sexta-feira, 26 de julho de 2019

Veni Creator Spiritus



O “Veni Creator” é um hino da Igreja Católica, em honra ao Espírito Santo. Desde que foi composto, no século IX, esse texto litúrgico nunca deixou de ser ressoado na Igreja em momentos importantes, sobretudo na festa de pentecostes. Foi com essa oração solene que o Papa Leão XIII consagrou o século XX a terceira pessoa da Santíssima Trindade, mesmo século em que surgiu no mundo a Renovação Carismática Católica. Por isso, essa é uma oração de grande significado para a RCC. Clamemos juntos sem cessar: Veni, Creator Spiritus! Vem, Espírito Criador!


Vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os corações com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o intercessor de Deus excelso, o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons e sois poder nas mão do Pai; Por ele prometido a nós; por nós seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz; se pela graça nos guiai, o mal deixamos para trás.
Ao pai e ao Filho Salvador por vós possamos conhecer que procedeis do seu amor, fazei-nos sempre firmes crer. Amém.


sábado, 20 de julho de 2019

Imagens Sagradas




As imagens nos mostram onde Deus agiu.


Êxodo 20,3-5: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, do que há debaixo da terra, ou nas águas, sob a terra. Não as adorarás nem lhes prestará culto”.
Êxodo 25,18-19: “Farás dois querubins de ouro; os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um ao lado do outro, fixando-os para formar uma só peça com a extremidade da tampa”.
Números 21,8: “O senhor disse a Moisés: faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela conservará a vida”.
Ops! Deus se contradiz? Não, Deus não é homem para mentir nem ter duas palavras. São contextos diferentes, situações muito, muito, distintas. Só não entendem os textos quem é falho de raciocínio ou analfabeto funcional, ou – pior – é mal intencionado, pois entendendo perfeitamente os textos, deliberadamente interpreta erroneamente e assim os ensina. A ordem de Deus é clara: Não terás outros (falsos) deuses diante de minha face. Deus falava ao povo, da arca da aliança, sentado sobre os querubins (Ex 25,22). A serpente de bronze é prefiguração do próprio Cristo.
Quem de sã consciência pode dizer que viu nos templos católicos imagens de deuses? O que se vê são esculturas e pinturas que retratam homens e mulheres cujas vidas foram pautadas por fé inabalável, submetidas ao sofrimento a até ao martírio de sangue em defesa da fé em Cristo Jesus. Gente como nós, cujo exemplo e testemunho de fé devem ser seguidos. Nossa doutrina ensina que logo após a morte vem o julgamento (juízo particular) e aqueles se encontram certamente nos braços do Pai. “Vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. Foi lhes dado vestes brancas e foi dito que aguardassem um pouco mais, até que se completasse o número dos companheiros mártires”. (Apocalipse 6,9-11) – “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua; conservavam-se de pé diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas nas mãos. Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu templo. Aquele assentado no trono os abrigará em sua tenda”. (Ap 7,9.14-15).
Estão ou não na glória? Ninguém está em estado cataléptico aguardando o juízo final. Já foram julgados pelo Justo Juiz e encontraram graça diante do Altíssimo. O juízo final ocorrerá na parusia de Jesus, quando os que estiverem sobre a face da terra serão arrebatados ao céu ou lançados ao fogo do inferno.
“As imagens do culto católico não são de ídolos; não são feitas para serem adoradas. São veneradas com carinho para recordar o próprio Jesus Cristo, sua mãe, ou alguém que o seguiu de forma extraordinária, a quem chamamos de santos. Com as imagens, relembramos seus feitos, seus ensinamentos. Os fiéis têm por elas veneração, isto é, respeito, admiração, consideração. – O mesmo respeito que têm pela fotografia de uma pessoa que lhes é querida”. Estas são palavras de D. Murilo Krieger, bispo, autoridade eclesial, sendo, portanto voz da Igreja. Imagens nos mostram onde Deus agiu.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Uma fé viva vence a superstição



Vi ou ouvi, não lembro quando, a frase: quando a chama da fé enfraquece, acende a lâmpada da superstição. Fé é a iluminação interior que nos faz crer naquilo que não vemos e/ou ainda não aconteceu. Superstição é crendice, ideia falsa a respeito do sobrenatural. Pela fé, nós cristãos cremos e aceitamos a encarnação da Palavra Viva, Jesus; também pela fé cremos que sua morte de cruz é penhor de salvação para todos; cremos na sua ascensão aos céus e no seu retorno. Ainda pela fé, nós católicos acreditamos na presença real de Jesus na Eucaristia. Portanto, Jesus e seu sacrifício salvífico são o centro da fé cristã.  
Nós católicos cremos também na intercessão dos santos e dos anjos, mas isso não invalida a premissa de que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Isso porque essa intercessão passa por Jesus, ou seja, é efetuada em nome e através de Jesus; de outra forma seria ineficaz, na realidade impossível. Jesus é a ponte que faz chegar ao Pai a súplica dos intercessores, sejam os santos no céu ou nós na terra.
Aqui está de maneira super resumida o âmago da nossa fé. Não é questão dogmática nem doutrinária, é pura e simplesmente questão fundamental da fé cristã. O que estiver fora disso intrinsicamente é contrário aos ensinamentos da Igreja.
A superstição onde entra? Já mencionamos aqui a respeito dos folhetos contendo correntes de oração, novenas às almas aflitas, orações (ditas) poderosas – não de intercessão, mas de atuação efetiva de santos populares – deixadas na matriz paroquial. Quando as encontro, rasgo-as e jogo no lixo. Certa vez ao fazer isso, fui interpelado por alguém que deixara tais correntes; com paciência e afabilidade, apesar de certo destempero inicial da pessoa, expliquei-lhe que aquilo não era o modo adequado de culto, aproveitando a ocasião para anunciar o querigma. Tal pessoa acalmou-se, ouvindo com atenção a explanação que culminou numa catequese básica.  
Por que relato este episódio? Porque muitas pessoas não conhecem sequer o básico, os fundamentos da fé.  Sua fé é fraca, incipiente; não há luz suficiente, apenas um lusco fusco. Aí então, como diz o ditado, a lâmpada da superstição se acende e acende forte. O tipo de superstição comentado é apenas o mais leve. Há piores, totalmente contrários à doutrina da Igreja, tais como a crença em horóscopos, benzedeiras, quiromancia, cristais energéticos, sem citar as falsas doutrinas.
Amados irmãos e irmãs, nos esforcemos para aprender ao menos o mínimo necessário para professar a nossa fé com autoridade e segurança. Sejamos íntimos da Palavra de Deus na leitura diária da Bíblia, aumentando assim a intensidade da fé; consultemos regularmente o CIC (Catecismo da Igreja Católica) para conhecer melhor o que nos ensina a Igreja a respeito dos dogmas e da escritura sagrada.   Assim a chama da fé é intensamente aumentada, iluminando mais e mais nosso coração, nossa mente, e apagando de vez a lâmpada da superstição.


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Miserere



Ouvi gente dizendo que o terremoto  acontecido no Haiti foi castigo de Deus. Entre outras bobagens, o que chamou mais atenção foi a suposição de que a prática do vodu tenha sido o motivo da tragédia. Deus todo poderoso teria castigado os pagãos! Como vimos anteriormente, Deus não castiga ninguém.
Cataclismos acontecem; as forças da natureza são incontroláveis. Porém as consequências, a dimensão das tragédias são responsabilidade humana. O homem ainda não encontrou, apesar de toda ciência e tecnologia disponíveis, meios de controlar os fenômenos meteorológicos e atmosféricos, ou seja, não conseguimos controlar a natureza. Mas ainda assim, o grande responsável pelos desastres naturais é o homem. O homem desmata, assoreia cursos d’água, aplaina elevações, causa erosão. Construímos onde não se deve; em encostas instáveis, em várzeas de rios, no sopé de vulcões. Cidades são erigidas sobre falhas geológicas notadamente conhecidas.
E no caso do Haiti? Sem minimizar o poder destrutivo do terremoto, o grande fator que potencializou a tragédia haitiana é a miséria. No inicio do século vinte os americanos ocuparam o Haiti. Defendendo seus interesses, preocuparam-se apenas com o aspecto geopolítico; o povo haitiano...  bem, o povo haitiano que se lixasse... são negros, pobres, incultos... Pobre Haiti: explorado pelos colonizadores franceses, explorados como mão de obra barata pelos americanos, explorados pelos compatriotas da dinastia “Doc” e seus “tonton macoutes”. Se o país tivesse infra-estrutura, instituições operantes, uma defesa civil organizada, por certo a dimensão da catástrofe seria bem menor.
Não, o terremoto não foi castigo de Deus.  Mas as consequências foram resultado do pecado. Não o pecado do sempre sofrido povo do Haiti, mas o pecado do resto do mundo. Mundo que gasta bilhões de dólares, euros, iens, em pesquisas inúteis, dispende fortunas em armamentos, em guerras sem sentido e ignora povos que vivem em situação de miséria extrema. O responsável pela tragédia haitiana não foi Deus. Fomos nós.    
 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

OS DOIS CAMINHOS



“Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores.
Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite.
Ele é como a árvore plantada na margem das correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende prospera.
Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva.
Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembléia dos justos.
Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.”(Salmo 1)
Eis nesse salmo a inevitável dicotomia bem e mal, pecado e virtude, justiça e iniquidade. Nossa vida se apresenta assim mesmo, ser ou não ser, ir ou não ir. Nossa vida é feita de escolhas e dependendo da opção feita, caminhamos firme ou tropeçamos. Assim sendo, é como se diante de nós se apresentassem duas estradas, dois caminhos a seguir. Ninguém, nem Deus nos obriga a ir por essa ou aquela, somos livres para escolher nosso caminho e a opção feita é inteiramente responsabilidade nossa. Somos livres até mesmo para errar; até para pecar, se bem que ao escolher o pecado nos tornamos escravos dele.
As estradas propostas são divergentes e levam a destinos longínquos entre si. Uma conduz a porta estreita, outra ao caminho largo da perdição. (cf. Mt 7,13-14). Ao longo da jornada estes caminhos se interligam; é possível passar de um a outro a qualquer tempo.  Se escolhemos o caminho errado, percebemos o erro e resolvemos mudar,   podemos tomar a trilha que leva ao outro caminho e desta vez na estrada certa continuar a caminhada. Por outro lado, ao estar no rumo certo, nos momento de indecisão, dúvida, ou abalos, não poucos enveredam por outros caminhos e acabam se dirigindo a perdição.
Portanto, enquanto caminhamos não temos certeza de nada. Assim, por nossos méritos nada podemos afirmar a respeito de salvação ou condenação. A certeza da salvação não existe enquanto não se chega ao fim do caminho, até porque a pretensa certeza da salvação por si só é um grande perigo, pois essa pretensão leva ao descuido e isso é causa de queda para muitos (Orar e vigiar...). Da mesma forma jamais podemos dizer que este ou aquele está irremediavelmente perdido, pois a conversão pode ocorrer no último instante e só Deus sonda e conhece os corações (Ainda hoje estarás comigo no paraíso...).
Sendo assim se quisermos prosseguir no rumo que leva à porta estreita, caminho difícil e muitas vezes pedregoso, cheio de dificuldades, não podemos fazê-lo sozinhos; esse caminhar só é possível de mãos dadas com Jesus, guiados pelo Espírito Santo rumo ao Pai. Sós, a estrada se nos apresenta tortuosa e com montanhas que nos parecem intransponíveis; com Jesus a estrada se apresenta reta e os montes são aplainados, toda dificuldade do caminho se extingue e o caminhar se faz com alegria, pois o Senhor vela pelo nosso caminho. 


sexta-feira, 21 de junho de 2019

Denúncia-Causa de perseguições



O texto a seguir é a sinopse de uma pregação baseada na pericope Os 9,7-9 (livro do profeta Oséias).
Israel é o povo escolhido. Eleito por Deus para ser seu povo. A eleição de um povo por Deus não é privilégio; é responsabilidade, exigência, compromisso, e por conseguinte, passível de cobranças.
Deus escolheu seu povo, povo amado, mas esse povo virou-lhe as costas , desobedecendo, sendo infiel adorando outros (falsos) deuses. Como muitas vezes nós fazemos. Nossa infidelidade consiste em ouvir e seguir maus conselhos; prestar ouvidos aos clamores sedutores do mundo que nos rodeia. Ambiente corrompido pela concupiscência humana exacerbada pelas forças do mal.
Na verdade o anunciado no texto de Oséias não é uma ameaça de castigo, uma punição, e sim a denuncia de situações de pecado – pecado não só pessoal, mas também pecado social – com as inevitáveis consequências.  As palavras, duras que sejam, são palavras de amor, pois quem ama educa, adverte, corrige.
Santo Agostinho cita: “Não imponha a verdade sem caridade; mas, por outro lado, não sacrifique a verdade em nome da caridade”. Ou seja, o profeta deve anunciar, mas tem o dever de denunciar. Anunciar a boa nova, mas também apontar o pecado do povo de Deus. Apesar de não sermos profetas de desventuras e sim anunciadores da esperança, não podemos fazer vistas grossas ao mal que nos cerca. Citando outro santo, São João Eudes que viveu no século XVII: “Quando pregares usa as armas poderosas da Palavra de Deus para combater, destruir e esmagar o pecado; mas quando encontrares com o pecador, fala-lhe com bondade, benignidade, paciência e caridade”.
Contudo, conhecemos pregadores que gostam de adular seus ouvintes e evitam exortá-los. Pregam aquilo que o povo gosta de ouvir e não aquilo que precisam ouvir. Quando o Senhor os inspira oferecendo um pote de mel para adoçar a boca do seu povo esses pregadores abraçam com sofreguidão. Porém quando lhes é oferecido um chicote, eles não aceitam; costumam dizer que não é seu estilo de pregação.
Vivemos numa sociedade que deseja cada vez mais uma vida sem limites, sem renuncias, sem preceitos e claro, sem proibições. Por isso quando denunciamos somos perseguidos. Por isso a Igreja de Cristo é vilmente caluniada, seus ministros aviltados e achincalhados. Leviandade e falácias são levantadas contra aqueles que denunciam e apontam o pecado, principalmente os pecados sociais. Sofrem perseguições como os profetas do Antigo Testamento, que ainda tinham contra si os falsos profetas de benesses.
Já dissemos, não somos profetas de desventuras nem desgraças, mas anunciadores do evangelho e da esperança; mesmo que para isso tenhamos que exortar severamente, como pais a educar e corrigir os filhos: “Logo que escutares um oráculo saindo de minha boca, tu lho transmitirás da minha parte. Se digo ao malévolo que ele vai morrer,   e tu não lhe falas para pô-lo de sobreaviso devido a seu mal proceder, de modo que ele possa    viver, ele há de perecer por causa de seu delito, mas é a ti que pedirei conta de seu sangue.  Contudo, se depois de advertido por ti, não se corrigir da malicia e perversidade, ele perecerá por causa de seu pecado, enquanto tu hás de salvar tua vida” (Ezequiel 3,18-19). Como vimos, é questão de obediência e sobrevivência. Queremos viver a eternidade em Cristo, por isso devemos ser obedientes mesmo correndo o risco da perseguição dos falsos profetas e dos ateus.
Esta profecia nos foi dada: “Eu sou a tua verdade. Tu que andas perdido. Tu que vagueias em ziguezague pelos caminhos que o mundo te oferece , saiba, há um único caminho: aquele que tracei e aponto. Vinde comigo. Eu sou a tua verdade”. Sigamos Jesus, verdadeiro mestre e Senhor. Assim seja.
(Carlos Nunes)


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Viver pra mim é Cristo



O filósofo chinês Confúcio (sec. V A.C) deixou um aforismo que nos faz refletir: “Quando nascestes todos riam só tu choravas. Viva de tal modo que quando morreres  todos chorem, só tu rias”. Como o pensamento de um filósofo pagão pode ser aplicado a minha vida, sendo eu cristão? Pode sim ser aplicado, pois apesar de cristãos, não devemos ser fideístas extremados. No mais, este pensamento não fere nem interfere negativamente na doutrina cristã.
Como rir com, ou diante da própria morte? Se vivemos em Cristo, em Cristo e com Cristo morremos, é motivo mais que suficiente para não temer a morte e passar para a vida eterna em paz, na certeza da plenitude na companhia dos santos e dos anjos, da contemplação da face de Deus. 
Viver de tal modo que ao morrer todos chorem, só tu rias... Rir, sorrir, enfim alegrar-se, não temer. O cristão autêntico não teme a morte, pois crê na vida eterna, na ressurreição. Cristo ressuscitou, ascendeu ao Pai e há de voltar para resgatar os seus. Neste dia que há de vir não sabemos quando, mas virá, todos serão contemplados; os vivos sobre a terra terão seus corpos transformados e as almas dos que se foram, ressuscitarão num corpo incorruptível. Uns para a glória, outros para a condenação. Esta é a nossa fé.  Se vivermos de modo a conquistar a glória eterna, não teremos o que temer.
Jesus Cristo morreu, ressuscitou, subiu aos céus. Morreu morte de cruz para que pudéssemos viver, ressuscitou para nos dar vida eterna, e na ascensão nos abriu as portas do paraíso. Isto Jesus fez por nós; é promessa de Deus para nós a vida eterna com Ele na Glória. É nosso direito, mas não podemos afirmar que é garantido. Por parte Dele por certo, mas de nossa parte nem tanto. O céu é direito nosso, nos espera, mas temos que conquistá-lo. Se vivermos de modo a conquistar... Está escrito acima. Então o que fazer? Aquilo que Jesus Cristo nos pede, ou seja: amar a Deus sobre tudo; amar ao próximo como a si mesmo; respeitar o outro, ainda que esse outro seja diferente de você; perdoar sempre; fazer o nome de Jesus conhecido e amado. Em suma, vivenciar as virtudes teologais: fé, esperança e amor.
Em outra oportunidade dissemos que cristão é alguém que imita Cristo e por extensão aqueles que no lo apresentaram: Maria, os Apóstolos, os Santos. Se quisermos viver conforme a palavra, os ensinamentos de Cristo, os mandamentos de Deus, imitemos aqueles que doaram suas vidas, alguns literalmente, pela causa do Evangelho. Possamos realmente dizer como São Paulo Apóstolo: “Não sou mais eu que vivo, mas cristo que vive em mim”. (Gl 2,20) E ainda: “Viver para mim é Cristo, morrer para mim é ganho” (Fl 1,21).  Imitemos pois aqueles por cujas virtudes valem ser imitados.



sábado, 8 de junho de 2019

Pentecostes



Era noite da festa judaica de pentecostes, o quinquagésimo dia após a páscoa em que se comemorava o dia da colheita. Estavam os discípulos de Jesus reunidos com Maria no cenáculo, em oração, quando repentinamente soprou um vento impetuoso e do alto desceram como que línguas de fogo que se repartiram e repousaram sobre os presentes; todos começaram então a orar ruidosamente e falar em línguas estranhas. Este relato descreve o derramamento do Espírito Santo prometido por Jesus Cristo momentos antes de sua gloriosa ascensão (cf. At 2,1-4).
A noite-madrugada de pentecostes é também o nascimento da Igreja. Igreja planejada no coração do Pai desde o principio do tempo e configurada no povo hebreu peregrino no deserto em busca da terra prometida. Igreja concebida na cruz pelo sangue de Cristo e revelada ao mundo quando inicia sua jornada missionária na manhã de pentecostes. Para a Renovação Carismática Católica é um dia especial. Especial porque além do inicio da missão da Igreja, é também a primeira manifestação publica dos carismas extraordinários do Espírito. Ou seja, podemos também dizer que pentecostes foi o primeiro grupo de oração carismático. Não há como negar, a Igreja nasceu carismática! A Igreja foi, é e sempre será carismática por vontade de Deus Pai, pelo nome de Jesus e pela ação continua do Espírito Santo.
Deus sustenta essa Igreja em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo. Igreja Santa e pecadora. Santa enquanto Divina governada pelo Espírito Santo; pecadora enquanto humana, formada por homens e mulheres imperfeitos. Mas apesar de nossa imperfeição e tibieza, temos (aqueles que se abrem à sua ação) a assistência do Espírito Divino que nos conduz ao caminho da santidade: Jesus Cristo, mediador junto ao Pai Eterno.
A Igreja, hoje achincalhada, agredida, atacada devido a atitudes erradas de alguns de seus membros é apesar de tudo, eterna.  Peregrina nesta terra, imperfeita como o povo peregrino no deserto a murmurar e pecar contra Deus, mas peregrina sempre e buscando (insisto: os que se abrem à ação do Espírito Santo e se deixam governar por Ele) a conversão e a consequente santidade. Peregrina e militante nesse mundo, mas eterna e gloriosa no alto dos céus, onde estão as almas que concluíram a jornada e lograram cruzar o Jordão. A Jerusalém Celeste do Apocalipse com as doze portas, as doze tribos de Israel, os doze apóstolos que desde pentecostes perpetualizam a Santa Igreja Católica.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O Capitão



Eu gosto de contar histórias, elas enriquecem uma pregação; aliás, isso fazia parte da pedagogia de Jesus: Ele gostava de ensinar através de parábolas. – Eis a história:
            Um barco, um grande navio repleto de passageiros navegava placidamente em alto mar, quando repentinamente foi atingido por uma violenta tempestade. Os passageiros em pânico rezavam, gritavam, desesperavam-se. Num canto, uma pequena menina brincava tranqüilamente, sem se incomodar com a tormenta nem com os demais passageiros. Um homem inconformado com a calma daquela criança, interpelou-a: Menininha, você não teme a tempestade? – Não. – Mas o navio vai afundar, todos vamos morrer. – Não, não vai acontecer isso não. – Porque tanta certeza? – Meu pai é o capitão deste navio!
            A garotinha confiava inteiramente em seu pai e nós confiemos em Deus, nosso Pai eterno, que esta no comando do grande barco que é a nossa vida! Não devemos ter medo, pois nada é impossível para Deus, não devemos sentir tristeza, dúvida, pois nada é impossível para Deus. Ele nos livra dos leões que rugem em torno a nós e tentam nos devorar. Ele nos livra das tempestades do dia a dia, enfim, Ele é a nossa força, o nosso refúgio. Abram o coração e deixem-se amar por Deus, deixem-se amar e também amem, amem como Deus ama vocês. Confiem, confiem sempre, como a menina da historinha. Deus está no comando da sua vida. 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Parar de Sofrer 2



Aprender a sofrer com o sofrimento de Cristo... Eis a frase. Cristão é aquele que segue a Cristo, ou melhor dizendo, aquele que imita (ou pretende imitar) a Cristo. Amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu e, portanto, participar do sofrimento de Jesus enquanto homem. Jesus Divino é isento de sofrimento, vive e reina na glória eterna e por ora é inacessível a nossos olhos meramente carnais. Imitemos, pois, Jesus humano que pisou nosso chão, assumiu nossa carne, em tudo foi como nós, menos no pecado e como nós submeteu-se ao sofrimento. Sofrimento esse para que o nosso fosse amenizado, para que nos fosse possível suportar as dores que cedo ou tarde nos alcançam.
Ninguém gosta do sofrimento, ninguém quer sofrer e quem sofre naturalmente quer parar de sofrer. Porém o sofrimento é inevitável. Inevitável, não imanente, não insuportável. Não imanente porque não perpassa a totalidade da vida; não insuportável porque quem tem Jesus tem tudo e Ele carregou sofre Si nossas dores, além do que não nos é dado fardo além de nossa força. A cruz que abraçamos é mais fácil de carregar do que aquela que arrastamos. Assumamos a cruz e roguemos a Deus que nos venha amenizar o sofrimento, ou expurgá-lo de vez.
O saudoso padre Leo nos mostrou o que é sofrer com dignidade, sofrer sem deixar de amar, sem jamais perder a fé. Grandes santos da Igreja sofreram por longos períodos de suas vidas. São Francisco de Assis sofreu os estigmas de Cristo em sua carne e morreu feliz por isso. O apóstolo Paulo nos relata o quanto sofreu pelo evangelho e a tudo suportou por amor a Cristo e a Cristo crucificado! Cristo vive, sabemos todos. Mas a cruz é a maior prova de amor que a humanidade já viu. Olhar para a cruz é ver o quanto Cristo Jesus padeceu por nós.
A noite sucede ao dia e assim dia e noite se revezam ao longo do tempo. Dias ensolarados, dias chuvosos e nevoentos; noites claras de luar, noites sombrias e tenebrosas. Dias tranquilos, noites serenas; dias agitados, noites insones. Dia e noite se revezam... Assim é também a vida de cada um de nós. Na linha do tempo de nossa vida, bons e maus momentos se alternam. Para alguns, muitos bons ou ótimos momentos e raros momentos de tribulação, a outros o contrário. Mas a todos, indistintamente, é dada a oportunidade de remissão, o reconforto, o refrigério, a oportunidade de cura através do sangue de Jesus. Sangue derramado na cruz!
Você talvez, caro irmão, esteja vivendo um período de turbulência, passando por uma noite escura; não desanime. O Sol Radiante da Justiça brilha sobre você. Se não O vê é porque você está envolvido em seus problemas, olhando seu próprio interior, daí a escuridão. O mundo tenta cegá-lo com o brilho falso das coisas pecaminosas para afastá-lo da luz verdadeira que é Jesus. Não olhe para trás nem para o chão, olhe para frente, olhe para o alto.
Parar de sofrer é o que todos queremos. Enquanto não conseguimos e se não conseguimos, ao menos aprendamos a sofrer com o sofrimento de Cristo: “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder de sua ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição entre os mortos” (Fl 3,10s).


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Parar de Sofrer



Disse Jesus aos discípulos: No mundo havereis de ter tribulações, mas coragem, eu venci o mundo. Jesus venceu o mundo e esta vitória nos trouxe conforto em nossas tribulações. Não importa a intensidade da dor, do sofrimento, o tamanho do problema, os assuntos mal resolvidos, nada, nada é maior que a confiança que Jesus nos inspira. Ele é nossa força, nossa esperança, acima de tudo, nossa paz.
            Paz que só encontramos Nele. A paz verdadeira; outras “pazes” encontramos a torto e a direito por aí afora. Contudo, a paz que conta, a paz verdadeira, é a Dele. Essa paz que brota de Seu Coração imensamente misericordioso e que é infundida em nossos corações.
            Todos, vez ou outra, passamos por dificuldades. Sejam dificuldades financeiras, sentimentais, emocionais, conflitos nos relacionamentos, enfermidades, e tudo que se possa imaginar de infortúnios. Quem anda só ou confia tão somente em outros homens, geralmente se desespera, vê tudo desmoronar e desmorona junto. No entanto, quando apesar dos problemas, depositamos nossa confiança em Jesus, esperando Nele e naturalmente fazendo o que nos cabe, tudo pode balançar, oscilar de um lado a outro, mas não desmorona, não vem abaixo.   
            Nossa confiança está no Senhor que fez o céu a terra, diz o salmista. Nossa confiança está no Pai, Criador de tudo e de todos, JAVE, Aquele Que É; Deus por nós. Nossa confiança está no Filho, Jesus Salvador, o Emanuel; Deus conosco. Nossa confiança está no Espírito Santo, Paráclito, Santificador, Ruah; Deus em nós.
            Jesus nos garante vida plena e abundante, mas isso não é promessa de “boa vida” e abundância material. Ao contrário, àquele que queria segui-lo, disse que as aves tinham ninhos e as raposas tocas para abrigarem-se e Ele mesmo não tinha onde recostar a cabeça. Vida plena e abundante de paz interior, de tranquilidade emocional, de riqueza espiritual. Vida plena, pois a plenitude da vida é Ele próprio. Vida abundante, pois a abundância da vida é o Espírito Santo derramado em nós.
            Queres seguir-me? Tome cada dia tua cruz e venha comigo. Porque para seguir Jesus precisamos também de uma cruz? Porque se renegarmos a cruz não o seguimos, apenas o vemos passar. Sozinhos com a cruz (confiando em nós mesmos ou em outros como nós) é impraticável; qualquer cruzinha seria pesada demais. Quando Jesus nos pede que tomemos nossa cruz e o sigamos é para que partilhemos com Ele a nossa cruz! Ele tomou sobre Si os nossos fardos, nossas cruzes, nossas tribulações. Deus não permite um sofrimento maior do que aquele que possamos suportar. Por isso: desapegue-se de frivolidades, assuma a sua cruz transitória e caminhe par e passo com Jesus. Para Jesus houve um Cireneu. Para você também: o próprio Cristo é seu Cireneu.  
            Pare de sofrer é uma frase imperfeita.   Aprenda a sofrer com o sofrimento de Cristo, é a frase. A paz do Senhor esteja contigo, caro leitor.



sábado, 11 de maio de 2019

O infinito amor materno



Amor que não acaba, amor sem limites. Uma mãe ama seu filho, não importa quem ou o que ele seja; mães de criminosos, mesmo quando estas os denunciam e os entregam a autoridade policial, o fazem por amor. Elas têm a esperança que se recuperem e preferem ver o filho vivo na cadeia, que morto nas ruas. Amor de mãe é assim, sofrido, incompreendido, até contestado. Algumas sofrem o desprezo dos filhos, que muitas vezes não reconhecem a dedicação de suas mães por eles. Mães que se sacrificam para sustentar, cuidar, educar. Mães que se alimentam mal para que seus filhos tenham o que comer. Mães que trabalham de sol a sol – às vezes em jornada dupla – para que os filhos tenham o que vestir, possam estudar, até possam usufruir momentos de lazer. 
O poeta já dizia: ser mãe é padecer no paraíso; ser mãe é viver intensamente a graça de gerar uma vida, gestá-la, dar a luz, enfim, trazer um novo ser humano ao mundo. A maternidade é algo tão sublime, que Deus ao encarnar-se e vir ao mundo como Filho, serviu-se de uma mulher para que Ele tivesse também uma mãe. Maria de Nazaré foi a escolhida. Virgem Maria, Mãe de Deus (Teothokos), Maria, modelo de todas as mães na face da terra. Assim podemos afirmar que não existe amor humano maior que o amor de mãe. É certo que existem mães, raríssimas na verdade, que não merecem ser assim chamadas; aquelas que abortam, que jogam os filhos recém-nascidos no lixo, que deixam os filhos pequenos trancados em casa e vão para a rua se drogar, se prostituir. Entretanto, felizmente, apesar do desvirtuamento dos costumes nos dias atuais, a imensa e esmagadora maioria são verdadeiramente mães. Mães solteiras, mães casadas, mães com família, mães sozinhas, não importa; mães que amam, que educam, que zelam pelos filhos.  Amor de mãe, humanamente incomparável.