Recentemente o noticiário nos deu conhecimento do assassinato do cartunista Glauco e seu filho Raoni. O assassino é conhecido da família; o jovem, viciado em drogas e aparentemente psicopata, segundo os familiares e amigos do morto, fazia “tratamento” para livrar-se das drogas na igreja (?) Céu de Maria, ligada ao Santo Daime.
Como pretender que alguém se livre das drogas numa suposta religião em que o rito principal é a ingestão de um chá alucinógeno, o ayahuasca? Absurdo dos absurdos. Também absurdo e estranho fora a decisão do CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) de retirar o ayahuasca da lista de drogas alucinógenas, conforme publicado no Diário Oficial da União em 10/11/2004. Ainda no terreno do absurdo e imoral, em 2008 o então Ministro da Cultura Sr. Gilberto Gil solicitou ao IPHAN que considerasse o uso do chá ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira.
Imaginemos a seguinte situação: uma seita qualquer recém fundada, após suposta revelação divina, resolve utilizar a maconha em seus rituais, queimando-a nos turíbulos como incenso. Haveria doutos ministros de estado apregoando o uso da maconha, ao menos nos rituais religiosos? Sugeririam o uso de drogas como patrimônio nacional? Triste país seria (ou será?) esse.
Grande é o perigo das seitas. No entanto nosso povo – aqui não refiro ao povo como um todo, sim ao povo cristão, de modo particular o povo católico – não se dá conta disso. Muitos se deixam enganar, se iludem com promessas de facilidades, com promessas de prosperidade, com pacotes de prodígios, kits de milagres. Há seitas de todo tipo, para todos os gostos: pseudocristãs, esotéricas, agnósticas, etc. O povo ingênuo e aspirando por coisas espirituais, carente, necessitado de todo tipo de bens (materiais e afetivos) é presa fácil para estes rapinantes. Não digo que existam religiões boas ou más, verdadeiras ou não. Digo, afirmo com toda convicção, só existe um grande grupo religioso (religio = religar; religar com o criador, voltar às origens). Não importa como seja denominada: islâmica, judaica ou cristã. Estas têm origem comum e cultuam o mesmo e único Deus, originam-se do mesmo patriarca: Abraão. No entanto, a religião autêntica é a religião do amor. Sem desmerecer os judeus, nossos pais na fé, essa religião é o cristianismo (Deus amou tanto o mundo que enviou seu filho único para morrer por ele.-cf. Jo 3,16ss). Se a religião que prega o amor, a tolerância entre todos os povos e nações aqui está, se notadamente uma Igreja milenar, presente deste os primórdios do cristianismo, assoma entre outras (as da reforma e do cisma) porque razão tantos católicos e também outros cristãos se deixam seduzir e são fisgados pelos arpões afiados das seitas? Porque, repetindo, carecem de todo tipo de necessidades. Carecem de bens materiais (alguns na verdade são gananciosos) e são cooptados pelos pregadores da teologia da prosperidade. Carecem de saúde e são enganados pelos curandeiros de plantão e pregadores de falsos milagres. Carecem de vínculos afetivos e são maliciosamente acolhidos por falsos irmãos. Carecem de espiritualidade e são iludidos por falsos profetas. E quase todos, a grande maioria, carece de fé. Fé verdadeira, fé vivida, fé experimentada. Carecem desta forma do conhecimento da verdadeira doutrina cristã. Não sabem, ou não querem saber, que Jesus Cristo nunca ofereceu riquezas materiais, nunca ofereceu benesses aqui na terra, nunca prometeu vida farta. Não sabem, talvez não queiram saber, que a riqueza a que Jesus se referia era a eterna glória junto ao Pai, que a vida plena e abundante era vida abundante de graças e bens espirituais, e que toda cura, toda libertação visava algo maior e mais abrangente: a salvação da alma. Tudo isto foi refletido, para como diz o apóstolo S. Paulo na carta ao povo de Éfeso: “Não continuemos como crianças ao sabor das ondas, agitadas por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade cresçamos em todos os sentidos naquele que é a cabeça, o Cristo”. (Ef 4,14-15).
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Páscoa - A vitória sobre a morte
De certo modo a morte é um aspecto da vida. Na medida em que se vive, o ser humano se desgasta, se enfraquece, torna-se mais frágil, envelhece. Caminha fatalmente para o final. Mas, ao mesmo tempo, existe nas profundezas do ser humano, um radical protesto contra a morte. Ele não a aceita passivamente. Este radical protesto desemboca no sonho de uma vida após a morte.
Com a ressurreição de Jesus, o sonho tornou-se realidade. Pela ressurreição, Ele superou a condição terrestre. Entrou em uma nova vida, não mais limitada pelo sofrimento e pela morte. Agora, a comunidade de seus discípulos, no encontro com ele realiza uma experiência nova. Ele é experimentado como o Vivente, na linguagem do apocalipse: aquele que de modo invisível, está sempre presente exercendo seu poder salvifico.
Segundo o ensinamento de S. Paulo, Ele ressuscitou em nosso favor: para nos salvar e nos dar a certeza de que também ressuscitaremos. A nossa ressurreição será uma participação na ressurreição de Jesus.
A convicção da ressurreição não se coloca no plano da certeza cientifica. Fundamenta-se na fé: resposta do ser humano, movido, pelo Espírito, à revelação de Deus em Jesus Cristo. Em última análise, a ressurreição – a de Jesus e a nossa – é uma demonstração da grandeza da audácia do amor de Deus. Seu amor é mais forte que a morte.
A fé na ressurreição mostra que o cristianismo, com relação ao futuro do ser humano, é mais radical do que as outras religiões. Elas anunciam, como termo final, a libertação da alma das cadeias do corpo. O cristianismo anuncia a ressurreição: a transformação e a glorificação do ser humano na sua totalidade.
A ressurreição desempenha em nossa existência, o papel de uma mística. Mística é uma poderosa convicção capaz de influir na nossa consciência e mover nossa vontade. A mística da ressurreição leva a compreender que a vida terrestre, que termina com a morte, não é um equivoco. Ela tem levado muitos a dar a vida pela fidelidade a Cristo, aos irmãos e à causa da justiça. Ela dá força para enfrentar, com dignidade, o sofrimento e a morte. A mística da ressurreição deve levar-nos a nos colocar ao lado da vida contra as forças da morte: fome, injustiça, violência, exploração do mais fraco. Deve levar-nos a respeitar e promover a vida em qualquer fase de sua evolução, desde a concepção. Seja a vida sadia e pena, seja a vida frágil e defeituosa. Enfim, a mística da ressurreição se apóia na convicção de que Deus é o Senhor da vida. É a vida em plenitude que ele quer para nós.
D. Benedito Beni dos Santos – Bispo da diocese de Lorena
Com a ressurreição de Jesus, o sonho tornou-se realidade. Pela ressurreição, Ele superou a condição terrestre. Entrou em uma nova vida, não mais limitada pelo sofrimento e pela morte. Agora, a comunidade de seus discípulos, no encontro com ele realiza uma experiência nova. Ele é experimentado como o Vivente, na linguagem do apocalipse: aquele que de modo invisível, está sempre presente exercendo seu poder salvifico.
Segundo o ensinamento de S. Paulo, Ele ressuscitou em nosso favor: para nos salvar e nos dar a certeza de que também ressuscitaremos. A nossa ressurreição será uma participação na ressurreição de Jesus.
A convicção da ressurreição não se coloca no plano da certeza cientifica. Fundamenta-se na fé: resposta do ser humano, movido, pelo Espírito, à revelação de Deus em Jesus Cristo. Em última análise, a ressurreição – a de Jesus e a nossa – é uma demonstração da grandeza da audácia do amor de Deus. Seu amor é mais forte que a morte.
A fé na ressurreição mostra que o cristianismo, com relação ao futuro do ser humano, é mais radical do que as outras religiões. Elas anunciam, como termo final, a libertação da alma das cadeias do corpo. O cristianismo anuncia a ressurreição: a transformação e a glorificação do ser humano na sua totalidade.
A ressurreição desempenha em nossa existência, o papel de uma mística. Mística é uma poderosa convicção capaz de influir na nossa consciência e mover nossa vontade. A mística da ressurreição leva a compreender que a vida terrestre, que termina com a morte, não é um equivoco. Ela tem levado muitos a dar a vida pela fidelidade a Cristo, aos irmãos e à causa da justiça. Ela dá força para enfrentar, com dignidade, o sofrimento e a morte. A mística da ressurreição deve levar-nos a nos colocar ao lado da vida contra as forças da morte: fome, injustiça, violência, exploração do mais fraco. Deve levar-nos a respeitar e promover a vida em qualquer fase de sua evolução, desde a concepção. Seja a vida sadia e pena, seja a vida frágil e defeituosa. Enfim, a mística da ressurreição se apóia na convicção de que Deus é o Senhor da vida. É a vida em plenitude que ele quer para nós.
D. Benedito Beni dos Santos – Bispo da diocese de Lorena
quinta-feira, 1 de abril de 2010
O Cordeiro de Deus

Inicio esta reflexão citando o catecismo da igreja Católica: “Pela sua morte Jesus nos liberta do pecado; pela sua ressurreição Ele nos abre as portas de uma vida nova” (CIC 654).
Quando Jesus foi para a cruz e deu sua vida por nós, era Ele o cordeiro de Deus, o derradeiro holocausto expiatório, o definitivo sacrifício para remissão dos pecados do mundo inteiro. Sacrifício atemporal, pois contemplou passado, presente e futuro. Toda a Terra, em qualquer lugar, a qualquer tempo, foi alcançada pela graça do perdão Divino. A ressurreição, manifestação do inconteste poder de Deus, nos abriu o caminho para a eternidade. Esse caminho inicia-se em Jesus, passa por Jesus e prossegue com Jesus.
A fé, baseada na Palavra de Deus e nos ensinamentos da igreja, nos convence disso. Entretanto uma grande questão permeia essa assertiva: basta a fé para obtermos o perdão Divino e consequentemente alcançarmos a salvação e a glória eterna? A fé é fundamental, porque pela fé reconhecemos e aceitamos o sacrifício e a glorificação do Senhor. Mas a fé simplesmente não é o bastante. Lembremo-nos que Jesus, o Verbo Eterno (ver Jo 1,1-2.14), veio ao mundo para remir a humanidade e reconciliá-la com o Pai. Durante três anos formou discípulos, elegeu um grupo para sucedê-lo, ensinou, revelou seu propósito e por fim doou-se venceu a morte e retornou aos braços do Pai na eternidade. Portanto, o direito à salvação passa por tudo isso.
O mérito de nossa salvação é todo de Jesus, porém é necessário que desejemos e aceitemos as condições. A salvação nos foi oferecida, o mérito é Dele e a fé nos certifica isso; no entanto, temos que conquistá-la. O sacrifício, a ação principal, foi Dele e o que Ele nos pede é que façamos a nossa parte. E nossa parte, a contribuição pessoal para a salvação é simplesmente ouvi-lo e obedece-lo: “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2,5).
Quando Jesus foi para a cruz e deu sua vida por nós, era Ele o cordeiro de Deus, o derradeiro holocausto expiatório, o definitivo sacrifício para remissão dos pecados do mundo inteiro. Sacrifício atemporal, pois contemplou passado, presente e futuro. Toda a Terra, em qualquer lugar, a qualquer tempo, foi alcançada pela graça do perdão Divino. A ressurreição, manifestação do inconteste poder de Deus, nos abriu o caminho para a eternidade. Esse caminho inicia-se em Jesus, passa por Jesus e prossegue com Jesus.
A fé, baseada na Palavra de Deus e nos ensinamentos da igreja, nos convence disso. Entretanto uma grande questão permeia essa assertiva: basta a fé para obtermos o perdão Divino e consequentemente alcançarmos a salvação e a glória eterna? A fé é fundamental, porque pela fé reconhecemos e aceitamos o sacrifício e a glorificação do Senhor. Mas a fé simplesmente não é o bastante. Lembremo-nos que Jesus, o Verbo Eterno (ver Jo 1,1-2.14), veio ao mundo para remir a humanidade e reconciliá-la com o Pai. Durante três anos formou discípulos, elegeu um grupo para sucedê-lo, ensinou, revelou seu propósito e por fim doou-se venceu a morte e retornou aos braços do Pai na eternidade. Portanto, o direito à salvação passa por tudo isso.
O mérito de nossa salvação é todo de Jesus, porém é necessário que desejemos e aceitemos as condições. A salvação nos foi oferecida, o mérito é Dele e a fé nos certifica isso; no entanto, temos que conquistá-la. O sacrifício, a ação principal, foi Dele e o que Ele nos pede é que façamos a nossa parte. E nossa parte, a contribuição pessoal para a salvação é simplesmente ouvi-lo e obedece-lo: “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2,5).
sábado, 20 de março de 2010
Cores Liturgicas
Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia - indicada pelo calendário - fica estabelecida determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
VERDE
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
BRANCO
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
VERMELHO
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires.
ROXO
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
ROSA
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve "pausa" na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
PRETO
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.
Ano Litúrgico
A Estrutura do Ano Litúrgico
Ciclo do Natal
O Ciclo do Natal começa com o Advento, inclui o Natal propriamente dito, passa pela Epifania e termina na festa do Batismo de Jesus, após o que será iniciado a primeira semana do tempo comum.
Advento
É o ponto de partida e de chegada do Ano Litúrgico. É o tempo de expectativa diante do Cristo que irá nascer. A espiritualidade está focalizada na Esperança e Purificação da Vida. O ensinamento da Igreja Católica está direcionado para o anúncio da vinda do Messias e lembra a espera da humanidade, escrava do pecado, pelo libertador. Por isso é tempo de penitência e conversão. A cor predominante é a Roxa, mas recomenda-se a rósea no III domingo do advento. A cor rosada no altar, na mesa da palavra e nas vestes litúrgicas lembra-nos uma espera alegre, enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir do tempo quaresmal, marcado pelo roxo de penitência. São as quatro semanas que antecedem o Natal.
Natal
Lembra o nascimento de Jesus em Belém, em que celebramos a humanidade do nosso Deus e festejamos a Salvação que entra definitivamente em nossa história. Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é comemorado no dia 25 de todo ano. A cor utilizada é a branca ou amarela. A festa do Natal começa com a vigília do Natal, no dia 24 de dezembro, e se prolonga até o dia 6 de janeiro.
Epifania
Celebrada no dia 06 de Janeiro de cada ano. É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. Aqui aparecem os reis magos para mostrar que esta manifestação é a todas as nações da Terra. Além da solenidade da Epifania existem outras manifestações do Senhor celebradas no Ciclo de Natal, como, por exemplo, a festa da Apresentação do Senhor, no dia 2 de Fevereiro. É conhecida também como Festa de Nossa Senhora das Candeias. A cor predominante é também a branca.
Tempo Comum
(1ª Parte)
O início do tempo comum acontecerá por volta de todo dia 14 de Janeiro após o Batismo de Jesus e o término da comemoração ocorrerá na véspera da quarta-feira de cinzas. A espiritualidade visa a esperança e escuta da palavra e o ensinamento baseia-se no anúncio do Reino de Deus. A cor usual é verde.
Ciclo da Páscoa
A primeira parte do Ciclo da Páscoa começará pela Quaresma, cujo espiritualidade tem como foco a Penitência e Conversão . O ensinamento estará voltado para a Misericórdia de Deus. A segunda parte diz respeito à Páscoa propriamente dita. A Alegria de Cristo Ressuscitado constitui a espiritualidade da Páscoa. Tem-se como ensinamento a Ressurreição e vida eterna e a cor usada é a branca.
Quaresma
Começa com a quarta-feira de cinzas e se estende até o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Sendo tempo de penitência e conversão, a Igreja se exercita de maneira especial no jejum, esmola e oração; nesse período omite-se o canto do glória na eucaristia. É a preparação para a Páscoa do Senhor. Os quarenta dias da quaresma lembram a caminhada de quarenta anos do povo de Deus no deserto. A cor usada é a Roxa; como no tempo do Natal, a cor rósea pode ser usada no quarto domingo da quaresma, representando tristeza. O ponto alto desse tempo é a Semana Santa.
Páscoa
Começa com a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. Neste dia é celebrada a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. A cor utilizada é a branca, que representa a ressurreição, vitória, pureza e alegria; é a cor dos batizados. Pela manhã, acontece a missa do crisma, que reúne todos os padres da (arqui) diocese em torno do bispo. Na sexta-feira, celebra-se a paixão e a morte de Jesus sendo que a cor utilizada é a vermelha. É o único dia do ano que não tem missa em nossas igrejas. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Este é o tríduo pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o domingo da ressurreição. A palavra páscoa significa passagem. Para nós, cristãos, é a passagem do pecado e da morte para a graça e para a vida. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes.
Pentecostes
É celebrado 50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito. É o Espírito Santo que anima a Igreja na caminhada em direção à casa do Pai. A cor utilizada é a vermelha que lembra o fogo do Espírito Santo. Ele nos dá força para testemunhar a verdade e nos socorre com seus dons.
Tempo Comum
(2ª Parte)
Na segunda-feira, após o Pentecostes, será iniciada segunda parte do Tempo Comum, cujo término só ocorrerá na véspera do primeiro domingo do Advento. A vivência do Reino de Deus é o tema da espiritualidade e o ensinamento está voltado para a assertiva de que os cristãos são o sinal do Reino de Deus. A cor a ser utilizada será a verde.
VERDE
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
BRANCO
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
VERMELHO
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires.
ROXO
Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
ROSA
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve "pausa" na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
PRETO
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.
Ano Litúrgico
A Estrutura do Ano Litúrgico
Ciclo do Natal
O Ciclo do Natal começa com o Advento, inclui o Natal propriamente dito, passa pela Epifania e termina na festa do Batismo de Jesus, após o que será iniciado a primeira semana do tempo comum.
Advento
É o ponto de partida e de chegada do Ano Litúrgico. É o tempo de expectativa diante do Cristo que irá nascer. A espiritualidade está focalizada na Esperança e Purificação da Vida. O ensinamento da Igreja Católica está direcionado para o anúncio da vinda do Messias e lembra a espera da humanidade, escrava do pecado, pelo libertador. Por isso é tempo de penitência e conversão. A cor predominante é a Roxa, mas recomenda-se a rósea no III domingo do advento. A cor rosada no altar, na mesa da palavra e nas vestes litúrgicas lembra-nos uma espera alegre, enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir do tempo quaresmal, marcado pelo roxo de penitência. São as quatro semanas que antecedem o Natal.
Natal
Lembra o nascimento de Jesus em Belém, em que celebramos a humanidade do nosso Deus e festejamos a Salvação que entra definitivamente em nossa história. Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é comemorado no dia 25 de todo ano. A cor utilizada é a branca ou amarela. A festa do Natal começa com a vigília do Natal, no dia 24 de dezembro, e se prolonga até o dia 6 de janeiro.
Epifania
Celebrada no dia 06 de Janeiro de cada ano. É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. Aqui aparecem os reis magos para mostrar que esta manifestação é a todas as nações da Terra. Além da solenidade da Epifania existem outras manifestações do Senhor celebradas no Ciclo de Natal, como, por exemplo, a festa da Apresentação do Senhor, no dia 2 de Fevereiro. É conhecida também como Festa de Nossa Senhora das Candeias. A cor predominante é também a branca.
Tempo Comum
(1ª Parte)
O início do tempo comum acontecerá por volta de todo dia 14 de Janeiro após o Batismo de Jesus e o término da comemoração ocorrerá na véspera da quarta-feira de cinzas. A espiritualidade visa a esperança e escuta da palavra e o ensinamento baseia-se no anúncio do Reino de Deus. A cor usual é verde.
Ciclo da Páscoa
A primeira parte do Ciclo da Páscoa começará pela Quaresma, cujo espiritualidade tem como foco a Penitência e Conversão . O ensinamento estará voltado para a Misericórdia de Deus. A segunda parte diz respeito à Páscoa propriamente dita. A Alegria de Cristo Ressuscitado constitui a espiritualidade da Páscoa. Tem-se como ensinamento a Ressurreição e vida eterna e a cor usada é a branca.
Quaresma
Começa com a quarta-feira de cinzas e se estende até o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Sendo tempo de penitência e conversão, a Igreja se exercita de maneira especial no jejum, esmola e oração; nesse período omite-se o canto do glória na eucaristia. É a preparação para a Páscoa do Senhor. Os quarenta dias da quaresma lembram a caminhada de quarenta anos do povo de Deus no deserto. A cor usada é a Roxa; como no tempo do Natal, a cor rósea pode ser usada no quarto domingo da quaresma, representando tristeza. O ponto alto desse tempo é a Semana Santa.
Páscoa
Começa com a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. Neste dia é celebrada a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. A cor utilizada é a branca, que representa a ressurreição, vitória, pureza e alegria; é a cor dos batizados. Pela manhã, acontece a missa do crisma, que reúne todos os padres da (arqui) diocese em torno do bispo. Na sexta-feira, celebra-se a paixão e a morte de Jesus sendo que a cor utilizada é a vermelha. É o único dia do ano que não tem missa em nossas igrejas. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Este é o tríduo pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o domingo da ressurreição. A palavra páscoa significa passagem. Para nós, cristãos, é a passagem do pecado e da morte para a graça e para a vida. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes.
Pentecostes
É celebrado 50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito. É o Espírito Santo que anima a Igreja na caminhada em direção à casa do Pai. A cor utilizada é a vermelha que lembra o fogo do Espírito Santo. Ele nos dá força para testemunhar a verdade e nos socorre com seus dons.
Tempo Comum
(2ª Parte)
Na segunda-feira, após o Pentecostes, será iniciada segunda parte do Tempo Comum, cujo término só ocorrerá na véspera do primeiro domingo do Advento. A vivência do Reino de Deus é o tema da espiritualidade e o ensinamento está voltado para a assertiva de que os cristãos são o sinal do Reino de Deus. A cor a ser utilizada será a verde.
domingo, 14 de março de 2010
Deserto interior

Há dias em que nos sentimos vazios, como uma cisterna seca. Dias em que nosso pensamento vagueia sem direção nem sentido. Não conseguimos concatenar nosso pensamento; há um vazio de idéias, nada nos anima, nada nos apetece. É como se fosse uma prostração intelectual, emocional, ou mesmo espiritual.
Este estado de alma é o que podemos chamar de preguiça mental, em nível do intelecto, e aridez ou deserto espiritual, no nível das emoções ou mais profundamente no espírito.
Ao contrário do que muitos crêem o deserto é um tempo rico, muito rico. É um tempo em que somos chamados a sairmos das observações exteriores e adentrarmos a uma vida interior.
Aqui o Senhor nos toma pela mão e nos conduz a uma arrumação, a uma faxina interior. Mais que uma simples pintura externa, somos convidados a por ordem na casa interior, na alma, no coração. Esta desordem é causada pelos ressentimentos, medos, mágoas, falta de perdão, ciúmes, rancores. Todo este fardo nos leva a um estado de prostração, angustia, melancolia, depressão.
Arrumar esta confusão dentro do nosso coração é tarefa árdua, que só executamos auxiliados, conduzidos pelo Espírito Santo em nossa vida de oração, no Sacramento da Reconciliação, na vida na Palavra de Deus, no Sacramento da Eucaristia. É tarefa árdua e cheia de dificuldades, obstáculos, mas se perseverarmos sairemos mais fortalecidos.
Precisamos aderir ao plano de Deus, nos conFORMARmos à sua vontade, pois nosso coração, esta casa em desordem é a Morada de Deus. E Deus quer arrumar a sua casa. Peçamos o auxilio do Espírito Santo nesta missão:
Vinde Espírito Santo renovar nossas forças.
Concedei-nos Espírito Santo estarmos abertos à obra de Deus em nossas vidas.
Livra-nos de nos amedrontarmos diante das dificuldades.
Conceda-nos perseverar sem nos fatigarmos.
Amém.
Este estado de alma é o que podemos chamar de preguiça mental, em nível do intelecto, e aridez ou deserto espiritual, no nível das emoções ou mais profundamente no espírito.
Ao contrário do que muitos crêem o deserto é um tempo rico, muito rico. É um tempo em que somos chamados a sairmos das observações exteriores e adentrarmos a uma vida interior.
Aqui o Senhor nos toma pela mão e nos conduz a uma arrumação, a uma faxina interior. Mais que uma simples pintura externa, somos convidados a por ordem na casa interior, na alma, no coração. Esta desordem é causada pelos ressentimentos, medos, mágoas, falta de perdão, ciúmes, rancores. Todo este fardo nos leva a um estado de prostração, angustia, melancolia, depressão.
Arrumar esta confusão dentro do nosso coração é tarefa árdua, que só executamos auxiliados, conduzidos pelo Espírito Santo em nossa vida de oração, no Sacramento da Reconciliação, na vida na Palavra de Deus, no Sacramento da Eucaristia. É tarefa árdua e cheia de dificuldades, obstáculos, mas se perseverarmos sairemos mais fortalecidos.
Precisamos aderir ao plano de Deus, nos conFORMARmos à sua vontade, pois nosso coração, esta casa em desordem é a Morada de Deus. E Deus quer arrumar a sua casa. Peçamos o auxilio do Espírito Santo nesta missão:
Vinde Espírito Santo renovar nossas forças.
Concedei-nos Espírito Santo estarmos abertos à obra de Deus em nossas vidas.
Livra-nos de nos amedrontarmos diante das dificuldades.
Conceda-nos perseverar sem nos fatigarmos.
Amém.
sábado, 6 de março de 2010
Secularismo
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Abordaremos o tema secularismo vs. Religião. O que vem a ser secularismo? Secularismo é o mundo em oposição a Igreja. É o ateísmo que confronta a religiosidade. Tudo que o mundo prega que contraria a existência de Deus. Mas o que somos sem Deus? O homem se esquece que Deus sem o homem continua Deus, e no entanto o homem sem Deus é nada.
O texto do livro de Macabeus em 1Mac 1,33-37 nos mostra Jerusalém tomada por Antioco Epifanes, um rei de origem macedônica, um dos herdeiros do império de Alexandre o Grande. Lembra-nos também a apostasia de alguns judeus aliados ao opressor.
Hoje nos deparamos com um mundo semelhante ao descrito, virado de pernas para o ar, cercado de toda sorte de iniqüidades, oprimido pelo mal. O mundo criado por Deus para nosso deleite, transformado em fonte de pecado. Mundo que por causa da nossa desobediência, como Jerusalém, foi entregue ao inimigo.
Às vezes somos considerados “chatos”, falamos sempre a mesma coisa, batemos na mesma tecla, advertimos sobre os mesmos perigos; mas não podemos calar ante a iniqüidade; devemos denunciar sempre, assim Deus quer que façamos. Lembremo-nos do rolo queimado, em Jeremias 36. O rolo contendo as profecias contra Joaquim, rei de Judá, que mandou queimar o rolo. Porém Deus suscitou a Jeremias que providenciasse outro rolo, ao qual foram acrescentadas novas profecias. De nada adianta tentar deter os desígnios de Deus, simplesmente os ignorando ou calando a voz do profeta.
Nos dias de hoje, lamentavelmente, jornais populares exaltam atitudes erradas, mormente da juventude. Psicólogos incentivam sexo, infidelidade, adultério e até, mesmo que veladamente, o aborto! Propagam escandalosamente falsas doutrinas, esoterismo. Deturpam deliberadamente a imagem da Igreja, enfatizando o misticismo, as crendices populares, nunca a verdadeira doutrina. Somos bombardeados constantemente por uma rede de desinformação!
Diz o versículo 33: (...). A muralha que nos cerca é o pecado, a desobediência, tudo que nos afasta de Deus. Quem pactua com o mundo ajuda a levantar essa muralha. Se você meu irmão pactua com o mundo, deixa-se levar, propaga o que o mundo oferece, com certeza você está se cercando, se afastando de Deus.
O mundo oferece muitos caminhos; coisas que trazem dor e morte. Sempre haverá dor nas coisas do mundo, mas não é por saber disso que iremos nos desesperar. O homem bom, justo, procurará levar consolo, tirar a dor; o homem mau a espalhará e a levará consigo aonde quer que vá e o homem tolo, egoísta, nem mesmo a notará, a não ser em si próprio. Mas o mau, assim como o tolo e o homem bom não vieram do nada e não estão sozinhos; vieram de Deus e estão numa multidão juntos, partilhando o mesmo mundo. O homem mau, quase sempre não sabe que é mau e deve portanto, ser perdoado todos os dias.
Deus não nos obriga a nada, somos livres para escolher nosso caminho; Deus não nos obriga a servi-lo, não nos obriga sequer a segui-lo. Somos livres até para pecar. É certo que Deus não fica feliz com nosso pecado, pelo contrário, nosso pecado ofende a Deus. Quando pecamos ferimos o coração de Jesus; crucificamos Jesus a cada dia com o nosso pecado. Mas mesmo assim ele não nos obriga a nada! Ele poderia mudar tudo, a hora que quisesse, quando quisesse, como quisesse, mas não o faz. Porque nos ama; e porque nos ama nos deixa livres para escolher o caminho.
A permissão divina para tudo que acontece é um grande mistério e não nos cabe buscar o entendimento. Mas não devemos esquecer que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.
O mundo está aí, vivemos nele; estamos no mundo, mas não somos do mundo, ou ao menos não devemos ser. Somos de Cristo! Vamos lutar para transformar o mundo, que sejam como nós.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Olho por olho - Coração por coração

“Dói muito ser queimado vivo, dói muito. Dói no corpo, dói na alma” (vitima de facínoras no ônibus incendiado no Rio de Janeiro em 03/03).
Dói na alma... Dói na alma tomar conhecimento da barbárie que assola nossa cidade, nosso pais, a terra inteira. Crimes hediondos, atentados terroristas, massacres de inocentes em guerras insanas mundo afora, tudo isso nos afronta. No Brasil a impunidade generalizada, no mundo a insolência dos fortes tripudiando sobre os fracos.
No livro dos Salmos 12(13), o salmista num lamento questiona: “Até quando Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Até quando aninharei a angustia em minha alma, até quando se levantará o inimigo contra mim?” (vv. 2-4), para logo após exprimir confiança: “Iluminai meus olhos com vossa luz (...) antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro!” (vv. 5-6).
Somos passiveis de sentimentos de vingança tipo olho por olho; afinal somos seres carnais. Contudo, não podemos deixar que a carne e o sangue falem mais alto. Não é coerente indignar-se com a crueldade sendo cruéis. Somos seres carnais, no entanto também espirituais. O ser humano é constituído de corpo, alma, espírito. O espírito iluminado pela fé e enlevado pela graça; a alma, a vida sensível e também a razão sem a graça, e o corpo a área material, nossa parte visível, palpável, receptáculo da graça. Se a carne clama por vingança, a alma deve sobrepujá-la e clamar por justiça. Acima de tudo, enlevado pela graça, o espírito se doa em perdão. Entenda-se, perdoar não é aceitar resignadamente o que se fez contra nós, isentando o agressor de culpa (afinal a alma clama por justiça). Ao contrário, perdoar é reconhecer que fomos feridos, que alguém nos ofendeu e mesmo assim não lhe desejar o mal. Imputando culpa sim, porém sem imprimir ódio nem desejo de vingança no coração.
Em vista de toda maldade imperante no mundo, coloquemos nossa confiança no Senhor que fez o céu e a terra e a todos ama igualmente, mereçam ou não. Dói, dói muito; mas do mesmo modo como Deus concede-nos gratuitamente a misericórdia, aprendamos também a perdoar. Talvez assim o mundo fique melhor.
Perdoar é ir além, é dar mais (per + donare = doar mais). Portanto só perdoa quem é generoso, caridoso, ama e por amor é capaz de se doar. O outro passa dos limites e nos tira algo; nós ultrapassamos nossos próprios limites e lhe damos o que ele não mereceria. Isso é perdão.
Dói na alma... Dói na alma tomar conhecimento da barbárie que assola nossa cidade, nosso pais, a terra inteira. Crimes hediondos, atentados terroristas, massacres de inocentes em guerras insanas mundo afora, tudo isso nos afronta. No Brasil a impunidade generalizada, no mundo a insolência dos fortes tripudiando sobre os fracos.
No livro dos Salmos 12(13), o salmista num lamento questiona: “Até quando Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Até quando aninharei a angustia em minha alma, até quando se levantará o inimigo contra mim?” (vv. 2-4), para logo após exprimir confiança: “Iluminai meus olhos com vossa luz (...) antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro!” (vv. 5-6).
Somos passiveis de sentimentos de vingança tipo olho por olho; afinal somos seres carnais. Contudo, não podemos deixar que a carne e o sangue falem mais alto. Não é coerente indignar-se com a crueldade sendo cruéis. Somos seres carnais, no entanto também espirituais. O ser humano é constituído de corpo, alma, espírito. O espírito iluminado pela fé e enlevado pela graça; a alma, a vida sensível e também a razão sem a graça, e o corpo a área material, nossa parte visível, palpável, receptáculo da graça. Se a carne clama por vingança, a alma deve sobrepujá-la e clamar por justiça. Acima de tudo, enlevado pela graça, o espírito se doa em perdão. Entenda-se, perdoar não é aceitar resignadamente o que se fez contra nós, isentando o agressor de culpa (afinal a alma clama por justiça). Ao contrário, perdoar é reconhecer que fomos feridos, que alguém nos ofendeu e mesmo assim não lhe desejar o mal. Imputando culpa sim, porém sem imprimir ódio nem desejo de vingança no coração.
Em vista de toda maldade imperante no mundo, coloquemos nossa confiança no Senhor que fez o céu e a terra e a todos ama igualmente, mereçam ou não. Dói, dói muito; mas do mesmo modo como Deus concede-nos gratuitamente a misericórdia, aprendamos também a perdoar. Talvez assim o mundo fique melhor.
Perdoar é ir além, é dar mais (per + donare = doar mais). Portanto só perdoa quem é generoso, caridoso, ama e por amor é capaz de se doar. O outro passa dos limites e nos tira algo; nós ultrapassamos nossos próprios limites e lhe damos o que ele não mereceria. Isso é perdão.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Não ao Mal
Disse Jesus: no mundo haveis de ter tribulações, mas coragem, Eu venci o mundo! Nesse mundo passamos por dificuldades, sofrimentos; mas não se trata de castigo, de abandono. Tudo é consequência da irresponsabilidade humana. Nos afastamos de Deus, rejeitamos sua misericórdia, abdicamos de sua proteção e assim nos tornamos vulneráveis aos ataques de Satanás, este sim, mentor e fomentador de todo mal. Deus fez aliança com seu povo, mas seu povo virou-lhe as costas. Deus é onipotente, não prepotente, por isso não impõe sua vontade e nos deixa livres para escolhermos nosso caminho, mesmo que esse caminho seja diferente daquele que leva a seu reino de justiça e paz.
Vimos que o mal não é intrínseco ao ser humano. O mal não teve origem em nosso coração. Porém o mal nasce no coração do homem, concebido por traumas, decepções, influências do mundo que nos cerca, inveja, cobiça, opressão... O homem não é mal em sua essência, na verdade é fraco, se deixa iludir, pensa que é dono da situação, que está no controle, mas se deixa levar ao vento de qualquer vã doutrina ou filosofia. Usando termos bem populares: acha-se o dono da cocada preta, mas é um bobo alegre.
Sempre haverá dor no mundo. É inevitável (No mundo haveis de ter tribulações...), mas isso não é motivo de desespero nem de falta de confiança, ao contrário (...Coragem, eu venci o mundo). O homem bom, aquele que segue os passos do Vencedor, procurará aliviar as dores e consolar os que sofrem, buscando anular a ação do homem mau que levará consigo o mal e o espalhará onde for. No entanto, bons ou maus, justos ou pecadores, vivemos todos no mesmo mundo, sujeitos as mesmas influências, boas ou perniciosas. Se caminharmos com aqueles que seguem o Senhor estaremos sob a influência daquilo que é bom e sadio. Se ao contrário, voltarmos as costas ao Senhor vencedor do mundo e buscarmos outros caminhos, estaremos sob o domínio do mentor e fomentador do mal.
O mundo tenta nos mutilar, nos desfigurar, nos afastar do reto caminho, transformando-nos em objetos, em coisas. Mas o Espírito Santo vem em nosso socorro, nos amparando, fortalecendo, orientando e pelo nome vitorioso de Jesus restaura em nós a dignidade de filhos de Deus.
Vimos que o mal não é intrínseco ao ser humano. O mal não teve origem em nosso coração. Porém o mal nasce no coração do homem, concebido por traumas, decepções, influências do mundo que nos cerca, inveja, cobiça, opressão... O homem não é mal em sua essência, na verdade é fraco, se deixa iludir, pensa que é dono da situação, que está no controle, mas se deixa levar ao vento de qualquer vã doutrina ou filosofia. Usando termos bem populares: acha-se o dono da cocada preta, mas é um bobo alegre.
Sempre haverá dor no mundo. É inevitável (No mundo haveis de ter tribulações...), mas isso não é motivo de desespero nem de falta de confiança, ao contrário (...Coragem, eu venci o mundo). O homem bom, aquele que segue os passos do Vencedor, procurará aliviar as dores e consolar os que sofrem, buscando anular a ação do homem mau que levará consigo o mal e o espalhará onde for. No entanto, bons ou maus, justos ou pecadores, vivemos todos no mesmo mundo, sujeitos as mesmas influências, boas ou perniciosas. Se caminharmos com aqueles que seguem o Senhor estaremos sob a influência daquilo que é bom e sadio. Se ao contrário, voltarmos as costas ao Senhor vencedor do mundo e buscarmos outros caminhos, estaremos sob o domínio do mentor e fomentador do mal.
O mundo tenta nos mutilar, nos desfigurar, nos afastar do reto caminho, transformando-nos em objetos, em coisas. Mas o Espírito Santo vem em nosso socorro, nos amparando, fortalecendo, orientando e pelo nome vitorioso de Jesus restaura em nós a dignidade de filhos de Deus.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A função do profeta hoje

Para que a proclamação da Palavra seja eficaz, é necessário que ela se faça com a força impactante da profecia, com audácia (parhessia), capaz de ressoar nas raízes da pessoa lá onde Deus plantou o desejo de encontrá-lo. Ao ouvir o querigma a pessoa deveria poder experimentar a Morte e Ressurreição do Senhor como mistério que a envolve e lhe afeta profundamente a própria existência. Quem o proclama, se não o faz de dentro desta mesma experiência, não estará falando de uma realidade atual que lhe toca as raízes e, por isso, tornasse incapaz de fazer uma proclamação que leve à conversão (Doc 80, pág. 26). Sem dúvida a voz profética da igreja é uma indicação ao exercício do nosso ministério, que de fato, por meio de um anúncio inflamado, ousado, mudará as realidades atuais com combatividade e mais do que nunca a pregação ousada, parte daquilo que cremos e cremos naquilo que experimentamos, por formar assim o nosso caráter, a identidade ou ainda o selo do pregador, pois anunciar o Evangelho não é glória para nós; é uma obrigação que nos é imposta. Ai de nós, se eu não anunciarmos o Evangelho! (Cf. I Cor 9, 16).
O profeta tem como missão hoje de encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça, e no Seu poder, como também avisar ao povo que sua segurança depende da fidelidade à aliança pelo sangue de Cristo, o dever de encorajar Israel (a igreja) é constitutivo da nossa pregação que tornará presente na vida das pessoas as coisas eternas. Somos chamados a sermos criadores da esperança, anunciadores de que o povo de Deus deve ser preparado para Ele na glória, mesmo que no momento presente seja ela incutida pelo mau testemunho de alguns dos seus membros, porém não seja acuada pela pressão de um mundo ímpio. Isto nos põe diante de uma verdade que não se pode ignorar devemos encorajar o povo a permanecer fiel no compromisso com Deus, a confiar Nele e não arrefecer de sua missão neste mundo.
Assim como Novo Testamento, encontramos profetas na Igreja e a profecia é mostrada sendo um dom ou carisma como o exemplo mostrando na missão de Paulo (At 21, 11-12) e vemo-lo profetizando uma grave fome no Império Romano (At 11, 27-30). Mas o fato está aqui: a Igreja está edificada sobre o fundamento dos “apóstolos e profetas” (Ef 2, 20), como a comunidade do passado, Israel, estava edificada sobre “sacerdotes e profetas”. Do sacerdotalismo judaico, que é o levitismo do templo, cede lugar à Palavra profética. Constituir o profetismo nos tempos de hoje é reviver a angústia de Jeremias revelado em um homem que vê o que está por acontecer ao seu povo e que sofre com isso, que é tomado de uma inquietude interior. Ele não se alegra com o que vê, mas chora por causa dela: “Ah! Minhas entranhas! Minhas entranhas! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra” (Jr 4, 19).
“Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras” (DA 29). O profeta é um embaixador de Cristo inserido no povo de Deus com a missão de conduzir-los na Palavra de Deus e na doutrina da Igreja para os preceitos da aliança, e proclama, em nome de Deus, a maneira correta de proceder. Ele fala não apenas em nível individual, mas também em nível coletivo em uma instrução voltada à conversão. Pois denuncia o pecado individual e estrutural e aponta o caminho correto: o arrependimento.
“Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito. Vê-lo-ão aqueles aos quais ainda não tinha sido anunciado; conhecê-lo-ão aqueles que dele ainda não tinham ouvido falar” (Rm 15, 18-19a.21b).
Por James Apolinário – RCC CE
O profeta tem como missão hoje de encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça, e no Seu poder, como também avisar ao povo que sua segurança depende da fidelidade à aliança pelo sangue de Cristo, o dever de encorajar Israel (a igreja) é constitutivo da nossa pregação que tornará presente na vida das pessoas as coisas eternas. Somos chamados a sermos criadores da esperança, anunciadores de que o povo de Deus deve ser preparado para Ele na glória, mesmo que no momento presente seja ela incutida pelo mau testemunho de alguns dos seus membros, porém não seja acuada pela pressão de um mundo ímpio. Isto nos põe diante de uma verdade que não se pode ignorar devemos encorajar o povo a permanecer fiel no compromisso com Deus, a confiar Nele e não arrefecer de sua missão neste mundo.
Assim como Novo Testamento, encontramos profetas na Igreja e a profecia é mostrada sendo um dom ou carisma como o exemplo mostrando na missão de Paulo (At 21, 11-12) e vemo-lo profetizando uma grave fome no Império Romano (At 11, 27-30). Mas o fato está aqui: a Igreja está edificada sobre o fundamento dos “apóstolos e profetas” (Ef 2, 20), como a comunidade do passado, Israel, estava edificada sobre “sacerdotes e profetas”. Do sacerdotalismo judaico, que é o levitismo do templo, cede lugar à Palavra profética. Constituir o profetismo nos tempos de hoje é reviver a angústia de Jeremias revelado em um homem que vê o que está por acontecer ao seu povo e que sofre com isso, que é tomado de uma inquietude interior. Ele não se alegra com o que vê, mas chora por causa dela: “Ah! Minhas entranhas! Minhas entranhas! Eu me contorço em dores. Oh! As paredes do meu coração! Meu coração se agita! Não posso calar-me, porque ouves, ó minha alma, o som da trombeta, o alarido de guerra” (Jr 4, 19).
“Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos são portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras” (DA 29). O profeta é um embaixador de Cristo inserido no povo de Deus com a missão de conduzir-los na Palavra de Deus e na doutrina da Igreja para os preceitos da aliança, e proclama, em nome de Deus, a maneira correta de proceder. Ele fala não apenas em nível individual, mas também em nível coletivo em uma instrução voltada à conversão. Pois denuncia o pecado individual e estrutural e aponta o caminho correto: o arrependimento.
“Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito. Vê-lo-ão aqueles aos quais ainda não tinha sido anunciado; conhecê-lo-ão aqueles que dele ainda não tinham ouvido falar” (Rm 15, 18-19a.21b).
Por James Apolinário – RCC CE
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Cinzas
“Carnaval desengano, deixei a dor em casa me esperando” – linda poesia, linda canção, mas não é mais minha realidade. Neste carnaval permaneci com Jesus, alegria que não me abandona nunca e está comigo onde quer que eu vá.
Quantos cristãos, pessoas de Deus se desviaram nesse carnaval. Ateus e indiferentes a Deus costumam brincar o carnaval – alguns se acabam (literalmente) – sem traumas ou culpas, embora grande número reencontre a dor, as frustrações e as carências na quarta feira. O crente, porém, que se desvia o faz com sentimento de culpa, mas ainda assim faz. O verbo desviar aqui usado, não é brincar o carnaval; isso pode ser feito de maneira sã, sem excessos, de modo a não ofender os preceitos cristãos. Desviar é desviar mesmo: sair do caminho, tomar outra via, perder o rumo. Não poucos se dizem cristãos, mas agem como pagãos.
Carnaval em si não é pecado. Como, porém, os ambientes típicos de carnaval não são modelos de virtude, é salutar que o cristão os evite. Evitá-los como se deve evitar qualquer ocasião de pecado para não cair em tentação. Quem é cristão e ainda assim gosta de carnaval, procure um ambiente propicio: os rebanhões e encontros de carnaval de comunidades católicas; em Curitiba havia (não sei se ainda existe) uma escola de samba evangélica.
Caríssimo irmão, cristão autêntico, evite o carnaval mundano. Não que ele seja errado, mas pelo que há de errado nele. Caso você tenha desviado o caminho e tropeçado: “Por isso agora ainda voltai a mim de todo o coração com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. Voltai ao Senhor vosso Deus porque Ele é bom e compreensivo, longânime e indulgente” (Joel 2,12-13).
Quantos cristãos, pessoas de Deus se desviaram nesse carnaval. Ateus e indiferentes a Deus costumam brincar o carnaval – alguns se acabam (literalmente) – sem traumas ou culpas, embora grande número reencontre a dor, as frustrações e as carências na quarta feira. O crente, porém, que se desvia o faz com sentimento de culpa, mas ainda assim faz. O verbo desviar aqui usado, não é brincar o carnaval; isso pode ser feito de maneira sã, sem excessos, de modo a não ofender os preceitos cristãos. Desviar é desviar mesmo: sair do caminho, tomar outra via, perder o rumo. Não poucos se dizem cristãos, mas agem como pagãos.
Carnaval em si não é pecado. Como, porém, os ambientes típicos de carnaval não são modelos de virtude, é salutar que o cristão os evite. Evitá-los como se deve evitar qualquer ocasião de pecado para não cair em tentação. Quem é cristão e ainda assim gosta de carnaval, procure um ambiente propicio: os rebanhões e encontros de carnaval de comunidades católicas; em Curitiba havia (não sei se ainda existe) uma escola de samba evangélica.
Caríssimo irmão, cristão autêntico, evite o carnaval mundano. Não que ele seja errado, mas pelo que há de errado nele. Caso você tenha desviado o caminho e tropeçado: “Por isso agora ainda voltai a mim de todo o coração com jejuns, lágrimas e gemidos de luto. Voltai ao Senhor vosso Deus porque Ele é bom e compreensivo, longânime e indulgente” (Joel 2,12-13).
domingo, 14 de fevereiro de 2010
O Profetismo na Antiga Aliança

Para alguns em nossos dias, o profeta é uma pessoa dotada de uma ação sobrenatural que lhe permite adivinhar coisas - Profecia, que nesta perspectiva, é adivinhação. É assim o conceito secular, no entendimento de pessoas sem o conhecimento do sentido bíblico da expressão. Da mesma forma, era esse o conceito de profeta entre os povos pagãos o chamado lecanomancia ou leitura do futuro pela figura do azeite derramado numa taça sagrada, ou ainda a hepatoscopia que era a leitura do futuro pelos riscos do fígado de animais sacrificados aos ídolos, o uso de árvores sagradas, como os cananeus faziam com os carvalhos (Gn 12, 6 - Moreh, em hebraico, significa “mestre”), sonhos após alucinógenos, a interpretação do vôo dos pássaros, tudo isto fazia parte do ofício profético pagão.
O primeiro homem chamado de “profeta” surge, com o termo no hebraico, ‘navi’ que é atribuído a Abraão (Gn 20, 7) pelo testemunho que o próprio Deus dá a Abimeleque - “restitui a mulher a seu marido, porque é um profeta”. Abraão é visto como profeta nacional, nesse mesmo sentido tem um outro ‘navi’ que é Moisés, que inclusive, torna-se o padrão para os demais profetas. Em Dt 18, 15 se lê: “o Senhor teu Deus te suscitará um ‘navi’ como eu, do meio de ti, de teus irmãos. A ele ouvirás”. Esta palavra é digna de atenção especial porque é a única referência, na Torah, à profecia como instituição. Por isso que requer nossa atenção, porque Moisés nos é mostrado como o padrão profético. Tal expressão parece vir do verbo ‘nivva’, que teria vindo do acadiano ‘navvu’, que significa chamar, nomear. O verbo ‘nivva’ significaria, então, o ato de designar alguém como arauto. Que sentido maravilhoso, o primeiro significado bíblico para profeta, na antiga aliança, seria o de proclamar, o de anunciar, fazendo assim o papel de um ARAUTO. O primeiro ‘navi’ tem uma relação próxima com Deus e é um peregrino. Porém, o segundo ‘navi’ também tem uma relação próxima com Deus, é peregrino, também, mas já é arauto, o que o primeiro não foi.
Outro termo no hebraico para “profeta” é o ‘ish Elohim’, homem de Deus que classifica como um reconhecimento que os outros faziam do profeta, o qual é mostrado como uma pessoa de confiança de Deus e as pessoas vêem isso em seu testemunho de vida. Não é ele quem se proclama assim. Na realidade, o profeta não alardeava sua condição profética. As pessoas viam isso por ter uma autoridade que o tornava alguém credenciado.
Duas palavras hebraicas expressam o profeta como vidente, o que requereria uma maior observância: ‘ro’eh’ e ‘hozeh’, ambas com o sentido de vidente. ‘Ro’eh’, o termo mais comum, deriva do verbo “ver” como em Am 7, 12 no qual Amasias chama a Amós de ‘ro’eh’: “Vai-te, ó vidente (ro’eh), foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza”. Nem sempre o termo está associado com vidência. É muito mais uma interpretação dos eventos ou a compreensão de algo mais profundo numa visão comum relacionada ao discernimento. Pois o profeta é aquele que vê o que os outros não vêm. Nós, como profetas, somos chamados, em meio a uma cultura banalizada, que acha tudo normal, a denunciar a injustiça e as condutas imorais em um mundo marcado pela cultura de morte que defende a união conjugal de homossexuais, na descriminalização de drogas, na liberação total de costumes, aborto, tudo isso mostrado com tolerância e progresso, e vê as conseqüências, vê o que os outros não conseguem ou não querem ver e quase sempre, é uma voz contra a multidão, um solitário, um rejeitado. Na LXX são traduzidos os três termos, ‘navi’, ‘ro’eh’, ‘hozeh’ por ‘prophetês’, vendo-os em uma única direção no sentido é “falar por alguém”. Diria que expressa bem o caráter profético na sua essência ou raiz. Não muito comumente, aparecem também três termos hebraicos: ‘sophi’im’, significando atalaia (Jr 6,17; Ez 3,17; 33,2.6.7); ‘shomer’, significando atalaia, sentinela, guarda (Is 21, 11-12; 62, 2) e ‘raah’, significando pastor (Jr 23, 4; Ez 34, 2-10; Zc 11, 5.16).
Em suma, o profeta é um homem de Deus, por Ele indicado, é um homem que vê além dos demais, que tem inquietude interior, que entende, que vem como arauto. É também uma sentinela no serviço e um pastor, que cuida do rebanho. E sem dúvida sabe como as coisas devem ser e sabe das consequências de não serem como devem. Tem uma relação de guarda com o povo de Deus, adverte e ensina. Nem sempre é amado pelos homens, mas mesmo assim segue com sua missão.
Por James Apolinário – RCC Ceará
O primeiro homem chamado de “profeta” surge, com o termo no hebraico, ‘navi’ que é atribuído a Abraão (Gn 20, 7) pelo testemunho que o próprio Deus dá a Abimeleque - “restitui a mulher a seu marido, porque é um profeta”. Abraão é visto como profeta nacional, nesse mesmo sentido tem um outro ‘navi’ que é Moisés, que inclusive, torna-se o padrão para os demais profetas. Em Dt 18, 15 se lê: “o Senhor teu Deus te suscitará um ‘navi’ como eu, do meio de ti, de teus irmãos. A ele ouvirás”. Esta palavra é digna de atenção especial porque é a única referência, na Torah, à profecia como instituição. Por isso que requer nossa atenção, porque Moisés nos é mostrado como o padrão profético. Tal expressão parece vir do verbo ‘nivva’, que teria vindo do acadiano ‘navvu’, que significa chamar, nomear. O verbo ‘nivva’ significaria, então, o ato de designar alguém como arauto. Que sentido maravilhoso, o primeiro significado bíblico para profeta, na antiga aliança, seria o de proclamar, o de anunciar, fazendo assim o papel de um ARAUTO. O primeiro ‘navi’ tem uma relação próxima com Deus e é um peregrino. Porém, o segundo ‘navi’ também tem uma relação próxima com Deus, é peregrino, também, mas já é arauto, o que o primeiro não foi.
Outro termo no hebraico para “profeta” é o ‘ish Elohim’, homem de Deus que classifica como um reconhecimento que os outros faziam do profeta, o qual é mostrado como uma pessoa de confiança de Deus e as pessoas vêem isso em seu testemunho de vida. Não é ele quem se proclama assim. Na realidade, o profeta não alardeava sua condição profética. As pessoas viam isso por ter uma autoridade que o tornava alguém credenciado.
Duas palavras hebraicas expressam o profeta como vidente, o que requereria uma maior observância: ‘ro’eh’ e ‘hozeh’, ambas com o sentido de vidente. ‘Ro’eh’, o termo mais comum, deriva do verbo “ver” como em Am 7, 12 no qual Amasias chama a Amós de ‘ro’eh’: “Vai-te, ó vidente (ro’eh), foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza”. Nem sempre o termo está associado com vidência. É muito mais uma interpretação dos eventos ou a compreensão de algo mais profundo numa visão comum relacionada ao discernimento. Pois o profeta é aquele que vê o que os outros não vêm. Nós, como profetas, somos chamados, em meio a uma cultura banalizada, que acha tudo normal, a denunciar a injustiça e as condutas imorais em um mundo marcado pela cultura de morte que defende a união conjugal de homossexuais, na descriminalização de drogas, na liberação total de costumes, aborto, tudo isso mostrado com tolerância e progresso, e vê as conseqüências, vê o que os outros não conseguem ou não querem ver e quase sempre, é uma voz contra a multidão, um solitário, um rejeitado. Na LXX são traduzidos os três termos, ‘navi’, ‘ro’eh’, ‘hozeh’ por ‘prophetês’, vendo-os em uma única direção no sentido é “falar por alguém”. Diria que expressa bem o caráter profético na sua essência ou raiz. Não muito comumente, aparecem também três termos hebraicos: ‘sophi’im’, significando atalaia (Jr 6,17; Ez 3,17; 33,2.6.7); ‘shomer’, significando atalaia, sentinela, guarda (Is 21, 11-12; 62, 2) e ‘raah’, significando pastor (Jr 23, 4; Ez 34, 2-10; Zc 11, 5.16).
Em suma, o profeta é um homem de Deus, por Ele indicado, é um homem que vê além dos demais, que tem inquietude interior, que entende, que vem como arauto. É também uma sentinela no serviço e um pastor, que cuida do rebanho. E sem dúvida sabe como as coisas devem ser e sabe das consequências de não serem como devem. Tem uma relação de guarda com o povo de Deus, adverte e ensina. Nem sempre é amado pelos homens, mas mesmo assim segue com sua missão.
Por James Apolinário – RCC Ceará
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Distorções

Em Isaías encontramos essa revelação: “Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal. Ai dos que fazem das trevas luz e luz em trevas, que tornam doce o amargo e amargo o que é doce”.(Is 5,20). Vivemos num país e num mundo onde essas palavras reveladoras do profeta Isaías se tornam cada vez mais uma realidade vivida, defendida, publicada e até transformada em normas de vida, em leis governamentais e até constitucionais. A morte de fetos congelados para fins de pesquisa, até mesmo com aprovação escrita dos pais; o tremendo infanticídio provocado pelas leis que aprovam e patrocinam o aborto; as guerras desencadeadas por interesses econômicos e ganâncias de poder; as leis que aprovam as uniões homossexuais; a corrupção política e econômica; toda falta de ética e moral no desempenho de funções publicas e profissões, bem como todo tipo de pecados de natureza pessoal, como adultério, homossexualismo, prostituição, vícios morais e outros tantos, são um grande mal, mas considerados um ‘bem’; são as trevas, mas agora consideradas ‘luz’; são tidos como modernismos, conquistas da sociedade; são o amargo do mal, agora defendido como o ‘doce’de uma vida de progresso.
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