sexta-feira, 23 de abril de 2021

Ez 33,10-12 – Conversão

Esse texto do livro de Ezequiel nos mostra como Deus é amoroso e quer nos perdoar. Se renunciamos ao pecado Deus nos livra do castigo, diz a palavra. Deus é Pai e um pai não se apraz com a morte de um filho, mesmo que esse filho seja rebelde, infiel, desobediente. O Senhor quer os filhos perto de si, por isso ele clama por conversão, obediência, fidelidade. O v.12 diz: (...)... Isto significa que Deus não olha para o nosso passado, seja este bom ou mal, Deus nos vê agora com os olhos do presente; o que importa realmente é o que somos hoje e o que viermos a ser amanhã. O passado é apenas lembrança – alegre ou dolorosa – porquanto Deus tem em conta o presente e aponta para o futuro. Comparemos este versículo (Ez 33,12) com Ez 18,24. Deus nos criou para ele, para louvarmos e adorarmos sua Divina Pessoa; para compartilharmos as delicias do paraíso, as maravilhas do Éden. Mas nos tornamos imperfeitos por nossa culpa, ou seja, devido à desobediência original, por isso perdemos o direito inato ao reino dos céus. O céu tem que ser conquistado. Essa Palavra, como tantas outras na Bíblia, derruba a doutrina protestante da predestinação do homem. Se nascêssemos salvos ou condenados, não precisaríamos lutar para conquistar o reino, seria inútil. Se tivéssemos o destino traçado, andaríamos a deriva, sem obras de caridade e sem necessidade de testemunhar Deus. Não há predestinação! Ninguém nasce condenado ou salvo, pois isso seria injustiça porque não haveria culpa pessoal e Deus é justo! Se a humanidade já nascesse com o destino definido, sem chance de absolvição para os infelizes pecadores, o sacrifício de Jesus teria sido inútil; se aqueles não tivessem a oportunidade da salvação, a crucificação de Jesus teria sido apenas um espetáculo sangrento. Sabemos que não foi assim. Jesus morreu e ressuscitou para remissão dos nossos pecados, de todos, de todos! Isto não implica que fiquemos imóveis, à deriva, em berço esplendido: “Ah, Jesus já fez tudo...” pois cairíamos no reverso da medalha – todos estaríamos salvos, independentemente de nossas ações, boas ou más. Não é bem assim, até porque se fosse, Jesus não precisaria ter pregado, bastaria ser pregado... na cruz. É essencial que façamos a nossa parte e nossa parte é bem mais leve que a de Jesus: é crer; acreditar e por em prática a nossa fé. É reconhecer de todo coração e proclamar que Jesus é o Senhor e Salvador, que sua palavra é verdadeira; seguir o seu caminho, ser fiel a todo custo em qualquer situação; enfim, converter-se. Fala-se muito em conversão, mas poucos conhecem em profundidade seu real significado. Há pessoas que pensam que conversão é mudança de religião, trocar de Igreja; católico tornar-se evangélico ou vice-versa. Conversão significa mudança de vida, transformação.É atravessar o mar Vermelho; sair da escravidão do pecado para uma terra de esperança. Recentemente abordamos o assunto em outra pregação. Dissemos que conversão é um processo lento, gradual, como o crescimento de uma árvore. Hoje, para ilustrar, usando outro aspecto da natureza, podemos fazer a comparação com uma reação química. A propósito, certos tipos de reação são conhecidas como conversão. Uma reação ou conversão química é a modificação na estrutura de uma substância transformando-a em outra completamente diferente. Desse modo, um veneno mortal pode ser transformado em um remédio que cura. Da mesma maneira se dá conosco, em nossa vida espiritual: mudamos do pecado (que mata) para a vida nos caminhos do Senhor (que cura, liberta, leva à perfeição). Nos convertemos quando aceitamos o senhorio de Jesus em nossa vida, quando nos deixamos preencher pelo Espírito Santo, quando sentimos necessidade e desejo ardente de evangelizar. Evangelização não é a apresentação complicada da doutrina do cristianismo. Ela começa, se processa, quando pessoas comuns falam a outras pessoas comuns das maravilhas de Deus, das bênçãos, de como Jesus cura, liberta, dá paz, alegria, enche os corações de amor. É converter-se a si próprio e buscar a conversão do próximo. Amém

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Col 2,13-14 – Jesus Salvador

T odos já sabemos do amor que Deus tem por todos nós. Todos conhecemos seu amor, sua misericórdia, sua compaixão. Mas eu digo sempre: nunca é demais falar do amor de Deus. Mas muitas vezes nós renegamos esse amor com nossa desobediência, nossos erros. Nos afastamos de Deus e aí construímos uma barreira, uma parede que nos separa de Deus e sua misericórdia, Assim optamos pelo pecado: e o que ganhamos com isso? Nada; só perdemos. Perdemos a vida, perdemos a comunhão dos santos. Porque como diz S. Paulo, primeiro em Romanos, depois em Corintios: O salário do pecado é a morte e os iníquos não herdarão o reino dos céus. Mas será que isso é uma sentença definitiva? Pequei estou condenado, não tenho mais salvação? Não; até porque Deus é justo e Ele quer a nossa salvação. Ele não quer que nenhum de nós se perca Vamos voltar no tempo, lá nos primórdios do povo de Deus: O AT diz que o povo hebreu quando pecava e se arrependia, oferecia a Javé um sacrifício expiatório; matava um cordeiro como oferta para remissão dos pecados. E se o arrependimento era sincero, se havia o firme propósito de não mais pecar, o sacrifício era aceito e o perdão concedido. Agora a grande noticia: Deus, Ele próprio, ofereceu o último sacrifício, o sacrifício perfeito para remissão de toda a humanidade: Jesus, seu filho unigênito, nosso salvador. Jesus que já existia desde sempre, que se encarnou e veio ao mundo; nos apresentou a sua proposta, a Boa Nova da Salvação! Como diz João no Evangelho, capitulo primeiro, primeiros versículos: No principio era o Verbo, o Verbo era Deus, e o verbo se fez carne e habitou entre nós. Dos braços de Maria aos braços da cruz a salvação nos foi oferecida. E só Jesus é capaz de fazer isto por nós, como está escrito em Atos 4,12: Em nenhum outro há salvação, porque debaixo dos céus nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos. Nenhum outro nome foi dado... E esse nome é Jesus, Jesus de Nazaré, Jesus filho de Maria! Retomemos a pericope em Colossenses. Vamos ler o verso 14 ...(...). Esse documento era a carta que nos condenava, é a folha corrida dos nossos pecados! É como uma ficha criminal; o criminoso tem uma ficha onde estão relacionados todos os seus crimes. E a nossa ficha foi rasgada, foi pregada na cruz e lavada com o sangue de Jesus, o cordeiro perfeito, sem mácula. A questão é, o sacrifício de Jesus foi suficiente, não precisamos fazer nada? Se fosse tão simples assim, o Senhor me permite o trocadilho, Ele não precisaria ter pregado, bastaria ser pregado... na cruz. Repetindo: Ele não precisaria ter pregado o Evangelho, bastaria ser pregado na cruz. O preço maior Ele pagou, um preço de sangue, mas nós temos que fazer a nossa parte, temos que ser merecedores. Como fazer isso? Temos primeiro que querer; é preciso escolher a salvação. Depois aceitar o senhorio de Jesus ressuscitado em nossas vidas, ou seja, ter fé, confiança e ação. Crer e crer é acreditar e pôr em prática aquilo em que acreditamos. Se você tem fé e exerce essa fé você está se convertendo. Cada dia em que você renova essa conversão é um passo dado em direção à salvação, em direção a Jesus. Resumindo, Jesus é o único caminho para a salvação, porque debaixo dos céus nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos. Basta querer e fazer como Ele nos ensinou. Como disse Maria com toda simplicidade: Fazei tudo aquilo que Ele disser. Amém.

sábado, 10 de abril de 2021

Mt 26,69-75 – Negação de Pedro

Pedro nega Jesus três vezes. Na verdade Pedro não rejeita Jesus, ele o nega impelido pelas circunstâncias. Pedro teve medo, assim como os demais apóstolos, pois diante da cruz no calvário estavam apenas João, Maria a mãe de Jesus e outras mulheres. Os demais seguidores de Jesus também o haviam abandonado. Haviam o negado por medo, não por rejeição. Em Mt 10,33 diz Jesus: “Aquele que me negar diante dos homens também eu o negarei diante de meu Pai...” O negar referido por Jesus não é a negação circunstancial como a de Pedro, mas a negação definitiva, consciente, é a rejeição. Negação é diferente de rejeição: negar é dizer não a alguém ou a alguma coisa, a alguma situação. Rejeitar é não querer, não aceitar, é desprezar. Muitas vezes nós negamos Jesus. Negamos Jesus quando por covardia, timidez, comodismo ou mesmo má vontade, deixamos de anuncia-lo, deixamos de dar testemunho de suas maravilhas. Muitos negam Jesus quando interpretam erroneamente a atitude da Igreja quando ela faz a opção preferencial pelos pobres. Explico: Há pessoas, muitas pessoas infelizmente, que pensam que ação social é mero assistencialismo; limitam-se a ajuda material e só. O ser humano não é apenas um bolo de carne que se movimenta de um lado a outro; o ser humano tem alma, um espírito criado por Deus. As pessoas se esquecem disso, providenciam uma cesta básica, dão o feijão e o arroz e deixam de dar o mais precioso alimento: o pão vivo, o pão do céu, Jesus! Quem assim procede nega Jesus aos irmãos. Devemos auxiliar materialmente os mais necessitados, mas temos o dever cristão de também aliviar a carência espiritual desses irmãos. Negar Jesus é não aceita-lo como único senhor de nossas vidas, é desprezar sua oferta de amor. Sabemos que existem católicos envolvidos com ocultismo, magia, espiritismo, esoterismo e outros “ismos” que contrariam a Palavra de Deus e os ensinamentos da Igreja. Estas pessoas, na igreja, aparentam perfeição, porém suas obras são vazias, infrutíferas; suas orações são inócuas; ouvem a Palavra de Deus mas não a retem; passam horas diante da TV mas não se disponibilizam 15 minutos que sejam para ouvir a palavra de Deus sendo pregada. Muitos buscam a comunhão eucarística em situação de pecado. Essas pessoas negam Jesus, renegam Jesus, rejeitam Jesus! Pedro negou Jesus três vezes, é verdade. Negou, não rejeitou. Tanto que foi escolhido por Jesus como chefe da Igreja. Em Jo,21 Jesus repete três vezes a pergunta a Pedro: Pedro tu me amas? Pedro responde: Senhor, sabes que te amo. – Então apascenta minhas ovelhas, diz Jesus. Apesar de sua tibieza Pedro é confirmado como primeiro Papa. Havia sido redimido e dissera sim a Jesus. E Jesus agora está te chamando pelo nome e perguntando: João (Maria, Odete) você me ama? Respondam todos: Senhor sabes que te amo! Jesus está agora estendendo suas mãos sobre nós, sobre cada um de nós. De suas chagas abertas gotas de seu sangue estão caindo sobre nós. Irmão, irmã, há uma gota do sangue precioso de Jesus sobre a sua cabeça, Esse sangue tem o poder de curar e libertar de todas as mazelas. Abra seu coração e diga sim para Jesus, diga sim como Maria, diga sim como Pedro naquela manhã à beira do lago Genesaré. Senhor, sabes que te amo. Amém.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Jo 19,25-30 – Ao Pé da Cruz

Ao pé da cruz de Jesus estavam João, Maria e algumas outras mulheres piedosas. Onde estavam os demais? Onde estavam Pedro, Tomé e os outros apóstolos? Todos haviam abandonado Jesus. O abandonaram por medo, haviam fugido. Não que o rejeitassem, mas tiveram medo das conseqüências de segui-lo até o fim e fugiram. Eles não tinham idéia da dimensão do amor de Jesus por eles; se soubessem o quanto Jesus os amava não teriam fugido. Estariam com João e Maria aos pés da cruz, porque só permanece junto a cruz aquele que se sente amado. Do alto da cruz Jesus nos deu Maria como mãe. Jesus naquele momento consagrava toda a humanidade – representada por João – a Maria. Por isso todos devemos venerar Maria como Nossa Senhora. Todo cristão consciente deveria ao menos amar e respeitar Maria. Se todo cristão, católico ou protestante, diz com razão, que o sangue de Jesus tem poder, temos que reconhecer que o sangue de Jesus é tão somente o sangue de Maria. Não podemos esquecer que Jesus não teve pai humano, foi concebido no ventre virginal de Maria pelo poder do Espírito Santo, sem interferência de homem algum. Humanamente falando a carne de Jesus é a carne de Maria, o coração de Jesus é o coração de Maria, o sangue de Jesus é o sangue de Maria! Contudo Maria não se aborrece, não se incomoda e nem se importa se às vezes nos esquecemos dela. O que verdadeiramente a entristece e ver-nos esquecer e afastarmo-nos de seu filho. Ao olharmos Maria – uma imagem dela, por exemplo – com os olhos da fé, devemos enxergar Jesus; se não for assim, não haverá sentido algum e então ela se entristecerá. Sabemos que Maria não faz milagres, não cura, não salva, não liberta. Não tem poder, pois todo poder vem de Jesus e o milagre só pode ser realizado por Deus. Mas Maria tem a força da intercessão; ela intercede por nós o tempo todo. Ainda a respeito de Maria: “A delicada mãe de Cristo sabe ensinar melhor que ninguém, pelo exemplo da prática, como devemos conhecer, amar e louvar a Deus. Tal e tanta honra se encerra na denominação de Mãe de Deus que ninguém pode falar coisas maiores, ainda que tenham tantas línguas como há flores na terra, estrelas no céu e areia no mar.” Quem disse? Simplesmente, Lutero. Relendo os versículos 28 a 30, vemos Jesus com sede e seus algozes lhe dando vinagre a beber. Em Mt 27,34 e Mc 15,23, oferecem a Jesus uma mistura de vinho e mirra e ele não aceita. Aí, as circunstancias eram outras; Jesus ainda não estava na cruz e esta bebida era oferecida para que o condenado ficasse entorpecido e até facilitasse a fixação na cruz. Jesus se negou a beber, porque era necessário que ele estivesse sóbrio para sentir na própria carne todas as dores do mundo. Mais adiante em Mt 27 e Mc 15, assim como lemos em Jo 19, Jesus, agora agonizante na cruz, teve sede e lhe oferecem vinagre – o que certamente lhe aumentaria a sequiosidade por água – e ele não rejeitou. Porque? Porque ele estava disposto a sofrer o máximo possível para nossa redenção. Entenderam aí o sentido do sacrifício e a profundidade da entrega de Jesus por nós? Na cruz Jesus teve sede e lhe deram vinagre. Agora ele diz a você que tem sede e o que você tem para dar? O vinagre da ingratidão, da indiferença, da desobediência, o vinagre do pecado? Jesus pede a você água pura para que ele possa transforma-la em vinho; vinho novo para sua purificação. Ele quer seu coração renovado como um odre novo, para que ele possa enche-lo com o vinho novo. Jesus te quer renovado no seu amor, pela ação do Espírito Santo. Andávamos nas trevas subjugados pelo pecado, mas Jesus nos resgatou da escuridão ao sentir nossas dores, carregar nossos fardos e derramar seu sangue na cruz. Amém. .

sexta-feira, 26 de março de 2021

At 1,4-9 – Batismo no Espírito Santo

 


J

esus subiu ao céu, está a direita do Pai, e de lá nos envia o Espírito Santo. O Espírito Santo que na realidade você já tem. O recebeu no batismo sacramental. Jesus quer te dar um derramamento desse Espírito. Ele quer que o Espírito Santo cresça em você, infle, de modo que Ele extravase, transborde, como as águas de uma barragem com as comportas abertas.

            E para que Jesus faz isso? Para você bater no peito e dizer: eu tenho o Espírito Santo, Jesus me deu, é meu... Não!... Jesus com o Pai te derrama o Espírito Santo para que com força e autoridade você o anuncie. Jesus te dá o Espírito Santo para que através desse mesmo Espírito possamos ser conduzidos por Ele e anuncia-Lo.

            Sta. Edith Stein, a respeito do Espírito Santo disse: “Mais próximo de mim do que eu de mim mesmo; mais intimo que o âmago da minha alma”. Devemos repetir e tomar posse dessa palavra; que o Espírito Santo seja o mais próximo possível, mais intimo que o âmago de nossa alma. Âmago é o centro, o de mais profundo e interior que possa existir. Portanto, é no interior, no mais profundo de nós que o Espírito Santo habita. Mas não é lá que Ele deve ficar como um prisioneiro, deve inundar-nos, efluir, transbordar. É esse transbordamento, essa efusão, esse derramamento que Jesus nos infunde no batismo no Espírito Santo. 

            Deixe que o Espírito Santo ative o despertador da tua fé para acorda-lo da letargia espiritual, para que você possa caminhar com a Igreja, com Jesus, com os irmãos rumo aos braços do Pai. Abramos o coração e deixemos Deus agir em nós. Deus quer nos transformar como transformou os discípulos naquela madrugada de pentecostes há cerca de dois mil anos. Hoje, aqui, agora, já, nesse momento Ele derrama o mesmo Espírito que mudou a vida daqueles homens e mulheres e que também pode mudar a sua. Abra-se a ação do Espírito Santo, receba uma nova efusão, uma nova unção. Deixe-se batizar no Espírito. Amém.

 

 

 


sábado, 20 de março de 2021

Eclo 1,11-22 – Temor a Deus

 

 

 


A leitura proposta fala de temor ao Senhor. Haveremos de ter medo de Deus? Deus quer que tenhamos medo dele? Vejamos o que diz o dicionário; temor = medo . O dicionário também diz: temor = respeito, reverência, zelo, escrúpulo. É neste sentido que devemos temer a Deus, ter respeito, reverência a seu nome, zelo, dedicação a sua palavra.

            Temor a Deus é um dos sete dons infusos, aqueles que recebemos ao ser batizados. Dons infusos, diferentemente dos dons carismáticos, são dons dados para ascese pessoal, servem para crescimento individual, enquanto os carismas são dons de serviço, servem para crescimento e edificação da comunidade, da igreja. Com referencia ao temor a Deus, ver o Catecismo da Igreja Católica no 1303 e 2144.  

                O que vemos nos remete aos primeiros mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas “ e “Não tomar seu Santo Nome em vão”. Se temermos a Deus, acataremos seus mandamentos e se acatarmos seus mandamentos, estaremos sendo tementes a Deus. Preocupações com coisas vãs, banalidades, coisas sem importância, mundanas, deixam Deus de lado, abafam os dons e corremos com isso sério risco de ceder às tentações e cair em pecado. O pecado nos afasta de Deus, diz a sua Palavra em Isaias 59,1s. O mundo acusa a Igreja de retrógrada, de estar submetida a leis e mandamentos ultrapassados, que o mundo mudou, etc, etc, e outras baboseiras mais. Mas lei é lei; quanto mais a lei de Deus que é irrefutável e imutável. As leis humanas podem ser mudadas e revogadas a qualquer tempo, basta a canetada de um legislador qualquer, mas a lei de Deus é eterna, as leis da natureza e os mandamentos de Deus valem a qualquer tempo, ontem, hoje e sempre. Um objeto que tenhamos a mão ao ser solto cairá ao chão, como cairia no tempo de Moisés e cairá se for solto daqui a mil anos, pois todos estamos sujeitos a lei da gravidade. A gravidade é uma lei da natureza e portanto imutável, irrevogável! Desobedecer a Deus, desrespeitar seus mandamentos e portanto não temer a Deus, era pecado desde 40 séculos atrás, é pecado hoje e será pecado daqui a 40 séculos!

            Quando criança eu gostava de olhar o céu estrelado; era lindo ver o céu coberto de estrelas. Hoje, devido às luzes da cidade e a poluição não se vê estrelas como antes. Mas as estrelas não se mudaram, continuam lá como no meu tempo de criança. Não as vemos porque a camada de poluição impede que suas luzes cheguem a nossos olhos. Assim é nosso relacionamento com Deus, a poluição do nosso pecado impede que o olhar de Deus nos alcance. Precisamos renunciar ao pecado, temer a Deus, destruir a barreira, para nos tornarmos visíveis a Deus e sermos alcançados pela graça e misericórdia divinas.

            Deus nos ama e apesar do nosso pecado não deixa de nos amar. Nos ama a tal ponto que enviou Jesus para morrer por nós, para lavar com seu sangue os nossos pecados. Jesus, Deus com o Pai e o Espírito Santo, Jesus, Deus na Trindade Santa. Que o Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, nos ilumine, nos mova na direção daquele que por sua morte e ressurreição nos conduz a vida eterna, ao Pai justo e misericordioso.

            Retomando a Palavra nos vv. 11 a 13, vemos aí uma promessa, uma linda, uma belíssima promessa. Apossemo-nos dessa promessa, vivamos, experintemos essa Palavra, testemunhemos nosso temor ao Senhor e assim possamos servi-lo e adora-lo até que essa promessa se cumpra em nós. Amém.


sexta-feira, 12 de março de 2021

I Cro 17, 1-15 – Caminhos Para o Reino

 


 


Nesta leitura vemos o profeta Natan dizer ao rei Davi, que não seria ele, Davi, a construir a casa, o templo de Deus. Mas que ele seria a origem de uma dinastia que levaria ao grande rei, o que fundaria o império eterno, a grande Igreja. Davi era o depositário das promessas messiânicas. O texto também faz alusão, embora indireta, à Arca da Aliança. A arca feita de madeira nobre, revestida de ouro, com tampo maciço e querubins, tudo de ouro. Possuía argolas também de ouro e varais para o transporte, conforme descrito no livro do Êxodo. A arca continha as tábuas da lei, os dez mandamentos e o próprio Javé (Deus) se fazia presente na Arca da Aliança. Podemos até mesmo comparar a Arca da Aliança com o nosso Sacrário: pois se lá habitava Deus, aqui temos a presença viva de Jesus Sacramentado na hóstia consagrada.

                A arca não tinha paradeiro; era levada de um lugar a outro, de tenda em tenda, de acampamento em acampamento, de cidade em cidade. Foi inclusive roubada, esteve em poder dos Filisteus ate ser recuperada, e Davi a reconduziu a Jerusalém. O povo precisava de um lugar apropriado para adorar a Deus e firmar um sentido de unidade em torno do verdadeiro sentimento religioso.

                Vamos reler os vv. 11-14 (...). Aqui se refere a Salomão. Mas a Palavra de Deus não se restringe a uma época, a um contexto histórico, a uma profecia ocasional. A palavra de Deus se projeta no tempo e no espaço e chega até nós viva, atualizada; a Palavra de Deus é eterna!

                Vejamos o que diz em Is 11,1 (...). Então podemos dizer que esse reino é o reino de Jesus, o rei dos reis, esse trono é o trono da graça, da glória de Deus; a casa é a Igreja de Cristo, a verdadeira Igreja, a Santa Igreja Católica!

                Do mesmo modo que o povo de Israel buscava Deus na Arca da Aliança, podemos buscar Jesus no Sacramento Eucarístico. Freqüentar a igreja, buscar os sacramentos , são caminhos para encontrar Jesus. Amar e respeitar Maria; Maria está sempre presente ao lado de Jesus, discreta, discretíssima, como podemos observar através dos evangelhos escritos. Se estamos com Maria, estamos certamente com Jesus. Maria, todos nós sabemos, não é divindade, Maria não realiza prodígios. No entanto, ela intercede sempre, e o que ela pede Jesus faz, com certeza. Maria não é a salvação, mas nos aponta a salvação, nos leva à salvação que é Jesus.

                Ter vida de oração, oração diária, hábito da leitura da Palavra. Uma pessoa orante tem sintonia com Deus e encontra fácil o caminho para Jesus.

                Batismo no Espírito Santo. Batismo no Espírito Santo, fundamental para nós da renovação carismática. É na efusão do Espírito Santo, no derramamento dos dons, no exercício dos carismas que nos aproximamos de Jesus. Jesus nos dá o Espírito Santo, para através desse mesmo Espírito nos levar a Ele.

                Alguém talvez esteja questionando: Porque o pregador fica falando e repetindo os caminhos que levam a Jesus? E eu respondo: Porque eu busco, eu só procuro este caminho. A que outro eu iria? A que outro você iria? Aos caminhos que levam ao Egito? A Baal? Nunca! Jesus é o único caminho. Jesus é a videira verdadeira, o caminho, a verdade e a vida. Só ele tem palavras de vida eterna, só Jesus!

                O caminho para Jesus é árduo, longo, difícil; sabemos disso e até por isso, muitos por comodismo ou impaciência, ao invés de Jesus, buscam outros caminhos, atalhos, que não levam a lugar nenhum, ou melhor, levam sim: levam ao abismo, ao fundo do poço. Nos caminhos do mundo as quedas são inevitáveis e desastrosas, pois caímos de cara no chão. Mesmo assim, se voltarmos p’rá Jesus, Ele nos ampara e nos sustenta. Nos caminhos de Jesus poderemos até tropeçar e cair, se vacilarmos caímos mesmo, mas caímos de joelhos. E é melhor ralarmos os joelhos que quebrar a cara. Melhor ralar os joelhos que se estropiar! Com Jesus as dores são suportáveis e os fardos por mais pesados que sejam, se tornam leves, porque sabemos que Ele nos aliviará. A Palavra de Deus diz: Ele carregou sobre si nossas dores e enfermidades. Está escrito em Isaias 53. Jesus nos conduz por caminhos às vezes difíceis, mas seguros sempre.

                O Senhor falou a nós do núcleo do grupo de oração, em profecia. Eis o que disse: “Eu conduzo meu povo no deserto: estareis a beira de abismos, enfrentareis opositores, mas não temais, Eu vos guiarei no meio das trevas”. Eu vos guiarei no meio das trevas... Confiem no Senhor, confiem em Jesus. Em Is 9,1 lê-se: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Essa luz é Jesus; essa luz é Jesus. E onde brilha a luz as trevas se dissipam. Amém.

 

 


sexta-feira, 5 de março de 2021

Sl 103,5-18 – Amor de Deus e Salvação

 

M

eu irmão, minha irmã, tome sua Bíblia. O que você tem nas mãos não é um simples livro. Você tem nas mãos a Palavra de Deus, a Palavra Viva do Deus Vivo. As verdades incontestáveis da Sabedoria Divina; a marcha da Revelação Divina através da história da humanidade. É também um manual de vida, com ensinamentos que nos levam ao caminho da retidão moral e da justiça. Ao longo dos aproximadamente três mil anos em que foi escrita, Deus se apresenta a humanidade e nos oferece o caminho da salvação: Jesus Cristo.

           


Abra sua Bíblia no Salmo 103; vamos ler do versículo 5 ao 18 (...)... Eis um hino de louvor à criação. Deus nos criou por amor; criou o Universo para que servisse de suporte a Terra; criou a Terra para que servisse de pedestal a sua obra-prima: nós. Deus não nos criou porque estivesse só, não; Deus nos criou porque amava, ama e nos amará sempre. Nos criou à sua imagem e semelhança; imagem porque somos reflexos de sua vontade, semelhança porque fomos criados para sermos perfeitos e se não o somos é por culpa nossa, que desobedecemos e perdemos a pureza original. Quando os primeiros seres humanos, Adão e Eva, caíram em tentação e pecaram desobedecendo a Deus, perderam a intimidade que tinham com ele. Ao longo do tempo o homem vem pecando, se penitenciando, sendo perdoado – por pura misericórdia – mas cai de novo, muitas vezes tropeçando na mesma pedra. Sodoma e Gomorra foram destruídas por causa de suas abominações, mas Deus salvou Lot e sua família. O dilúvio cobriu a terra, mas Deus salvou Noé e os seus. O povo hebreu estava cativo no Egito e Deus suscitou Moisés a liberta-los; mas o povo era renitente, teimoso; pecava por idolatria e murmuração, mas Moisés intercedia por eles e Deus os perdoava. Mais tarde, o povo escolhido sacrificava animais em holocausto expiatório para se livrar dos pecados e se o arrependimento era sincero, Deus os perdoava, não pelo sacrifício em si, mas pela contrição do coração. Contudo, já não havia arrependimento, os sacrifícios se tornaram mera formalidade, sem o firme propósito de renunciar verdadeiramente ao pecado e Deus irritou-se. Em Is 1,11 Deus diz (...)... Deus quer o coração do homem, o teu coração, o meu coração. Deus quer nos perdoar, nos salvar e para isso ofereceu a si mesmo em sacrifício, o último sacrifício de sangue, o sacrifício perfeito: Jesus, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! Jesus foi para a cruz para nos salvar e já nos salvou. Pelo sangue precioso de Jesus fomos lavados de todo o pecado. Mas... Há um porém: é preciso que desejemos a salvação, que sigamos Jesus, até mesmo no calvário se necessário; que assumamos nossa dependência a ele, que nos submetamos a seu senhorio. Jesus morreu e ressuscitou por nós. Ele não está mais na cruz nem no sepulcro; está vivo no meio de nós. A ressurreição de Jesus é garantia que existe a eternidade esperando por nós.

            Por amor fomos criados, por amor somos perdoados e por amor estamos salvos. Sejamos merecedores da Salvação. Amém.  


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Is 22,21-25 – Senhorio de Jesus

 

P

odemos comentar este texto sob três aspectos: no contexto histórico, onde temos a subida e queda de Eliaquim, mordomo do palácio real. No aspecto teológico, segundo o ponto de vista da Igreja, os vv. 22s são referência a Pedro, conforme Mt 16,19. Em último, analisemos o texto como palavra rhema, mensagem de Deus dirigida a nós especialmente para este momento particular.

            O v. 22 nos remete a Ap 3,7 que fala diretamente do Messias, de Jesus, o que abre e fecha todas as portas. Jesus tem todas as chaves menos uma: a chave do nosso coração. Esta nos foi confiada pelo Pai em sua infinita misericórdia, no momento da criação. Porém se entregarmos a chave do nosso coração para Jesus Ele nos abre para a santidade e nos fecha para o pecado.

            Talvez vocês conheçam a estória do homem que recebeu a visita de Jesus em sua casa. O tal homem arrumou a sala, trocou o tapete, etc e etc. No dia e hora marcada Jesus compareceu à casa do homem. Este recebeu Jesus com a cerimônia de um bom anfitrião ao receber uma visita ilustre, mas ficou só nisso. Ele impediu que Jesus visitasse os outros cômodos da casa, pois lá estavam vestígios de seus pecados. De repente ouviram batidas a porta; era o diabo querendo entrar. O dono da casa em vão tentava livrar-se dele, até que Jesus interveio e expulsou o inconveniente visitante. Talvez vocês achem estranho a tentativa do diabo querer entrar numa casa onde Jesus estivesse presente. Mas o dono da casa não abriu a casa toda para Jesus. Jesus ficou confinado a um canto da sala de visitas; o resto da casa foi vedado a Jesus e por isso o diabo se achava no direito de reinvidica-la para si.

            Quantos de nós somos como o homem da estória. Não adianta abrir só um cantinho do coração para Jesus, temos que abrir o coração por inteiro! Não adianta entregar somente uma área de nosso ser a Jesus, temos de entregar todas as áreas. Não adianta dar um pedacinho de nós, temos de nos doar totalmente a Jesus! Há pessoas que têm Jesus no coração e ainda acreditam em horóscopo, por exemplo; têm Jesus mas continuam a ceder às tentações do mundo, são escravas da TV, deixam de ir a igreja mas não deixam de ver a porcaria da novela! Não é mentira nem exagero, é assim mesmo. Aceitar o senhorio de Jesus é assumir o compromisso com Jesus na totalidade, seguindo e servindo Jesus plenamente. Não é ficar em cima do muro; ou se é de Jesus ou se é nada, não há meio termo. Sê quente ou frio, mormo Ele te vomitará, diz a Palavra de Deus.

            Quando o eu, nosso ego, é o centro de nossas vidas e Jesus está do lado de fora ou confinado em um cantinho qualquer, somos dirigidos pelo ego, pela carne, resultando em frustrações e decepções e como conseqüência sofrimentos. No entanto, se Jesus está no centro, se Jesus é o centro de nossas vidas, somos controlados por Ele, através do Espírito Santo e crescemos em graça, somos fortalecidos e apesar das dificuldades que possam advir, não haverá frustrações, pois no fim a vitória é certa; com Jesus somos mais que vencedores.

            Aceite o senhorio de Jesus na sua vida. Ele se doou numa cruz por você. Ele morreu para que você pudesse viver. Ele preferiu morrer por você a viver sem você. Oremos: Senhor Jesus entrego-me a vós, fazei de mim o que quiserdes. Aceito tudo de vós. Deponho minha alma em vossas mãos. Entrego-me a vós com todo amor do meu coração, sem medidas, com confiança infinita. Sois meu Senhor e meu Deus. Amém. 




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

At 2,29-36 – Cristo Ressuscitado


 

E

ste pequeno trecho está inserido em um texto maior, que é a pregação de Pedro após Pentecostes, onde foram convertidas milhares de pessoas.

            O v. 29 nos diz: “Permita-me dizer com toda franqueza que Davi morreu e seus restos estão no túmulo...etc”. Isto não significa que Pedro vai falar de Davi. Não, ele simplesmente diz que Davi morreu e seus restos ainda estão no sepulcro. Ele quer falar, sim daquele que ressuscitou, Jesus, que segundo a carne era descendente de Davi. Jesus foi crucificado, morto e sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia, ressurgiu dos mortos. Jesus está vivo. Vivo e no meio de nós, pois onde dois ou mais estiverem reunidos em seu nome, aí estará ele.

Jesus não está mais na cruz ou no sepulcro, ao contrário de muitos que se julgavam iluminados. Onde estão agora Maomé, Lutero, Calvino, Buda, Alan Kardec? Todos morreram e estão nos túmulos. Jesus também enfrentou a morte e onde está ele agora? Vivo, porque ele ressuscitou. Napoleão Bonaparte disse certa vez que para fundar uma religião seria necessário duas coisas: morrer numa cruz e ressuscitar. E disso somente Jesus foi possível.

Jesus foi para a cruz, morreu para redimir nossos pecados e ressuscitou para nos mostrar que existe algo mais esperando por nós. Com sua morte e ressurreição Jesus nos abriu as portas do céu! Nossa Igreja celebra a exaltação da Santa Cruz, não que Jesus esteja nela; a cruz é venerada como penhor de salvação. Olhamos para o crucifixo, imagem de Cristo na cruz, para lembrar que foi por nós que ele derramou seu preciosissimo sangue. Nossa adoração se dirige na verdade, ao Santíssimo Sacramento Eucarístico, onde Jesus está realmente presente pela ação do Espírito Santo. Podemos mesmo dizer que o Cristo crucificado nos ofereceu a salvação, enquanto o Cristo ressuscitado nos apresenta a promessa da vida eterna.

Atualmente vamos encontrar muitos filhos de Deus adormecidos na fé. Mais que adormecidos, mortos na fé. No fim dos tempos haverá a ressurreição dos mortos. No entanto, Jesus já ressuscita hoje os que estão mortos na fé e os mortos pelo pecado. Por isso a Palavra em Ef 5: “Desperta tu que dormes. Levanta-te entre os mortos e Cristo te iluminará.” Basta somente se entregar a ele; abrir o coração e deixar que a luz de Deus te inunde; é só se abrir à ação do Espírito Santo. É ele, o Espírito Santo, que te impulsiona. É ele, o Espírito Santo, que autentica nossa missão, que nos dá força e coragem, que nos concede os carismas. É o Espírito Santo que nos abranda o coração para que seja aberto e Jesus venha adentrar e fazer sua obra em nós, venha assumir seu senhorio em nossa vida.

Diz o v. 36: “Que toda casa de Israel saiba...etc” Ele é Senhor! Como está em Fl 2: “Toda língua confesse para glória de Deus Pai que Jesus Cristo é Senhor.” Ele é Senhor de tua vida. Somos pertença dele e como tal devemos nos submeter à sua vontade. Portanto, desperta, reanima tua fé e tenha Jesus como Senhor da tua vida. Segue aceitando o senhorio de Jesus, sendo fiel e perseverante. Fiel a Cristo, fiel a Igreja, fiel a Palavra de Deus. Sê perseverante no caminho. Caminho que aponta para o céu, cujas portas Jesus nos abriu ao vencer a morte. Amém.

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Lc 9,57-62 – Não Olhar Para Trás

 

O

 texto em evidência nos propicia uma reflexão versículo a versículo. Mas antes, um comentário: O servo de Deus que se rende aos carismas é uma pessoa especial, não que seja melhor que outros, ao contrário, pode até mesmo ser pior. É especial porque foi chamado, escolhido e adestrado por Deus. Nos debrucemos então sobre o texto.

            V.58: Isto quer nos dizer, sem descanso, sem paradeiro. Jesus não nos promete facilidades, ao contrário, seu caminho é árduo, pesado e até mesmo espinhoso. Seu caminho é difícil, mas certamente seguro.   

            V.60: Jesus nos promete vida plena e abundante. Ele é caminho, verdade e vida. Então a frase “deixem que os mortos enterrem seus mortos”, refere-se àqueles que não estão com Ele. Pois quem não caminha com Jesus, caminha com o mundo; e quem caminha com o mundo, freqüentemente caminha para o pecado e o pecado leva à morte, pois esta é a conseqüência do pecado.

            V.62: Quem olha para trás muitas vezes tem saudades do que deixou; pensa em voltar para buscar o que ficou para trás. Se vivemos uma vida nova em Jesus não podemos ser nostálgicos, com saudades do passado. O homem velho morreu e foi enterrado com o pecado. Pegar o arado e olhar atrás é entrar para o serviço do Senhor e lamentar-se pelo que deixou. É conversão aparente, pois na verdade se tem saudade da vida de pecados.

            Vejamos como complemento, os versículos 26 e 33 do capitulo 14 deste mesmo livro de Lucas. Lembra-nos o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas.  Trata de renúncia, desapego. Deixar tudo por amor a Jesus se for preciso, e deixar tudo é tudo mesmo! Deixar novela, futebol, até mesmo rejeitar empregos que contrariem a convicção cristã, a ética, a doutrina da Igreja. O cristão verdadeiro não trabalha em lojas de artigos esotéricos, de macumba, em produtoras de filmes e revistas pornográficos, etc, etc.

            No AT lemos que Elias lançou seu manto sobre Eliseu que cuidava de seu campo. Lançar o manto significava chamar para o serviço. Eliseu atendeu prontamente. Jesus está agora lançando seu manto sobre nós. E o manto que Jesus nos lança é seu próprio Espírito. Ele nos quer fazer especiais; Ele nos escolhe, convoca, instrui, nos fornece as ferramentas (os carismas) para que o sirvamos proficientemente.

            Nos chamastes, Senhor, para caminhar na vida contigo. Decidimos te seguir sempre, Senhor, não olhar, não voltar atrás. Cantemos: “Me chamaste para caminhar...”

         

  Enquanto cantávamos lembrei de uma Palavra dada a mim há muito tempo atrás: Is 28,23-29. Essa passagem me foi dada quando estava num grande e profundo deserto espiritual. Vivia um momento de aridez, no qual fazia um questionamento. Não um questionamento da fé, mas questionava se valia a pena continuar servindo ao Senhor meu Deus. Ou seja, eu estava tentado a largar o arado e olhar para trás, voltar atrás! Mas o Senhor veio em meu socorro e me deu esta Palavra, exortando-me a ouvi-lo. Essa Palavra que fala exatamente de um campo sendo semeado. Assim Deus quis que eu fizesse; que arasse, semeasse, cultivasse, colhesse, debulhasse. Assim Ele também fez em meu coração; aí então compreendi que era esse o meu caminho, que eu jamais poderia abandonar o serviço, a missão a qual Ele me chamou e confiou. Amém.  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Gal 5,1-16 – Liberdade Cristã-Preceitos

 



A

 palavra que Deus nos deu para hoje pode ser passada em duas etapas: Até o v. 12 Paulo nos fala da fidelidade a lei, aos mandamentos simplesmente. Dos vv. 13-16 Paulo nos fala da fidelidade a Jesus, à moção do Espírito Santo.

                O AT em Gen 17,9-14 relata o pacto de Deus com Abraão. Deus ordena a Abraão e aos seus, que se circuncidem, em sinal de aliança. A circuncisão tem força de lei para os judeus. Até hoje todos os judeus são circuncidados. Mas nós cristãos temos uma nova aliança, uma aliança eterna, definitiva: Jesus. Isto não significa que devamos desprezar o AT, longe disso. Até porque Jesus, como ele mesmo diz, não veio abolir, mas aperfeiçoar a lei. Devemos ser fiéis aos mandamentos da lei de Deus, mas acima de tudo devemos ser fiéis ao próprio Deus em si, abertos a ação do Espírito Santo.

                 A Palavra de Deus nos diz que quem está sob ação do Espírito Santo não está submisso a lei. Mas por aí muitas pessoas vivem mergulhadas no pecado e se julgam justas, certos no seu proceder, não é assim mesmo?  Eles dizem, não mato, não roubo, não faço mal a ninguém, logo não peco. Não é assim que eles falam? Mas matar não é só atirar em alguém com um revólver, a língua também mata; a língua pode matar e ferir, mutilar mais que a espada. A calunia, a injuria, podem acabar para sempre com a dignidade, com a honra de um homem, de uma mulher.

                E u não roubo. Está certo, eu não meto a mão no bolso de ninguém, mas não devolvo o troco a mais que eu recebo; acho uma carteira recheada e devolvo vazia, só com os documentos. É... Fulano faz tudo isso e ainda diz que não rouba. Misericórdia Senhor, Misericórdia.

                Eu não faço mal a ninguém, mas vivo escandalizando a todos com minhas atitudes. Bebo demais, falo palavrão o tempo todo, me visto de modo indecoroso. Não namoro, fico; sou casado(a) e saio com outras mulheres, outros homens, etc,etc. Eu posso até pensar que não incomodo ninguém com isso, mas na verdade estou ofendendo, machucando o coração daquele, que mesmo que eu não reconheça, é meu melhor amigo: Jesus.

                Essa hipocrisia também havia no tempo de Jesus. E Jesus veio dizer aqueles homens que eles não seguissem sòmente a lei, os preceitos, só isso não bastava.  E o Espírito Santo vem nos dizer agora que só isso não basta! Naqueles tempos os homens se circuncidavam, era preceito legal e muitos achavam que só isso bastava. Hoje somos batizados e muitos achamos que só isso nos basta! E o coração? O coração está incircunciso, o coração está manchado pelo pecado, está impuro. A verdadeira circuncisão se dá no coração, pela ação do Espírito Santo, pela aceitação da Palavra de Deus, pela submissão ao senhorio de Jesus. E mais uma vez: Quem está sob a ação de Espírito Santo não está submisso a lei. Porque? Porque quem é movido pelo Espírito Santo jamais transgride a lei!

                Por questão de preceito vamos a missa aos domingos e dias de guarda. Por obrigação, só por obrigação, assistimos, não participamos, da celebração. O encontro com Jesus se dá somente no momento da Comunhão Eucarística, depois, tchau. A semana inteira o coração fica vazio; Jesus fica esquecido no Sacrário. No sacrário de pedra do altar, enquanto que na verdade, Ele deveria estar no sacrário vivo que é o coração. Guardem estas palavras, reflitam...

                Vv. 13 ao 16: Não abusar da liberdade, viver a vida espiritual.  São Paulo na primeira carta aos corintios nos diz que tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não posso me deixar dominar pela permissividade. Não posso me deixar dominar pela tentação, pela concupiscência da carne. Concupiscência é a tendência do ser humano de ceder as tentações, de se desviar do caminho do Senhor. Ë como um carro com a direção desalinhada, sempre puxa para um lado; Temos que ser firmes no volante para manter o carro na estrada. A concupiscência, inerente a nós, aliada a tentação do demônio é a principal causa de nossas quedas. Quanto maior o pecado, mais fundo é o buraco, mais sinistro, mais tenebroso é o abismo. Assim, quando caímos p’rá subir de novo, p’rá se erguer, é muito difícil, só pela misericórdia Divina. Para nossa sorte Deus é misericordioso, é todo amor.

                Todos conhecemos os frutos do Espírito Santo: Paz, harmonia, caridade, tranqüilidade, alegria, amor ao próximo, saúde, saúde espiritual. Só virtudes, só coisas boas. Vamos ler o v. 19 (...). Só o que não presta. Diante disso, irmãos, o que escolher? Irmão, você vai deixar de sentir a suprema alegria da presença de Deus vivo em seu coração, para viver uma vida de amargura, de incertezas? Desculpem a franqueza, a dureza das palavras, mas escolher errado é burrice, é insanidade!

                Se você se acha fraco, vacilante, andando em ziguezague, peça a Força do Alto, peça ao Espírito Santo que lhe oriente, que guie seus passos, que alinhe a sua direção