sexta-feira, 13 de março de 2020

Ditadura da impiedade



O mundo tenta nos impingir seus contra-valores. Infelizmente muitos de nós (cristãos) caímos nas armadilhas do politicamente correto, dos direitos das (auto intituladas) minorias, do relativismo, das imposições da grande mídia. Quanto ao politicamente correto, não podemos confundir polidez com tolerância, com anuência. E é o aceitar tudo, a conivência, isso é o que prega o tal politicamente correto. É correto aceitar o erro? E o direito das “minorias”? Existem disposições constitucionais que privilegiem este ou aquele? Não somos todos iguais perante a lei? Homossexuais, indígenas, todos nós, temos nossos direitos como pessoas, como cidadãos. Porque alguns arvoram a si direitos exclusivos? É auto discriminação. Discriminação não no sentido usual, mas o querer ser diferente no intuito de fazer-se o “coitadinho”, o incompreendido e daí tentar auferir vantagens.
O relativismo quer nos fazer crer que nada é constante; tudo muda, evolui conforme as circunstancias, os modismos. Assim, não existe pecado, pois o que era velho passou, a Igreja é arcaica, seus valores não são mais aplicáveis, o mundo mudou e por aí vai... Porém há leis e Leis. Da mesma forma que as leis naturais, a lei de Deus é imutável, pois ELE É ontem, hoje, amanhã e sempre!
Então, os grandes meios de comunicação vêm e apregoam que tudo é normal e opcional. Opção sexual seria um direito, o homossexualismo nos é empurrado goela abaixo como coisa normal. Desde quando? Deus nos criou homem e mulher, não homem-mulher ou mulher-homem. A própria natureza distingue o sexo em todo animal e em algumas espécies vegetais. Quem julgamos ser, para arrogantemente subverter a natureza, tentando modificar simplesmente por que assim nos é conveniente, seus princípios eternos?
Em Isaías encontramos essa revelação: “Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal. Ai dos que fazem das trevas luz e luz em trevas, que tornam doce o amargo e amargo o que é doce”. (Is 5,20). Vivemos num país e num mundo onde essas palavras reveladoras do profeta Isaías se tornam cada vez mais uma realidade vivida, defendida, publicada e até transformada em normas de vida, em leis governamentais e até constitucionais. A morte de fetos congelados para fins de pesquisa, até mesmo com aprovação escrita dos pais; o tremendo infanticídio provocado pelas leis que aprovam e patrocinam o aborto; as guerras desencadeadas por interesses econômicos e ganâncias de poder; as leis que aprovam as uniões homossexuais; a corrupção política e econômica; toda falta de ética e moral no desempenho de funções publicas e profissões, bem como todo tipo de pecados de natureza pessoal, como adultério, homossexualismo, prostituição, vícios morais e outros tantos, são um grande mal, mas considerados um “bem”; são as trevas, mas agora consideradas “luz”; são tidos como modernismos, conquistas da sociedade; são o amargo do mal, agora defendido como o “doce”de uma vida de progresso.   



sexta-feira, 6 de março de 2020

Firmes na Fé



A quantas anda nossa fé? Está firme como rocha ou ‘firme como geleia’? Rocha é fundamento sólido, praticamente inabalável. Geleia, apesar da aparência de solidez, é macia, fura-se com a ponta de um dedo e esfacela-se com facilidade.
A Bíblia (Hb 11,1) nos diz que fé é o fundamento da esperança, a certeza daquilo que não se vê.  Podemos então definir fé como sendo uma iluminação interior que nos faz crer mesmo ainda sem ter visto o objeto de nossa fé, ou não ter sido alcançado algum resultado esperado. Daí então podemos perceber que fé é dom. Se temos o coração receptivo, Deus na sua infinita bondade nos oferece e se abrimos realmente o coração o dom da fé nos é concedido. 
Não confundamos crendice com fé. Crendice é acreditar em tudo, qualquer coisa visível ou invisível, material ou etéreo, verdadeiro ou falso. Fé é crer e esperar. Fé teologal é crer em Deus e esperar nele; na fé teologal a fé carismática é crer e esperar na certeza da resposta de Deus. E então como está nossa fé? Arraigada na rocha ou grudada na geleia? Na rocha é fé verdadeira, gelatinosa é simples crença. Acreditamos num único Salvador, ou há outros “salvadores” por aí? Acreditamos que todos os caminhos levam a Deus, ou num único caminho? Não devemos nos esquecer das palavras de Jesus: “Eu sou o caminho, verdade e vida.” Ele disse, eu sou O CAMINHO, não um dos caminhos. Portanto... Só há um único e real caminho que nos leva a Deus: Jesus Cristo, Ele o próprio Deus feito um de nós. Jesus é o caminho que nos conduz à verdade, verdade que traz vida, vida plena e abundante.
Eis a rocha, Jesus e com Jesus a Igreja. Igreja fundada na rocha (Ele próprio) e delegada a outra rocha (Pedro); Igreja fiel depositária da fé. Eis a firmeza, fé dom divino fortalecido e enriquecido com os ensinamentos da Igreja. Portanto, não nos deixemos levar por qualquer vento de vã doutrina, mas pela brisa leve do Espírito Santo que habita nos batizados e dirige e inspira a Santa Mãe igreja. 


sábado, 29 de fevereiro de 2020

Rancor e Mansidão


Rancor – mágoa profunda, ódio.
Mansidão – brandura de coração.


Há muito, muito tempo, existiu um homem muito bom. Ele era amigo de todo mundo e gostava de ensinar coisas boas aos outros. Esse homem era manso e humilde de coração, mas mesmo assim era odiado por algumas pessoas que tinham inveja dele.
O homem vivia num lugar que era quase um deserto, as cidades eram pequenas e ficavam longe umas das outras. Naquele tempo não haviam carros, ônibus, avião. Só haviam carroças, camelos e jumentinhos. Mas o homem andava a pé. Ia de uma cidadezinha à outra a pé! E não reclamava, não resmungava, ao contrário, agradecia a Deus por tudo. Em cada vila que chegava ele reunia as pessoas em volta dele e começava a ensinar tudo que ele sabia e o que ele sabia era muito importante para as pessoas. Ele também ajudava as pessoas doentes, as pessoas tristes, enfim as pessoas que sofriam de algum mal. Ele rezava para que as pessoas ficassem boas e elas ficavam!
Por causa disso as pessoas gostavam dele e sempre que ele chegava a algum lugar reunia uma multidão para ouvi-lo e serem curadas. Mas outras pessoas más, de coração duro e invejosas não gostavam dele, exatamente por que ele gostava das pessoas e tudo que fazia era por amor. Essas pessoas más sentiam ódio por ele e mesmo assim, ele não sentia ódio por eles nem tinha nenhum rancor.
Num certo dia, os maus arranjaram um jeito de acusar o bom homem de um monte de mentiras; disseram que ele era um mentiroso, que tudo que fazia era falso e que blasfemava (explicando às crianças: blasfemar é falar mal de Deus, é dizer mentiras de Deus). Então ele foi preso, julgado e condenado injustamente.
Vocês pensam que ele ficou zangado por causa disso? Não!!!!!  Ele ficou um pouco triste, mas não ficou zangado, nem com raiva, nem reclamou. Ele não abriu a boca, ele ficou quietinho. Os homens maus maltratavam ele, batiam nele, cuspiam nele e ele lá, quietinho. Os maus demonstravam toda sua raiva e ele demonstrava toda sua mansidão. Ele não guardava mágoa nem rancor. Ele estava sofrendo, sendo maltratado, e caladinho pensava: “Meu Pai, perdoa essas pessoas, eles não sabem o que estão fazendo”.
Este homem era manso, tinha brandura de coração e não odiava, não guardava mágoa, não tinha rancor.
Sabem o nome desse homem? 
(Texto base para pregação infantil)



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Deus cuida de nós



Quem cuida de mim? Quem cuida de nós? Deus. É Deus quem nos segura, nos ampara, quem nos fortalece, quem zela por cada um de nós. Deus com seu amor de pai, de mãe, de amigo.
Quando choramos é Ele que nos consola, conforta e enxuga nossas lágrimas. Quando padecemos Ele nos ampara, nos dá forças na tribulação. Ele nos sustenta nos tempos difíceis, nos compreende em nossos momentos de fraqueza; até quando nossa fé está arrefecida, até mesmo quando pomos em dúvida seu amor por nós.
Como não reconhecer e amar esse Deus que é misericórdia, amizade, justiça e acima de tudo, amor. Amor imensurável, incondicional, amor personificado. Personificado, pois Deus é o próprio amor, o ‘agapoe’, o ‘hessed’.
Mesmo que não o reconheçamos como Deus, mesmo que duvidemos de sua presença viva em meio a nós, mesmo não crendo na sua existência, mesmo não o amando, Ele nos ama mesmo assim, do jeito que somos: ingratos ou amorosos, incrédulos ou fiéis, injustos ou afáveis pecadores ou piedosos... Seu amor é para todos. 
Deste modo, caríssimos, em Deus somos fortalecidos, pois “tudo posso naquele que me fortalece”. Podem vir tempestades, noites traiçoeiras, dias nevoentos, turbulências no dia a dia – que venham; em Deus tudo posso, com Deus sou forte e vencedor. Não que as mazelas sejam bem-vindas, não é isso, mas se acaso vierem – e muitas vezes vêm – não é motivo de desespero para quem confia em Deus. Como afirmamos acima, Ele nos consola, nos conforta, nos sustenta, nos ampara.
Aos que não confiam, aí vai a palavra auxiliadora: mesmo assim (repetindo dois parágrafos acima) ele os ama. E os consola e conforta; mas esses não creem e sendo assim, não aceitam o carinhoso e caridoso alívio divino.
Os que confiam no Senhor reconhecem seu grande amor e num preito de gratidão, rendem ação de graças e louvores. Os que não confiam, saibam, Deus os ama, ama de tal modo que deu seu Filho para doar a vida por todos, indistintamente.  Como o bom pastor da parábola, Deus deixa as noventa e nove ovelhas em segurança e vai em busca da desgarrada.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Importa apreender mais que memorizar



Um homem católico, mas nem tanto, queixava-se que frequentava a igreja havia mais de trinta anos e nesse período embora tenha ouvido cerca de três mil sermões, palestras e pregações, não se lembrava de nada que tivesse ouvido. Dizia que fora infrutífera sua frequência à igreja e que havia perdido seu tempo. Segundo ele as pregações não haviam servido para nada, não obstante reconhecer que algo em sua vida mudara, segundo ele devido a sua própria força de vontade e, reconhecendo, em parte devido as orações que ouvia e fazia.
Este mesmo homem, casado há mais de trinta anos, serviu-se de aproximadamente trinta mil refeições preparadas com carinho por sua esposa e certamente não se lembrava do cardápio de cada uma delas.  Mesmo assim era bem nutrido e saudável.
 Não se lembrava do que havia comido, mas independente disso estava muito bem alimentado; se não o fosse teria morrido a míngua, seu corpo, sua carne sucumbiria. Não se lembrava de uma palavra que havia lhe sido pregada, porém algo em si mudara. Por certo essa mudança foi por força da palavra anunciada. Sem o que havia ouvido e não guardara na memória seu espírito teria fraquejado, minguado.
Da mesma forma que o alimento ingerido age em nosso físico, a Palavra anunciada age com poder em nossa área espiritual, independentemente de ser lembrada por toda a vida ou esquecida no dia seguinte. O que importa aí é a receptividade do coração. Se nos abrimos ao novo do Senhor em nossa vida, se os ouvidos conduzem ao coração a mensagem recebida mesmo que a memória falhe, a ação de Deus pelo Espírito Santo se efetuará em nós, pois somos templos vivos do Espírito.
Se vamos a igreja de coração fechado, endurecido, capengas na fé, por certo a palavra, seja qual for, não penetrará nosso coração. Assim, sem nenhuma abertura à ação do Espírito Santo nada edificante ocorrerá em nossa vida. Se comemos nossa refeição e ela não fica retida no estômago, se em seguida vomitamos, de nada serve o alimento.  Assim acontece com as pregações que ouvimos e não apreendemos; é como se fosse uma bulimia espiritual.
Portanto não é tão importante lembrar-se de cada palavra, cada frase, decorar uma pregação que ouvimos (até porque só conseguimos guardar cerca de trinta por cento do que é falado); o que importa é estar atento, interiorizado para se apossar da proclamação e do anúncio no interior, no mais fundo do coração.  Se a memória for boa, ótimo. Se não, que o coração esteja aberto, receptivo a Boa Nova. Isso é o que importa.   



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Sofrimento não é de Deus



Sabemos que o mundo não é perfeito. Não o mundo idealizado e criado por Deus, mas o mundo deturpado, corrompido, aviltado pelo homem instigado pelo maligno. Por isso a dor e o sofrimento nos acompanham como uma nuvem sombria que não poucas vezes nos alcança e nos envolve. No entanto, ao ser acometido pelo mal não devemos nos desesperar; entreguemos nosso sofrimento a Deus, ofertando-o, como aquilo que falta ao sofrimento de Cristo para nossa redenção. Isso não significa conformismo, é na verdade resignação, ou seja, estar animoso mesmo na tribulação. Ter animo sabendo que a dor é passageira. “Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade comprovada produz a esperança” (Rm 5,3-4).
O Senhor Deus de toda consolação nos conforta, para que com sua força possamos nós consolar aqueles que sofrem e que muitíssimas vezes não têm onde se apoiar.
Diante da dor e do sofrimento é costume de muitos dizer: é vontade de Deus. Que imagem distorcida trazemos de Deus em nosso coração! A verdade é que não agrada a Deus o sofrimento do mundo. Quando dizemos que o sofrimento é vontade de Deus, estamos dando uma desculpa para continuarmos instalados em nosso egoísmo, apegados a nossos bens, nosso imobilismo, nossas idéias. Não, Deus não quer o sofrimento. A via crucis não é obra sua, mas nossa. Se tirarmos do mundo as consequências das nossas ações, o que é causado pelo nosso coração; coração tantas vezes cheio de ódio, ganância, libidinoso, apegado ao ter e ao poder, sobraria o que é do Senhor: alegria, bondade, perdão, fidelidade, amor irrestrito. 
O que estamos fazendo? Ficamos esperando, parados debaixo da nuvem, rezando para que ela não desabe sobre nós? Ou, rezando, nos movemos, nos desinstalamos e procuramos abrigo para não sermos atingidos pela tempestade? Mova-se, desfaça-se do excesso de carga, deixe no seu coração apenas o que é do Senhor: um fardo leve, suave, sem arestas; um coração como o dele próprio, manso e humilde.  




sábado, 1 de fevereiro de 2020

Avivar ou Reavivar?



Certa vez ouvi de alguém (que certamente não pertence a nossa igreja) que estaria em oração pedindo um avivamento para a igreja católica. Essa pessoa com toda certeza desconhece os movimentos eclesiais e as novas comunidades surgidas após o Concilio Vaticano II. Talvez nem tenha sequer ouvido falar dos Cursilhos de Cristandade, dos Fo colares, e de outros movimentos comprometidos com a nova evangelização; talvez vagamente tal pessoa já tenha ouvido a respeito da RCC e da Comunidade Canção Nova, pois estes têm maior exposição. Mesmo sem levar em conta este renovar do Espírito Santo na Igreja, esse mesmo Espírito estaria “dormindo”?  Por dois mil anos a Igreja estaria estagnada?  Pensar assim é desconhecer, ou pior, talvez desconsiderar que Jesus fundamentou sua Igreja sobre rocha firme, que essa igreja mantem inalterada a sucessão apostólica e que Jesus prometeu a esses apóstolos que estaria com eles – consequentemente com a Igreja – até o fim dos tempos. Descumpriria Jesus sua palavra? Jamais. A palavra de Deus é irrevogável.
Renovar sim é necessário. Renovar, movimentar, reavivar (dar vida nova) é diferente de avivar (dar vida). Reavivar, ou seja, renovar, dar novo ímpeto à vida, avançar. Por isso a Igreja é comparada a uma grande embarcação capitaneada por Jesus, cujo timoneiro é Pedro (por conseguinte, o Papa) que navega por mares revoltos às vezes, mas sempre em frente, avançando com destemor rumo a porto seguro. Por isso a Igreja sempre viva, estará sendo constantemente renovada e conduzida pelo vento do Espírito.      
Na postagem anterior comentamos a respeito de comunidade de fé. Da importância de reunirmo-nos para partilhar nossas alegrias e também, principalmente, nossos problemas. Fora dito que haveria sustento, amparo, reconforto. Verdadeiramente há tudo isso, mas não por atributos meramente humanos. O verdadeiro, grande responsável por tudo isso é somente um: Jesus Cristo. Juntamente com Maria, os anjos e os santos de Deus nos reunimos em torno de Jesus e colocamos em prática nossa fé, abrimo-nos a ação do Espírito Santo; então a benção é derramada, a graça é alcançada e os milagres acontecem. Isso é consequência de uma igreja viva, atuante. Isso acontece nas Celebrações Eucarísticas, nos grupos de oração dos diversos movimentos, nas comunidades de base, nas reuniões de partilha e nos círculos bíblicos, enfim, em diversos movimentos, comunidades e pastorais da Igreja. É ou não uma Igreja viva? Certamente sim!


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Querigma – Comunidade Eclesial



O Espírito Santo nos anima. Anima a Igreja e a assiste com dons e carismas.   Igreja concebida no coração do Pai desde o principio do tempo, prefigurada no AT pelo povo hebreu peregrino no deserto, nascida do sangue de Jesus no madeiro da cruz e apresentada ao mundo em pentecostes. Igreja santa e pecadora; santa porque assistida pelo Espírito Santo, pecadora porque formada por nós. Sancta Mater Eclesia. Mãe que nos gera para a vida no batismo, nos ensina na evangelização e catequese, nos lava na confissão, nos alimenta na eucaristia, zela por nós na unção dos enfermos, nos abençoa no matrimônio ou na ordenação, nos envia na missão.
Anunciamos o querigma. Kerygma (kerugma) palavra grega que significa anúncio; aqui o primeiro anúncio; nos foi revelado o imenso amor de Deus, fomos apresentados ao grande, único e definitivo Redentor, e nos foi oferecido o Espírito Divino.
Nós cristãos sabemos que a verdade revelada é única e foi consumada em Jesus Cristo. O Novo Testamento é a definitiva aliança de Deus com os homens. É Palavra de Deus e Palavra (assim com letra maiúscula, pois é o próprio Deus que se revela nela, é o Verbo que existe desde sempre e estava presente na criação) é verdade irrefutável. Quem nos atesta esta verdade? A Igreja com sua sabedoria milenar: Bíblia Sagrada, Tradição e Magistério. Bíblia, a Palavra de Deus infundida no coração de escritores inspirados pelo Espírito Santo. Tradição, a divulgação pelos Apóstolos de fatos e acontecimentos que confirmados por inspiração divina, levaram a compilação do novo testamento, pois estes foram escritos dezenas de anos após a crucificação do Senhor. Magistério, a atuação como mestre (Mater et Magistra: mãe e mestra); pelo magistério a Igreja confirma a tradição e faz a correta exegese bíblica.  
Assim sendo, não pode existir cristão avulso, autônomo; não existe católico sem igreja. Não podemos viver o evangelho pleno longe dos outros. Até porque precisamos uns dos outros para nos apoiar, para aprender mais a respeito da Palavra, para nos adestrar na sã doutrina. “Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação” (At 2,46-47).
Somos peregrinos nesta terra. Mas não caminhamos sozinhos, não podemos caminhar sozinhos, pois só, erramos o caminho e nos perdemos. O Espírito Santo nos conduz, é verdade, mas ele pede que nos unamos a outros, que caminhemos de mãos dadas: “Se um vem a cair, o outro o levanta. Mas ai do homem solitário; se ele cair não há ninguém para levantá-lo. Se é possível dominar o homem que está sozinho, dois podem resistir ao agressor, e um cordel triplicado não se rompe facilmente” (Ecle 4,9-10.12). 



sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Querigma – O Espírito Santo



Fé seguida de conversão é roteiro seguro para a salvação. Não importa sermos apenas uma plantinha, um arbusto, ou uma grande e frondosa árvore, importa estar no caminho certo. Para estar e permanecer no rumo traçado por Deus em nossa vida é necessário um condutor, uma luz, um amparo, um suporte. E este suporte é o Espírito Santo, o Espírito Divino que nos guia, nos fortalece, nos mostra as minúcias do caminho, conduzindo-nos em segurança, livrando-nos dos riscos de desvios desnecessários e atalhos perigosos. Essa pessoa divina tão pouco conhecida é quem realmente nos convence a buscar a conversão verdadeira e optar pelo seguimento de Jesus. O Espírito Santo nos leva ao Filho, que por sua vez nos apresenta o Pai. Dito de outro modo, Jesus nos dá o Espírito que procede dele próprio e de Deus Pai, para que através desse mesmo Espírito, ele Jesus, nos leve ao Pai. Ninguém vai ao Pai a não ser por Jesus, e ninguém conhece Jesus senão através da ação do Espírito Santo. Ele nos revela, ele nos motiva.
O que é o Espírito Santo? Na verdade quem é o Espírito Santo?  O Espírito é uma pessoa divina. É Deus onipresente que habita em nós. Deus que se faz presente em nosso coração, em nossa vida, em todo nosso ser. Santa Edith Stein nos confidencia: “Espírito Santo, mais intimo de mim que eu de eu mesma, mais profundo em mim que o âmago do meu ser”. Assim é o Espírito Santo, infundido em nós no sacramento do batismo, consolidado no crisma e atuante quando da efusão ou batismo no Espírito. O Pai, Aquele que É, é Deus por nós; o Filho Jesus, Emanuel, é Deus conosco; Espírito Santo, o Ruah, é Deus em nós.
A pessoa do Espírito Santo foi pouco conhecida, difundida, até mesmo relegada a segundo plano por longo tempo até o final do século XIX, quando a Beata Elena Guerra começa a divulgá-lo. Por incentivo de Elena o Papa Leão XIII consagra o século XX ao Espírito Santo.
Vinde Espírito Santo, enchei nosso coração com teu fogo abrasador, renovando-nos; enchei nosso coração frio, sem vida com tua ardente chama de amor, aquecendo-nos e reanimando-nos. Vinde Espírito Santo, lançai sobre nós águas puras que sejam refrigério para nossa alma tão inquieta, ardente de desejos pecaminosos; arrefecei nossa concupiscência, extingui em nós a chama das tentações. Vinde Espírito Santo, soprai sobre nós teu hálito puro de amor, seja vento impetuoso a nos impulsionar, ou seja brisa suave a nos afagar. Vinde Espírito Santo, incendiai nossa alma, reinflamai os carismas em nós!




Querigma – Fé e Conversão



Jesus se doou numa cruz para nos redimir, cremos nisso. A salvação vem pela fé, porém sabemos que somente a fé em si não e suficiente; se faz necessário que com a fé venha também a conversão. Fé é crer, acreditar mesmo sem ter visto. A fé teologal é acreditar em Deus e crendo, confiar e esperar Nele. Conversão é mudança, de direção, de atitude.  Se cremos que Jesus Cristo morreu por nós e ressuscitou por obra divina, damos um grande, imenso e importantíssimo passo em direção a salvação. Se com isso mudamos nosso jeito de ser, nos tornamos pessoas melhores, pacientes, pacíficos, tolerantes, amáveis, portanto seguidores e imitadores do Cristo, nos colocamos no caminho da salvação; “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” diz Jesus. Prosseguindo: “Quem me segue não andará nas trevas; terá a vida eterna”.
Quando nos convertemos para Deus, convergimos todos para Jesus que é caminho. Caminho onde encontramos a verdade; verdade que nos traz vida. A conversão é consequência da fé, mas também decisão pessoal. Eu creio e a fé me induz a uma mudança, mas eu mudo se quiser, Deus não me obriga. Ele me dá a fé e concede liberdade, portando com a fé eu aprendo e o caminho me é proposto. Cabe a mim numa atitude de amor a Deus e aos irmãos mudar e assumir o Senhorio de Jesus em minha vida. Muitos têm fé e acham que isso basta. Ficam parados esperando as bençãos caírem do céu. Assim, estáticos, veem a graça passar ao largo e ficam e ficam a espera, não dando os passos necessários para alcança-las ou serem alcançados por ela. 
Conversão é mudança de rumo, tomar outro caminho; e para caminhar é preciso dar um passo de cada vez, um atrás do outro. Nossa conversão não se dá como num passe de mágica. Ninguém dorme pecador e acorda santo. Podemos comparar nosso processo de conversão como o crescimento de uma árvore; não plantamos uma semente pela manhã e vemos a árvore frondosa a tarde. É necessário preparar a terra, semear, regar, esperar germinar, brotar, cuidar da planta, vê-la tornar-se um arbusto, crescer, aguardar a floração, frutificar e então colher os frutos ou usufruir da sombra. Isto pode levar meses, anos, décadas até. Assim acontece conosco; nossa conversão é lenta e gradual como o desenvolvimento dessa árvore. Deus prepara nosso coração: a fé. Coloca lá sua semente: a Palavra. Depois é preciso regar, podar, eliminar as pragas, enfim cuidar. A rega e a poda são nossas práticas piedosas: oração, leitura da Palavra, formação doutrinária, participação nos sacramentos; renunciar as tentações, as superstições, as falsas doutrinas para nos livrar das pragas do pecado.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Querigma – Jesus Senhor e Salvador



Vimos anteriormente que o salário do pecado é a morte. Sabemos que somos e nos reconhecemos pecadores. Estamos então perdidos? Sofreremos a morte física e pior, a segunda morte, a morte definitiva que é o afastamento eterno de Deus? Pela letra fria da lei, sim. Mas felizmente a justiça de Deus é a misericórdia, não a lei. São Paulo nos adverte: “a consequência do pecado é morte” (cf. Rm 6,23).   São João Evangelista nos conforta: “Deus amou tanto o mundo que deu seu filho único para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não o enviou para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (cf. Jo 3,16s).
Deus na sua infinita misericórdia veio a nós. Na plenitude do tempo o Verbo Eterno se fez carne e veio habitar em meio a nós. E veio com um propósito: nos reconciliar com o Pai, remir toda a humanidade que jazia nas trevas, apagar de nosso coração o pecado, restituir-nos a dignidade de filhos de Deus, vencer a morte. Jesus que pelo sacrifício da cruz nos ofereceu a salvação, pela milagrosa ressurreição nos apresentou a vida eterna e pela sua gloriosa ascensão nos abriu a porta do céu.
Jesus Nosso Senhor e Salvador, prova inconteste do amor imenso do Pai. Eterno, se fez presente em nosso tempo para mudar nossa história; invisível sendo Deus, tornou-se visível na carne; irrepreensível, imaculado, isento de pecado, assumiu o nosso, fazendo-se pecado ao deixar-se pregar na cruz. Por tudo isso temos a ousadia de rezar na Vigília Pascal: Ó doce culpa de Adão que nos proporcionou tão grande Salvador!   
Jesus é salvador, mas também senhor. Esse senhorio tem que ser assumido para que tenhamos o direito à salvação oferecida. A oferta na cruz só é válida se junto a ela nos submetermos a vontade de Jesus. E sua vontade é que nos tornemos seus imitadores, que nos amemos, que sejamos mansos e humildes de coração, que nos conformemos a Ele, pois seu jugo é leve e suave, pois Ele não é senhor que subjuga na força e violência, mas que nos seduz no amor e doação plena. Jesus doou-se, entregou-se integralmente por nós. Que a recíproca seja verdadeira. Seguir Jesus; seguir Jesus até a cruz se for preciso. Para alcançar a glória Jesus passou pela cruz. Não há Tabor sem Calvário.  

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Querigma – Pecado e consequências



Não há amor maior que aquele derramado do alto do céu sobre nós. Por que então às vezes não o sentimos? Porque estamos fechados a ele. Sob um guarda chuva não nos molhamos, mas quando o guarda chuva é fechado debaixo de um aguaceiro ficamos encharcados. Que bom nos encharcarmos do amor de Deus. No entanto, muitos de nós nos deixamos encharcar pelas águas sujas do pecado.
Somos reflexos do Criador. Somos obras primas nascidas do coração perfeito e amoroso do Pai. Porém desobedecemos, fomos renitentes e infiéis; daí nasceu o pecado. Quebramos o espelho e nos tornamos imagens distorcidas, nos desfiguramos; são as consequências do pecado.  O pecado vem quando deixamos de buscar nossa felicidade em Deus e a buscamos nas coisas materiais, quando nossa meta deixa de ser o céu e nos limitamos às coisas terrenas.
O Senhor nos oferece a eternidade, uma vida de delicias infinitas na sua presença. Mas o que fazemos com essa oferta de amor? Desprezamos, simplesmente ignoramos, damos-lhe as costas e mergulhamos num mar imenso, escuro e profundo. Quando viramos as costas para Deus damos de cara com o pecado.
Divagamos, divagamos, mas afinal o que é o pecado? Pecar é errar. Pecar é perder-se no caminho. Pecar é desobedecer. Quando desobedecemos erramos e quando erramos nos desviamos do caminho e nos perdemos. O pecado original não foi comer o fruto, foi o descumprimento da ordem de Deus. Desobedeceram, então pecaram. O ser humano foi criado e colocado no éden para a imortalidade e viver o paraíso celestial aqui na terra. Porém um dia sucumbiu ao pecado e com o pecado veio à dor, a doença, a morte.  O salário do pecado é a morte, nos diz o apóstolo Paulo na carta aos romanos 6,23.