domingo, 23 de maio de 2010

Pentecostes


Era noite da festa judaica de pentecostes, o quinquagésimo dia após a páscoa em que se comemorava o dia da colheita. Estavam os discípulos de Jesus reunidos com Maria no cenáculo, em oração, quando repentinamente soprou um vento impetuoso e do alto desceram como que línguas de fogo que se repartiram e repousaram sobre os presentes; todos começaram então a orar ruidosamente e falar em línguas estranhas. Este relato descreve o derramamento do Espírito Santo prometido por Jesus Cristo momentos antes de sua gloriosa ascensão (cf. At 2,1-4).
A noite-madrugada de pentecostes é também o nascimento da Igreja. Igreja planejada no coração do Pai desde o principio do tempo e configurada no povo hebreu peregrino no deserto em busca da terra prometida. Igreja concebida na cruz pelo sangue de Cristo e revelada ao mundo quando inicia sua jornada missionária na manhã de pentecostes. Para a Renovação Carismática Católica é um dia especial. Especial porque além do inicio da missão da Igreja, é também a primeira manifestação publica dos carismas extraordinários do Espírito. Ou seja, podemos também dizer que pentecostes foi o primeiro grupo de oração carismático. Não há como negar, a Igreja nasceu carismática! A Igreja foi, é e sempre será carismática por vontade de Deus Pai, pelo nome de Jesus e pela ação continua do Espírito Santo.
Deus sustenta essa Igreja em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Igreja Santa e pecadora. Santa enquanto Divina governada pelo Espírito Santo; pecadora enquanto humana, formada por homens e mulheres imperfeitos. Mas apesar de nossa imperfeição e tibieza, temos (aqueles que se abrem à sua ação) a assistência do Espírito Divino que nos conduz ao caminho da santidade: Jesus Cristo, mediador junto ao Pai Eterno.
A Igreja, hoje achincalhada, agredida, atacada devido a atitudes erradas de alguns de seus membros é apesar de tudo, eterna. Peregrina nesta terra, imperfeita como o povo peregrino no deserto a murmurar e pecar contra Deus, mas peregrina sempre e buscando (insisto: os que se abrem à ação do Espírito Santo e se deixam governar por Ele) a conversão e a consequente santidade. Peregrina e militante nesse mundo, mas eterna e gloriosa no alto dos céus, onde estão as almas que concluíram a jornada e lograram cruzar o Jordão. A Jerusalém Celeste do Apocalipse com as doze portas, as doze tribos de Israel, os doze apóstolos que desde pentecostes perpetualizam a Santa Igreja Católica.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Viver a Vida

Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade, a vida. Jesus é verdadeiramente caminho, verdade e vida. Jesus é o caminho que conduz à verdade, verdade libertadora, liberdade que produz vida e como diz o próprio Jesus, vida plena, vida abundante. Vida plena porque repleta no tempo e na eternidade. Vida abundante porque podemos viver aqui na terra o reino de Deus; a abundância das maravilhas Divinas que nos são proporcionadas.
Muitos erram o caminho, desconhecem a verdade e não vivem a plenitude da vida. Ao errar o caminho – às vezes até mesmo deliberadamente, optando conscientemente – a verdade é escamoteada; mentiras são plantadas e colhidas ao longo do caminho. Assim, vive-se falaciosamente; a vida torna-se um jogo, um drama, uma comédia, enfim, uma farsa. Quantos vivem essa farsa: uma aparência saudável, um rosto jovial, esbanjando alegria. No entanto é só aparência, só uma casca. Quantos jovens ao voltarem da “balada”, das noitadas de sexo livre, da bebedeira, encontram a tristeza, o vazio existencial, na solidão de seus quartos ou no banheiro aos vômitos com a cara na privada, na “fossa” como se dizia no passado.
Somos livres para escolher o nosso caminho. Deus não nos obriga a servi-Lo; Não nos obriga sequer a segui-Lo. Somos livres para escolher o nosso caminho, somos livres até para pecar. É certo que Deus não fica feliz com nosso pecado, pelo contrário, quando pecamos ferimos cada vez mais o coração de Jesus; Crucificamos Jesus a cada dia com o nosso pecado. Mas mesmo assim Ele não nos obriga a nada! Ele poderia mudar tudo a hora que quisesse, como quisesse, mas não o faz. Porque nos ama, e porque nos ama nos deixa livres para escolher o nosso caminho.
Ao longo da vida somos formados por valores e filosofias do mundo que nos cerca, influências tanto boas, como más. Quando conhecemos Cristo tudo começa a mudar. Na verdade há um conflito interior. Recebemos um novo coração, uma nova unção, mas de várias maneiras continuamos a nos comportar como antes. Por isso S. Paulo nos diz: “Renunciai a vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade”.(Ef 4,22ss) Temos que renovar nossos pensamentos, nossas atitudes; temos que nos renovar por inteiro. No entanto, não nos renovamos por nós mesmos, somos renovados pela ação do Espírito Santo. Essa renovação ocorre quando nos abrimos e deixamos o Espírito Santo agir, nos conduzir. Deus nos renova a medida em que nos entregamos a Ele.
Como vimos, a renovação acontece quando liberamos nosso coração para Deus, quando deixamos Deus ser Deus e agir em nossa vida. Aí o caminho se abre, a verdade surge, a liberdade é concedida, a vida é vivida como Deus planejou para nós: Caminhar no Espírito, viver em Cristo, despojar-se nos braços do Pai!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Todas as gerações me proclamarão Bem-Aventurada


A devoção a Nossa Senhora em todo o mundo é algo que ultrapassa o entendimento humano; algo sobrenatural. Não há país ou cidade onde não haja igrejas, praças, imagens etc., a ela dedicadas. Os títulos de louvor e glória que Nossa Senhora recebe em todo o mundo são incontáveis; livros e livros já foram escritos sobre seus títulos, suas aparições, suas graças, seus milagres... Seus santuários se espalham pelo mundo todo: Lourdes, Fátima, Aparecida, Guadalupe... A Igreja encorajou e regulou essa devoção universal à Virgem Maria, mas jamais pode tê-la inventado ou criado. Nos momentos mais críticos da história, sobretudo quando a Igreja era mais ameaçada, os Papas orientaram os fiéis a recorrer confiantes à proteção de Nossa Senhora e rezar o rosário. E um sentimento universal que atravessou vinte séculos e chegou até nós mais forte do que nunca. Esse sentimento não teve uma origem humana, se assim fosse não teria tanta força e duração; foi o Espírito Santo quem o difundiu nos corações dos cristãos.
Até mesmo os muçulmanos a respeitam e veneram como Aquela mulher que foi "a única não tocada pelo demônio". Maomé, ao redigir o Corão, mostrou grande estima por Maria. O capítulo 19 tem por título "Maria" e faz várias belas referências à Mãe de Jesus. Ele dá testemunho da virgindade de Maria e fala de sua vida. Na Caaba (santuário muçulmano principal em Meca) existe uma imagem colorida de Maria com o Menino Jesus. E de notar ainda que Maria é mencionada 34 vezes no Corão, sendo a única mulher designada por seu nome pessoal. Os muçulmanos vão à casinha de Nossa Senhora em Efeso, onde ela viveu com São João, prestar-lhe homenagens. É chamada em língua turca "Meryem Ana".
Lutero e Calvino a veneravam; e também os anglicanos. Lutero escreveu um belo comentário do Magnificat de Maria Santíssima, e o cantava todos os dias. Ele se refere à "doce Mãe de Deus" e exalta a Santíssima Virgem nestes termos: "Ela nos ensina como devemos amar e louvar a Deus, com alma despojada e de modo verdadeiramente conveniente, sem procurar nele o nosso interesse... Eis um modo elevado, puro e nobre de louvar: é bem próprio de um espírito alto e nobre como o da Virgem". (Maria Mãe dos homens, Edições Paulinas). A Mãe de Jesus aparece em Lutero como o puro reflexo do olhar divino. Ela não atrai a nossa atenção sobre Si, mas leva-nos a olhar para Deus."... "Maria não quer ser um ídolo; não é Ela que faz, é Deus que faz todas as coisas. Deve ser invocada para que Deus, por meio da vontade dela, faça aquilo que pedimos; assim devem ser invocados também todos os outros santos, deixando que a obra seja inteiramente de Deus" (Maria Mãe dos homens, p.574-575).
Prof. Felipe Aquíno
Escritor e apresentador na TV Canção Nova
blog.cancaonova.com/felipeaquino'.











sábado, 8 de maio de 2010

Carismas-Dons de serviço


Em todo o mundo, literalmente, milhões de católicos e um grande número de cristãos de outras comunidades eclesiais já experimentaram o Batismo no Espírito Santo, com a manifestação dos carismas e dons espirituais, tanto comuns como extraordinários, que o acompanham.
No século passado, a consciência desses dons e carismas vem mais uma vez à tona na vida quotidiana da Igreja. A linguagem da Igreja tem cada vez mais incluído palavras que refletem um entendimento mais profundo dessas verdades constantes, e como usamos esses dons do Espírito para o bem comum e para a edificação do corpo. Em outras palavras, a serviço do povo de Deus.
Em cada um dos quatro Evangelhos, as palavras de São João Batista são lembradas. São João disse que Aquele que viria após ele "Vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3, 11; Mc 1, 8; Lc 3, 16; Jo 1, 33). Esta grande promessa é uma característica central dos Evangelhos. Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho de Deus, prometeu capacitar seus seguidores de todos os tempos com o poder do Espírito Santo, a fim de viver o Evangelho e espalhar a boa nova em todo o mundo.

Como Jesus usou os dons
Um bom lugar para começar a entender o uso dos dons e carismas de serviço é ler, em oração, cada um dos quatro Evangelhos e absorver em nosso próprio ser as maneiras como Jesus, cheio do Espírito Santo, usou esse poder a serviço do povo de Deus. À medida que viramos as páginas, somos confrontados com este poder de Deus sendo usado para a glória de Deus e para a edificação do povo de Deus.

Servir e satisfazer as suas necessidades
Inspirado pelo Espírito Santo, os escritores dos Evangelhos deixaram-nos um relato completo do ministério público de Jesus. Alguns dos milagres que Cristo realizou são registrados por nós, e podem nos ensinar muito. A uma palavra de sua mãe (João 2, 3), Jesus responde a uma necessidade bem prática: o vinho terminou e Ele faz um milagre, transformando a água em um vinho muito delicioso, de modo que todos os convidados do casamento pudessem beber à saúde e ao bem-estar do casal recém-casado.
Que ato profundo de amor e serviço! Nós, em nossa sabedoria humana, poderíamos pensar a respeito dessa necessidade por mais vinho como uma questão de pouca importância quando comparada às grandes necessidades do mundo. No entanto, Cristo, em seu grande amor, deseja nos ajudar não apenas em tempos de grandes crises, mas também nos eventos comuns que ocorrem em nossa vida diária.
Há relatos repetidos de Jesus curando doenças como a lepra, três relatos de mortos sendo ressuscitados. Os cegos, surdos, mudos, paralíticos e aflitos são curados. Os possuídos pelo demônio são libertados e a boa nova é proclamada com grande poder. Tudo isto é feito com amor e para a glória de Deus Pai.
Em João 11, Jesus nos diz que a ressurreição de Lázaro é para a glória de Deus. "Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus”. João 11, 4.
Jesus, em Seu grande amor, nos promete o Espírito Santo para que possamos ser usados por Deus para a Sua glória e para amar e cuidar de Seus filhos. Jesus nos diz: "Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). Em Jo 16, 7, Ele nos diz que nos enviará o Paráclito.



Como os apóstolos usaram os dons
Quando saímos dos Evangelhos para os Atos dos Apóstolos, vemos o cumprimento desta promessa com os Apóstolos e discípulos manifestando as obras que Jesus fez. Curando os enfermos, libertado os possuídos pelo demônio, ressuscitando os mortos, proclamando o Evangelho com poder, tudo sendo feito com amor, a serviço de Deus e para a glória de Deus. Na primeira cura milagrosa registrada em Atos, Capítulo 3, São Pedro não direciona a glória para si mesmo, mas aponta para Jesus. Atos 3, 12 diz: "Homens de Israel, por que vos admirais assim? Ou por que fitais os olhos em nós, como se por nossa própria virtude ou piedade tivéssemos feito este homem andar? ... Em virtude da fé em Seu nome foi que esse mesmo nome consolidou este homem, que vedes e conheceis”.
Não admira que a Santa Madre Igreja, a cada ano, no seu calendário litúrgico, faz-nos refletir sobre os Atos dos Apóstolos entre a Páscoa e Pentecostes. Quando ouvimos estas palavras novamente sendo proclamadas na celebração da Eucaristia, ouvimos como os apóstolos usaram os carismas que receberam em Pentecostes.
Nós também somos exortados a utilizá-los da mesma forma como fizeram, imitando-os como eles imitaram Jesus Cristo. Em I Cor 11, 1, São Paulo diz: “Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo”. Em I Cor 13, uma das passagens mais conhecidas das Escrituras, somos lembrados de que todos estes carismas devem ser usados com amor, a serviço do povo de Deus. Caso contrário, seremos apenas como um címbalo que retine e um obstáculo ao Evangelho. Se usados para a nossa própria glória, Deus não pode abençoar-nos. Embora, por amor ao Seu povo Ele escolha curar através de nós, o julgamento será severo.
Basta olhar para Atos 8, onde Simão, o mago, deseja comprar o poder do Espírito Santo. As palavras de São Pedro ressoam em nossos ouvidos. "Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!" (Atos 8, 20).
Simão, o mago, terminou como um herege gnóstico. Até este dia, o pecado de Simão tem o seu nome.

Como devemos usar os dons
No Catecismo da Igreja Católica, o № 2003 conclui: “Seja qual for o seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas se ordenam à graça santificante, e tem como meta o bem comum da Igreja. Acham-se a serviço da caridade, que edifica a Igreja”.
Devemos, portanto, estar sempre conscientes de nossas próprias motivações pessoais quando buscamos ser usados por Deus no uso desses dons e carismas. Cada um de nós está sujeito à nossa natureza caída, à nossa concupiscência. Há o perigo do orgulho e do auto-engrandecimento quando somos usados por Deus, portanto devemos, como os Apóstolos, concentrar os nossos agradecimentos a Deus e dar a Ele a glória. Somos vulneráveis à sedução de orgulho; por isso, é de vital importância permanecermos humildes de coração e mente, mas alegrando-nos pelo fato de que Deus, em Seu amor e misericórdia por seus filhos, voluntariamente nos usa para curar os doentes, encorajar os desanimados, proclamar o evangelho, libertar os cativos e fazer as obras de Deus.
Lembro-me dos bons conselhos que o sacerdote de nossa missão na África Ocidental nos deu.
Durante a missa de abertura, ele lembrou a todos nós de nossa equipe que éramos inúteis e que precisávamos manter os nossos olhos fixos em Jesus. Nós veríamos o poder de Deus se manifestando e deveríamos nos manter perto de Jesus. Fui enviado antes da equipe principal para preparar o caminho com outro irmão em Cristo. Chegamos e descobrimos que deveríamos falar para uma multidão de mais de 5000 pessoas naquela noite.
Após as palestras, a dança e os mini dramas, fomos convidados para ministrar ao povo. Havia pais segurando crianças doentes, implorando pela mão curadora de Jesus. Em pânico, senti-me totalmente inútil. (Eu era inútil). Esqueci totalmente a instrução que eu havia ouvido naquela manhã. "Mantenha seus olhos em Jesus”.Fugi da multidão e quando estava sozinho em meu quarto, falando com Jesus, confessei a minha falta de confiança Nele. Eu estraguei tudo, Senhor! Sim, meu filho, mas vou dar-lhe muitas outras oportunidades. Foi uma lição aprendida, mas ela me ajudou a lembrar que eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos de Deus e que Ele pode me usar da maneira que desejar. Tudo para glória de Deus e a serviço do amor ao Seu povo, quando ou onde quer que Ele escolha.
“Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente aos dons espirituais”. I Cor 14, 1
Concluindo, embora percebamos nossa fraqueza e fragilidade e nossa tendência ao pecado, não devemos rejeitar os dons, mas abraçá-los com alegria, sabendo que a graça de Deus está lá para nos purificar no uso de Seus dons. Em Romanos 12, 6-8, Paulo nos instrui:
"Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade”.

Peter Thompson

terça-feira, 4 de maio de 2010

Maus conselhos



Ezequiel 11,1-8(...).Esta passagem nos relata Ezequiel sendo convocado por Deus a proclamar um oráculo contra aqueles que desvirtuavam o povo de Deus. Lideres, homens de muito influência, que possuíam autoridade e devido a seu contra testemunho, a maus conselhos, desviavam o povo do reto caminho de Deus e com isso conduziram muitos ao pecado e em conseqüência, à morte. O texto refere-se a espada; espada que para nós pode ser a palavra de Deus, a espada do Espírito que nos guarda e protege, como em Ef 6. Mas também pode ser a espada que aniquila, que põe por terra os maquinadores do mal, os que levam o povo ao mau caminho; a espada vingadora, como em Eclo 39,36.
O que isso nos mostra? Nos mostra o mundo como uma grande vitrine com tudo que ele tem a oferecer. Como em qualquer vitrine, há produtos de boa e de má qualidade. Mas o mundo só nos empurra o que não serve, o que tem de pior, o refugo do refugo. E a gente que nem bobo aceita tudo!... O mundo aí está com seus modismos, maldades, pecados. E oferece tudo isto a nós em uma bandeja enfeitada; bonita por fora, mas podre por dentro. E o que o mundo tem a nos oferecer, inofensivo que possa parecer, bem embalado que esteja, não passa de alimento deteriorado, comida estragada; e quem come comida estragada passa mal, se intoxica, pode até morrer. S. Paulo nos adverte em Romanos: “O salário de pecado é a morte”. E a pílula dourada que o mundo tenta nos empurrar goela abaixo é veneno mortal; veneno que leva à morte, morte da alma!
Infelizmente não é só nas coisas do mundo que estão os maus exemplos, os maus conselhos. Há gente oportunista, pessoas que se dizem cristãos, que manipulam a palavra de Deus com propósitos nada louváveis. Se alguém te convidar a ir a igreja dele porque lá você vai ser curado de uma “ziquizira” qualquer, não vá não; você vai ser tapeado! A cura que você vai obter lá você obtém cá, pois quem cura não é a igreja, é Jesus.
Há uma certa igreja que prega que basta procurar Deus, de resto nada importa, vale tudo. Para eles o que a pessoa faz fora da igreja não é importante; o importante é dizer que aceitou Jesus. Isso leva as pessoas – desculpem a força das palavras – a fornicar o tempo todo, ao adultério, a se prostituírem e se drogar, a todo pecado e depois simplesmente ir ao templo, levantar os braços, gritar aleluia e dizer que aceitam Jesus. Hipocrisia, hipocrisia! Quando se conhece Jesus, quando se aceita Jesus verdadeiramente como Senhor e Salvador, há mudança de vida, mudança radical de vida.
Uma pessoa de uma igreja, a qual também não cito o nome – não é esse o propósito, atacar essa ou aquela denominação, mas simplesmente denunciar – disse-me que a cruz é maldição. Blasfêmia, grande blasfêmia! Se a cruz fosse maldição Jesus seria maldito, pois morreu nela! Sabemos que a cruz foi um instrumento de suplicio, de morte e de tortura, mas a partir da morte e ressurreição de Cristo, a cruz é símbolo de salvação, é penhor de salvação. Jesus passou pela cruz para salvar o mundo. A cruz é sagrada! Ela foi banhada, foi batizada no sangue de Jesus! A pessoa disse ainda mais: que somente a igreja dele era verdadeira, as demais eram falsas; e que a Igreja Católica seria a igreja do demônio e o papa a encarnação do diabo. Se a nossa igreja fosse do demônio, todas as outras igrejas cristãs, da mais antiga às mais recentes, seriam filhas do demônio, pois de uma maneira ou de outra, todas são oriundas da Igreja Católica. A Igreja Católica Apostólica Romana foi concebida aos pés da cruz com o sangue de Jesus, nasceu em Pentecostes sob a ação do Espírito Santo e cresceu regada, alimentada com o sangue dos mártires. Somos a real igreja do Senhor, não somos uma igrejinha qualquer inventada por homens e com alvará de funcionamento registrado num cartório de notas; nosso registro está no céu, aos pés do trono de Deus!
Sejamos precavidos, estejamos com os sentidos alertas contra os falsos profetas que torcem e distorcem o evangelho, tentando seduzir o povo de Deus. Há uma frase muito antiga, dita por um padre jesuíta, por volta de 1500, que diz assim: “Razão é que se peça só razão, justo que se peça só justiça”. A razão e os motivos de cada um mostrará o caminho a seguir; a justiça de Deus dirá se está certo ou errado. Ouçamos a voz de Deus e nos fechemos aos maus conselhos, para seguirmos o caminho da justiça e da salvação.
Para ilustrar essa questão de bons e maus conselhos, contarei um fato ocorrido recentemente: um jovem procurou-me para que fossem sanadas dúvidas no campo da fé. Ele – a principio cético – rendeu-se aos argumentos e abriu seu coração a Deus. Por que conto isso? Porque esse rapaz veio a mim para que eu lhe falasse de Deus, lhe mostrasse a verdade. Diz a Palavra: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Imaginem se ele caísse em mãos erradas, fosse ao encontro de pessoas inescrupulosas que desvirtuariam tudo, ensinariam errado, contariam mentiras. Ele provavelmente estaria no pecado, caminhando rumo a perdição.
Irmãos, vamos nos deixar alcançar pela espada do Espírito, a espada de dois gumes que penetra fundo no coração trazendo luz e vida. Porque do contrário, correremos o risco de ser abatidos pela espada vingadora, a que traz a morte e destruição.

CARN

domingo, 2 de maio de 2010

O Reino do Messias


Em Isaias 11,1-10 a Palavra fala de Jesus, o Messias, o Salvador, Emanuel-Deus conosco. A vinda de Jesus, a esperança de seu retorno na glória, para julgar os vivos e os mortos.
Sabemos que Jesus se encarnou, passou um tempo entre nós, foi glorificado, voltou ao Pai e estamos aguardando a sua volta no fim dos tempos. E nesse intervalo, onde Jesus está? Escondido? Descansando? Observando nossos atos do alto do céu? Não; Ele está no meio de nós; Ele volta a cada dia em nossos corações. É como se fosse uma terceira volta. Jesus está voltando, não com efeitos especiais numa nuvem, com o trombetear dos anjos – Isto acontecerá, não sabemos quando – mas está voltando visitando nossos corações a cada dia, a cada momento, a cada instante. Basta nos abrirmos e estarmos receptivos a graça. Jesus está no meio de nós em espírito; Jesus está no meio de nós Sacramentado na Hóstia Consagrada – Corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo – O grande milagre da Eucaristia que acontece todos os dias, toda hora. Neste momento mesmo, em algum lugar do mundo uma hóstia está sendo consagrada.
Jesus que existe desde sempre, que veio ao mundo por Maria, ensinou, deixou seu evangelho e morreu por nós. Jesus que morreu homem e ressuscitou Deus. Morreu na carne como nós e ressuscitou glorioso num corpo indestrutível! E quando me refiro ao corpo de Cristo não é somente seu corpo físico, sua matéria, mas me refiro também a seu corpo místico: a Igreja, que aparentemente fracassou na cruz, mas ressurgiu gloriosa na ressurreição e se consolidou em pentecostes. A Igreja da qual somos membros. E como Igreja estamos aqui louvando e bendizendo ao Senhor. Estamos aqui anunciando, ouvindo e acolhendo a Palavra de Deus.
Se hoje fosse o último dia; se Jesus voltasse agora, vocês estariam prontos? Façam um exame de consciência: Vocês têm se aberto a Deus na oração, na leitura da Palavra? Mostram compaixão pelo irmão que sofre, exercendo a caridade de forma concreta? Afastam o mau humor, as imprecações, a murmuração? Vocês perdoam a quem lhes ofende? Afastam da mente os maus pensamentos e do coração os sentimentos ruins? Vocês tratam o próximo com respeito, com dignidade? Vocês louvam a Deus de coração ou apenas com palavras, da boca p’ra fora? Reflitam, façam um exame de consciência, pois foi para isso que Deus nos deu a Palavra de hoje; para sabermos se somos merecedores das maravilhas que lemos em Isaias 11, 1-10. Do reino de paz, tranqüilidade, harmonia, felicidade plena.
Eu poderia falar simplesmente do Jesus que cura, que liberta, de Jesus que age agora, instantâneo, mas a Palavra fala de Jesus na eternidade, Jesus que quer compartilhar com vocês Seu Reino de Glória! Jesus não está buscando somente pessoas que precisem de sua cura divina, Ele também e principalmente, quer seguidores, adoradores.
Sabemos que não é fácil seguir Jesus. Exige sacrifício. É preciso matar o homem velho, a mulher velha, que existe em nós e renascer para uma nova vida. Muita gente diz: quando conheci Jesus, quando aceitei Jesus, como se fosse uma coisa mágica, como se bastasse levantar o braço e dizer: eu creio, eu quero. Mas não é tão simples assim. Seguir Jesus exige renúncia, exige desprendimento. Exige tomar a cruz de cada dia e segui-lo. Exige deixar tudo e segui-lo. Exige principalmente, ouvi-lo e obedece-lo. E quando tudo isso é feito, aí vem as perseguições, as tentações, as investidas do inimigo. Porque o demônio não quer que ninguém se salve, e se além da própria salvação estivermos buscando salvar outras almas, o ataque será muito mais intenso, muito mais feroz. Mas se estivermos verdadeiramente com Jesus no coração, revestidos com a couraça da justiça, com a armadura do cristão, na fortaleza de Deus, tudo passará e no fim a vitória virá com certeza. Como diz S. Paulo na carta aos romanos: O que me afastará do amor de Cristo? A dor? A morte? A tribulação? Nada me afastará do amor de Cristo. Nada, nada nos afastará do amor de Cristo.


CARN

sábado, 24 de abril de 2010

Conversão

O livro do profeta Ezequiel no capitulo 33, versiculos 10 a 12 nos relata: "filho do homem,dize aos israelitas: não cessais de repetir; são os nossos delitos e pecados que pesam sobre nós, por isso perecemos. Como poderemos subsistir? Dize-lhes isto: por minha vida - oráculo do Senhor Javé - não me comprazo com a morte do pecador, mas antes por sua conversão, de modo que tenha a vida. Convertei-vos! afastai-vos do mau caminho que seguis; por que haveis de perecer, ó casa de Israel? Filho do homem, dize a teus compatriotas: no dia em que o justo vier a pecar, a sua justiça não o salvará.; do mesmo modo, a malicia do pecador não há de fazê-lo sucumbir, se ele, um dia, renunciar a sua perversidade. Não, o justo, desde que haja cometido delito, não poderá viver em virtude da sua justiça."

Esse texto do livro de Ezequiel nos mostra como Deus é amoroso e quer nos perdoar. Se renunciamos ao pecado Deus nos livra do castigo, diz a palavra. Deus é Pai e um pai não se apraz com a morte de um filho, mesmo que esse filho seja rebelde, infiel, desobediente. O Senhor quer os filhos perto de si, por isso ele clama por conversão, obediência, fidelidade.
O v.12 diz: "No dia em que o justo vier a pecar, a sua justiça não o salvará, do mesmo modo que a malicia do pecador não há de fazê-lo sucumbir se ele renunciar à sua perversidade." Isto significa que Deus não olha para o nosso passado, seja este bom ou mal, Deus nos vê agora com os olhos do presente; o que importa realmente é o que somos hoje e o que viermos a ser amanhã. O passado é apenas lembrança – alegre ou dolorosa – porquanto Deus tem em conta o presente e aponta para o futuro. Comparemos este versículo (Ez 33,12) com Ez 18,24: "E se um justo abandonar sua justiça, se praticar o mal e imitar as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta os bons atos anteriores, é pelo mal praticado que será condenado."
Deus nos criou para ele, para louvarmos e adorarmos sua Divina Pessoa; para compartilharmos as delicias do paraíso, as maravilhas do Éden. Mas nos tornamos imperfeitos por nossa culpa, ou seja, devido à desobediência original, por isso perdemos o direito inato ao reino dos céus. O céu tem que ser conquistado.
Essa Palavra, como tantas outras na Bíblia, derruba a doutrina protestante da predestinação do homem. Se nascêssemos salvos ou condenados, não precisaríamos lutar para conquistar o reino, seria inútil. Se tivéssemos o destino traçado, andaríamos a deriva, sem obras de caridade e sem necessidade de testemunhar Deus. Não há predestinação! Ninguém nasce condenado ou salvo, pois isso seria injustiça porque não haveria culpa pessoal e Deus é justo! Se a humanidade já nascesse com o destino definido, sem chance de absolvição para os infelizes pecadores, o sacrifício de Jesus teria sido inútil; se aqueles não tivessem a oportunidade da salvação, a crucificação de Jesus teria sido apenas um espetáculo sangrento. Sabemos que não foi assim. Jesus morreu e ressuscitou para remissão dos nossos pecados, de todos, de todos! Isto não implica que fiquemos imóveis, à deriva, em berço esplendido: “Ah, Jesus já fez tudo...” pois cairíamos no reverso da medalha – todos estaríamos salvos, independentemente de nossas ações, boas ou más. Não é bem assim, até porque se fosse, Jesus não precisaria ter pregado, bastaria ser pregado... na cruz. É essencial que façamos a nossa parte e nossa parte é bem mais leve que a de Jesus: é crer; acreditar e por em prática a nossa fé. É reconhecer de todo coração e proclamar que Jesus é o Senhor e Salvador, que sua palavra é verdadeira; seguir o seu caminho, ser fiel a todo custo em qualquer situação; enfim, converter-se.
Fala-se muito em conversão, mas poucos conhecem em profundidade seu real significado. Há pessoas que pensam que conversão é mudança de religião, trocar de Igreja; católico tornar-se evangélico ou vice-versa. Conversão significa mudança de vida, transformação.É atravessar o mar Vermelho; sair da escravidão do pecado para uma terra de esperança. Recentemente abordamos o assunto em outra pregação. Dissemos que conversão é um processo lento, gradual, como o crescimento de uma árvore. Hoje, para ilustrar, usando outro aspecto da natureza, podemos fazer a comparação com uma reação química. A propósito, certos tipos de reação são conhecidas como conversão. Uma reação ou conversão química é a modificação na estrutura de uma substância transformando-a em outra completamente diferente. Desse modo, um veneno mortal pode ser transformado em um remédio que cura. Da mesma maneira se dá conosco, em nossa vida espiritual: mudamos do pecado (que mata) para a vida nos caminhos do Senhor (que cura, liberta, leva à perfeição). Nos convertemos quando aceitamos o senhorio de Jesus em nossa vida, quando nos deixamos preencher pelo Espírito Santo, quando sentimos necessidade e desejo ardente de evangelizar.
Evangelização não é a apresentação complicada da doutrina do cristianismo. Ela começa, se processa, quando pessoas comuns falam a outras pessoas comuns das maravilhas de Deus, das bênçãos, de como Jesus cura, liberta, dá paz, alegria, enche os corações de amor. É converter-se a si próprio e buscar a conversão do próximo.

CARN

domingo, 18 de abril de 2010

Águas de abril


É pau, é pedra, é o fim do caminho. São as águas de março-abril levando tudo de roldão. Veio a frente fria, com a frente as chuvas e com as chuvas as enchentes e desmoronamentos. A tragédia (novamente) se abateu sobre o estado do Rio, notadamente em Niterói. Para muitos – mais de duas centenas – foi literalmente o fim do caminho.
Já discorremos anteriormente que desgraças não vêm de Deus. Deus pode ter mandado a chuva, mas não autorizou a construção de residências sobre montanhas de lixo, nem urbanizou o local. A irresponsabilidade e a omissão foram as causas do desastre. Não faço aqui referência as vitimas, afinal, essas foram vitimas até certo ponto inocentes. Menciono a irresponsabilidade e omissão das autoridades, dos governantes, estes sim, culpados pela tragédia. A população mais carente, deseducada e mal informada constrói de forma irregular e inadvertidamente onde não deveria construir, com a conivência das autoridades governamentais. As autoridades quando não permitem se omitem.
Até quando demagogos que só pensam em si governarão nossos municípios, nossos estados, nosso país? Até quando teremos congressistas que só legislam em causa própria e judiciário que julga conforme sua conveniência? Até quando continuarão permitindo construções em locais impróprios, até quando verbas destinadas à educação e saúde serão desviadas, até quando?
Que nosso Deus altíssimo se apiede de nós, pois só a ele podemos recorrer: “Deus é nosso refúgio e nossa força; mostrou-se nosso amparo nas tribulações. Por isso, a terra pode tremer, nada tememos; as próprias montanhas podem se afundar nos mares. Ainda que as águas tumultuem e com fúria venham abalar os montes, está conosco o Deus de Jacó”. (Salmo 45)

terça-feira, 13 de abril de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

O Perigo das Seitas

Recentemente o noticiário nos deu conhecimento do assassinato do cartunista Glauco e seu filho Raoni. O assassino é conhecido da família; o jovem, viciado em drogas e aparentemente psicopata, segundo os familiares e amigos do morto, fazia “tratamento” para livrar-se das drogas na igreja (?) Céu de Maria, ligada ao Santo Daime.
Como pretender que alguém se livre das drogas numa suposta religião em que o rito principal é a ingestão de um chá alucinógeno, o ayahuasca? Absurdo dos absurdos. Também absurdo e estranho fora a decisão do CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) de retirar o ayahuasca da lista de drogas alucinógenas, conforme publicado no Diário Oficial da União em 10/11/2004. Ainda no terreno do absurdo e imoral, em 2008 o então Ministro da Cultura Sr. Gilberto Gil solicitou ao IPHAN que considerasse o uso do chá ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira.
Imaginemos a seguinte situação: uma seita qualquer recém fundada, após suposta revelação divina, resolve utilizar a maconha em seus rituais, queimando-a nos turíbulos como incenso. Haveria doutos ministros de estado apregoando o uso da maconha, ao menos nos rituais religiosos? Sugeririam o uso de drogas como patrimônio nacional? Triste país seria (ou será?) esse.
Grande é o perigo das seitas. No entanto nosso povo – aqui não refiro ao povo como um todo, sim ao povo cristão, de modo particular o povo católico – não se dá conta disso. Muitos se deixam enganar, se iludem com promessas de facilidades, com promessas de prosperidade, com pacotes de prodígios, kits de milagres. Há seitas de todo tipo, para todos os gostos: pseudocristãs, esotéricas, agnósticas, etc. O povo ingênuo e aspirando por coisas espirituais, carente, necessitado de todo tipo de bens (materiais e afetivos) é presa fácil para estes rapinantes. Não digo que existam religiões boas ou más, verdadeiras ou não. Digo, afirmo com toda convicção, só existe um grande grupo religioso (religio = religar; religar com o criador, voltar às origens). Não importa como seja denominada: islâmica, judaica ou cristã. Estas têm origem comum e cultuam o mesmo e único Deus, originam-se do mesmo patriarca: Abraão. No entanto, a religião autêntica é a religião do amor. Sem desmerecer os judeus, nossos pais na fé, essa religião é o cristianismo (Deus amou tanto o mundo que enviou seu filho único para morrer por ele.-cf. Jo 3,16ss). Se a religião que prega o amor, a tolerância entre todos os povos e nações aqui está, se notadamente uma Igreja milenar, presente deste os primórdios do cristianismo, assoma entre outras (as da reforma e do cisma) porque razão tantos católicos e também outros cristãos se deixam seduzir e são fisgados pelos arpões afiados das seitas? Porque, repetindo, carecem de todo tipo de necessidades. Carecem de bens materiais (alguns na verdade são gananciosos) e são cooptados pelos pregadores da teologia da prosperidade. Carecem de saúde e são enganados pelos curandeiros de plantão e pregadores de falsos milagres. Carecem de vínculos afetivos e são maliciosamente acolhidos por falsos irmãos. Carecem de espiritualidade e são iludidos por falsos profetas. E quase todos, a grande maioria, carece de fé. Fé verdadeira, fé vivida, fé experimentada. Carecem desta forma do conhecimento da verdadeira doutrina cristã. Não sabem, ou não querem saber, que Jesus Cristo nunca ofereceu riquezas materiais, nunca ofereceu benesses aqui na terra, nunca prometeu vida farta. Não sabem, talvez não queiram saber, que a riqueza a que Jesus se referia era a eterna glória junto ao Pai, que a vida plena e abundante era vida abundante de graças e bens espirituais, e que toda cura, toda libertação visava algo maior e mais abrangente: a salvação da alma. Tudo isto foi refletido, para como diz o apóstolo S. Paulo na carta ao povo de Éfeso: “Não continuemos como crianças ao sabor das ondas, agitadas por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade cresçamos em todos os sentidos naquele que é a cabeça, o Cristo”. (Ef 4,14-15).

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa - A vitória sobre a morte

De certo modo a morte é um aspecto da vida. Na medida em que se vive, o ser humano se desgasta, se enfraquece, torna-se mais frágil, envelhece. Caminha fatalmente para o final. Mas, ao mesmo tempo, existe nas profundezas do ser humano, um radical protesto contra a morte. Ele não a aceita passivamente. Este radical protesto desemboca no sonho de uma vida após a morte.
Com a ressurreição de Jesus, o sonho tornou-se realidade. Pela ressurreição, Ele superou a condição terrestre. Entrou em uma nova vida, não mais limitada pelo sofrimento e pela morte. Agora, a comunidade de seus discípulos, no encontro com ele realiza uma experiência nova. Ele é experimentado como o Vivente, na linguagem do apocalipse: aquele que de modo invisível, está sempre presente exercendo seu poder salvifico.
Segundo o ensinamento de S. Paulo, Ele ressuscitou em nosso favor: para nos salvar e nos dar a certeza de que também ressuscitaremos. A nossa ressurreição será uma participação na ressurreição de Jesus.
A convicção da ressurreição não se coloca no plano da certeza cientifica. Fundamenta-se na fé: resposta do ser humano, movido, pelo Espírito, à revelação de Deus em Jesus Cristo. Em última análise, a ressurreição – a de Jesus e a nossa – é uma demonstração da grandeza da audácia do amor de Deus. Seu amor é mais forte que a morte.
A fé na ressurreição mostra que o cristianismo, com relação ao futuro do ser humano, é mais radical do que as outras religiões. Elas anunciam, como termo final, a libertação da alma das cadeias do corpo. O cristianismo anuncia a ressurreição: a transformação e a glorificação do ser humano na sua totalidade.
A ressurreição desempenha em nossa existência, o papel de uma mística. Mística é uma poderosa convicção capaz de influir na nossa consciência e mover nossa vontade. A mística da ressurreição leva a compreender que a vida terrestre, que termina com a morte, não é um equivoco. Ela tem levado muitos a dar a vida pela fidelidade a Cristo, aos irmãos e à causa da justiça. Ela dá força para enfrentar, com dignidade, o sofrimento e a morte. A mística da ressurreição deve levar-nos a nos colocar ao lado da vida contra as forças da morte: fome, injustiça, violência, exploração do mais fraco. Deve levar-nos a respeitar e promover a vida em qualquer fase de sua evolução, desde a concepção. Seja a vida sadia e pena, seja a vida frágil e defeituosa. Enfim, a mística da ressurreição se apóia na convicção de que Deus é o Senhor da vida. É a vida em plenitude que ele quer para nós.

D. Benedito Beni dos Santos – Bispo da diocese de Lorena

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O Cordeiro de Deus


Inicio esta reflexão citando o catecismo da igreja Católica: “Pela sua morte Jesus nos liberta do pecado; pela sua ressurreição Ele nos abre as portas de uma vida nova” (CIC 654).
Quando Jesus foi para a cruz e deu sua vida por nós, era Ele o cordeiro de Deus, o derradeiro holocausto expiatório, o definitivo sacrifício para remissão dos pecados do mundo inteiro. Sacrifício atemporal, pois contemplou passado, presente e futuro. Toda a Terra, em qualquer lugar, a qualquer tempo, foi alcançada pela graça do perdão Divino. A ressurreição, manifestação do inconteste poder de Deus, nos abriu o caminho para a eternidade. Esse caminho inicia-se em Jesus, passa por Jesus e prossegue com Jesus.
A fé, baseada na Palavra de Deus e nos ensinamentos da igreja, nos convence disso. Entretanto uma grande questão permeia essa assertiva: basta a fé para obtermos o perdão Divino e consequentemente alcançarmos a salvação e a glória eterna? A fé é fundamental, porque pela fé reconhecemos e aceitamos o sacrifício e a glorificação do Senhor. Mas a fé simplesmente não é o bastante. Lembremo-nos que Jesus, o Verbo Eterno (ver Jo 1,1-2.14), veio ao mundo para remir a humanidade e reconciliá-la com o Pai. Durante três anos formou discípulos, elegeu um grupo para sucedê-lo, ensinou, revelou seu propósito e por fim doou-se venceu a morte e retornou aos braços do Pai na eternidade. Portanto, o direito à salvação passa por tudo isso.
O mérito de nossa salvação é todo de Jesus, porém é necessário que desejemos e aceitemos as condições. A salvação nos foi oferecida, o mérito é Dele e a fé nos certifica isso; no entanto, temos que conquistá-la. O sacrifício, a ação principal, foi Dele e o que Ele nos pede é que façamos a nossa parte. E nossa parte, a contribuição pessoal para a salvação é simplesmente ouvi-lo e obedece-lo: “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2,5).