sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

As imperfeições morais são pecados?


“Pode haver imperfeições morais que não sejam pecados (nem sequer pecados leves)? Estará o homem obrigado a praticar, em tudo, o que há de mais perfeito?”
Antes do mais, convém delimitar devidamente o conceito de imperfeição moral. A seguir, determinaremos as relações desta com o pecado. Por fim, à guisa de conclusão, serão formuladas algumas normas de alcance prático.
1. Que é a imperfeição moral propriamente dita?
Por «imperfeição moral» em sentido estrito entende-se o ato que, embora não viole algum preceito explícito da lei de Deus, vem a ser contradição a um conselho dado direta ou indiretamente pelo Senhor a fim de facilitar a união da alma com Deus; seria a prática de um bem menor, com rejeição consciente de um bem maior.
Em outros termos: designa-se como imperfeição moral o ato de vontade pelo qual determinada pessoa, podendo escolher entre dois alvitres, honestos ambos, mas de valor desigual, opta deliberadamente pela solução que tal pessoa julga ser a menos perfeita do ponto de vista moral. — Não vêm ao caso, portanto, as pequenas faltas que escapam à deliberação do agente, por mais virtuoso que seja; ficam involuntárias e subtraídas à responsabilidade do sujeito (a menos que este deliberadamente dê ocasião remota a tais ímpetos da natureza).
Eis alguns exemplos assaz significativos:
Um jovem estudante, sequioso do bem, mas um tanto leviano, viu-se certa vez em situação penosa da sua vida; resolveu então durante nove dias consecutivos assistir à S. Missa celebrada na capela mesma de sua escola, ora antes, ora depois das aulas. Uma vez terminados esses exercícios de piedade, verificou que não lhe haviam prejudicado o cumprimento dos deveres de estado. Em consequência, surgiu-lhe espontaneamente no espírito, ávido de bem, uma perspectiva nova, que o começou a torturar: poderia continuar a participar diariamente da Missa, à semelhança de tais e tais colegas que o faziam sem negligenciar suas obrigações profissionais. Não indo à Missa, dedicava os três quartos de hora respectivos a leituras ilustrativas — leituras que ele poderia dispensar ou que, com um pouco de generosidade, procurando distribuir melhor o tempo, poderia fazer em outro período do dia. Em última análise, punha-se-lhe o dilema: «maior generosidade» ou «menor generosidade» no serviço de Deus?… «Mais perfeição» ou «menos perfeição» (sem que houvesse transgressão de algum preceito) no exercício da vida cristã?
Caso optasse, nas circunstâncias acima, pela não assistência à Missa fora dos dias de preceito, o jovem teria cometido um ato dos que chamamos acima «imperfeição moral». Não está claro que tal imperfeição seria também um pecado. Por isto interessa-nos neste artigo indagar se haveria pecado ou não no ato de recusa do jovem.
Outro exemplo: Ludovico costuma conceder a si mesmo pequemos prazeres desnecessários, como o uso de fumo, refrescos especiais, conversas demasiadamente prolongadas… Em- determinada ocasião da vida, ele percebe que a renúncia a tais concessões lhe daria mais liberdade e vigor espiritual para procurar a Deus; passa então a experimentar continuamente o chamado da graça que o convida a mudar de regime. É assim que se põe em sua alma o dilema: «bem maior» ou «bem menor» na caminhada para Deus? Dado que não se renda ao convite, cometerá uma «imperfeição moral». Será isso um pecado?
Assim exposto o conceito de «imperfeição moral», vejamos -como se relaciona com o pecado.
2. Imperfeição moral e pecado
O assunto tem sido ardorosamente estudado pelos teólogos, ficando até hoje aberta a questão. Há, sim, autores que distinguem claramente entre imperfeição moral e pecado, julgando que aquela possa ocorrer sem culpa do sujeito respectivo. Neste caso, a pessoa se deveria arrepender sinceramente de suas imperfeições, repudiando-as por serem entraves à ação da graça na alma, mas não as deveria acusar em confissão sacramental, pois, não sendo pecados, não constituiriam matéria para absolvição. A imperfeição seria um ato defeituoso, não, porém, pecaminoso. — O primeiro autor que haja sustentado esta sentença parece ser o teólogo João de Lugo, professor de Moral no Colégio Romano de 1620 a 1641 (cf. «De paenitentia», disp. III, sect I Ti” 9s).
Outros teólogos, seguindo um ensinamento mais tradicional, afirmam que toda imperfeição consciente e voluntária (como acima descrevemos) vem a ser pecado (ao menos, leve).
Na verdade, por muito estranho que isto pareça, deve-se dizer que .as duas sentenças não se excluem; antes, completam-se mutuamente, desde que se faça o que muitas vezes se deve fazer em tais casos: uma distinção. Distinguiremos, portanto, no nosso problema entre o plano teórico, abstrato, e a linha prática, dos atos concretos.
A. Em teoria…
Consideremos a imperfeição moral em si mesma ou independentemente de quaisquer circunstâncias em que ela na realidade concreta ocorra.
Imperfeição, dizíamos, não é violação de um preceito do Senhor, mas apenas negligência de um conselho ou de uma norma que visa promover maior perfeição espiritual. Ora a execução de uma tal norma ou de um conselho ficará sempre facultativa; em si mesma nunca poderá constituir um dever; paralelamente, portanto, a sua violação por si só nunca equivalerá a um pecado. O conselho que impusesse obrigação, já deixaria de ser conselho para tornar-se preceito.
Donde se vê que, abstratamente considerada, a imperfeição moral não pode ser tida como pecado. Por si, ela ainda é um ato bom, ato concorde, sim, com a Lei de Deus; apenas se lamenta que tenha por objeto um bem exíguo, em vez de um bem maior, que o agente, se fosse mais generoso, poderia, sem dúvida, escolher. Contudo o «bem menor» não pode ser confundido com o «mal», como o «menos branco» não chega a ser «negro», nem o «menos quente» chega a ser «frio».
Consequentemente, dever-se-á dizer: em teoria, ou abstratamente falando, não peca o estudante que, voluntariamente, deixa de, assistir à S. Missa em dia de semana para se dedicar entrementes a leituras ilustrativas ou mesmo a práticas esportivas moralmente lícitas.
Contudo é de notar que na realidade prática não existem atos abstratos, independentes de circunstâncias concretas que inevitavelmente vão influir na qualificação moral da conduta humana.
Por isto faz-se mister voltemos agora a nossa atenção para outro aspecto da questão.
B. Na prática…
Todo ato humano (consciente e deliberado) é inspirado por determinada intenção do respectivo agente, que, assim agindo, visa atingir tal ou tal objetivo preciso.
Ora a intenção do agente é, sempre e necessàriamente, ou boa ou má, do ponto de vista moral; em outros termos, a intenção do agente, em todo e qualquer caso, está necessariamente voltada para um objetivo que, em última análise, ou é conforme à Lei de Deus ou contradiz a esta (todo homem age sempre, direta ou indiretamente, em vista do último Fim ou em vista de Deus, ensina a Ética geral).
Digamos então que alguém seja colocado diante de um conselho de perfeição espiritual… conselho que convida a fazer uma obra de maior virtude do que as que tal pessoa costuma praticar (tratar-se-ia, por exemplo, de renunciar ao fumo, a conversas supérfluas, assistir à S. Missa em dia de semana…). A pessoa assim intimada entrará em deliberação consigo mesma, a fim de proferir o seu «sim» ou o seu «não» ao convite do momento. … Se, depois de deliberar, ela puder sinceramente dizer: «É bom para mim não atender a tal conselho, pois essa omissão favorecerá o desenvolvimento normal da minha vida de amor a Deus», tal pessoa, deixando de praticar o conselho, estará realizando um ato bom, um ato de virtude; escolhendo um bem (em si mesmo) menor em vez do bem (em si mesmo) maior, tal pessoa não estará cometendo pecado; nem estará praticando um ato moralmente neutro ou indiferente, mas, sim, um ato positivamente bom, ato diretamente encaminhado para a maior união com Deus.
A esta altura, surge espontaneamente a questão: como justificar tão estranha sentença? Quais seriam os motivos pelos quais uma obra (em si mesma) menos perfeita poderia ser rejeitada em nome da própria virtude ou da maior união com Deus?

Os moralistas costumam indicar quatro razões:
1) a obra mais perfeita entraria em conflito com outra obra que, embora mais modesta, não poderia ser prejudicada, por pertencer aos deveres de estado do sujeito. Em outros termos, o conselho contrariaria a algum preceito): por exemplo, a mãe de família que só pudesse ir à S. Missa em dia de semana, abandonando seu filhinho gravemente doente em casa, em nome da virtude mesma deveria desistir de praticar o conselho de perfeição;
2) a obra mais perfeita imporia ao nosso próximo sacrifícios que a caridade exigiria lhe fossem poupados: por exemplo, uma pessoa cega que só pudesse ir à S. Missa quando acompanhada por outrem, deveria levar em conta a situação da acompanhante; eventualmente, em nome da caridade mesma, teria que renunciar à S. Missa;
3) a obra mais perfeita exigiria do sujeito sacrifícios tais que este perderia a alegria necessária à restauração de suas forças ou à expansão normal de sua vida psíquica. Em outros termos: sendo ainda principiante na vida cristã, a pessoa não aguentaria a renúncia que a obra melhor exigiria de sua parte. Tal é o caso de quem ainda precisa de suas horas de recreio (conversas, leituras, divertimentos lícitos…), porque o silêncio prolongado e o isolamento seriam mais prejudiciais do que benéficos à sua saúde mental;

4) a preocupação de seguir as obras de conselho provocaria obsessão e perturbações nervosas que entravariam a vida espiritual do sujeito. É o que se pode dar com pessoas tendentes aos escrúpulos às quais indiscriminadamente se quisesse incutir a prática do mais perfeito (facilmente perderiam o senso do equilíbrio).
Digamos, porém, que, depois de deliberar consigo, a pessoa não possa indicar algum dos motivos acima ou, em suma, algum motivo razoável para declinar o conselho. Ao contrário, ela vê claramente que a obra aconselhada, embora mortifique a natureza, muito concorreria para desenvolver a sua caridade, sem prejuízo para o próximo, sem mesmo contraindicação alguma…
No caso, como julgaria o moralista?
Omitir a obra aconselhada equivale a uma atitude desarrazoada (frequentemente mesmo, a uma atitude inspirada por negligência ou preguiça); ora comportar-se voluntariamente de maneira desarrazoada em relação a Deus é pecado…, pecado leve ou grave conforme as consequências desse comportamento desarrazoado.
Todavia não poderia alguém dizer com plena paz de espírito: «Omito a obra aconselhada, não porque nutra más intenções, mas simplesmente porque não é obra absolutamente obrigatória»? — Replicariam os moralistas que essa neutralidade seria ilusória; na verdade serviria de cobertura «honesta» ou de pretexto para o comodismo a covardia ou o egoísmo da pessoa. Em última analise, uma das leis fundamentais de todo tipo de vida (por conseguinte, também da vida cristã) é «crescer e desenvolver-se»; a vida é dinâmica, de modo que quem consente em paralisá-la, já a está sufocando; em consequência, quem voluntariamente rejeite o bem maior para praticar o bem menor sem motivo justificado,… unicamente por covardia,… está derrogando às leis de sua vida espiritual, concorrendo para atrofiá-la — o que vem a ser um ato desarrazoado ou, mais precisamente, um mal moral, um pecado.

Quem se acostuma a sufocar a voz da consciência todas as vezes- que esta indica uma obra melhor (não, porém, de preceito), arrisca-se a extinguir por completo essa voz interior assim como a ação da graça em sua alma. É de recear que o dom de Deus, sucessivamente repelido pelo cristão comodista, já não seja concedido a este; então as concupiscências tomam vulto, as paixões explodem com facilidade,.levando a alma ao pecado grave.
Em resumo: de quanto acaba de ser exposto, dever-se-á concluir que, na prática, a omissão consciente e deliberada de atos melhores (não preceituados pelo Senhor Deus, mas apenas aconselhados) em caso algum escapa a uma das seguintes classificações: «ato moralmente bom», «ato moralmente mau ou pecaminoso».
Aliás tal conclusão não constitui senão uma faceta de um princípio estabelecido por abalizados mestres da vida espiritual: na prática, todos os atos do justo (ou da alma em estado de graça) que não sejam pecados veniais, são atos meritórios.
Impõem-se agora algumas normas complementares, que o título- abaixo apresentará.
3. Ulteriores observações
3.1 Na vida cotidiana pode acontecer que não consigamos perceber com exatidão o verdadeiro motivo de nossas ações ou omissões: prudência autêntica, construtiva, ou covardia, negligência mórbida? E com efeito, difícil discernir onde termina a genuína sabedoria e onde começa o descaso. Em casos de dúvida, a alma bem intencionada optará pelo alvitre que lhe parecer mais acertado; o Senhor Deus então levará em conta a sinceridade com que essa criatura estiver procurando alcançar a perfeição.
3.2. Justamente a dificuldade que experimentamos para avaliar devidamente o motivo de nossas omissões, leva-nos a crer que cometemos imperfeições (atos pouco generosos, covardes…) não de todo conscientes e voluntárias. Essas, na medida mesma em que são indeliberadas, ficam aquém da moralidade, não podendo ser classificadas nem como atos bons nem como atos pecaminosos.
De modo geral, verifica-se que todo homem pratica muitos atos tão espontâneos que antecedem qualquer reflexão e uso da liberdade. Por estas circunstâncias, tais atos não acarretam sanção (recompensa ou pena) sobre si; propriamente «não contam» na vida moral do indivíduo. Contudo — deve-se dizer — são atos que. Embora não constituam um mal moral em si mesmos, ao menos interrompem a caminhada para a perfeição espiritual, impedem que a vida do sujeito seja inteiramente cheia, disseminam o vazio nas jornadas da pessoa. Faz-se mister, portanto, combater a ocorrência de tais atos, a fim de que não se perca alguma parcela de tempo e seja devidamente desdobrado o potencial de perfeição latente em cada personalidade. O combate será travado na medida em que a alma procurar mais e mais controlar suas ações, vencendo a concupiscência desregrada assim como a rotina espiritual. Verdade é que nem os santos conseguiram sempre evitar todos os atos indeliberados; contudo progrediram pela senda da perfeição na medida em que os foram debelando.
3.3. Procurando adquirir o pleno domínio sobre si, a alma justa estará enfrentando outro obstáculo para a perfeição: os atos tíbios ou «remissos». Estes são atos em que não está empenhado todo o vigor religioso da pessoa; processam-se como que na periferia da alma, deixando adormecida uma boa parte de suas energias sobrenaturais. K o que se dá, por exemplo, com quem possui dez talentos ou «dez graus de amor» a Deus, mas na realidade age como se tivesse apenas cinco talentos ou «cinco graus de amor»; e assim age porque é voluntariamente mole ou covarde… Os atos remissos ou tíbios dispõem ao pecado grave, pois deixam inexplorado o vigor sobrenatural da alma, acarretando-lhe uma espécie de atrofia espiritual (à semelhança do que se dá com quem tem dois braços, mas só se serve de um, talvez por estar engessado o outro; este outro, permanecendo inerte, tende a se atrofiar e perder). Como se compreende, a atrofia espiritual assim induzida permitirá o desenvolvimento de concupiscências e paixões, as quais cedo ou tarde sobrepujarão os bons hábitos, provocando faltas graves.
Destas considerações se depreende a importância da luta contra a rotina ou contra todo modo de agir superficial e tíbio.
3.4. Após o que foi dito, vê-se que resposta dar à questão: está o cristão obrigado, sob pecado, a praticar sempre o que há de mais perfeito, não lhe sendo lícito optar por um ato bom menos perfeito?
A solução se reduz aos seguintes termos: o cristão está, sim, obrigado a seguir sempre o alvitre mais perfeito (em caso contrário, sufocaria a sua vida espiritual). Observe-se, porém:
a) não se trata do mais perfeito entendido de maneira absoluta, pois este não estaria talvez proporcionado às condições individuais e às graças que Deus distribui pessoalmente a tal sujeito. Trata-se apenas do mais perfeito proporcional às possibilidades de cada indivíduo. Assim nem todos estão obrigados a abraçar o celibato por amor a Cristo, embora este gênero de vida seja em si mais perfeito do que o estado conjugal (cf. 1 Cor 7). Há casos, sem dúvida, (e numerosos) em que o mais perfeito, para tal e tal sujeito, consiste em, contrair matrimônio; na vida matrimonial então o cristão deverá manter viva a consciência de que foi chamado a praticar a perfeição ou a ser santo;) para que haja obrigação de seguir o alvitre mais perfeito é necessário outrossim que a pessoa o veja como tal, isto é, tenha certeza de que é o Espírito Santo que lhe está indicando uma obra mais perfeita a realizar. Recusar arbitrariamente a inspiração do Espírito Santo percebida com clareza, dizem bons autores, não é atitude inspirada pelo amor a Deus, nem atitude que se concilie com intenção e aspirações retas; vem a ser, antes, algo de desarrazoado ou, no caso, um pecado.
3.5. Concluindo, dir-se-á de maneira geral: na prática a alma deve lembrar-se de que o seu programa de vida consiste não somente em não recair no pecado, mas em subir constantemente para Deus… e subir em ritmo acelerado; como a pedra cai com velocidade crescente na medida em que se aproxima da terra que a atrai, assim as almas devem caminhar mais e mais rapidamente para Deus, na medida em que se aproximam do Senhor e são” atraídas por Ele.
Por conseguinte, não se preocupem as almas com demasiada casuística, indagando sutilmente quais as fronteiras entre o lícito e o ilícito, onde cessa o bem e onde começa o pecado… A vida constitui algo de dinâmico; a sua lei capital é positiva: «crescer e multiplicar- se» (cf. Gên 1,28), e não meramente negativa («não se mutilar»); quem apenas pensa em não se mutilar, sem se preocupar com o desdobramento positivo e constante de suas energias, está na verdade, ocasionando o depauperamento e a extinção de sua vida. A vitalidade ou cresce ou diminui; não pode, porém, permanecer estagnada; toda estagnação é passo para a morte. Eis o que se verifica tanto no plano da vida física como no da vida espiritual cristã. Possam as almas sequiosas do bem abrir o olho para estas verdades tão importantes, mas na prática tão pouco valorizadas!
Dom Estêvão Bettencourt (OSB) - Revista Pergunte e Responderemos.Dezembro.1961.n.48


sábado, 11 de fevereiro de 2017

LADAINHA DO LOUVOR


Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és minha Vida, meu Amor.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Nome acima de todos os nomes.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Emanuel, Deus conosco.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Rei dos reis.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Rei da criação.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Rei do universo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Senhor dos senhores.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Todo-Poderoso.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Cristo.
Louvados sejas Tu, pois Tu és Cristo, o Rei.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Cordeiro de Deus.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois és o Leão de Judá.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és as Estrela Radiosa da Manhã.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nosso Defensor e nosso Escudo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Força e nosso Cântico.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Caminho para a nossa vida.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Única Verdade.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Vida Verdadeira.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Conselheiro Admirável.

Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Príncipe da Paz.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Luz do mundo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Palavra Viva.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nosso Redentor.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Messias.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Ungido.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Santo de Israel.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Bom Pastor.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Porta do aprisco.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Senhor dos exércitos.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Rocha Eterna.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és meu Esconderijo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Salvador do mundo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Torre Fortificada.

Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és meu Refúgio na montanha.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Pão da vida.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Fonte de toda a santidade.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Água Viva.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Videira Verdadeira.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és meu Esposo, meu Criador.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Fortaleza.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nosso Libertador.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Vitória.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Salvação.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Justiça;
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Sabedoria.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Santificação.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Justificação.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Porta.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o grande EU SOU.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o grande Sumo Sacerdote.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Pedra Angular.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Alicerce Firme.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Alegria.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Herança e nosso Cálice.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és minha Cura e Plenitude.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és nossa Aliança.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Promessa do Pai.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Deus Eterno.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Deus Altíssimo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Cordeiro que foi imolado.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Justo Juiz.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Bálsamo de Galaad.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Guerreiro Poderoso.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és minha Defesa.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és o Noivo.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és minha Paciência.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és a Realidade Concreta.
Louvado sejas Tu, Jesus, pois Tu és minha Providência.

(Ed. Cleofas)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Vamos louvar o Senhor?


“Nossa meditação é uma espécie de treino no louvor do Senhor. Se a felicidade da vida futura consiste em louvar a Deus, como poderemos louvá-Lo se não fomos treinados?” Santo Agostinho
Em alguns países, no início do século, quando duas pessoas se encontravam, era costume dizer: “Louvado seja Jesus Cristo!” E a outra respondia: “Para sempre seja louvado!”
Talvez não voltemos a adotar esse belo costume, mas cada um de nós é chamado a um senso e a um hábito profundo de render louvores ao Senhor durante o dia todo. Assim dizia o grande santo Agostinho: “É possível louvar a Deus ininterruptamente? Creio que sim: faz da melhor forma o que tens de fazer. E louvarás a Deus continuamente. (Santo Agostinho)”. O louvor nos coloca em sintonia com Deus.
A simples compreensão de que a vida normal do cristão consiste em louvar a Deus já nos ajudará a todos a ficarmos mais sensíveis a essa prática. Sabemos agora mais do que nunca qual é o privilégio do cristão.
Certa vez, em 2014, o Papa Francisco em uma de suas catequeses chegou a questionar: “Você é capaz de gritar quando o seu time faz um gol, mas não é capaz de cantar os louvores ao Senhor? Louvar a Deus é totalmente gratuito!”.
Devemos rezar a Deus com todo o coração. Isso é um ato de justiça, porque Ele é grande! É nosso Deus!
O Papa ainda nos deixou uma pergunta: “Mas como vai a minha oração de louvor? Sei louvar o Senhor? Sei louvar o Senhor ou quando rezo o Glória ou rezo o Santo, o faço somente com a boca e não com todo o coração?”
Uma das experiências mais emocionantes e proveitosas que aprendi na fé, é dizer a Deus “obrigado”, também quando as coisas dão errado.
Toda vez que você perceber que agiu sem fé, na mesma hora peça perdão a Deus pela sua falta de fé, e por ter tomado das Suas mãos as rédeas de sua vida; e as entregue de novo a Ele. Deus compreende a sua fraqueza, e o perdoa, e está pronto a renovar em você o Espírito Santo; mas temos também de fazer a nossa parte, continuar lutando, sem desanimar e sem desesperar.
Podemos dizer “obrigado Senhor” mesmo quando o mundo todo está desabando ao nosso lado. Por quê?
Porque Deus é todo poderoso, Pai amoroso, e sustenta o mundo em suas mãos, e tem o comando da minha vida. Deus não pode nos abençoar se ao invés de confiar Nele ficarmos nervosos, lamuriando, xingando, ou até quem sabe revoltados contra Ele pelo que aconteceu. É claro que nesta hora o demônio vai soprar no seu ouvido algo assim: “está vendo, Deus não ama você de jeito nenhum; se o amasse não deixaria isto acontecer com você!”. Quando você louva a Deus neste momento, você dá um tapa na cara do tentador e ele se vai.
Mesmo na dor mais profunda, mesmo na perda mais dramática, diga a Deus “obrigado Senhor” por tudo isto, por mais absurdo que possa lhe parecer. Se você fizer esta experiência na fé, verá Deus agir em sua vida poderosamente.
Ele manda “dai graças em tudo”, exatamente por aquilo que está “doendo” agora dentro de você.
Quando louvamos a Deus no sofrimento não estamos exaltando o mal e nem mesmo querendo dizer que Deus possa ser seu autor ou que nos queira ver sofrer; nada disso, apenas confiamos que se Ele permitiu que esse mal acontecesse conosco – e que não foi causado por Ele – é porque Ele saberá tirar daí um bem maior.
Que todos nós sejamos profundamente abençoados com um novo desejo e determinação de louvar a Deus.
Deixamos aqui um convite. Que tal fazer uma viagem pela sua vida e resgatar os tantos motivos que tem para louvar a Deus no dia de hoje.
Vamos louvar a Deus?


sábado, 28 de janeiro de 2017

Ministério é serviço que se doa por obediência


Que são muitos os ministérios, e o Espírito é o mesmo, disso sabemos. Que os ministérios têm um carisma em sua base, que caracteriza as suas ações, disso também sabemos. No entanto, o que nem sempre percebemos é que quem forma esses ministérios, servos escolhidos e capacitados por Deus, com unção e dons específicos e diversos, são responsáveis por serem os braços que trabalham no corpo da Igreja.
Seja em qual ministério for, nós, servos na Renovação Carismática Católica, ao darmos o nosso sim ao chamado de Deus, assumimos uma grande e importante missão. O Senhor conhece cada um dos seus, e não os daria uma cruz mais pesada do que podem carregar. A cruz que nos leva a céu e dá sentido à vida do cristão.
O próprio Cristo é o maior e mais perfeito exemplo de entregar sua vida por uma missão que fez valer todo sofrimento que sua carne humana pôde sofrer, pois seu Espírito permaneceu firme no propósito. Nessa perspectiva de ministérios, o que podemos aprender com Jesus Cristo? Serviço, doação e obediência.
O servir cristão não é isolado. Em todo o Brasil e em lugares que nem imaginamos no mundo, há alguém que serve a Deus de todo o seu coração. Pessoas com diferentes vocações, cientes de sua vocação maior de santidade, e que a buscam todos os dias, colocando-se a serviço do Senhor de suas vidas.
Assim também na Renovação Carismática, os ministérios, por mais diferentes que sejam, não são solitários. Fazem parte de um mesmo “corpo”, com mesmo objetivo e missão de fazer discípulos de Jesus em todo o Brasil, a partir da experiência do batismo no Espírito Santo.
Cada peça é importante neste grande quebra-cabeça. Mas o que faz o jogo ser trabalhoso além do necessário é quando uma peça não está onde deveria. Desta forma, quando os ministérios, os servos, se colocam em seu lugar, as peças se unem e formam um belo desenho. Para que isso aconteça, é preciso reconhecer que seu serviço é importante para o todo, pondo o seu carisma a serviço da comunidade, do Grupo de Oração, do Movimento, da Igreja.
Em seguida, é necessário notar que o servir agradável a Deus é mais que “bater ponto”, é fazê-lo com amor. Não é automático, nem puramente humano. É doar-se, deixando que o Senhor conduza e oriente da forma que desejar. Ou seja, mais que saber de sua importância, o bom servo tem o coração livre para compreender que o seu esforço nem sempre vem com aplausos, mas que a recompensa no seu já está.
Sendo assim, também em nossos ministérios precisamos nos doar mais, e quem nos pede isso é o próprio Senhor. Não basta chegar e cantar, fotografar, pregar, interceder. É preciso se entregar ao Senhor e doar-se mais, da oração pessoal pela reunião de oração, ao pastoreio dos participantes. O Nosso Senhor pede mais. Mais mãos à obra, que transborde em doação verdadeira, com mais amor a Ele e aos seus, assim como pede no centro dos mandamentos.
De onde, então, viria a motivação para esse servir desprendido e que se doa? Tudo parte do nosso coração unido ao de Jesus. Ao tê-Lo como verdadeiro Senhor, brota no coração o desejo de cumprir o que Ele diz. Por isso, para um servo, é essencial a obediência. Ao conhecer Sua Verdade, já devemos segui-la, quanto mais quando aceitamos fazer parte de seus servos, como corresponsáveis da missão da Igreja de evangelizar e levar mais pessoas a Deus.
A obediência deve falar mais alto quando o serviço perdeu o sentido para o servo cansado, ou quando a doação pareceu não valer a pena para o servo decepcionado. O foco do cristão é a santidade. E, para o servo, é a santidade também no serviço. Serviço que se doa aos irmãos por obediência ao Deus de amor a quem serve.
Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo” (1Pd 4, 10-11)

 Laís do Valle Corrêa - Grupo de Oração Maranatha-Ministério de Comunicação Social/Arquidiocese de Belém/PA

sábado, 21 de janeiro de 2017

Carta do Ministério Fé e Política em defesa da vida

Amados irmãos em Cristo Jesus!


“... a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo, que se entregou por nossos pecados, para nos libertar da perversidade do mundo presente, segundo a vontade de Deus, nosso Pai, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (Gal. 1, 3-5).
Mais uma vez, dirigimos a palavra aos irmãos carismáticos em um grave momento de crise em nosso país. Durante muito tempo o povo brasileiro acostumou-se com as crises financeiras, mas, ao que tudo indica, parece que agora estamos sendo levados a conviver com uma constante crise política, moral, ética e de escândalos sem fim. Interessante recordar as palavras que o Ministério Fé e Política dirigiu ao povo da RCC em 16 de março de 2016:
“... De fato, não é diferente entre nós carismáticos. Com os últimos acontecimentos políticos noticiados pela imprensa brasileira, a indignação torna-se presente, uma forte inquietação suscita em muitos o desejo de protagonizar uma reação explícita e terminam por sugerir todo o tipo de mobilização aos líderes do Movimento. Neste contexto, é importante reconhecer que é lícito indignar-se com a corrupção e com toda mazela resultante do trato com a coisa pública. Contudo, é preciso recordar que pela fé acreditamos que não são as armas humanas que estão vencendo este combate – é Deus mesmo que se põe à frente abrindo caminhos”.
Agora em 04 de dezembro de 2016, novamente nos vemos diante de situações não menos desafiadoras e graves que as anteriores. Muito se questiona a respeito de um posicionamento oficial da RCC quanto às manifestações de rua. Como sempre, nossa referência permanece em Jesus e nas orientações da Igreja. Neste contexto, é preciso recordar que em sua NOTA EM DEFESA DA VIDA, a CNBB reafirmou a incondicional posição da Igreja em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto. E fez um apelo: “Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção” (Nota da CNBB de 01/12/2016).
Nesse contexto, um texto de Pe. Luiz Carlos Lodi escrito em 12/04/16, intitulado “Muita marcha e pouca oração”, permitirá lançar luzes às nossas reflexões. Ele dizia:
“... Em 13 de março de 1964, o presidente João Goulart (Jango) discursou em um comício feito na Central do Brasil, Rio de Janeiro, pleiteando uma reforma estrutural profunda (‘reforma de base’) que só poderia ser obtida mediante uma nova Constituição. ‘Nem os rosários podem ser erguidos como armas’, disse ele contra os que se opunham à reforma. Horas antes do discurso, o presidente assinara dois decretos: um permitia a desapropriação de terras numa faixa de dez quilômetros às margens de rodovias, ferrovias e barragens; outro transferia para o governo o controle de cinco refinarias de combustíveis que operavam no país.
No dia 19 de março de 1964, dia de São José, patrono da família, houve em São Paulo a grandiosa ‘Marcha da Família com Deus pela liberdade’, em reação ao discurso de Jango. A marcha foi concebida pela freira paulista Ana de Lourdes, neta do jurista Rui Barbosa. Seria uma ‘Marcha de Desagravo ao Santo Rosário pela ofensa que tinham constituído as palavras de Goulart na Guanabara’. O nome ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’ acabou sendo sugerido pela deputada Conceição da Costa Neves. A multidão, estimada entre 500 e 800 mil pessoas, certamente portava faixas e cartazes, gritava palavras de ordem, mas não faltou a oração. Era época em que o padre irlandês Patrick Peyton fundara o movimento Cruzada do Rosário em Família, com o lema ‘a família que reza unida permanece unida’. O povo partiu da Praça da República e dirigiu-se à Praça da Sé, onde Padre Peyton celebrou a Santa Missa pela Salvação da Democracia. Convém ressaltar a importância das mulheres na marcha. Grupos como a CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) e a União Cívica Feminina (UCF) estiveram presentes na organização da grande passeata. Pedia-se a Deus a salvação do Brasil ameaçado pelo comunismo, a preservação da família e da liberdade.
No dia seguinte, 20 de março, o general Castelo Branco, chefe do Estado Maior do Exército, exprimiu sua preocupação com o discurso de Jango em uma carta circular:
São evidentes duas ameaças: o advento de uma Constituinte como caminho para a consecução das reformas de base e o desencadeamento em maior escala de agitações generalizadas do ilegal poder do CGT. As Forças Armadas são invocadas em apoio a tais propósitos.
[...]
Várias Marchas da Família com Deus pela Liberdade foram realizadas em outras cidades até o final de março de 1964.
Em 31 de março, o general Olympio Mourão Filho resolveu partir com suas tropas, do Estado de Minas Gerais, para o Rio de Janeiro, e de lá para Brasília, sem encontrar qualquer resistência. João Goulart fugiu para Porto Alegre e, de lá, exilou-se no Uruguai. A Revolução foi efusivamente comemorada pelo povo, com novas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, desta vez chamadas ‘Marchas da Vitória’.
No dia 2 de abril de 1964, no Rio de Janeiro uma gigantesca Marcha de cerca de um milhão de pessoas partiu da Praça da Candelária e foi até a Esplanada do Castelo.
Mais de cinquenta anos depois, o povo brasileiro vai às ruas para protestar.
[...]
Essa imensa multidão, porém, anda errante ‘como ovelhas sem pastor’ (Mt 9,36). Grita contra a corrupção, os desvios de verba, o aumento de impostos, o enriquecimento ilícito dos governantes, a inflação alta, o aumento do desemprego, a recessão da economia, mas não se veem mais terços nas mãos, nem um líder religioso como Padre Peyton que conclame o povo à oração.
Ouvi o clamor do meu povo (cf. Ex 3,7) – Uma massa informe é diferente de um povo organizado. Uma multidão revoltada é diferente de um ‘exército em ordem de batalha’ (Ct 6,10). Uma marcha de pessoas que apenas sabem gritar ‘Fora, Presidente!’ é diferente de um grupo de discípulos unidos a Maria rogando perseverantes pela vinda do Espírito Santo (cf. At 1,14).
Para que Deus possa dizer de nós o que disse a Moisés – ‘o clamor dos filhos de Israel chegou até mim’ (Ex 3,9) –  é preciso que também nós clamemos a Ele. Clamemos junto com seu Filho, cujo sangue é mais eloquente que o de Abel, ‘porque o sangue de Abel pedia a morte do irmão fratricida, ao passo que o sangue do Senhor obteve a vida para seus perseguidores’. Clamemos junto com Maria Santíssima, de quem Jesus disse olhando para nós: ‘Eis a tua mãe’ (Jo 19, 27). Elevemos ao céu muitas vezes as palavras com que o anjo Gabriel a saudou – ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo’ (Lc 1,28) – e as palavras com que Isabel, cheia do Espírito Santo, recebeu Maria em sua casa: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre’ (Lc 1,42).”
Mais do que nunca, o discernimento da Renovação Carismática Católica para o atual momento aponta para a oração. Assim, o Conselho Nacional da RCCBRASIL orienta o povo carismático a prosseguir em unidade e perseverança em nossa missão de orar, mantendo equilíbrio e coerência para atuarmos com maturidade nas decisões, que como cidadãos, estão sujeitas ao foro íntimo. Ou seja, cada um deve avaliar as circunstâncias e riscos para a sua tomada de decisão como cidadão, visando garantir uma manifestação em defesa da vida humana, desde a sua concepção, com integridade e segurança.
Acima de tudo, acreditamos que Nossa Mãe Maria está ao nosso lado levando as nossas súplicas pelo Brasil a Jesus.
 Que Deus nos abençoe a todos!
Ministério Fé e Política RCCBRASIL- Conselho Nacional RCCBRASIL


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Quando o amigo 'pisa na bola'

Nós mesmos já fizemos essa experiência frustrante de “pisar na bola” com alguém que nunca queríamos machucar

Por melhores que sejam as pessoas e suas intenções, um dia, sem querer, elas nos decepcionam. Acontece isso entre pais e filhos, marido e mulher, namorados apaixonados e entre amigos também. Nós mesmos já fizemos essa experiência frustrante de “pisar na bola” com alguém que nunca queríamos machucar ou decepcionar. Isso faz parte do processo de amadurecimento de qualquer relacionamento, e é muito bom que isso aconteça, para que não fiquemos na ilusão de achar que tal pessoa é perfeita ou nós mesmos somos intocáveis e imaculados.
Dizer que a frustração e os erros fazem parte do conhecimento do outro, para que no amadurecimento da amizade possamos adequar a imagem do amigo ao real e possível parece exagero, pois quem tem amizade-fantasia são as crianças e neste período da vida é normal. Por isso, uma verdadeira amizade deve estar guiada por alguns compromissos evangélicos: verdade, transparência e partilha; tudo isso, é claro, com muita caridade e misericórdia, pois só quando experimentamos o gosto amargo dos nossos erros compreendemos as fraquezas e erros do amigo.
Experiência mais terrível, para mim, são aquelas pessoas que estão no centro de uma situação, sabem de fatos que incluem e comprometem a pessoa amiga e, por respeito humano e um falso “protecionismo”, ficam caladas, omitem-se, não querem correr o risco de perder a boa fama, a simpatia e até mesmo a amizade.
Quando a amizade é verdadeira, o único medo que eu tenho é perder o meu amigo para os seus próprios erros, mesmo que ele não me compreenda e fique com raiva de mim, vou falar-lhe a verdade e abrir seus olhos, pois amigo não é aquele que passa a mão na cabeça, mas aquele que o desafia e “desinstala”, mas está pronto para ficar com você em qualquer situação.
Precisamos crescer na vivência e na compreensão de uma verdadeira amizade, quem não se compromete não ama. Quando um amigo “pisa na bola” ou estiver vivendo uma situação constrangedora, aproveite para acolhê-lo, não tenha medo de sacrificar a amizade pela verdade, pois o verdadeiro amor se arrisca, dá a vida pelo amigo. O homem quando erra não tem outra alternativa a não ser pedir perdão, senão, ele não é homem. O amigo não abandona o barco quando ele se agita, mas ajuda a remar, mesmo que tenha de dizer que o outro está remando para o lado errado.
Como corrigir um amigo sem perder sua amizade:
 Reze pelo seu amigo: a oração vai preparar o coração dele e também o seu;
 Espere a hora certa para conversar e partilhar, não se deixe vencer pelo nervosismo e ansiedade;
 Escolha o lugar certo: a privacidade é o melhor lugar para corrigir uma pessoa, evite fazer uma correção em público, pois, mesmo que você esteja certo, começou errado;
 Faça um elogio antes de fazer a crítica e a correção. Todos têm qualidades e isso corrige o nosso ego elevado pelos erros dos outros; isso não é fingimento, é amor.
 Saiba falar: cuidado com as palavras! O problema, muitas vezes, não é o conteúdo das críticas, mas o jeito com que se fala. Mesmo que o outro esteja no erro, demonstre respeito e carinho.
“Na realidade, na hora em que é feita, nenhuma correção parece alegrar o outro, pois causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados” (cf. Hebreus 12,11).  

 Padre Luizinho-natural de Feira de Santana (BA), é sacerdote na Comunidade Canção Nova.     

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Profecia-Quando e como usar esse carisma?


Antes de qualquer coisa é necessário entendermos o que significa a palavra Profecia. Ao consultar o dicionário, encontramos o seguinte significado: Ação de predizer (prever) o futuro, que acredita ser por meio de uma inspiração divina: as profecias bíblicas. E de fato, o ato de profetizar nada mais é que deixar Deus falar o que, e como irá realizar algo em nossas vidas. Ao orarmos, conversamos com o Senhor, e como em todo diálogo há o momento de falar e o de escutar e é justamente nesse momento que o carisma da Profecia surge em nosso coração. Quando profetizamos o Senhor utiliza a nossa boca para falar ao nosso irmão, nesse caso é necessário discernir quando e como usar esse carisma tão importante.
Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los” (1Cor 14,3). Veja bem, irmão, a Profecia não vem para humilhar, entristecer, desesperançar, muito menos para sobrepor a vontade do condutor da profecia sobre decisões importantes na vida do irmão. Ao contrário, ela vem para acalmar, produzir esperança, aliviar, fazer crescer e gerar paz. De uma forma bem simples e clara, profetizar é ser o porta-voz de Deus.
Os carismas são diversos (cf. 1Cor 12, 1.4-11), todos são dados pelo Espírito Santo para cada um de nós e devem ser usados para edificação da comunidade. “Carismas são graças especiais que significam favor, dom gratuito, benefício; ordenam-se à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja, acham-se a serviço da caridade, edificando a Igreja” (Catecismo da Igreja Católica nº2003).
Entendemos, portanto a necessidade de exercitarmos os carismas nas reuniões de Oração, em especial o carisma da Profecia. O Senhor deseja falar conosco, e na reunião de Oração Deus quer falar, então devemos manter o nosso coração em sintonia com o Senhor, para que possamos reconhecer o desejo de Deus. Observamos, assim, a importância do uso dos carismas no “ciclo carismático”, ciclo esse que compreende o louvor, a oração e a profecia, funcionando como canal de comunicação entre Deus e os homens.
A Profecia é sempre falada na primeira pessoa do singular (Eu), porque é o próprio Deus a falar conosco. Quando recebemos uma Profecia podemos ou não proclamá-la, Deus não nos obriga, cabe a nós decidir, nesse momento não perdemos a consciência, temos o controle do que fazer, porém recebemos essa inspiração divina que pode vir acompanhada de manifestações espirituais (paz profunda, amor de Deus), assim como manifestações físicas (aceleração do coração, garganta apertada, calor espalhado por todo o corpo) e que servem para identificar quando a Profecia vem. Ao proclamá-la devemos pedir ao Espírito Santo a Palavra de Sabedoria e o Discernimento dos Espíritos para proferir as palavras de forma adequada, sem assustar ou desestimular àqueles que se encontram na assembleia. Podemos proclamar em línguas ou língua vernácula (idioma local). Quando é proclamada em línguas, deve vir seguida do dom da interpretação em línguas, que não é uma tradução, mas, como o próprio nome diz é a interpretação do que o Senhor falou àquele povo, a assembleia não pode sair da reunião sem essa compreensão.
Jesus diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10, 27), da próxima vez que participarmos de uma reunião de Oração, estejamos abertos ao que o Senhor fala, tenhamos intimidade com o Pai, por meio de uma oração pessoal diária, leitura orante da Palavra e vida sacramental. Mantendo nossas práticas espirituais em dia ficará mais fácil vivenciarmos esse carisma e utilizarmos para a edificação da comunidade sempre que o Senhor quiser utilizar de nós para isso.

 Denise Santos Andrade Araújo-Grupo de Oração O Caminho pra Jesus-Coordenadora Estadual do Ministério de Oração por Cura e Libertação  do Piauí