sábado, 28 de dezembro de 2019

Querigma-Amor do Pai



“Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (cf. 1Jo 4,8). O amor mais que personificado, o amor na essência; assim é Deus. Deus Pai criador de tudo e de todos. O Pai que nos criou no amor, por amor, com amor. Amor infinito e eterno, amor abrangente, transbordante; e fomos criados no transbordamento desse amor, por isso, mais que criaturas somos filhos. Assim temos o direito pleno de chamá-lo de pai. Aquele que É; Abba, Pai!
Esse amor nos é demonstrado no esplendor da criação: numa flor que desabrocha, num sorriso de criança, no sussurro da brisa suave, no farfalhar das folhas num vento mais intenso, no canto dos pássaros, no murmúrio das ondas, nas torrentes impetuosas, na calmaria de um córrego, enfim listaríamos aqui tudo de belo que podemos contemplar na natureza. Nas maravilhas da criação enxergamos Deus e Deus é amor.
Toda essa beleza foi imaginada, planejada, concebida, com um único objetivo, ser oferta de amor à sua obra prima, nós seres humanos. Como tal tudo nos foi dado: “Deus criou o homem à sua imagem; criou homem e mulher e os abençoou; frutificai – disse Ele – e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Deus contemplou toda sua obra e viu que tudo era muito bom” (cf. Gn 1,27-28.31).
Não existe amor maior. Não, não há.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Acolha Jesus neste Natal



O Natal se aproxima. As ruas dos centros comerciais estão apinhadas, os shoppings abarrotados. O texto parece repetição do anterior sobre a época do natal. E é, pois a situação é praticamente a mesma. Repetem-se os esbarrões, o empurra empurra, a impaciência, o mal humor, tudo sob um calor escaldante – o que agrava a situação.
Tudo em nome do Natal; época de paz, de harmonia, de boa convivência, de amor... Será? O Natal de Jesus é realmente uma oportunidade para a reconciliação, o perdão, a convivência pacifica. Mas o natal do comércio é uma época de lucros, $$$, lucros, $$$$, mais lucros, $$$$$, e assim a propaganda natalina evoca um tempo de paz e prosperidade, paz para nós (merecemos) e prosperidade para os comerciantes. O ideal seria paz e prosperidade para todos, pois isso todos nós merecemos.
Nada de anormal o comércio ter bons lucros, nós trocarmos presentes, comemorarmos festivamente com os familiares e amigos. Tudo isso é licito, válido, desde que tenhamos em mente que a festa é para comemorar a encarnação e o nascimento do Salvador, a vinda do Messias ao mundo; portanto não esqueçamos que o Natal é festa religiosa e como tal deve ser vivenciada. Portanto, tenhamos temperança no comer e beber, parcimônia na compra de presentes, evitando a gastança, a comilança e a bebedeira. Assim teremos verdadeiramente um bom e feliz Natal, uma alegria autêntica no encontro de parentes e amigos, a degustação saudável dos quitutes à mesa.
O Natal sem Jesus (uma incoerência) termina em desavenças, brigas, acirramento de velhas rixas, bebedeira incontrolada, tristeza, choro, decepções. Sem dúvida ao menos uma dessas situações, e eventualmente todas elas acontecem juntas.   
Com Jesus (o motivo da festa) o Natal é rico, mesmo numa mesa modesta. Rico em alegria autêntica, em harmonia, em controle no comer e beber, rico em felicidade, pois Ele está presente e Ele é a razão da nossa felicidade.
Em Belém de Judá, Maria prestes a dar a luz não teve quem a acolhesse com José e a criança prestes a nascer. Neste Natal acolha a Sagrada Família no seio da sua família e tenha um Natal cheio de Paz e Felicidade. Que Jesus viva e reine na sua vida. Amém.


sábado, 14 de dezembro de 2019

Pureza de criança



Na igreja, joelhos no chão diante do Sacrário adorando Jesus Eucarístico, tive a atenção despertada por passinhos de criança correndo. Observei uma menininha parar diante do presépio montado junto ao altar e embevecida chamar pela mãe para também essa apreciar a beleza do presépio. Diante do Senhor e para o Senhor, refleti que a menina completava o cenário. Era como se algo faltasse a cena do presépio e aquela criancinha suprisse essa ausência. Aquela criança diante da imagem do menino Jesus no presépio, nos representava. Ali estava toda a humanidade, tal qual Deus Pai nos havia criado, com a pureza de uma criança.
Na passagem do Evangelho de Mateus, capitulo 18, versículos de 2 a 5, Jesus nos exorta a sermos como crianças,  pois só assim seremos merecedores do reino do céu. Ser como crianças para estar com Jesus na eternidade; voltar no tempo, ter atitudes infantis, ser ingênuo como uma criança?
Não. Jesus não nos pede atitudes pueris, ele pede que tenhamos alma de criança. Que sejamos como crianças na pureza de pensamentos, nos sentimentos, no despojamento, na afabilidade e por que não dizer na dependência? Como a criança depende dos pais, dependemos todos de Deus.
Se hoje em dia as crianças perdem a pureza original cada vez mais cedo, não é culpa delas, sim do ambiente que as cercam. Ao invés da partilha, são incentivadas ao individualismo; ao invés do amor, são incentivadas a desconfiança; ao contrário da concórdia, são incentivadas a competição. Daí nos transformam nos adultos que somos.
Por isso disse Jesus que só estará com ele em Seu Reino quem for puro como uma criança. Retornemos as origens, sejamos como criancinhas nos braços do Pai!     

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Boa reputação





Salomão já dizia: “bom renome vale mais que grandes riquezas; a boa reputação vale mais que ouro e prata” (Pr 22,1). Reputação é quase tudo na vida. Prestigio pessoal é o máximo para muitos; sucesso, renome, fama, celebridade. Mas isso, como tudo na vida, passa. Aí um imenso vazio se faz. A pessoa torna-se oca. Se no entanto aprofundarmos o discernimento  podemos entrever que a reputação referida por Salomão só é realmente valiosa diante de Deus, pois mais vale um pouco de prestigio junto a Deus que um grande prestigio junto aos homens.
A boa reputação na sociedade, não obstante, também tem seu valor; um bom nome é o que todos almejamos, obviamente sem que isso implique em perseguir o reconhecimento pessoal, o prestigio; essas coisas vêm naturalmente e não devemos nos envaidecer por isso. Porém, o grande tesouro, a grande riqueza é estar bem com Deus. Estar bem com Deus, ter boa reputação diante Dele é fazer Sua vontade. Obedecê-lo e ser fiel.
Um grande pecado, por certo o maior malefício que a língua humana é capaz de fazer é a difamação. Uma boa reputação, construída ao longo de anos pode ser dilacerada em questão de minutos, principalmente hoje em dia, na era das redes sociais. Cuidemo-nos para não cair nesse pecado, que por sinal é facílimo de ser cometido, basta abrir a boca, escrever ou teclar.
Quem tem Deus no coração pode até suportar a perda de reputação , mas quem não tem sucumbe, esvazia-se. Se você foi difamado, sofreu maledicências, renda-se ao Senhor, porque não importa o que as pessoas e o mundo pensem a seu respeito, vale a sua reputação com Deus. Tome para si a citação de S. Francisco de Assis: “Eu sou o que sou diante de Deus e nada mais. Isso é o que impo

sábado, 30 de novembro de 2019

Pontífice



  Durante longo tempo houve um grande esforço, em toda a Igreja, para uma renovação profunda da graça da ordenação sacerdotal no coração de todos os sacerdotes. Retiros espirituais, orações especiais pelos sacerdotes, pregações, pronunciamentos, artigos e livros escritos sobre a importância, a santidade, a grandeza e a necessidade imprescindível dos sacerdotes na vida do povo de Deus.
Sacerdotes são homens e como tal, sujeitos a tentações, quedas, ao pecado; assim, nem todos são santos, no entanto o padre é constituído para ser um bom pastor, a fim de pastorear as ovelhas que não suas, mas de Jesus. Não importa se a placa de sinalização esteja colocada sobre um pau podre ou um poste enferrujado, o importante é o sinal. Mesmo sendo homens e pecadores como todos nós, os sacerdotes são representantes de Cristo e portadores da graça sacramental.   O sacerdote no efetivo exercício de sua missão é o embaixador da corte celeste, o digno representante de Cristo. Esta autoridade foi conferida a Pedro por Jesus, e por extensão a todos os apóstolos. O Papa, sucessor em linha direta de Pedro e os Bispos, legítimos sucessores dos apóstolos delegaram esta autoridade a seus auxiliares, os presbíteros.  “Em verdade todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados, quanto pelos pecados do povo. Ninguém se aproprie desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,1-4).
Os sacerdotes prosseguem, reanimados a gastar gratuitamente suas vidas para pastorear o povo de Deus. Todo enriquecimento espiritual de cada sacerdote ocorrido ao longo do Ano Sacerdotal, ocorrerá no transbordamento de toda espécie de bênçãos para o bem de todos os católicos por eles servidos. 
                  

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Avivar ou Reavivar?



Certa vez ouvi de alguém (que certamente não pertence a nossa igreja) que estaria em oração pedindo um avivamento para a igreja católica. Essa pessoa com toda certeza desconhece os movimentos eclesiais e as novas comunidades surgidas após o Concilio Vaticano II. Talvez nem tenha sequer ouvido falar dos Cursilhos de Cristandade, dos Folcolares, e de outros movimentos comprometidos com a nova evangelização; talvez vagamente tal pessoa já tenha ouvido a respeito da RCC e da Comunidade Canção Nova, pois estes têm maior exposição. Mesmo sem levar em conta este renovar do Espírito Santo na Igreja, esse mesmo Espírito estaria “dormindo”?  Por dois mil anos a Igreja estaria estagnada?  Pensar assim é desconhecer, ou pior, talvez desconsiderar que Jesus fundamentou sua Igreja sobre rocha firme, que essa igreja mantem inalterada a sucessão apostólica e que Jesus prometeu a esses apóstolos que estaria com eles – consequentemente com a Igreja – até o fim dos tempos. Descumpriria Jesus sua palavra? Jamais. A palavra de Deus é irrevogável.
Renovar sim é necessário. Renovar, movimentar, reavivar (dar vida nova) é diferente de avivar (dar vida). Reavivar, ou seja, renovar, dar novo ímpeto à vida, avançar. Por isso a Igreja é comparada a uma grande embarcação capitaneada por Jesus, cujo timoneiro é Pedro (por conseguinte, o Papa) que navega por mares revoltos às vezes, mas sempre em frente, avançando com destemor rumo a porto seguro. Por isso a Igreja sempre viva, estará sendo constantemente renovada e conduzida pelo vento do Espírito.      
Na postagem anterior comentamos a respeito de comunidade de fé. Da importância de reunirmo-nos para partilhar nossas alegrias e também, principalmente, nossos problemas. Fora dito que haveria sustento, amparo, reconforto. Verdadeiramente há tudo isso, mas não por atributos meramente humanos. O verdadeiro, grande responsável por tudo isso é somente um: Jesus Cristo. Juntamente com Maria, os anjos e os santos de Deus nos reunimos em torno de Jesus e colocamos em prática nossa fé, abrimo-nos a ação do Espírito Santo; então a benção é derramada, a graça é alcançada e os milagres acontecem. Isso é consequência de uma igreja viva, atuante. Isso acontece nas Celebrações Eucarísticas, nos grupos de oração dos diversos movimentos, nas comunidades de base, nas reuniões de partilha e nos círculos bíblicos, enfim, em diversos movimentos, comunidades e pastorais da Igreja. É ou não uma Igreja viva? Certamente sim!


sábado, 16 de novembro de 2019

Tarde chuvosa no campo



Nada mais antiestressante que um dia no campo. Mesmo nos arredores das grandes cidades, na zona rural ainda existem refúgios de tranquilidade. Sítios e chácaras onde se pode descansar e apreciar a natureza; ouvir o canto dos pássaros, o mugir do gado, o sibilar do vento agitando a copa do arvoredo. Aí, mesmo próximo à metrópole, às construções humanas, podemos observar belíssimos por de Sol sobre os outeiros cobertos de mata verdejante. Assim contemplando o belo, louvamos ao Criador pelo esplendor de Sua obra.
Mas em dias de chuva? Quando numa tarde chuvosa somos obrigados a ficar portas adentro, impedidos de caminhar pelas trilhas e veredas, pois tudo se torna enlameado. Quando, enclausurados sem o que fazer, só nos resta olhar pela janela e apreciar a... chuva! Sim, apreciar a chuva. Já notaram como é diferente o chover na cidade e na roça? Na roça a chuva é benfazeja. A chuva molha o chão, nutre as raízes das plantas, reaviva as lavouras ressequidas, irriga as plantações.  Na cidade, argh! Que chuvinha chata; hoje não vai dar praia...
Contudo, a chuva como tudo na natureza também é obra Divina, como cita a Palavra quando Deus responde ao lamento de Jó: “Quem abre um canal para os aguaceiros e uma rota para os relâmpagos, para fazer chover sobre uma terra desabitada, sobre um deserto sem seres humanos, para regar regiões vastas e desoladas, para nelas fazer germinar a erva verdejante?” (Jó 38,25-27). Portando, no campo ou na cidade, Deus seja louvado pela chuva que cai, pois se ela não serve para regar cimento e asfalto, é refrigério no calor da cidade grande.
Nesse aspecto, em nossa vida intima, em nosso interior, é mais ou menos desse jeito. Ora um belo dia ensolarado, ora uma tarde chuvosa no campo. Quando tudo vai bem para nós é como um dia de lazer num sitio cercado de verde. Quando as coisas não vão tão bem como gostaríamos é como um aguaceiro que cai, frustrando nossas expectativas. Mesmo que nossos dias estejam nebulosos e chuvosos, lembremos que chuva faz germinar e/ou refrigera. Depois da tempestade vem a bonança; se hoje você vive uma tarde chuvosa, saiba que amanhã o sol irá brilhar e que o panorama que você vislumbrará será bem mais bonito; a vegetação estará mais viçosa, o verde mais verde.  
Quando Jesus vive em nosso coração, se caminhamos no Espírito Santo, se louvamos em toda circunstância, mesmo em dias chuvosos e nevoentos olhamos pela janela da alma e conseguimos enxergar a beleza da vida.


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Rio Enluarado



“Moon river, wider than a mile...” Assim começa uma belíssima canção americana. Esta canção remete a minha juventude. Eu era bem jovem, jovenzinho mesmo, pós-adolescente. Retornava de Jacareí (interior paulista) para o Rio de Janeiro, após um fim de semana com direito a baile no clube da cidade e namorico na praça.
Embarcaríamos pela manhã na litorina, trem de luxo com um único vagão que fazia o trajeto Rio-S. Paulo. Mas como a noite fora agitada, eu e os companheiros (éramos três) perdemos a litorina e “por castigo” viajaríamos à noite no trenzinho de madeira (bendito castigo!). Foi uma viagem linda. Sabe aquele trem antigo que tinha um pequeno alpendre no último vagão? Era um desses. Num dado momento deixei os amigos e fui para a varandinha do trem, justo quando ele margeava o rio Paraíba do Sul  naquela bucólica noite de lua cheia. O luar refletido nas águas plácidas do rio proporcionava um belo cenário. Lembrei-me da música; “moom river...etc...etc...” cantarolava baixinho no meu inglês arrevesado. Sentia-me o próprio Tom Sawyer apreciando o luar sobre o Mississipi (Esse era o tema da canção). Veio-me à memória a noite anterior; a garota da praça, os rodopios no salão de baile e um sentimento bom, uma ternura imensa tomou meu coração. Assim prosseguiu a viagem, no balanço e no barulho característico do trem. Eu com um sentimento misto de precoce nostalgia (o fim de semana recente) e a alegria de estar voltando para casa.
O que tem isso a ver com minha realidade hoje? Muito. Boas lembranças nos fazem bem. O relato da viagem não é nostálgico como parece, serve como referência. Boas lembranças nos fazem bem e só sentimos saudades do que foi bom. Boas lembranças guardamos e as recordamos ternamente e até nostalgicamente, porque não? Más lembranças procuramos esquecer e se não for possível, ao menos podemos impedir que elas permeiem nossos sentimentos. Boas coisas do passado guardemos com alegria no coração. Coisas não tão boas, expurguemos e como não podemos deletá-las da memória, que fiquem à margem; que migrem para o subconsciente e lá permaneçam.
Assim funciona a cura interior; viver os bons momentos e esquecer os males. Curtir de maneira saudável, não doentia, as recordações do passado e que as más recordações deixem de povoar nossa mente e de influenciar nosso emocional. Sabemos que por nossa própria força e vontade não é fácil, digo até impossível. Mas temos em nós o Espírito Santo a ampliar nossa força de vontade e aí tudo se torna possível. Se eu quero e peço, Jesus com a força do alto, o Espírito Santo, vem nos restaurar a alegria perdida, traz a tona as boas lembranças e joga pra longe o que não presta. Somos mais felizes na medida em que nos lembramos das coisas boas do passado. Se isso nos alegra, por certo Jesus há de resgata-las para nós. O luar (carinho e amor de Deus por nós) brilhará sobre o rio de água viva que brota do coração daqueles que se entregam a Jesus.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Família geradora de vida



Fomos criados e existimos como pessoas porque nos comunicamos uns com os outros. Temos mente, coração, voz, para nos relacionarmos entre si. Somos seres sociais e como tal, nascemos para viver em comunidade. E a primeira comunidade, formadora de nossos valores, é a família.
Deus nos criou homem e mulher para juntos povoarmos a terra: “Deus criou o homem à sua imagem; criou o homem e a mulher. Deus os abençoou; frutificai – disse ele – e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn1, 27-28a). O matrimônio, união física e sentimental entre homem e mulher formando um casal, é o inicio de uma nova família: “Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24). Assim começa uma nova família, família idealizada por Deus e aceita de modo natural e incutida em nós ao longo do tempo e da história da civilização. Não há outro meio de ser família, mesmo que alguns tentem perverter a moral desvirtuando o conceito básico de família. A estrutura familiar começa assim desde sempre.
A família é por natureza e vocação, geradora de vida. Não só de vida biológica, mas também de vida espiritual. No seio da família os valores da vida cristã (para os cristãos naturalmente) são formados. Da união carnal de nossos pais nascemos para a vida material, mas da união fraterna, do testemunho de amor, do ensino continuado por ações e por palavras, somos formados para a convivência com outros seres humanos. Da união do “eros com o filos” somos o que somos. Mas quando se soma o “ágape” nos tornamos ainda melhores. Quando junto à ética e moral universalmente aceitas para a convivência salutar, se junta a ética e moral cristã através dos ensinamentos bíblicos e catequéticos, nos tornamos cidadãos melhores.  Quando filhos são gerados e criados no amor, preparados para a vida e educados na fé, não são criados para o mundo, são criados para Deus.
No entanto, nos tempos modernos a família é aviltada, ignorada. O conceito de família é deturpado. Fala-se em “novas famílias”, “casais modernos”, “casamento aberto”, tudo isso para justificar conceitos modernosos onde se diz que casamentos e famílias tradicionais são instituições falidas. Como falidas se são idealizações de Deus? Deus é perfeitissimo, infalível, irrefutável!
Na sociedade erotizada de hoje busca-se tão somente a satisfação pessoal em detrimento do sentimento e do anseio do outro; amor é a posse transitória do corpo do parceiro. Existe uma cultura que deturpa o relacionamento homem-mulher. A maioria dos relacionamentos são vazios, desprovidos de afetividade e ternura e que duram somente enquanto houver atração física. Não tem mais “sex-appeal” não tem mais amor; o tempo passou, a beleza se foi, o amor também.  São relacionamentos egoístas, onde não se enxerga o outro como um ser amado, respeitado, contemplado no sentido amplo do que seja contemplação; mas sim como mero objeto a ser usado e descartado. Usou, enjoou, jogou fora. Daí a família aviltada, deturpada, vilipendiada.
Existem organizações e institutos, a grande mídia divulga, que lutam pela preservação das baleias, das florestas, do meio ambiente, dos direito humanos, entre outros. A mídia divulga e enaltece. Mas quando se trata de preservar os valores morais, a família tal qual ela é, a ética e a verdade milenar, as grandes e poderosas organizações midiáticas se omitem ou, pior, não poucas vezes atacam e denigrem aqueles que defendem tais valores, particularmente à Igreja. É a inversão dos valores, o certo pelo errado, a aversão pela intolerância e por aí vai. Se somos contra a promiscuidade sexual, somos retrógrados, temos pensamentos arcaicos, ainda estamos no século passado; se não aceitamos o homossexualismo, somos homofóbicos, intolerantes; se lutamos contra as drogas, somos caretas e antiquados. O que chamam de retroação, intolerância, fobias, caretice, é na verdade coragem. Coragem de nadar contra a corrente, de enfrentar as mentiras e ciladas de gente sem escrúpulos que querem a todo custo impor sua vontade usando de maneira vil e covarde, pessoas muitas vezes carente e sofridas, como massa de manobra.  Deus nunca dorme, mas Satanás descansa e até tira férias, pois tem quem aqui trabalhe por ele.      
Sejamos defensores dos valores universalmente aceitos e incutidos desde o inicio na memória subjetiva da humanidade. Sejamos defensores principalmente daquilo que aprendemos desde nossa infância de nossos pais, professores, catequistas: a convivência fraterna; a aceitação do diferente, mesmo que não concordemos com o fator de diferença; o diálogo franco e cordial, num debate de ideias e não de posições; enfim, sejamos educados como nos formaram nossos pais, na primeira sociedade, na comunidade primária, onde fomos gerados para a vida e para Deus: a família.
(Carlos Nunes)



sábado, 26 de outubro de 2019

Jesus Cristo é o Senhor



A Bíblia na carta de São Paulo aos Filipenses, capitulo 2, versículos de 5 ao 11 nos relata: “ Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos. Toda língua proclame para a glória de Deus Pai que Jesus Cristo é o Senhor.” Deus o exaltou soberanamente, ou seja, de forma total e conclusiva, tornando-o superior a todos os nomes, e sabendo o que significava para o povo judeu a importância do nome, o qual representava a própria pessoa, podemos afirmar que há de chegar o dia em que todos os homens estarão curvados diante de Jesus, ou mesmo ao ser simplesmente pronunciado o seu nome.
Estamos voltando do congresso nacional da Renovação Carismática Católica, na cidade de Cachoeira paulista, estado de São Paulo, precisamente, da Canção Nova, cujo tema foi Jesus Cristo é o Senhor. Atentem: Jesus Cristo é o Senhor, não simplesmente senhor; Ele é O SENHOR! Isto é significativo, pois o artigo definido “o”, indica que Ele é único. Único senhor de nossa vida. Da minha vida, da sua vida, da nossa vida. Senhor de todos os senhores. Senhor divino e eterno, superior a todo senhor temporal.
Sendo de condição divina disso não se prevaleceu, fazendo-se como nós. Desceu de seu trono de glória, porém sem perder majestade e poder. Atemporal, enclausurou-se no tempo; imortal como Deus, submeteu-se a morte, morte cruenta e humilhante, morte no pior instrumento de suplicio de seu tempo, morte na cruz. Venceu a morte, pois Jesus é Senhor da vida, é a própria vida. Ao morrer na cruz nos lavou das iniquidades e nos oferece a salvação; ao ressuscitar nos abriu as portas do céu, dando-nos a esperança da eternidade.
Jesus é um com o Pai e o Espírito Santo, é Deus. E do alto dos céus com o Pai nos dá o seu Espírito, pois somente sob ação do Espírito Santo podemos proclamar verdadeiramente que Jesus Cristo é o Senhor. Sem o Espírito Santo, ou seja, carnalmente podemos até dizer que Jesus é Senhor, mas dessa forma só dizemos. No Espírito, porém, não só dizemos, na verdade vivemos, assumimos o senhorio de Jesus em nossa vida. E assumir o senhorio é submeter-se à vontade, obedecer ao senhor, segui-lo, imitá-lo. É fazer aquilo que ele quer. O que Deus quer e espera de nós é que nos abramos a ação do Espírito Santo e segundo a sua vontade, sigamos Jesus, caminho verdade e vida, obedecendo em tudo, vivendo o evangelho pleno, apossando-se da Palavra de cura, libertação, salvação, sem no entanto esquecer-se das cruzes. O próprio Jesus para alcançar a glória eterna passou pela transitoriedade da cruz.


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

NOITE VAZIA



Conheço pessoas que segundo elas próprias, só funcionam à noite. Na verdade esses notívagos são insones, em grande maioria devido a preocupações, problemas insolúveis, questões existenciais. Não conseguem dormir a noite, passam o dia sonolentos e portanto, indispostos para os afazeres cotidianos, dessa forma tornando-se improdutivos durante o dia. Alguns de maneira pragmática aproveitam a insônia para por em ordem as tarefas pendentes, já que à noite lhes é propicia ao trabalho, devido à falta de sono – aparentemente estão mais bem dispostos. Só conseguem dormir pouquíssimas horas na madrugada e pensam que necessitam somente desse breve período de sono.  
Outros tantos não têm nada a fazer e passam a noite num imenso vazio. Não rendem o suficiente durante o dia, não trabalham à noite, não dormem. Veem TV, ouvem rádio, leem, navegam na web; tudo de modo disperso, sem atenção, como verdadeiros autômatos. Noite vazia, coração vazio, mas mente cheia. Cheia de pensamentos vãos, fuga da realidade, pensamentos mórbidos. São pessoas pessimistas, irritadiças, irascíveis; enfim, sofridas e mal humoradas.
Trabalho noturno é normal em alguns casos: plantões médicos e policiais, turnos em fábricas, vigilância, etc. Porém nos casos acima, ambos não vivem situação normal, carecem de tratamento médico e indo além, necessitam de muita oração, principalmente aqueles que passam a noite num grande vazio existencial. Esse oco só pode ser preenchido pelo Espírito Santo. Espírito Santo que vivifica, reanima, que ilumina, norteia, que conduz, dirige a vida daqueles que a Ele se entregam e se deixam guiar.
Caríssimo(a), se você se encontra nessa situação e não procurou assistência médica, não deixe de fazê-lo. Mas também procure assistência espiritual, buscando um grupo de oração, buscando o sacramento da penitencia/reconciliação e fazendo uma boa confissão. A oração de cura interior é de grande eficácia; tanto quanto, ou mais, que as pílulas para dormir. Sabemos que os problemas ditos insolúveis, não são tão insolúveis assim; tudo tem solução. Pode não ter para nós, mas para Deus tudo é possível! As preocupações deixarão de existir, pois com o auxilio prestimoso do Espírito Santo tudo será posto em seu lugar no devido tempo. Quanto a questões existenciais, Deus dá sentido à vida quando a Jesus, guiados pelo Espírito Santo, nos entregamos. 
Não haja mais noites vazias; que elas sejam plenas da presença de Deus num sono suave e restaurador. Que seja assim. 


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Jesus é nossa paz



“Pedi, vós todos, a paz para Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. Reine a paz em teus muros e a tranquilidade em teus palácios. Por amor de meus irmãos e meus amigos pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade.” (Sl 121,6-9).
Frente à pergunta: o que mais desejam, a resposta predominante é paz. Paz no mundo, paz na cidade, paz no bairro, paz na família. No entanto, essa paz não depende exclusivamente de cada um em si. Depende da coletividade, da sociedade, dos governos. Porem, a paz interior, essa depende de cada um de nós, com o auxilio inestimável do Espírito Santo.
Quando se está em paz (consigo mesmo), quando a consciência está tranquila, quando a alma esta lavada, tudo suportamos. Isso não significa isolamento, alienação; como cristãos nos preocupamos com o irmão, com o próximo. Assim, a falta de paz no mundo nos mobiliza na medida da nossa misericórdia.
Disse Jesus: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não a dou com o mundo dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14,27). Eis a verdadeira paz. Quantos de nós buscamos a felicidade e a paz nas coisas exteriores, na posse de bens materiais, no ter, no poder; esquecemo-nos que a verdadeira paz vem de dentro para fora, não de fora para dentro. A verdadeira paz nos é infundida no coração por Jesus, via Espírito Santo.
Deus nos oferece sua Paz. Cabe a nós desejá-la, aceitá-la. Abrir o coração e deixar-se inundar pela paz, pela luz, pelo amor. A paz do Senhor Jesus esteja e permaneça sempre em nós.