Quem semeia vento colhe tempestade.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Divina Misericórdia 2
Misericórdia, segundo o dicionário, é a pena causada pela
miséria alheia, comiseração. Assim mesmo, desse jeito, acontece com o Sagrado
Coração de Jesus. Seu coração sagrado e chagado sofre com as nossas misérias,
de modo especial com nossos pecados. Por isso dizemos que misericórdia é o coração
amoroso de Jesus debruçado sobre nossas misérias.
Essa misericórdia não tem limites, é magnânima. Tão grande
que alcança o mundo inteiro, todas as pessoas, todos os povos e nações. Não
distingue raça, cor de pele, credo ou religião. Se derrama sobre crentes e
descrentes, ateus ou teófilos. Mesmo que não creiam, Ele – Jesus e sua
misericórdia – está próximo, atuante. Como já citado anteriormente, é como o ar
que nos envolve; não vemos, mas sabemos que está presente. Alguém pode não
crer, mas a misericórdia de Deus o sustenta. O sustenta nas dores, na
tribulação; insistimos, mesmo que não creia a misericórdia divina o envolve.
De onde vem, sem aparente motivo, uma súbita paz no coração,
um alivio diante de determinadas situações de dificuldade; a supressão da
sensação de angústia, mesmo frente a problemas mal resolvidos? Isto ocorre
frequentemente, até mesmo com pessoas descrentes, disso somos testemunhas. A
resposta: é a Divina Misericórdia atuando. É assim porque é constante. É como a
névoa da manhã, o ar que respiramos, a chuva que cai, a luz do Sol. Como sol
que brilha para todos, bons ou maus, justos ou injustos santos ou pecadores,
assim é a misericórdia de Deus; sobre todos é derramada.
Por tudo, em gratidão e louvor pela Divina Misericórdia, você
que crê não canse de clamar:
Santo, forte, imortal; sois Deus!
Pelo vosso sangue derramado, pelo vosso sacrifício de amor,
Pelo vosso coração sagrado e chagado debruçado sobre minha miséria,Pela vossa infinita misericórdia,
Jesus, eu confio em Vós!
domingo, 19 de agosto de 2012
A Assunção de Maria
Todo católico que se preze sabe dar
valor à figura de Nossa Senhora na história da Salvação. Afinal de contas, foi
Maria quem deu o sim ao anjo Gabriel e se decidiu por ser a porta de entrada da
salvação no mundo. No entanto, a vida da Mãe de todos vai além de ser um
simples abrigo para Jesus; ela cuidou dele após o nascimento, o educou em sua
vida humana desde o berço e esteve presente nos principais acontecimentos relacionados
ao nosso Senhor. Logo, seu papel no cristianismo é de uma relevância maior do
que várias pessoas pensam.
No mês de agosto, a Igreja Católica
celebra, no dia 15, a Assunção de Nossa Senhora ao Reino dos Céus. A
tradição explica que este acontecimento faz parte do desígnio divino e foi
conseqüência da participação especialíssima de Maria na missão de Jesus. O fato
de Nossa Senhora ser a mãe do Salvador é a razão fundamental de sua Assunção,
como ensina o Magistério da Igreja. Este dom tornou o corpo de Maria a residência
imaculada do Cristo, se fundindo, portanto, com o destino glorioso do filho de
Deus e não podendo compartilhar do estado de morte humana até o fim do mundo.
São João Damasceno afirma a coerência do dogma dizendo que “era necessário que aquela que vira o
seu Filho sobre a cruz e recebera em pleno coração a espada da dor… contemplasse
este Filho sentado à direita do Pai”.
Aprofundando-se no mistério da
Assunção de Maria, é possível entender mais a fundo o plano da Providência
Divina direcionado para toda a humanidade. Depois de Jesus, Maria é a primeira
criatura que alcança a plenitude da felicidade anunciada pelo nosso Senhor no
fim dos tempos, prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos.
Neste evento também é possível observar a vontade de Deus em promover o valor
da mulher, afirmando a intenção de promover o ideal escatológico inicialmente
em um casal. No entanto, é válido ressaltar que as condições do Cristo e de
Maria não podem ser postas no mesmo plano, como afirma o Magistério da Igreja.
Que todos nós, católicos, possamos
meditar e contemplar mais profundamente o mistério da Assunção de Maria como o
redescobrimento do valor do próprio corpo, da importância de preservá-lo como
templo de Deus. A Assunção, privilégio concedido inicialmente à Nossa
Senhora, constitui uma demonstração do imenso valor da vida humana para o
Senhor. Que todos nós possamos nos manter fortes na caminhada em busca da
santidade para um dia sermos coroados com o dom de viver a plenitude da
felicidade em conjunto com Jesus e a nossa Mãe.
Por: Luiz Eduardo Moutaterça-feira, 14 de agosto de 2012
Maria passa à frente

A
atleta etíope Meseret Defar protagonizou um dos momentos mais emotivos das
Olimpíadas de Londres 2012 quando ao cruzar a linha de chegada na final
feminina dos 5000 metros planos e ganhar a medalha de ouro, tirou de seu peito
uma imagem da Virgem Maria, mostrou-a às câmaras e a pôs no rosto em um momento de intensa oração
Defar, cristã ortodoxa, encomendou sua carreira a Deus com um sinal da cruz e completou a distância em 15:04:25, vencendo sua compatriota e tradicional rival Tirunesh Dibaba, quem chegou como favorita da prova.
Com lágrimas de emoção, Defar mostrou ao mundo a imagem da Virgem com o Menino Jesus nos braços que a acompanhou em todo o percurso.
A corredora cristã nas Olimpíadas de Atenas 2004 ganhou a medalha de ouro na prova dos 5000 metros e em Beijing 2008 obteve a medalha de bronze na mesma prova.
No dia 3 de junho de 2006 bateu o recorde mundial dos 5.000 metros com o tempo de 14:24,53 em Nova Iorque, superando em 15 centésimos o anterior recorde da atleta turca Elvan Abeylegesse.
Defar, cristã ortodoxa, encomendou sua carreira a Deus com um sinal da cruz e completou a distância em 15:04:25, vencendo sua compatriota e tradicional rival Tirunesh Dibaba, quem chegou como favorita da prova.
Com lágrimas de emoção, Defar mostrou ao mundo a imagem da Virgem com o Menino Jesus nos braços que a acompanhou em todo o percurso.
A corredora cristã nas Olimpíadas de Atenas 2004 ganhou a medalha de ouro na prova dos 5000 metros e em Beijing 2008 obteve a medalha de bronze na mesma prova.
No dia 3 de junho de 2006 bateu o recorde mundial dos 5.000 metros com o tempo de 14:24,53 em Nova Iorque, superando em 15 centésimos o anterior recorde da atleta turca Elvan Abeylegesse.
sábado, 11 de agosto de 2012
Jesus, sinal de contradição

Quando Nossa Senhora e são José apresentaram Jesus no templo
de Jerusalém, aos quarenta dias, como mandava a lei, o velho Simeão tomou o
menino nos braços e disse: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa
de queda e soerguimento para muitos homens em Israel, um sinal de contradição”
(Lc 2,34-35).
Jesus veio ao mundo para salvá-lo, ensinando a verdade que
liberta (1Tm 2,4). O nosso catecismo diz que “a salvação está na verdade” (§851)
e esta verdade está em Cristo e na Igreja. São Paulo disse a Timóteo: “A Igreja
é a coluna e o alicerce da verdade” (1Tm 3,15). O mundo está dividido entre a
verdade do Espírito Santo e a mentira do espírito do Mal.
Infelizmente o mundo está mergulhado nas trevas do pecado e,
por isso, odeia a Verdade de Cristo que a sua Santa Igreja ensina, pois ela
torna manifesto o seu mal, e o mundo não suporta isso. Hoje, no ocidente
outrora cristão, cresce um laicismo anticristão e anticatólico como nunca vimos
antes, que o Vaticano chama de cristianofobia; aversão a Cristo.especialmente
nas universidades e na mídia cresce uma repulsa à Igreja e às verdades morais
que ela ensina e se procura a todo o custo mostrar aos jovens que ela é “obscurantista”
e “impiedosa”, como se fosse contra a ciência e a caridade. Grande mentira. Destacam-se
os erros dos filhos da Igreja sem mostrar a beleza de tudo que ela fez e faz
pelo mundo.
Como disse o Papa Bento XVI, cresce hoje uma “ditadura do
relativismo”, que quer proibir as pessoas de serem e pensarem diferente do que
se chama hoje de “politicamente correto”. Anula-se a verdade, nega-se que ela
exista. Mas a Igreja não pode se calar...
Cristo sempre foi e será “sinal de contradição”, como disse
o profeta Simeão. E, da mesma forma, a Igreja Católica e cada um de seus filhos
autênticos. Por isso Cristo foi crucificado e a igreja é perseguida e
martirizada há dois mil anos; e hoje mais do que antes.
Aqueles que fazem o mal e amam as trevas e a calada da noite
para praticar os crimes, as corrupções, os conchavos... Cristo não recuou
diante das ofensas e perseguições.
Hoje a Igreja precisa imitá-lo como fez nesses dois mil
anos. Jesus é a luz que brilha nas trevas do mundo, mas este o rejeita. Como disse
o evangelista São João: “Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. a
luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1,4-5)... Era a
verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o
mundo foi feito por Ele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que é seu,
mas os seus não o receberam” (vv. 7-11).
Prof. Felipe Aquino – CN/Cleofasquinta-feira, 9 de agosto de 2012
Santa Edith Stein
Hoje, dia nove de agosto, é dia de Santa Teresa Benedita da
Cruz, também conhecida pelo nome de Santa Edith Stein. Juntamente com Santa
Brígida e Santa Catarina de Sena é uma das "Patronas da Europa".
Beatificada a 1 de Maio de 1987, acabou sendo canonizada 11 anos depois, a 11
de Outubro de 1998, pelo Papa João Paulo II.
Última de 11 irmãos, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891, no dia em que a família festejava o "Dia da Expiação", a grande festa judaica. Por esta razão, a mãe teve sempre uma predileção por esta filha.
O pai, comerciante de madeiras, morreu quando Edith ainda não tinha completado os 2 anos. A mãe, mulher muito religiosa, solícita e voluntariosa, teve que assumir todo o cuidado da família, mas não conseguiu manter nos filhos uma fé viva. Stein perdeu a fé: "Com plena consciência e por livre eleição", ela afirma mais tarde.
Em Janeiro de 1922, Stein é batizada e no dia 02 de Fevereiro desse mesmo ano é crismada pelo Bispo de Espira. Em 1932 é-lhe atribuída uma cátedra numa instituição católica, onde desenvolve a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé. Em 1933 a noite fecha-se sobre a Alemanha. Edith Stein tem que deixar a docência e ela própria declarou nesta altura: "Tinha-me tornado uma estrangeira no mundo". E no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, entra para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz. Após cinco anos, faz a sua profissão perpétua.
Da Alemanha, Edith é transferida para a Holanda juntamente com sua irmã Rosa, que também é batizada na Igreja Católica e prestava serviço no convento. Neste período do regime nazista, os Bispos católicos dos Países Baixos fazem um comunicado contra as deportações dos judeus. Em represália a este comunicado, a Gestapo invade o convento na Holanda e prendem Edith e sua irmã. Ambas são levadas para o campo de concentração de Westerbork.
No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado.
No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado.
Assim, através do martírio, Santa Teresa Benedita da Cruz, recebe a coroa da glória eterna no Céu.
Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!
(Fonte: Pascom/S. Brás)
sábado, 4 de agosto de 2012
Rio Enluarado
“Moon
river, wider than a mile...” Assim começa uma belíssima canção americana.
Esta canção remete a minha juventude. Eu era bem jovem, jovenzinho mesmo, pós-adolescente.
Retornava de Jacareí (interior paulista) para o Rio de Janeiro, após um fim de
semana com direito a baile no clube da cidade e namorico na praça.
Embarcaríamos pela manhã na litorina, trem de luxo com um
único vagão que fazia o trajeto Rio-S. Paulo. Mas como a noite fora agitada, eu
e os companheiros (éramos três) perdemos a litorina e “por castigo” viajaríamos
à noite no trenzinho de madeira (bendito castigo!). Foi uma viagem linda. Sabe
aquele trem antigo que tinha um pequeno alpendre no último vagão? Era um
desses. Num dado momento deixei os amigos e fui para a varandinha do trem,
justo quando ele margeava o rio Paraíba do Sul naquela bucólica noite de lua cheia. O luar
refletido nas águas plácidas do rio proporcionava um belo cenário. Lembrei-me
da música; “moon river...etc...etc...” cantarolava baixinho no meu inglês
arrevesado. Sentia-me o próprio Tom Sawyer apreciando o luar sobre o Mississipi
(Esse era o tema da canção). Veio-me à memória a noite anterior; a garota da
praça, os rodopios no salão de baile e um sentimento bom, uma ternura imensa
tomou meu coração. Assim prosseguiu a viagem, no balanço e no barulho
característico do trem. Eu com um sentimento misto de precoce nostalgia (o fim
de semana recente) e a alegria de estar voltando para casa.
O que tem isso a ver com minha realidade hoje? Muito. Boas
lembranças nos fazem bem. O relato da viagem não é nostálgico como parece,
serve como referência. Boas lembranças nos fazem bem e só sentimos saudades do
que foi bom. Boas lembranças guardamos e as recordamos ternamente e até
nostalgicamente, porque não? Más lembranças procuramos esquecer e se não for
possível, ao menos podemos impedir que elas permeiem nossos sentimentos. Boas
coisas do passado guardemos com alegria no coração. Coisas não tão boas,
expurguemos e como não podemos deletá-las da memória, que fiquem à margem; que
migrem para o subconsciente e lá permaneçam.
Assim funciona a cura interior; viver os bons momentos e
esquecer os males. Curtir de maneira saudável, não doentia, as recordações do
passado e que as más recordações deixem de povoar nossa mente e de influenciar
nosso emocional. Sabemos que por nossa própria força e vontade não é fácil,
digo até impossível. Mas temos em nós o Espírito Santo a ampliar nossa força de
vontade e aí tudo se torna possível. Se eu quero e peço, Jesus com a força do
alto, o Espírito Santo, vem nos restaurar a alegria perdida, traz a tona as
boas lembranças e joga pra longe o que não presta. Somos mais felizes na medida
em que nos lembramos das coisas boas do passado. Se isso nos alegra, por certo
Jesus há de resgata-las para nós. O luar (carinho e amor de Deus por nós)
brilhará sobre o rio de água viva que brota do coração daqueles que se entregam
a Jesus.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Grupo de Oração, comunidade fraterna
A identidade carismática é marcada
por três elementos essenciais: o batismo no Espírito Santo, o exercício dos
carismas e a vida fraterna. Embora existam outros ambientes em que a prática
desse conjunto de elementos possa acontecer, o Grupo de Oração é, sem dúvida,
um lugar privilegiado para que se viva profundamente tais experiências.
Dizemos “lugar privilegiado” – não
exclusivo – pelo fato de que no Grupo de Oração tais experiências emanam “de
modo natural” como decorrência da abertura da comunidade reunida à experiência
do Espírito. Há na comunidade ali reunida uma fé expectante no agir de Deus que
se manifesta por meio do Batismo no Espírito Santo, que derramará seus dons e
carismas e possibilitará a experiência de vida fraterna.
Esses três elementos confirmam e
autenticam a identidade carismática. Por isso mesmo, o rosto de um Grupo de
Oração – comunidade carismática – só pode ser percebido na integração desses
três elementos, no mínimo.
Na Renovação Carismática Católica,
dois desses elementos estão sempre em relevo: as chamadas experiências de
Batismo no Espírito e a prática dos carismas. De fato, esses dois elementos são
emblemáticos e não podem ser relegados a um segundo plano ou postos como
adornos na vida do Movimento. Isso significaria desfigurar o rosto da RCC,
tornando-a dispensável à própria Igreja Católica. Renunciar a esses elementos
significaria nossa desfiguração ou deformação do rosto carismático que trazemos
por vocação na Igreja.
Ora, o mesmo vale dizer para o
elemento “vida fraterna”, que com os outros dois anteriores ajudam a
caracterizar a identidade carismática da RCC. Tão imprescindível quanto o
batismo no Espírito Santo e a prática dos carismas, a vida fraterna torna-se
elemento constitutivo na legitimação de nossa identidade carismática. Ninguém é
batizado no Espírito Santo para continuar vivendo no isolamento. Pelo
contrário, a experiência do Espírito abre a pessoa à experiência comunitária,
no amor de irmãos que, assim como ela, também se descobriram amados por Deus. A
pessoa é atraída – não forçada – para uma comunidade, lugar onde poderá
exercitar os carismas recebidos, crescendo em “sabedoria e graça” (Lc 2,52).
Grupo de oração, lugar de vida
fraterna
O Novo Testamento revela que o grupo
dos discípulos de Jesus já mantinha grande convivência mesmo antes de
Pentecostes. Desde que foram chamados por Jesus, os discípulos já faziam uma
experiência de vida fraterna, assistida e coordenada pelo Mestre. Enquanto
aguardavam o cumprimento da promessa (At 1,4), eles permaneciam em Jerusalém,
na sala do Cenáculo. Aguardavam como comunidade reunida.
Podemos tirar dessa afirmação ao
menos três questões relevantes para nossa reflexão: 1) Pentecostes é uma
experiência vivida “na comunidade”; 2) Embora seja na comunidade, a experiência
do Espírito é pessoal; 3) Uma consequência constitutiva de Pentecostes é a vida
em comunidade.
1) Pentecostes é uma experiência
vivida na comunidade
Quando o Espírito Santo foi derramado
no dia de Pentecostes (Cf. At 2), Lucas escreve que “eles estavam reunidos no
mesmo lugar” (At 2,1). Alguns dias antes, dois deles haviam se destacado do
grupo e caminhavam para fora da cidade quando o próprio Jesus lhes aparecera
convidando-os a retornar à cidade e a juntar-se novamente à comunidade, até que
fossem revestidos da força do alto (Cf. Lc 24,49). Ora, não foi obra do acaso o
fato de o Espírito Santo ter se manifestado quando os discípulos estavam reunidos
em comunidade.
A imagem da comunidade reunida
aguardando o derramamento do Espírito Santo não nos parece ser a imagem mais
próxima daquilo que marca nossos Grupos de Oração? A reunião de oração de um
povo que aguarda com “fé expectante” a manifestação poderosa do Espírito é a
forma mais autêntica de definir o significado de um Grupo de Oração. O Espírito
Santo vem quando eles estão reunidos. A importância de “permanecer reunidos” em
comunidade para a concretização da promessa do Consolador (Jo 14, 16) é
essencial para o evento Pentecostes.
2) A experiência do Espírito é
pessoal
Não obstante ao fato de Pentecostes
ser uma experiência comunitária, o texto dos Atos dos Apóstolos sublinha o fato
de que as “línguas de fogo pousaram sobre cada um deles” (At 2,3).
Chamamos de “experiência pessoal do
Espírito” a realidade que cada um experimenta individualmente quando Deus
derrama seu Espírito na comunidade reunida. O Espírito é dado a todos, mas cada
um o recebe na medida da abertura de seu próprio coração. Não se trata de uma
experiência “de massa”, por indução ou por “contágio”. O Espírito de Deus
visita a comunidade e enche a todo que se deixa por Ele ser tocado. O “sim” ao
Espírito é fruto da liberdade de cada fiel que se abre à experiência de amor.
Tal experiência individual, no
entanto, não mantém o fiel no isolamento ou na indiferença ao irmão. Ao
contrário, tanto mais a experiência do Espírito atinge a particularidade de
cada pessoa, quanto essa pessoa vai abrindo-se à vida fraterna em comunidade. À
medida que se descobre o agir do Espírito na vida interior, aumenta na mesma
proporção o grau de aproximação da pessoa com a comunidade. Essa é uma forma de
verificação da realidade de Pentecostes na vida do fiel.
É fundamental, portanto, ao Grupo de
Oração, que cada um viva sua experiência pessoal do Espírito de forma contínua,
pois isso resultará em grande graça para cada participante e para toda a
comunidade. Na medida em que “a graça de Deus cresce em nós sem cessar”, vamos
tornando-nos expressão dessa mesma graça para nossa comunidade, favorecendo
assim nossa vida fraterna.
As divisões dentro de um Grupo de
Oração não são frutos de meros impulsos humanos, mas no fundo, da ausência da
graça de Deus em nós. O afastamento da vida na graça de Deus poderia tornar-nos
insuportáveis uns aos outros. Sem a presença do “amor de Deus derramado em
nossos corações” (Rm 5,5) como poderíamos ser chamados de irmãos?
Por isso, faz-se necessário pedir
sempre um novo Pentecostes para cada pessoa presente no Grupo de Oração, individualmente.
3) Uma consequência constitutiva de
Pentecostes é a vida em comunidade
Chegamos aqui ao ponto central de
nosso tema. Pensar o Grupo de Oração como uma comunidade fraterna é tocar na
consequência objetiva mais impactante de Pentecostes. Mais desconcertante do
que a manifestação miraculosa dos carismas de profecia, cura e pregação na
comunidade primitiva, o testemunho de uma comunidade fraterna (frater = irmãos)
deixava os concidadãos dos discípulos intrigados. “Vejam como eles se amam”,
diziam a respeito daqueles seguidores de Jesus que há pouco recebera o Espírito
Santo. Era o cumprimento do mandamento do Senhor: “Nisto todos conhecerão que
sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35).
Traduzimos por “comunhão fraterna” o
termo grego koinonia. Trata-se da união espiritual dos que se deixaram batizar
na mesma fé e que assumiram um projeto de vida comum.
Se antes da vinda do Espírito era
possível a comunidade permanecer reunida, agora com o derramamento abundante da
graça do Espírito será possível atingir o aperfeiçoamento da vida comunitária.
O sonho de viver como irmãos tornar-se-á possível exatamente por auxílio da
graça derramada. As disputas ou divisões podem ser superadas, pois “o amor foi
derramado nos corações” (Rm 5,5). A partilha não será uma utopia para quem se
deixou tocar e conduzir pelo Espírito. “Eles tinham tudo em comum” (At 4,32).
Quando a experiência do Espírito
toca-nos profundamente o mais íntimo do coração, somos convencidos de que a
comunidade de irmãos (embora ainda repletas de limitações e fragilidades
humanas) é um verdadeiro refúgio e fortaleza na luta contra tudo o que há de
mal no mundo.
Nesse sentido, o Grupo de Oração é um
lugar privilegiado para a experiência fraterna! E para que essa realidade se
concretize na vida cotidiana do GO é preciso que cada participante saiba de sua
importância, como colaborador do Espírito no aperfeiçoamento da vida fraterna
da comunidade.
A atitude de acolher não deve ser
delegada a um grupo de pessoas, apenas. Embora exista normalmente um ministério
ou equipe de acolhida em nossos Grupos de Oração, a função de acolher ao
próximo é papel de todos. Coordenadores, servos e participantes devem se deixar
conquistar pela graça do acolhimento, dom próprio do Espírito derramado na vida
da comunidade.
A fraternidade não deve existir
somente em função de uma necessidade ou situação inusitada. Ela deve ser constitutiva
na vida do Grupo de Oração. Acolher com alegria e cuidar uns dos outros é um
dos sinais evidentes de Pentecostes.
Um testemunho
Participo de Grupo de Oração há quase
25 anos. Durante esse tempo vivi e continuo vivendo muitas experiências que acabam
por deixar marcas profundas em minha história pessoal. Quantas curas
miraculosas, vi acontecer pela manifestação de legítimos carismas no meio da
comunidade. Quantas pessoas eu vi mudarem de vida depois de terem vivido a
experiência de batismo no Espírito Santo. Em minha vida mesmo, quantas mudanças
percebi como decorrentes dessa ação do Espírito! Louvo a Deus por tudo o que
Ele fez em mim!
Preciso afirmar, entretanto, que as
experiências que mais marcaram minha vida e da minha família foram as experiências
de vida fraterna no seio do Grupo de Oração.
No ano de 1996, passamos por uma
grande dificuldade que atingiu nossa vida financeira. Morávamos de aluguel e
recebemos comunicado de despejo, pois estávamos entrando no terceiro mês de
atraso no pagamento. Não tínhamos condições de pagar aquele valor e não
sabíamos como resolver aquela situação. Eu e minha esposa buscávamos encontrar
saídas para aquele episódio de constrangimento e preocupação para com nossos
filhos. Rezávamos e íamos com nossos filhos ao Grupo de Oração. Eu e minha
esposa fazíamos parte do Ministério de Música e éramos responsáveis pela
animação de louvor na reunião de oração. Nossos problemas nunca nos impediram
de assumirmos nosso ministério com alegria.
Enquanto apresentávamos por meio da
oração esta situação difícil diante de Deus, alguns irmãos do Grupo de Oração
ficaram sabendo de nossa situação e naquele momento pude ver a consequência do
batismo no Espírito Santo acontecer de forma bastante concreta no testemunho
comunitário do meu Grupo de Oração. Fizeram uma coleta entre eles, sem que eu
soubesse, e me ajudaram a quitar meus aluguéis atrasados e contas de água e
luz. Cuidaram de minha família, como pastores que cuidam de suas ovelhas.
Supriram nossas necessidades de alimentos durante cerca de seis meses, até que
eu tivesse melhorado minhas condições. Até o material escolar de minhas
crianças era providenciado por Deus pela ação fraterna dos membros do Grupo de
Oração. Não se tratava de um mero assistencialismo. Percebíamos o amor com que
realizavam aquelas ações em nosso favor. Tudo estava acompanhado de profundos
momentos de oração em minha casa. A atenção que recebemos naquele momento de
fragilidade que minha família passava marcou-nos profundamente.
Entendi através daqueles momentos que
o testemunho de partilha e comunhão fraterna das primeiras comunidades cristãs
não era uma utopia. Eu vi em minha própria vida esta consequência de
Pentecostes. Aquela atitude de acolhida testemunhou e consolidou na comunidade
o batismo no Espírito Santo. Eram sinais da Cultura de Pentecostes!
Quantas pessoas podem estar
participando de nossos Grupos de Oração e que estão precisando ser acolhidas e
cuidadas com mais atenção? Seria justo celebrar durante uma hora e meia ao lado
de uma pessoa que se senta ao nosso lado na Igreja, cantando cantos alegres e
ouvindo a Palavra de Deus, sem sequer saber o nome e o lugar de onde aquela
pessoa vem? E se ela não voltar, quem perceberá sua ausência? Quantos dentre os
próprios servos vivem verdadeiras lutas sem poder contar com a ajuda dos irmãos
de comunidade...
Devemos continuar com os olhos
voltados para o céu, esperando as respostas de Deus, mas precisamos manter
também os braços abertos e estendidos para acolher cada um daqueles que foram
atraídos ao nosso Grupo de Oração. A experiência de amor vivida em comunidade
deixará marcas profundas na vida de todos, sobretudo na vida daqueles que
receberem esse amor fraterno.
Peçamos continuamente o batismo no
Espírito Santo em nossas reuniões de oração para que a comunidade, repleta dos
dons e carismas do Espírito, seja capaz de traduzir tudo isso num autêntico
testemunho de vida fraterna.
Rogério Soares - Coordenador Estadual da RCC São Paulo
Grupo de Oração Kénosis
Grupo de Oração Kénosis
domingo, 29 de julho de 2012
RELIGIÕES E INQUISIÇÕES
Numa época em que o ateísmo militante matou quase
duas centenas de milhões de pessoas e criou os mais temíveis mecanismos de
repressão já conhecidos , as advertências de certos vigilantes da democracia
contra o perigo das inquisições religiosas soam tão comicamente
desproporcionais, que não se pode deixar de ver nelas um simples mecanismo de
fuga. Por meio desse artifício, o inimigo das religiões tenta salvar de um
confronto com a realidade o mais querido mito moderno: o mito de que a cultura
científico-materialista pode criar um mundo de liberdade e democracia.
Se as religiões, uma
vez perdido o seu impulso originário, podem cristalizar-se em burocracias
tirânicas e até homicidas, isso prova que a violência repressiva não está na
raiz e essência do fenômeno religioso, mas sim na sua lenta e progressiva
contaminação por elementos estranhos – políticos, sociais, culturais e
econômicos. A repressão religiosa só aparece quando decorridos muitos séculos da
revelação inicial, e vem junto com a proliferação das controvérsias teológicas
que assinalam a dissolução da unidade espiritual do povo crente.
Nos seus primeiros
tempos, as religiões em geral mostram um notável espírito de mansuetude e
tolerância. Os judeus do Antigo Testamento só partiram para as guerras depois de
suportar docemente toda sorte de ofensas. Os cristãos só começaram a reagir pela
força depois de três séculos de sofrimento resignado. Maomé ao entrar triunfante
em Medina deu anistia geral aos adversários que haviam tramado sua morte. As
manifestações de fanatismo e intolerância foram tardias nos três casos e
entremeadas de retornos a bondade originária.
As ideologias
modernas, ao contrário, nasceram bebendo sangue, com uma sede ilimitada que nem
se inibe na derrota, nem se aplaca na vitória. São homicidas desde o berço. Não
há uma só delas – nem o democratismo iluminista, nem o socialismo, nem o
nacionalismo, nem o anarquismo – que não tenha surgido como proposta explicita
de transformação violenta, que não tenha dado seus primeiros passos sobre os
cadáveres de seus adversários e que uma vez no poder, não tenha progredido
praticamente sem limites, no uso de meios cruéis para derrubar os obstáculos que
se apresentem no caminho de uma paz sempre adiada, de um paraíso de ordem e
justiça que vai se esfumando no horizonte, de século em século.
Mais ainda: desde o
inicio, essa violência, de escala milhares de vezes maior do que tudo quanto se
possa imputar a qualquer religião conhecida e a todas elas somadas, se volta no
essencial, contra povos e comunidades crentes. Contra os católicos na França, no
México e na Espanha. Contra os ortodoxos na Rússia e paises satélites. Contra os
judeus na Alemanha e paises sob ocupação alemã. Contra os budistas na China e no
Tibete. Total de vitimas: o equivalente a população do Brasil. E tudo isto em
nome de doutrinas puramente agnósticas ou atéias: o laicismo, a interpretação
materialista da história, a competição darwinista das raças. A história da
modernidade não é só a narrativa de um processo de ‘laicização’crescente –
tantas vezes assim denominado para dar a impressão de que tudo não passou de um
inofensivo debate acadêmico no qual o lado mais inteligente levou a melhor. A
história da modernidade não é isso: é a história da matança sistemática e
ininterrupta dos crentes pelos descrentes. Foi matando os homens de Deus e não
argumentando com eles, que a modernidade atéia pôde triunfar e hoje impor ao
mundo a mentira sórdida de que as religiões são um perigo para a democracia e a
paz.
Tão fundo essa
mentira penetrou na mente contemporânea, que mesmo homens que se imaginam mais
avessos às ideologias totalitárias, quando vão denunciá-las em público, não
falam delas senão no vocabulário que elas mesmas forjaram para caluniar as
religiões. Quando com pose de esclarecido e tolerante, o democrata moderno
expressa sua repulsa pelas tiranias do século XX referindo-se a elas com
expressões como “inquisição”, “intolerância rabínica” ou “fundamentalismo”, o
que ele faz é , em última análise, misturar
numa pasta de sombras a imagem das vitimas e a dos assassinos, insinuando que
estes só são verdadeiramente assassinos porque em algo se parecem com aquelas.
Nessa linha, o ateu não mata porque é ateu, porque é inimigo professo de Deus,
porque tem ódio aos crentes: mata porque se deixou contaminar de “espirito
inquisitorial”, de “fé irracional”, de “fanatismo puritano”. Mata porque ainda
carrega em si algum residuo das antigas religiões. Mata porque ainda não
alcançou a perfeição do puro materialismo cientifico. Quando o último rabino for
enforcado nas tripas do último bispo e enterrado sob os ossos do último aiatolá,
a violência terá desaparecido do mundo.
É assim que, no ato mesmo de confessar seus
crimes, a astúcia materialista acaba por imputá-los às suas vitimas.
Na verdade, só quem
não faz a menor idéia do que seja uma religião – ou quem fazendo uma idéia bem
clara, tenha motivos para obscurece-la – pode supor que haja uma conexão
intrinseca entre religião e fanatismo totalitário de um lado,e entre
materialismo e tolerância democrática de outro.
A aposta fanática que
o militante faz numa ideologia cientifica é, pela própria natureza das coisas ,
infinitamente maior que aquela que qualquer religião poderia admitir numa alma
de crente. Nenhum profeta, santo ou mistico jamais esteve tão persuadido de
conhecer as intensões divinas quanto os ilumunistas , marxistas e racistas
imaginavam ter penetrado as leis secretas da natureza e da história. (Uns
sabiam muito e se julgavam pouco sábios; outros pouco sabiam e achavam
que sabiam tudo). Em religião, as revelações vêm sempre numa linguagem
demasiado compacta, demasiado densa de subintenções simbólicas, para que seu
conteúdo doutrinal possa saltar aos olhos a primeira vista. O esclarecimento, a
explicação doutrinal leva séculos – e a margem de incerteza nas interpretações
tem de permanecer ampla pelo menos até que se perfilem, ao fim de um longo
trabalho, os pontos de controvérsia irredutíveis, que então sim, podem se
cristalizar em antagonismos políticos e inaugurar a era das inquisições. Com as
ideologias cientifico-politicas não há essa delonga: mal acabam de ser
formuladas, já podem conquistar a adesão consensual de massas de intelectuais e
militantes, fortalecidas, ademais pela convicção de que não agem por fé
irracional, mas por uma fatalidade natural ou histórica legitimada pela ciência.
Por isto as religiões quando velhas podem até se tornar assassinas. Mas as
ideologias materialistas já nascem matando e nunca param de matar.
Olavo de Carvalho, filósofo quinta-feira, 26 de julho de 2012
A VIDA E A QUIMICA
A
|
Vida e a Química,
tema paradoxalmente fácil e dificil. Todos sabemos o que é a vida, porém somos
incapazes de defini-la com precisão. No dicionário encontramos: “Vida -
conjunto de propriedades e qualidades graças as quais animais e plantas
se mantêm em continua atividade.” Do que se conclui que somente os animais
e plantas têm vida. Mas, qual a relação entre a vida e a química? Todas as
imagináveis, porque os animais (organismos predominantemente nitrogenados) e os
vegetais (organismos predominantemente oxigenados) constituem-se os mais
eficientes laboratórios de química, jamais idealizados pelas mais evoluídas
sociedades cientifícas de todos os tempos. A vida tem sua origem no simbolismo
religioso, no Livro das Origens, no Gênesis: “O homem foi criado da terra, mas
animado de um sopro de vida”. Com esta evocação surge concomitantemente
a química, uma vez que os componentes químicos inorgânicos da terra, sob
a ação catalítica do sopro Divino, reagem e transformam-se na estrutura orgânica
do ser humano. Hoje, milênios depois, a presença da química no surgir da vida é
mais e mais importante. No germinar de um vegetal, ou seja, no nascer de uma
nova vida, a semente passa por um processo no qual ela “seca”. Uma primeira
fase de transformações que exige cuidados de acondicionamento, luz e
temperatura. Em seguida ela é plantada,
de preferência pela manhã quando a temperatura é mais amena, em solo acrescido
de adubo (alimentos) e água. Isto é, são oferecidas à semente as condições
físicas necessárias para o seu desenvolvimento. Nos humanos e em muitos outros
animais temos o surgir da vida quando o óvulo é fertilizado pelo
espermatozóide. Para que isso aconteça há a necessidade de uma identificação
química realizada por códigos genéticos que nada mais são que proteínas,
substâncias químicas. Qualquer transtorno nesta interação química impede a
fertilização ou origina seres deficientes. Na evolução da vida a puberdade é o
período em que o laboratório humano adquire a capacidade de produzir novas substâncias,
entre as quais os hormônios necessários para a perpetualização da espécie. De
modo semelhante os vegetais também modificam seus quimismos quando tornam-se
capazes de florir e frutificar. No interregno da vida a saúde depende do
laboratório orgânico. Se não produz a insulina necessária ao metabolismo do
açúcar, advem o diabetes. Se não produz a coenzima necessária para a eliminação
do ácido úrico produzido no metabolismo das proteínas, advem a artrite. O final
da vida, a morte, nada mais é do que o cessar das reações químicas responsáveis
pela vida e o iniciar de outras reações que conduzem a decomposição e
reutilização da matéria orgânica na vida de outros seres.
Os
vegetais têm a capacidade de sintetizar os seus alimentos, diferentemente dos
animais que consomem alimentos sintetizados por outros organismos,como frutos,
folhas, flores, raízes, enfim todos os órgãos vegetais e outros animais. O
equilíbrio ecológico ou o desenvolvimento auto sustentado é norteado pela
racionalidade das batalhas pela sobrevivência nas lutas pelos alimentos. O
consumo dos alimentos pelos animais pode ser in natura ou após
tratamento químico. O amido, um polisacarídeo presente em muitos de nossos
alimentos (milho, batata, arroz, trigo, mandioca, etc.) para ser consumido é
necessário ser decomposto em carboidratos de menor peso molecular, o que se
consegue através do cozimento (reação de hidrólise). De modo semelhante, a
carne animal para ser consumida também é submetida a tratamentos químicos que
transformam suas proteínas em moléculas menores, de modo a favorecer o
metabolismo dos aminoácidos. Quando se ingere um alimento inadequado ou
inadequadamente (em quantidade excessiva) tem-se problemas estomacais,
hepáticos ou intestinais, porque o laboratório orgânico é exigido além de sua
capacidade. O laboratório animal está equipado para identificar um alimento
inadequado através mensagens químicas que são detectadas pelos nossos sentidos.
Sabemos que um fruto está verde quando ainda não está em condições de ser
consumido. Na maturação ocorrem reações químicas em que substâncias de dificil
digestão (taninos, alcalóides, etc.) são transformadas em outras de mais fácil
digestão (açucares, vitaminas, etc.). Ocorre também a formação de óleos
essenciais que dão o odor característico do fruto. Mesmo de olhos vendados
somos capazes de distinguir pelo odor, uma maçã de uma laranja. Nossas
glândulas salivares são ativadas pelo odor dos alimentos, como o odor exalado
no preparo de um churrasco, por exemplo. Da mesma forma sentimos repúdio pelo
odor fétido de um alimento deteriorado. Ao adentrarmos em nossas casas as vezes
detectamos odores que nos indicam vazamento de gás, preparo de determinada
comida, queima de um aparelho elétrico , etc. Em alguns animais,como os cães, a
linguagem química dos odores é muito mais sensível. Os odores dos ferormônios
são particularmente importantes na perpetuação das espécies animais por se
constituírem um indicador do momento em que a fêmea está no período de
fertilidade. Os humanos ao longo dos anos vêm procurando eliminar ou substituir
seus ferormônios naturais com o uso dos mais variados perfumes. É importante,
porém, não confundir o odor produzido por bactérias que se alojam nas axilas e
que não é eliminado por falta de higiene, ou o odor do liquido de defesa de um
gambá (Didelphis) com ferormônios.
Em
conclusão o nascer, o viver, o morrer, os menores movimentos dos seres vivos
estão intrinsecamente ligados a processos químicos naturais que determinam, em
cada organismo, todas as características e todos movimentos por menor que
sejam.
A
vida, entretanto, está intimamente ligada e dependente de processamentos
químicos desenvolvidos pelo homem. Sem os adubos, os inseticidas, etc.,
produzidos pela indústria química, seria muito mais dificil a luta contra as
pragas e contra a fome. Quando olhamos as coisas que nos rodeiam o que vemos?
Um sapato confeccionado de couro animal ou elastômero; roupas confeccionadas de
polímeros; produtos de higiene; materiais de construção (cimento, vidro,
metais, tintas, plásticos). Todos produzidos pela indústria química. Hoje é
muito dificil imaginarmos a vida sem a indústria química. Voltando ao Gênesis,
sentimos aumentar nossa incerteza em definir se Deus ao criar a vida criou a
química ou se ao criar a química criou a vida.
(Sinopse de palestra proferida na ULBRA-AM - Centro Universitário Luterano de Manaus por Arnaldo F.I. da Rocha, conselheiro do CFQ)sexta-feira, 20 de julho de 2012
Um olhar sobre a cidade
Apesar de nossas mazelas grandes eventos acontecerão na bela
Rio de Janeiro: copa das confederações, copa do mundo, jogos olímpicos; grandes
eventos esportivos. No entanto, outro grande evento é pouco divulgado: a JMJ
Rio 2013; jornada mundial da juventude com o Papa Bento XVI. Com exceção da mídia
católica, a mídia secular pouco a divulga e explora. Sem demérito dos demais e
dando-lhes a importância devida, a JMJ é também um grandioso evento e nos traz
a expectativa de um marco na história do Rio de Janeiro.
Deus é bom. Rico em misericórdia, amor, previdência e
providência. A eleição do Rio de Janeiro para receber esse encontro da
juventude mundial com o papa, justamente em 2013 foi ocasional? Foi providência
divina! A cidade está sendo preparada para sediar grandes eventos
internacionais. Revitalização da zona portuária, reparo nas vias,
aperfeiçoamento do transporte público – BRTs, ampliação do metrô. Tudo isso,
mesmo que para outros objetivos, irá favorecer grandemente a realização das
diversas atividades da JMJ 2013.
Diz o ditado popular que Deus escreve certo por linhas
tortas. Porém Deus não escreveu sobre linhas tortas, escreveu sobre linhas
retas. Eventos esportivos são bem-vindos, pois o esporte une e congrega os
povos. E para coroar tudo isso, um evento religioso internacional. Cristo
Redentor do alto do Corcovado lança seu olhar amoroso sobre a cidade e de
braços abertos recebe os jogos da copa, as olimpíadas e sobretudo a jornada
mundial da juventude católica. Deus seja louvado!
quarta-feira, 18 de julho de 2012
A diminuição do número de católicos
O IBGE publicou que o número de católicos no
Brasil, segundo o censo de 2010, caiu para 123,3 milhões, cerca de 64,6% da
população.
Na verdade esses números não nos assustam e nem nos surpreendem diante da realidade que vivemos. Na verdade, quantos católicos, de fato, participam da Missa aos domingos, se Confessam, Comungam e vivem os 10 Mandamentos? Creio que não chegam a 20%.
Vários são os fatores que causam este fenômeno.
Ignorância religiosa - é o principal deles, sem dúvida. A maioria que se diz católica, na verdade o são apenas de estatística; não conhecem os dogmas, a doutrina, a história da Igreja, etc. Não é sem razão que o Papa anunciou o "Ano da Fé" com o objetivo principal de enfrentar esse analfabetismo crônico. São Paulo disse que "a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade" (1Tm3,15). Mas muitos católicos não sabem que esta Igreja, a que São Paulo se referia, era aquela que Cristo fundou sobre Pedro e os Apóstolos, e que as demais não foram instituídas por Jesus, mas por outros homens. Os que abandonam a fé católica nunca a conheceram de verdade.
Mas, por que muitos católicos são analfabetos da fé que professam? Várias são essas causas. A principal, me parece, a falta de uma boa catequese às crianças e aos jovens. E isto acontece, há muitos anos, porque, logicamente, faltaram e faltam bons catequistas. Os primeiros deveriam ser os pais, mas, infelizmente muitos deles também não receberam formação religiosa. Já não se reza mais em família, e os pais já não ensinam a doutrina básica para os filhos. Ligado a isso está a destruição da família católica, especialmente pela mídia imoral, devastadora dos bons costumes e da moral católica, incentivando um relativismo moral degradante e um permissivismo doentio.
A mídia de modo geral estimula uma vida de conforto, relaxada, regalada, usufruindo de todos os prazeres sem limites e sem regras. É claro que num contexto desse não vale a pena ser católico; não vale a pena adotar uma religião que exige uma moral rígida, autocontrole, vida de oração, jejum e sacrifícios.
Infelizmente ficamos sem uma boa catequese há muito tempo. A difícil situação social da América Latina gerou entre nós nos últimos 50 anos uma falsa "catequese renovada", trazendo no seu bojo mais sociologia e política do que teologia, esvaziando e politizando a fé. O povo católico ficou à mingua de uma catequese verdadeira, baseada no Credo, nos Sacramentos, nos Mandamentos e na Oração, como pede o Catecismo. O povo ficou à mingua de uma sadia espiritualidade e foi busca-la nas seitas. Uma certa "teologia marxista da libertação", que confunde a libertação espiritual com a libertação política, e o estabelecimento do "Reino de Deus" na terra com a implantação uma sociedade socialista e igualitária, influenciou tremendamente quase todos os Seminários do pais; prejudicando essencialmente a sua formação de muitos sacerdotes.
As homilias e catequeses deixaram de falar do pecado, do sexo fora do casamento, do céu, do inferno, do purgatório, da vida eterna, dos sacramentos, dos mandamentos, da oração..., e tudo se voltou para o social. Por isso o frei Cantalamessa, pregador do Papa chegou a dizer que a Igreja na América fez uma opção pelos pobres, mas estes fizeram uma opção pelas igrejas evangélicas. Por que nelas se fala de Deus e de tudo que foi excluído da catequese católica.
Esqueceu-se que a Igreja não foi instituída por Jesus para resolver os problemas políticos, econômicos e sociais, mas para "salvar as almas" da morte eterna. Esqueceu-se que Jesus não é o "revolucionário de Nazaré", mas o "Redentor dos homens", que tira o pecado do mundo, como disse João Paulo II em Puebla. "A quem iremos, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,68).
Em 1996, falando aos bispos do Brasil (Regionais Nordeste I e IV), sobre a "ameaça das seitas, o beato João Paulo II, falou desse grave "esvaziamento espiritual". Disse aos bispos, entre outras coisas:
"A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado?"
"Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. Ele quer ver o homem de Deus nos ministros de sua Igreja, uma presença que lhes inspire amor, respeito, confiança. O povo tem direito e isso pode exigi-lo de seus pastores. O que os homens querem, o que esperam é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus".
"O ministério da Palavra, que está intimamente ligado à Liturgia Eucarística (cf. SC, 56), contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que há tanta gente que não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus que do pão material, pois entende que "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4, 4)".
"Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho".
Outro fator que destrói a fé católica hoje se encontra nas universidades. A maioria delas, com raras exceções, possuem professores que desconhecem a real História da Igreja e despejam sobre os alunos calúnias e mentiras sobre ela, gerando neles ódio e aversão à Igreja. Depois, esses jovens, futuros jornalistas, escritores, artistas, profissionais liberais, passam a ser maus formadores de opinião; se incumbem de destruir nos corações dos jovens leitores, telespectadores e internautas a fé católica e o amor a Igreja. Ela é mostrada a eles como a "megera da história", a sanguinária, a culpada de todos os males, quando, na verdade, ela salvou e construiu a Civilização Ocidental a partir da queda do Império Romano do Ocidente.
Outro fator preponderante nesta debandada de católicos para outras comunidades não católicas, é sem dúvida o contra testemunho de muitos católicos: leigos, sacerdotes e até alguns bispos. Nada pior para a fé católica do que isso, especialmente quando parte de um religioso. Penso que nem preciso explicar as razões disso.
Mais um fator devastador para a fé católica são aqueles que dividem a Igreja Católica, não aceitando a orientação do Magistério da Igreja, se opondo ao Papa e às normas da Santa Sé. Infelizmente há muitos dentro da Igreja que se acham mais iluminados e preparados do que o Papa e ousam enfrentá-lo acintosamente. O nosso Papa disse que os piores inimigos da Igreja estão dentro dela.
Diante disso tudo a Igreja não desanima e não se desespera; ela sabe que Jesus ressuscitado caminha com ela para salvar a humanidade. O Papa João Paulo II propôs uma NOVA EVANGELIZAÇÃO, que Bento XVI a impulsiona vivamente. Pedia o Papa beato uma evangelização "com novo ardor", "novos métodos" e "nova expressão", e graças a Deus isso tem acontecido. Os Seminários estão se enchendo. O número de padres está crescendo sensivelmente; padres novos, ardorosos, renovados. São jovens que buscam o sacerdócio com convicção e não por conveniência ou dúvidas outras. A Igreja renasce com os "Novos Movimentos" e as "Novas Comunidades", como disse João Paulo II, "a resposta do Espírito Santo para o novo milênio".
Há que se priorizar nesse trabalho de resgate dos católicos o "ministério da acolhida", os sinais exteriores da fé católica, as homilias bem feitas, etc., como João Paulo II pediu aos bispos em 1996.
Nosso Papa atual tem pedido uma Igreja de qualidade mais que de quantidade; porque a Igreja é como a pequena colher de fermento que leveda toda a massa; frágil e potente como um grão de mostarda.
Na verdade esses números não nos assustam e nem nos surpreendem diante da realidade que vivemos. Na verdade, quantos católicos, de fato, participam da Missa aos domingos, se Confessam, Comungam e vivem os 10 Mandamentos? Creio que não chegam a 20%.
Vários são os fatores que causam este fenômeno.
Ignorância religiosa - é o principal deles, sem dúvida. A maioria que se diz católica, na verdade o são apenas de estatística; não conhecem os dogmas, a doutrina, a história da Igreja, etc. Não é sem razão que o Papa anunciou o "Ano da Fé" com o objetivo principal de enfrentar esse analfabetismo crônico. São Paulo disse que "a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade" (1Tm3,15). Mas muitos católicos não sabem que esta Igreja, a que São Paulo se referia, era aquela que Cristo fundou sobre Pedro e os Apóstolos, e que as demais não foram instituídas por Jesus, mas por outros homens. Os que abandonam a fé católica nunca a conheceram de verdade.
Mas, por que muitos católicos são analfabetos da fé que professam? Várias são essas causas. A principal, me parece, a falta de uma boa catequese às crianças e aos jovens. E isto acontece, há muitos anos, porque, logicamente, faltaram e faltam bons catequistas. Os primeiros deveriam ser os pais, mas, infelizmente muitos deles também não receberam formação religiosa. Já não se reza mais em família, e os pais já não ensinam a doutrina básica para os filhos. Ligado a isso está a destruição da família católica, especialmente pela mídia imoral, devastadora dos bons costumes e da moral católica, incentivando um relativismo moral degradante e um permissivismo doentio.
A mídia de modo geral estimula uma vida de conforto, relaxada, regalada, usufruindo de todos os prazeres sem limites e sem regras. É claro que num contexto desse não vale a pena ser católico; não vale a pena adotar uma religião que exige uma moral rígida, autocontrole, vida de oração, jejum e sacrifícios.
Infelizmente ficamos sem uma boa catequese há muito tempo. A difícil situação social da América Latina gerou entre nós nos últimos 50 anos uma falsa "catequese renovada", trazendo no seu bojo mais sociologia e política do que teologia, esvaziando e politizando a fé. O povo católico ficou à mingua de uma catequese verdadeira, baseada no Credo, nos Sacramentos, nos Mandamentos e na Oração, como pede o Catecismo. O povo ficou à mingua de uma sadia espiritualidade e foi busca-la nas seitas. Uma certa "teologia marxista da libertação", que confunde a libertação espiritual com a libertação política, e o estabelecimento do "Reino de Deus" na terra com a implantação uma sociedade socialista e igualitária, influenciou tremendamente quase todos os Seminários do pais; prejudicando essencialmente a sua formação de muitos sacerdotes.
As homilias e catequeses deixaram de falar do pecado, do sexo fora do casamento, do céu, do inferno, do purgatório, da vida eterna, dos sacramentos, dos mandamentos, da oração..., e tudo se voltou para o social. Por isso o frei Cantalamessa, pregador do Papa chegou a dizer que a Igreja na América fez uma opção pelos pobres, mas estes fizeram uma opção pelas igrejas evangélicas. Por que nelas se fala de Deus e de tudo que foi excluído da catequese católica.
Esqueceu-se que a Igreja não foi instituída por Jesus para resolver os problemas políticos, econômicos e sociais, mas para "salvar as almas" da morte eterna. Esqueceu-se que Jesus não é o "revolucionário de Nazaré", mas o "Redentor dos homens", que tira o pecado do mundo, como disse João Paulo II em Puebla. "A quem iremos, Senhor, só tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,68).
Em 1996, falando aos bispos do Brasil (Regionais Nordeste I e IV), sobre a "ameaça das seitas, o beato João Paulo II, falou desse grave "esvaziamento espiritual". Disse aos bispos, entre outras coisas:
"A difusão das seitas não nos interroga se tem sido manifestado suficientemente o senso do sagrado?"
"Vosso povo, caríssimos irmãos no episcopado, quer ver os padres como verdadeiros Ministros de Deus, inclusive na sua veste e no seu modo externo de proceder. Ele quer ver o homem de Deus nos ministros de sua Igreja, uma presença que lhes inspire amor, respeito, confiança. O povo tem direito e isso pode exigi-lo de seus pastores. O que os homens querem, o que esperam é que o sacerdote com o seu testemunho de vida e com sua palavra, lhes fale de Deus".
"O ministério da Palavra, que está intimamente ligado à Liturgia Eucarística (cf. SC, 56), contenha sempre, do início ao fim, uma mensagem espiritual. É certo que há tanta gente que não possui o suficiente para acalmar a própria fome, mas, ordinariamente, o povo tem mais fome de Deus que do pão material, pois entende que "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4, 4)".
"Não estaria havendo uma certa acomodação deixando de ir em busca das ovelhas que estão afastadas? Ao contrário da parábola evangélica, não é uma e outra que está tresmalhada, mas é uma parte do rebanho".
Outro fator que destrói a fé católica hoje se encontra nas universidades. A maioria delas, com raras exceções, possuem professores que desconhecem a real História da Igreja e despejam sobre os alunos calúnias e mentiras sobre ela, gerando neles ódio e aversão à Igreja. Depois, esses jovens, futuros jornalistas, escritores, artistas, profissionais liberais, passam a ser maus formadores de opinião; se incumbem de destruir nos corações dos jovens leitores, telespectadores e internautas a fé católica e o amor a Igreja. Ela é mostrada a eles como a "megera da história", a sanguinária, a culpada de todos os males, quando, na verdade, ela salvou e construiu a Civilização Ocidental a partir da queda do Império Romano do Ocidente.
Outro fator preponderante nesta debandada de católicos para outras comunidades não católicas, é sem dúvida o contra testemunho de muitos católicos: leigos, sacerdotes e até alguns bispos. Nada pior para a fé católica do que isso, especialmente quando parte de um religioso. Penso que nem preciso explicar as razões disso.
Mais um fator devastador para a fé católica são aqueles que dividem a Igreja Católica, não aceitando a orientação do Magistério da Igreja, se opondo ao Papa e às normas da Santa Sé. Infelizmente há muitos dentro da Igreja que se acham mais iluminados e preparados do que o Papa e ousam enfrentá-lo acintosamente. O nosso Papa disse que os piores inimigos da Igreja estão dentro dela.
Diante disso tudo a Igreja não desanima e não se desespera; ela sabe que Jesus ressuscitado caminha com ela para salvar a humanidade. O Papa João Paulo II propôs uma NOVA EVANGELIZAÇÃO, que Bento XVI a impulsiona vivamente. Pedia o Papa beato uma evangelização "com novo ardor", "novos métodos" e "nova expressão", e graças a Deus isso tem acontecido. Os Seminários estão se enchendo. O número de padres está crescendo sensivelmente; padres novos, ardorosos, renovados. São jovens que buscam o sacerdócio com convicção e não por conveniência ou dúvidas outras. A Igreja renasce com os "Novos Movimentos" e as "Novas Comunidades", como disse João Paulo II, "a resposta do Espírito Santo para o novo milênio".
Há que se priorizar nesse trabalho de resgate dos católicos o "ministério da acolhida", os sinais exteriores da fé católica, as homilias bem feitas, etc., como João Paulo II pediu aos bispos em 1996.
Nosso Papa atual tem pedido uma Igreja de qualidade mais que de quantidade; porque a Igreja é como a pequena colher de fermento que leveda toda a massa; frágil e potente como um grão de mostarda.
Professor Felipe Aquino
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