do Presbitério, além de ao passar diante do Altar, o
sacerdote o faz a algumas orações (“Ó Deus todo poderoso, purificai-me…” e “De
coração contrito e humilde…”) e no Cânon Romano (ao dizer “Nós vos
suplicamos…”); todos o fazem no “Símbolo” as palavras “E se encarnou…” ou
“nasceu da Virgem Maria”; o diácono o faz ao pedir a benção para proclamar o
Evangelho. Se os fiéis ficaram de pé durante a Consagração, fazem inclinação
profunda durante ou depois de cada uma delas, também eles o fazem ao receber a
benção solene, possivelmente com o convite do diácono. Os sacerdotes
concelebrantes realizam na Consagração, enquanto o sacerdote celebrante
genuflete. Ela é realizada, igualmente, antes e depois de se incensar pessoas e
objetos. Faz-se, sempre, ao bispo, seja ao aproximar-se, deixa-lo ou passar por
ele.
Cabe aqui ressaltar algo, se está o bispo sentado atrás do
Altar, onde normalmente está a Cátedra ou a Cadeira, a reverência é feita a
quem a pessoa se dirige, por exemplo, se dirige ao bispo, reverencia-o e não ao
Altar. Para evitar conflitos de reverência, deve-se evitar passar em frente ao
bispo (logo, entre ele e o Altar) quando a disposição do Presbitério for a
citada acima, para que haja, igualmente, um respeito guardado aos dois.
Genuflexão
A genuflexão é o ato de tocar o solo com o joelho direito,
mantendo o esquerdo dobrado e significa adoração. Faz-se, sempre, ao Santíssimo
Sacramento. Se há Tabernáculo no Altar se faz genuflexão ao entrar e sair do
Presbitério, porém, não durante a Missa, ou seja, faz-se genuflexão apenas ao
se aproximar do Presbitério no início da Missa e ao deixá-lo no final, não se
faz durante a Missa, logo, quem se aproxima do Presbitério, por exemplo, para
proclamar uma Leitura, fará apenas a reverência devida ao Altar. Se se passa
processionalmente de frente a um Tabernáculo, não se faz genuflexão.
Caminhar
Caminhar, especialmente de modo processional, é muito
importante no Rito Romano e deve-se saber como fazê-lo. Normalmente, caminha-se
com as mãos postas, sem pressa e mantendo-se certa distância daquele que está a
sua frente. O mesmo diz-se de quando se anda, por exemplo, no Presbitério,
deve-se fazê-lo com calma e de modo ordenado, sem demonstrar pressa, mesmo que
se tenha algumas vezes.
Oscular
Oscular é um ato que demonstra mais que a simples veneração
que, por exemplo, exercemos ao realizarmos uma reverência. É um leve tocar de
lábios no objeto que queremos reverenciar. Realiza-se poucas vezes na Liturgia,
sendo que demonstra a grande veneração que merecem o Altar e o Evangeliário,
dependendo do Tempo Litúrgico também a Cruz.
Incensar
Não se deve pensar que o ato de incensar seja supérfluo, ao
contrário, deve-se ter um manejo com o turíbulo evitando vários problemas com
isso. Em uma Celebração da Santa Missa, normalmente, usa-se incenso ou
incensa-se: a “Procissão de Entrada”, a Cruz e o Altar, a “Procissão do
Evangelho”, as oferendas e o Povo e as Espécies Consagradas na “Consagração”.
Na Liturgia das Horas celebrada de forma solene incensa-se o Altar quando
entoa-se o “Cântico Evangélico”. Da mesma forma, na Exposição Solene do
Santíssimo Sacramento se deve usar sempre o turíbulo.
Em si, o turíbulo é composto de uma base fixa presa a três
correntes, de uma parte móvel – que chamamos de opérculo – que desliza sobre as
correntes, e uma parte fixa no topo destes, de onde saem as correntes, que
chamamos de cápsula. Existe uma arte de incensar, devendo-se fazê-lo com calma
e leveza e é apropriado que todos aqueles realizam as incensações e tomam parte
como turiferário na santa liturgia pratiquem o ato de incensar, até encontrar a
graça e beleza necessária nesta função.
Para a Santa Missa, dependendo do carvão usado, deve-se
começar a preparar o turíbulo até vinte minutos antes da celebração. Se o
carvão for especial, cerca de dez minutos são suficientes, porém, se o carvão
não for apropriado (ou seja, normalmente o carvão vegetal comum), deve-se
começar a sua preparação com bastante antecedência. Para o início da
celebração, as brasas devem estar de tal forma que queimem o incenso
imediatamente ao deitarem-no nelas. Durante a Celebração, pode-se ser
necessário trocar ou colocar mais brasas nele, por isso, é necessário, e parece
ser mias simples, se fazer as brasas em um recipiente a parte do turíbulo e ir
colocando mais nele conforme a necessidade. Na Santa Missa, especialmente, pode
haver a necessidade de mais brasas entre as incensações do “Evangelho” e do
“Ofertório”. O turiferário deve ficar atento em relação a isso, evitando
surpresas desagradáveis (como carvões que não queimam o incenso, apenas cinzas
sem brasas ou turíbulos que soltam labaredas).
Existem dois movimentos do turíbulo que denominamos “ducto”
e “icto” e cada um deles é usado em determinado momento da Celebração. O ducto
é o movimento de balançar o turíbulo duas vezes. Na Celebração pode-se incensar
com dois ductos ou três, dependendo da situação. Incensa-se com dois ductos: as
relíquias e imagens de Santos expostos à pública veneração, porém, aquelas
imagens que contém a imagem de nosso Senhor o são incensadas com três. Com três
ductos são incensadas o Santíssimo Sacramento, a relíquia da Santa Cruz e
imagens do Senhor solenemente expostas, as oferendas, a cruz do alto, o livro
dos Evangelhos, o círio pascal, o Presidente da celebração, os concelebrantes,
o coro, o povo e o corpo de defunto.
Já o icto é o movimento do turíbulo balançado apenas uma vez
em direção a um objeto e usa-se duas vezes na Missa: quando se incensa o Altar,
fazendo-se com ictos sucessivos.
Há sempre duas normas a serem realizadas antes da
incensação: o sacerdote sempre que depõe incenso no turíbulo o abençoa com o
sinal da cruz sem nada dizer; sempre que se aproxima ou se se retira para
incensar um objeto ou pessoa, faz-se uma reverência profunda a ele, porém, não
se faz reverência ao Altar ou as oferendas.
Normalmente, o turíbulo é apresentado para que lhe deitem
incenso de tal forma que facilite o ato, ou seja, que nenhuma corrente
atrapalhe o mesmo. Assim, faz-se, normalmente, o seguinte: o turiferário, tendo
o naviculário (vulgarmente chamado de “naveteiro” no Brasil) com a naveta
aberta a sua esquerda, abre o turíbulo puxando o cadeado do opérculo para cima
com a mão direita, com a mão esquerda junto ao peito, ele segurará a cápsula ou
pouco abaixo dela, enquanto que com a mão direita segurará os cadeados, as
correntes, que sustentam a base. Tendo aberto o turíbulo, o turiferário o
coloca na direção e altura necessária para que seja imposto incenso nele, com o
cuidado de que nenhuma corrente atrapalhe (por estar no meio, ou possa bater)
na colher. O sacerdote ou o bispo imporá incenso no turibulo, tomando a colher
e deitando-o, tradicionalmente, três vezes. O turiferário manter-se-á assim até
o incenso tenha sido abençoado, depois, ele descerá com calma a corrente do
opérculo, mantendo-o pouco aberto, mudando de mão a cápsula, se necessário
(como o será, por exemplo, na “Procissão de Entrada”).
Nas procissões, o turíbulo vai à mão direita, balançando-se
para frente e para trás do lado do corpo do turiferário, enquanto a mão
esquerda fica na altura do peito; neste caso, o naviculário carregará a naveta
do lado esquerdo do turiferário, mantendo-a fechada. Dependendo da igreja ou
dos costumes, ele pode ser usado não de forma paralela, mas quase diagonal ao
corpo. De modo tradicional e, normalmente quando há diáconos presentes que
servirão junto ao turibulo, pode-se, inclusive ter-se apenas uma pessoa que leve
o turibulo e a neveta, neste caso: o turiferário carregará com a mão direita o
turibulo, tendo o polegar na argola maior e o médio na argola menor da corrente
e sem mover o braço ou corpo, balançando-o diagonalmente em relação a si,
enquanto que, com a mão esquerda no peito, segurará a base da naveta.
Para se incensar algo com ductus, normalmente procede-se
assim: o turiferário abre um pouco o turíbulo puxando o opérculo para cima com
a mão direita, com a mão esquerda junto ao peito ele segurará a cápsula,
enquanto que com a mão direita ele segura as correntes que sustentam a base e,
consequentemente, o opérculo que estará pouco acima dela. Ele erguerá o
turibulo a altura dos olhos e realizará as duas balançadas do mesmo. Se for
necessário incensar-se três vezes com ductus (como no Evangelho ou à cruz), não
se precisa descer o turíbulo a cada ductus, apenas dá-se uma pausa entre cada
um deles.
Para se entregar o turíbulo para alguém, tomando-se que
todos são destros, normalmente faz-se assim: a mão esquerda segurará o topo da
cápsula e a direita o topo do opérculo, assim, o diácono ou sacerdote que for
recebe-lo já o receberá de tal forma que poderá começar a incensar normalmente,
sem precisar trocar de mão. Para receber, faz-se o procedimento acima, recebendo
com as mãos opostas.
Tradicionalmente, incensa-se também em ordem, primeiramente
o centro, depois à esquerda e a direita.
Braços abertos
Quando falamos de braços abertos aqui, estamos falando da
posição da oração do sacerdote celebrante, principalmente. É a posição das
imagens “Orans” em iconografia cristã primitiva: uma mulher com as mãos
erguidas em oração. Não existe uma postura padrão em relação a ela, apenas
deve-se evitar exageros ou minimalismo. Abre-se os braços, normalmente com as
palmas das mãos voltadas uma em direção a outra, de uma forma natural e
singela.
Mãos estendidas
Já a posição de ter as mãos estendidas é quando as
direcionam a um objeto ou a uma pessoa. Neste caso, os braços são estendidos
sobre o objeto com as palmas das mãos voltadas a ele, como, por exemplo, no
caso da epiclese antes da Consagração.
A voz
Quando falamos da voz do leitor ou daquele que lê e proclama
um texto (o diácono ou o sacerdote, por exemplo) e, também, a do cantor, o mais
importante é que ela deve ser clara. O sacerdote, por seu ministério, deve ler,
recitar, ou cantar as partes da Santa Missa que lhe cabem com voz alta e clara,
a não ser que as rubricas indiquem o contrário, por exemplo, quando realiza-se
o “Ofertório”. Neste caso, as orações ditas pelo sacerdote em segredo acabam
por não passar de sussurros, porém elas devem ser recitadas vocal e não apenas
mentalmente, mesmo que apenas o sacerdote a ouça. Sempre que o sacerdote fala
em alta voz os instrumentos devem calar.
O silêncio
Uma forma bastante eloquente de se poder ter um encontro
pessoal e intimo com o Senhor é o próprio silêncio. Se a música é uma forma de
ultrapassar as limitações que a própria fala nos traz no encontro com o Senhor,
o silêncio é uma forma de saber que, muitas vezes, nem nossos cantos ou nossas
palavras são suficientes no encontro com o nosso Deus. A calma deve
transparecer na celebração, fazendo com que pelo canto, pela fala e pelo
silêncio todos possam ser conduzidos a uma participação espiritualmente ativa e
frutuosa, incluindo aqui a meditação pessoal do Mistério que é celebração. A
começar, o Missal pede que haja silêncio na igreja antes do início da
celebração, para propiciar um clima de oração.
O silêncio servirá de muito na Santa Missa: no “Ato
Penitencial” ele ajudará e levará ao recolhimento e reconhecimento das próprias
faltas, entre as “Leituras” ele levará a meditação do que foi proclamado, no
pós-Comunhão ele será uma forma de encontro profundo e repleto de alegria ao
Cristo que acaba de ser recebido.
Infelizmente, existe uma tendência a um excessivo ruído nas
Celebrações Eucarísticas. Além de se cantar tudo o que é possível (algumas
vezes com alterações grotescas de letras musicais ou sentidos), costuma-se
cantar o que não existe e se evitar qualquer momento de silêncio. Isso deve vir
de um mal entendimento da participação ativa, não como uma participação
frutuosa para a alma (que demanda o uso de voz, mas também a interiorização
pelo silêncio), mas um excessivo “agir”: canta-se, pula-se, grita-se, cai-se ao
chão, porque, para alguns, o silêncio seria um forma de negar a participação.
Esta mentalidade deve ser combatida duramente, especialmente com a catequese,
para se entender não apenas a importância do silêncio, mas a sua necessidade
para se aprofundar verdadeiramente no encontro com o Senhor.
Para refletir: Certa vez, disse um padre na homilia, que
nosso Senhor é muito bem educado, Ele só irá falar quando fizermos o silêncio
para escutá-lo.
A memorização
Na Santa Missa, tanto o sacerdote como o diácono realizam
orações conhecidas como “secretas”, que são orações pessoais e rituais ditas em
voz baixa. Normalmente, essas orações estão presentes no Missal Romano, mas
também é bom que se as saibam de memória.
Ao sacerdote, seria bom que ele soubesse a oração ao pedir a
benção para proclamar o Evangelho (no caso de uma concelebração com o bispo):
“Dá-me a tua…”; a antes da “Proclamação do Evangelho”: “Ó Deus todo-poderoso…”
e ao beijá-lo: “Pelas Palavras…”; ao deitar água no vinho: “Por esta água…”;
também as do “Ofertório”: “Bendito sejais…”; da “Purificação das mãos”:
“Lavai-me, Senhor…”; a oração ao realizar a partilha do pão e coloca-lo junto
ao vinho: “Esta união…”; a antes de sua Comunhão: “Senhor Jesus Cristo Filho…”
e a sua opção: “Senhor Jesus Cristo, o vosso…”; as da sua Comunhão: “O Corpo de
Cristo…” e “Que o Sangue…”; a da purificação do cálice: “Fazei, Senhor…”.
O diácono deve saber a oração ao pedir a benção antes do
Evangelho: “Dá-me a tua…”; a antes de proclamá-lo e ao beijá-lo: “Pelas
palavras…”; ao preparar o cálice deitando-lhe água: “Pelo mistério desta…”.
Retirado do livro: Entrarei no Altar de Deus, Michel
Pagiossi Silva, Ed. Cultor de Livros
sábado, 7 de novembro de 2015
Breve reflexão sobre as virtudes cardeais
Penso que, como simples amostra, podem-nos ajudar algumas
pinceladas sobre as quatro virtudes cardeais. Serão rápidas, impressionistas, e
mostrarão apenas umas poucas moedas do tesouro riquíssimo que guarda cada uma
delas.
Prudência. Como ajuda e enche de segurança ter
um pai que seja alegre, sensato e reflexivo! Que não improvise. Que não dê
decepções a toda a hora, mudando de planos sem mais nem menos. Que não dê
sustos por ter-se esquecido de controlar as contas bancárias, ou os prazos
disto ou daquilo; que não precise ouvir aquelas palavras do Paraíso de Dante:
Siate, cristiani, a muovervi più gravi: non siate come pena ad ogni vento…
(“Caminhai, cristão, com mais ponderação: não sejais qual pena movida por qualquer
vento…”).
Justiça. Como faz bem aos filhos ter um pai e
uma mãe que cumprem o que prometem! Que não se desdizem, porque ficou mais
difícil aquele passeio com os filhos e estão cansados e são comodistas. Que não
tratam os filhos como números, com ordens genéricas, iguais para todos, como se
o lar fosse um quartel, mas, como pede a justiça, tratam desigualmente os
filhos desiguais (logicamente, não por mimo ou preferências injustas). Que, se
fazem uma repreensão justa e prometem um pequeno ou médio castigo (castigo
grande quase nunca se justifica), não amolecem, mas cumprem, sem deixar de
cercar o filho punido da certeza de que é muito amado e só se quer o seu bem.
E fazem bem aos filhos outras “justiças” menores do
cotidiano. Por exemplo, saber que os pais não se aproveitam nunca de um troco
errado (devolvem ao caixa a diferença), nem dão jeitos para enganar e deixar de
pagar uma entrada, que qualquer pessoa honesta paga.
Fortaleza. Bastaria lembrarmo-nos da mãe que
admirávamos há pouco. Mas é também um exemplo maravilhoso viver num clima
familiar em que não se ouvem queixas nem reclamações. Em que ninguém se julga
mártir ou vítima. Em que o pai, exausto, é capaz de ficar brincando com os
filhos, interessando-se pelas suas pequenas problemáticas ou pelos seus sonhos
e alegrias, e tudo isso sabendo oferecer a todos um sorriso afável, no meio da
pena ou do esgotamento. Pais que sempre projetam a bela luz da paciência e da
constância.
Temperança. Que grande exemplo dão os pais que
nunca são vistos, nem dentro nem fora de casa, nem nos dias de trabalho nem aos
domingos, e feriados, abusando da comida e da bebida! Que não se iludem,
achando que vão enganar os filhos dizendo-lhes que se trata só de um
“aperitivo” ou uma “cervejinha” de que precisam muito porque andam fatigados e
faz bem para a saúde, quando os filhos os veem claramente “altos”, com a voz
gosmenta e as pernas bambeando por excesso de álcool. Pelo contrário, como toca
o coração ver uma mão que habitualmente “gosta” do pedaço de carne que tem mais
nervos e gorduras, ou ver o pai que “gosta” do cinema que a mãe adora…, mesmo
em dias em que joga o seu time.
E a temperança na TV e na Internet? Acham que os filhos são
tolos? Em matéria de informática, quase sempre dão um solene “chapéu” nos pais,
e descobrem muito facilmente – pois ainda não aprenderam a viver a virtude da
discrição e a controlar a curiosidade – a quantidade de sites inconvenientes
que o pai visitou, como se fosse um adolescente com obsessão sexual neurótica.
E em matéria de humildade, que São Tomás de Aquino situa no
âmbito da temperança? Como se nota a falta de humildade e como faz mal! Por
isso, é tão formativo que os filhos percebam que os pais não se deixam arrastar
por mesquinharias de susceptibilidade, por mágoas persistentes, por rancores e
incapacidade de perdoar. Que nunca vejam os pais virando o rosto para ninguém,
nem dominados por espírito de revide e vingança, nem com raiva do cunhado que
fez isso ou da tia que fez aquilo…
Virtudes humanas! São tantas as que os pais deveriam cultivar,
como uma lâmpada que brilha em lugar escuro… (1Pe 1, 19)! Cultivar virtudes e
ensiná-las aos filhos, com a autoridade moral que dá o exemplo, é um
empreendimento árduo, mas é decisivo, e, por isso, deve ser enfrentado pelos
pais (tendo uma intensa vida interior, muita formação cristã, exame de
consciência todas as noites, direção espiritual, etc.), e, com a graça de Deus,
deve ser levado a termo. Oxalá os filhos, quando crescerem, possam dizer que
nunca se apagou deles a imagem do pai, a imagem da mãe, e que até à velhice o
pai e a mãe continuaram a iluminar lhes a vida.
Isto foi o que aconteceu a um amigo meu muito chegado. A
imagem dos pais ficou-lhe gravada para sempre, como uma estrela orientadora. E
veio a tomar uma consciência mais plena dessa bela realidade quando aconteceu o
fato que transcrevo a seguir, usando literalmente as palavras com que ele
descreveu:
Por ocasião de um centenário
“Meu pai morreu com 85 anos de idade, em 1987. Quando ia
começar o ano de 2002, filhos, netos, amigos e colegas da sua profissão
jurídica resolveram honrar lhe a memória, comemorando, com diversas celebrações
– alhures, lá na terra onde ele nasceu e viveu -, o centenário do seu
nascimento. Para uma dessas celebrações, ocorreu-me preparar umas palavras de
público agradecimento – de gratidão filial -, sob o título: O que eu aprendi de
meu pai.
“Penso que pode ser esclarecedor acrescentar que redigi esse
texto em cima da hora, deixando os dedos e o coração correrem espontaneamente
pelo teclado do computador. Tal como o texto surgiu e foi lido na cerimônia,
transcrevo-o a seguir:
“– De meu pai, eu aprendi o valor da simplicidade.
Lembrando-me dele, compreendo muito bem que essa virtude amável é o segredo da
autêntica grandeza.
“– De meu pai aprendi o que significa respeito profundo por
cada ser humano. Para ele, um ajudante de pedreiro ou uma humilde faxineira
tinha tanto ou mais valor que o presidente de uma grande companhia. E, no seu
escritório de advogado-tabelião, o problema dos limites da minúscula horta de
dona Maria <> tanto como a constituição de uma grande
sociedade.
“– Ao pensar no meu pai, ainda hoje fico comovido toda vez
que me recordo do respeito que tinha pelos seus seis filhos. Não os dominava
nem os descurava: educava-os dentro de profundos valores cristãos (em comunhão
estreita com a mãe), mas sempre respeitando-lhes as opções, as preferências, as
escolhas nobres, a vocação, a liberdade responsável.
“– De meu pai aprendi que não há alma tão amável como aquela
que possui, no seu fundo mais íntimo, o tesouro da humildade. E que não existe
coisa mais ridícula que o inchaço do orgulhoso, os ares de grandeza do
convencido e a correria ansiosa do ambicioso. Eu diria que ele somente conheceu
aquelas pequeninas vaidades, minúsculas e até infantis, que não embaçam a
humildade de coração.
“– De meu pai aprendi também a alegria única que
proporcionam as coisas mais singelas do mundo, como as festas familiares, as
tradições do lar, os passeios no campo, a observação dos pássaros, das árvores,
dos plantios e das pastagens, os “bate-papos” com os amigos, e as leituras
repousadas de livros bons.
“– De meu pai aprendi
que certas nuvens escuras, que poderiam toldar seriamente o convívio familiar,
podem dissipar-se ou atenuar-se muito com uma pitada de bom humor sem ácido e
sem fel.
“– De meu pai aprendi que é possível viver uma longa vida
sem guardar nem uma migalha de ódio, de inveja ou de rancor, movido apenas pelo
impulso permanente de bondade.
“– De meu pai aprendi que o coração só se sente bem com a
verdade, e que a menor mentira incomoda e faz mal.
“– De meu pai aprendi o que é ser amigo dos amigos, apenas
pela alegria de tê-los e de ficar feliz vendo que estão contentes.
“– De meu pai aprendi a grandeza de sermos fiéis aos
autênticos valores e convicções. Vendo-o, aprendi que, debaixo de Deus, há
infinitas maravilhas; mas que por cima ou à margem de Deus não há nenhuma, pois
Ele é <> a maravilha e sem Ele nenhuma o é…
“– De meu pai aprendi como é grande e cativante o homem que
vive a fé com a mesma naturalidade com que respira, sem exibicionismo nem
retórica, mas também sem respeitos humanos nem receio de se mostrar como
cristão.
“– De meu pai aprendi como é belo não se preocupar nem um
pouquinho com o que os outros possam pensar ou dizer, quando se possui um
coração reto, uma intenção pura e boa vontade…
“– De meu pai aprendi… tantas coisas! Perdão. Desde o inicio
destas evocações, eu deveria ter dito tudo de maneira diferente. Eu deveria ter
dito: – De meu pai eu poderia ter aprendido tantas coisas boas! E de minha mãe,
que mereceria uma evocação igual. Que Deus me perdoe por não ter sabido fazê-lo
como eles mereciam!…”
Estas foram as palavras lidas naquela homenagem. “Relendo-as
depois – comentava ainda o meu amigo –, dei-me conta de que só fiquei falando
do exemplo. Isto me tem ajudado a valorizar o exemplo, como a melhor herança
que os pais podem deixar os filhos”.
Texto retirado do livro: A Força do exemplo, Francisco
Faus
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
O Ecumenismo - Unidade na Igreja
“Pois, como em um só corpo
temos muitos membros e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim
nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é
membro um do outro. Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi
conferida. Aquele que tem o dom da profecia exerça-o conforme a fé. Aquele que
é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que
ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas faça-o
com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a
misericórdia, que o faça com afabilidade.” (Romanos 12, 4-8)
“Rogo-vos,
irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno
acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo
espírito e no mesmo sentimento.” (1Corintios 1, 10)
“Porque, como o corpo é um
todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formasse
um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos
nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos
fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só
membro, mas em muitos. Se o pé dissesse: Eu não sou a mão; por isso, não sou do
corpo, acaso deixaria ele de ser do corpo? E se a orelha dissesse: Eu não sou o
olho; por isso, não sou do corpo, deixaria ela de ser do corpo? Se o corpo todo
fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato?
Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros como lhe aprouve. Se todos fossem
um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.
O olho não pode dizer à mão: Eu não preciso de ti; nem a cabeça aos pés: Não
necessito de vós. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem os
mais fracos, são os mais necessários. E os membros do corpo que temos por menos
honrosos, a esses cobrimos com mais decoro. Os que em nós são menos decentes,
recatamo-los com maior empenho, ao passo que os membros decentes não reclamam
tal cuidado. Deus dispôs o corpo de tal modo que deu maior honra aos membros
que não a têm, para que não haja dissensões no corpo e que os membros tenham o
mesmo cuidado uns para com os outros. Se um membro sofre, todos os membros
padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se
congratulam por ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é
um dos seus membros.”
(1Corintios 12, 12-27)
“Agora, porém, graças a Jesus
Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de
Cristo. Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o
muro de inimizade que os separava, abolindo na própria carne a lei, os
preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois
povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, e reconciliá-los
ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a
inimizade. Veio para anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz também
àqueles que estavam perto; porquanto é por ele que ambos temos acesso junto ao
Pai num mesmo espírito. Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos,
mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre
o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo
Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar
um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais conjuntamente,
pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.”
(Efésios 2, 13-22)
“Sede solícitos em
conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só
espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há
um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua
acima de todos, por todos e em todos.” (Efésios 4, 3-6)
“Cumpre, somente, que vos mostreis em vosso
proceder dignos do Evangelho de Cristo. Quer eu vá ter convosco quer permaneça
ausente, desejo ouvir que estais firmes em um só espírito, lutando unanimemente
pela fé do Evangelho.” (Filipenses 1, 27)
“Se me é possível, pois,
alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no
Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha alegria, permanecendo
unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos.” (Filipenses
2, 1-2)
“Aí
não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre,
mas somente Cristo, que será tudo em todos. Portanto, como eleitos de Deus,
santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade,
humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos
mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos
perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade,
que é o vínculo da perfeição. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para
a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos.”
(Colossesnses 3, 11-15)
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