sábado, 29 de setembro de 2018

Palavra da Igreja



Falas de João Paulo II à Renovação Carismática: “Como não dar graças pelos preciosos frutos espirituais que a Renovação gerou na vida da Igreja e de tantas pessoas? Quantos fiéis leigos - homens e mulheres, jovens, adultos e anciãos – puderam experimentar na própria vida o maravilhoso poder do Espírito e dos seus dons! Quantas pessoas redescobriram a fé, o gosto pela oração, a força e a beleza da Palavra de Deus, traduzindo tudo isso num generoso serviço a missão da Igreja! Quantas vidas mudaram de maneira radical! Por tudo isto, hoje, juntamente convosco, desejo louvar e agradecer ao Espírito Santo”.– À RCC na Itália, 04/04/1998.
“No nosso tempo, ávido de esperança, fazei com que o Espírito Santo seja conhecido e amado. Assim, ajudareis a fazer que tome forma aquela ‘cultura do Pentecostes’, a única que pode fecundar a civilização do amor e da convivência entre os povos. Com insistência fervorosa, não vos cansei de invocar:  Vem ó Espírito Santo! Vem! Vem !” – 14/03/2002.
“A Igreja e o mundo têm necessidade de santos, e nós somos tanto mais santos quanto mais deixamos que o Espírito Santo nos configure com Cristo. Eis o segredo da experiência renovadora da ‘efusão do Espírito’, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto pelos membros de vossos Grupos e das vossas comunidades”.– L’Osservatore Romano, 30/03/2002.
“Graças ao movimento carismático, tantos cristãos, homens e mulheres, jovens e adultos, têm redescoberto Pentecostes como realidade viva e presente na sua existência cotidiana. Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um renovado salto de oração, de santidade, da comunhão e de anúncio”.– 29/05/2004.
Eis um verdadeiro reconhecimento pontifício da identidade da Renovação Carismática Católica, bem como um mandato e direcionamento ao movimento: apostolado da efusão do Espírito Santo e difusão da cultura de Pentecostes.  

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Olho por olho – Coração por coração


“Dói muito ser queimado vivo, dói muito. Dói no corpo, dói na alma” (vitima de facínoras no ônibus incendiado no Rio de Janeiro em 03/03/2015).


Dói na alma... Dói na alma tomar conhecimento da barbárie que assola nossa cidade, nosso pais, a terra inteira. Crimes hediondos, atentados terroristas, massacres de inocentes em guerras insanas mundo afora, tudo isso nos afronta. No Brasil a impunidade generalizada, no mundo a insolência dos fortes tripudiando sobre os fracos.
No livro dos Salmos 12(13), o salmista num lamento questiona: “Até quando Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Até quando aninharei a angustia em minha alma, até quando se levantará o inimigo contra mim?” (vv. 2-4), para logo após exprimir confiança: “Iluminai meus olhos com vossa luz (...) antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro!” (vv. 5-6).
Somos passiveis de sentimentos de vingança tipo olho por olho; afinal somos seres carnais. Contudo, não podemos deixar que a carne e o sangue falem mais alto. Não é coerente indignar-se com a crueldade sendo cruéis. Somos seres carnais, no entanto também espirituais. O ser humano é constituído de corpo, alma (psique), espírito. O espírito iluminado pela fé e enlevado pela graça; a alma, a vida sensível e também a razão sem a graça, e o corpo a área material, nossa parte visível, palpável, receptáculo da graça. Se a carne clama por vingança, a alma deve sobrepujá-la e clamar por justiça. Acima de tudo, enlevado pela graça, o espírito se doa em perdão. Entenda-se, perdoar não é aceitar resignadamente o que se fez contra nós, isentando o agressor de culpa (afinal a alma clama por justiça). Ao contrário, perdoar é reconhecer que fomos feridos, que alguém nos ofendeu e mesmo assim não lhe desejar o mal. Imputando culpa sim, porém sem imprimir ódio nem desejo de vingança no coração.
Em vista de toda maldade imperante no mundo, coloquemos nossa confiança no Senhor que fez o céu e a terra e a todos ama igualmente, mereçam ou não. Dói, dói muito; mas do mesmo modo como Deus concede-nos gratuitamente a misericórdia, aprendamos também a perdoar. Talvez assim o mundo fique melhor.
Perdoar é ir além, é dar mais (per + donare = doar mais). Portanto só perdoa quem é generoso, caridoso, ama e por amor é capaz de se doar. O outro passa dos limites e nos tira algo; nós ultrapassamos nossos próprios limites e lhe damos o que ele não mereceria. Isso é perdão.    

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fé e Razão


“É infrutífero falar da contraposição entre razão e a fé. A razão é ela mesma uma questão de fé. É um ato de fé asseverar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade”. (Gilbert Chesterton).
                    

Nós católicos, apesar de sabermos que os mistérios divinos colocam a fé acima da razão, não nos esquecemos de que somos seres racionais e como tal, em muitas questões usamos da razão em contraponto à emoção – o que não contraria nossa posição de homens de fé – porque como corpo material, somos submetidos às leis da matéria, as ciências naturais que, aliás, não é ciência do homem como muitos alegam, porém ciência de Deus dada a conhecer aos homens. Nesse aspecto, a mística dos milagres só é aceita pela Igreja, no âmbito da fé após ratificação dos fundamentos bíblico-teológicos, e no contexto racional após comprovação cientifica quando há mudanças radicais no curso dos fenômenos naturais.
 O que se faz no método científico é obter dados sobre os fenômenos estudados, buscando padrões, tentando entendê-los. Então hipóteses são formuladas, e desenvolvem-se experimentos que venham a confirmar (ou não) as várias hipóteses. Mas esses passos não podem ser seguidos se não houver a crença que o universo é ordenado: “Mas tudo dispuseste com medida, quantidade e peso” (Sb 11,20).
 Muitos consideram a sabedoria do mundo incompatível com a sabedoria divina. Veem uma como boa e a outra como má. Realmente, se não formos cuidadosos em nossos critérios e discernimento, podemos aceitar essa noção. Mas será isso verdadeiro? O próprio Jesus, ele mesmo, não exerceu de certa forma a sabedoria do mundo em sua vida? Podemos refletir como ele compôs parábolas sobre o cotidiano da época em que viveu entre nós. Consideremos também sua esperteza ao argumentar com seus opositores. Jesus estava enraizado no mundo real, apesar de sua mente e coração estarem abertos ao Espírito. O que faz a sabedoria do mundo perigosa é a intenção oculta por trás dela. Estamos caminhando com justiça, integridade, compaixão? Estamos preocupados com o bem comum? Ou apenas usamos nossos dons de sabedoria para nosso ganho e prazer pessoal? Se Jesus reina em nosso coração, então assumirá nossa sabedoria e experiência e a usará para seu reino e a glória do Pai.
A ciência quer ver para crer, a fé crer para ver. A fé não é tanto compreensão; É mais aceitação do que não compreendemos e nisso reside o mérito da fé. (Felizes os que creem sem ter visto...).   Muitas coisas não sabemos, não conhecemos e talvez só venhamos a conhecer quando estivermos face a face com Deus. Enquanto esse momento não chega, vivamos a convicção da nossa fé com intensidade, com esperança e com amor!




sábado, 8 de setembro de 2018

Ativismo



Muitas vezes sob o pretexto de servir a Deus executamos tarefas – até extenuantes – com o real intuito de aparecer diante dos outros: “Vejam como ele é dedicado! Não mede esforços para trabalhar, para ajudar nos serviços paroquiais!” Essa é na verdade a intenção; chamar a atenção para si, ser reconhecido, elogiado. Contudo, não devemos generalizar; há casos e casos. Outras tantas vezes, pessoas realmente dedicadas trabalham com afinco, porém discretamente, na reta intenção de auxiliar, de diligentemente executar as tarefas sob seu encargo.
Estes últimos, em verdade executam o que pontualmente lhes aparecem e que sejam concernentes com sua missão e ministério na igreja. Os primeiros, porém, procuram avidamente o que fazer, na intenção de liderar os trabalhos, recebendo assim “os louros e a glória” por um possível trabalho bem feito. Infelizmente é nossa realidade. Muito de Marta, nada ou quase nada de Maria. A recíproca é verdadeira; há Marias nada Martas (ver Evang. Lucas 10,38-42).
Ativismo exagerado não é bom. Uma espiritualidade intimista sem vinculo comunitário, também. “Ora et labora” assim deve ser; vida de oração e ação concreta sempre que necessário. Orar e trabalhar, trabalhar orando; ser como Marta sem deixar de ser como Maria e vice versa. Há pessoas cujo carisma é o trabalho, o ativismo; isso é bom, mas não se deve esquecer a oração e que se tenha em mente que todo trabalho em ambiente eclesial, nas capelas, na paróquia ou em instancias superiores, deve ser feito para honra e glória do Senhor e não para engrandecimento pessoal. Lembrar sempre que igreja não é ONG nem firma empresarial.  
Trabalhar, trabalhar, num ativismo desenfreado sem vida de oração não é ser pertença à igreja. Rezar, somente rezar sem compromisso comunitário, e aí se insere as frentes de trabalho concreto, também não é ser pertença à igreja.
Essa reflexão parece um contra-senso – rezar demais é bom ou ruim? Trabalhar na e para a igreja é bom ou ruim? Parece incoerência, mas não é. Simples: rezar, só rezar, egoisticamente pedindo só para si sem pensar no próximo, sem compromisso com a comunidade de fé a qual pertence, é estar longe da comunhão entre irmãos. Do mesmo modo que trabalhar, só trabalhar pensando em granjear “fama e poder”, é também estar longe da comunhão fraterna.
Se não houver Maria de Betânia, não haverá ninguém para ouvir Jesus; se não houver Marta, não haverá ninguém para preparar o local para receber Jesus. Sejamos Marta e ao mesmo tempo Maria: Arrumemos a casa para receber e ouvir Jesus. E essa casa não seja apenas a igreja de pedra (o templo), principalmente seja a igreja viva – nosso coração.  

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A Salvação é para Todos



Somos amados, somos filhos, somos criaturas. Somos criaturas provenientes da mente perfeita de Deus. Somos imagem e semelhança e por adoção em Jesus Cristo nos tornamos filhos. Já dissemos aqui e nunca é demais repetir, vivemos no tempo, mas nossa vocação é a eternidade. Deus nos predestinou sim, a todos indistintamente, para a salvação! Fomos engendrados no transbordamento do Divino Amor; por Deus e para Deus fomos criados e é seu desejo que a Ele retornemos. Não existe – é inconcebível – a tese protestante calvinista da predestinação para a condenação (Ouvi o disparate que todos nascemos condenados). É verdade que no caminho muitos se perdem e rejeitam o direito à salvação, desvirtuando-se e por si, por decisão pessoal se dirigem à condenação.
 Isto é evidente quando da criação da humanidade e sua colocação no Éden (Gn 2 – 3). Adão e Eva viviam em perfeita e total união com Deus. Corromperam-se e perderam a intimidade com o Criador, mas isso não implicou em condenação eterna. Ademais, o advento de Jesus e seu sacrifício salvífico vieram nos restaurar a dignidade de filhos e nos propor um caminho, em verdade o caminho único para a salvação. Aquele caminho que ele mesmo traçou e aponta: seu evangelho. O evangelho não é simplesmente uma boa nova, uma noticia, um simples anúncio; o evangelho é revelação! A revelação da nova e definitiva aliança de Deus com seu povo. E esse novo povo de Deus não é representado somente por uma nação, mas por toda a humanidade.  
O Catecismo da Igreja Católica nos parágrafos 2822-2824 nos assegura: “É vontade do Pai que todos cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,3s). Ele usa de paciência, porque não quer que ninguém se perca (2pd 3,9). (...) Deu-nos a conhecer o mistério de sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar: de em Cristo encabeçar todas as coisas... Nele, predestinados pelo propósito daquele que tudo opera segundo o conselho se sua vontade, fomos feitos sua herança (Ef 1,9ss)”.
Podemos então afirmar convictamente, baseados no catecismo da Igreja e na Palavra de Deus, pois assim confirmam os textos bíblicos, que a salvação é para todos; ninguém nasce para a condenação, ao contrário, fomos criados e viemos ao mundo para usufruir da glória eterna com o Criador. Cabe a nós vivermos de tal modo que ao chegarmos ao fim da vida terrena, adentremos o Santo dos Santos e face a face com Deus Pai gozemos eternamente das delicias do paraíso.



sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Deus é Amor e por Amor nos Salva



A Bíblia Sagrada em 1Jo 4,8 nos afirma que Deus é amor. Deus é puro amor, amor infindável, inabalável, incontestável. Deus é amor e fomos criados no amor e por amor. Somos criaturas, porém filhos, filhos por adoção no amor de Cristo a toda  humanidade.
            Fomos criados à sua imagem e semelhança. Imagem porque reflexo da vontade do Criador. Semelhança porque fomos criados para a perfeição, como disse Jesus: "sede perfeitos como o Pai é perfeito".
            Toda criança ao nascer - apesar da mancha do pecado original - é pura na essência. Mas a criança cresce, e ao longo do tempo se contamina com as coisas más do mundo, a concupiscência (fruto do pecado original) é exacerbada e assim, vamos nos tornando pecadores... Quebramos o espelho e deixamos de refletir a imagem de Deus em nós; rejeitamos a graça do Senhor e nos afastamos dele...Então pelo pecado  perdemos a graça original.
            Entretanto isso não significa a perdição, pois fomos criados para Deus. Dele viemos e a Ele haveremos de retornar. A Palavra diz que é desejo do Senhor que todos sejamos salvos, portanto somos todos predestinados à salvação. Todos!  Ninguém é condenado pela vontade de Deus; se alguém é condenado é porque o próprio assim o quis.
            A nossa salvação começou na Criação, porque fomos criados no amor de Deus e portanto para a Salvação. Começou na Criação e culminou na Cruz. Na cruz Jesus pagou por nossos pecados, carregou sobre si nossas dores e injustiças: o castigo que pesava sobre nós foi por ele assumido (conforme Isaias 53) e por amor a redenção nos foi ofertada.
            O Pai criou-nos para sermos perfeitos. O filho morreu e ressuscitou para   restaurar em nós a perfeição perdida. Assumamos isso e estaremos no caminho certo. Deus seja louvado!
           
           

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A Epifania de Jesus



No principio havia o Verbo – Palavra – sem nada de material ou concreto. Do Verbo a criação teve inicio; o universo material e todo o esplendor da natureza terrena, culminando com sua obra prima, o homem.
Aprouve a Deus que na plenitude do tempo Ele viesse a nós. Assim, o kairos juntou-se ao cronus e a glória de Deus se fez presente em nosso tempo com a encarnação do Verbo Divino, Jesus; Deus humanizado para divinizar a humanidade.
Na epifania, quando da visita dos reis orientais a Jesus menino recém-nascido, aqueles homens estrangeiros, pagãos do ponto de vista dos judeus da época, reconheceram a divindade naquele bebê. Guiados pela luz da estrela que lhes indicava o caminho, chegaram à verdadeira luz: Jesus de Nazaré a Luz do mundo. Vieram adorá-lo. Talvez sem mesmo o saber, adoravam o Deus verdadeiro, aquele que é e sempre será; o alfa e o ômega, o principio e o fim, o eterno presente no tempo.
 Adorá-lo, porque viram na fragilidade daquela criança, a fortaleza de Deus; na pequenez daquele menino, a grandeza de Deus; na humildade daquele ambiente, a  glória imensa de Deus! Sim, naquele momento aquela simples manjedoura era o trono da glória. Trouxeram-lhe presentes; incenso, ouro, mirra. O incenso representa sua divindade, o ouro sua realeza e senhorio, a mirra sua missão: pela morte de cruz remiria toda a terra.
Visitaram, adoraram, presentearam Jesus. E voltaram por outro caminho. Todo aquele que conhece Jesus, e o admite como Senhor e Salvador, e o presenteia com a abertura do coração, não retorna ao caminho antigo e passa a trilhar um novo caminho, o rumo apontado pelo Espírito Santo.  Aqueles homens, reis ou magos – não importa o que fossem – vieram como pagãos e retornaram como cristãos impregnados da luz do Messias, do Cristo, do Emanuel.




sábado, 11 de agosto de 2018

A Luz do Mundo



Na noite do dia 10 e em toda madrugada do dia 11 (agosto 2011), sofremos com o apagão que atingiu metade do país. Imaginemos – na realidade vivemos isso – as grandes cidades sem luz, sofrendo esse grande blecaute. As pessoas sem geladeira, rádio, televisão, até mesmo sem água, pois as estações de bombeamento param por falta de energia. É o caos no trânsito; os semáforos apagados, congestionamentos intermináveis. Que transtorno!
            Irmãos e irmãs, a falta de luz espiritual é muito pior que a falta de luz física. A escuridão no espírito tem conseqüências mais graves que a escuridão física. Sem luz interior vivemos à margem de Deus, perdemos o freio moral, a “luz amarela” que sinaliza o perigo deixa de acender. Não acende a “luz vermelha” que impede que prossigamos numa atitude pecaminosa. Também a “luz verde” que nos indica para seguirmos em frente em nossa vida de oração e caridade, essa é como as outras, apagada.  Vivemos no escuro, vendados, às apalpadelas, aos tropeções.
            Assim como os judeus saindo do Egito marcharam até a travessia do Mar Vermelho, conduzidos por Moisés e guiados por uma nuvem flamejante, nós peregrinamos também em direção a terra prometida, conduzidos pela grande luz que é Jesus. Ao deixarmos para trás uma vida de pecado, não podemos jamais olhar para trás, nem sequer devemos pensar saudosamente nos tempos idos, pois são tempos de escuridão, são um passado obscuro onde éramos iludidos pelos falsos prazeres do mundo. Devemos caminhar sempre em direção ao caminho apontado por Jesus, ao caminho iluminado. Jamais retornar as trevas, pois quem gosta da escuridão é o inimigo de nossas almas, o inimigo de Deus: o príncipe das trevas, Satanás. Ao contrário, Jesus é a luz do mundo, o único e verdadeiro caminho. Diz Jesus que somos sal da terra e luz do mundo; somos como luzeiros e devemos levar a luz a quem vive nas trevas, a quem sofre por falta da luz. Mas em verdade apenas devemos refletir a luz verdadeira: Jesus Cristo.
            Temos que fugir da escuridão, deixar a terra do pecado e vir para a luz, para a terra da promissão. Temos que sair da escuridão e nos colocar debaixo do Sol radiante da justiça, que é Deus e nos deixar envolver por essa luz, mergulhar nessa luz, ser banhados nessa luz! Eu quero chegar lá, atravessar o Jordão e viver para sempre na Jerusalém Celestial; eu quero ao final da jornada atravessar o Jordão, pisar a terra prometida e habitar na Jerusalém Celeste, onde não há Sol nem Lua, pois a única luz que brilha é a glória de Deus! 
            Dá-me Senhor a tua luz, a luz do teu olhar, a luz da tua Palavra que é lâmpada em meu caminho.   


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Misericórdia



Misericórdia, palavra composta: miséria + coração. A Divina Misericórdia é, podemos assim dizer, o Coração de Deus debruçado sobre a miséria humana. Estendendo a nós que usamos de misericórdia para com os irmãos, podemos também dizer que é nosso coração debruçado na miséria alheia; é compadecer-se com o sofrimento do outro, sentir com o que sofre. Assim, Jesus tomou sobre si as nossas dores, compadecendo-se de nós. Se somos, ou desejamos ser, imitadores de Cristo, tomemos sobre nós as dores do irmão, assim como outros tomam as nossas dores. 
Sabemos que não é fácil. Como sofrer com o outro? Jamais! Já tenho problemas demais para me preocupar com os outros... Cada um por si, Deus por todos. Não é esse o pensamento vigente entre nós? Contudo, nos esquecemos de que é através da misericórdia que nos tornamos aptos à salvação. Jesus Cristo pela sua morte e ressurreição nos garantiu e ofereceu a Salvação. É pela Misericórdia Divina, fruto do imenso Amor de Deus que fomos salvos, pois a Justiça de Deus é a Misericórdia, não a Lei.  Desde modo podemos ousar dizer que é retribuindo ao próximo a misericórdia, que nos tornados dignos da salvação ofertada pelo Senhor.
Não é fácil usar de misericórdia. Somos egoístas; só fazemos o bem a quem nos faz o bem, só oferecemos a mão num gesto de solidariedade a quem nos pode favorecer adiante, amamos parentes e amigos, enfim, a quem nos é afim ou benfeitor. Poucos são abnegados ou imparciais. Felizmente esse egoísmo pode ser eliminado, ou ao menos atenuado. Quando abrimos nosso coração e deixamos Deus agir em nós, quando permitimos a entrada de Jesus em nosso coração, quando nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, aí então tudo começa a mudar; quando percebemos e sentimos a presença da Misericórdia em nós, somos impelidos a ir adiante envolvidos por essa mesma misericórdia e partilha-la.
Quando nos deixamos alcançar pela Misericórdia, Jesus mergulha em nosso interior e retira de nós, pelo perdão, os pecados; pela compaixão, as dores e os sofrimentos; pelo amor, os traumas, psicoses, os distúrbios emocionais. Através da misericórdia, manifestação do seu desmedido amor, Deus nos cura por dentro e por fora, corpo e alma, Ele nos cura por inteiro.
Vivamos sob a égide da Misericórdia e sejamos misericordiosos. Possamos dizer: ‘Ó sangue e água que jorraram do coração de Jesus, como fonte de misericórdia para nós; eu confio em vós.’




                                                                             

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Divina Misericórdia



Ao anunciar o querigma, o primeiro item apresentado é o amor de Deus. Apresentamos o Pai amoroso, o “Abba”, carinhosamente o “Paizinho”; mostramos quão grande e incondicional é esse amor. Contudo muitos se fecham e de certa forma não crêm ou aceitam esse amor; não sinto e não tenho motivos para acreditar nesse amor, não valho nada, Deus não me enxerga, dizem. Costumo então comparar esse amor com o ar que nos cerca: não o vemos, às vezes não o sentimos, mas sabemos que ele existe e nos envolve. Assim é o amor de Deus; muitos não o sentem, não o percebem, mas como o ar, ele existe e nos cerca. Para perceber o ar (que é matéria) basta respirar fundo, então o sentimos. Para perceber o amor misericordioso do Pai (que é sentimento) é necessário se abrir por inteiro e tomar a decisão de assumir para si esse amor, apesar dos pesares que possam estar nos assolando; é então questão de decisão pessoal, de vontade. Não que o amor de Deus dependa da nossa vontade, não é isso, ele é constantemente derramado sobre todos indistintamente, mas para senti-lo é preciso que o aceitemos e assim tomamos posse dele.
No livro do profeta Isaias, capitulo 43, versículo 4a, a palavra de Deus nos fala: “Por que és precioso aos meus olhos, porque eu te aprecio e te amo.” Ele revela que somos importantes, estimados, nos tem apreço, que somos amados. Em Salmos 144(145),9   o salmista experienciando Deus, nos revela: “O Senhor é bom para com todos, e sua misericórdia se estende a todas as suas obras.” E somos todos, bons ou maus, justos ou pecadores, obras primas de Deus. Recentemente ouvimos numa pregação que somos frutos do amor de Deus, o transbordante e incontido amor de Deus, pois fomos criados no transbordamento desse amor. Isto é mais que lindo e poético, é verdadeiramente verdade verdadeira! Assim mesmo, extremamente redundante.
Esse amor incontido e transbordante se manifesta na misericórdia. Misere(miséria) + cordes(coração): o coração amoroso de Deus debruçado sobre nossa miséria. Somos pequenos, mas Deus nos tem apreço, ou seja, nos eleva em graça; isto é misericórdia. Não temos valor, mas para Ele somos preciosos; isto é misericórdia. Por isso, como Sta. Faustina podemos afirmar: “Nosso pecado é uma pequenina gota no oceano da misericórdia de Deus”. Que possamos viver envolvidos no amor imenso de Deus Pai, mergulhados na Sua infinita misericórdia e nos sentirmos restaurados em nossa dignidade de filhos e não mais coisas sem valor. A Divina Misericórdia nos sustenta.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Eminência de Cristo



Para ele foram feitas todas as coisas. Ele que existe desde sempre junto ao Espírito, consubstancial ao Pai, partícipe e também autor da Criação; existente antes de todas as coisas, todas as coisas subsistem nele. Ele é o principio, meio, fim. Alfa e ômega, estrela da manhã, sol radiante da justiça, príncipe da paz.
Nele e para ele foram feitas todas as coisas nos céus e na terra. Tudo foi criado pelo Verbo; as coisas visíveis e invisíveis; o céu, a terra, o mar; plantas e animais; os seres humanos e os seres angelicais; toda criação, porque aprouve habitar nele a plenitude de todas as coisas.
Porque nele habita a plenitude dos dons e da graça, assumiu também nossa humanidade. Assim o Verbo Divino se fez carne e habitou entre nós para reconciliar consigo todos os homens. Reconciliação essa através de seu sacrifício, o derradeiro sacrifício conciliatório. Portanto, por intermédio dele ao preço do seu sangue, aprouve Deus reconciliar consigo toda a humanidade decaída, restabelecendo a paz a tudo que existe no céu e na terra.
“Sendo vós noutro tempo estranhos e inimigos de coração pelas más obras, agora por certo vos reconciliou no corpo de sua carne, pela morte, para vos apresentar santos e imaculados e irrepreensíveis diante dele. Para tanto é necessário perseverar na fé, firmes e inabaláveis na esperança que é dada pelo evangelho que vos foi anunciado”.(Epistola aos Colossenses, cap. 1, vv. 21 a 23).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Coroa Indestrutível



Perdemos a Copa do Mundo. E daí? É só um jogo. Jogos nem sempre nos são favoráveis; às vezes ganhamos, às vezes perdemos, por mais que nos julguemos melhores e talvez até sejamos. Mas mesmo se ganhássemos o último jogo, chegaria o dia em que, fatalmente, seriamos derrotados nesta ou em outra Copa. Então o que importa verdadeiramente é lutar por algo que seja definitivo, que jamais nos será tirado, a coroa indestrutível de que nos fala o Apostolo Paulo em sua carta aos corintios, cap. 9, versos 24 e 25: “Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o premio. Correi pois, de tal maneira que consigais. Todos os atletas se impõem muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível”. Esta é a coroa final, o troféu da glória eterna.
Esse troféu só podemos conquistar com uma vida em Cristo, segundo moção do Espírito Santo. Não é um jogo, é uma corrida de obstáculos onde não há adversários, há companheiros; não há ninguém a vencer (Nossa luta não é contra a carne e o sangue... - cf Ef 6,12), há irmãos a compartilhar. O adversário, o verdadeiro inimigo a vencer não é nosso próximo; está em nós mesmos (a concupiscência) e a nos afrontar, as investidas do maligno. Portanto, guardemos a fé, caminhemos firmes, passos largos na via traçada para nós, caminho, verdade, vida: Jesus de Nazaré. Como Paulo, possamos também dizer: “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4,7).
Copas do Mundo podem ser roubadas. Surrupiadas sorrateiramente pelo apito de um árbitro tendencioso ou literalmente furtada (cadê a Jules Rimet?). Mas a coroa da vitória em Jesus ninguém nos tira, pois em Cristo somos mais que vencedores.