domingo, 9 de agosto de 2009

Aridez

Neste fim de semana em viagem, transitando pela Via Dutra na região do Vale do Paraíba, chamou-me a atenção num determinado trecho a vista de uma colina com a vegetação ressequida e árvores totalmente sem folhagem, como tocos de pau secos espetados no solo árido. Eram como espectros, numa visão tétrica. De imediato sobreveio-me um pensamento: há pessoas assim; coração duro, ressequido como aquele morro. Gente desanimada – sem animo, sem vida (anima: alma / alma: vida) – como na parábola do semeador, terreno pedregoso e espinhento. Qualquer palavra de animo ou reconforto é repelida ou sufocada, pois o coração e a mente estão secos e turvados pelas agruras e dificuldades da vida.
Todos passamos por momentos de aridez e deserto, entretanto que não seja algo constante, duradouro ou interminável. Em momentos difíceis, principalmente durante enfermidades é comum a dificuldade de oração devido a nosso foco estar voltado para a vicissitude vivida. Nessa circunstância o combate da oração é mais intenso, pois temos que lutar conosco mesmo para desviar nossa atenção para a busca da solução e não para o centro da crise. Porém com esforço e uma fé atuante, conseguimos pouco a pouco sair do deserto. Como diz o profeta Isaias: o deserto se converterá em vergel e o vergel em floresta. Para isto havemos de ser confiantes; nossa esperança residir na presença ativa de Deus em nós. Essa presença ativa é o Espírito Santo que nos faz viver e caminhar sob a égide de Jesus Cristo. Assim a terra árida, tétrica como a paisagem que suscitou essa reflexão, transforma-se numa área verdejante que além, forma uma bela e pujante floresta!
A vida no Espírito é nossa vocação; vocação de toda a humanidade. Buscá-la é fortalecer-se frente as dificuldades, é equilibrar-se nos momentos de indecisão, enfrentar sem temor os conflitos e acima de tudo ver os caminhos mais tenebrosos inundarem-se de luz. É verdadeiramente encontrar de uma maneira que nos interpela, o sentido pleno da vida. É encontrar a paz; não a paz estática que leva à acomodação, mas a paz dinâmica, a paz inquieta que faz brotar nos corações o impulso para servir ao Senhor e aos irmãos. Que o Espírito Santo venha fertilizar o solo árido, venha fecundar os corações dos homens, para que ao se deparar com a vista de uma colina infértil, não nos lembremos de nossa falta de fé.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Beata Elena Guerra



Beata Elena Guerra: Apóstola do Espírito Santo e Precursora dos Movimentos Carismáticos do Século XX!




Toda a história da salvação está marcada pela presença viva e operante do Deus fiel que é Amor (Cf. I Jo 4,16) e pelo Espírito derramado em nossos corações (Cf. Rm 5,5). Também a nossa vida cristã está cheia da presença de Cristo e do Espírito Santo!
Santo Irineu dizia que onde está a Igreja está o Espírito de Deus e todas as graças. E foi justamente nos momentos mais difíceis da história da Igreja que o Espírito Santo utilizou concretamente homens e mulheres para que estes pudessem servir de fermentos de renovação diante dos desafios e crises. É neste contexto profético que podemos falar de Elena Guerra, a “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”.
Elena nasceu em Lucca, na Itália, no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedicou a meditar a Palavra de Deus e a estudar os escritos Padres da Igreja, o que determinaria seu discernimento na vida espiritual e no seu apostolado, primeiro na “Associação das Amigas Espirituais”, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade cristã, e depois nas “Filhas de Maria”.
Em Abril de 1870, Elena vive um momento determinante em sua vida. Participa de uma Peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita as Catacumbas dos Mártires confirmou nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril assiste, na Basílica de São Pedro, a terceira sessão do Concílio Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.





No ano de 1871, depois de uma grande noite escura seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da “Congregação das Irmãs de Santa Zita”, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna dileta”.
Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão para exortá-lo a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente, endereça a Igreja alguns documentos que são como que uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: a breve “Provida Matris Charitate” de 1895, com o qual pedia que fosse celebrada a Novena de Pentecostes em toda Igreja; a “Divinum Illud Munus” em 1897, primeira Encíclica dedicada ao Espírito Santo na história da Igreja, e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo” de 1902, pedindo que Bispos e Sacerdotes pregassem sobre o Espírito Santo e recordassem da obrigatoriedade da Novena do Espírito Santo.
Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: as Oblatas do Espírito Santo!

Para Elena a exortação do Papa é uma ordem e se dedica ainda com maior empenho a causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”. Será este o mandato da sua Congregação ao mundo!
Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali, institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.
A Beata entende que a Igreja está endereçada a realizar os mistérios do Cenáculo, mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: a Igreja é por isto, prolongamento do Cenáculo e analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.
É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembléia de confirmados, e portanto, semelhantes a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo.



É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo, com uma estrutura muito similar aos nossos “Grupos de Oração”.
Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, Sábado Santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para a verdadeira “renovação da face da terra”.
Faltando poucos dias para a convocação do Concílio Vaticano II, o verdadeiro Pentecostes dos nossos tempos, o Papa João XXIII, eleva Elena Guerra a honra dos altares em 26 de Abril de 1959, fazendo-a a primeira Beata do seu Pontificado, quando a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”. Naquele dia, em sua homilia, o Papa afirmou: “A mensagem de Elena Guerra é sempre atual. Todos sentimos a necessidade de uma contínua Efusão do Espírito Santo, como a de um Novo Pentecostes, que renove a Terra”.
Nenhum outro santo deu tanto, orou tanto e sofreu tanto pela causa do Espírito Santo como Elena Guerra. Como RCC precisamos conhecê-la mais! Ela nos exorta: “Outrora, Jesus manifestou seu Sagrado Coração, agora quer manifestar o seu Espírito!”. Oremos como ela, para que no nosso tempo, o Espírito Santo seja “mais conhecido, amado e invocado”.
Beata Elena Guerra, Apóstola do Espírito Santo, Roga por nós e para que o Novo Pentecostes renove a Igreja, nossos corações e o mundo!


(Pe Eduardo Braga - extraído do portal RCC Br)

sábado, 25 de julho de 2009

Jesus Libertador

Nós cristãos dizemos – e dizemos com convicção – que Jesus Cristo cura, liberta, salva. Realmente, Jesus é Nosso Senhor e tem poder sobre tudo e sobre todos. Na cruz nossos pecados foram remidos: “Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão de vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele quem nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-os definitivamente ao encravá-lo na cruz” (Cl 2,13-15). Portanto, Cristo já nos libertou, cabe a nós sair do cativeiro. A morte, consequência do pecado, foi vencida e cabe ainda a nós, como Lázaro, vir para fora do sepulcro. Jesus abriu as portas de todas as prisões, rompeu os grilhões que nos acorrentavam, e da porta nos chama a si. Muitos, porém são surdos aos apelos do Senhor; ouvem, no entanto, os clamores do mundo. Estes ao invés de sair, ficam acuados no fundo de suas prisões, escravos que se fazem do pecado.
Nenhum de nós é pecador porque abandonados por Deus; ao contrário, abandonamos Deus, por isso somos pecadores. O mal não tem poder sobre nós se estamos em Deus com Jesus Cristo. Se alguém proclama que Jesus é senhor de sua vida e ainda assim vive em pecado, na verdade não tem Jesus como senhor e peca porque quer. Permanece no interior de sua cela no calabouço da iniquidade, não dá ouvidos a Jesus e atende aos clamores glamourosos do mundo, deixando-se seduzir pelos embustes do maligno.
Ouçamos, pois, a voz do Senhor que nos chama. Sigamos Jesus que é o caminho. Caminho que leva à verdade; verdade que liberta; liberdade que dá vida; vida plena e abundante.

domingo, 12 de julho de 2009

Jesus Cristo é o Senhor

A Bíblia na carta de São Paulo aos Filipenses, capitulo 2, versículos de 5 ao 11 nos relata: “ Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos. Toda língua proclame para a glória de Deus Pai que Jesus Cristo é o Senhor.” Deus o exaltou soberanamente, ou seja, de forma total e conclusiva, tornando-o superior a todos os nomes, e sabendo o que significava para o povo judeu a importância do nome, o qual representava a própria pessoa, podemos afirmar que há de chegar o dia em que todos os homens estarão curvados diante de Jesus, ou mesmo ao ser simplesmente pronunciado o seu nome.
Estamos voltando do congresso nacional da Renovação Carismática Católica, na cidade de Cachoeira paulista, estado de São Paulo, precisamente, da Canção Nova, cujo tema foi Jesus Cristo é o Senhor. Atentem: Jesus Cristo é o Senhor, não simplesmente senhor; Ele é O SENHOR! Isto é significativo, pois o artigo definido “o”, indica que Ele é único. Único senhor de nossa vida. Da minha vida, da sua vida, da nossa vida. Senhor de todos os senhores. Senhor divino e eterno, superior a todo senhor temporal.
Sendo de condição divina disso não se prevaleceu, fazendo-se como nós. Desceu de seu trono de glória, porém sem perder majestade e poder. Atemporal, enclausurou-se no tempo; imortal como Deus, submeteu-se a morte, morte cruenta e humilhante, morte no pior instrumento de suplicio de seu tempo, morte na cruz. Venceu a morte, pois Jesus é Senhor da vida, é a própria vida. Ao morrer na cruz nos lavou das iniqüidades e nos oferece a salvação; ao ressuscitar nos abriu as portas do céu, dando-nos a esperança da eternidade.
Jesus é um com o Pai e o Espírito Santo, é Deus. E do alto dos céus com o Pai nos dá o seu Espírito, pois somente sob ação do Espírito Santo podemos proclamar verdadeiramente que Jesus Cristo é o Senhor. Sem o Espírito Santo, ou seja, carnalmente podemos até dizer que Jesus é Senhor, mas dessa forma só dizemos. No Espírito, porém, não só dizemos, na verdade vivemos, assumimos o senhorio de Jesus em nossa vida. E assumir o senhorio é submeter-se à vontade, obedecer ao senhor, segui-lo, imitá-lo. É fazer aquilo que ele quer. O que Deus quer e espera de nós é que nos abramos a ação do Espírito Santo e segundo a sua vontade, sigamos Jesus, caminho verdade e vida, obedecendo em tudo, vivendo o evangelho pleno, apossando-se da Palavra de cura, libertação, salvação, sem no entanto esquecer-se das cruzes. O próprio Jesus para alcançar a glória eterna passou pela transitoriedade da cruz.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Se Calarem Nossa Voz

Zapeando o televisor vi e ouvi estarrecido trecho de dois programas; o primeiro, com a presença de vários adolescentes incentivava o uso livre de preservativos (a famigerada camisinha). No outro uma mulher fazia aberta apologia ao aborto. O estarrecedor não foi tanto o conteúdo dos programas em si – já tão corriqueiros na TV – porém o fato de serem veiculados em emissoras consideradas educativas e uma delas pública.

A desmoralização das virtudes (castidade, abstinência), a cultura da morte (aborto, eutanásia), os contra valores (adultério, homossexualismo), são de forma ora sutil, ora despudoradamente, apregoadas nos meios de comunicação, notadamente a televisão. Isto já soa como normalidade, embora imoral. O que na realidade nos choca (nós cristãos, nós que buscamos o caminho da verdade, nós que sonhamos viver num mundo melhor), é o patrulhamento das mentes com a condenação sumária dos que pensam diferente, ou seja, os que prezam os valores morais, a ética, a justiça, o direito à vida.

A liberdade de expressão e certos direitos só existem para esta ou aquela minoria que se diz perseguida e/ou discriminada. Aí então pululam aproveitadores que se dizem quilombolas (gente que nem ao menos sabe o que foi um quilombo), pseudo negros de plantão (gente de pele clara, que se declara negro porque tem um bisavô mulato, só e tão somente para se aproveitar do sistema da reserva de cotas nas universidades). Por aí vai o “tirar vantagem”, a famosa lei de Gerson. Isso não é o pior, é na verdade um caso de abuso de direito e desonestidade. O pior é tentar inculcar na mente da população que aborto é um direito da mulher, que homossexualismo é algo natural e expressão de amor, que certas drogas deveriam ser descriminalizadas, que adultério é aceitável, notadamente o masculino, já que o homem por natureza teria tendência poligâmica e a mulher pelo principio da igualdade teria o direito de pagar na mesma moeda. Quanta leviandade!

Liberdade de expressão e alguns direitos só existem para alguns, repito. Quem pensar diferente, quem navegar contra a maré, quem nadar contra a corrente, quem falar ou agir de maneira contrária é perseguido, acuado, execrado. Por isso pessoas de bom senso que intrepidamente ainda se dispõem a tomar posição contra a insanidade moral que grassa na sociedade, são tachados de preconceituosos; por isso a Igreja, reserva moral da sociedade, é vilmente atacada; por isso homens e mulheres, cristãos ou não, que defendem os bons costumes e a moral são impiedosamente calados, sendo-lhes tirado o direito de opinar. É a cruel ditadura das minorias. É a praga (praga mesmo!) do politicamente correto.

Querem nos amordaçar. Que importa? “Tenho que falar, tenho que gritar, ai de mim se não o faço...” E mesmo que consigam calar a nossa voz, as pedras falarão.

Ser feliz

Diz a letra de uma bela canção popular: "A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. Voa tão leve, mas tem a vida breve; precisa que haja vento sem parar. A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor; brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor".
Belíssima poesia; no entanto não condiz com a felicidade cristã. Nossa felicidade não é efêmera como sugerem os versos da canção. Nossa felicidade não é baseada em fatos, pessoas ou coisas - se bem que isto possa concorrer para sermos felizes - não como fundamento, mas de maneira completiva.
A felicidade real não vem de fora, brota do coração pela presença viva de Jesus em nosso interior. Somos felizes quando temos Cristo Jesus no coração. Pois Jesus nos confere sua Paz, sua Alegria, seu Amor, sua Amizade. Quem tem Jesus tem tudo, portanto é feliz. A Palavra de Deus em Lc 12,31 e Mt 6,33 nos diz: "Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Justiça e todas as demais coisas vos serão acrescentadas".
Busquemos o Senhor; deixemo-nos conduzir pelo Divino Espírito Santo para que voando levemente, não por um vento qualquer de vã doutrina, mas pelo sopro da brisa suave do Espírito de Deus, sejamos realmente felizes. Felizes para sempre.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O que agrada a Deus

Que agrada a Deus? Bater no peito e gritar: “Jesus é meu Senhor”; comprometer-se com mil serviços, num excesso de ativismo; fazer todos os retiros; rezar o rosário diariamente; guardar os dias santos de preceito?
Dizer que Jesus é Senhor (e é mesmo) somente da boca pra fora, sem submeter-se integralmente a seu Senhorio é só falação, mero blá blá blá. Já fora dito pelo Senhor mesmo, nem todo o que diz senhor senhor, é digno do reino do céu. Ativismo em excesso é só ativismo. Quem se preocupa com muitos afazeres na igreja, ou mesmo no cotidiano, não tem tempo para a oração, para a escuta de Deus, para a leitura orante da Palavra, não tem tempo para nada, a não ser para suas tarefas, muitas delas infrutíferas e tantas outras que poderiam ser delegadas. De que vale fazer todos os retiros, se passa-se ao largo dos mais necessitados? Tomar o rosário e rezar mecanicamente cada terço, sem a devida meditação à cada mistério, é desprezar a riqueza que esta devoção nos proporciona. Cumprir os preceitos como se fossem mera obrigação também de nada vale. Nada feito por temor, por interesse pessoal ou por formalidade conta com o beneplácito divino.
Agrada a deus àquele que tem o coração contrito, amoroso, misericordioso, um coração adorador. Aquele que proclama que Jesus é Senhor e realmente vive sob o Senhorio de Jesus. Aquele que exerce dignamente seu trabalho no ganha pão de cada dia e participa ativamente na igreja, como agente de pastoral ou servo de movimentos eclesiais, sem esquecer-se de uma vida de oração. Aquele que comumente faz retiros espirituais, aos quais lhes são necessários, e não simplesmente por achar que estes lhe tornam santos. Aquele que, devoto mariano ou não, reza com respeito e dedicação o terço. Também aquele que cumpre os preceitos e é fiel a doutrina da Igreja, não no intuito do cumprimento de regras, mas com um sentimento de amor e fidelidade.
A estes Deus olha com especial atenção. Ele não esquece os outros, obviamente, pois o sol nasce para todos, bons ou maus e assim também Deus ama a todos seus filhos, rebeldes, ingratos, ou obedientes e fiéis. Portanto agrada a Deus quem o segue, quem se submete a sua vontade, quem o reconhece Senhor e Soberano, quem o reconhece dispensador de todas as graças.
Para sermos assim é fundamental aceitarmos Jesus como senhor, reiteramos. E para tanto nosso coração tem que ser (ou estar) brando e assim permanecer. Abertura de coração para o Espírito Santo; o Espírito Santo é o próprio Deus habitando em nós e que se revela quando, abrindo o coração nós Lhe concedemos que nos controle.
Jesus com o Pai nos dá o Espírito Santo para que através do Espírito, Ele próprio se revele e nos conceda Sua companhia para que o sigamos incondicionalmente, deixando o caminho largo e trilhando a via que conduz à porta estreita. Esse caminhar no Espírito agrada imensamente a Deus.

sábado, 20 de junho de 2009

Profecia nos grupos de oração

“Praticar o carisma da profecia na Renovação Carismática”
María José Cantos de Ortiz - (ICCRS)

A profecia é uma mensagem de Deus, uma manifestação do Espírito para o bem geral, pois os que profetizam edificam, exortam e confortam a comunidade (1 Cor 12,7; 14,3). Pode ser expressa através de uma frase, visualização ou texto da Bíblia.
Nos grupos de oração da Renovação Carismática Católica, há muitas intervenções que são inspiradas pelo Espírito Santo: algumas vezes, algumas pessoas se sentem movidas pelo Espírito a partilhar uma experiência, a dizer uma oração ou a ler um texto claramente guiado por Deus; outras vezes, uma idéia, uma visualização ou uma moção recebida é comunicada aos outros. Quando falamos de “profecia”, estamos nos referindo a comunicações do Senhor. Estas podem ser expressadas de forma simples e direta, como, por exemplo: “ Eu estou com vocês, não temam”... através de uma mensagem em línguas e sua interpretação, através de uma canção profética ou de uma visualização recebida.
Quando uma profecia é recebida, há dois aspectos envolvidos: um é aquele de sentir-se movido por Deus a falar e o outro é uma iluminação da mente para expressar a mensagem. Estes aspectos podem ser consecutivos ou simultâneos. Sentir-se movido por Deus a falar pode manifestar-se em sinais físicos, como o aumento dos batimentos cardíacos, um peso que persiste, ou um impulso sereno em dizer alguma coisa. Em qualquer caso, devemos sempre considerar de que nenhum impulso divino é incontrolável ou deixa a pessoa perturbada: o espírito profético deve estar sob o controle do “profeta” (1 Cor 14,32). Por sua vez, a iluminação da mente acontece através de idéias, palavras, frases que surgem na mente, visualizações ou inspirações repentinas. Algumas vezes a pessoa recebe uma mensagem completa, mas é bastante comum que a pessoa receba a mensagem como ele/ela a expressam. O conteúdo da profecia é uma mensagem de Deus para aquele momento e seu propósito é edificar a comunidade, confortar, dando-lhe paz e alegria, encorajar, fortalecer, corrigir ou exortar.
Embora a profecia seja uma mensagem de Deus, esta é dada através de uma pessoa que fala quando movida pelo Espírito. Pela mesma razão, faz-se necessário discernimento para saber se é genuína. Quanto mais uma pessoa estiver entregue a Deus, mais pura e transparente será a mensagem. Este é o motivo pelo qual a profecia deve ser discernida pela comunidade: “Quanto aos profetas, falem dois ou três e os outros julguem” (1 Cor 14,29).
Os critérios para discernir podem ser agrupados considerando que a mensagem de Deus deve “ter a fragrância de Cristo...o perfume da vida conduzindo à vida”.
(2 Cor 2,14-16 ). Allan Panozza considera cinco critérios para discernir uma profecia genuína: dar bons frutos; estar de acordo com as Escrituras; encorajar, edificar, exortar, trazer paz e não medo; dar glórias a Deus, e o profeta estar sob a unção de Deus.
Através do processo de discernimento, a profecia verdadeira, a falsa profecia, e a pseudoprofecia podem ser distinguidas. A verdadeira tem os atributos expressos acima. A falsa profecia não aparece com freqüência e geralmente contradiz, em algumas de suas partes, o que a Palavra de Deus ou o ensinamento da Igreja expressam; é expressa em palavras agressivas ou condenatórias; seus efeitos são negativos e seus frutos são a inquietude, a angústia ou a ansiedade. Há situações que favorecem a falsa profecia: pessoas que tem tido contato com o oculto, divisões no grupo, situações de pecado ou o desejo por carismas extraordinários. A pseudoprofecia corresponde a uma mensagem que vem da pessoa, seja através de seus pensamentos, sentimentos ou emoções; sem prejudicar, ela não tem o poder e a unção que vem de Deus. Por último, há também mensagens dadas como profecias nas quais o que vem de Deus se mistura com o que vem da pessoa. Isto geralmente acontece quando uma pessoa começa a profetizar. Neste caso, a pessoa responsável pelo grupo ou comunidade deve ajudar para que este dom seja purificado no irmão ou irmã que a manifestam.
A profecia é um dom muito apreciado por São Paulo: “Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente aos dons espirituais, mas sobretudo ao da profecia” (1 Cor 14,1).
Não desprezá-la, é uma insistência que ele faz em suas cartas (Tes 5, 19-21) a fim de que a apreciemos e a promovamos em nossos grupos de oração, dando ensinos apropriados sobre o assunto, apoiando, orientando e ajudando os irmãos e irmãs que mostram ter este dom para que cresçam, encorajando e ensinando o grupo a acolher e expressar a profecia que geralmente aparece em momentos de recolhimento, adoração, longos silencias e após cantar em línguas.
Finalmente, devemos considerar que deve haver algum tipo de autoridade a qual a profecia se submete; no grupo de oração, são os líderes que a discernem; em outros eventos como retiros ou reuniões, o discernimento é feito por uma equipe.
Resumindo, como a profecia é uma mensagem inspirada pelo Espírito, é um dom altamente estimado na Renovação Carismática e nos grupos de oração e deveria ser convenientemente encorajado. Quando um grupo reza e invoca o Espírito, Ele age edificando, exortando ou confortando a comunidade através de palavras proféticas na boca de pessoas simples que se abrem à Sua ação. Entretanto, o discernimento é essencial para distinguir a profecia verdadeira de outras mensagens que não vem de Deus.

domingo, 14 de junho de 2009

Nossa História

Corria o ano de 1986, mês de junho, quando a Sra. Ana Cândida, conhecida na comunidade como Dona Ana, fundou o grupo de oração denominado Jesus Misericórdia. A principio o grupo se reunia em sua residência, posteriormente com o aval do pároco, na época Padre Domingos, passou para a sede da Paróquia de São Brás. Foram pioneiros o Dr. Waldir, cirurgião dentista e o casal Ismael e Therezinha Durade, além de Jorge Augusto Ferreira. Dona Ana foi para os braços do Pai em setembro de 2008. Dr. Waldir é hoje Diácono permanente. Ismael fora membro do Conselho Vicarial Suburbano e coordenador da RCC no Vicariato Oeste; atualmente faz parte do núcleo do Grupo de Oração Jesus Misericórdia juntamente com sua esposa Therezinha; Ismael pregador e ambos ministros de oração por cura e libertação, também sendo MESCE’s. Jorge Augusto também compõe o núcleo do G.O. Jesus Misericórdia.
A 17 de setembro de 1991 foi acrescido, por iniciativa de Dona Ana, um horário alternativo no grupo de oração. Com o passar do tempo, as reuniões neste horário adquiriram característica e personalidade próprias, dando origem a novo grupo de oração, o Jesus Misericórdia e Paz. Em meados de 1998 este novo grupo viveu um período de arrefecimento e quase extinção, porém Deus aprouve usar o servo Ismael para promover a reestruturação e reavivamento do grupo de oração Jesus Misericórdia e Paz. Ao longo do tempo este grupo de oração teve como coordenadores: Ana Cândida (Dona Ana), Elizabeth (Betinha) e Carlos A. R. Nunes. Atualmente o grupo de oração é coordenado por Margarida Dolores de Almeida Lima, tendo como servos de núcleo Carlos A. R. Nunes, Lucilia Maria da Silva, Lucinéa M. da Silva, Maria José Gaião Ferreira, Maria de Lourdes S. de Lima, Teresinha M. de Araújo e Mirian Ferreira.
Integram o grupo de oração os ministérios: pregação (Carlos, Margarida, Lucilia), cura e libertação (Margarida, Mirian, Carlos, Lucilia, Teresinha), intercessão (Lucilia, Lucinéa, Ma José, Lourdes, Teresinha, Vânia), acolhida (Ma José, Rosana, Henrique) e música (Lourdes, Lucilia, Lucinéa).
Em outubro de 2008 foi iniciado o projeto Celebrando Pentecostes em Família, idealizado por Carlos Nunes e composto por servos dos dois grupos de oração. A finalidade é evangelizar levando a cultura de pentecostes ao seio das famílias. A equipe de servos visita as famílias em datas previamente agendadas, promovendo reuniões de louvor, oração, pregação e batismo no Espírito Santo. Enfim, o G.O. nas casas.
Os grupos de oração acontecem na Igreja de São Brás, Rua Andrade Figueira-158, Madureira – Rio de Janeiro. O Grupo de Oração Jesus Misericórdia se reúne as quartas feiras, 20:00 horas. O Jesus Misericórdia e Paz às segundas feiras, 15:00 horas.
Essa é nossa breve história. Que Deus continue abençoando os grupos de oração. Que Deus continue abençoando a Renovação Carismática Católica.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dor do mundo

Sempre haverá dor no mundo. Contudo não devemos nos desesperar. Os maus a levarão consigo e a espalharão aonde forem; os tolos egoístas não a perceberão em outros, somente em si próprios. Outras pessoas tentarão aliviar a dor, consolando os que sofrem, confortando, remediando. Estas são as pessoas boas, misericordiosas, compassivas, que amam; espero que você que agora lê este texto esteja entre esses últimos, mesmo que ocasionalmente também você tenha sido atingido pela dor e viva um momento atribulado.
Sabemos que Deus é bom e não se compraz com o sofrimento. Então porque sofremos?
Várias podem ser as causas: desleixo, conseqüências do pecado (pessoal ou herdada), fatalidade, imprudência, etc. Várias são as ocorrências em que pais ao perderem filhos em acidentes fatais, blasfemam culpando a Deus pela tragédia. Não se atêm ao fato que Deus não dirigia um automóvel enlouquecidamente; não se embriagou numa festa e assumiu um volante; não induziu ninguém a atravessar uma via de grande circulação de veículos fora da faixa ou da passarela de pedestres e tantas e tantas atitudes afoitas e irresponsáveis de grande numero de jovens hoje em dia.
E quando alguém atravessa a rua corretamente na faixa e é atropelado por um carro que em alta velocidade avançou o sinal? Quando o motorista dirige de modo correto e é abalroado por outro que dirigia drogado ou embriagado? Quando alguém é atingido por uma bala perdida? Quando uma criança contrai dengue e não resiste? Neste caso pode não haver responsabilidade das vitimas, mas alguém errou, alguém foi responsável pelos acidentes (ou incidentes). Um motorista insano guiava um carro velozmente e avançou um sinal; outro guiava embriagado; criminosos trocavam tiros nas ruas; profissionais de saúde negligentes e autoridades omissas não conseguem controlar uma doença facilmente diagnosticável e de tratamento simples.
Porque então responsabilizar Deus pelos erros e desatinos dos seres humanos? Porque Ele tudo sabe, tudo vê, tudo pode? De fato, Deus é onisciente, onipresente, onipotente, mas não é prepotente. Logo, Ele nos fez livres e não interfere em nossa liberdade, mesmo que abusemos dessa liberdade, mesmo que transformemos essa liberdade em libertinagem e libertinagem em maldade.
Deus não poderia vencer o mal? Certamente; em seu infinito amor Deus tem poder para tudo. É por isso que diante da maldade e suas conseqüências devemos sempre nos lembrar d’Ele. Sabemos que Deus é amor e sendo assim, valoriza quem é amado, portanto Ele não faz a nossa parte; deixa-nos à vontade. Na verdade Deus é força para que unidos em seu amor, façamos tudo que é possível para superar o mal. Quando as pessoas se unem vencendo barreiras, preconceitos, divisões, muito das conseqüências do mal são anuladas. Pode acontecer que nos atemorizemos frente ao que nos cerca. Entretanto jamais podemos esquecer que na morte e ressurreição de Cristo Jesus o mal foi vencido. Cabe a cada um de nós acolher esta dádiva. Não podemos fugir da responsabilidade, pois quem ama é responsável.

Façamos então como o Apóstolo Paulo: “Quem nos afastará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Pois estou persuadido que nem a morte, nem os abismos, nada poderá nos apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor”.(Rm 8,35.38s).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Parar de sofrer 2

Aprender a sofrer com o sofrimento de Cristo... Eis a frase. Cristão é aquele que segue a Cristo, ou melhor dizendo, aquele que imita (ou pretende imitar) a Cristo. Amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu e, portanto, participar do sofrimento de Jesus enquanto homem. Jesus Divino é isento de sofrimento, vive e reina na glória eterna e por ora é inacessível a nossos olhos meramente carnais. Imitemos, pois, Jesus humano que pisou nosso chão, assumiu nossa carne, em tudo foi como nós, menos no pecado e como nós submeteu-se ao sofrimento. Sofrimento esse para que o nosso fosse amenizado, para que nos fosse possível suportar as dores que cedo ou tarde nos alcançam.
Ninguém gosta do sofrimento, ninguém quer sofrer e quem sofre naturalmente quer parar de sofrer. Porém o sofrimento é inevitável. Inevitável, não imanente, não insuportável. Não imanente porque não perpassa a totalidade da vida; não insuportável porque quem tem Jesus tem tudo e Ele carregou sofre Si nossas dores, além do que não nos é dado fardo além de nossa força. A cruz que abraçamos é mais fácil de carregar do que aquela que arrastamos. Assumamos a cruz e roguemos a Deus que nos venha amenizar o sofrimento, ou expurgá-lo de vez.
O saudoso padre Leo nos mostrou o que é sofrer com dignidade, sofrer sem deixar de amar, sem jamais perder a fé. Grandes santos da Igreja sofreram por longos períodos de suas vidas. São Francisco de Assis sofreu os estigmas de Cristo em sua carne e morreu feliz por isso. O apóstolo Paulo nos relata o quanto sofreu pelo evangelho e a tudo suportou por amor a Cristo e a Cristo crucificado! Cristo vive, sabemos todos. Mas a cruz é a maior prova de amor que a humanidade já viu. Olhar para a cruz é ver o quanto Cristo Jesus padeceu por nós.
A noite sucede ao dia e assim dia e noite se revezam ao longo do tempo. Dias ensolarados, dias chuvosos e nevoentos; noites claras de luar, noites sombrias e tenebrosas. Dias tranquilos, noites serenas; dias agitados, noites insones. Dia e noite se revezam... Assim é também a vida de cada um de nós. Na linha do tempo de nossa vida, bons e maus momentos se alternam. Para alguns, muitos bons ou ótimos momentos e raros momentos de tribulação, a outros o contrário. Mas a todos, indistintamente, é dada a oportunidade de remissão, o reconforto, o refrigério, a oportunidade de cura através do sangue de Jesus. Sangue derramado na cruz!
Você talvez, caro irmão, esteja vivendo um período de turbulência, passando por uma noite escura; não desanime. O Sol Radiante da Justiça brilha sobre você. Se não O vê é porque você está envolvido em seus problemas, olhando seu próprio interior, daí a escuridão. O mundo tenta cegá-lo com o brilho falso das coisas pecaminosas para afastá-lo da luz verdadeira que é Jesus. Não olhe para trás nem para o chão, olhe para frente, olhe para o alto.
Parar de sofrer é o que todos queremos. Enquanto não conseguimos e se não conseguimos, ao menos aprendamos a sofrer com o sofrimento de Cristo: “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder de sua ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição entre os mortos” (Fl 3,10s).