sexta-feira, 17 de julho de 2020

I Reis 8,33-39a - Comunidade Hoje



N
a primeira pregação foi passada com muita sabedoria, com inspiração do Espírito Santo, pela nossa irmã de fé Betinha, a vida das primeiras comunidades cristãs. Também eu fui convidado a passar, a exortar, a vivência dessa comunidade hoje.
                É bem verdade que os tempos são outros, a realidade hoje é diferente da realidade do tempo dos apóstolos. Naquele tempo as noticias se propagavam lentamente; hoje com o progresso das comunicações, se a semente do mal é plantada na China, amanhã ou quem sabe ainda hoje, ela chega ao Brasil. O mundo está globalizado. Mas só na economia. A globalização só existe economicamente, quanto ao ser humano existe o individualismo; o mundo prega e propaga a disputa, a competição. O homem para chegar ao topo, ser o primeiro, há que derrubar o outro, pisar em cima, usa-lo como degrau para alcançar o topo. Neste mundo egoísta dois colegas de trabalho sorriem, confraternizam, porém nos bastidores conspiram um contra o outro, tramam a derrubada do outro, porque almejam o mesmo cargo, a mesma gerência, a mesma diretoria. Deus quer isso? Não!!! Ele quer a união; Ele quer que sejamos unidos num só coração, o coração de Jesus, o sacratíssimo coração de Jesus. Jesus, homem e deus. Jesus que detinha como homem todo o poder concedido pelo Pai, Jesus que poderia fazer tudo sozinho, mas quis precisar dos homens, formou um grupo, uma comunidade: seus discípulos, os apóstolos que foram seus sucessores formando novas comunidades. Paulo é um grande exemplo; formou comunidades cristãs em Colossos, Filipos, Tessalonica e outras.
                A RCC quer reviver hoje as comunidades ao molde da Igreja primitiva. Comunidade de fé não é coisa do passado, é p’rá hoje, p’rá agora!
                Lendo Reis 8,33-39a, observamos parte do discurso de Salomão na consagração do templo de Jerusalém ao todo poderoso Javé. É uma exortação à oração; demonstra o poder da oração, mormente a oração em comum. O v. 38 quando diz: “Se todo o povo orar...” evidencia a oração comunitária.
                 Quando um só fiel, um só filho de Deus, muitas vezes enfraquecido, abalado na fé, ora sozinho, quase sempre encontra um céu de bronze onde a oração retine, reflete e não chega a Deus. Se porém ele ora em grupo, o céu se abre, o bronze se transforma num véu diáfano e a palavra chega ao trono de Deus. Aí, a oração recebida por Deus volta em forma de bênçãos e de graças.
                Existe um ditado popular que diz: “Cada um por si e Deus por todos”. Ë cristão? Não. É egoísta. Já, “um por todos e todos por um”, pode ser adotado por nós, porque somos um em todos e todos em um, centrados em Cristo Jesus, como a Igreja: O corpo místico do Senhor, do qual fazemos parte na comunhão e na unidade.
                Sós somos fracos para combater o inimigo. Juntos somos imbatíveis pelo poder do sangue de Jesus. Tomando um pequeno graveto, qualquer criança pode quebrá-lo com facilidade. Tomando três ou mais é necessário certo esforço para quebrá-los. Se tomarmos um feixe com centenas, é impossível quebrá-los com as mãos; nem o homem mais forte do mundo consegui-lo-ia.
                Mesmo que o irmão esteja na dor, angustiado, em duvida, atribulado, ao buscar o auxilio do próximo na comunidade de fé, certamente encontrará um ombro amigo, conforto moral, palavras de sabedoria. Em oração, ouvirá palavras de ciência que revigoram, palavras proféticas que animam, que revivem a fé abalada.
                Dir-se-á: Havia monges que viviam sós, isolados, porém felizes sentindo a presença de Deus. É verdade. Mas estes eram homens fortalecidos na fé, altamente espiritualizados, que se isolavam, buscavam o deserto para se colocar a escuta de Deus e buscar discernimento. Depois retornavam ao convívio dos demais e construíam mosteiros, criavam irmandades, enfim, formavam comunidades.
                As idéias expostas nos mostram a importância da Igreja como aglutinadora, como comunidade, especialmente os grupos de oração. Por isso devemos rezar juntos, interceder juntos e jejuar juntos, para nosso crescimento e crescimento do irmão.
                Quanto à ajuda mútua, lembremo-nos da batalha dos hebreus contra os amalecitas. Enquanto Moisés do alto do monte mantinha os braços estendidos em oração, seu povo vencia a batalha; quando, porém, fatigado, seus braços pendiam, seu povo também cedia ao inimigo. Moisés então sentou-se numa pedra; Aarão e Hur sustentando os braços de Moisés, os mantinham erguidos e assim a batalha prosseguiu até o aniquilamento de Amalec.
                Assim é a comunidade de fé: auxiliando-se mutuamente, um orando com e pelo outro. Amem.
  


sábado, 11 de julho de 2020

I Mac 1,33-37 – SECULARISMO



A
bordaremos o tema secularismo vs. Religião. O que vem a ser secularismo? Secularismo é o mundo em oposição a Igreja. É o ateísmo que confronta a religiosidade. Tudo que o mundo prega que contraria a existência de Deus. Mas o que somos sem Deus? O homem se esquece que Deus sem o homem continua Deus, e no entanto o homem sem Deus é nada.
             O texto do livro de Macabeus nos mostra Jerusalém tomada por Antioco Epifanes, um rei de origem macedônica, um dos herdeiros do império de Alexandre o Grande. Lembra-nos também a apostasia de alguns judeus aliados ao opressor.
            Hoje nos deparamos com um mundo semelhante ao descrito, virado de pernas para o ar, cercado de toda sorte de iniqüidades, oprimido pelo mal. O mundo criado por Deus para nosso deleite, transformado em fonte de pecado. Mundo que por causa da nossa desobediência, como Jerusalém, foi entregue ao inimigo.
            Às vezes somos considerados “chatos”, falamos sempre a mesma coisa, batemos na mesma tecla, advertimos sobre os mesmos perigos; mas não podemos calar ante a iniqüidade; devemos denunciar sempre, assim Deus quer que façamos. Lembremo-nos do rolo queimado, em Jeremias 36. O rolo contendo as profecias contra Joaquim, rei de Judá, que mandou queimar o rolo. Porém Deus suscitou a Jeremias que providenciasse outro rolo, ao qual foram acrescentadas novas profecias. De nada adianta tentar deter os desígnios de Deus, simplesmente os ignorando ou calando a voz do profeta.
            Nos dias de hoje, lamentavelmente, jornais populares exaltam atitudes erradas, mormente da juventude. Psicólogos incentivam sexo, infidelidade, adultério e até, mesmo que veladamente, o aborto! Propagam escandalosamente falsas doutrinas, esoterismo. Deturpam deliberadamente a imagem da Igreja, enfatizando o misticismo, as crendices populares, nunca a verdadeira doutrina. Somos bombardeados constantemente por uma rede de desinformação!
            Diz o versículo 33: (...). A muralha que nos cerca é o pecado, a desobediência, tudo que nos afasta de Deus. Quem pactua com o mundo ajuda a levantar essa muralha. Se você meu irmão pactua com o mundo, deixa-se levar, propaga o que o mundo oferece, com certeza você está se cercando, se afastando de Deus.
             O mundo oferece muitos caminhos; coisas que trazem dor e morte. Sempre haverá dor nas coisas do mundo, mas não é por saber disso que iremos nos desesperar. O homem bom, justo, procurará levar consolo, tirar a dor; o homem mau a espalhará e a levará consigo aonde quer que vá e o homem tolo, egoísta, nem mesmo a notará, a não ser em si próprio. Mas o mau, assim como o tolo e o homem bom não vieram do nada e não estão sozinhos; vieram de Deus e estão numa multidão juntos, partilhando o mesmo mundo. O homem mau, quase sempre não sabe que é mau e deve portanto, ser perdoado todos os dias.
            Deus não nos obriga a nada, somos livres para escolher nosso caminho; Deus não nos obriga a servi-lo, não nos obriga sequer a segui-lo. Somos livres até para pecar. É certo que Deus não fica feliz com nosso pecado, pelo contrário, nosso pecado ofende a Deus. Quando pecamos ferimos o coração de Jesus; crucificamos Jesus a cada dia com o nosso pecado. Mas mesmo assim ele não nos obriga a nada! Ele poderia mudar tudo, a hora que quisesse, quando quisesse, como quisesse, mas não o faz. Porque nos ama; e porque nos ama nos deixa livres para escolher o caminho.
            A permissão divina para tudo que acontece é um grande mistério e não nos cabe buscar o entendimento. Mas não devemos esquecer que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.
            O mundo está aí, vivemos nele; estamos no mundo, mas não somos do mundo, ou ao menos não devemos ser. Somos de Cristo, somos diferentes! Vamos lutar para transformar o mundo, vamos faze-los iguais a nós. Amém.
(sinopse de pregação)

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Mt 8, 28-34 – Expulsão dos Demônios



O

 episódio narrado em Mateus 8 espanta não só pelo fato dos porcos se atirarem ao mar, mas principalmente, por realçar a realidade da possessão demoníaca.  Embora nem todo mal venha diretamente do diabo, sabemos que muita coisa ocorre por influencia direta ou indireta dele. Conforme Apocalipse 9, enquanto esperam o julgamento final os demônios gozam de relativa liberdade para exercerem sua ação maléfica na terra. O que eles fazem possuindo seres humanos, suscitando doenças, insuflando ao pecado. Eles tentam nos invadir, nos atormentar. Como e porque isso ocorre? Por causa de nossos pecados não confessados, devido ao nosso padrão errado de conduta, desvios de comportamento, pelos pecados do dia a dia que insistimos em não abandonar, os “pecadinhos de estimação”. A solução? Jesus. Jesus de Nazaré, o filho de Maria Santíssima, porque como vimos na leitura, os demônios a ele se submetem. Seu poder é imenso e esse poder é conferido a Nossa Senhora e aos anjos de Deus. Em nome de Jesus podemos também nós, devidamente preparados, repreender os espíritos malignos.
            O homem busca incessantemente formas de vida no espaço, em outros planetas. A frase “não estamos (ou não queremos estar) sós no universo”, move esta busca. Nem precisa tanto, nem precisa buscar longe, há formas de vida inteligente entre nós, seres invisíveis a nossos olhos carnais: anjos e demônios. Eles existem em grande número, são velocíssimos – ouso afirmar, por serem puro espíritos, incorpóreos, que deslocam-se a velocidade da luz. Daí advém seu poder, o conhecimento prévio de fatos, a capacidade de captar sons inaudíveis ao ouvido humano. Satanás, a primitiva serpente, foi lançado a terra, foi banido devido a seu imenso orgulho, sua arrogância desmedida. E na queda arrastou consigo uma multidão de anjos que o serviam. Agora, condenados, são os espíritos malignos, os demônios, que atormentam a humanidade. A solução? Jesus. Nosso Senhor Jesus Cristo, o nome acima de todo o nome. Jesus, cujo sangue é bálsamo para nós, mas que é repelente mortal para o maligno e seus asseclas. Pois pelo sangue derramado por Jesus na cruz fomos lavados e remidos,  enquanto o inimigo foi definitivamente derrotado.
            Em Sb 2,24 diz: “Foi por inveja...” Onde a influência do demônio se faz presente? Onde podemos identificá-lo?   Na crença de que a felicidade só se encontra nas coisas materiais; na concupiscência da carne, ou seja, na compulsão sexual, nos desvios mórbidos de comportamento; na auto suficiência, quando se prescinde de Deus; no egoísmo, no egocentrismo, na frieza, crueldade, falta de amor; onde o nome de Jesus é usado com ódio deliberado, causando divisão; onde o evangelho é distorcido, falsificado, deturpado, mutilado. Quanto a estas últimas assertivas, o próprio Jesus afirma: “Quem está comigo ajunta, quem não está comigo espalha”.Diz também Jesus: “Muitos virão em meu nome, lobos em pele de cordeiro, farão prodígios e seduzirão até mesmo alguns dos eleitos”.– “Nem todo que diz senhor, senhor, entrará no reino dos céus”.
            O Senhor na sua Palavra nos adverte e ensina a combater o inimigo de Deus e de nossas almas. Através Pedro nos exorta a sermos vigilantes e orantes, pois o inimigo é como um leão que ruge, pronto a nos devorar. É necessário então estar atentos. Através Paulo em Efésios 6, nos fornece as armas necessárias ao combate. A nossa luta não é contra a carne e o sangue, sim contra o príncipe das trevas, os anjos caídos, os espíritos maus dos ares. Aí vai uma advertência; muitos não acreditam na existência do demônio como um ser real. E essa é exatamente uma das maiores artimanhas do diabo: fingir-se de morto, negar a própria existência, pois desta forma ele invade os corações dos desprevenidos e incautos. Nossas armas nessa luta incessante são a couraça da justiça, o capacete da salvação: a fé no sangue poderoso de Jesus; o cinturão da verdade, as sandálias da humildade: por ser orgulhoso e soberbo, o maligno não suporta a simplicidade, a humildade, a pureza; por fim a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.
Enquanto aguardamos o retorno glorioso de Jesus, como São Paulo, combatamos o bom combate. Amém. 

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Salmo 132 – Fraternidade



F
raternidade é a união ou convivência como verdadeiros irmãos. É a harmonia entre as pessoas. É a vivência no amor, solidariedade, caridade mútua.
         Quando falamos de amor vem à lembrança os vários tipos de amor, ou as várias formas de amar: o amor carnal, entre um homem e uma mulher; amor paterno/materno, dos pais pelos filhos; amor filial, o que sente os filhos pelos pais; fraterno, amor entre irmãos, sejam de sangue ou na fé , amizade; e finalmente o maior de todos, o ágape, o amor perfeito, o amor de Deus, o amor que Deus tem por nós. Se juntamos o amor fraternal ao amor ágape, olhamos o irmão como Deus nos olha, amamos como Deus nos ama. Diz a Palavra: “Como amar a Deus que não vemos, se não amamos o irmão a quem vemos?”
         Fraternidade lembra comunidade; comunidade lembra comunhão, participação em comum (comum + unidade). União de pessoas com os mesmos objetivos: evangelizar, promover a caridade. São as comunidades organizadas, tais como: Fraternidade Toca de Assis, Comunidade Shalom, Comunidades de Renovação, entre outras. Essas organizações podem ser comunidades de vida – quando vivem juntos, partilhando e dividindo tudo, ou de aliança – quando partilham somente seus ideais e objetivos. Alguns atributos porém são comuns a ambos os tipos de comunidades: a união fraterna, a dedicação intra comunitária, consagração ao serviço do Senhor e à unidade da Igreja.
         Em At 2,42.44-47 é mostrada a vida das primeiras comunidades cristãs. Podemos viver como os primeiros cristãos, como o povo retratado em Atos? De certa forma sim. As comunidades cristãs católicas vivem praticamente assim, sejam comunidades de vida ou de aliança. Nós, guardadas as devidas proporções, também podemos imitar as primeiras comunidades. Se atendermos ao chamado de Deus, nos dedicarmos ao serviço, praticarmos a caridade e solidariedade, estaremos a nossa maneira, sendo como eles. O objetivo prático da Renovação Carismática é que nos tornemos semelhantes à igreja primitiva; se não comunidade de vida, ao menos de aliança.
          O livro do Eclesiastes 4,10 cita: “Se um cair o outro o levanta. Mas ai do que estiver só; não haverá quem o levante”. União fraterna, todos unidos num só coração. Esse coração, como o corpo místico de Cristo: a Igreja, a real, a verdadeira, a maior comunidade fraterna a qual todas as outras estão subordinadas. Em louvor pela fraternidade, leiamos o Salmo 132(133) (...)... Amém.


sábado, 20 de junho de 2020

Ez 1,4-14 – VISÃO DO CARRO DE JAVÉ



E

zequiel descreve uma visão de Deus, uma visão da glória de Deus. No Antigo Testamento Deus se apresentava em visões esplendorosas ou através forças da natureza, ventanias, tempestades, raios e trovões, a chamada teofania. Assim vemos em Ex 19,18, no Sinai; monte Horeb, quando Deus se apresenta pela primeira vez a Moisés, na sarça ardente. Apesar da descrição detalhada de Ezequiel é difícil imaginar o que ele tenha visto. Deus não pode ser descrito; é impossível à nossa inteligência compreender a divindade. Diante da grandeza de Deus, cabe a nós aceitar humildemente, sem discutir. Deus é Deus e ponto.
            Hoje não podemos falar de Deus sem falar do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus único na Santíssima Trindade. Javé, Emanuel, Ruah. Javé, o Pai que nos criou; Emanuel, Deus conosco, o Filho que nos redimiu e Ruah, o sopro divino, Espírito Santo que nos consola, nos molda, nos conduz a santidade. Deus uno e trino, único Deus que se apresenta em três pessoas distintas. Grande mistério que talvez venhamos a entender quando, terminada a nossa jornada, estivermos frente a frente com Ele. Aí sim, ao caírem todas as nossas imperfeições o veremos tal qual Ele é.
            Somos frutos do amor de Deus. Com amor, no amor e por amor fomos criados. No entanto, apesar do amor do Pai, perdemos a graça santificante e aí Deus mostrou outro grande atributo: a Divina Misericórdia. Se por amor fomos criados, pela misericórdia somos perdoados. Disse Sta. Faustina: “Nosso pecado é uma gotinha de orvalho no oceano da misericórdia de Deus”. Deus nos ama tanto, tem tanta compaixão de nós, que nos deu seu filho único, Jesus, para morrer em nosso lugar. Assim a salvação veio a nós. Então Jesus, que sendo parte integrante de Deus, desceu de sua glória e veio até nós em carne, humilhando-se e humildemente se dá ainda hoje. Pois se Ele se fez carne e pisou nosso chão, hoje se faz pão e se nos dá a cada eucaristia. Sua presença também se faz sentir através o Espírito Santo que infundido em nós, nos move, nos transforma, nos mostra toda a verdade, a verdade libertadora contida na Palavra de Deus.
            Deus é amor e na infinitude de seu amor se dá a nós na sua Palavra, na Eucaristia e na efusão do Espírito Santo. Mesmo que você não se sinta amado pelas pessoas, pelo seu próximo, saiba, há um amor maior envolvendo você. É o amor do Pai que lhe perdoa, o amor do Filho que lhe cura, liberta, que lhe remiu numa cruz, o amor do Espírito Santo que lhe conduz a santificação. Deus lhe ama com um amor imenso, tão grande que é inimaginável. Deus lhe ama, deus nos ama como ninguém jamais amou e há de amar. Amém.    
Sinopse de pregação



sexta-feira, 12 de junho de 2020

Ez 34 – O Amor de Deus



É

 com grande alegria que venho anunciar uma mensagem de amor.        
                O livro de Ezequiel cap. 34, versículos 11 a 16 nos diz...(...). Vemos aqui a palavra de Deus através o profeta, falando ao seu povo; povo que estava disperso após a queda de Jerusalém. Êle promete junta-los novamente, tratar deles, cura-los um a um. Era um povo pecador, infiel e por isso passava tribulações; mas Deus não se esqueceu deles, por amor e só por amor resolveu salva-los.
                Esse povo hoje somos nós. Somos nós! Nós que estamos espalhados por esse mundão afora, cercados de toda espécie de iniqüidade. E Deus vem ao nosso encontro, nos convida a si.
                E na presença de Deus viemos falar do amor imensurável que Êle nutre por cada um de nós. Esse amor derramado constantemente como chuva de bênçãos!Um amor difícil de ser exprimido em palavras. Não é como o amor humano, egoísta, “toma lá dá cá”, não; não, o amor de Deus é puro, é perfeito. Difícil de ser definido, mas facilmente sentido, com certeza.
                Olhe para a cruz; eis aí a grande prova de amor: Fazer-se carne e morrer por cada um de nós, pelos nossos pecados. A morte e ressurreição de Jesus são a nossa esperança de vida eterna; é a certeza que existe um paraíso esperando por nós.Isso é amor, isso é amor!
                Deus nos olha como somos, como estamos, não se importando se somos ricos ou pobres, se sou pecador e vocês santos. Êle nos vê com o mesmo olhar de amor. Como está na Palavra em Sab 6,7 (...). Assim é nosso Deus, um Deus justo, misericordioso, não um Deus que castiga.
                Toda vez que o inimigo rouba uma alma, do céu rola uma lágrima, cai uma lágrima. Deus não se satisfaz com a condenação do pecador. Um pai não fica feliz com a morte de um filho e uma alma perdida é a morte de um filho para Deus; um filho rebelde, mas um filho amado. Por outro lado quando Deus resgata um pecador, há uma grande festa, como aquela do filho pródigo. A parábola do filho pródigo representa muito bem o amor misericordioso de Deus. O pródigo é a ovelha perdida, tresmalhada, ferida, que o Pai acolhe e cura. O irmão que ficou, embora não percebesse, esteve o tempo todo no colo do Pai; era a ovelha gorda, cevada, que o Pai vela dia e noite. Deus te ama, Deus me ama, Deus nos ama...
                Não sei da sua situação, não sei se você está passando por um momento de alegria ou de aflição, não sei. Mas tenho certeza que você já sentiu a presença de Deus na sua vida; já teve a experiência vivida de Deus. Glória! Se eu fosse dar testemunho de tudo que Deus tem feito em minha vida, um dia inteiro seria pouco, porque Deus faz maravilhas o tempo todo, todos os dias, todos os momentos, a cada instante!
                Para ilustrar esse amor vamos falar de Paulo; Saulo que virou Paulo: o apostolo S. Paulo. Saulo era um matador, um perseguidor de cristãos. Êle esteve presente e apoiando o apedrejamento do mártir Estevão. Por sorte, nosso Deus é bom e justo. Nosso Deus não é cruel nem vingativo, porque senão Saulo continuaria sendo Saulo, morreria Saulo e seria condenado; estaria ardendo no castigo eterno. Mas... Deus é amor e Saulo foi transformado de perseguidor no maior propagador da mensagem de Cristo. Foi o segundo maior pregador; o primeiro é o próprio Jesus.
                Paulo mudou simplesmente porque quis? Numa bela manhã acordou bem humorado e resolveu ficar bonzinho? Cansou de ser o vilão e virou herói como nos filmes? Não, claro que não. Foi pela misericórdia de Deus; Deus tinha um plano de amor para Paulo. Deus tem um plano de amor para vocês, Deus tem um plano de amor para mim; Êle me resgatou e me colocou aqui para falar do seu amor; desse amor que sentimos na pele, que respiramos... Esse amor que se manifesta em nós pela ação do Espírito Santo. Quando nos deixamos conduzir pelo Espírito, quando nos enchemos do Espírito Santo nos enchemos também do amor de Deus e esse amor eflui do nosso coração. Efluir é transbordar, é derramar. E esse sentimento não pode ficar guardado só p’rá mim: “é meu, ninguém tasca”. Não! Eu tenho que repartir, dividir entre os irmãos.
                Muitas vezes vamos encontrar o irmão afastado de Deus, magoado, ferido; como se estivesse embaixo de um guarda chuvas, impedindo que o amor de Deus chegue até êle. Temos que abraçar esse irmão, dividir o amor que temos com êle, para então êle fechar o guarda chuvas e deixar a graça de Deus acontecer na sua vida.
                Amados, vamos ser felizes distribuindo amor. Vamos sorrir vendo o sorriso do irmão. Amém.
(sinopse de pregação)

sábado, 6 de junho de 2020

Dn 14,32-37 – CONFIANÇA - sinopse de pregação



P
odemos comentar esta Palavra sob dois aspectos: do ponto de vista de Habacuc e do ponto de vista de Daniel. Vemos aí Habacuc tirado dos seus afazeres cotidianos para servir a Deus. De certa maneira é o que ocorreu conosco; fomos chamados a vir até aqui e servir ao Senhor, auxiliando este grupo de oração. Sob a ótica de Daniel, observamos que este, apesar do grande problema por que passava, confiou plenamente em Deus. Não viemos aqui falar de nós, portanto abordaremos o assunto falando de Daniel e sua extrema confiança.
      
      Daniel fora atirado na cova dos leões, porque? Porque não aceitou adorar falsos deuses. Forçado, não renegou o verdadeiro Deus. Por isso foi perseguido, difamado, injustamente condenado e atirado a leões famintos. Leões que comiam diariamente cordeiros e carne humana, mas que não foram alimentados nos dias que precederam a entrada de Daniel no covil das feras. Daniel porém confiou em Deus, no Deus que o criou, no Deus que sabemos  se fez homem , pregou sua Palavra de Vida, nos mostrou o caminho, morreu por nós numa cruz e ressuscitou para nossa redenção e nos dar a eternidade. Daniel não se deixou abater pelo desânimo e confiou. Não reclamou, não gritou, sequer murmurou ou pensou negativamente. Ao contrário, apesar da situação extremamente difícil, apesar de tudo indicar que era o fim, ele creu, confiou e esperou no Senhor. Atirado às feras, não foi devorado; faminto, Deus lhe proveu alimento; por fim, após seis dias o rei o recolheu e lhe restituiu a liberdade.
            Isto significa para nós que os filhos de Deus, os verdadeiros cristãos, os católicos fiéis, não devem temer ser atirados às feras. Que sejam pacientes e esperem em Deus, como Daniel esperou pacientemente. Soframos as demoras de Deus, pois Ele nos prepara o melhor; Ele nos conhece profundamente e só nos dá o que é bom e na medida da nossa necessidade. Vivamos a fé e a confiança de Daniel. O Salmo 93(94), versos 18 e 19 diz: (...). Se escorregarmos, se vacilarmos, se resvalarmos nossos pés na beira do abismo, sabemos que Deus nos ampara e Sua Palavra nos conforta.
            Não temer, confiar, confiar sempre, eis a mensagem tirada para nós desta Palavra do livro de Daniel. Para ilustrar a pregação, contarei uma estorinha – Eu gosto de contar estórias, elas enriquecem uma pregação; aliás, isso fazia parte da pedagogia de Jesus: Ele gostava de ensinar através de parábolas. – Eis a estória:
            Um barco, um grande navio repleto de passageiros navegava placidamente em alto mar, quando repentinamente foi atingido por uma violenta tempestade. Os passageiros em pânico rezavam, gritavam, desesperavam-se. Num canto, uma pequena menina brincava tranquilamente, sem se incomodar com a tormenta nem com os demais passageiros. Um homem inconformado com a calma daquela criança, interpelou-a: Menininha, você não teme a tempestade? – Não. – Mas o navio vai afundar, todos vamos morrer. – Não, não vai acontecer isso não. – Porque tanta certeza? – Meu pai é o capitão deste navio!
            A garotinha confiava inteiramente em seu pai e nós confiemos em Deus, nosso Pai eterno, que esta no comando do grande barco que é a nossa vida! Não devemos ter medo, pois nada é impossível para Deus, não devemos sentir tristeza, dúvida, pois nada é impossível para Deus. Ele nos livra dos leões que rugem em torno a nós e tentam nos devorar. Ele nos livra das tempestades do dia a dia, enfim, Ele é a nossa força, o nosso refúgio. Abram o coração e deixem-se amar por Deus, deixem-se amar e também amem, amem como Deus ama vocês. Confiem, confiem sempre, como a menina da estorinha. Deus está no comando da sua vida. Amém.
           

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Br 4,1-4 – Sabedoria



O
 texto nos revela a sabedoria, sabedoria divina; mandamentos da lei de Deus, os dez, que Jesus resumiu a dois: “Amarás o Senhor teu Deus com toda tua força, com toda tua alma, com todo teu coração,” e “Amarás teu próximo como a ti mesmo.”
            O versículo 3a nos diz... (...). Não deixar a graça passar, ou seja, acolher, aceitar, submeter-se ao senhorio de Jesus, reconhecendo-o como senhor e salvador. Não deixar a graça passar, como o povo de Israel deixou, ao não reconhecer Jesus como o Messias Senhor e Salvador.
            Sabedoria que nos é revelada pelo Espírito Santo que nos move, nos inspira, nos mostra a verdade que liberta: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Diz a Palavra de Deus.
            Os vv. 3 e 4 nos remete a Sb 9,18: “Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvas”. Salvos pela sabedoria, sabedoria contida na Palavra, o Verbo Divino, Jesus a Sabedoria Personificada.
            Salomão, o mais sábio rei de Israel, pediu a Deus somente sabedoria para reinar e foi contemplado com tudo mais. – Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo mais vos será acrescentado!
            Muitos consideram a sabedoria do mundo incompatível com a sabedoria divina. Vêem uma como boa, outra como má. Se não formos cuidadosos em nossos critérios e discernimento, podemos aceitar essa noção como verdadeira. Mas não é assim. O próprio Jesus, Ele mesmo exerceu e muito bem a sabedoria humana (dita do mundo) ao compor parábolas sobre o cotidiano da época em que vivia. Também quando, inteligentemente usava de esperteza para argumentar com seus opositores, desmoronando as tentativas de apanhá-lo nas sutis armadilhas onde tentavam pegá-lo. Jesus estava no mundo, apesar de seu coração e mente estarem abertos ao Espírito.  O que faz a sabedoria do mundo perigosa é a intenção oculta por trás dela, a influência deletéria do maligno.  Se você usa os dons e sabedoria para o bem comum, não para proveito pessoal, aliando a isso a escuta ao Senhor, você está no caminho certo. Se Jesus vive e reina em seu coração, Ele assumirá sua sabedoria e experiência de vida e a usará para a glória do seu reino.
            Em Deuteronômio 11, versículos 26 em diante, Deus nos propõe dois caminhos, nos oferece a vida ou a morte, a benção ou a maldição. Cabe a nós e só a nós, a escolha.
Cada um de nós é livre para escolher. Você é livre para escolher o seu caminho. Se quiser seguir sozinho pelos caminhos do mundo, ignorando a sabedoria de Deus, vai...
Se você quer continuar na mesma, surdo aos apelos de Deus, vai... Mas se você quer mudança, mudar sua vida, livrar-se do que oprime, mudar dor em esperança, duvida em certeza, tristeza em alegria, vem com Jesus, caminha com Jesus. Jesus, caminho, verdade e vida; Jesus que faz novas todas as coisas. Amém!

sexta-feira, 22 de maio de 2020

At 19,21-27 – Tumulto dos Ourives



O
 texto estampa o pânico, o temor que o Evangelho causava a esses cultuadores de falsos deuses, ou melhor, aos comerciantes da fé. Na verdade nem eram tanto os cultuadores de ídolos que se erguiam contra os pregadores da Palavra de Deus e sim aqueles que incentivavam esses cultos através de práticas comerciais.
            Vemos os ourives incentivando o povo contra Paulo e os pregadores da Palavra, porque estes arrebatavam para Cristo os seguidores dos ídolos pagãos. Cada gentio convertido era um cliente a menos no lucrativo negócio daqueles artesãos e comerciantes. Hoje, o tumulto é causado pelos Demetrios modernos, os difamadores da Igreja, aqueles que não aceitam a doutrina da salvação propagada pela Igreja de Cristo. Aqueles põem em evidência os escândalos que acontecem – sim, acontecem, mas não são cotidianos como se insinua. Procuram por todos os meios desmerecer a Palavra de Deus e seus representantes. Até nossos irmãos evangélicos se unem a eles quando injustamente nos acusam de idolatria, fazendo campanhas sistemáticas contra nós. Eles atiram contra o próprio pé. O verdadeiro inimigo da fé eles nem sequer mencionam: As seitas não cristãs, as filosofias orientais, o esoterismo, a nova era, etc.
            A Palavra lida fala em idolatria e o ídolo em questão é Ártemis, deusa greco romana também chamada Diana; deusa da lua e da caça, cultuada em todo o mundo grego. E os ídolos modernos quais são? Além das falsas doutrinas, falsas religiões, há ídolos que nem sequer as pessoas imaginam que o são: O dinheiro e a TV. O dinheiro move o mundo; é verdade que foi responsável pelo progresso da humanidade, mas por outro lado é o responsável também por todos os males e a violência. A televisão expõe temas polêmicos como se fossem coisas banais: adultério, sexo pecaminoso, drogas, como aparente denúncia, mas na verdade, subliminarmente incentiva, induz a pratica, como se fossem coisas absolutamente normais.
            Para ilustrar o engodo das falsas promessas do mundo, aí vai a estória do camponês que viu passar o rei, e sendo muito pobre, resolveu pedir algo a seu senhor. Surpreendeu-se quando ao aproximar-se, o rei foi quem lhe pediu algo. O rei pediu-lhe um punhado do trigo que o camponês trazia no seu bornal. Este, surpreso e até certo ponto decepcionado, deu ao rei um grãozinho do trigo. Sua surpresa foi maior ao ver, mais tarde, uma pepita de ouro entre os grãos de trigo. Retornou e entregou todo o trigo que tinha, ao rei. Ganhou um tesouro e a promessa de mais tarde, um tesouro ainda maior. Amigos seus também quiseram um tesouro e juntaram um punhado de trigo para oferecer ao rei. Mas outros senhores ricos e até certo ponto poderosos, os seduziram para que o trigo fosse entregue a eles; ingenuamente cederam e deram grande quantidade de trigo a esses falsos reis. A principio receberam algumas pedrinhas de ouro, porém mais tarde perceberam que todo o trigo que lhes restava estava apodrecido e cheio de vermes, e o ouro transformado em pedra bruta. Quem é o rei verdadeiro? Jesus. O que é o trigo? Nosso coração, nossa alma. Não adianta procurar Deus nas falsas doutrinas nem a felicidade nas coisas materiais. Tudo isso só podemos encontrar em Jesus, nosso redentor. Jesus, que pelo sangue derramado nos remiu e pela ressurreição nos tornou herdeiros da vida eterna! Amém.




sexta-feira, 15 de maio de 2020

At 9,1-9 – Conversão de Paulo







   A
 passagem bíblica examinada relata a conversão de Paulo. Saulo, que se tornou Paulo.Paulo que originariamente se chamava Saulo, nasceu na cidade de Tarso na Ásia Menor. Apesar de judeu da seita dos fariseus, era cidadão romano de nascimento (Os naturais de Tarso eram considerados romanos). Paulo como fariseu foi um grande perseguidor do cristianismo; prendeu e mandou torturar muitos cristãos. Não consta que ele tivesse matado pessoalmente, mas apoiava e incentivava a morte dos seguidores de Cristo, considerados blasfemos pelos fariseus.
             No v.1 lemos: “Saulo respirava ódio...” Saulo devastava a Igreja! Mas Paulo (Saulo) não é conhecido como perseguidor; é conhecido como o grande propagador da doutrina cristã; é o apóstolo dos gentios. No ato da conversão de Paulo Deus nos dá uma prova do seu grande amor. Paulo um exemplo: de perseguidor a perseguido. Nós também, não importa nossa condição, sofreremos perseguições ao nos convertermos, passaremos por tribulações, mas com Jesus alcançaremos a vitória, como Paulo, conquistaremos a coroa incorruptível. Glorifique a Deus, glorifique!
            O v.5 diz: “Duro te é recalcitrar...” Frase difícil, não? Refere-se a teimosia, insistir no erro mesmo quando Jesus mostra a verdade.
            V.6: “Senhor que queres que eu faça?” Imagino aí, Paulo caído com o rosto no pó, humilhado, submisso... Paulo com toda sua soberba caiu do cavalo e humildemente rendeu-se a Jesus, a quem perseguia. E você meu irmão, já fez a mesma pergunta a Jesus? E se fez, esperou a resposta, ouviu, atendeu, obedeceu? Ou recalcitrou contra o aguilhão? Abra seus olhos, abra seus olhos! Livre-se da cegueira das coisas falsas do mundo. Paulo ficou cego temporariamente; cego da visão distorcida do mundo, dos falsos valores. Livre das escamas do mal passou a enxergar sob a luz do Evangelho. Glória a Deus! Em Is 9,1 lemos: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”.Que vejamos esta luz!
            Deus quer a todos nós. Se Deus escolheu e chamou Paulo que era perseguidor de seus seguidores, porque não chamar você? Você, você que está questionando, duvidando; é com você que Deus fala, é pra você esta pregação, pra você! Há uma expressão latina que diz: mutatis mutandi. Traduzindo: mudar o que precisa ser mudado. Então vamos mudar o que tem que ser mudado em nós, para nosso bem, para o bem de nossas vidas; mudar para Jesus!
            A conversão é um processo lento e progressivo, como o crescimento de uma árvore. Ninguém dorme pecador e acorda santo. Há um primeiro passo, um passo importantíssimo, mas isso não significa conversão total. Essa conversão imediata, instantânea, tem que ser renovada a cada dia. Não se planta uma semente pela manhã e se vê a árvore a tarde. Leva dias pra brotar, meses para crescer e anos para frutificar. Como na parábola do semeador, a semente é plantada no coração – e se encontra terreno fértil ela germina – aí é dado o primeiro passo. Daí é só regar, adubar e quando necessário podar para que ela cresça sadia. Regar com nossa oração diária, adubar com amor e boas obras e aceitar a poda com renuncia ao que não nos serve. Irmãos, vamos caminhar na luz, ver a árvore crescer e dar frutos a um por cem, cem por mil! Amém. 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Jr 34,17-20 – Desobediência



S
emana passada falávamos aqui de escuta. Ouvir e obedecer a Deus. Colocar-se a disposição para ouvi-lo, obedece-lo, servi-lo. E a palavra hoje é como um complemento; só que no sentido inverso: a desobediência e suas conseqüências. Abrir em Jr 34,17-20.
            Nos tempos do AT era comum os pactos e acordos serem selados com a passagem dos contratantes entre as partes esquartejadas de animais sacrificados. Isto significava que aquele que descumprisse o acordo feito teria o mesmo fim que as vitimas do sacrifício.
            O v.17 diz (...). Quem faria passar por isso? Quem faria passar pela fome, pela peste, pela espada? Por certo não seria Deus. O inimigo é que age assim quando nos afastamos de Deus, quando desobedecemos e com isso nos distanciamos de Deus. Aí o inimigo se aproxima, pois estamos vulneráveis, longe da proteção divina. Sós, somos presas fáceis e satanás se aproveita dessa fragilidade para nos atacar. Ao longo da história bíblica o povo de Deus pecava, se penitenciava, era perdoado, voltava a pecar, se arrependia, era perdoado... e assim ia. Mas o pecado tinha conseqüências, provocava seqüelas.
            A desobediência de Adão e Eva, os primeiros homens – na realidade o primeiro grupo humano – nossos antepassados, quebrando o pacto com Deus, gerou todo pecado. Eles não resistiram a tentação, caíram e o pecado entrou no mundo e com o pecado a dor, o sofrimento, a morte. Ao pecarem perderam a plenitude da graça e ficaram reduzidos ao mínimo da condição humana.
            O ser humano possui corpo e alma. Um corpo animal, que está acima de todo animal; uma alma imortal, porém inferior aos anjos, pois estamos ligados à carne. Quando não se tem cuidado com o próprio corpo, peca-se contra si mesmo. Quando profanamos nosso corpo, morada do Espírito Santo, ofendemos gravemente a Deus, autor e dono de nossa vida.  Podemos até mesmo falar de duas dimensões do pecado. Vertical e horizontal. Vertical, quando afrontamos diretamente Deus e horizontal quando num mesmo nível, num mesmo patamar, ofendemos ao próximo e a nós mesmos, dessa forma ofendendo também a Deus.
             Deus nos gerou para a perfeição, nos criou a sua imagem e semelhança. Se não somos perfeitos, é porque fomos desfigurados pelo pecado e quebramos o espelho que refletia Deus em nós. Por causa da desobediência, a natureza humana perdeu a graça na própria origem, por isso o chamado pecado original.
            Felizmente temos um Deus misericordioso que se fez carne e deu-se a si mesmo em sacrifício expiatório. Jesus com sua morte de cruz, sua ressurreição, redimiu a humanidade de todos os pecados, de ontem, de hoje, de sempre. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E Jesus nos deixou sua Igreja e a Igreja nos dá os sacramentos. O batismo que nos lava do pecado original, onde rejeitamos a herança negativa e renascemos para uma vida nova. E se depois disso, viermos a vacilar, cair em tentação e pecar, Deus em sua infinita misericórdia nos oferece a confissão, onde poderemos ser perdoados e nos reconciliar com Ele. Amém.
      (sinopse de pregação)

sábado, 2 de maio de 2020

Tg 1,19-25 – Escuta e Prática da Palavra de Deus



Uma mãe instrui e educa o filho na expectativa de vê-lo crescer saudável, obediente e fiel. Um estudante se prepara na escola para fazer boas provas, passar de série, formar-se, ter uma profissão, tornar-se um cidadão respeitável.
                É isso que de certa forma Tiago nos apresenta nesta Palavra. Tiago nos pede que ouçamos e ponhamos em prática a Palavra de Deus. Que saibamos ouvir e obedecer. A Palavra tem que nos preencher, nos transformar. Aquele que ouve a Palavra de Deus e não retém no coração é como guardar água num balde furado. Ouvir a Deus, aceitar a Palavra de Deus; ouvir, aceitar, reter, guardar a Palavra de Deus. Guardar, não para acumular egoisticamente, mas para usufruir dela, para usa-la como fonte de salvação para si próprio e para os irmãos. (ver Rm 2,13).
                Não adianta multiplicar palavras, mesmo em oração, quando o coração está vazio. Nesta hora é melhor calar, é melhor silenciar para ouvir. Nenhum de nós é capaz de ouvir, entender, reconhecer uma voz em meio a um burburinho, um vozerio, principalmente quando nós mesmos falamos. Muitos reclamam que Deus não lhes fala, que carismas não são manifestados. Deus fala sim! Eles é que não ouvem. Falam, falam, falam, falam sem parar e não deixam espaço para Deus, não dão tempo para Deus. E mesmo quando Deus, às vezes atropela e fala, eles não percebem, não ouvem, tão mergulhados estão em seus próprios problemas.
                Tiago nos lembra que devemos usar a Palavra para não cair no erro. (ver Mt 7,24-27). Devemos também usar a Palavra para fugir do pecado, para viver os frutos do Espírito Santo: mansidão, amor, temperança, caridade, esperança, paz; e não viver sob a carne, cujos frutos são: malicia, devassidão, ódio, contendas, orgulho, violência, idolatria, etc.
                A leitura nos remete também a Primeira Epistola de São João (I Jo 3,17s). A fé sem obras é morta, nos diz Tiago mais adiante. A fé por si só não é caminho de salvação. Ela tem que ser acrescida de obras. Assim como a caridade sem fé, sem amor, não é caridade, é filantropia. De nada vale uma fé fervorosa se ela não é vivenciada, acompanhada de amor ao próximo, perdão as ofensas, caridade. Do mesmo modo é inútil a obra vazia, destituída de amor, sem a fé necessária que nos conduz ao caminho da verdade; tal obra se constitui em mero ativismo. A oração é como uma via de mão dupla; a cada pedido nosso, em contrapartida, Deus nos pede algo. O milagre de Caná só se realizou porque os homens encheram as talhas a pedido de Jesus. Lázaro retornou da morte após terem rolado a pedra do túmulo, a pedido de Jesus. O possível Ele quer que façamos, o impossível, o milagre Ele faz.
                Vivemos a quaresma, tempo de deserto, tempo de escuta. Tempo de nos colocarmos a disposição do Senhor para que Ele faça sua obra em nós. Na quaresma a Igreja do Brasil organiza e celebra a Campanha da Fraternidade. O tema deste ano (2004) é Água Fonte de Vida. Água, indispensável a manutenção da vida no campo material; água, indispensável também no aspecto espiritual, bíblico. “O Espírito de Deus pairava sobre as águas” é um dos primeiros versículos da Bíblia Sagrada. Temos as águas do dilúvio, onde o mal, o pecado, foi afogado e a humanidade renasceu na arca de Noé. As águas que brotaram da rocha no Horeb, ao ser tocada pelo cajado de Moisés, e que aplacou a sede do povo que peregrinava no deserto. Águas do Jordão, que purificaram Naamã e batizaram Jesus. A torrente que jorrou do templo e que fecundava tudo à sua margem, conforme relato do profeta Ezequiel. A água que se tornou vinho em Caná. As águas da piscina de Siloé.  Águas de Betesda, que quando agitadas curavam os enfermos que nela se banhavam. O poço de Jacó, onde a samaritana encontrou a fonte de água viva, Jesus. A água que emanou do lado aberto de Jesus, após todo seu sangue se esvair. Sangue que curou, libertou, salvou; água que purificou. O sangue de Jesus nos selou com a promessa da Salvação; a água de Jesus nos lavou de toda imundície. Pela fé aceitamos a salvação e pelas obras nos tornamos merecedores dela. Amém.
(sinopse de pregação)